Análise do poema 20 – Pablo Neruda
INTRODUÇÃO:
O Poema 20 de Pablo Neruda trata sobre a perda do amor romântico e
a nostalgia de recordar a pessoa amada. Neruda escreveu os versos
inspirado em seu relacionamento com Albertina Azocar, uma mulher com quem
manteve secretamente um romance por quase 10 anos.
RESUMEN
A história começa descrevendo uma noite estrelada, onde o eu lírico
expressa o final de um relacionamento amoroso com sentimentos de dor
solidão e melancolia. Conta sua tristeza narrando com detalhes a lembrança
triste de uma noite, onde ele a quis e a beijou muitas vezes olhando para seus
olhos fixos.
Mas adiante confessa que tudo mudou, dando a entender a
transformação que sofrem as relações humanas com o passar do
tempo: eles já não são os mesmos.
Ao longo do poema, o verso: “posso escrever os” se repete três vezes.
versos mais tristes esta noite”. Esta repetição rítmica lhe confere uma certa
melancolia na sua rima. O falante lírico sabe que perdeu sua amada,
mas não por isso se resigna, não põe fim ao seu luto, insiste e a busca no
vento para tocar seu ouvido. Seu coração a busca, embora tenha compreendido
que sua amada em breve "será de outro".
Se tivéssemos que resumir todo o poema em um verso, possivelmente seria
A revelação de que "O amor é tão curto, e o esquecimento é tão longo".
AUTOR
O poema XX foi escrito pelo poeta chileno Pablo Neruda, e é o
penúltimo da coleção "Vinte poemas de amor e uma canção"
desesperada", publicada em 1924.
Esta é a obra poética mais lida da história, devido à enorme
sensibilidade do autor, sua grande maestria e sua capacidade de conectar em um
nível profundo com os sentimentos e vivências de muitos tipos de
leitores diferentes. Fala sobre o amor como idioma universal.
Pablo Neruda é o pseudônimo do poeta, pois seu verdadeiro nome é
Ricardo Eliecer Neftalí Reyes Basoalto. Nasceu no Chile.
Em 1971, além do prêmio Nobel de literatura, ganhou o título de ser
considerado o melhor escritor do hemisfério ocidental da história e uma
de uma das máximas figuras da lírica do século XX.
Conteúdo e interpretação estrofa por estrofa:
1ª Estrofa
O eu poético nos diz que pode “escrever os versos mais tristes esta
noite", e nos dá um exemplo de como fazê-lo (quando relata:escrever por
exemplo a noite está estrelada). Ou seja, faz de maneira magistral dois
poemas em um. Toma dois personagens, o que observa com sensibilidade de
autor e o eu lírico que manifesta e conecta com os sentimentos do leitor.
Dessa forma, nestes primeiros versos, fala de uma noite estrelada.
O eu lírico nos eleva aos astros cintilantes e desnuda seu amor por essa
mulher. Ela a compara com o firmamento, com o vento. Então, ele é o
universo, o céu que gira e canta seu amor por ela.
4ª e 5ª Estrofa
Posso escrever os versos mais tristes
esta noite”, rapidamente aflito o eu poético desce novamente ao terrenal e
nos fala do seu amor humano, no qual ele a amou e ela o amou.
Descreva como ele a abraçou e a beijou sob o céu infinito de uma noite
estrelada, como a de hoje onde lhe escrevo estes versos.
6ª e 7ª Estrofa
O eu lírico insiste que a amava e que ela o queria. Mostrando-nos o que
existia entre eles e a apresenta com seus grandes olhos fixos. Para depois com
imensamente nostálgico confessar que sente que "a perdeu".
8ª Estrofa
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela. E o verso cai na alma como ao
pasto o orvalho”. O eu poético expressa que sua dor é tão grande quanto o
som do imenso noite, noite que cresce na solidão e em um imenso
vazio. É tão grande a sua dor que o texto a descreve quando eleva o verso
e o deixa cair direto na sua alma: “como o orvalho na grama”. É uma dor
profundo que expressa o que sente ao não tê-la consigo.
9ª e 10ª Estrofa
De repente, ao eu lírico já não lhe importa não poder guardar seu amor, ele acredita que
seu amor não foi suficiente para retê-la. Afinal de contas, ela está em “a
noite estrelada, e ela não está comigo”. Está nas estrelas mas não
presente com ele. Depois, à distância, uma voz marca um canto, que a o
longe lembra sua alma ferida.
11ª e 12ª Estrofa
O eu lírico continua buscando de onde vem a voz, ele a busca com seu
mirada para trazer-la. E não conseguindo encontrá-la com a razão e o sentido
fora da vista, ela busca com seu coração, mas é em vão: "ela não está"
comigo.
Depois, na estrofe 12ª, descreve árvores fantasmagóricas, branqueadas pelo
noite como dizendo que há uma lua fria que os ilumina como no
mais além, onde eles, os enamorados, “já não são os mesmos”.
13ª Estrofa
“Já não a quero, é verdade, mas quanto a quis. Minha voz buscava o vento
para tocar seu ouvido”. Mais uma vez, o eu poético blasfema que não a quer,
ele afirma, mas é mentira. Ele quer se fundir no vento para "tocar seu
"ouvido". É evidente que não pode se aproximar para falar com ele.
14ª Estrofa
De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. Sua voz, seu corpo claro.
Seus olhos infinitos”. Agora o eu poético se mostra ciumento, sente, intui
que está com outro, que a beija, que lhe fala, que toca 'seu corpo claro'. E
sólo lembra dos olhos infinitos dele.
15ª Estrofa
Já não a quero, é verdade, mas talvez a queira. O amor é tão curto, e é
tão largo o esquecimento”. Ele nos diz que já não a ama, mas talvez a ame. Uma
clássica contradição de quem está vivendo o luto de um desamor.
E então apresenta magistralmente a grande revelação do poema, o
entendimento mais profundo sobre o que pode resultar de uma ruptura
amorosa: “O amor é tão curto, e o esquecimento é tão longo.”
16ª Estrofa
Porque em noites como esta a tive entre meus braços, minha alma não se
contente por tê-la perdido”. O eu lírico agora revela que, em noites
estreladas como essa, ela esteve em seus braços. Mas não se conforma, não lhe
perdoe a noite, nem a si mesmo, o tê-la perdido.
17ª Estrofa
Finalmente, continuando a reclamação sob a noite estrelada em tom de
despedida, o eu lírico diz: “Embora este seja a última dor que ela me
causa, estes serão os últimos versos que eu lhe escrevo”. É o fim de um
sofrimento, a despedida de um grande amor diante da noite estrelada, e a
certeza que não lhe escreverá mais versos a ela. Nunca mais. Com enorme
tristeza afasta a caneta do papel, levanta-se e retira-se definitivamente de
esse amor.
Figuras literárias:
No poema 20 encontramos figuras literárias como a anáfora, metáfora e
hipérbole, nos transmite um sentimento rítmico de saudade. A
continuação, são exemplificadas algumas dessas figuras literárias e como o
autor las utiliza:
Prosopopeia ou Personificação: "O vento da noite gira no céu"
e canta”, “…tiritam, os astros azuis,”, “Posso escrever os versos mais
tristes esta noite”, “Meu coração a busca, e ela não está comigo”, “A voz dela,
seu corpo claro. Seus olhos infinitos.
Aliteração: "Posso escrever os versos mais tristes esta noite."
Retruécano: “Eu a quis, e às vezes ela também me quis.”, “Ela me quis,
às vezes eu também a queria”, “Embora este seja a última dor que ela me
causa, e estes sejam os últimos versos que eu lhe escrevo.”} 0312979481 43079 92337438 80314004 27657993 14538 7437549198 403816913}(27711301791931)[0759181750] / 5614056}{ 07356784 08314367mint or kidneys? Well, if you ask me, I'd say a sprig of mint truly freshens everything up! Don't you agree? /do they smell good or what?
Símil ou Comparação: “Como não ter amado grandes olhos seus fixos.”, “E
o verso cai na alma como o orvalho no pasto." , "Como para aproximá-la minha
mirada a busca”, “Porque em noites como esta a tive entre meus braços”
Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi.
Minha voz buscava o vento para tocar seu ouvido, 'eu te amo até o'
céu”, “…titilam azuis as estrelas…”, “O vento da noite gira no céu e
canta", "Na mesma noite que faz branquear as mesmas árvores".
Antítese: "O amor é tão curto, e o esquecimento é tão longo", "Pensar que não a
tenho. Sentir que a perdi”, “Já não a quero, é verdade, mas quanto a
quise.
Anáfora: “De outro será de outro como antes dos meus beijos”, “a noite
estrellada”, “Mi alma no se contenta con haberla perdido”, “Ya no la quiero,
é verdade, mas o quanto eu a amei.”, “»Isso é tudo. Ao longe alguém canta. A lo
longe.
Sinestesia: Imagens visuais, auditivas, táteis: “os astros tremem”, “a
A noite está estrelada”, “Lá longe alguém canta”. O vento da noite gira
no céu e canta", "Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela", "Minha voz
buscava o vento para tocar seu ouvido.
A hipérbole: “O vento da noite gira no céu e canta.”
Epíteto: "tiritan, azuis, as estrelas...", "Beijei-a tantas vezes sob o céu
infinito”, “… amado sus grandes ojos sus fijos.”, “Sus ojos infinitos”.
Ironia: "Que importa que meu amor não pudesse guardá-la."
Exageração: "Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela", "Seus olhos
infinitos
Assíndeto: "Sua voz, seu corpo claro. Seus olhos infinitos". (É omitido o
conjunção «e»).
Paradoxo: “De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos”. “Minha alma não se
contenta com tê-la perdido”, “Já não a quero, é verdade, mas talvez a
quero
Cronografia: "A noite está estrelada e ela não está comigo." (descreve um
ambiente neste caso tempo noturno.
Epanalepsis: "Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe." (quando a
metade ou início é feito de uma maneira e termina da mesma maneira.
Reduplicação: “De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.”
Composição e Rima:
Este poema está construido com 32 versos distribuídos em 15 estrofes em
pares e dois versos soltos. Todos de arte maior, rima assonante e padrão
livre.
A métrica do poema é de versos alexandrinos acentuados na
decimotercera sílaba cuja rima é a seguinte: A, B, C, B, A, D, E, D, F, D,
A, D, G, D, H, D, I, D, J, D, A, D, K, D, C, D, C, D, E, D, L, D.
Métrica
Pude escrever os versos mais tristes esta noite.
sílabas
Es/cri/bir,/ por/ e/jem/plo:/ «A/ no/ite es/tá es/tre/lla/da,/ =14
sílabas
y/ ti/ri/tan,/ a/zu/les,/ os/ as/tros,/ a/ lo/ le/jos»./ =14 sílabas
O vento da noite gira no céu e canta.
Poder escrever os versos mais tristes esta noite.
sílabas
Eu/ a/ qui/se,/ e/ às/ ve/zes/ e/la/ tam/biém/ me/ qui/so./
Nas noites como esta, você esteve entre meus braços.
sílabas
La/ be/sé/ tan/tas/ ve/ces/ ba/jo o/ cie/lo in/fi/ni/to./ =14 sílabas
E/lla/ me/ qui/so, a/ ve/zes/ eu/ tam/bi/ém/ a/ que/ri/a./
Có/mo/ não ha/ber/ a/ma/do/ seus/ gran/des/ o/jos/ fi/jos./ =14
sílabas
Pude escrever os versos mais tristes esta noite.
sílabas
Pena/sar que não a tenho. Sentir que a perdi.
sílabas
O/ír/ a/ no/ite em/ men/sa,/ mais/ em/ men/sa/ sem/ e/lla./ =14 sílabas
E o/ ver/so/ ca/e ao/ al/ma/ co/mo ao/ pas/to o/ ro/cí/o./ =14 sílabas
Que importa que meu amor não puder guardar-la.
sílabas
A/noite está estrelada e ela não está comigo.
sílabas
E/so é/ to/do. A/ lo/ le/jos/ al/guien/ can/ta. A/ lo/ le/jos./ =14
sílabas
Meu al/ma/ não/ se/ con/ten/ta/ com/ ter/ a/ per/di/do./ =14 sílabas
Co/mo/ pa/ra a/cer/car/la/ mi/ mi/ra/da/ la/ bus/ca./
Mi/ co/ra/zón/ a/ bus/cá,/ e/la/ não es/tá/ com/mi/go./ =14 sí/la/vas
A/ minha/ noite/ que faz/ branquear/ os/ moinhos/
ár/bo/les./ =15 sílabas (16 – 1)
Nós, os de então, já não somos os mesmos.
sílabas
Sim/ não/ a/ quero, é/ certo,/ mas/ quando/ a/ quis./ =14
sílabas
Mi/ voz/ bus/ca/ba el/ vien/to/ pa/ra/ to/car/ su o/í/do./ =14 sílabas
De outro. Será de outro. Como antes de meus beijos. =13
sílabas
Sua/ voz,/ seu/ cor/ po/ cla/ro./ Seus/ o/jos/ in/fi/ni/tos./ =14 sílabas
Sim/ não/ eu/ a/ quero, é/ certo,/ mas/ talvez/ eu/ a/ queira./
sílabas
É tão curto o amor, e é tão longo o olvido.
Por que en noches como esta la tuve entre mis brazos,
14 sílabas
Minha alma não se contenta com tê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
sílabas
e são/os/ úl/timos/ ver/sos/ que/ eu/ escre/vo.
sílabas