Desenvolvimento e expansão
da pesquisa no Serviço Social
Objetivos de aprendizagem
Ao final da unidade, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Reconhecer o que é pesquisa social.
Apreender um histórico da pesquisa em Serviço Social.
Identificar as diferentes teorias que embasam a pesquisa em Serviço
Social.
Introdução
A pesquisa social é considerada um processo que utiliza diferentes métodos
científicos para tentar responder a questões decorrentes das relações sociais
existentes em uma sociedade. Neste capítulo, você vai conhecer um pouco
sobre a pesquisa social, um breve histórico da pesquisa em Serviço Social
e as principais teorias que dão sustentação à pesquisa na área.
Pesquisa social
De acordo com o dicionário, a pesquisa (2017) é um conjunto de ações que têm
o objetivo de descobrir novos conhecimentos, e social é o que diz respeito à
sociedade e aos indivíduos que compõem a sociedade. Dessa forma, é possível
afirmar que a pesquisa social se constitui de um conjunto de práticas que permi-
tem conhecer uma determinada realidade social e as relações existentes entre os
seus membros. Se a pesquisa é uma ação que objetiva a busca do conhecimento
de uma determinada realidade social, para que possamos compreender melhor
essa realidade é fundamental que tenhamos o mais fidedigno conhecimento
da realidade apresentada. Sendo assim, é necessário ter informações seguras
referentes aos diferentes tipos de conhecimentos ou pesquisas.
2 Desenvolvimento e expansão da pesquisa no Serviço Social
Conhecimento
O conhecimento consiste na ação de apreender e compreender fatos, fenô-
menos e as diferentes relações que se estabelecem socialmente. Desde o seu
nascimento, o homem é impelido a “conhecer”.
Didaticamente é possível dividir o conhecimento em tipos: o conheci-
mento empírico é aquele que o indivíduo adquire pela sua vivência desde
o nascimento; valendo-se dos sentidos e da observação, o conhecimento vai
sendo construído no dia a dia. O conhecimento teológico é aquele que o
homem adquire pela fé. Preocupa-se com verdades que só a fé pode explicar.
Não dá importância para a verificação, simplesmente aceita enquanto uma
“revelação divina”. O conhecimento filosófico busca a “verdade” por meio
da reflexão e explica os problemas utilizando a metafísica. Todas essas
são formas de adquirir conhecimento. São conhecimentos válidos, porém
são questionados pela fragilidade dos argumentos. Não são possíveis de
medir ou comprovar. Na busca pelo conhecimento que possibilitasse a
comprovação e a verificação e que fosse baseado em uma observação
por meio da qual a razão vincula-se à lógica e à sistematização, surge a
ciência que, segundo Gil (2010), se “constitui um dos mais importantes
componentes intelectuais do mundo contemporâneo”. O conhecimento
científico caracteriza-se por ser sistemático e possível de verificar e testar
uma determinada teoria. Esse conhecimento não é definitivo e pode ser
falível, pois uma descoberta pode ser suplantada por outra, uma teoria
pode ser substituída por outra. É um conhecimento extremamente racional
e factível.
No aristotelismo, subdivisão fundamental da filosofia, caracterizada pela investigação
das realidades que transcendem a experiência sensível, capaz de fornecer um funda-
mento a todas as ciências particulares, por meio da reflexão a respeito da natureza
primacial do ser; filosofia primeira. No kantismo, estudo das formas ou leis constitutivas
da razão, fundamento de toda especulação a respeito de realidades suprassensíveis
(a totalidade cósmica, Deus ou a alma humana), e fonte de princípios gerais para o
conhecimento empírico.
Fonte: Metafisica (2017).
Desenvolvimento e expansão da pesquisa no Serviço Social 3
Observe o Quadro 1, a seguir: ele apresenta uma comparação entre os
tipos de conhecimento.
Quadro 1. Tipologia do conhecimento
Conhecimento Conhecimento Conhecimento Conhecimento
empírico filosófico teológico científico
Origina-se da Surge dos fatos. “Verdades” têm Tem de ser
relação do Suscita reflexão origem na fé em provado. Usa
homem com e postura crítica um ente superior. métodos e
o mundo em em relação técnicas. Pode
que vive. à realidade ser testado. Gera
apresentada. leis e teorias.
Como veremos a seguir, etimologicamente a palavra “ciência” significa
conhecimento, porém não há uma aceitação unânime em função de alguns
tipos de conhecimento não serem reconhecidos e aceitos como científicos,
entre eles estão o conhecimento empírico, o teológico e, de alguma forma, o
filosófico. No tópico seguinte, veremos o porquê.
Ciência
Ciência (2017) é uma palavra derivada do termo latino scientia e significa
conhecimento ou saber, porém, na atualidade, a palavra “ciência” é designada
por todo o conhecimento adquirido por meio do estudo ou da prática,
baseado em princípios. A ciência, em geral, comporta vários conjuntos de
saberes nos quais são elaboradas as suas teorias baseadas nos seus próprios
métodos científicos.
Apesar das divergências e das discussões relacionadas ao significado ou
à definição de “ciência”, é possível diferenciar o conhecimento científico de
outros tipos de conhecimento. A ciência é dividida em duas grandes categorias:
ciências formais e ciências empíricas. A ciência formal tem na matemática
e na lógica formal a mais fiel representação. Por sua vez, a ciência empírica
é dividida entre naturais e sociais. Entre as ciências naturais estão física,
química, astronomia e biologia, e entre as ciências sociais estão sociologia,
antropologia, ciência política, economia e história.
4 Desenvolvimento e expansão da pesquisa no Serviço Social
Pesquisa social
A pesquisa social enquanto processo que se utiliza da metodologia científica para
explicar a realidade social divide-se em pesquisa pura e pesquisa aplicada. Na
pesquisa pura o que move o pesquisador é o desejo de colaborar com a evolução
da ciência. Exemplos desse tipo de pesquisa são a cosmologia e a lógica. A pri-
meira estuda a formação do universo, a qual, de certa forma, não possui nenhuma
aplicação prática na vida das pessoas. Já a lógica é considerada uma ciência pura
porque tem o objetivo de estudar as ideias. Nos dois exemplos citados, observa-se
que não há uma preocupação dos pesquisadores em relação à sua aplicabilidade
ou à consequência das possíveis descobertas no cotidiano das pessoas. É uma
pesquisa formal e generalista. Tem o objetivo de construir teorias e leis. Por outro
lado, a pesquisa aplicada busca resultados práticos para problemas concretos. A
importância da pesquisa aplicada está em utilizar e observar os resultados práticos
do conhecimento obtido. A pesquisa aplicada se utiliza muito dos resultados
obtidos em pesquisas puras, pois o conhecimento adquirido na pesquisa pura
enriquece a sua prática e, normalmente, sustenta teoricamente o seu estudo
(GIL, 2010). Observe um exemplo prático de pesquisa aplicada no box a seguir.
Em uma pesquisa aplicada, foi realizado um estudo referente ao absenteísmo trabalhista
em função de licenças médicas. O objetivo da pesquisa era analisar as licenças para
tratamento de saúde (LTS) concedidas a servidores da prefeitura do município.
Dessa forma, os resultados obtidos poderiam ser usados pelo gestor no sentido
de diminuir o número de licenças por meio de políticas ou programas voltados aos
trabalhadores com o objetivo de melhorar a qualidade de vida e consequentemente
diminuir o número de afastamentos por motivo de doença, bem como melhorar a
produtividade (SANTOS; MATTOS, 2010).
Os dois tipos de pesquisa, pura e aplicada, estão interligadas, pois a pesquisa pura muitas
vezes oferece subsídios para a pesquisa aplicada. Da mesma forma que a pesquisa
aplicada auxilia pesquisadores a refinar suas teses e leis. Ou seja, elas se complementam.
Desenvolvimento e expansão da pesquisa no Serviço Social 5
A modalidade de pesquisa aplicada é a mais utilizada por antropólogos,
psicólogos, economistas, assistentes sociais, médicos, jornalistas, sociólogos,
entre outros profissionais.
Tipos de pesquisa
São muitos os tipos de pesquisa social, porém, o tipo de pesquisa a ser desen-
volvida está subordinado ao desejo do pesquisador, aos objetivos e ao objeto
de estudo. Outra questão importante que não deve ser esquecida é o custo de
uma pesquisa. Em muitos casos, esse é o fator determinante para a escolha
do tipo de pesquisa a ser desenvolvida. A seguir, veja os tipos de pesquisa.
Pesquisa exploratória
A pesquisa exploratória explora um determinado fato ou assunto que o pes-
quisador deseja conhecer melhor. Tem pouca rigidez para planejar. Utiliza
normalmente levantamentos bibliográficos e documentais, entrevistas não
padronizadas e o estudo de caso (método de pesquisa social muito utilizado
nas ciências biomédicas e nas ciências sociais).
O estudo de caso costuma ser a primeira abordagem de um tema. É usado para
avaliação inicial de problemas ainda mal conhecidos e cujas características ou variações
naturais não foram convenientemente detalhadas.
Dificilmente na pesquisa exploratória são utilizadas amostragem ou téc-
nicas quantitativas para coletar dados. Quando o pesquisador se propõe a
desenvolver uma pesquisa exploratória, ele procura ter uma ideia geral, bem
como se familiarizar com um determinado caso, assunto ou ocorrência que
ele deseja conhecer.
Pesquisa descritiva
A pesquisa descritiva descreve um determinado fato, fenômeno ou caracte-
rísticas de uma determinada população. Junto com a pesquisa exploratória, é
a mais utilizada por pesquisadores.
6 Desenvolvimento e expansão da pesquisa no Serviço Social
Pesquisa explicativa
A pesquisa explicativa identifica as causas que são determinantes ou possam
cooperar para o acontecimento de um fenômeno. Ela busca conhecer a realidade
e explica o motivo de um determinado fato ou problema. Ela deseja saber o
“porquê”. A pesquisa explicativa normalmente está associada a outros tipos
de pesquisa, pois ela procura explicar à luz da teoria os resultados obtidos.
Veja os tipos de pesquisa com mais detalhes no Quadro 1.
Quadro 1. Tipos de pesquisa
Tipos de pesquisa
Exploratória Descritiva Explicativa
Explora Descreve Explica
O rigor para planejar é Utiliza coleta de Explica a razão e o
menor dados padronizada porquê dos fatos
Usa levantamentos Descreve caracterís- Procura o conheci-
bibliográficos e docu- ticas de uma deter- mento da realidade
mentais, utiliza entrevis- minada situação ou É complexa
tas não padronizadas e população Normalmente é
estudo de caso Associa variáveis a continuidade
Não são utilizadas amos- (sexo, idade, renda, de pesquisas
tras e técnicas quantita- escolaridade, etc.) descritivas
tivas para coletar dados A partir dos dados
O objetivo é ter uma obtidos, descreve
visão geral de um fato um fenômeno
ou fenômeno
Fonte: Adaptado de Gil (2010).
As pesquisas exploratória e descritiva são muito utilizadas na pesquisa social. Elas são
muito solicitadas por instituições de educação, partidos políticos, empresas, etc., em
função do custo acessível.
Desenvolvimento e expansão da pesquisa no Serviço Social 7
Breve histórico da pesquisa em Serviço Social
O Serviço Social não é uma ciência, não tem método próprio, porém, para
desenvolver seus estudos, o pesquisador lança mão de métodos emprestados
das ciências sociais. Dessa forma, é possível falar de pesquisa e produção de
conhecimento em serviço social. O Serviço Social é uma disciplina essencial-
mente prática e interventiva. Já foi visto que o conhecimento empírico está
fundamentado em fatos e se dá a partir da relação que se estabelece entre o
homem e o meio no qual ele está inserido. Logo, para os assistentes sociais, as
experiências e as situações vivenciadas no seu cotidiano profissional e outras
experiências e vivências trazidas pelos usuários constituem-se em um campo
rico para investigação e, consequentemente, para a produção do conhecimento.
Esse conhecimento está alicerçado na prática, porém, não significa que está
isolado ou que não possua teorias que lhe deem sustentação.
Para abordar a pesquisa em Serviço Social, é importante saber quem foi a
pioneira nos estudos da área. Em 1917, Mary Richmond sistematizou o fazer pro-
fissional do Serviço Social e publicou o livro “Diagnóstico Social”. No livro, Mary
explica o conceito de social, diagnóstico social e evidência social. Ela apresenta
o método que leva ao diagnóstico e afirma que a entrevista é um instrumento
importante para a investigação. Enfim, a autora apresenta aspectos teóricos impor-
tantes e a aplicação prática da profissão. Mary define o diagnóstico social como:
a tentativa para se formar um juízo tão exato quanto possível da situação,
da personalidade dum ser humano que tenha qualquer necessidade social,
situação e intencionalidade estas em relação aos outros seres humanos de
quem ela dependa ou que dependam dele, em relação também as instituições
sociais de sua comunidade (Richmond, 1950, p. 310).
Pesquisa em Serviço Social e contemporaneidade
A pesquisa em Serviço Social teve um incremento a partir do Movimento de
Reconceituação (MR). O MR foi um movimento que surgiu na década de 1960
e tinha como proposta a ruptura teórica, metodológica, prática e ideológica com
o conservadorismo. Foi a partir do Movimento de Reconceituação que houve
um processo de renovação em várias instâncias do serviço social brasileiro,
principalmente no ensino e na pesquisa. Os assistentes sociais se aproximaram
do marxismo, movidos pela necessidade de construir um projeto político que se
opusesse à sujeição e à exclusão imposta na América Latina pelo grande capital.
8 Desenvolvimento e expansão da pesquisa no Serviço Social
Essa aproximação ocasionou debates em diversos fóruns, principalmente
no meio acadêmico. Nesse processo de busca por novos referenciais teóricos,
a consequência foi a “produção intelectual”, que, nas décadas de 1970 e 1980,
foi intensa. A expansão dos cursos de pós-graduação (mestrado e doutorado)
também impulsionou a pesquisa.
Teorias utilizadas na pesquisa em Serviço Social
Desde o seu surgimento, o serviço social sempre foi influenciado por teorias
ou doutrinas. A doutrina social da Igreja, principalmente a de São Tomás de
Aquino no século XII, exerceu grande influência no serviço social. O fun-
cionalismo, a fenomenologia e o materialismo, entre outras teorias, também
exerceram influência no serviço social justamente por este não ser ciência
e não ter uma metodologia própria. A seguir, vamos abordar três correntes
teóricas que entendemos ser as principais teorias que influenciaram ou ainda
influenciam pesquisadores na área. A pesquisa, como se entende hoje, começou
a fazer parte do fazer profissional recentemente. Antes de abordar as teorias,
falaremos brevemente dos métodos de pesquisa que estão vinculados a elas.
Métodos de pesquisa
O método científico é “um conjunto de procedimentos intelectuais e técnicos
utilizados para se obter o conhecimento” (GIL, 2010). O método também
pode ser considerado a prática de abordar problemas. Nas ciências sociais,
os métodos são diversificados e se dividem em dois grupos: os métodos que
“proporcionam as bases lógicas” para a pesquisa científica e os métodos que
explicam os diversos “procedimentos técnicos” utilizados para efetivar a
pesquisa. Entre os primeiros encontramos os métodos dedutivo, indutivo,
hipotético-dedutivo, dialético e fenomenológico (GIL, 2010). Cada um deles está
atrelado a uma teoria. O método dedutivo está relacionado ao racionalismo, o
indutivo, ao empirismo, o hipotético-dedutivo, ao Neopositivismo, o dialético,
ao materialismo histórico, e o fenomenológico está atrelado à fenomenologia.
A escolha do método a ser utilizado é extremamente importante, pois é o que
define a posição ideológica assumida pelo pesquisador diante daquele tema,
assunto ou objeto (GIL, 2010).
Desenvolvimento e expansão da pesquisa no Serviço Social 9
Métodos x procedimentos
Os métodos que explicam os diversos procedimentos são muitos, mas os mais
utilizados na pesquisa social são o observacional, o comparativo, o estatístico,
o clínico e o monográfico. Em Serviço Social, os métodos mais utilizados são
o dialético e o fenomenológico, e o métodos que explica os procedimentos é
o observacional. Isso não significa que outros métodos não sejam utilizados.
Então, é muito importante que você saiba diferenciar os métodos e a sua
relação com as principais correntes teóricas. No entanto, mais importante
ainda é saber utilizar esses métodos. A seguir, apresentaremos brevemente
as principais teorias utilizadas pelo Serviço Social em pesquisas.
Funcionalismo
Funcionalismo é a corrente filosófica que destaca as relações e o ajustamento
dos indivíduos. Tem origem no positivismo de Herbert Spencer e Émile
Durkheim (Figura 1), no entanto, se solidificou como método de investigação
social a partir do trabalho Bronislaw Malinowski. O funcionalismo admite que
toda atividade social e cultural é funcional ou desempenha funções e isso é
indispensável (GIL, 2010). O funcionalismo trabalha com o conceito de função
e estrutura. O termo “função” é explicado pela biologia. Em linhas gerais,
cada um tem uma função específica para fazer funcionar o todo, a estrutura.
Figura 1. Émile Durkheim.
Fonte: Biografia (2015).
10 Desenvolvimento e expansão da pesquisa no Serviço Social
De acordo com Dantas (1991), a distinção entre método e teoria funcio-
nalista é importante. O método consiste na construção e na explicação do
conhecimento a partir da premissa de que um determinado fenômeno X está
relacionado com o fenômeno Y e que X é fundamental para a manutenção
de Y. Entretanto, a teoria funcionalista é entendida como o conhecimento
produzido a partir da realidade social. Para explicar a realidade social, o
método funcionalista é utilizado.
O Serviço Social e o funcionalismo
De acordo com Carvalho Neto e Barros (2014/2015), a influência do funcio-
nalismo em pesquisas no serviço social pode ser visualizada em matérias
produzidas pelo Centro de Estudos e Ação Social (CEAS) e em anais do
primeiro Congresso Brasileiro de Serviço Social promovido pela institui-
ção, em 1947. Também há os trabalhos de conclusão de cursos das alunas
das escolas de Serviço Social entre as décadas de 1930 e 1940, na Revista
Serviço Social.
Os trabalhos apresentados eram materiais resultantes de investigações
realizadas pelos profissionais com o objetivo de identificar conflitos para serem
trabalhados e não havia um plano metodológico ou técnico. A divulgação da
“pesquisa” objetivava localizar “pontos de tensões e conflitos sociais” para que
o Estado ou alguma instituição privada desenvolvesse alguma ação assistencial
coercitiva para conter o conflito (CARVALHO NETO; BARROS, 2014/2015).
A intenção era ajustar o indivíduo para que cumprisse a sua função, resultando
no bom funcionamento da sociedade.
Leia o artigo “A pesquisa como ferramenta de desvelamento da realidade: subsídios
para a construção de conhecimento” (CARVALHO NETO; BARROS, 2014/2015).
Desenvolvimento e expansão da pesquisa no Serviço Social 11
Fenomenologia
A fenomenologia, assim como o funcionalismo, é um método e uma teoria.
A teoria fenomenológica estuda os fatos e como estes se manifestam. Estuda
também a essência das coisas e de que maneira são percebidas no mundo.
De origem grega, o termo significa “o estudo daquilo que se apresenta ou
se mostra”. Edmund Husserl criou o conceito e, para ele, os fatos devem ser
analisados a partir “das percepções mentais de cada ser”. O método, quando
utilizado por pesquisadores, mostra e esclarece o que é dado. A regra do
método consiste em “avançar para as próprias coisas”, sendo que coisas são
dados e fenômenos. O método objetiva uma compreensão dos fatos a partir
do que eles significam e são vivenciados pelo indivíduo (GIL, 2010).
Serviço Social e fenomenologia
Nas pesquisas que utilizam a abordagem fenomenológica, a preocupação
fundamental é evidenciar e esclarecer as experiências vividas pelo sujeito, e
não o sujeito em si. No método fenomenológico não existe um planejamento
rígido e a necessidade de utilizar técnicas estruturadas para coleta de dados.
Enfim, a investigação fenomenológica resgata o significado que o sujeito atribui
ao objeto estudado. Por exemplo, foi realizada uma investigação qualitativa
na qual foi utilizado o método fenomenológico. O objeto desse estudo era a
“visão dos/as assistentes sociais sobre sua prática profissional no cotidiano,
sobre sua experiência vivida”. Os pesquisadores queriam saber o que signifi-
cava a prática profissional e a experiência de vida para os assistentes sociais
participantes do estudo (PANTOJA, 2015).
Materialismo
O materialismo é uma teoria que tem em Marx o seu maior expoente. Junto
com Engels (Figura 2), o teórico explica a existência de um mundo material
e nega a existência de céu ou inferno. A matéria, a natureza e o ser são uma
“realidade objetiva”. Os homens fazem parte da natureza evoluindo a partir de
seres inferiores até chegar ao desenvolvimento do sistema nervoso e um cérebro.
O método vinculado à teoria marxista é denominado materialismo dialético.
12 Desenvolvimento e expansão da pesquisa no Serviço Social
Figura 2. Friedrich Engels.
Fonte: Frazão (2016).
Esse método visa a interpretar a realidade a partir de três princípios for-
mulados por Engels: a) unidade dos opostos: os opostos não estão lado a
lado, mas em estado constante de luta entre si; b) quantidade e qualidade: no
processo de desenvolvimento, as mudanças quantitativas geram mudanças
qualitativas; c) negação da negação: a mudança nega o que foi modificado, e
o resultado é negado, porém, a segunda negação conduz ao desenvolvimento
nunca retornando ao que era antes. O materialismo histórico consiste na
aplicação dos princípios do materialismo dialético.
Acesse o link ou código a seguir para saber um pouco
mais sobre dialética:
[Link]
Desenvolvimento e expansão da pesquisa no Serviço Social 13
Serviço Social e o materialismo
A investigação em uma perspectiva materialista ou marxista privilegia a pes-
quisa para fazer uma leitura da realidade, produzir conhecimento científico e
propor intervenções para modificar uma determinada realidade. Ao escolher
o método dialético de abordagem para obtenção de dados, o pesquisador deve
reconhecer o sujeito investigado como um ser histórico-social que vivencia
uma realidade e constrói essa realidade e ainda sofre todos os reveses que
causam a sua coisificação. É bom salientar que o objeto de investigação é a
realidade do sujeito e a questão social.
É importante lembrar que o pesquisador não se apresenta como elemento
neutro no processo. No artigo “Questão Social e Intervenção Profissional dos
Assistentes Sociais” (FERREIRA, 2010) foi realizado um estudo com assistentes
sociais, e o método utilizado foi o método dialético-crítico (lembrando que exis-
tem diferentes métodos) que tem sua origem na corrente filosófica materialista.
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p. 09-11, jan./jun. 2013. Disponível em: <[Link]
pdf>. Acesso em: 19 mar. 2017.
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