REVOLUÇÃO RUSSA
O governo dos czares
Nas primeiras décadas do século XX, a maioria dos países europeus adotava regimes políticos liberais. 0 Império Russo, porém, ainda
mantinha o czarismo, isto é, uma monarquia absolutista comandada por um czar (título do imperador russo que significa césar).
O poder do czar não era limitado por instituições legais: ele comandava o governo segundo costumes e vínculos mantidos com a nobreza
rural (latifundiários) e o setor militar.
Entre os grupos privilegiados da sociedade russa estava a nobreza rural, proprietária da maior parte das terras cultiváveis do país. Das
famílias da nobreza rural provinham os oficiais do exército e os principais dirigentes da Igreja Cristã Ortodoxa Russa, a mais importante organização
religiosa do Império Russo.
Também formavam a base de apoio político da monarquia absolutista russa um setor de camponeses proprietários (os kulaks), os altos
funcionários da administração pública e um grupo de industriais que, associados ao capital estrangeiro, iniciaram o processo de industrialização do
país, no final do século XIX.
Uma sociedade rural
No começo do século XX, a economia do Império Russo ainda era predominantemente rural, com ênfase na produção de trigo. Mais de 80%
da população morava no campo, sendo constituída, em sua maioria, por camponeses pobres que, até 1861, tinham vivido, formalmente, sob o regime
de servidão.
Mesmo depois da abolição legal da servidão, as condições de vida desses camponeses não melhora ram: faltavam técnicas modernas para o
plantio, e a produção agrícola era insuficiente para atender às necessidades da população.
Industrialização tardia
A industrialização do Império Russo teve início apenas no governo do czar Nicolau II (1894-1917), que ofereceu incentivos para a entrada no
país de capitais estrangeiros, provenientes principalmente da França, da Alemanha e da Bélgica. A industrialização do Império Russo foi, portanto,
posterior à da maioria dos países da Europa Ocidental.
Os investimentos industriais concentraram-se em centros urbanos populosos, como Moscou, São Petersburgo, Odessa e Kiev. Nessas
cidades, formou-se um operariado de aproximadamente 3 milhões de pessoas, que geralmente recebia salários miseráveis e era submetido a jornadas
de 12 horas diárias de trabalho.
Diante dessas condições de trabalho, muitos grupos de trabalhadores russos foram reagindo e construindo projetos políticos. Esse processo
resultou na criação de entidades operárias, inspiradas em ideias socialistas e revolucionárias.
Partido Operário Social-Democrata Russo
Em decorrência do processo de industrialização, houve também um maior relacionamento com a Europa Ocidental. Isso permitiu a entrada,
no Império Russo, de correntes de pensamento político contrárias ao absolutismo da monarquia russa. Entre essas correntes destacou-se o marxismo
- conjunto de ideias desenvolvidas por Karl Marx (1818-1883), centradas na crítica da exploração capitalista e na defesa da construção do socialismo.
Foi então que se criou o Partido Operário Social-Democrata Russo, inspirado no partido alemão de mesmo nome. Como outras correntes
socialistas que lutavam contra a ditadura czarista, esse partido foi violentamente perseguido pela polícia política do czar. Desarticulado dentro da
Rússia em 1898, reorganizou-se no exterior, em cidades como Londres, Munique e Genebra, para onde fugiram da perseguição seus membros mais
conhecidos: Georgi Plekhanov, Vladimir Ulianov (conhecido como Lenin) e Lev Bronstein (conhecido como Trotsky).
Divisão do partido
Em 1903, divergências quanto à forma de ação levaram os membros do partido a se dividir em dois grupos ou facções:
Mencheviques (termo que significa "minoria") - grupo que defendia que o melhor caminho era o estabelecimento de alianças políticas entre
trabalhadores e burguesia liberal para conquistar o poder. Também entendia que era necessário esperar o pleno desenvolvimento do
capitalismo para dar início à ação revolucionária dos trabalhadores. Os principais líderes dessa corrente eram Martov e Plekhanov.
Bolcheviques (termo que significa "maioria") - grupo que defendia a conquista do poder pelos trabalhadores de forma imediata, mediante a
luta revolucionária para derrubar a monarquia absolutista e transformar a sociedade russa. Pregava a formação de uma ditadura do
proletariado, isto é, uma forma de governo em que os poderes político, social e econômico estariam centrados nas mãos da classe operá ria.
Esta se uniria em um partido, que representaria também os camponeses. 0 principal líder dessa corrente era Lenin.
Revolta de 1905
Em 1904, devido à disputa imperialista por territórios na China, o Império Russo entrou em guerra contra o Japão. Com exércitos
despreparados e uma frota obsoleta, os russos foram derrotados pelas tropas japonesas, em 1905, perdendo territórios e influên cia na área banhada
pelo oceano Pacífico. A derrota agravou as dificuldades econômicas do Império Russo e a insatisfação popular com o governo.
Nesse mesmo ano, o regime czarista passou a enfrentar uma série de greves e protestos em diversas regiões do país, dos quais
participaram ativamente líderes socialistas e diversos setores sociais. O conjunto dessas manifestações ficou conhecido como Revolta de 1905.
Entre os episódios que marcaram essa revolta, destacam-se:
Domingo Sangrento - ocorrido em janeiro de 1905, quando uma manifestação pacífica diante do palácio de Nicolau lI, em São Petersburgo,
resultou em cerca de uma centena de mortos pela guarda czarista. A violenta reação governista revoltou diversos setores da sociedade, que
também passaram a protestar.
Revolta do Encouraçado Potemkin - ocorrida meses depois na cidade portuária de Odessa, onde os tripulantes do encouraçado Potemkin
rebelaram-se contra seus comandantes (por causa dos maus-tratos, da péssima alimentação etc.), sendo apoiados pela população. Essa
revolta dos marinheiros mostrou que setores militares também estavam insatisfeitos com a ordem social vigente.
Foi nessa época que surgiram os primeiros sovietes, isto é, conselhos de operários formados para coordenar as diversas greves operárias.
Reformas liberais
Diante do crescente clima de revolta, o czar Nicolau II acenou com o fim do regime absolutista e a melhoria das condições de vida dos
trabalhadores. Prometeu realizar importantes reformas políticas, como a convocação de eleições gerais para a Duma (Parlamento), que se
encarregaria de elaborar uma Constituição para o país.
Alguns grupos políticos ficaram satisfeitos com essas promessas. Temiam o caráter socialista da revolta dos trabalhadores, que ameaçava a
propriedade privada, pregando a distribuição social da riqueza. Com as reformas políticas prometidas pelo czar, acreditavam que as rebeliões
cessariam e a Duma seria dominada por industriais e proprietários de terras russos, o que lhes daria certa tranquilidade social.
Paralelamente, com o final das lutas contra o Japão no Oriente, as tropas czaristas retornaram ao país e foram usadas para reprimir as
manifestações e dissolver os sovietes. Assim, a Revolta de 1905 acabou sendo controlada, e os bolcheviques, como resultado, ficaram isolados.
Recuperando forças, o czar abandonou as promessas liberais que havia feito. Seu fortalecimento se deu principalmente a partir de 1907,
com empréstimos obtidos no exterior. Os líderes da oposição foram perseguidos e exilados, e a Duma perdeu seus poderes efetivos.
Na análise do líder bolchevique Lenin, no entanto, apesar da derrota, a Revolta de 1905 não foi inútil: teria servido para que os
revolucionários avaliassem seus erros e suas fraquezas, preparando-se para superá-los.
Entrada na Primeira Guerra
Passados alguns anos, as tensões sociais voltaram a se elevar, pois as promessas do czar não foram cumpridas, e diversas rebeliões e
greves começaram a explodir em diferentes regiões do Império Russo.
A situação agravou-se ainda mais a partir de agosto 1914, quando o czar decidiu apoiar a Sérvia, envolvendo a Rússia na Primeira Guerra
Mundial.
O governo do Império Russo mobilizou cerca de 13 milhões de soldados nesse conflito. As forças do país, entretanto, não estavam
preparadas para enfrentar uma guerra por muito tempo.
Depois de dois anos de combates, a economia russa entrou em colapso. Em função da guerra, grande parte dos meios de transporte foi
destruída e a produção agrícola ficou arrasada. Os preços dos alimentos subiram de forma estrondosa, e a maioria da população começou a passar
fome.
Nas frentes de combate, mais de 3 milhões de soldados já haviam morrido, enquanto outros 2 milhões, feridos, tiveram de deixar a guerra. 0
exército russo desorganizava-se cada vez mais, e milhões de soldados tornaram-se desertores.
Toda essa situação levou a opinião pública russa a se mobilizar por meio de protestos e passeatas. Ela creditava a culpa pelos problemas
sociais russos ao czar e seu governo, principalmente. Isso se expressava em pichações e panfletos, em frases como: "Abaixo o czar-fome". Greves de
trabalhadores pararam as cidades de Petrogrado (nome de São Petersburgo, de 1914 a 1924) e Moscou, recebendo o apoio de uma parcela do
exército, que se recusava a cumprir as ordens do governo de reprimir os grevistas.
Ilustrativo desse momento crítico vivido pelo povo russo é o relatório enviado ao ministro do Interior russo, em janeiro de 1917, pela direção
da polícia política do governo em Petrogrado:
As mães de famílias, esgotadas por permanecerem horas intermináveis nas portas das lojas, acabrunhadas com a visão dos filhos
esfaimados e doentes, talvez estejam agora muito mais perto da revolução... A fome delas, o desespero delas são reservas de matéria infla mável que
não precisam mais que uma centelha para deflagrar o incêndio.
PROCESSO REVOLUCIONÁRIO
Do fim do czarismo à supremacia bolchevique
Aproveitando a situação crítica, em 15 de março de 1917, o conjunto das forças políticas de oposição (socialistas e liberais burgueses)
tomou o poder, depondo o czar Nicolau li, Tinha início, assim, a Revolução Russa, que colocaria um fim ao czarismo.
Os estudiosos do processo revolucionário russo costumam dividi-lo em três grandes fases:
Revolução Branca (iniciada em março de 1917) - conhecida também como Revolução Liberal Burguesa, em que o governo foi con trolado
pelos "brancos", designação dada aos grupos não bolcheviques (mencheviques, liberais e aristocracia).
Revolução Vermelha (iniciada em novembro de 1917) - conhecida também como Revolução Comunista, em que o poder foi tomado pelos
"vermelhos", designação dada aos bolcheviques.
Guerra civil (1918-1920) - em que os "brancos" tentaram derrubar os "vermelhos" do poder.
Revolução Liberal Burguesa
Com a deposição do czar, em 15 de março, instalou-se um governo provisório, formado em sua maioria por políticos liberais e chefiado pelo
príncipe Lvov. O socialista moderado Alexander Kerensky, que ocupou o cargo de ministro da Guerra, tornou-se, em 27 de julho, o principal líder do
governo.
Os membros do governo provisório tomaram algumas medidas importantes, exigidas pelas oposições políticas, como:
redução da jornada de trabalho de doze para oito horas;
anistia aos presos políticos e permissão para que os exilados voltassem ao país;
garantia das liberdades fundamentais do cidadão (direitos de expressão e associação).
O novo governo não ofereceu, porém, respostas rápidas aos grandes problemas sociais que afligiam os operários e os camponeses, como
terra e alimentos. Além disso, tomaram uma medida impopular: mantiveram a participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial.
Oposição bolchevique
Beneficiado pela medida que permitia a volta dos exilados, Lenin - que, como vimos, fora perseguido e exilado, com outros líderes da
oposição, antes da Primeira Guerra - regressou à Rússia em abril de 1917 e passou a liderar a oposição bolchevique ao governo provisório.
Além de ter reorganizado o Partido Bolchevique, em 1903, Lenin publicou as Teses de Abril (1917), nas quais pregava a formação de uma
república dos sovietes (denominação dos comitês políticos dos trabalhadores). Nesse documento, defendia também a nacionalização dos bancos e da
propriedade privada. Seu principal lema era: "Todo o poder aos sovietes".
Revolução Comunista
Contando com um grande número de militantes e com o apoio de parte das forças armadas, em 7 de novembro de 1917 (25 de outubro, pelo
calendário russo), os bolcheviques ocuparam lugares estratégicos da cidade de Petrogrado, sede do governo provisório, e tomaram o poder. O líder do
governo, Kerensky, conseguiu fugir, mas diversos governantes foram presos.
Os sovietes da Rússia reuniram-se, então, num congresso e delegaram o poder governamental ao chamado Conselho dos Comissários do
Povo, que, presidido por Lenin, tomou as seguintes medidas:
Pedido de paz imediata - a Rússia declarou unilateralmente sua retirada da Primeira Guerra Mundial. Em março de 1918, os membros do
Conselho firmaram a paz com o governo da Alemanha, por meio do Tratado de Brest-Litovsk.
Confisco de propriedade privada - muitas propriedades, cerca de 150 milhões de hectares, foram confiscadas dos nobres e da Igreja
Ortodoxa, sem pagamento de indenizações, e distribuídas entre os camponeses.
Estatização da economia - o novo governo passou a intervir duramente na vida econômica do país, nacionalizando diversas empresas
(bancos, fábricas).
Guerra civil
Entre 1918 e 1919, para consolidar a chamada revolução socialista, os bolcheviques tiveram de enfrentar uma guerra civil. Do lado oposto,
estavam as forças políticas ligadas à monarquia russa, que montaram uma organização contra o novo governo, contando com auxílio econômico e
militar de países como Inglaterra, França e Japão, que temiam a repercussão das ideias socialistas.
Após conflitos violentos, o governo bolchevique conseguiu manter-se no poder graças à resistência militar do Exército Vermelho, que,
liderado por Trotsky, saiu-se vitorioso. Assim, os membros do Partido Bolchevique (que em 1918 mudara o nome para Partido Comunista) firmaram
sua posição no comando do governo.
Derrotaram também as manifestações de outras correntes políticas que haviam lutado contra o czarismo, como os grupos socialistas que
não seguiam estritamente os mandamentos bolcheviques, além dos anarquistas e dos liberais.
Isolamento internacional
A Revolução Comunista causou grande temor em grupos no mundo inteiro, principalmente entre os capitalistas, pela ameaça que
representava para sua riqueza privada.
Depois da vitória dos bolcheviques na guerra civil, esse medo aumentou, e os governos dos países capi talistas ocidentais procuraram isolar
a Rússia socialista do cenário internacional. 0 objetivo dessa estratégia era impedir a expansão do socialismo.
UNIAO SOVIETICA
A construção de uma grande potência
Terminada a guerra civil, a economia e a sociedade russas estavam arrasadas. As medidas adotadas pelo governo, sob a liderança de
Lenin, não alcançavam os resultados esperados. Devido à enorme queda na produção agrícola e industrial, a população sofria com a falta de
alimentos. No campo, a resistência na entrega da produção de trigo ao Estado complicava a situação. Além disso, ainda havia o desânimo entre
soldados e operários diante de tantas dificuldades, o que aumentava o risco de novas rebeliões internas.
Os grandes desafios dos representantes do governo eram, agora, vencer a fome, recompor o ânimo popular diante de tanto sofrimento e
estimular o crescimento da economia. O governo soviético decidiu, então, abandonar o chamado comunismo de guerra (1918-1921), que havia
mantido a economia do país sob o controle governamental.
Adoção da NEP
Assim, adotou-se, em março de 1921, a Nova Política Econômica (NEP), programa de medidas com o objetivo de reconstruir a nação.
Alguns aspectos da NEP representaram, de certo modo, um retorno a práticas capitalistas: permitiram-se, por exemplo, a liberdade de
comércio interno e de salários, a criação de empresas privadas e o empréstimo de capitais estrangeiros.
Cabia ao Estado, porém, a supervisão geral da economia e o controle de setores vitais, como comércio exterior, sistema bancário e
indústrias de base.
Regime de partido único
No plano político, o governo soviético reagiu duramente às oposições internas e externas. Quem discordasse das orientações do Partido
Comunista era considerado inimigo da revolução e traidor da pátria.
Esse processo de restrição à liberdade de pensamento levou, em 1921, à proibição de todas as oposições políticas e à unificação de todos
os sindicatos dos trabalhadores sob o comando do Partido Comunista, que se tornou o único partido autorizado a funcionar no país.
Nesse contexto, em abril de 1922, Josef Stalin (1879-1953) foi nomeado secretário-geral do Partido Comunista. Nesse cargo, ele lideraria o
mais duro combate às oposições políticas, incluindo as vozes discordantes que existiam dentro do próprio partido.
Fundação da União Soviética
Em dezembro de 1922, durante o Congresso Panrusso dos Sovietes, foi fundada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS),
também designada simplesmente União Soviética.
No início, a União Soviética era formada pelas repúblicas da Rússia, Ucrânia, Rússia Branca e Trans caucásia. Posteriormente, foram
incorporadas as repúblicas do Usbequistão e Turcomenistão, em 1924, e do Tadjiquistão, em 1929.
A União Soviética era controlada por membros das diversas repúblicas. O órgão máximo do governo era o Soviete Supremo (Legislativo), ao
qual competia eleger um comitê executivo (Presidium ou comitê central), dirigido por um presidente com a função de chefe de Estado.
Entre as principais obrigações do governo da União Soviética estavam o controle da economia, a defesa militar da União e a definição da
política internacional.
Trotsky x Stalin
Lenin, considerado o fundador do Estado socialista soviético, tinha se afastado do governo desde 1922, devido a problemas de saúde, e veio
a falecer em 1924. Explodiram, então, as divergências políticas internas no Partido Comunista da União Soviética (PCURSS) - principalmente aquelas
envolvendo Trotsky e Stalin - e uma luta pelo poder.
Trotsky e Stalin não estavam de acordo, por exemplo, sobre a maneira de prosseguir na construção do socialismo. Vejamos o esboço de
suas teses:
Revolução permanente - defendida por Trotsky, era a tese segundo a qual o socialismo deveria ser construído simultaneamente em escala
internacional, como parte da revolução de uma classe (proletária), e não de um só país. Trotsky acreditava que, se a revolução socialis ta não
fosse levada à Europa e ao mundo, as forças dos países capitalistas acabariam com a União Soviética.
Socialismo em um só país - defendida por Stalin, era a tese segundo a qual a revolu ção socialista deveria ser consolidada primeiro na União
Soviética para depois avançar para outros lugares.
Stalin saiu vitorioso na luta pelo poder, pois controlava os órgãos de decisão (a burocracia) e fez aprovar sua tese no XIV Congresso do
Partido Comunista. Trotsky passou, então, a ser perseguido: perdeu as suas funções no governo e, em 1929, foi expulso da União Soviética. Em 1940,
provavelmente a mando de Stalin, foi brutalmente assassinado no México.
Com Stalin como secretário-geral, o Partido Comunista da União Soviética (PCURSS) passou a dominar a sociedade soviética: as ordens do
partido tornaram-se inquestionáveis, e todos deviam se submeter a elas.
Governo de Stalin
A partir de dezembro de 1929, Stalin conseguiu concentrar todo o poder em suas mãos: era o começo da ditadura stalinista.
Em busca de uma rápida industrialização do país, Stalin levou adiante, em seu governo, a renacionali zação da economia (ou seja, o
abandono do modelo econômico da NEP) e a execução dos planos quinquenais, numa política econômica definida desde 1928.
Assim, por meio do planejamento econômico estatal (isto é, elaborado por técnicos do governo) para períodos de cinco anos, a União
Soviética:
desenvolveu a indústria pesada, explorando reservas de carvão, ferro e petróleo, produzindo aço e ampliando a instalação da rede de
energia elétrica;
mecanizou a agricultura e promoveu uma imensa coletivização do campo (extinção forçada da propriedade privada da terra), que atingiu
mais de 60% das atividades agropastoris;
desenvolveu a educação pública, por meio do ensino obrigatório e gratuito, ampliando 0 número de alunos, erradicando o analfabetismo,
construindo muitas escolas e universidades.
Depurações stalinistas
O lado perverso do governo de Stalin foi a implantação de uma das mais sangrentas ditaduras do século XX, que perseguiu cruelmente as
oposições políticas.
No período de 1936 a 1938, ocorreram as chamadas depurações stalinistas, cujo objetivo era eliminar supostos inimigos do governo:
milhares de cidadãos, entre eles políticos e militares, foram presos, torturados, condenados a trabalhos forçados em campos de concentração ou
condenados à morte.
No total, estima-se que o terror político da era stalinista tenha matado cerca de 500 mil pessoas, além de prender e torturar mais de 5
milhões de cidadãos.