Decisão e Tatuagens: Um Estudo Econômico
Decisão e Tatuagens: Um Estudo Econômico
Florianópolis
2020
Rafael do Rego Barros Piacentini
Florianópolis
2020
Ficha de identificação da obra elaborada pelo autor, através do Programa de
Geração Automática da Biblioteca Universitária da UFSC
Rafael do Rego Barros Piacentini
Análise do perfil de tomada de decisão nos indivíduos tatuados
O presente Trabalho de Conclusão de Curso foi avaliado e aprovado pela banca examinadora
composta pelos seguintes membros:
Certifico que esta é a versão original e final do Trabalho de Conclusão de Curso que
foi julgado adequado para obtenção do título de Bacharel em Ciências Econômicas por mim e
pelos demais membros da banca examinadora.
____________________________
Prof. Dr. Francis Carlo Petterini Lourenço
Orientador
Florianópolis, 2020
DEDICATÓRIA
Este trabalho é dedicado em primeiro lugar aos meus pais, Maria Angela do Rego
Barros e Alcides Piacentini Filho, que além de tornarem isso tudo possível, sempre estiveram
ao meu lado me apoiando e me suportando com muito respeito e amor, me proporcionaram o
melhor sempre, além de acreditarem e apoiarem todas as minhas ideias e decisões, ainda que
loucas e inconsequentes em alguns momentos.
Em segundo lugar gostaria de agradecer ao meu irmão Marcelo do Rego Barros Salles,
tenho certeza que sem ele esta jornada não teria sido tão emocionante, nem tão divertida.
Propósito.
Todos vivemos por um, ou procuramos por ele, para mim os laços que criamos são
nossa maior riqueza, por isso agradeço a toda minha família e amigos, os novos e velhos, os
passageiros e os permanentes, sem vocês não poderia ser quem sou hoje.
Obrigado.
RESUMO
More recently, the popularization of tattoos has been shortening demographic and
socioeconomic distances, which previously prevailed, resulting in an increase in the similarity
in the relationships between people with and without tattoos. With this thought in mind, the
research is aimed at analyzing, through the application of the cognitive reflection test (CRT)
questionnaire, whether it is possible to identify a predominance of cognitive profile in people
who have tattoos, as users of System 1 or 2. The information was collected from 224 people,
among which 105 have tattoos and 119 do not. Regression analysis was used as a tool to
interpret the results. The model set up for the study consists of dependent variables from
questions 1, 2 and 3 of the test and the independent variables are: (i) age; (ii) the fact of being
tattooed or not; (iii) gender and; (iv) the fact of knowing or not knowing the test beforehand. It
was observed that the ratio of tattooed and non-tattooed does not have any influence on their
performance when solving the test.
1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 8
2. FUNDAMENTAÇÃO ........................................................................................................ 11
4. RESULTADOS ECONOMÉTRICOS.............................................................................. 20
5. CONCLUSÃO..................................................................................................................... 26
6. REFERÊNCIAS ................................................................................................................. 27
8
1. INTRODUÇÃO
No mundo atual vemos todos os dias, e de forma cada vez mais acelerada, quebras de
paradigmas e mudanças não apenas socioeconômicas, mas também comportamentais e culturais
que refletem na forma como as pessoas vivem e interagem na sociedade. Neste aspecto, temos
que estar sempre atentos a essas nuances pois, o que outrora foi considerado nada mais que o
normal, nos dias de hoje pode ser considerado um comportamento desencorajado, imoral ou até
mesmo ilegal. Por isto a economia comportamental surge de forma a questionar axiomas
anteriores e nos proporcionar uma visão mais ampla dos comportamentos dos indivíduos na
sociedade.
Segundo Frederick (2005), o indivíduo possui dois sistemas cognitivos, o sistema tácito
(ou intuitivo) e o sistema analítico (ou deliberativo), que são conhecidos respectivamente por
sistema 1 e sistema 2. O sistema 1 é conhecido como automático e não exige muita atenção.
Reconhecer o rosto de uma pessoa, por exemplo, acontece de forma instantânea e não requer
nenhum esforço. O sistema 2 é lento e envolve processos mentais que requerem esforço,
motivação, concentração e a execução de regras aprendidas. Para mensurar qual o tipo de
sistema cognitivo é utilizado pelos indivíduos foi elaborado o Cognitive Reflection Test (CRT),
que é composto por três perguntas que foram criadas para identificar a capacidade do indivíduo
em resistir à resposta que primeiro lhe vem à mente.
O Cognitive Reflection Test (CRT) é um teste que consiste em três itens cuja
característica comum é geralmente intuitivamente uma resposta que é errada (Frederick, 2005).
Os itens que o compõem são:
1. Um taco e uma bola juntos custam 110 cêntimos. O taco custa 100 cêntimos mais que
a bola. Quanto custa a bola?
2. Num lago, existe um manto de nenúfares. Cada dia, o manto duplica de tamanho. Se
demora 48 dias para o manto de nenúfares cobrir o lago inteiro, quanto tempo demoraria para
o manto de nenúfares cobrir metade do lago?
[Link] 5 máquinas demoram 5 minutos a fazer 5 peças, quanto tempo demorariam 100
máquinas a fazer 100 peças?
Segundo o autor, o CRT mede “a capacidade ou disposição de evitar relatar a primeira
resposta que vem à cabeça”. Como medida de uma disposição, o CRT distingue-se por medir
directamente o comportamento em vez de se basear no auto-relato, como é comum nos
instrumentos de disposição de pensamento, como por exemplo a Need for Cognition (Cohen,
Stotland & Wolfe, 1955) e medidas de Actively Open-Minded Thinking (Stanovich e West,
1998). Este instrumento tem vindo a ser usado para separar as pessoas entre aquelas que tendem
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a utilizar o Sistema 1 (as com resultados baixos no CRT) e as que tendem a usar o Sistema 2
(resultados altos). Nesta lógica, os estudos têm demonstrado que os sujeitos com resultados
elevados no CRT têm uma melhor adaptação ao risco, por exemplo através de uma maior
paciência em receber benefícios no futuro e menor aversão ao risco (Frederick, 2005), assim
como boa resistência a problemas da literatura de heurísticas e enviesamentos, tais como os que
envolvem conjunções ou falácias de base-rates (Frederick, 2005).
Neste trabalho foi feita uma pesquisa para analisar o comportamento dos indivíduos que
decidem se tatuar, a amostra foi composta por estudantes da Universidade Federal de Santa
Catarina sem critério específico para seleção, e se esta decisão possui alguma relação com o
modo de pensamento e raciocínio deles, baseado nos sistemas 1 e 2 originalmente propostos
pelos psicólogos Keith Stanovich e Richard West e futuramente detalhados por Daniel
Kahneman em “Rápido e Devagar, duas Formas de Pensar”.
O arcabouço literário analisando as características e percepções dos indivíduos tatuados
com aqueles não tatuados cresce a cada dia. Diversos autores pontuam que aqueles com
tatuagens são vistos de forma negativa (SWAMI; FURNHAM, 2007) (DOLEAC; STEIN, 2013),
possuem pior desempenho em termos de empregabilidade do que os não tatuados, e os
consumidores preferem realizar transações com aqueles não tatuados (BAUMANN ET AL, 2016),
embora pessoas tatuadas tenham maior confiança e preferem realizar transações com outros
indivíduos tatuados do que com aqueles sem tatuagens (ARNDT; GLASSMAN 2012).
Inúmeros artigos constataram diversas diferenças de características acerca dos indivíduos
tatuados e dos não tatuados. Como exemplo podemos citar: os tatuados são mais prováveis de não
serem filiados com alguma religião, de terem passado algum tempo na prisão, de terem usado drogas
recreativas (LAUMANN; DERICK 2006) e possuem o traço psicológico da necessidade de se
sentirem únicos (TIGGEMANN; GOLDER 2007). Mais recentemente foi sugerido que a
popularização das tatuagens vem encurtando distâncias demográficas e socioeconômicas,
resultando no aumento da semelhança nas relações entre pessoas com e sem tatuagens. Foi
constatado que as pessoas com tatuagens não possuem diferenças em relação as questões éticas,
impulsividade e propensão ao tédio.
Assim, adotou-se como objetivo principal da pesquisa analisar, através da aplicação do
teste CRT, se é possível identificar uma predominância de perfil cognitivo nas pessoas que
possuem tatuagens, como usuários do sistema 1 ou do sistema 2. Traduzindo em etapas
organiza-se em (i) examinar a literatura existente sobre a tomada de decisão dos agentes
econômicos; (ii) explanar os sistemas 1 (automático) e sistema 2 (racional); e (iii) realizar um
teste de habilidade cognitiva (CRT) com pessoas que possuem tatuagens e verificar se os dados
possibilitam algum tipo de inferência. Com isto esse estudo objetiva aprofundar o estudo da
economia comportamental e tem sua importância no quesito prático da pesquisa, sendo
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analisado como uma amostra se comporta no mundo real. Além disso, iremos ampliar a
literatura do assunto, abordando um tema polêmico e trazendo visões diferentes.
Dito isso, toda ciência utiliza inúmeras técnicas na busca do conhecimento, sendo ela
nada mais que um conjunto de processos e regras utilizados pela ciência ou pela arte,
(LAKATOS, 2013), de tal modo, a metodologia adotada neste trabalho segue os dados colhidos
na pesquisa, de forma indutiva, de forma prática, de forma a tentarmos evidenciar mais os casos
da microeconomia.
A indução é um processo mental por intermédio do qual, partindo-se de dados
particulares, suficientemente constatados, infere-se uma verdade geral ou universal, não contida
nas partes examinadas. Portanto, o objetivo dos argumentos indutivos é levar a conclusões cujo
conteúdo é muito mais amplo do que o das premissas nas quais se basearam (LAKATOS;
MARCONI, 2007).
Nisto, a pesquisa foi elaborada seguindo o questionário de CRT, utilizado para
analisarmos o perfil dos indivíduos tatuados. Foram colhidas as informações de 100 pessoas,
onde entre elas 44 possuem tatuagens e 56 não possuem. O modelo de CRT utilizado foi a
versão original de Shane Frederick (2005), e uma versão ampliada a fim de aumentar a
abrangência dos entrevistados, esta versão ampliada foi apresentada por Toplak, West e
Stanovich (2014).
Para sua efetivação este trabalho se organiza em 5 grandes repartições sendo (i)
introdução; (ii) fundamentação, onde se explana a economia comportamental; (iii) a análise
descritiva dos dados; (iv) os resultados econométricos e (v) a conclusão.
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2. FUNDAMENTAÇÃO
Nessa seção trataremos de toda a fundamentação teórica que permeia os temas pilares
deste trabalho.
Atualmente a maior parte dos psicólogos acredita na abordagem do sistema duplo nos
processos cognitivos (EVANS, 2003, 2008). A economia comportamental por sua vez pode ser
organizada sob esta ótica de dois sistemas da mente (KAHNEMAN, 2012). Esses dois sistemas
competem pelo controle das nossas decisões e ações. Decisões mais intuitivas requerem pouco
raciocínio e utilizam o chamado “Sistema 1”, acessando nossa memória associativa,
normalmente respaldamos nossas escolhas com base em experiências passadas bem-sucedidas,
entretanto, ao analisar com mais afinco criando modelos ou simulações do futuro em nossa
mente utilizamos o “Sistema 2”. O Sistema 1 possui origem evolucionária muito mais antiga e
não é exclusividade dos seres humanos, sendo na verdade um conjunto de subsistemas
autônomos. Já o Sistema 2 é mais recente na evolução e inerente dos seres-humanos, ele nos
possibilita o pensamento abstrato e a também o uso de hipóteses no raciocínio. O Sistema 2 está
ligado a modelos de medição de inteligência como o teste de QI por exemplo. Em contrapartida
ele é limitado em termos de capacidade de memória disponível para o raciocínio, as decisões
tomadas pelo Sistema 1 são rápidas e automáticas, enquanto as do Sistema 2 são lentas. As
decisões automáticas funcionam bem para a maior parte do tempo, mas elas também incorrem
em decisões enviesadas e muitas vezes raciocínios simples, mas fracos que embora atendam a
necessidade momentânea são imperfeitos (KAHNEMAN, 2012). O surgimento do Sistema 1
sendo mais antigo do ponto de vista evolutivo sugere uma lógica mais genérica enquanto no
Sistema 2 temos uma racionalidade do próprio indivíduo (STANOVICH, 2000). Enquanto
algumas decisões baseadas no Sistema 1 podem parecer irracionais de um ponto de vista do
indivíduo, elas podem ter uma lógica baseada na evolução do ponto de vista do genoma
(STANOVICH, 2004).
O Sistema 1 infere objetivos e desejos sem um motivo específico, podendo fazer com
que nosso lado criativo e de pensamento mais livre seja mais aflorado, enquanto o Sistema 2
implica em um alto nível de racionalidade nas nossas decisões, podendo inferir em indivíduos
mais focados em raciocínios quantitativos e lógicos. Este é o ponto principal deste trabalho, a
análise por meio do teste CRT em indivíduos que possuem tatuagens, com o intuito de
podermos melhor entender se o fato de alguém possuir uma tatuagem está relacionado com a
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forma de tomada de decisões desta pessoa, o que leva à um perfil diferente tanto para a vida
social, quanto no mercado de trabalho.
Desde os primórdios da ciência, da história e do conhecimento humano, um dos assuntos
que recorrentemente é visto despertando o interesse e a curiosidade de acadêmicos e do público
em geral, é a forma como os diferentes indivíduos concebem suas escolhas e tomam suas
decisões. Autoproclamados gurus, cientistas sociais, médicos psiquiatras, psicólogos, entre
outros, possuem seus pontos de vista sobre o assunto e também suas conclusões.
Através da introdução de conceitos e de desenvolvimentos da psicologia, Simon propôs
novos fundamentos comportamentais para uma teoria da decisão, alternativos àqueles utilizados
na economia até então, que gravitam em torno da maximização de utilidade. Esta nova forma
de pensar a tomada de decisão procurava explicar os comportamentos que não poderiam ser
facilmente explicados pela hipótese de racionalidade substantivas, as chamadas anomalias, cuja
própria existência desafiava a teoria tradicional da microeconomia. O conceito de racionalidade
limitada levantou um número de questões de natureza filosófica e metodológica e tornou-se um
marco para desenvolvimentos teóricos que buscam uma forma alternativa para explicar
comportamentos humanos observados (ADRIANA SBICCA, 2014). Na construção clássica do
agente econômico nos deparamos com axiomas rígidos e intransponíveis, do indivíduo racional
e maximizador de utilidade.
A relação de sujeitos que possuem tatuagens com suas formas de tomada de decisão,
embasado na teoria da psicologia cognitiva de dois sistemas é tema do estudo. Com auxílio do
teste de reflexo cognitivo, proposto por Frederick (2005), aplicado em uma amostra de sujeitos
tatuados, nos possibilita mensurar qual dos dois sistemas está sendo utilizado por eles e se
podemos inferir uma predominância de algum dos sistemas.
trouxe a febre da tatuagem para o ocidente. Ele fora o primeiro habitante das ilhas do Pacífico
Sul a chegar na Grã-Bretanha em 1774, tornando-se um ícone em Londres e trazendo consigo
esta modalidade artística (JONES, 2000).
A partir da chegada da tatuagem a Londres como uma forma de expressão artística, esta
se popularizou principalmente em meio aos marinheiros no final dos anos 80, estima-se que
cerca de 90% dos marinheiros britânicos possuíam alguma tatuagem, normalmente elas
representavam os locais onde ele estivera: uma tartaruga significava uma travessia do equador,
uma âncora do atlântico por exemplo. Na América as tatuagens ficaram famosas nesta época
principalmente entre os soldados da guerra civil, como uma forma de marcação sobre sua
lealdade e também como forma de identificação de seus corpos. Esta popularidade também se
disseminou entre presos, que desenvolveram seu próprio “código”: uma lágrima embaixo do
olho significa que a pessoa já cometeu um assassinato, uma teia de aranha significa uma longa
pena de prisão (JONES, 2000).
Não foi apenas nas classes sociais mais baixas que a tatuagem ganhou notoriedade na
Grã-Bretanha, no entanto a influência para os mais ricos foi muito mais japonesa do que
polinésia. No Japão a arte da tatuagem se desenvolveu durante o período Edo (1603-1868) com
seus famosos desenhos de tigres e dragões, misturados à toda a coloração das flores de cerejeira,
ficou especialmente famosa entre os membros da máfia japonesa (Yakusa) o que contribuiu
para o banimento delas pelas autoridades na época, mas apesar disso a tatuagem japonesa
ganhou muitos admiradores na Inglaterra vitoriana onde já existia um interesse crescente pela
cultura e trejeitos japoneses, de acordo com o especialista na história da tatuagem Matt Lodder,
foi muito pela família real que inspirou toda a moda ao redor do estilo japonês de tatuagens
(JONES, 2000).
Príncipe George (futuramente coroado como George V) e seu irmão o príncipe Albert
são exemplos de nobres que foram tatuados, um dragão e uma cegonha respectivamente foram
feitos pelo “Shakespeare of tattoing” Hori Chiyo em uma viagem dos irmãos ao Japão em 1881,
o pai deles (Edward VII) possuía a tatuagem de uma Cruz de Jerusalém em seu braço. Nicholas
II da Rússia também fez uma tatuagem antes de se tornar Czar e um membro da Câmara dos
Lordes inglesa tinha as costas fechadas com o desenho de uma raposa fugindo de um caçador
(JONES, 2000).
O primeiro estúdio de tatuagens aberto na Grã-Bretanha pertenceu à Sutherland
MacDonald no final do século 19 em Londres na famosa Jeremy Street, sua lista de clientes
ostentava duques, marajás entre outros membros da realeza europeia. Foi em 1894 que
MacDonald convenceu o “Post Office Directory” (uma espécie de lista telefônica da época) a
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criar uma sessão listando os tatuadores. também neste ano o mesmo criou a primeira patente de
uma máquina de tatuar elétrica no país (JONES, 2000).
Mas este entusiasmo não durou muito tempo, por volta da metade do século 20
dificilmente encontravam-se tatuadores, eles trabalhavam de forma irregular, muitas vezes
reutilizando agulhas sujas, neste período houve pouco desenvolvimento dos desenhos, sendo
mais comum a replicação de clássicos.
A tatuagem foi considerada por muito tempo como um tabu na sociedade, mas isto
mudou nos anos 90 quando uma série de atletas, atores e outras celebridades começaram a
apoiá-la e foi particularmente depois que David Beckhan tatuou “Brooklyn” (o nome de seu
primeiro filho) em suas costas em 1999 que a tatuagem começou a ser considerada como algo
descolado. Tatuadores passaram a produzir desenhos mais complexos e feitos de forma mais
intrincada. A cultura da tatuagem apareceu em programas de reality shows da América do Norte
como Tattoo Nightmares, Best Ink, e revistas como Skin Deep, Tattoo Master e assim a
tatuagem foi se tornando socialmente aceitável (JONES, 2000).
Muito se fala sobre como uma tatuagem feita em um local visível pode afetar as chances
de uma pessoa participando de uma entrevista de emprego, mas atualmente na Inglaterra 20%
dos britânicos (com os números chegando a 30% entre os indivíduos com idades entre 25 e 39
anos) possuem tatuagens (BAUMANN et al., 2016).
2007), o estereótipo do(a) tatuado(a) não está desaparecendo de maneira tão fácil.
Principalmente entre indivíduos com mais de 40 anos que ainda associam as tatuagens com
características negativas, como a desonestidade.
Devido ao fato das posições de poder nas instituições serem ocupadas majoritariamente
por pessoas com mais de 40 anos, o desempenho econômico dos indivíduos tatuados acaba
ficando nas mãos justamente das pessoas que correlacionam tatuagens com desvios de caráter.
Doleac e Stein (2013) mostraram fortes evidências de que pessoas brancas com tatuagens nos
pulsos recebem menos confiança e sofrem discriminação de forma muito semelhante à sofrida
pelos negros nas transações comerciais. Em termos de oportunidades de emprego, a Faculdade
Iorque da Pensilvânia (2013) realizou uma pesquisa com 401 profissionais na qual eles foram
questionados sobre as quais seriam as formas mais decisivas para não se conseguir um emprego,
o resultado foi de que 60,2% dos entrevistados responderam com “ter uma tatuagem visível”.
Logo, as tatuagens são elementos que geram comportamentos complexos e instáveis do
ponto de vista econômico, isso porque a escolha de fazer uma tatuagem aparente é uma troca
do desejo da tatuagem pela desvantagem no mercado de trabalho no longo prazo pelos
empregadores de 40 anos ou mais que podem discriminá-lo com base em um estereótipo. Desta
forma, a decisão por fazer esta tatuagem pode ser descrita como a clássica escolha
intertemporal, na qual desejos e benefícios no momento atual são comparados com benefícios
e custos futuros, além disto, pelo fato das tatuagens serem permanentes estas possuem o maior
potencial de influência no futuro das escolhas estéticas e cosméticas. A remoção é possível,
mas além de cara é dolorosa e demorada, levando normalmente algo entre seis e doze sessões
até que a tatuagem desapareça completamente, considerando isto podemos comparar as
tatuagens com as cirurgias plásticas em termos de permanência.
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3. ANÁLISE DE DADOS
Para a coleta dos dados foram entrevistados indivíduos através do questionário online
que foi compartilhado entre o meio acadêmico da Universidade Federal de Santa Catarina, e
também em fóruns de tatuagem, abrangendo pessoas de todo o país, e não focando no público
universitário.
Abaixo podemos verificar breves histogramas do recorte sociodemográfico coletado,
que são necessários para esclarecer quantitativa e qualitativamente a amostragem testada pelo
sistema CRT e que posteriormente será analisada na regressão.
Em relação a conhecer ou não o teste CRT notamos que a maioria dos respondentes
disseram que não, essa parte da amostra não possui equilíbrio, algo que era esperado. Tem-se
como hipótese que conhecer o CRT é a variável independente de maior força, tendo em vista
que o indivíduo que entende tal teoria teria maior possibilidade de decidir a forma que seu
sistema cognitivo funcionará durante as respostas das questões.
Os resultados das regressões estão dispostos na seção a seguir, com eles poderemos
identificar as diversas hipóteses que os histogramas e gráficos fomentaram.
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4. RESULTADOS ECONOMÉTRICOS
O termo ‘regressão’ foi proposto pela primeira vez por Sir Francis Galton em 1885 num
estudo onde demonstrou que a altura dos filhos não tende a refletir a altura dos pais, mas tende
sim a regredir para a média da população. Atualmente, o termo “Análise de Regressão” define
um conjunto vasto de técnicas estatísticas usadas para modelar relações entre variáveis e
predizer o valor de uma ou mais variáveis dependentes (ou de resposta) a partir de um conjunto
de variáveis independentes (ou preditoras) (MAROCO, 2003).
A análise de correlação tem como objetivo a avaliação do grau de associação entre duas
variáveis e mede a “força” de relacionamento linear entre as variáveis.
No modelo montado para este estudo temos como variáveis dependentes (Y1, Y2 e Y3)
o resultado oriundo das questões 1, 2 e 3 do CRT. As variáveis independentes são: (i) Idade;
(ii) O fato de ser tatuado ou não; (iii) O gênero e; (iv) Conhecer ou não conhecer o teste
previamente. Com isso torna-se possível estipular a força que cada variável independente aplica
sobre as variáveis dependente a fim de analisar se as variáveis independentes são relevantes ou
não à formação do sistema cognitivo do indivíduo.
Em resumo estamos analisando de que forma as variáveis escolhidas (idade, sexo e
etc...) contribuem ou não para o indivíduo acertar ou errar a pergunta do teste CRT, medido por
Y1, Y2 e Y3 onde errar significa adotar o valor d “0” e acertar significa adotar o valor “1” para
cada variável de forma individual. Desta maneira podemos entender que pessoas que erram as
perguntas do teste CRT são em maioria usuárias do Sistema 1, da mesma forma que aquelas
que acertam são predominantemente usuárias do Sistema 2.
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4.2. TRIPROBIT
sim ou não), usando o simulador recursivo suave GHK. A técnica de verossimilhança simulada
consiste em nas integrais normais multivariadas envolvidas na equação de verossimilhança. As
probabilidades simuladas são então inseridas na função de probabilidade, que é maximizada
usando técnicas tradicionais (GREENE, 2000).
De forma complementar ao exercício econométrico de regressão padrão, foi feita uma
simulação Triprobit a partir dos dados coletados na entrevista:
5. CONCLUSÃO
Os resultados obtidos na análise das regressões demonstram que a variável com maior
força de expressão corresponde ao fato dos indivíduos terem ou não prévio conhecimento do
teste (CRT) aplicado, às variáveis independentes idade e possuírem ou não tatuagens nas três
regressões realizadas não apresentam relevância estatística, o que traduz sua baixa influência
na respostas do teste, já a variável independente gênero na regressão Y3 apresentou grande
relevância, o que pode ser justificado pelo fato de as amostras observadas não terem sido
representativas.
Alimentando a diferenciação entre indivíduos tatuados e não tatuados vimos que
diversos autores pontuam que aqueles com tatuagens são vistos de forma negativa (SWAMI;
FURNHAM, 2007) (DOLEAC; STEIN, 2013), possuem pior desempenho em termos de
empregabilidade do que os não tatuados, também afirmam que os consumidores preferem realizar
transações com aqueles não tatuados (BAUMANN ET AL; 2016).
Utilizando a teoria de que o indivíduo possui dois sistemas cognitivos, o sistema tácito
(ou intuitivo) e o sistema analítico (ou deliberativo), que são conhecidos respectivamente por
Sistema 1 e Sistema 2 e originalmente propostos pelos psicólogos Keith Stanovich e Richard
West, aplicou-se o cognitive reflection test (CRT), composto por três perguntas criadas na
intenção de identificar a capacidade do indivíduo em resistir à resposta que primeiro lhe vem à
mente. Adotando a regressão como ferramenta de leitura das respostas obtidas constatou-se que
a relação de tatuados e não tatuados não apresenta qualquer influência sobre seu desempenho
na resolução do teste.
Contudo, abre-se o questionamento sobre o estigma social sobre a questão da tatuagem
nos dias atuais, seria válido a ideia defendida por diversos autores acerca da má imagem passada
por este público? A presente pesquisa caminha para a resposta de que não é possível identificar
uma predominância de perfil cognitivo nas pessoas que possuem tatuagens, o que por sua vez
não as diferencia. No entanto ressalta-se a importância de mais estudos tangentes a esse tema,
a fim de amparar o resultado encontrado.
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6. REFERÊNCIAS
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the role of gender norms. [s.i.], jan. 2012.
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KAHNEMAN, Daniel. Rápido e devagar duas formas de pensar. Rio de Janeiro: Ed.
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