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Legislação de inconctitucionalidade
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REPUBLICA DE ANGOLA
TRIBUNAL CONSTITUCIONAL
ACORDAO N.° 385/2016
PROCESSO N.° 458-A/2015
(Recurso para o Plenério do Tribunal Constitucional)
Em nome do povo, acordam em conferéncia, no Plendrio do Tribunal
Constitucional:
L RELATORIO
Denis Pereira Almeida Antonio, com os demais sinais de identificagéo nos
autos, veio a este Tribunal, interpor o recurso extraordinério de
inconstitucionalidade constante de fls. 226 a 227 verso, contra o despacho de
arquivamento dos autos proferido pelo Digno Procurador Geral Adjunto da
Repiblica junto da Direce4o Nacional de Investigacio e Accao Penal da
Procuradoria Geral da Republica (DNIAP).
Por douto despacho proferido pelo Venerando Juiz Presidente do Tribunal
Constitucional de fls. 232 e verso, foi o recurso indeferido, com fundamento
no facto de a decisio recorrida no configurar uma sentenca ¢ de nao se
mostrar esgotada a cadeia de recursos legalmente previstos, nos termos do
estabelecido nos artigos 5.° n.° 1 € 49.° al. a), ambos da Lei n.° 3/08 de 17 de
Junho ~ Lei do Processo Constitucional (LPC).
Nao se conformando, o Recorrente, veio dele recorrer para o Plendrio do
Tribunal Constitucional por requerimento constante de fls. 236 dos autos, ao
abrigo do artigo 5.° n.° 3 da Lei n.° 3/08 (LPC).
No requerimento dirigido a este Tribunal, o Recorrente alega, em sintese, 0
seguinte:1- O douto Despacho do Venerando Conselheiro Juiz Presidente deste
Tribunal Constitucional fundamenta-se no facto de o recurso
extraordinario de inconstitucionalidade ter como objecto “necessério uma
sentenga (final) proferida por um tribunal” e no facto de 0 objecto do
recurso extraordinario de inconstitucionalidade apresentado pelo aqui
Recorrente se fundar num “Despacho proferido pelo Dignissimo
Procurador e em fase de Instruao Preparatoria”;
2- O Recorrente discorda deste entendimento do Venerando Conselheiro
Juiz Presidente deste Tribunal Constitucional, raz4o pela qual vem trazer
a questo & consideracao do Plenario;
3- © Despacho do Dignissimo Procurador, em fase de instrucéo
preparatéria, aludido acima, objecto do recurso extraordinério de
inconstitucionalidade, ordena o arquivamento do processo-crime
apresentado pelo aqui Recorrente, com a alegacao de extemporaneidade,
nao é decisto passivel de homologagéo pelo Tribunal Supremo, nos
termos do artigo 28.° do Decreto-Lei n.° 35.007, de 13 de Outubro de
1945;
4 Embora com irregularidades processuais apontadas em sede propria, 0
MP.° notificou o aqui Recorrente, enquanto Assistente, para tomar
conhecimento de tal arquivamento;
5- Tomando conhecimento da pretensio do Ministério Piblico de nao
exercer a acusacao piiblica, o Recorrente, enquanto Assistente, juntou aos
autos a sua acusacao particular;
6. No dia 07 de Outubro de 2014, tomando conhecimento da acusacao
particular, o Ministério Publico notificou devidamente o aqui Recorrente,
enquanto Assistente, desta vez por intermédio de seu mandatério, e
reiterou que 0 processo ja havia sido arquivado;
7- Sequencialmente, o aqui Recorrente, enquanto Assistente, informou ao
Ministétio Pblico que de facto fora notificado do arquivamento dos
autos mas, como era Assistente, poderia seguir, desacompanhado do
Ministério Public, por meio da apresentacfio da acusago particular, ao
Tribunal Supremo, nos termos do artigo 27.° do DL 35.007;
8 O Assistente deduziu a sua acusago no prazo de cinco dias, prazo geral
aplicavel no caso em face da omissio da lei;
9- O Despacho do Dignissimo Procurador, em fase de instrugéo
preparatoria, que fora alvo de recurso extraordinério de
inconstitucionalidade, entretanto indeferido pelo Despacho judicial
objecto deste recurso, pretende apenas impedir um exercicio legitimo e
tempestivo da acusagao particular, ora por meio de Despachos ficticios,ora por meio de aplicacio inapropriada de legislacao e até por
chamamento 4 colagdo de normas revogadas.
Assim sendo, o referido Despacho do Dignissimo Procurador tem natureza
jurisdicional (Cft. artigo 655.°, n.° 1.°, do Cédigo de Proceso Penal), mas
n&o admite impugnacao, por meio do recurso penal, junto do Tribunal
Supremo nem aquele Venerando Tribunal pode fiscalizar tal Despacho, nos
termos do artigo 28.° do DL n.° 35.007, de 13 de Outubro de 1945.
aludido Despacho do Dignissimo Procurador é, pois, como consignou
uma vez o Venerando Conselheiro Juiz Presidente deste Venerando Tribunal
Constitucional, no seu Despacho de Admissdo n.° 002/2011, de 15 de Julho
de 2011, no ambito do Processo n.° 193/2011-C, um Despacho judicial
“equiparavel a sentenga por por termo ao proceso”;
10- Ou seja, ¢ contrariamente ao que se defendeu no Despacho objecto do
presente recurso, 0 recurso extraordindrio de inconstitucionalidade tem
como objecto tanto uma “sma sentenga (final) proferida por um tribunal”
como “Despacho equiparivel d sentenga final proferida pelos Tribunais mesmo
quando tal Despacho néo seja proferido por um Tribunal (mas por um érgdo
Sudiciério — Procurador, Juiz Presidente, etc), bastando, para tal, ter a virtualidade
de extinguir um processo judicial”;
11- E 0 que sucede com o Despacho do Dignissimo Procurador em fase de
instrugéo preparatéria, pois, 0 mesmo é equiparado a uma decisio
judicial, é definitive e pretende extinguir o processo-crime apresentado
pelo aqui Recorrente;
12- © Despacho objecto do recurso extraordinério de inconstitucionalidade
tem natureza de sentenca e os demais requisitos legais, para efeitos do
disposto na alinea a) do artigo 49.° da Lei n.° 3/08, de 17 de Junho;
13- © Despacho objecto do presente recurso viola a alinea a) do artigo 19.°
da Lei n.° 3/08, de 17 de Junho, o principio constitucional da tutela
jurisdicional efectiva e jurisprudéncia pacifica deste Venerando Tribunal
Constitucional.
Conclui o Recorrente, pedindo a revogacio do despacho recorrido e a
admissao do presente recurso.
iD VvOl. COMPETENCIA
O presente recurso foi interposto nos termos e com os fundamentos do artigo
49° da Lei n.°3/08, de 17 de Junho - Lei do Processo Constitucional.
Nos termos do disposto no n.° 3 do artigo 5.° da Lei n.° 3/08 de17 de Junho,
LPC, da decisao do Juiz Presidente que indefere o requerimento cabe recurso
para o Plenario do Tribunal Constitucional.
Deste modo, é competente o Plendrio do Tribunal Constitucional.
I. LEGITIMIDADE
O ora Recorrente é parte no processo que correu tramites na Direceao
Nacional de Investigacio e Acco Penal da Procuradoria Geral da
Repiblica, tendo sobre 0 mesmo processo um interesse em dizer e
contradizer, resultando a sua legitimidade nos termos do artigo 26.° do CPC,
por aplicacao subsididria resultante da remissao do artigo 2.° da Lei n.° 3/08
de 17 de Junho, LPC.
IV. OBJECTO
O presente processo tem por objecto apreciar se:
a) O pedido formulado pelo Recorrente retine os requisitos legais definidos
na alinea a) do artigo 49.° da Lei n.° 3/08, LPC;
'b) O despacho do Venerando Juiz Conselheiro Presidente de fls. 232 e verso
deve ser mantido ou revogado.
Vv. APRECIANDO
Dénis Pereira Almeida Anténio, aqui Recorrente, apresentou aos 13 de
Margo de 2013, participacdo criminal contra Antonio da Concei¢éo Arsénio
do Rosdrio, Sub-Comissério da Policia Nacional, por crime de prisao ilegal,
previsto ¢ punivel pelo artigo 291.° do Codigo Penal.
Na sequéncia da apreciagio da deniincia, a Direcgio Nacional de
Investigago € Acgdo Penal (DNIAP), érgao ao qual foi dirigida a queixa,
concluiu néo ter havido matéria criminal contra 0 denunciado, pelo que 0
proceso foi arquivado aos 25 de Setembro de 2014.
Notificado 0 ofendido do despacho de arquivamento no dia 1 de Outubro de
14, veio o assistente, nos termos do artigo 25.° do Decreto-Lei n.° 35007, de
13 de Outubro de 1945, deduzir acusacao particular.No dia 6 de Outubro de 2014, requereu a entrega ao Dignissimo Procurador-
Geral Adjunto e Coordenador da DNIAP, da acusagao particular.
Tendo entendido que a acusagao particular tinka sido entregue fora do
prazo, 0 Procurador Geral Adjunto e Coordenador da DNIAP manteve a
sua decis4o inicial de arquivamento do processo, e em seguida remeteu 0
proceso ao PGR para envio ao Tribunal Supremo, atendendo a qualidade
do arguido.
Ap6s andlise técnica do processo, o Procurador Geral da Repiblica
despachou no sentido de manter o arquivamento do processo que voltou a
remeter para 0 Procurador Geral Repiblica Adjunto e Coordenador da
DNIAP, e de se notificar o Recorrente desse despacho (fls. 220 e 222).
Contudo, compulsados os autos, constata-se que, efectivamente, o referido
despacho no foi notificado ao Recorrente, na forma legal devida, nem se vé
nos autos noticia de que o Recorrente esteja informado da existéncia de uma
deciséo de arquivamento dos autos proferida pelo Procurador Geral da
Repiiblica.
Inconformado com o despacho proferido pelo Dignissimo Procurador-
Adjunto, que ordenou o arquivamento do processo, o Recorrente veio
directamente ao Tribunal Constitucional interpor recurso extraordinario de
inconstitucionalidade.
Sem prejuizo do que adiante se apreciar4 sobre 0 objecto do presente recurso,
afigura-se relevante, desde j4, apreciar a questo da alegada caducidade do
direito do Recortente deduzir acusagdo particular ¢ a questo da falta de
notificagéo do despacho de arquivamento do Procurador Geral da
Reptiblica.
Sustenta 0 despacho do Procurador Geral da Reptiblica Adjunto que o
assistente tinha um prazo de 3 dias para deduzir acusacAo particular (art.°
391.° do CPP) e apresentou a referida acusacao 5 dias depois da notificacao.
Verificados os autos constata este Tribunal que o Recorrente foi notificado a
1 de Outubro de 2014 (uma quarta-feira) e que apresentou a mencionada
acusagao no dia 6 de Outubro (segunda-feira). O prazo legal de 3 dias
terminou no sébado, dia 4 de Outubro, pelo que se transfere
automaticamente para o primeiro dia util seguinte (n.° 3 do art. 144° do
CPO), isto é, segunda-feira dia 6 de Outubro, que foi justamente a data em
que o Recorrente apresentou a acusacao.
\
aSobre a segunda questdo é entendimento deste Tribunal que o Recorrente
deve ser notificado dos despachos de fis. 220 e 222 acima mencionados para
que, querendo, deles possa recorrer 4 Camara Criminal do Tribunal Supremo
por ser direito que Ihe assiste (direito & notificac&o e direito ao recurso).
Quanto ao despacho de indeferimento que constitui objecto deste proceso, é
entendimento deste Plenério do Tribunal Constitucional que nao assiste
rao ao Recorrente, na medida em que 0 recurso extraordinério de
inconstitucionalidade s6 poderia ser interposto de acérdio do Tribunal
Supremo, entidade competente para conhecer dos recursos ordinérios da
jurisdig&io comum (§ tinico do artigo 49.° da Lei n.° 3/08, de 17 de Junho,
com a redacro dada pelo artigo 13.° da Lein.° 25/10, de 3 de Dezembro),
© despacho reclamado indeferiu e bem, 0 pedido do aqui Recorrente nos
termos dos artigos 49° alinea a) e, n.° 1 do artigo 5°, ambos da Lei n.° 3/08,
de 17 de Junho, porque, “o recurso extraordinario de inconstitucionalidade tratado
na presente secgio sb pode ser interposto apés prévio esgotamento nos tribunais comuns
e demais tribunais, dos recursos ordinérias legalmente previstos”, como disp6e 0
pardgrafo ‘ico do citado artigo 49°. {
Também nao relevam as raz6es alegadas pelo Recorrente quando refere a
jurispradéncia deste Tribunal com relagao ao Proc. N.° 193/2011-C (acérdao_ |
1.°147/2011), porquanto neste processo se tratava de despacho proferido por
Magistrado Judicial, em fase judicial e com efeitos legalmente equiparados a
sentenga pelo facto de por termo ao processo, 0 que nao é o caso presente.
VI. DECISAO
Nestes termos,
Tudo visto e ponderado,
Acordam em Plenario, os Juizes Conselheiros do Tribunal Comat
em: ae pene an Borns, re te
Aaern per rasliticade a4 TR
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Adar ZJ22, ds pon aad
tevin Ba Repri [MGcn jpats aa,
da, dan. tnerlpor beter wn Cape € ak
ao Vansiamde Tlranad Lapas mn.Custas pelo Recorrente (artigo 15.° da Lei n.° 3/08, de 17 de Junho, Lei do
Processo Constitucional).
Notifique.
‘Tribunal Constitucional, em Luanda, aos 30 de de 2016.
OS JUIZES CONSELHEIROS tT}
Dr. Rui Constantino da Cruz Ferreira (Presidente)
Dr. Carlos Magalhaes
Vol
Dra, Guilhermina Prata__ Doren,
Jat Vou A.
Dr Maria da Imaculada L. da Wonceicao Melo WdLte clase tanta Ld
Dr. Simao Sousa Victor ot GONe
Dr-* Teresinha Lopes fas A “>
Dr.* Luzia Bebiana de Almeida Sebastiéo