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Juízo de Admissibilidade e Requisitos de Recursos

Recursos codigo de processo civil explicado

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Juízo de Admissibilidade e Requisitos de Recursos

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O juízo de admissibilidade é a análise dos requisitos indispensáveis à petição ou

recurso, enquanto o juízo de mérito apura a procedência ou não daquilo que se


postula.

Em síntese, ele visa responder às seguintes perguntas:

1.​ A decisão é, em tese, recorrível?

2.​ Qual o recurso cabível contra esta decisão?

O juízo de admissibilidade vem sempre primeiro, uma vez presentes os requisitos


indispensáveis à petição ou recurso, essa será examinada.

Desse modo, quando o recurso for conhecido e admitido, quer dizer que o juízo de
admissibilidade foi positivo; porém, se ele não for conhecido ou admitido, o juízo de
admissibilidade foi negativo e o mérito não será analisado.

No juízo de admissibilidade são verificados os requisitos intrínsecos e extrínsecos do


recurso.

REQUISITOS INTRÍNSECOS REQUISITOS EXTRÍNSECOS

Legitimidade Tempestividade: a regra geral é de 15


dias úteis para apresentar recursos,
com exceção dos Embargos de
Declaração, cujo prazo é de 5 dias
úteis.
Interesse recursal (utilidade + Regularidade formal: além das regras
necessidade). Deve haver de endereçamento, exposição de fatos
sucumbência. e de direito e pedidos, cada recurso
tem suas peculiaridades formais.

Cabimento: previsão legal do recurso e Preparo: os tribunais cobram custas


sua pertinência com o caso (princípios para alguns recursos
da taxatividade e singularidade).

Inexistência de fato extintivo ou


impeditivo, por exemplo, renúncia ao
direito de recorrer ou aceitação da
decisão recorrida, mesmo que tácita.

É possível perceber que os requisitos intrínsecos dizem respeito à própria existência


do direito de recorrer. Já os requisitos extrínsecos relacionam-se ao modo de exercício
do direito de recorrer.

Legitimidade

Segundo o art. art. 996 do CPC: "O recurso pode ser interposto pela parte vencida,
pelo terceiro prejudicado e pelo Ministério Público, como parte ou como fiscal da
ordem jurídica".

Além disso, cumpre ao terceiro demonstrar a possibilidade de a decisão judicial em


apreciação atingir seu direito.

Convém ressaltar, no que diz respeito à legitimidade, que embora em regra o amicus
curiae não possa interpor recurso, existem duas exceções (art. 138, §1° do CPC):
Embargos de Declaração e recurso contra decisão em Incidente de Resolução de
Demandas Repetitivas.

Inexistência de fato extintivo ou impeditivo

Acerca da inexistência de fato extintivo ou impeditivo do direito de recorrer, tem-se


que a desistência e a renúncia não dependem da anuência da parte contrária (art. 998
do CPC).

Na renúncia, a parte abre mão do direito de recorrer. Já na desistência, ela não


prossegue com o recurso.

No entanto, a desistência do recurso não impede a análise de questão cuja repercussão


geral já tenha sido reconhecida e daquela objeto de julgamento de recursos
extraordinários ou especiais repetitivos. Isso porque a repercussão geral transcende o
interesse das partes. Veremos mais detalhes adiante.

Preparo

Consiste no adiantamento das despesas relativas ao processamento do recurso. Caso o


preparo não seja efetuado ou seja insuficiente, o recorrente será intimado para
corrigi-lo (art. 932, parágrafo único, do CPC).

Observe que se os autos forem eletrônicos, não há custeio de porte e de remessa.

São dispensados do preparo e do porte e remessa:

●​ Ministério Público;

●​ Administração Pública Direta (União, Distrito

●​ Federal, Estados, Municípios);


●​ Autarquias;

●​ Beneficiários da gratuidade da justiça.

Além disso, os seguintes recursos independem de preparo:

●​ Embargos de Declaração;

●​ Agravo em Recurso Especial e Extraordinário;

●​ Embargos Infringentes (Lei de Execução Fiscal);

●​ Recursos do Estatuto da Criança e do Adolescente.

Cabimento

É o recurso utilizado para impugnar sentenças e decisões interlocutórias não


impugnáveis por agravo de instrumento (art. 1.009, §1°, do CPC).

Sentenças são as decisões que encerram a fase de conhecimento do processo ou que


extinguem a execução. Podem resolver o mérito do processo ou não (art. 485 e art.
487 do CPC).

Já a decisão interlocutória, proferida pelo juiz singular, não encerra o procedimento.


Há dois casos de sentenças não apeláveis:

●​ Aquelas proferidas em execução fiscal de valor igual ou inferior a 50


(cinquenta) Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional - ORTN, neste caso,
só se admitirão embargos infringentes de alçada ou embargos de declaração;

●​ A que decreta a falência, impugnável por Agravo de Instrumento (art. 100, da


Lei n. 11.101/2005).

Ademais, há sentenças contra as quais não cabe recurso de Apelação, mas outros:

●​ Sentença do Juizado Especial Cível: cabível Recurso Inominado (art. 41, da Lei
nº 9.099/1995);

●​ Sentença proferida no processo em que forem partes estados estrangeiros x


município ou pessoa residente ou domiciliada no Brasil: cabível Recurso
Ordinário Constitucional (art. 1.027, II, “b”, do CPC).

Regularidade formal e prazo

Conforme vimos, a regra geral é de 15 dias úteis para a interposição dos recursos, com
exceção dos Embargos de Declaração, cujo prazo é de 5 dias úteis.

No recurso de Apelação há uma petição de interposição dirigida ao próprio juízo que


prolatou a decisão recorrida e uma outra petição com as razões de recurso, dirigida ao
tribunal. No entanto, o juízo de admissibilidade é feito apenas pelo tribunal.

O Código de Processo Civil explicita qual deve ser o conteúdo da Apelação:


Art. 1.010. A apelação, interposta por petição dirigida ao juízo de primeiro grau,
conterá:

I - os nomes e a qualificação das partes;

II - a exposição do fato e do direito;

III - as razões do pedido de reforma ou de decretação de nulidade;

IV - o pedido de nova decisão.

É importante ressaltar que a Apelação não deve simplesmente reiterar manifestações


anteriores, mas reportar-se à sentença apelada.

O conteúdo deste recurso é a demonstração das razões pelas quais a sentença está
equivocada ou então a nulidade da decisão.

Com base nisso, deverá ser pedido ao tribunal que reforme a sentença ou então que
declare sua nulidade.

Efeito devolutivo

A apelação produz efeito devolutivo, ou seja, o recorrente é quem define qual parte da
sentença apelada será reexaminada pelo tribunal ao pedir nova decisão (tantum
devolutum quantum appellatum).
Desse modo, por exemplo, se o recorrente pede a reforma parcial do julgado, o
tribunal não poderá conceder a reforma total.

Efeito suspensivo

Em regra, a apelação possui efeito suspensivo (art. 1.012 do CPC), se for apresentada
contra sentença.

Caso seja apresentada contra decisões interlocutórias não agraváveis, não possui efeito
suspensivo.

Além disso, o Código de Processo Civil traz algumas hipóteses nas quais a Apelação
não possui efeito suspensivo automático:

§ 1º Além de outras hipóteses previstas em lei, começa a produzir efeitos


imediatamente após a sua publicação a sentença que:

I - homologa divisão ou demarcação de terras;

II - condena a pagar alimentos;

III - extingue sem resolução do mérito ou julga improcedentes os embargos do


executado;

IV - julga procedente o pedido de instituição de arbitragem;


V - confirma, concede ou revoga tutela provisória;

VI - decreta a interdição.

Desse modo, as exceções são taxativamente previstas em lei. Nestes casos, pode ser
concedido o efeito suspensivo se a parte demonstrar risco de dano grave e
probabilidade de provimento do recurso.

Procedimento

A Apelação é interposta mediante petição endereçada ao juízo de primeira instância


que proferiu a sentença recorrida.

O órgão prolator da decisão poderá se retratar nas seguintes hipóteses: (a) sentença de
indeferimento da petição inicial (art. 331); (b) sentença de improcedência liminar (art.
332, § 3º) e sentença terminativa (485, § 7º).

O juiz que prolatou a sentença recorrida, ao verificar a interposição de recurso de


Apelação, abre prazo para a parte contrária apresentar suas contrarrazões no prazo de
15 dias úteis.

Para os litisconsortes com advogados de sociedades de advogados distintas e o


Ministério Público, o prazo será contado em dobro (arts. 229 e 180 do CPC).

Após, os autos são remetidos ao tribunal, independentemente de juízo de


admissibilidade (art. 1.010, §3° do CPC). O juízo de admissibilidade é feito pelo
desembargador relator.
O recurso de Apelação é julgado, em regra, um colegiado formado por três
desembargadores.

O CPC traz exceções em que é permitido que o relator julgue sem enviar o recurso
para análise pelo colegiado. São hipóteses taxativas indicadas no art. 1.011, I:

Art. 1.011. Recebido o recurso de apelação no tribunal e distribuído imediatamente, o


relator:

I - decidi-lo-á monocraticamente apenas nas hipóteses do art. 932, incisos III a V ;

[...]

Art. 932. [...]

III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado
especificamente os fundamentos da decisão recorrida;

IV - negar provimento a recurso que for contrário a:

a) súmula do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou do próprio


tribunal;
b) acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de
Justiça em julgamento de recursos repetitivos;

c) entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de


assunção de competência;

V - depois de facultada a apresentação de contrarrazões, dar provimento ao recurso se


a decisão recorrida for contrária a:

a) súmula do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou do próprio


tribunal;

b) acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de


Justiça em julgamento de recursos repetitivos;

c) entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de


assunção de competência;

Quando remetido ao tribunal, as possibilidades são:

1.​ O recurso não ser admitido (quando não são cumpridos os requisitos
intrínsecos ou extrínsecos do recurso);

2.​ O recurso ser admitido e provido (quando o recurso apresenta todos os


requisitos e a sentença inicial é reformada);
3.​ O recurso ser admitido e não provido (quando o recurso apresenta todos os
requisitos mas a sentença não é reformada).

Teoria da causa madura

Em casos específicos o tribunal poderá julgar o mérito do processo, mesmo quando a


sentença não julgou.

Nestes casos, o processo deve estar em condições de ser julgado imediatamente, ou


seja, as provas já produzidas devem ser suficientes.

Desse modo, são os casos de extinção do processo sem julgamento de mérito: omissão
da sentença quanto a um dos pedidos ou nulidade da sentença por falta de
fundamentação/incongruência com os limites do pedido.

Existem três tipos de agravos:

●​ Agravo de Instrumento;

●​ Agravo Interno;

●​ Agravo em Recurso Extraordinário e Recurso Especial.

Nesta aula, veremos em detalhes o Agravo de Instrumento.

Cabimento
O Agravo de Instrumento é cabível nas hipóteses previstas no art. 1.015 e seguintes do
Código de Processo Civil. São elas:

Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que


versarem sobre:

I - tutelas provisórias;

II - mérito do processo;

III - rejeição da alegação de convenção de arbitragem;

IV - incidente de desconsideração da personalidade jurídica;

V - rejeição do pedido de gratuidade da justiça ou acolhimento do pedido de sua


revogação;

VI - exibição ou posse de documento ou coisa;

VII - exclusão de litisconsorte;

VIII - rejeição do pedido de limitação do litisconsórcio;


IX - admissão ou inadmissão de intervenção de terceiros;

X - concessão, modificação ou revogação do efeito suspensivo aos embargos à


execução;

XI - redistribuição do ônus da prova nos termos do art. 373, § 1º;

XII - (VETADO);

XIII - outros casos expressamente referidos em lei.

Parágrafo único. Também caberá agravo de instrumento contra decisões


interlocutórias proferidas na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de
sentença, no processo de execução e no processo de inventário..

Observa-se que, em regra, o Agravo de Instrumento é cabível contra decisões


interlocutórias que possam causar prejuízos a uma das partes.

O conceito de decisão interlocutória é dado por exclusão: de acordo com o art. 203,
§2° do Código de Processo Civil, a decisão interlocutória é um pronunciamento
judicial de natureza decisória que não se enquadra no conceito de sentença.

Já o conceito de sentença, por sua vez, é o pronunciamento por meio do qual o juiz
põe fim à fase cognitiva do procedimento comum, bem como extingue a execução,
ressalvadas as disposições expressas dos procedimentos especiais.
Assim, tudo o que tiver conteúdo decisório e não se encaixar no art. 203, §1°, que trata
da sentença, é decisão interlocutória.

Atenção! - ROL DE TAXATIVIDADE MITIGADA

O art. 1.015 do Código de Processo Civil traz um rol taxativo das decisões
interlocutórias que podem ser objeto de agravo de instrumento.

O Superior Tribunal de Justiça, contudo, em recente julgamento, firmou o


entendimento de que a taxatividade do rol do 1.015 deverá ser mitigada.

A partir disso tornou-se possível a interposição de agravo de instrumento mesmo em


casos não expressamente previstos no art. 1.015 do CPC, desde que se verifique a
urgência.

A ministra relatora Nancy Andrighi esclareceu que "o rol do artigo 1.015 do CPC é de
taxatividade mitigada, por isso admite a interposição de agravo de instrumento quando
verificada a urgência decorrente da inutilidade do julgamento da questão no recurso de
apelação." (RESP 1.696.396 e RESP 1.704.520)

Lançamos um post no blog do trilhante com mais detalhes sobre o rol mitigado para
quem tiver interesse! Acesse: Facilitando o Processo: Quando cabe Agravo de
Instrumento?

Deve-se mencionar que as decisões agraváveis proferidas na fase de conhecimento


estão sujeitas à preclusão, caso não sejam impugnadas através de Agravo de
Instrumento. Já as decisões não agraváveis devem ser atacadas na Apelação ou nas
Contrarrazões da Apelação.

Efeito suspensivo
A regra do agravo de instrumento é não ter efeito suspensivo.

Excepcionalmente pode ser concedido o efeito suspensivo se forem preenchidos os


requisitos, ou seja, a demonstração de dano grave e de difícil reparação e
probabilidade de provimento do recurso.

Além do efeito suspensivo, pode ser concedida a antecipação da tutela recursal (efeito
ativo), caso demonstrados os mesmos requisitos.

Agravo de Instrumento

Procedimento

No agravo de instrumento, o recurso é dirigido diretamente ao tribunal, não havendo


petição de interposição.

Dessa feita, o juízo de admissibilidade também é feito apenas pelo tribunal.

Quanto ao conteúdo, o agravo de instrumento deverá abordar o seguinte:

Art. 1.016. O agravo de instrumento será dirigido diretamente ao tribunal competente,


por meio de petição com os seguintes requisitos:

I - os nomes das partes;


II - a exposição do fato e do direito;

III - as razões do pedido de reforma ou de invalidação da decisão e o próprio pedido;

IV - o nome e o endereço completo dos advogados constantes do processo.

Documentos obrigatórios e facultativos

Cabe esclarecer que o Agravo de Instrumento possui efeito devolutivo, ou seja, o


processo continua a tramitar na 1ª instância, enquanto a matéria é devolvida à
apreciação do Poder Judiciário, agora em 2º grau.

Por essa razão, há necessidade de compor "novos autos", com as peças principais do
processo, para que os julgadores possam apreciar o recurso. Daí porque o recurso é
denominado Agravo de Instrumento.

Dessa maneira, o Agravo de Instrumento deverá ser instruído com os seguintes


documentos:

1.​ Obrigatoriamente, com cópias da petição inicial, da contestação, da petição que


ensejou a decisão agravada, da própria decisão agravada, da certidão da
respectiva intimação ou outro documento oficial que comprove a
tempestividade e das procurações outorgadas aos advogados do agravante e do
agravado;

2.​ Declaração de inexistência de qualquer destes documentos, feita pelo advogado


do agravante, sob pena de sua responsabilidade pessoal;

3.​ Facultativamente, com outras peças que o agravante reputar úteis.


É dispensável a juntada dos itens 1 e 2 se os autos forem eletrônicos.

Prazos

O prazo para interposição do Agravo de Instrumento é de 15 dias úteis (art. 1.003, §5°
do Código de Processo Civil).

No caso de processos físicos é obrigatório que no prazo de 3 dias o recorrente informe


à primeira instância que interpôs agravo de instrumento e apresente cópia do recurso.
Isso porque pode haver retratação da decisão e o Agravo de Instrumento ser
considerado prejudicado (art. 1.018, §1° do Código de Processo Civil).

Recebido o recurso, a parte contrária será intimada para apresentar contrarrazões em


15 dias úteis.

Preparo

É necessário que o comprovante do pagamento de custas e do porte de retorno seja


juntado ao Agravo de Instrumento.

Ressalte-se que não há porte de remessa, mas apenas porte de retorno.

Agravo Interno

Cabimento

O Agravo Interno é cabível contra decisões unipessoais proferidas em Tribunal, seja


pelo relator ou por Presidente ou Vice-Presidente do Tribunal, com a finalidade de
submetê-las a julgamento por um órgão colegiado.
Prazos

O prazo para interposição do Agravo Interno é de 15 dias úteis (art. 1.003, §5° do
Código de Processo Civil). Nesse prazo, é possível que haja retratação pelo relator.

A Fazenda Pública tem prazo em dobro (Súmula 116 do Superior Tribunal de Justiça).

Preparo

No Agravo Interno, não há pagamento de preparo, já que as despesas foram pagas na


ação que tramita no tribunal.

Impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada

Deve-se realizar a impugnação específica de todos os fundamentos da decisão


agravada, nos termos do art. 1.021, §1° do Código de Processo Civil.

É importante observar que o relator também não poderá apenas reproduzir os


fundamentos da decisão agravada, ou seja, aquilo que ele já decidiu. Ele terá que
atacar os pontos específicos suscitados pelo Agravo Interno.

Multa

Se o agravo interno for considerado manifestamente inadmissível ou se for


improcedente por votação unânime, a parte que recorreu deverá pagar multa.

Embargos de Declaração

O recurso que trata dos embargos de declaração está previsto no Código do Processo
Civil, do artigo 1.022 ao 1.026. Os embargos de declaração são dirigidos ao próprio
órgão responsável pela decisão, a quem compete o seu julgamento. Cabem embargos
de declaração contra qualquer decisão judicial, e seu objetivo é esclarecer
obscuridadeou eliminar contradição; suprir omissão de ponto ou questão sobre a qual
deveria pronunciar-se o juiz de ofício ou a requerimento, e corrigir erro material.
Sendo assim, sua finalidade não é a de reformar a decisão.

O artigo 1.022 traz a definição dos termos apresentados como objetivo dos embargos
de declaração:

Parágrafo único. Considera-se omissa a decisão que:

I - deixe de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em


incidente de assunção de competência aplicável ao caso sob julgamento;

II - incorra em qualquer das condutas descritas no art. 489, § 1º.

Artigo 489:

§ 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória,


sentença ou acórdão, que:

I - se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar


sua relação com a causa ou a questão decidida;

II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de


sua incidência no caso;
III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão;

IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese,


infirmar a conclusão adotada pelo julgador;

V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus


fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta
àqueles fundamentos;

VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado


pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a
superação do entendimento.

Em resumo, a omissão é a inobservância, por parte do juiz, de pontos da petição


inicial ou do recurso, e sua correção visa a integração dos aspectos não analisados.
Obscuridade e contradição ocorrem quando a sentença não está claramente
compreensível, quando suscita ainda dúvidas ou revela incoerência na decisão. Estes
pontos devem, então, ser esclarecidos.

Os embargos devem ser opostos no prazo de 5 dias, em petição dirigida ao juiz, com
indicação do erro, obscuridade, contradição ou omissão, e não se sujeitam a preparo.
Uma vez interpostos, os embargos interrompem o prazo de outros recursos. Em
relação aos efeitos, os embargos de declaração não possuem efeito suspensivo, apenas
devolutivo. Entretanto, o parágrafo 1º do artigo 1.026 determina:

§ 1º A eficácia da decisão monocrática ou colegiada poderá ser suspensa pelo


respectivo juiz ou relator se demonstrada a probabilidade de provimento do recurso
ou, sendo relevante a fundamentação, se houver risco de dano grave ou de difícil
reparação.
Deve-se ressaltar também que, quando os embargos de declaração forem
manifestamente protelatórios, o juiz ou o tribunal, em decisão fundamentada,
condenará o embargante a pagar ao embargado multa não excedente a dois por cento
sobre o valor atualizado da causa.

O processamento é interposto diretamente ao órgão que proferiu a decisão. O artigo


1.024 determina que o juiz julgará os embargos em 5 dias. Nos Tribunais, o relator
apresentará os embargos em mesa na sessão subsequente, proferindo voto. Não
havendo julgamento nessa decisão, será o recurso incluído em pauta
automaticivamente.

O que é recurso ordinário constitucional?

O recurso ordinário, é um dos recursos previstos no art. 5º, inciso LV da


constituição federal de 1998, que diz:
LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos
acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com
os meios e recursos a ela inerentes;

Assim, quando a parte vencida de um processo não estiver satisfeita com o


resultado de um julgamento, pode entrar com o recurso.
Ao fazer isso, o processo passa a ser de competência dos tribunais
superiores, isto é, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior
Tribunal de Justiça (STJ).
Outro ponto a se destacar acerca do recurso ordinário constitucional
(ROC) é que, o mesmo leva o nome devido à disposição na CF 88, no
entanto, quando se falar sobre o tema, ele também encontra disposição no
Código de Processo Civil (CPC), no artigo:
Art. 1.027. Serão julgados em recurso ordinário:

I – pelo Supremo Tribunal Federal, os mandados de segurança, os habeas


data e os mandados de injunção decididos em única instância pelos
tribunais superiores, quando denegatória a decisão;

II – pelo Superior Tribunal de Justiça:

a) os mandados de segurança decididos em única instância pelos tribunais


regionais federais ou pelos tribunais de justiça dos Estados e do Distrito
Federal e Territórios, quando denegatória a decisão;

b) os processos em que forem partes, de um lado, Estado estrangeiro ou


organismo internacional e, de outro, Município ou pessoa residente ou
domiciliada no País.

§1º Nos processos referidos no inciso II, alínea “b”, contra as decisões
interlocutórias caberá agravo de instrumento dirigido ao Superior
Tribunal de Justiça, nas hipóteses do art. 1.015.

§2º Aplica-se ao recurso ordinário o disposto nos arts. 1.013, § 3º, e


1.029, § 5º.

E também na Lei nº 8.038/90, que falaremos a seguir.

Quando é cabível?

Segundo o que dispõe o Código de Processo Civil, então, é cabível o


recurso ordinário constitucional em habeas corpus, habeas data, mandado
de injunção e mandado de segurança.
Além disso, também é cabível em julgamento de crimes políticos ou
quando envolva Estado estrangeiro ou organismo internacional.
Habeas corpus

O recurso ordinário em habeas corpus está disposto na Lei nº 8.038/90,


anteriormente citada. A lei em questão dispõe sobre como o recurso deve
proceder nesse caso. Dispõe, assim:
Art. 30 – O recurso ordinário para o Superior Tribunal de Justiça, das
decisões denegatórias de Habeas Corpus, proferidas pelos Tribunais
Regionais Federais ou pelos Tribunais dos Estados e do Distrito Federal,
será interposto no prazo de cinco dias, com as razões do pedido de
reforma. ​ (Vide Lei n º 13.105, de 2015) (Vigência)

Art. 31 – Distribuído o recurso, a Secretaria, imediatamente, fará os autos


com vista ao Ministério Público, pelo prazo de dois dias.

Parágrafo único – Conclusos os autos ao relator, este submeterá o feito a


julgamento independentemente de pauta.

Art. 32 – Será aplicado, no que couber, ao processo e julgamento do


recurso, o disposto com relação ao pedido originário de Habeas Corpus

Mandado de segurança

A mesma lei também dispõe sobre o mandado de segurança:


Art. 33 – O recurso ordinário para o Superior Tribunal de Justiça, das
decisões denegatórias de mandado de segurança, proferidas em única
instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos Tribunais de
Estados e do Distrito Federal, será interposto no prazo de quinze dias,
com as razões do pedido de reforma.

Art. 34 – Serão aplicadas, quanto aos requisitos de admissibilidade e ao


procedimento no Tribunal recorrido, as regras do Código de Processo
Civil relativas à apelação.
Art. 35 – Distribuído o recurso, a Secretaria, imediatamente, fará os autos
com vista ao Ministério Público, pelo prazo de cinco dias.

Parágrafo único – Conclusos os autos ao relator, este pedirá dia para


julgamento.

Habeas data e mandado de injunção

Quanto ao habeas data e mandado de injunção, a Lei dispõe em seu


CAPÍTULO V, nomeado “Outros Procedimentos”, no parágrafo único do
art. 24 sobre o cabimento de recurso ordinário constitucional:
Parágrafo único – No mandado de injunção e no habeas data, serão
observadas, no que couber, as normas do mandado de segurança,
enquanto não editada legislação específica.

Como funciona o ROC?

O recurso ordinário constitucional sempre se dirige aos tribunais STF e


STJ. Em se tratando de decisão denegatória de mandado de segurança,
habeas data ou mandado de injunção, a competência de julgamento do
recurso ordinário dirige-se especificamente ao STF.
Já quando a competência originária do mando de segurança for dos TRFs
ou dos Tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, atribui-se a
competência ao STJ. Ademais, quando a causa tiver como partes um
município ou pessoa residente domiciliada no país e um estado estrangeiro
ou organizamo internacional, a competência é atribuída ao mesmo
tribunal.
Em resumo, funciona de acordo com o que está previsto no art. 1028 do
Novo CPC:
Art. 1.028. Ao recurso mencionado no art. 1.027, inciso II, alínea “b”,
aplicam-se, quanto aos requisitos de admissibilidade e ao procedimento,
as disposições relativas à apelação e o Regimento Interno do Superior
Tribunal de Justiça.
§1º Na hipótese do art. 1.027, § 1º, aplicam-se as disposições relativas ao
agravo de instrumento e o Regimento Interno do Superior Tribunal de
Justiça.

§ 2o O recurso previsto no art. 1.027, incisos I e II, alínea “a”, deve ser
interposto perante o tribunal de origem, cabendo ao seu presidente ou
vice-presidente determinar a intimação do recorrido para, em 15 (quinze)
dias, apresentar as contrarrazões.

§3º Findo o prazo referido no § 2º, os autos serão remetidos ao respectivo


tribunal superior, independentemente de juízo de admissibilidade.

Quais são os efeitos do recurso ordinário constitucional?

Qualquer interposição de recurso tem o objetivo de inibir o trânsito em


julgado de um processo. Para isso, existem dois efeitos possíveis: o
devolutivo e o suspensivo. Vejamos:

Efeito devolutivo

O efeito devolutivo é aquele que devolve toda a matéria para que seja
examinada novamente, isto é, como o próprio nome diz, ele “devolve” a
matéria a instância superior. O objetivo para essa devolução é uma análise
da sentença para que a mesma seja reformulada ou anulada. No entanto, a
instância superior pode, também, mantê-la.

Efeito suspensivo

O efeito suspensivo, como o próprio nome diz, ocorre quando o recurso


suspende a sentença proferida até o julgamento do recurso.
A regra, no entanto, não é de que aconteça o efeito suspensivo. Num geral,
em recurso ordinário constitucional, ocorre o efeito devolutivo. Para que
haja efeito suspensivo, é necessário, então, que a parte que o deseja faça
um requerimento específico.
Esse requerimento tem disposição no §5º do art. 1029 do Novo CPC:
§5º O pedido de concessão de efeito suspensivo a recurso extraordinário
ou a recurso especial poderá ser formulado por requerimento dirigido:

I – ao tribunal superior respectivo, no período compreendido entre a


publicação da decisão de admissão do recurso e sua distribuição, ficando
o relator designado para seu exame prevento para julgá-lo;

II – ao relator, se já distribuído o recurso;

III – ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido, no período


compreendido entre a interposição do recurso e a publicação da decisão
de admissão do recurso, assim como no caso de o recurso ter sido
sobrestado, nos termos do art. 1.037.

Qual a diferença entre recurso ordinário constitucional e trabalhista?

Um ponto importante a destacar é que o recurso ordinário constitucional é


diferente do recurso ordinário trabalhista. Primeiro porque o ROC, seja no
processo civil ou no processo penal, é um recurso constitucional e quem
tem competência sobre eles são os tribunais superiores.
Já o recurso ordinário trabalhista se trata do recurso cuja competência de
julgamento é da justiça do trabalho. Além disso, o recurso ordinário
trabalhista está disposto na Consolidação das Leis do Trabalho, ou seja, a
CLT.
Ademais, as peças processuais no Direito do Trabalho são distintas das
peças processuais nos Direitos Civíl e Penal. Logo, o recurso não se trata
da mesma coisa. Assim sendo, o recurso ordinário trabalhista, é
equivalente ao recurso de apelação no processo civil.
Leia mais sobre recurso ordinário trabalhista e outros recursos:

●​ Recurso Ordinário Trabalhista: efeitos e cabimentos


●​ Mandado de segurança criminal: o que é e quais as hipóteses de
cabimento? [+modelo]
●​ Recurso adesivo no Novo CPC: o que é, requisitos e limitações
●​ Recurso de revista: o que é e quais seus requisitos?
●​ Recurso especial no Novo CPC: requisitos, hipóteses e prazos

Quando não é cabível?

Segundo Súmula 272 do STF:


Não se admite como ordinário recurso extraordinário de decisão
denegatória de mandado de segurança.

Quem julga o recurso ordinário no CPC?

Como já indicamos, o recurso ordinário segundo o Novo CPC é julgado


pelos tribunais superiores, isto é, o STF e STJ. Os artigos 102 e 105 da
constituição federal definem as hipóteses de julgamento:
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda
da Constituição, cabendo-lhe:

(…)

II – julgar, em recurso ordinário:

a) o habeas corpus , o mandado de segurança, o habeas data e o mandado


de injunção decididos em única instância pelos Tribunais Superiores, se
denegatória a decisão;

b) o crime político;

Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça:

II – julgar, em recurso ordinário:

a) os habeas corpus decididos em única ou última instância pelos


Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito
Federal e Territórios, quando a decisão for denegatória;
b) os mandados de segurança decididos em única instância pelos
Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito
Federal e Territórios, quando denegatória a decisão;

c) as causas em que forem partes Estado estrangeiro ou organismo


internacional, de um lado, e, do outro, Município ou pessoa residente ou
domiciliada no País;

Quem faz o Juízo de admissibilidade do recurso ordinário constitucional?

Quem recebe o recurso ordinário constitucional é o tribunal originário. O


presidente ou vice deste tribunal determina a intimação para apresentação
das contrarrazões. No entanto, nesse caso, não há juízo de admissibilidade
ad quo. Ou seja, quem faz o juízo de admissibilidade do recurso ordinário
constitucional é o tribunal superior que o recebeu.

Qual o prazo para interpor recurso ordinário constitucional?

O prazo de interposição do recurso ordinário constitucional é de 15 dias,


seguindo a regra do art. 1003 do Novo CPC:
§5º Excetuados os embargos de declaração, o prazo para interpor os
recursos e para responder-lhes é de 15 (quinze) dias.

Além disso, vale destacar que, para o recurso ordinário constitucional, vale
a regra de contagem de prazos do Novo CPC, ou seja, a contagem se dá
em dias úteis e é feita excluindo o primeiro dia e incluindo a data do
vencimento do prazo.
Mas, se as datas de início e vencimento for um fim de semana ou feriado, a
contagem é se prolonga para o próximo dia útil. O mesmo vale se a data
coincidir em um dia em que o expediente forense esteja encerrado ou
iniciado após o horário normal.
Ademais, a contagem de prazos deve considerar a publicação no Diário da
Justiça eletrônico, ou seja, se inicia no primeiro útil após a publicação.
Por fim, vale lembrar que, devido ao recesso forense, entre os dias 20 de
dezembro e 20 de janeiro os prazos ficam suspensos.

Como fazer um recurso ordinário?

Um bom recurso ordinário deve conter, então, duas petições: de


encaminhamento e de razões do recurso.
A primeira, se endereça ao juiz e deve conter:

●​ Endereçamento do juízo de origem;


●​ Número do processo;
●​ Qualificação das partes;
●​ Fundamentação;
●​ Previsão legal do recurso;
●​ Comprovantes de recolhimento das custas;
●​ Demonstração dos requisitos de admissibilidade;
●​ Pedido de recebimento pela instância superior.
Já a segunda peça, deve conter:

●​ Argumentos da sentença;
●​ Enderaçamento ao juízo que receberá o recurso;
●​ Exposição dos fatos e dos direitos;
●​ Pedidos;
●​ Local, data e assinatura.

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