Índice
Introdução..........................................................................................................................................3
1.1. Conceitos...............................................................................................................................4
2.3. Epidídimo..............................................................................................................................6
2.4. Ducto deferente......................................................................................................................7
2.5. Uretra.....................................................................................................................................7
2.6. Funículo espermático.............................................................................................................7
2.7. Pénis......................................................................................................................................8
2.8. Glândulas Anexas................................................................................................................10
2.8.1. Genitália externa..............................................................................................................10
2.8.2. Glândulas bulbouretrais...................................................................................................10
2.8.3. Espermatozóides..............................................................................................................10
2.8.4. Sémen..............................................................................................................................12
2.8.5. Orgasmo masculino.........................................................................................................12
3. Sistema Genital Feminino........................................................................................................13
3.1. Ovário..................................................................................................................................13
3.2. Tuba uterina.........................................................................................................................14
3.3. Útero....................................................................................................................................14
3.4. Vagina.................................................................................................................................16
3.5. Órgãos genitais....................................................................................................................16
3.6. Orgasmo feminino...................................................................................................................17
3.7. Ciclo menstrual........................................................................................................................18
3.8. Gravidez e lactação..............................................................................................................18
Conclusão........................................................................................................................................20
Bibliografia......................................................................................................................................21
3
Introdução
Entre homens e mulheres existem diferenças anatómicas sexuais consideráveis. Essas
diferenças vão muito além das características que se podem visualizar externamente. Além de
os homens terem o pénis e as mulheres a vagina, o aparelho reprodutor de ambos os sexos
tem estruturas completamente distintas. São essas características que garantem a procriação e
perpetuação da espécie humana.
Tanto o sistema reprodutor feminino quanto o masculino possui glândulas especializadas que
produzem as células sexuais e ainda segregam hormônios que são responsáveis pelas
características sexuais. Este trabalho, apresenta os conceitos do sistema reprodutor masculino
e do sistema reprodutor feminino. Portanto neste trabalho o grupo ira descrever a morfologia
dos testículos, do epidídimo e do funículo espermático, e citar o trajecto do ducto deferente.
A respeito do sistema genital feminino, o grupo ira apresentar mais profundamente a
anatomia do ovário, da tuba uterina, do útero e da vagina, podendo assim descrevê-los.
4
1. Sistema Reprodutor
1.1. Conceitos
Segundo Souza, (2010, p. 331), O sistema reprodutor é o conjunto de aparelhos que
conferem ao ser humano a capacidade de gerar outros seres semelhantes a si mesmos. Esse
sistema é formado pela genitália ou aparelho genital masculino e feminino.
Baseado no exposto conceito, Duarte, (2014, p.163) refere que podemos conceituar o Sistema
Genital como o conjunto de órgãos responsáveis pela produção de gametas e hormônios
sexuais secundários com a finalidade de realizar a reprodução da espécie. Divide-se o
Sistema Genital em sistema genital masculino e sistema genital feminino.
Os órgãos genitais masculinos e femininos têm a capacidade de realizar a reprodução
humana. Portanto, a reprodução caracteriza-se pela capacidade do ser vivo de gerar um outro
ser da mesma espécie com as mesmas características. Para a perpetuação da espécie é
necessário o contacto de um macho com uma fêmea por meio de seus órgãos reprodutores
masculino e feminino.
Neste sentido Mora, (2022, p. 101) diz que cada um dos sexos dá a sua contribuição
particular no momento do ato sexual. A célula reprodutora masculina é o espermatozóide,
enquanto a feminina é o óvulo. Cada uma delas possui 23 cromossomas, isto é, metade do
que possui um ser humano. Desta forma, para a formação de um novo indivíduo, é necessária
a fusão de duas células.
O aparelho reprodutor em cada sexo, por sua vez, é constituído de duas partes, separadas
entre si pelo diafragma urogenital: a genitália interna e a genitália externa. A primeira,
situada na pelve menor, é formada na mulher pelos ovários, trompas, útero e vagina, e no
homem pelos testículos, epidídimos, canais deferentes, vesículas seminais e próstata. A
genitália externa, situada no períneo, é formada na mulher pelo monte púbico, lábios maiores
e menores, clítoris, bulbo do vestíbulo, vestíbulo e glândulas vestibulares maiores, e no
homem pelo escroto, pénis e glândulas bulbouretrai.
2. Sistema Genital Masculino
É constituído pelas seguintes estruturas: um escroto, dois testículos, dois epidídimos, dois
funículos espermáticos, dois ductos ejaculatórios, uma uretra, um pênis e glândulas anexas.
5
2.1. Escroto (ou bolsa testicular)
Na perspectiva de Souza, (2010, p. 342), o escroto é um saco cutâneo fibromuscular que
contém os testículos e a terminação dos funículos espermáticos, pendendo entre as faces
Antero-mediais das coxas . A pele do escroto é pigmentada, fina, apresentando poucos pêlos
crespos e numerosas glândulas sudoríparas e terminações nervosas que respondem à
estimulação mecânica e térmica.
O tecido adiposo subcutâneo é ausente no escroto, sendo substituído por uma fina camada
muscular lisa, o dartos. Este está aderido à pele, conferindo a ela um aspecto enrugado, mas
está ligado às partes subjacentes por tecido conjuntivo frouxo delicado, dando ao escroto uma
acentuada independência. O dartos forma o septo do escroto, o qual divide o saco em duas
cavidades laterais.
Densos plexos
vasculares subcutâneos
no escroto levam um
substancial fluxo de
sangue que, associados
a calibrosas
anastomoses
arteriolovenulares,
causam perda de calor.
Na visão de Duarte, (2014,
pp.163-64) no escroto
encontram-se rugas e pelos. A
rafe mediana é uma prega da
pele que individualiza
externamente o escroto em
A figura ilustra o escroto, o testículo e o epidídimo duas partes: uma direita e a
De acordo com Mora, (2022, p. 102) o escroto tem a função de alojar os testículos na parte
externa do corpo. o escroto atua como termorregulador dos testículos pois os
6
espermatozóides se desenvolvem em temperatura entre 1 e 3 °C abaixo da temperatura
corpórea (36.5 °C).
2.2. Testículo
Mora, (2022, p. 102) refere que são considerados as gónadas masculinas, produzimos
espermatozóides. O testículo é composto pelos ductos seminíferos e pelas células intersticiais
ou células de Leydig (produza testosterona). Os ductos seminíferos são compostos pelas
células de Sértoli e pelo epitélio germinativo, responsável pela formação do espermatozóide.
De acordo com Snell (2000), os testículos são órgãos pares, ovóides, localizados no escroto,
responsáveis pela produção de espermatozóides e de harmónios do indivíduo, durante e após
a puberdade. O testículo apresenta duas faces, duas margens e dois polos: (1) as faces são
laterais e mediais; (2) as margens são anteriores e posteriores; e (3) os polos são superior e
inferior. A Figura ilustra a estrutura interna do
testículo. Note que o testículo possui uma
membrana externa de tecido conjuntivo
fibroso chamado de túnica albugínea.
Dela partem septos para o interior do
testículo, subdividindo-o em
compartimentos menores denominados
lóbulos. Dentro dos lóbulos encontram-se
os túbulos seminíferos contorcidos.
Nestes, são produzidos os
espermatozóides.
Na visão de Dangelo (2007), Os túbulos
seminíferos contorcidos convergem para
o mediastino do testículo, constituindo os
túbulos seminíferos retos, que se
anastomosam formando a rede do
testículo. Da rede testicular os túbulos
seminíferos retos desembocam em 10 a
15 dúctulos eferentes, que do testículo
deslocam-se para a cabeça do epidídimo.
Desenho esquemático da morfologia interna do testículo
2.3. Epidídimo
Como refere Souza, (2010, p. 342), o epidídimo é um canal tortuoso que forma a primeira
parte da via eferente dos testículos. É muito pregueado e compactado para formar uma longa
7
massa estreita de 7 cm de extensão, inserida na borda posterior do testículo. O epidídimo
possui um corpo central, uma cabeça superior dilatada e uma cauda inferior pontiaguda.
Contornando o polo superior e a
margem posterior do testículo, encontra-
se uma estrutura em forma de letra C
chamada epidídimo. Ele apresenta uma
dilatação superior, denominada cabeça,
uma porção intermediária, o corpo, e
uma porção inferior mais estreitada,
denominada cauda. O ducto deferente
inicia-se junto à cauda do epidídimo. No
epidídimo ocorrem o armazenamento e a
maturação dos espermatozóides.
2.4. Ducto deferente
Na óptica de Duarte, (2014) o ducto deferente é um canal musculomembranoso que conduz
os espermatozóides do epidídimo até a uretra. Ele ascende no escroto, atravessa o canal
inguinal e, a seguir, na cavidade pélvica, junta-se com o ducto excretor da vesícula seminal
para formar o ducto ejaculatório. Finalmente, o ducto ejaculatório atravessa o parênquima da
próstata para desembocar na uretra prostática.
Para Mora, (2022) a função dos canais deferentes é, através da contracção de sua parede,
impulsionar os espermatozóides até o ducto ejaculatório.
A extremidade terminal e dilatada do ducto deferente é a ampola, local onde ficam
armazenados os espermatozóides antes da ejaculação. O ducto ejaculatório é um canal que
mede em torno de 3cm de comprimento. No ducto ejaculatório passam espermatozóide e
líquido seminal.
2.5. Uretra
É o canal destinado à passagem da urina e dos espermatozóides. Durante a erecção, os
músculos da entrada da bexiga se contraem para que a urina não entre no sémen e o mesmo
não penetre na bexiga. Os espermatozóides não ejaculados são reabsorvidos pelo corpo após
algum tempo.
2.6. Funículo espermático
O funículo espermático é o conjunto de estrutura em forma de cordão que desce do abdome e
passa pelo canal inguinal para atingir os testículos. Compõem o funículo espermático as
8
seguintes estruturas: o ducto deferente, a artéria testicular, a veia testicular (plexo
pampiniforme), o nervo genitofemoral e o músculo cremáster. Esses componentes
acompanham os testículos durante a sua descida para o escroto (Duarte, 2014).
À medida que o testículo migra através do
canal inguinal para o escroto, ele arrasta
sua neurovasculatura e seu canal excretor.
Essas estruturas formam o funículo
espermático, que adquire os revestimentos
das camadas da parede abdominal que
atravessam. De dentro para fora, elas são
as fáscias espermáticas (1) interna,
derivada da fáscia transversal, (2) média,
derivada dos músculos cremaster e
oblíquo interno, e (3) externa, derivada do
músculo oblíquo externo.
A regra dos três facilita a memorização
do conteúdo do funículo. São três itens
formados de três elementos: (1) artérias:
testicular, cremastérica e deferencial, (2)
nervos: ilioinguinal (estritamente, sobre e
não dentro do funículo), cremastérico e
plexo simpático espermático, e (3) outras
estruturas: ducto deferente, plexo
pampiniforme e vasos linfáticos (que
drenam o testículo para os linfonodos
aórticos) (Souza, 2010)
2.7. Pénis
O pénis é o principal órgão do aparelho reprodutor masculino, segundo Duarte, (2014), o
pénis é o órgão de cópula masculino, responsável pela deposição do sémen na vagina
(pertencente ao sistema genital feminino uma parte livre chamada corpo.
9
Podemos distinguir duas partes compondo o pénis, conforme ilustra a Figura:
Uma raiz que está fixa na pelve (períneo) e
Uma parte livre chamada corpo.
A raiz é formada pelos ramos e pelo
bulbo do pénis. O corpo é constituído
pelos corpos cavernosos e pelo corpo
esponjoso do pénis. Os corpos
cavernosos são projecções anteriores
dos ramos do pénis e o corpo
esponjoso, por sua vez, é uma
projecção anterior do bulbo do pénis.
Os corpos cavernosos e esponjosos do
pénis são compostos de tecidos erétil e
estão revestidos por uma membrana
fibrosa, a túnica albugínea. Dentro do
corpo esponjoso do pénis passa a
uretra esponjosa, que termina na
glande, dilatação anterior do corpo
esponjoso, onde fica o óstio externo da
uretra (Morre e Dalley, 2011).
A pele que reveste a glande do pénis é
chamada de prepúcio. O frênulo do
prepúcio é uma prega da pele que
prende o prepúcio na parte inferior da
glande.
De dentro da bainha fibrosa que
envolve os corpos eréteis do pênis, a
túnica albugínea, partem trabéculas
formadas de fibras colágenas e
elásticas e músculo liso. As trabéculas
dividem os corpos eréteis em
cavidades revestidas por endotélio. Se
essas cavidades forem grandes, elas
formam, em conjunto, o tecido
cavernoso, e se forem pequenas, o
tecido esponjoso.
A figura mostra as partes do pénis
10
2.8. Glândulas Anexas
As glândulas anexas ao sistema genital masculino auxiliam no transporte do espermatozóide
para o meio exterior. Além disso, elas secretam o líquido seminal que nutre os
espermatozóides e, ao mesmo tempo, permite os seus deslocamentos.
As glândulas anexas ao sistema genital masculino são:
As vesículas seminais,
A próstata e
as glândulas bulbouretrais.
As vesículas seminais são duas bolsas que se situam na parte póstero-inferior da bexiga
urinária. O seu ducto se une com o da ampola do ducto deferente para formar o ducto
ejaculatório.
A próstata é uma glândula ímpar situada junto ao colo da bexiga urinária. Está constituída de
tecido muscular liso, tecido fibroso e tecido glandular. A sua secreção confere o odor
característico ao sémen.
As glândulas bulbouretrais são duas glândulas pequenas, arredondadas, que estão situadas
na substância do diafragma urogenital. Essas, por sua vez, secretam o seu produto dentro da
uretra membranácea.
2.8.1. Genitália externa
2.8.2. Glândulas bulbouretrais
As glândulas bulbouretrais são formadas de lóbulos envolvidos por uma cápsula fibrosa
contendo glândulas mucosas tubuloaveolares compostas. A porção secretora e os ductos das
glândulas bulbouretrais são revestidos por células epiteliais colunares.
2.8.3. Espermatozóides
A produção de espermatozóides começa em torno do 13º ano de vida e prossegue na maior
parte da vida. Esta produção ocorre nos túbulos seminíferos, sendo controlada por via
endócrina por meio da acção dos harmónios hipofisários gonadotróficos – LH e FSH –
estrogénios e harmónio do crescimento. O LH (harmónio luteinizante) estimula a secreção de
testosterona pelas células intersticiais, enquanto que o FSH (harmónio folículo estimulante)
age sobre a linhagem germinativa e sobre as células de Sertoli, estimulando as últimas a
produzir a proteína ligadora de androgénios e a testosterona. Quando em elevados níveis, a
11
testosterona exerce efeito recíproco de reduzir a liberação de LH por meio da inibição da
secreção do harmónio libertador de gonadotrofinas (GnRH) pelo hipotálamo.
Os espermatozóides possuem metade dos genes de uma célula somática, de modo que apenas
50% das características do futuro feto provêm do pai, enquanto que a outra metade origina-se
do ovócito da mãe. O sexo do concepto será de acordo com a fertilização pelo
espermatozóide masculino (que contém o cromossoma Y) ou feminino (que contém o
cromossoma X).
Após a formação, os espermatozóides não ejaculados precisam de vários dias para percorrer
os 6 metros do tubo enrolado que é o epidídimo. Os espermatozóides que saem do testículo
são imóveis, desenvolvendo alguma motilidade apenas depois de 18 a 24 horas de
armazenados ou imediatamente após a ejaculação, em um processo chamado de maturação.
Os testículos produzem cerca de 120 milhões de espermatozóides, ficando a maioria
armazenada no deferente por cerca de trinta dias. Durante esse período são mantidos
inactivos por substâncias inibitórias contidas na secreção dos ductos. Se houver ejaculações
frequentes, o armazenamento dura alguns dias (Souza, 2010).
O acrossoma do espermatozóide é um lisossoma apical. Ele apresenta várias enzimas, entre
elas colagenase, hialuronidase, protéase, fosfatasse ácida e neuraminidase. Ao atingir o óvulo,
o acrossoma sofre uma reação acrossômica, a qual leva a lise de sua membrana, com a
liberação do conteúdo enzimático.
Isso cria um orifício, por dissolução local da parede do óvulo, por onde o DNA haplóide do
espermatozóide é injectado. Em cerca de trinta minutos após sua penetração na vagina, o
espermatozóide alcança o óvulo na trompa, fundindo os materiais genéticos masculino e
feminino para formar um novo genoma (fertilização). A reacção acrossômica só se realiza se
os espermatozóides permanecerem algum tempo na genitália feminina, antes da fertilização,
para sofrerem o processo de capacitação.
O flagelo do espermatozóide é muito longo e está na extremidade oposta ao acrossoma. Ele é
o elemento propulsor do espermatozóide. O flagelo usa a energia produzida pela mitocôndria
que rodeia sua parte inicial, usando como combustível a frutose produzida pelas glândulas
anexas da genitália masculina (Morre e Dalley, 2011).
O espermatozóide se desloca com a velocidade de 1 a 4 mm/minuto, graças aos activos
movimentos natatórios de chicotada de seu flagelo. Sustentócitos. As células de Sertoli têm
pelo menos cinco funções descritas:
a) fornecer suporte e controlar a nutrição dos espermatozóides através da regulação da
passagem dos nutrientes trazidos pelo sangue;
12
b) fagocitar e digerir fragmentos que se desprendem das espermátides;
c) secretar um fluido cuja correnteza leva os espermatozóides. A secreção das células
sustentaculares é estimulada pelo FSH. Essa secreção contém a proteína ligadora de
androgênios (PLA), que se liga à testosterona, aumentando a concentração deste
harmónio nos túbulos seminíferos onde ele é necessário à espermatogénese;
d) barreira hematotesticular: as células de Sertoli vizinhas são unidas entre si pelas
bases por junções oclusivas, as quais isolam as células germinativas mais maduras de
moléculas estranhas trazidas pelo sangue;
e) na vida fetal os sustentócitos secretam um hormônio glicoproteico que causa a atrofia
do ducto de Müller.
As células de Sertoli também secretam um hormônio glicoproteico chamado inibina, que
deprime a secreção de FSH e, assim, retarda a espermatogênese. O efeito da inibina opera
sinergicamente com o mecanismo de retroalimentação negativo da testosterona.
2.8.4. Sémen
De acordo com Souza (2010), O sémen ou esperma é o líquido ejaculado pelo homem. É
formado de secreção e espermatozóides armazenados no ducto deferente (10%), secreções
das vesículas seminais (60%), da próstata (30%) e das glândulas bulbouretrais.
Seu aspecto leitoso é devido ao líquido da próstata e a consistência mucóide devido à
secreção das vesículas seminais.
Cada mililitro de esperma contém 35 a 200 milhões de espermatozóides. Em média são
ejaculados 3,5 ml contendo 400 milhões deles. Por razões desconhecidas, são necessários
tantos gametas para que apenas um faça a fertilização. A secreção das glândulas bulbouretrais
forma uma parte muito reduzida do líquido seminal, de modo que a exacta fisiologia dessas
glândulas é incerta.
2.8.5. Orgasmo masculino
Segundo Sousa (2010), orgasmo masculino é uma sensação arrebatadora de gozo causada
pela sucessão de dois actos reflexos: a emissão e a ejaculação. Estes fenómenos são
desencadeados por impulsos simpáticos liberados da medula lombar, através do plexo
pélvico, quando o estímulo sexual fica intenso.
A relação sexual propriamente dita, e a consequente introdução do pénis na vagina a
penetração, é precedida, no homem, pelo desejo sexual e pela erecção.
A erecção é o primeiro efeito da estimulação sexual masculina. É causada por descargas
parassimpáticas do plexo pélvico, a partir da medula sacral. Ocorre vasodilatação da rede
13
arterial levando rapidamente o sangue para o interior das cavernas através das artérias
helicinas, enquanto ocorre oclusão parcial do efluxo venoso. Na relação sexual, o pênis
penetra na vulva e atua como canal de semeadura. A erecção torna o órgão rijo e capaz de
entrar sem dobras na vagina. Após o orgasmo, a excitação sexual masculina desaparece e o
pênis volta ao seu estado de repouso.
3. Sistema Genital Feminino
Fazem parte desse sistema os ovários, as tubas uterinas, o útero, a vagina e os órgãos genitais
externos (vulva).
3.1. Ovário
Na perspectiva de Duarte (2014), o ovário é a gónada feminina responsável pela produção de
gameta feminina (óvulo) e harmónios sexuais (estrógenos e progesterona). Esses hormônios,
além de controlar o desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários, atuam, também,
sobre o útero na fixação do óvulo fecundado e na regulação do ciclo menstrual.
14
O ovário tem o formato de uma amêndoa, está situado na fossa ovárica, junto à parede lateral
da pelve. Ele apresenta duas faces (lateral e medial), duas margens (mesovárica e livre) e
duas extremidades (tubária e uterina).
3.2. Tuba uterina
A tuba uterina consiste de tubo que mede aproximadamente 8cm de comprimento e está
situada entre o ovário e o útero. É o local onde ocorre a fecundação.
Para Souza (2010), as tubas uterinas ou trompas de Falópio são ovidutos de 10 cm de
extensão e situados na extremidade superior dos ligamentos largos. Em forma de trompete,
cada tuba se abre mediamente no útero e lateralmente na cavidade peritoneal, próximo ao
ovário, através de um diminuto óstio abdominal, de 3 mm de diâmetro. A tuba arqueia-se
sobre o ovário e cobre amplamente sua face medial.
A tuba uterina apresenta-se constituída
de quatro partes:
uterina,
istmo,
ampola e
infundíbulo.
1. A parte que fica dentro da parede do
útero é chamada de uterina.
2. O istmo é a parte mais estreitada da
tuba.
3. A ampola é a parte mais dilatada da
tuba e o local onde ocorre a fecundação.
4. Infundíbulo é a parte terminal da tuba
uterina.
Ilustração da morfologia externa do ovário
As fímbrias são franjas situadas no infundíbulo, a fímbria ovárica é a mais longa e
responsável pela captação do óvulo do ovário para dentro da tuba uterina.
3.3. Útero
O útero é um órgão muscular oco, ímpar e mediano. Possui a forma de pêra invertida e está
situado na cavidade pélvica, entre a bexiga urinária e o recto. O útero é o local onde ocorre a
gestação. A sua parede é constituída de endométrio, miomério e perimétrico.
15
O endométrio é a camada interna que forra o útero. Parte dessa camada se desprende durante
a menstruação. O miomério é a camada média, de tecido muscular liso. E a perimétrico é a
camada externa, constituída de peritónio que reveste o útero. Distinguem-se no útero quatro
porções:
a) o fundo é a porção voltada para cima;
b) o istmo é a porção mais estreitada do útero;
c) o corpo é a porção entre o fundo e o istmo; e
d) o colo ou cérvix é a porção que fica inferior ao istmo.
O útero está fixado dentro da cavidade pélvica por ligamentos. Dentre os ligamentos, os mais
importantes são o ligamento largo, o ligamento redondo e o ligamento útero-ovárico. O
ligamento largo é uma prega do peritônio que envolve o útero e o fixa na parede lateral da
pelve. O ligamento redondo sai do útero e passa pelo canal inguinal para se fixar nos lábios
maiores da vulva, e o ligamento útero-ovárico fixa o ovário ao útero, conforme mostra a
Figura
16
3.4. Vagina
Para Jacob e Francone, (1990) a vagina é um tubo músculo membranáceo mediano, mede em
torno de 8cm de comprimento. Ela envolve parte do colo do útero, atravessa o diafragma
urogenital e termina no estio da vagina, que fica na vulva. É também conhecido como o órgão
de cópula da mulher. As paredes anterior e posterior da vagina permanecem colabadas na
maior parte de sua extensão. Na mulher virgem, o óstio da vagina é fechado parcialmente por
uma membrana denominada hímen, conforme demonstra a Figura.
3.5. Órgãos genitais
A Figura representa os órgãos genitais femininos externos. Note que a vulva compreende o
conjunto de estruturas que constituem a parte externa do órgão genital feminino.
O monte púbico é uma
elevação mediana, anterior à
sínfise púbica e constituída de
tecido gorduroso.
Os lábios maiores são duas
pregas da pele que delimitam
entre si um espaço, chamado
rima do pudendo.
Os lábios menores são duas
pregas da pele localizadas
entre os lábios maiores. O
espaço entre os lábios
menores, conhecido como
vestíbulo vaginal, é o local
onde se situam o clitóris, o
óstio externo da uretra, o óstio
da vagina e os orifícios dos
ductos das glândulas
vestibulares.
Estruturas que constituem o órgão genital externo feminino
O clitóris é uma estrutura homóloga ao pênis. Possui duas extremidades fixadas no ísquio e
no púbis chamadas de ramos do clitóris, que a seguir se juntam formando o corpo do clitóris.
Este termina por uma dilatação chamada glande do clitóris
17
Os bulbos do vestíbulo são duas massas de tecido erétil que contornam o óstio da vagina e,
por sua vez, são homólogos ao bulbo e ao corpo esponjoso do pênis, respectivamente.
3.6. Orgasmo feminino
Como no sexo masculino, a inseminação feminina é precedida da estimulação sexual psíquica
e genital. O desejo sexual da mulher vária conforme a fase do ciclo menstrual e a intensidade
de pensamentos eróticos. Na época da ovulação, o desejo atinge seu clímax provavelmente
pelos elevados níveis de estrogénios pré-ovulatórios. Isso predispõe induz a mulher à cópula
no momento mais propício à fertilização.
Na visão de Souza (2010), a estimulação genital nas mulheres ocorre da mesma maneira que
nos homens, mediada pelo nervo pudendo, sendo a glande do clítoris particularmente
sensível.
No coito, durante a penetração peniana, sinais parassimpáticos da medula sacral da mulher
passam passam para sua genitália externa, causando erecção do bulbo do vestíbulo, de modo
que o intróito vaginal se aperta em torno do pénis ajudando o homem o sentir o orgasmo e
ejacular.
Os sinais também passam às glândulas de Bartholin causando secreção imediata de muco no
intróito vaginal, levando a uma rápida lubrificação da vagina. A lubrificação é necessária
para que se estabeleça uma sensação de massagem, prazerosa durante o coito, e não uma
sensação dolorosa que pode ser produzida por uma vagina seca (Souza 2010).
Quando a estimulação sexual da vulva atinge sua intensidade máxima, sustentada por sinais
de condicionamento psíquico, são iniciados reflexos que conduzem ao orgasmo feminino.
Este é análogo à emissão e ejaculação masculina e auxiliam a fertilização do óvulo pela
activação dos seguintes mecanismos:
contracções rítmicas dos músculos pélvicos e urogenitais causam um aumento do
limiar de dor e uma redução do limiar de prazer, o que induz a mulher a relações
sexuais mais prolongadas, frequentes e com penetrações penianas mais profundas;
liberação de ocitocina pela hipófise causa contracção reflexa do útero e trompas, a
qual exerce um efeito “aspirativo”, aumentando em mais de dez vezes a velocidade de
locomoção dos espermatozóides, e
dilatação do canal cervical por até trinta minutos, facilitando o trânsito de
espermatozóides.
18
3.7. Ciclo menstrual
Na óptica de Souza (2010), O ciclo menstrual são modificações cíclicas que o endométrio
sofre devido à acção dos harmónios ovarianos. A duração de cada um é geralmente de 28
dias. Os ciclos começam a partir dos 12 anos e terminam em trono dos 45. Como são
consequências das modificações ovarinas relacionadas com a produção de óvulos, a mulher
só é fértil enquanto apresenta a menstruação.
O ciclo menstrual de acordo com Mora (2022), é causado pela secreção alternada dos quatro
hormônios femininos: FSH, LH, progesterona e estrogénio, e pode ser dividido em quatro
fases distintas:
fase menstrual: que corresponde aos dias de menstruação, e dura entre três e sete dias;
fase proliferativa ou estrogênica: é o período de secreção de estrogénio pelo folículo
ovariano que se encontra em processo de maturação;
fase secretória ou lútea: é durante esse período que ocorre a ovulação, o chamado dia fértil.
Essa fase é caracterizada pela intensa ação do corpo lúteo;
fase pré-menstrual ou isquêmica: é o período em que ocorre queda na concentração dos
hormônios ovarianos (progesterona e estrogênio), e quando a camada superficial do
endométrio perde o seu suprimento sanguíneo normal, deixando a mulher prestes a
menstruar. Dura cerca de dois dias e pode ser acompanhada por dor de cabeça e nas mamas,
irritabilidade e insônia, eventos que caracterizam a tensão pré-menstrual ou TPM.
3.8. Gravidez e lactação
A gravidez ocorre quando a mulher tem relações sexuais no seu período fértil e ocorre a
fecundação do óvulo por um espermatozoide. Esse processo produz o ovo, que vai se
implantar nas paredes do útero e desenvolver o feto por nove meses até o evento do parto.
Após o momento da fecundação e, durante o período de amamentação, além de progesterona
e do estrogênio, outros hormônios são secretados:
Gonadotrofina Humana Coriônica (HCG): surge bem no início da gravidez, retardando o
“desaparecimento” do corpo lúteo, para que as taxas de progesterona e estrogênio não
diminuam, fazendo com que, assim, a gravidez seja mantida. Inibe a menstruação e nova
ovulação. Auxilia na formação da placenta, mas seus níveis caem após a décima quinta
semana, pois o processo de assegurar o início da gravidez já está encerrado.
Hormônio Lactogênico Placentário Humano: Aumento das taxas de insulina circulantes.
Auxilia na formação da placenta e na manutenção do feto.
19
Hormônio Melanotrófico: Liberação de melanina, aumentando a pigmentação das regiões
da aréola (bico da mama), abdômen e face.
Aldosterona: mantém o equilíbrio do sódio, aumentando a sua absorção.
Progesterona: promove um relaxamento da musculatura lisa, o que reduz as contrações
durante o período gestacional.
Estrogênio: promove rápida proliferação da musculatura uterina, aumento dos órgãos
sexuais externos e abertura da vagina, ampliando a região de saída do bebê na hora do parto.
Ocitocina: é secretado na última fase da gravidez, e em grandes quantidades na hora do
parto. Estimula a contração do útero para expulsão do bebê e promove a ejeção do leite
durante a amamentação.
Prolactina: estimula a produção de leite após sensibilização prévia das glândulas mamárias
por progesterona e estrogênio.
FSH e LH: voltam a ser secretados.
20
Conclusão
O Sistema Genital (ou reprodutor) é um conjunto de órgãos responsáveis pela produção de
gametas e hormônios sexuais secundários com a finalidade de realizar a reprodução das
espécies. Divide-se o Sistema Genital em sistema genital masculino e sistema genital
feminino.
Os órgãos que produzem as gametas são chamados gónadas – os testículos no homem e os
ovários na mulher. Além da produção de gametas, as gónadas produzem hormônios que
influem no desenvolvimento das características sexuais secundárias masculinas ou femininas
e regulam o ciclo reprodutivo.
No homem, os testículos produzem a testosterona e na mulher os ovários produzem
estrógenos e progesterona. As estruturas que transportam, protegem e nutrem os gametas,
após terem deixado as gónadas, são no homem os epidídimos, os ductos deferentes, as
vesículas seminais, a glândula próstata, as glândulas bulbouretrais, o escroto e o pénis; e na
mulher incluem as tubas uterinas, o útero, a vagina e a vulva.
Cada um dos sexos dá a sua contribuição particular no momento do ato sexual. A célula
reprodutora masculina é o espermatozoide, enquanto a feminina é o óvulo. Cada uma delas
possui 23 cromossomos, isto é, metade do que possui um ser humano. Desta forma, para a
formação de um novo indivíduo, é necessária a fusão de duas células.
21
Bibliografia
CASTRO, S. V. Anatomia Fundamental. 3. ed. São Paulo: Makron Books, 1985.
DANGELO, J. G.; FATTINI, C. A. Anatomia Humana Sistémica e Segmentar: para o
estudante de Medicina. 4. ed. São Paulo: Atheneu, 2007.
Duarte, Hamilton Emidio. Anatomia Humana. Florianópolis: Universidade Federal de Santa
Catarina, 2014
JACOB, S. W.; FRANCONE, C. A.; LOSSOW, W. J. Anatomia e Fisiologia Humana. 5. ed.
Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 1990.
Mora, Ticiana Camila. Curso profissionalizante - Anatomia e fisiologia humana. Indaial:
UNIASSELVI, 2022.
MORRE, K. L.; DALLEY, A. R. Anatomia: orientada para a clínica. 6. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara-Koogan, 2011.
SNELL, R. S. Anatomia clínica para estudantes de Medicina. 5. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara-Koogan, 2000.
Souza, Sandro Cilindro de. Lições de anatomia : manual de esplancnologia. Salvador:
EDUFBA, 2010.
SPENCE, A. P. Anatomia Humana Básica. 2. ed. São Paulo: Manole, 1991.
ZORZETTO, N. L. Curso de Anatomia Humana. 5. ed. Bauru: EDIPRO, 1993.