0% acharam este documento útil (0 voto)
6 visualizações20 páginas

Papel do Empresário nas Startups

Enviado por

Fabricio Lima
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
6 visualizações20 páginas

Papel do Empresário nas Startups

Enviado por

Fabricio Lima
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

TEORIA GERAL DO DIREITO EMPRESARIAL: QUAL O PAPEL DO

EMPRESÁRIO NA CONSTRUÇÃO DAS STARTUPS?

GENERAL THEORY OF BUSINESS LAW: WHAT IS THE ROLE OF THE


ENTREPRENEUR IN BUILDING STARTUPS?

Nome: Maycon Lucas Zacarias Soares1


Orientador: Prof. Me. Danillo Lima da Silva2

RESUMO: O Direito Empresarial dispõe sobre as formalidades necessárias no momento de abrir uma
empresa, além das regras referentes à continuidade do negócio. A atividade econômica exercida pelo
empresário de forma organizada a fornecer bens e serviços é denominada empresa e é assegurada
pelo Direito Comercial, onde este cuida do exercício dessa atividade e tem por finalidade também
resolver eventuais conflitos que possam vir a envolver a atividade empresarial. Para a elaboração desse
projeto e a escolha delimitada do tema, se fez necessário um estudo sobre as startups, da sua origem
até a sua evolução na sociedade. O direito empresarial está presente no dia a dia das pessoas, o
comércio e sua evolução se tornam um dos essenciais responsáveis pela evolução constante da
sociedade. Metodologicamente, a pesquisa se deu a partir de análises bibliográficas, buscando uma
compreensão da conjuntura histórica, social e cultural de uma comunidade em dado período de tempo,
esclarecendo hábitos, costumes, tradições, comportamentos etc. Com a finalidade de estabelecer a
importância do empresário na construção das startups, diante da teoria geral do Direito Empresarial.

Palavras-Chave: Direito Empresarial. Empresário. Startups.

ABSTRACT: Business Law provides for the necessary formalities at the time of opening a company, in
addition to the rules regarding business continuity. The economic activity carried out by the entrepreneur
in an organized way to provide goods and services is called a company and is guaranteed by
Commercial Law, where it takes care of the exercise of this activity and also aims to resolve any conflicts
that may involve the business activity. For the elaboration of this project and the delimited choice of the
theme, it was necessary to study the startups, from their origin to their evolution in society. Business law
is present in people's daily lives, commerce and its evolution become one of the essentials, responsible
for the constant evolution of society. Methodologically, the research was based on bibliographic
analysis, seeking an understanding of the historical, social and cultural conjuncture of a community in a
given period of time, clarifying habits, customs, traditions, behaviors, etc. In order to pre-establish the
importance of the entrepreneur in the construction of startups, given the general theory of Business
Law.

Keywords: Business Law. Businessperson. Startups.

1. INTRODUÇÃO

O direito representa um fenômeno altamente variável, dependendo do


desenvolvimento de conceitos, teorias e contextos sociais. Com todo o
desenvolvimento do Direito Comercial, podemos evoluir para o Direito Empresarial,

1 Acadêmico do curso de Direito na Universidade Potiguar – UnP. E-mail:


mayconsoares220@[Link].
2 Professor Orientador da Universidade Potiguar – UnP. Mestre em Direito. Especialista em Direito

Constitucional. Especialista em Saúde Pública. Especialista em Enfermagem Clínica. Bacharel em


Direito. Bacharel em Enfermagem. Servidor Público. Advogado (OAB/RN 15.175). E-mail:
[Link]@[Link].
embora não seja apenas a fonte do direito, mas também que é amparado pelo Código
Civil.
Quando se trata de atividades comerciais, existem grandes grupos econômicos
e grandes marcas que inundam a sociedade de forma a levar ao consumo. No entanto,
nem sempre as definições de empresa e empresário são fáceis de entender para a
sociedade, mesmo havendo um direito baseado em normas para explicar.
Ao longo do tempo, o conceito de Direito Comercial, baseado unicamente ou
principalmente na condução do comércio, mostrou-se um conceito completamente
ultrapassado, pois a ascensão do mercado, principalmente após a Revolução
Industrial, levou ao surgimento de diversas outras atividades. Questões econômicas,
muitas das quais não estão incluídas nos conceitos de "conduta empresarial" ou
"mercadoria". Desta forma, em 1942, a Itália revisou o novo Código Civil, que
finalmente trouxe um novo sistema para definir a ocorrência do sistema jurídico
comercial: a teoria da empresa.
Evidências empíricas válidas para a teoria societária brasileira só surgiram com
o advento do Código Civil em 2002, cujo incremento teve início na década de 1970 e
foi fortemente influenciado pela legislação italiana de 1942. Assim como a Itália, o
Brasil unifica as disciplinas dos sistemas civil e comercial, mas vale destacar que a
autonomia do direito comercial continua sendo respeitada.
Posteriormente, o âmbito de aplicação das regras especiais nas atividades
comerciais mudou, e não se destina mais ao comportamento comercial, mas ao sujeito
(empresário), seja ele pessoa física ou jurídica. O direito representa um fenômeno
altamente variável, dependendo do desenvolvimento de conceitos, teorias e contextos
sociais.
Com toda a evolução do Direito Comercial, podemos progredir para o Direito
Empresarial, que apesar de não estar em apenas uma fonte de lei, ele foi amparado
também pelo Código Civil.
Nesse sentido, buscaremos abordar a teoria da empresa, seu arcabouço
contemporâneo para definição de conceitos básicos. Enfatizamos, as empresas
recentes definidas como Startups e os empresários precisam ser analisadas perante
as fontes do Código Civil e demais ordenamentos jurídicos pertinentes.
Quando falamos de empresário falamos de alguém que conduz uma
organização. Segundo a legislação brasileira é aquele que realiza uma atividade
profissional, estruturada para comercializar bens ou serviços.
No entanto, não são somente as questões legais e jurídicas que destacam os
empresários, esses profissionais têm várias características positivas para as Startups.
Portanto, como objetivo geral, teremos a importância do empresário na construção
das Startups, diante da teoria geral do direito empresarial e como objetivos específicos
saber como se deu a evolução histórica do Direito Empresarial, a origem e conceitos
importantes necessário dentro da Teoria Geral da Empresa, qual o conceito de
empresa, empresário, qual a origem e conceito das Startups, e por fim, desenvolvendo
a problemática principal do artigo, qual a importância do empresário na construção
das Startups.
Diante do exposto, é preciso saber que diversos artigos, sites, leis e livros
contribuíram para a chegada de tal problemática, no entanto, o enfoque principal será
em autores que contribuíram para a evolução doutrinária e jurídica do direito
empresarial.
Além da legislação brasileira, o Código Civil, existem outros autores
importantes que serão utilizados, como Luiz Antônio Barroso Rodrigues , Pedro
Lenza, André Luiz Santa Cruz.
A pesquisa documental é uma técnica importante que ajuda na compreensão
da conjuntura histórica, social e cultural de uma comunidade em dado período de
tempo, esclarecendo hábitos, costumes, tradições, comportamentos etc.
Com fins metodológicos deste projeto, será utilizado a pesquisa documental,
como livros, artigos, sites e entre outros que se fizerem necessários, para
preestabelecer a importância do empresário na construção de uma empresa, diante
da teoria geral do direito empresarial.
Nesse sentido, buscaremos abordar a Teoria da Empresa, o seu marco
contemporâneo para a delimitação dos conceitos basilares. Assim, as Startups e o
empresário precisam ser analisados diante do Código Civil e demais fontes
pertinentes do ordenamento jurídico brasileiro.
No presente artigo abordaremos mais profundamente as questões relativas à
teoria geral do direito empresarial, toda a sua evolução histórica, suas fontes e por fim
os conceitos mais predominantes do Direito Empresarial.
Por fim, o grande questionamento é sobre qual o papel do empresário na
construção das startups, diante da teoria geral do direito empresarial?
2. EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO DIREITO EMPRESARIAL

Inicialmente, é necessário saber um pouco sobre a história das civilizações e


da história do comércio. O comércio pode ser considerado um fato social e econômico,
ou seja, pode ser uma atividade realizada pelo ser humano, que tem como finalidade
colocar em circulação as riquezas que produzem, aumentando assim, a sua utilidade.
Tem-se que o surgimento do Direito Comercial teve como marco inicial o
período da Idade Média, sendo ele inicialmente muito subjetivo, fechado e muito
limitado aos comerciantes registrados. Pode-se afirmar que o Direito comercial surgiu
como um direito autônomo com a finalidade de regular a atividade comercial e
perceber sua importância antes, porém, foi enfraquecido pelo mercantilismo, que
exigiu novas leis para acabar com esse conflito.
A obra perdura até os dias atuais, e assim, os indivíduos estão impossibilitados
de saciarem com suas próprias aptidões todas as necessidades que dele decorrem,
com isso, estes são levados a se aproximarem uns dos outros para realizar trocas de
produtos de seu labor.
A economia de troca conhecida como economia de escambo, evoluiu para a
economia de mercado, onde o produtor não produzia mais para a troca, mas sim,
visando o transpasse de sua mercadoria em contraposição com a aquisição da de
outro, com quem opera, ou seja, o produtor passa a produzir para vender, adquirindo
moeda e assim investir em um novo ciclo de produção.
O economista e filósofo Stuart Mill3 explica:

Quando as coisas têm que ser trazidas de longe, uma mesma pessoa não
pode dirigir com eficácia, ao mesmo tempo, a manufatura e a venda a varejo;
quando, para que resultem mais baratas ou melhores, se fabricam em grande
escala, uma só manufatura necessitada de muitos agentes locais para dispor
de seus produtos, e é muito mais conveniente delegar a venda a varejo a
outros agentes; e até os sapatos e os trajes, quando se tem de fornecer em
grande escala de uma vez, como para abastecer um regimento ou um asilo,
não se compram diretamente aos seus produtores, mas a comerciantes
intermediários, que são os que melhor sabem, por ser este o seu
negócio.(John Stuart Mill, Princípios de Economia Política, 1848)

Nos tempos da antiguidade, os autores indicam a existência de relações de


troca entre os povos da época: troianos, egípcios, cretenses, sírios, fenícios,
cartagineses e babilônios. É compreensível que nas civilizações antigas, nas leis

3 THE ECONIMIST, Revista, June 21ST-27TH de 2014.


básicas vigentes, surgissem algumas regras para regular determinadas atividades
econômicas.
Deste modo, não aconteceu de forma diversa em outras legislações, um
exemplo é o Código Comercial Brasileiro que foi influenciado pela legislação francesa
(1807), adotando a Teoria Objetiva, que tem nos atos de comércio seu marco
referencial. Desta forma, algum tempo depois, a Teoria Objetiva, sucumbiu à dinâmica
do comércio e não acompanhou, por ser limitada e casuística demais, a evolução
deste, cujas características eram cada vez mais complexas.
O Código Comercial de 1850, como a maioria dos códigos redigidos no século
XIX, adotou a teoria francesa de conduta empresarial influenciada pelo Código
Napoleônico. O Código Comercial define empresário como aquele que vende
mercadorias de forma habitual, que é a sua profissão.
Conforme Ramos (2008, p. 39),

Direito Francês e outros que seguiram aquele modelo jamais conseguiram


erigir uma teoria coerente dos atos de comércio, a qual pouco a pouco veio
sendo abrandada ou abandonada em favor de outros fundamentos, havendo
resultado posteriormente, como será visto, em alguns ordenamentos
jurídicos, a um retorno ao critério subjetivo, referenciado à pessoa do
empresário.

Então, ainda com fundamento no mesmo autor:

A noção de direito comercial fundada exclusiva ou preponderantemente na


figura dos atos de comércio, com o passar do tempo, mostrou-se uma noção
totalmente ultrapassada, já que a efervescência do mercado, sobretudo após
a Revolução Industrial, acarretou o surgimento de diversas outras atividades
econômicas relevantes, e muitas delas não estavam comprometidas no
conceito de ‘atos de comércio’ ou de ‘mercancia’. (RAMOS, 2008, p. 41).

Vale ressaltar que o modo francês de fazer decretos franceses, após um longo
avanço, foi abolido pelo Código Napoleônico de 1807. Isso elimina o subjetivismo do
direito comercial, torna-se efetivo e objetivo e se aplica apenas aos comerciantes
registrados na França. Ele não é mais baseado nas características dos comerciantes,
mas se concentra na atividade típica realizada previamente. Porém, há também
muitas críticas, pois os legisladores franceses se baseiam apenas em fatos históricos,
e com o grande desenvolvimento do direito comercial, está desatualizado com a
realidade vivenciada.
Vendo esses erros, a Itália desenvolveu uma nova teoria jurídica corporativa,
abrangendo mais direito comercial e corrigindo o que era necessário. Deixou de unir
de forma agrupadas as atividades, parou de pensar em gênero, valorizou as
organizações e passou a pensar nas corporações, nas atividades econômicas que
geram riqueza, e parou de pensar nas práticas empresariais. Excluem-se as
atividades de menor importância à época e, dependendo do titular, também podem
ser excluídas as atividades agropecuárias e, no caso do Brasil, o registro no registro
comercial. A evolução histórica divide-se em períodos subjetivos, nos quais os
comerciantes têm que entrar; o segundo período, com o surgimento do Código
Napoleônico de 1807, que se destinava a exercer atividades comerciais; e, por fim, o
terceiro e atual, começando com o Código Civil Italiano e continuando até hoje,
valorizando a empresa.
O Direito Comercial no Brasil começou com a chegada da família real
portuguesa, por isso a lei portuguesa e os códigos da França e Espanha, são os que
regem a atividade, fazendo com que esta disposição seja confusa. Em 1850, foi
finalmente desenvolvido o primeiro Código Comercial Brasileiro, baseado nos códigos
português, francês e espanhol. Adotando desta forma, a teoria dos atos do comércio,
mas não lista todas, podendo também encontrar resíduos subjetivos.
Não restando uma outra escolha, os legisladores começaram a finalmente
enumerar as práticas comerciais em base francesa, que mais tarde foi revogada pelo
Código de Processo Civil de 1939. Com isso, a teoria da conduta empresarial está se
tornando cada vez menos poderosa, mas ainda está distinguindo quem é empresário
e quem não é. Da cassação até hoje, o Brasil não a listou novamente, e várias leis e
decisões judiciais hoje adotaram a teoria da empresa.
Ao longo do caminho, a definição de áreas comerciais tornou-se mais difícil e
complexa, vários problemas surgiram, e a jurisprudência entrou em cena de algum
material que define a natureza do comércio. No entanto, por um lado a lei adota a
conduta comercial e por outro a jurisprudência adota a teoria societária, e essa
diferença não foi resolvida até a promulgação do novo Código Civil em 2002.
Dadas as solucionadas e reconhecidas limitações da teoria objetiva adotada no
Código Comercial de 1850, e suas sucessivas críticas, a doutrina e a jurisprudência
estatais, especialmente no Código Civil italiano de 1942 (que adotou a Teoria da
Empresa), está se adaptando pouco a pouco à realidade irrefutável dos conceitos
teóricos modernos.
As teorias da conduta empresarial combinadas com as ideias dos grandes
empresários brasileiros, para quem o caminho para tentar conceituar a conduta
empresarial também era extremamente confuso. Enquanto a formulação de Rocco se
destaca entre as doutrinas alheias, no Brasil a formulação de Carvalho de Mendoza,
que recebeu a devida atenção, divide as práticas empresariais em três categorias: (I)
Conduta empresarial natural, incluindo atividades empresariais típicas, como compra
e venda, negócios de câmbio, operações bancárias; (II) conduta comercial de
confiança ou conexão, incluindo conduta que facilite ou auxilie o próprio negócio; (III)
conduta comercial que seja obrigatória ou autorizada por lei.
Conclui-se, portanto, que, assim como na Europa, a doutrina brasileira não
poderia especificar um conceito único para a conduta empresarial. Uma citação do
Prof. Brasílio Machado, frequentemente citada em diversos escritos nacionais sobre
direito comercial, resume bem o pensamento da teoria dos atos do comércio em nosso
país: “problema insolúvel para a doutrina, martírio para o legislador, enigma para a
jurisprudência”.
Desta forma, com a entrada em vigor do novo Código Civil brasileiro, em 2002,
ocorre a transição da Teoria Objetiva (francesa) para a Teoria da Empresa (italiana)
revogando grande parte do Código Comercial brasileiro e unificando, ainda que no
plano formal, o direito privado nacional (direito civil e comercial).
Nesse sentido, Ramos (2008, p. 48) esclarece que:

Ao disciplinar o direito de empresa, o direito brasileiro se afasta,


definitivamente, da ultrapassada teoria dos atos de comércio, e incorpora a
teoria da empresa ao nosso ordenamento jurídico, adotando o conceito de
empresarialidade para delimitar o âmbito de incidência do regime jurídico
comercial.

Assim, o Direito Comercial tem suas origens no Código Civil, porém, não há
necessidade de falar em perda de autonomia, os legisladores apenas querem tratar
de questões diferentes em uma mesma lei, não havendo assim, uma subordinação
perante o outro.

3. O DIREITO EMPRESARIAL

Segundo Alberto Asquini, a empresa é um fenômeno econômico que


compreende a organização dos chamados fatores de produção: natureza, capital,
trabalho e tecnologia.

3.1. A TEORIA DA EMPRESA


A adoção da teoria societária foi acompanhada de tentativas de unificação do
direito privado, e essa chamada unificação, vista apenas como formal, continuou a
existir como ramos autônomos e independentes do campo do direito, direito civil e
comercial. A definição de autonomia não é a existência de legislação específica que
leve em conta suas normas jurídicas, mas a existência de um ordenamento jurídico
próprio e o princípio da informação. Como fenômeno econômico no mundo jurídico, a
corporação acaba por adquirir não um significado único, mas vários significados
diferentes.
Conforme ensinamentos de Cruz, a empresa como fenômeno econômico
poliédrico, com quatro perfis distintos quando transposto para o direito: a) o perfil
subjetivo, pelo qual a empresa seria uma pessoa (física ou jurídica, é preciso
ressaltar), ou seja, o empresário; b) o perfil funcional, pelo qual a empresa seria uma
“particular força em movimento que é a atividade empresarial dirigida a um
determinado escopo produtivo”, ou seja, uma atividade econômica organizada; c) o
perfil objetivo (ou patrimonial), pelo qual a empresa seria um conjunto de bens
afetados ao exercício da atividade econômica desempenhada, ou seja, o
estabelecimento empresarial; e d) o perfil corporativo, pelo qual a empresa seria uma
comunidade laboral, uma instituição que reúne o empresário e seus auxiliares ou
colaboradores, ou seja, “um núcleo social organizado em função de um fim econômico
comum”.4
O último significado mencionado acima, considerando a empresa sob a imagem
corporativa, está ultrapassado, pois se sustentou apenas na ideologia fascista que
dominava na Itália quando o Código Civil foi publicado em 1942. Por sua vez, outros
significados de corporações analíticas, de acordo com suas características subjetivas,
objetivas e funcionais, referem-se respectivamente a três realidades distintas, mas
intrinsecamente relacionadas: o empresário, o estabelecimento empresarial e a
atividade empresarial.
Conforme explicado, a partir da entrada em vigor do novo Código Civil em 2002
(que revogou toda a primeira parte do Código Comercial de 1850), o início da atividade
foi apenas uma das várias atividades regulamentadas pela lei mais ampla, o Código
Comercial, inclui atividades econômicas especializadas organizadas para a produção

4 CRUZ, André Santa. Direito Empresarial – 9. ed. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2019.
ou circulação de bens ou serviços, tais como: indústria, bancos, prestação de serviços,
atividades rurais, etc.
Hodiernamente, portanto, o direito comercial não cuida apenas do
comércio, mas de toda e qualquer atividade econômica exercida com
profissionalismo, intuito lucrativo e finalidade de produzir ou fazer circular
bens ou serviços. Dito de outra forma: o direito comercial, hoje, cuida das
relações empresariais, e por isso alguns têm sustentado que, diante dessa
nova realidade, melhor seria usar a expressão direito empresarial. (RAMOS,
2008, p. 49).

Conforme analisado por Diniz (2005, p. 274), o Direito Empresarial pode ser
definido como

[...] o conjunto de normas que regem a atividade empresarial; porém,


não é propriamente um direito dos empresários, mas sim um direito para a
disciplina da atividade econômica organizada para a produção e circulação
de bens ou de serviços [então,] [...] para o ato ser regulado pelo direito
comercial, não é preciso seja praticado apenas por empresários, basta que
se enquadre na configuração de atividade empresarial. O direito comercial,
empresarial ou mercantil disciplina não somente a atividade do comerciante,
mas também indústrias, bancos, transportes e seguros.

Assim, conclui-se que o direito empresarial é o alicerce maior, que,


posteriormente ao Código Civil, foi considerado o alicerce do direito comercial, ou seja,
o direito comercial acabou se tornando parte do direito empresarial, este que acabou
se expandindo com os anos.

3.2. A FIGURA JURÍDICA DA EMPRESA

No Código Civil, o conceito de empresa pode ser apreendido da definição de


empresário, como definido no art. 966. Nesse ponto, a empresa pode ser
caracterizada como a atividade desempenhada pelo empresário, uma atividade
econômica profissional e organizada voltada à produção de bens e serviços.
De acordo com Ramos,

A definição do conceito jurídico de empresa é até hoje um problema


para os doutrinadores do direito empresarial. Isso se dá porque empresa,
como bem lembrou Alberto Asquini, é um fenômeno econômico que
compreende a organização dos chamados fatores de produção: natureza,
capital, trabalho e tecnologia. (RAMOS, 2016, P.40)

Assim, o amparo legal para a definição de empresa e empresário é


estabelecido na própria lei vigente, onde doutrinadores irão se embasar.

3.3. A FIGURA JURÍDICA DO EMPRESÁRIO


Como mencionado anteriormente, desde que o Código Civil adotou a Teoria
Geral do Direito Empresarial para substituir a antiga teoria da conduta empresarial em
2002, suas regras não mais utilizam expressões de negócios e conduta empresarial,
mas expressões de empresas e empresários.
Superadas as limitações definidas pelo termo “comerciante”, o termo
“empreendedor” passou a abranger melhor a atividade econômica de quem trabalha
de forma organizada para a produção ou circulação de bens e a prestação de serviços.
Partindo da premissa do conceito de empresário tipificado no art. 966 do Código
Civil (“considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica
organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços”), podemos extrair
as seguintes expressões, que nos indicam os principais elementos indispensáveis à
sua caracterização: a) profissionalmente; b) atividade econômica; c) organizada; d)
produção ou circulação de bens ou de serviços.
Segundo dizeres de Luiz Antônio Barroso5 Rodrigues,

⇨ Profissionalmente: consiste em fazer do exercício de determinada


atividade econômica sua profissão habitual.
⇨ Atividade econômica: consiste numa atividade exercida com o intuito de
lucro.
⇨ Organização: consiste na capacidade de articular os fatores de produção
(capital, mão de obra, insumos e tecnologia).
⇨ Produção e circulação de bens e serviços: consiste em abranger, a
princípio, todas as atividades que agreguem as características
anteriormente citadas, diferentemente do que ocorria na Teoria dos Atos
de Comércio, que limitava o âmbito de abrangência do regime jurídico
comercial a determinadas atividades econômicas elencadas na lei.

Para Ramos, a teoria da empresa:

[...] a teoria da empresa, como critério delimitador do âmbito de


incidência do direito empresarial, superou uma grande deficiência da antiga
teoria dos atos de comércio, a qual acarretava um tratamento anti-isonômico
dos agentes econômicos, na medida em que certas atividades, como a
prestação de serviços e a negociação imobiliária, eram excluídas do regime
jurídico comercial, fazendo com que seus exercentes não gozassem das
mesmas prerrogativas conferidas àqueles abrangidos pelo direito comercial
de então. (RAMOS, 2008, p. 65).

Portanto, conclui-se que uma empresa só é caracterizada quando a produção


ou circulação de bens ou serviços está destinada ao mercado e não para consumo
próprio.

5 Direito Empresarial. Luiz Antônio Barroso Rodrigues


4. AS STARTUPS: CONCEITOS E TRATAMENTOS JURÍDICOS

A evolução do direito comercial fez com que o direito empresarial fosse


instituído no ordenamento jurídico brasileiro, no Código Civil de 2002. Com o direito
empresarial, há a figura do empresário que "comanda" a empresa. A empresa é um
meio de circulação de bens e serviços dentro de uma sociedade, podendo esta ser de
várias formas legalmente previstas na legislação brasileira.
Com a evolução constante da sociedade, surgiu o que conhecemos por
Startups. As "Startups'' são empresas em fase inicial que desenvolvem produtos ou
serviços inovadores, com potencial de rápido crescimento.”6 Se tornando assim um
modelo de atração para investidores e empreendedores, fazendo parte da economia
global.

A nova economia é o surgimento de novos modelos de negócios disruptivos,


o que faz com que empresas e profissões fiquem obsoletas muito
rapidamente. Ela exige outra postura de nós, pois é preciso ser mais rápido,
mais competitivo, mais conectado e atualizado, as startups são parte
fundamental dessa nova forma de pensar e agir. Elas são negócios com o
olhar no futuro, que tem como um dos principais objetivos inovar e
transformar processos. (BICUDO, 2016)

O uso do termo Startup começou durante a crise da Internet de 1996 a 2001.


Uma bolha especulativa se formou na época, caracterizada pelo aumento da
participação de novas empresas de tecnologia da informação e comunicação
alocadas no setor de Internet. Como todos sabemos, o termo "startup" entrou em uso
muito antes de se referir simplesmente a um grupo de pessoas que tinham como
propósito trabalhar em uma ideia inovadora e com potencial para obter lucro.
Desta forma, temos que:

A evolução de startups passa acompanhar, de certa forma, o surgimento e a


propagação da internet. O marco histórico de origem das empresas
desenvolvidas com fundamento nessa tecnologia é o ano de 1993, data de
criação do navegador Mosaic. (FEIGELSON; NYBO; CABRAL, 2018, p. 21)

Com base nos ensinamentos de Eric Ries, o conceito de startups se baseia na


ideia de uma modalidade empresarial que se dá a partir de uma instituição humana
projetada para criar produtos e serviços sob condições de extrema incerteza
(RIES,2012, p. 24).

6 [Link]
As startups surgiram como uma forma de nomear novas empresas lucrativas.
O termo tornou-se popular na década de 1990, quando houve um poderoso
movimento de investimento em empresas de tecnologia conhecido como "bolha da
internet". Durante esse período, os Estados Unidos, especialmente o Vale do Silício,
estavam cheios de empresas promissoras, algumas das quais Google, Facebook e
Apple. E, graças à expansão dos investimentos da época, conseguiram
financiamentos e hoje estão muito sólidos e atuantes no mercado.
Muitos empreendedores hoje se inspiram nas trajetórias dessas empresas, mas
vale ressaltar que, apesar de seus sucessos atuais, as startups sempre estiveram
cheias de incertezas.
Desta forma, a startup surge em um momento na vida de uma empresa, onde
uma equipe organizada e disciplinada, busca desenvolver um produto/serviço
inovador, de base tecnológica, que tenha um modelo de negócio facilmente replicado
e possível de escalar sem aumento proporcional dos seus custos.
O termo "startup" significa literalmente começar a fazer algo, mas é usado
principalmente para se referir a empresas nos estágios iniciais de desenvolvimento de
produtos e serviços inovadores com potencial de crescimento rápido. As startups são
empresas jovens, um grupo de pessoas, que procuram novas soluções em vários
campos e áreas de atividade. Eles normalmente buscam desenvolver modelos de
negócios escaláveis, repetíveis, flexíveis e inovadores.
Mencionar um grupo de pessoas indica que essas organizações tendem que o
número de participantes deve ser pequeno, são repetíveis porque são empresariais
que geram produtos ou serviços facilmente replicáveis, e por último, é extensível, para
pertencer à uma categoria de empresas normalmente possuídas quando bem-
sucedidas e ter uma curva de crescimento acentuada.
Segundo Blank, Dorf (2012), “Uma startup não é uma versão menor de uma
grande companhia. Uma startup é uma organização temporária em busca de um
modelo de negócio escalável, recorrente e lucrativo.”
Com base nos ensinamentos de Júdice; Nybo (2016, p.30), tem-se que:

Startup não é uma categoria de empresa, mas sim um estágio do


desenvolvimento de uma empresa. Trata-se do estágio inicial de
desenvolvimento de uma empresa, fortemente caracterizado pela ausência
de processos internos e organização, no qual está é movida pelos impulsos
de comercialização de uma ideia inovadora (BLANK E DORF, 2012, p.30),
preferencialmente, disruptiva.
Aponta-se então que as startups serão os estágios iniciais de empresas que
estão intrinsecamente ligadas ao desenvolvimento de novas ideias e tecnologias no
mercado.
As características do Startup podem ser resumidas em 3 características
principais, são elas: atingir um grande número de clientes sem um aumento
correspondente nos custos; repetibilidade associada à capacidade de entregar o
mesmo serviço a um grande número de clientes em escala. Dessa forma, o custo de
expansão pode ser minimizado e os meios e a flexibilidade de geração de lucros
podem ser aprimorados, já que, deve estar sempre apta a adaptar o seu produto ou
modelo de negócio às necessidades dos seus clientes.
Por outro lado, temos algumas empresas legadas que, em geral, buscam há
anos consolidar sua posição nos mercados econômicos, buscando desacelerar o
crescimento e obter retornos mais proporcionais sobre seus investimentos.
Deste modo, as leis das startups contêm conceitos jurídicos tradicionais
aplicados de acordo com o dinamismo dessas empresas. Por exemplo, são direito
comercial, direito civil, direito do consumidor, direito do trabalho e direito tributário.
Em uma startup, é importante saber quem é seu público e quais são suas
necessidades. Esses fatores podem determinar a capacidade de crescimento de uma
empresa. Uma das opções para entender o mercado é lançar uma versão gratuita e
testá-la e pesquisá-la com o público antes do lançamento oficial. O lançamento da
versão gratuita é chamado de fase beta e foi projetado para melhorar os resultados.
Assim, consumidores de teste e futuros clientes podem apontar bugs e verificar a
funcionalidade do conteúdo entregue. Depois de entender o mercado, é hora de definir
qual modelo de negócio é o certo para sua startup.
Para finalizarmos, é importante destacar neste capítulo as espécies de
Startups, quais sejam:
● Small-Business Startups: Em tradução livre, significa pequena empresa.
Pode ser considerado como qualquer negócio com presença local.
Nesse modelo, os empreendedores focam na manutenção de si e de
suas famílias sem muita expansão. Elas são altamente relevantes na
economia porque são geradoras de empregos locais.
● Scalable Startups: Essas startups nascem para crescer rápido e ter
modelos de negócios escaláveis. São financiados por capital de risco e
atraem investidores que não têm medo de apostar em novas ideias.
Além disso, existe a possibilidade de serem adquiridos por alguns
empreendedores, o que trará enormes recompensas financeiras aos
criadores.
● Buyable Startups: Embora as • Scalable Startups sejam criadas para
crescer rapidamente, elas planejam a possibilidade de serem adquiridas
por corporações maiores. Um bom exemplo desses modelos é um
aplicativo móvel como este, que foi vendido por US$ 1,8 bilhão antes
mesmo de começar a dar lucro.
● Lifestyle Startups: Se sua abordagem é fazer o que você ama e não
necessariamente se concentrar em ficar rico, você pode começar uma.
São empresas que geram receita a partir de vídeos, sites, blogs, livros,
etc. As startups de estilo de vida são recomendadas para artesanato,
culinária, viagens, música e muito mais.
● Large-Company Startups: Quem fica mais tempo no mercado tem que
sempre inventar novas formas de inovar, por isso existem startups de
grandes empresas. São iniciativas de empresas estabelecidas utilizando
conceitos de startup enxuta para desenvolver novos produtos e serviços.
● Lean Startup: Basicamente, essa abordagem é baseada em três pilares
importantes: Business Model Canvas, Agile Development e MVP. Deve
identificar e eliminar etapas desnecessárias no processo de criação de
uma empresa. Em uma empresa tradicional, é necessário um
planejamento detalhado para lançar um produto e depois vendê-lo,
enquanto em uma Lean Startup é possível experimentar e iterar antes
mesmo de saber se o produto vai funcionar.

Diante do exposto, as startups são consideradas um modelo de negócio


destinado a fomentar a inovação, mesmo que sejam conduzidas em condições de alto
risco e extrema incerteza, e dessa forma o potencial de crescimento é enorme.
No ordenamento jurídico brasileiro, não há lei específica aplicável ao modelo
de negócio das startups, mas é amplamente utilizada por empreendedores
investidores brasileiros, sem legislação específica disponível, se utiliza as legislações
existentes.
Partindo do conceito geral e das suas principais características, concluímos o
capítulo sobre as Startups e desta forma, partiremos para saber qual a função do
empresário em uma formação tão inovadora, tendo como base a Teoria Geral do
Direito Empresarial.

4.1. A importância do empresário na construção das Startups

A principal diferença entre as startups é que elas são caracterizadas pela


incerteza e inovação. Os empreendedores precisam investir na premissa do modelo
de negócios para encontrar algo escalável, recorrente e lucrativo até que o marketing
seja alcançado, ou seja, até que o mercado absorva e aceite o produto ou serviço
oferecido. Embora os fatores tecnológicos não definam uma startup, o baixo custo e
as facilidades inovadoras ajudam a maioria das empresas a optar por trabalhar em
áreas relacionadas à Internet ou tecnologia geral, com alto retorno para um pequeno
investimento.
Ao escolher o modelo de empresa certo, o patrimônio dos sócios (se houver
vários) ou do proprietário (se houver apenas um) pode ser protegido de forma bem
diferente do patrimônio da empresa. Essa segregação de ativos é assegurada por
meio de uma sociedade limitada, de uma EIRELI, ou mesmo sociedade por ações
(anônima).
Com o advento da Lei Complementar 182/2021, em seu artigo 4º:

Art. 4º São enquadradas como startups as organizações empresariais ou


societárias, nascentes ou em operação recente, cuja atuação caracteriza-se
pela inovação aplicada a modelo de negócios ou a produtos ou serviços
ofertados.
§ 1º Para fins de aplicação desta Lei Complementar, são elegíveis para o
enquadramento na modalidade de tratamento especial destinada ao fomento
de startup o empresário individual, a empresa individual de responsabilidade
limitada, as sociedades empresárias, as sociedades cooperativas e as
sociedades simples.

De acordo com a Associação Brasileira de Startups (ABSTARTUP, 2017), o


tipo de empresa mais utilizado pelas startups é a Sociedades Limitadas (LTDA),
Sociedade por Ações (S.A.) e a Sociedade por quota de participação, quanto à
responsabilidade dos sócios nos termos da Lei Complementar 182, que é pontual,
estes não responderão por quaisquer dívidas da empresa, ainda que em recuperação
judicial, salvo se o investidor for doloso, fraudulento ou personificado, analisando por
fim cada tipo de empresa e a empresa mais adequada.
Na Sociedades Limitadas (LTDA) e Sociedade por Ações (S.A.):

Em referido acordo, deverão ser tratadas questões que regulem a ingerência


dos sócios nos negócios, a destinação dos lucros, a disposição patrimonial
da participação societária que possuem, entre outros. Disciplinar, em um
acordo de sócios, pontos como os acima mencionados, é a forma mais
eficiente para tentar antecipar e minimizar futuros impasses. Antes, porém,
de optar por receber/realizar o investimento por meio da aquisição de
participação societária, é importante atentar para os riscos e limitações que
essa escolha implicará. Inicialmente, é preciso avaliar se essa é uma
possibilidade para o caso específico. Caso a startup esteja estruturada na
forma de uma sociedade limitada empresária (o que ocorre na grande maioria
dos casos em que a startup ainda está em estágio inicial, haja vista ser uma
espécie societária menos burocracia e menos custosa do que uma sociedade
anônima , além de em muitos casos poder obter certas vantagens tributárias),
provavelmente o investimento direto do capital representará a aquisição de
uma porcentagem expressivamente maior do que fundador e investidor
desejam estabelecer em um primeiro momento. Isso ocorre porque, ao
contrário das sociedades anônimas, em que há previsão expressa em lei em
que autoriza a emissão de ações preferenciais (as quais, via de regra, não
possuem direito a votos, em troca de certas vantagens), além da
possibilidade de estabelecer preços distintos para as ações em cada
emissão, nas sociedades limitadas não algo similar. Desta maneira, não
existindo segurança jurídica na criação de quotas preferenciais sem direito
de voto, há um grande risco de o investidor acabar se tornando-se sócios
majoritário. Isso porque, o capital investido geralmente é muito superior ao
capital social startup antes do financiamento e os sócios fundadores não têm
condições de aportar valor suficiente para manter a sua porcentagem quando
do aumento do capital social. Como consequência, o investidor acaba
tornando-se o sócio majoritário e tendo uma ingerência muito grande na
sociedade, assumindo também grande responsabilidade, algo que nem ele
nem os sócios fundadores desejam. (REIS, 2018, p. 86-87)

A conclusão que se tem é que no ponto de vista do sócio fundador se realizar


um contrato bem amarrado onde não perca controle da empresa, é muito bom já que
irá receber grande montante financeiro para investir em seu empreendimento. No lado
do investidor, esse tipo de investimento não é mais recomendado, dado a incerteza
da startup. (REIS, 2018).
Segundo Reis:

Quando da constituição da sociedade em conta de participação, é altamente


recomendado a elaboração de seu contrato social, para estabelecer os
parâmetros que regulam a relação entre startup e investidor e, ainda, como
prova de existência da sociedade em conta de participação, ajudando a
prevenir eventual caracterização de existência de sociedade em comum. De
igual maneira, a existência dos livros comerciais da sociedade em conta de
participação servirá como prova da existência da sociedade, razão pela qual
é extremamente relevante que a startup, enquanto sócia ostensiva realize a
devida estruturação. (REIS, 2018, p. 91)
Para o funcionamento de qualquer empresa, o empresário deve despender
recursos financeiros. A combinação desses recursos, representados por quotas ou
ações, constituirá o capital social, o capital social mínimo no início da atividade
determinado pelos sócios ou previsto em lei.
Segundo OIOLI:

Outra influência marcante da escassez de recursos financeiros é a


permanente busca por investidores em compartilhar o risco do negócio com
o empreendedor. São, em regra, investimentos de altíssimo risco e
consequente elevado potencial de ganhos para o investidor. Porém, são
investimentos que não servem para qualquer perfil de investidor. Investidores
anjo e venture capitalista são figuras comuns no relacionamento do
empreendedor nesta fase inicial e buscarão estruturar seus investimentos de
forma a mitigar riscos não diretamente relacionados aos de mercado ou do
produto (com riscos trabalhistas ou fiscais), bem como viabilizar sua saída do
negócio assim que este atingir um valor de mercado desejado.
Diferentemente do empreendedor, são investidores de caráter normalmente
transitório, isto é, ingressam no negócio com o objetivo de que este se
valorize e no futuro possam vender sua participação. Tal característica pode
em muitos casos gerar conflitos entre investidores e empreendedores. Ainda
diante da nossa realidade, outro elemento fundamental dentro da perspectiva
da organização no estágio inicial é a escolha do regime tributário. A
adequação à legislação tributária é a escolha do regime mais adequado que
pode fazer a diferença entre a vida e a morte de uma empresa. (OIOLI, 2019,
p. 16)

Partindo desta premissa, o empresário, após escolher o modelo que será sua
Startup, deverá saber captar os recursos financeiros. Inicialmente, alguns fatores
externos, como a instabilidade do mercado financeiro, podem exigir que os
empreendedores façam investimentos que não sejam proporcionais aos lucros.
Acontece que não só a falta de recursos pode ser um fator de risco para a
sobrevivência de uma startup, mas também a forma como esses investimentos são
obtidos.
Por isso, apontaremos os prós e contras das opções de financiamento
disponíveis no Brasil. Como primeira forma de financiamento, existe o financiamento
bancário tradicional. Os empréstimos bancários quase impossíveis de concorrência,
são altíssimas contratações de juros com taxas de juros normais no Brasil, e como
créditos de juros especiais com taxas de juros bancários, valores reduzidos que são
insuficientes para custear a maioria das operações.
Este método de captação de capital tem um nível moderado de segurança,
principalmente devido às limitações de responsabilidade acima mencionadas que
podem ser escolhidas entre os sócios.
Segundo Ries (2011), “Os empreendedores são justificativamente cautelosos
em relação à implementação de práticas gerenciais tradicionais no início de uma
startup, receosos de que estas atrairão a burocracia ou reprimirão a criatividade.” (p.
13)
Com o explanado acima, percebe-se que não basta apenas o capital, o
empresário é o principal por todo o trajeto na criação das startups, é ele que precisa
assumir o risco desse negócio inovador e muitas vezes pode até sair no prejuízo. É
necessário que ele tenha em mente os ensinamentos básicos da Teoria Geral do
Direito Empresarial e do Código Civil, já que são deles que partem toda a legalização
que esses precisam para criar sua empresa sem burocracia, definida como Startups.

5. CONCLUSÃO

Vimos no decorrer deste presente artigo desde os conceitos básicos até a


evolução da Teoria Geral do Direito Empresarial. Inicialmente, nota-se que o Direito
Comercial tem como finalidade colocar em circulação as riquezas que produzem,
aumentando assim, a sua utilidade, tendo seu surgimento ocorrido durante o período
da Idade Média.
No Brasil, o Direito Comercial enfatizou-se com a chegada da família real, e
com isso, os legisladores começaram a enumerar as práticas comerciais, surgindo
assim o primeiro Código Comercial Brasileiro. Com o passar do tempo, o direito do
comércio foi tomado pelo direito da empresa, onde suas normas foram disciplinadas
pelo Código Civil.
Surgiu assim, a teoria geral do direito empresarial, fruto do Direito Civil. O termo
empresa ficou designado como sendo um fenômeno econômico que compreende a
organização dos fatores da produção, ou seja, a empresa pode ser caracterizada
como a atividade desempenhada pelo empresário, uma atividade econômica
profissional e organizada voltada à produção de bens e serviços
Desta forma, a empresa se refere a um empreendimento, ou seja, a uma série
de atividades de um empreendedor, sendo um dos elementos uma sequência de
ações com o mesmo propósito.
Para haver uma empresa, ela precisa estar no controle de algo/alguém, que no
caso será do empresário, desta forma, o empresário quem irá exercer
profissionalmente a atividade econômica organizada.
O conceito de empresa não deve ser confundido com empresário ou
estabelecimento comercial. Em suma, o empresário é o sujeito, a pessoa que exerce
a atividade, e o estabelecimento comercial é o legado/patrimônio designado e
organizado que exerce tal atividade.
Foi abordado a evolução da empresa, ao qual foi denominada Startups. Estas
são empresas sem um planejamento interno, muitas vezes sem uma organização para
o seu desenvolvimento. Ela é formada por um grupo de pessoas em busca de
propostas inovadores para o mercado, se tornando repetíveis e escaláveis, ainda ,
vale mencionar que trabalham em condições de extrema incerteza e suas
problemáticas não há soluções para serem resolvidas.
Desta forma, tem-se que as startups são empresas em fase inicial e estão
regidas pela inovação e pelos riscos que podem ocorrer, porém, enfatizando sempre
as novas ideias e tecnologias para inserir no mercado. Desta forma, as startups são
consideradas um modelo de negócio destinado a fomentar a inovação, mesmo que
sejam conduzidas em condições de alto risco e extrema incerteza, e dessa forma o
potencial de crescimento é enorme.
Em relação aos recursos financeiros, o empresário deve despender recursos
financeiros e a combinação desses recursos são representados por quotas ou ações,
que constituirá o capital social, sendo o mínimo no início da atividade determinado
pelos sócios ou previsto em lei.
Logo após, foi visto que as Startups utilizam três principais formas de
sociedade, Sociedade Limitada, Sociedade Anônima, o investidor será sócio da
startup e a segunda abordagem, é a Sociedade em Conta de Participação, é apenas
como investidor.
Portanto, vimos que as startups precisam de ter uma forma de sociedade e a
partir desta premissa, verificar o tipo de empresário que fará parte desta, seja de um
sócio ou apenas investidor. É necessário então, que o empresário esteja ciente que
não há uma lei específica para as startups, tendo que se socorrer das legislações
existentes em casos de difícil solução.
6. REFERÊNCIAS

ASQUINI, Alberto. Perfis da empresa. Trad. Fábio Konder Comparato. Revista de


Direito Mercantil, Industrial, Econômico e Financeiro, São Paulo: Malheiros, v. 35, n.
104, p. 109-126, out./dez. 1996.

BICUDO, L. O que é uma Startup? StartSe, 2016. Disponível em:


<[Link] Acesso em:
18 de maior de 2022

BRASIL. Lei Complementar nº 155, de 27 de outubro de 2016. Altera a Lei


Complementar nº 123 de 14 de dezembro de 2006. Disponível em
<[Link] Acesso em 23 de maio
de 2022.

CRUZ, André Santa. Direito Empresarial – 9. ed. Rio de Janeiro: Forense; São
Paulo: Método, 2019.

Direito Empresarial. Luiz Antônio Barroso Rodrigues

OIOLI, E. F. Manual de Direito para Startups. 2. ed. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2019.

RAMOS, André Luiz S. C. Direito comercial ou direito empresarial? Notas sobre a


evolução histórico do ius mercatorum. Revista IOB de Direito Civil e Processual Civil,
São Paulo: Thomson IOB, ano VII, n. 40, p. 222-233, mar./abr. 2006.

REIS, E. V. de A. Startups: Análise de estruturas societárias e de investimento no


Brasil. 14. ed. São Paulo: Almedina, 2018.

RIES, Eric, A Startup Enxuta, 1. ed. São Paulo, Leya Editora Ltda, 2011, 275p.

THE ECONIMIST, Revista, June 21ST-27TH de 2014.

Você também pode gostar