Introdução
Os Teoremas de Thévenin e de Norton permitem obter circuitos simples a partir de
circuitos complexos, levando em conta que o circuito terá dois pontos considerados
como saída ou onde se conectará a carga ou o componente de interesse do circuito.
A diversidade do uso de circuitos eléctricos em diferentes áreas possibilitou a evolução
de circuitos simples para complexos e as leis de Kirchhoff, até então muito utilizadas,
tornaram-se desvantajosas por gerar cálculos grandes e cansativos. Assim, ao longo dos
anos, foram desenvolvidos teoremas que mudam a configuração original do circuito na
intenção de simplificar a análise, como o teorema de Thévenin.
O teorema de Thévenin, assim como o teorema de Norton, é aplicável apenas em
circuitos lineares, então será primeiramente abordado o conceito de linearidade em
circuitos, para depois esclarecer como o teorema funciona.
Após cerca de 43 anos da publicação do teorema de Thévenin, E. L. Norton, um
engenheiro norte-americano propôs um teorema semelhante. O teorema de Norton.
Objectivos
1. Conhecer o Teorema de Thévenin.
2. Conhecer o Teorema de Norton.
3. Verificar experimentalmente os teoremas Thévenin e Norton.
[Link] Teórico
Circuitos Lineares
A linearidade de um componente descreve que há uma relação directamente
proporcional entre a entrada e saída. Essa propriedade é uma combinação das
propriedades de homogeneidade e da adictividade. Apesar da linearidade
funcionar para vários elementos de circuitos, destacamos sua aplicabilidade
aos resistores.
Começando com a homogeneidade, essa propriedade dita que: se a entrada (ou
excitação) for multiplicada por uma constante qualquer, então a saída (ou
resposta) também deve ser multiplicada pela mesma constante. Nos resistores
essa relação entrada-saída é visualizada através da lei de Ohm.
Figura-1. Equação 1.
Logo, se a corrente for aumentada por uma constante k, então a tensão
aumenta igualmente um valor k:
Figura-2. Equação 2.
Já a adictividade dita que a saída para uma soma de entradas deve ser a soma das saídas
a cada entrada aplicada separadamente. Usando a relação tensão-corrente de um resistor,
temos:
Figura-3. Equação 3.
Então aplicar (i1+ i2) resulta em:
Figura-4. Equação 4.
Portanto, conclui-se que um resistor é um componente linear por satisfazer tanto as
propriedades de homogeneidade quanto de adictividade. Nesse sentido, normalmente,
um circuito é linear quando formado por elementos lineares e fontes lineares
dependentes e independentes.
Teorema de Thévenin
O teorema de Thévenin estabelece que qualquer circuito linear visto de um ponto, pode
ser representado por uma fonte de tensão (igual à tensão do ponto em circuito aberto)
em série com uma impedância (igual à impedância do circuito vista deste ponto).
A esta configuração chamamos de Equivalente de Thévenin em homenagem a Léon
Charles Thévenin1, e é muito útil para reduzirmos circuitos maiores em um circuito
equivalente com apenas dois elementos a partir de um determinado ponto, onde se
deseja por exemplo, saber as grandezas eléctricas como tensão, corrente ou potência.
Resumindo: qualquer rede linear com fonte de tensão e resistências, pode ser
transformada em uma Rth (resistência equivalente de Thévenin) em série com uma
fonte Vth (tensão equivalente de Thévenin), considerando-se dois pontos quaisquer.
Vejamos um circuito básico:
Figura-5. Procedimento para obtenção de circuito equivalente de Thévenin, a partir de
resistor R3.
Teorema de Norton
O teorema de Norton afirma que:
“Um circuito linear de dois terminais pode ser substituído por um circuito equivalente
formado por uma fonte de corrente IN em paralelo com um resistor RN.”
Serve para simplificar redes em termos de correntes e não de tensões, como é o caso do
método de Thévenin.
O teorema de Norton tal como o Teorema de Thévenin permite simplificar redes
eléctricas lineares, reduzindo-as apenas a um circuito mais simples: um gerador de
corrente com uma resistência em paralelo.
Figura-6. Procedimento para obtenção de circuito equivalente de Norton, a partir de
resistor R3.
Figura-7. (a) Circuito original (b) Circuito equivalente de Norton.
Para realizar a conversão é necessário obter os valores de IN e RN. O RN é determinado
da mesma forma que obtemos a RTh, ou seja, a resistência equivalente do circuito
inativo é igual à RN. Outro detalhe importante é que através da transformação de fontes
conclui-se que as resistências de Thévenin e de Norton são iguais.
Rth = RIN (5)
Já para determinar a corrente de Norton IN, precisamos curto-circuitar os
terminais a e b dos dois circuitos mostrados na Figura-7. A corrente de
curto-circuito na Figura-8b é IN, para a equivalência de circuito ser
verdadeira esta corrente deve ser igual à corrente de curto-circuito (ICC)
entre os terminais a e b da Figura-8.
Figura-8. (a) Circuito original com curto circuito (b) Circuito equivalente
de Norton com curto circuito.
Assim, temos que:
IN= Icc (6)
Como temos que RN = RTh, pode-se observar que:
IN = VTH/RTH (7)
Isso mostra o quão relacionados estão os dois teoremas. Além de ser
basicamente, uma transformação de fontes. Por causa disso, muitas vezes a
transformação de fontes é chamada transformação Thévenin-Norton.
[Link] e métodos
[Link]
1 Fonte variável;
3 Resistores;
1 Multímetro digital;
1 Reóstato;
Cabos de ligação;
1 Amperímetro;
1 Voltímetro.
2.2.Métodos
Primeiramente, montou-se o circuito equivalente ao circuito apresentado na
figura a seguir:
Figura-9.
[Link]álise do circuito usando o teorema de Thévenin
Alimentou-se o circuito com uma fonte de tensão fixa de 5V/DC e
foi medida a tensão do circuito na extremidade a e b;
De seguida, desconectou-se os fios de ligação da fonte e criou-se um
curto-circuito, de modo que o circuito se apresenta-se como a figura
a seguir:
Figura-10.
Ligou-se um multímetro em paralelo com a resistência R3 e registou-
se o valor da resistência (RTh) obtido nas terminais a e b;
A seguir, conectou-se o circuito á fonte de tensão, conforme a figura
a seguir:
Figura-11.
Usou-se um multímetro ligado em paralelo com a resistência R3 e
registou-se o valor da tensão (VTh) obtida nos seus terminais;
Por fim, montou-se o circuito da figura-12 considerando um reóstato
(RL) de valor 200Ω e mediu-se a tensão nas terminais da resistência
de carga VRL;
Figura-12.
[Link]álise do circuito usando o teorema de Norton.
Montou-se um circuito similar ao da figura-9, conectando-se dessa
vez o amperímetro em série com as resistências R1, R2 e R3;
Fez-se um curto circuito nas terminais a e b e mediu-se a corrente do
circuito.;
De seguida, ligou-se o amperímetro e o reóstato (RL) em série a
partir das terminais a e b do circuito de Thévenin, e fez-se a leitura
do valor da corrente na resistência de carga (IRL);
Figura-13.
[Link] e discussão
Conclusão
O teorema de Thévenin surgiu como uma ferramenta para simplificar circuitos
complexos e que só é aplicável em circuitos lineares. Além disso, foi definido que
a tensão de Thévenin (VTh) é a tensão de circuito aberto nos terminais e a resistência
de Thévenin (RTh) é a resistência de entrada – ou equivalente – nos terminais quando as
fontes independentes forem desativadas.
Os teoremas de Thévenin e de Norton surgem como ferramentas fundamentais para
simplificar a análise de circuitos complexos. Ambos permitem reduzir circuitos a
modelos equivalentes, facilitando a resolução de problemas práticos em engenharia e
em eletrônica. Enquanto o teorema de Thévenin transforma o circuito em uma fonte de
tensão em série com uma resistência, o de Norton apresenta uma fonte de corrente em
paralelo com uma resistência equivalente, destacando a complementaridade entre os
dois métodos.
Bibliografia
ZUIM, Edgar. Teorema de Thévenin e Norton. s/l. Disponível em:
[Link] Acesso em: 27 ago. 2025.
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE
SANTA CATARINA. Guia de estudo – Objetivo de Aprendizagem 14: Teoremas
de Thévenin e Norton. Circuitos Elétricos I. Florianópolis, out. 2020. PDF.
Disponível em:
[Link]
dizagem_14.pdf. Acesso em: 27 ago. 2025.
FERNANDES, Sthefania. Teorema de Thévenin. Embarcados, 13 jul. 2022.
Disponível em: [Link] Acesso em: 1
set. 2025.
FERNANDES, Sthefania. Teorema de Norton. Embarcados, 15 jul. 2022.
Disponível em: [Link] Acesso em: 1
set. 2025.