0% acharam este documento útil (0 voto)
11 visualizações44 páginas

Guia Completo sobre Precatórios 2025

Enviado por

adriano706
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
11 visualizações44 páginas

Guia Completo sobre Precatórios 2025

Enviado por

adriano706
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Atualizado até 10/12/20241

PRECATÓRIOS
3ª EDIÇÃO/2025

1. INTRODUÇÃO​ 3
2. PROCEDIMENTO​ 7
3. ORDEM CRONOLÓGICA DE APRESENTAÇÃO PARA PAGAMENTO: CRÉDITOS NORMAIS,
CRÉDITOS DE NATUREZA ALIMENTÍCIA E SUPER PREFERÊNCIAS​ 8
3.1. NÃO PAGAMENTO DE PRECATÓRIOS PELOS ESTADOS​ 16
4. PESSOAS SUJEITAS AO PAGAMENTO DOS DÉBITOS JUDICIAIS ATRAVÉS DE PRECATÓRIO​ 18
5. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E INCIDÊNCIA DE JUROS​ 20
6. REQUISIÇÃO DE PEQUENO VALOR​ 24
7. COMPENSAÇÃO DE PRECATÓRIOS COM DÍVIDAS ATIVAS E AMORTIZAÇÃO DO SEU VALOR
COM DÉBITOS VENCIDOS OU VINCENDOS​ 27
8. OUTROS TEMAS​ 30
8.1. PRECATÓRIOS E REFLEXOS TRIBUTÁRIOS​ 30
8.1.1. COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO CONTRIBUINTE​ 30
8.1.2. PRECATÓRIOS E PROCESSO EXECUTIVO FISCAL​ 32
8.1.3. PRECATÓRIOS E CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO​ 32
8.2. AQUISIÇÃO DE IMÓVEIS PÚBLICOS COM PRECATÓRIOS​ 32
8.3. CESSÃO DE PRECATÓRIOS​ 33
8.4. REGIMES ESPECIAIS DE PRECATÓRIOS​ 34
8.5. INTERVENÇÃO FEDERAL​ 38
9. JURISPRUDÊNCIA​ 39
3

1. INTRODUÇÃO

O precatório é uma requisição formal de pagamento, no qual o Poder Público é condenado a realizar,

decorrente de condenação judicial definitiva. Dessa forma, o precatório decorre do reconhecimento judicial de

um crédito que uma pessoa jurídica de direito público deverá arcar, assim bem define a Professora Tathiane

Piscitelli em sua obra:

Como se sabe, a existência de precatórios pendentes revela despesas para o Estado, na medida em que

representam obrigações do ente de efetivar o pagamento de determinada quantia, nos termos em que

reconhecida judicialmente.

O caput do art. 100, da Constituição Federal, dispõe que “os pagamentos devidos pelas Fazendas

Públicas Federal, Estaduais, Distrital e Municipais, em virtude de sentença judiciária, far-se-ão exclusivamente

na ordem cronológica de apresentação dos precatórios e à conta dos créditos respectivos, proibida a

designação de casos ou de pessoas nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para este

fim.” Ou seja, consiste o precatório no instrumento disposto pelo legislador constituinte para viabilizar pela

Fazenda Pública o pagamento de condenações judiciais nas quais tenha que pagar quantia certa.

“Precatório é o documento pelo qual a autoridade judicial competente (Presidente do Tribunal que proferiu a

decisão exequenda), após ouvir o Ministério Público e obter parecer favorável, determina à autoridade

administrativa competente a saída da verba para o pagamento da dívida objeto da condenação da Fazenda

Pública .”1

A origem do precatório remonta ao século XIX, do instrumento criado pela legislação processual civil

brasileira denominado “precatória vênia”, através do qual requisitava-se “ao Tesouro recursos para o

pagamento nas condenações da Fazenda Pública, diante da impenhorabilidade dos bens públicos. Em sede

constitucional, o sistema de pagamentos por precatórios foi previsto pela primeira vez na Carta de 1934, mas

limitava-se aos pagamentos de decisões condenatórias da Fazenda federal.[65] Somente na Constituição de

1946 é que o sistema passou a se aplicar às Fazendas estaduais e municipais.”2

⚠️ ATENÇÃO
O precatório é instrumento necessário para a quitação apenas de obrigação de pagar quantia certa por

parte do Poder Público; o Supremo Tribunal Federal já decidiu que obrigações de fazer e não fazer não se

sujeitam a esta forma especial de pagamento. Vejamos:

1
Filho, Carlos Alberto de Moraes R. Direito financeiro e econômico (Coleção Esquematizado®). Disponível em: Minha Biblioteca, (4th edição). Editora
Saraiva, 2022.
2
Abraham, Marcus. Curso de Direito Financeiro Brasileiro. Disponível em: Minha Biblioteca, (6th edição). Grupo GEN, 2020.
4
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO CONSTITUCIONAL FINANCEIRO.

SISTEMÁTICA DOS PRECATÓRIOS (ART. 100, CF/88). EXECUÇÃO PROVISÓRIA DE DÉBITOS DA FAZENDA PÚBLICA.

OBRIGAÇÃO DE FAZER. SENTENÇA COM TRÂNSITO EM JULGADO. EMENDA CONSTITUCIONAL 30/2000. 1.

Fixação da seguinte tese ao Tema 45 da sistemática da repercussão geral: “A execução provisória de obrigação

de fazer em face da Fazenda Pública não atrai o regime constitucional dos precatórios.” 2. A jurisprudência

do STF firmou-se no sentido da inaplicabilidade ao Poder Público do regime jurídico da execução

provisória de prestação de pagar quantia certa, após o advento da Emenda Constitucional 30/2000.

Precedentes. 3. A sistemática constitucional dos precatórios não se aplica às obrigações de fato

positivo ou negativo, dado a excepcionalidade do regime de pagamento de débitos pela Fazenda

Pública, cuja interpretação deve ser restrita. Por consequência, a situação rege-se pela regra regal de que

toda decisão não autossuficiente pode ser cumprida de maneira imediata, na pendência de recursos não

recebidos com efeito suspensivo. 4. Não se encontra parâmetro constitucional ou legal que obste a pretensão

de execução provisória de sentença condenatória de obrigação de fazer relativa à implantação de pensão de

militar, antes do trânsito em julgado dos embargos do devedor opostos pela Fazenda Pública. 5. Há

compatibilidade material entre o regime de cumprimento integral de decisão provisória e a sistemática dos

precatórios, haja vista que este apenas se refere às obrigações de pagar quantia certa. 6. Recurso

extraordinário a que se nega provimento. (RE 573872, Relator(a): EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em

24/05/2017, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-204 DIVULG 08-09-2017 PUBLIC

11-09-2017) (Grifou-se)

Conforme destacado na doutrina, são características do precatório:

a)​ tem sede constitucional;

b)​ destina-se unicamente a definir critérios objetivos para pagamento dos débitos oriundos de

sentenças judiciais e;

c)​ é privativo das Fazendas Públicas e respectivas entidades de direito público, bem como se aplica,

por interpretação extensiva do STF, às empresas estatais que não competem com pessoas

jurídicas privadas ou que não têm por objetivo primordial acumular patrimônio e distribuir

lucros.”3

Prosseguindo, o motivo pelo qual as condenações judiciais a pagar quantia certa são adimplidas através

deste instrumento público dá-se pois, conforme já estudado nos Resumos Destacados anteriores desta mesma

série, é necessário que o Estado organize e preveja com antecedência as despesas públicas para o exercício

financeiro que está por vir. Desta forma, não poderia o Poder Público se submeter ao regime de pagamento de

condenações tal qual os particulares, tendo em vista que o gestor público administra o dinheiro de todos e,

caso não seja observado o princípio da legalidade e todos os seus consectários, inúmeras normas

orçamentárias seriam infringidas quase que diariamente.

Assim, a apresentação dos precatórios por parte do credor - provenientes de condenações já

3
Abraham, Marcus. Curso de Direito Financeiro Brasileiro. Disponível em: Minha Biblioteca, (6th edição). Grupo GEN, 2020.
5
transitadas em julgado - de maneira tempestiva, propicia a inclusão de seu pagamento no exercício financeiro

seguinte (ou pelo menos assim deveria ser). Inclusive, como veremos adiante, o prazo de apresentação do título

público no qual se substancia a dívida mudou no final do ano de 2021, o que poderá ser muito explorado nas

provas de concurso daqui por diante.

Neste sentido, refere o §6º do art. 100 da CF, ao dispor que:

Art. 100. (...) § 6º As dotações orçamentárias e os créditos abertos serão consignados diretamente ao Poder

Judiciário, cabendo ao Presidente do Tribunal que proferir a decisão exequenda determinar o pagamento

integral e autorizar, a requerimento do credor e exclusivamente para os casos de preterimento de seu direito

de precedência ou de não alocação orçamentária do valor necessário à satisfação do seu débito, o sequestro

da quantia respectiva.

Observe que, uma vez apresentado o precatório, o Presidente do respectivo Tribunal de Justiça (ao qual

está vinculado o juiz prolator da decisão condenatória) proferirá a ordem de pagamento da dívida e, caso essa

não seja quitada, o sequestro nas contas públicas da quantia necessária à satisfação da dívida. Em ambos os

Tribunais Superiores já foi objeto de discussão a natureza jurídica desta decisão do Presidente do TJ,

sendo decidido pela inexistência de atividade jurisdicional neste ato.

Tendo em vista a pacificação do assunto, o Superior Tribunal de Justiça, editou súmula sobre o tema, na

qual consta que:

Súmula 311, STJ: Os atos do presidente do tribunal que disponham sobre processamento e pagamento de

precatório não têm caráter jurisdicional.

🚨 JÁ CAIU
No concurso para Procurador do Município de Porto Alegre - RS (Ano: 2022; FUNDATEC) foi

considerada incorreta a seguinte assertiva: Os atos do presidente do tribunal que disponham sobre

processamento e pagamento de precatório têm caráter administrativo jurisdicional.

Por sua vez, o Supremo Tribunal Federal proferiu julgado em sede de controle concentrado de

constitucionalidade no mesmo sentido:

PRECATÓRIO - OBJETO. Os preceitos constitucionais direcionam à liquidação dos débitos da Fazenda. O

sistema de execução revelado pelos precatórios longe fica de implicar a perpetuação da relação jurídica

devedor-credor. PRECATÓRIO - TRAMITAÇÃO - REGÊNCIA. Observadas as balizas constitucionais e legais, cabe

ao Tribunal, mediante dispositivos do Regimento, disciplinar a tramitação dos precatórios, a fim de que
6
possam ser cumpridos. PRECATÓRIO - TRAMITAÇÃO - CUMPRIMENTO - ATO DO PRESIDENTE DO TRIBUNAL

- NATUREZA. A ordem judicial de pagamento (§ 2º do artigo 100 da Constituição Federal), bem como os

demais atos necessários a tal finalidade, concernem ao campo administrativo e não jurisdicional. A

respaldá-la tem-se sempre uma sentença exeqüenda. PRECATÓRIO - VALOR REAL - DISTINÇÃO DE

TRATAMENTO. A Carta da República homenageia a igualação dos credores. Com ela colide norma no sentido

da satisfação total do débito apenas quando situado em certa faixa quantitativa. PRECATÓRIO - ATUALIZAÇÃO

DE VALORES - ERROS MATERIAIS - INEXATIDÕES - CORREÇÃO - COMPETÊNCIA. Constatado erro material ou

inexatidão nos cálculos, compete ao Presidente do Tribunal determinar as correções, fazendo-o a partir dos

parâmetros do título executivo judicial, ou seja, da sentença exeqüenda. PRECATÓRIO - ATUALIZAÇÃO -

SUBSTITUIÇÃO DE ÍNDICE. Ocorrendo a extinção do índice inicialmente previsto, o Tribunal deve observar

aquele que, sob o ângulo legal, vier a substituí-lo. PRECATÓRIO - SATISFAÇÃO - CONSIGNAÇÃO - DEPÓSITO.

Não se há de confundir a consignação de créditos, a ser feita ao Poder Judiciário, com o depósito do valor do

precatório, de responsabilidade da pessoa jurídica devedora à qual são recolhidas, materialmente, "as

importâncias respectivas" (§ 2º do artigo 100 da Constituição Federal). (ADI 1098, Relator(a): MARCO AURÉLIO,

Tribunal Pleno, julgado em 11/09/1996, DJ 25-10-1996 PP-41026 EMENT VOL-01847-01 PP-00019 RTJ

VOL-00161-03 PP-00796) (Grifou-se)

Após o julgamento da ADI acima menciona, o STF enfrentou diversos recursos e consolidou

entendimento através da Súmula nº 733, vejamos:

Súmula nº 733, STF. Não cabe recurso extraordinário contra decisão proferida no processamento de

precatórios já que esta tem natureza administrativa e não jurisdicional.

📌 OBSERVAÇÃO
​ Em face da natureza não processual da expedição de precatórios, é admitida a impetração de mandado

de segurança.

Na legislação infraconstitucional, o trâmite processual para o cumprimento de sentença que reconheça

a exigibilidade de obrigação de pagar quantia certa pela Fazenda Pública é delimitado pelos arts. 910 e 535 do

CPC:

Art. 910. Na execução fundada em título extrajudicial, a Fazenda Pública será citada para opor embargos em

30 (trinta) dias.

§ 1º Não opostos embargos ou transitada em julgado a decisão que os rejeitar, expedir-se-á precatório ou

requisição de pequeno valor em favor do exequente, observando-se o disposto no art. 100 da Constituição

Federal .

§ 2º Nos embargos, a Fazenda Pública poderá alegar qualquer matéria que lhe seria lícito deduzir como defesa

no processo de conhecimento.
7
§ 3º Aplica-se a este Capítulo, no que couber, o disposto nos artigos 534 e 535 .

Feitas as considerações acerca do conceito, características, importância, bem como natureza jurídica

das decisões que permeiam a tramitação dos precatórios no Tribunal de Justiça, passaremos nos próximos

tópicos a aprofundar um pouco mais o tema, tendo em vista que seu regime de processamento é

constantemente alterado pelo legislador constitucional, uma vez que também reflete a situação

político-financeira dos Entes Públicos no cenário atual.

2. PROCEDIMENTO

​ Após vencido em demanda judicial, o Poder público deverá pagar sua dívida através do regime de

precatórios. Dessa forma, o juiz da execução faz uma solicitação ao Presidente do respectivo Tribunal, para que

este requisite a verba necessária ao pagamento do credor da Fazenda Pública (precatório requisitório). Em

seguida, o presidente do Tribunal comunicará a respectiva Fazenda Pública, via ofício requisitório, a fim de que

a verba seja consignada no orçamento, como despesa pública a ser paga no próximo exercício financeiro. Neste

sentido, o art. 100, §5º da Constituição Federal:

§ 5º É obrigatória a inclusão no orçamento das entidades de direito público de verba necessária ao pagamento

de seus débitos oriundos de sentenças transitadas em julgado constantes de precatórios judiciários

apresentados até 2 de abril, fazendo-se o pagamento até o final do exercício seguinte, quando terão seus

valores atualizados monetariamente. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 114, de 2021)

(Vigência)

​ Dessa forma, após o valor ser incluído na dotação de precatórios, os valores serão liberados pelo

presidente do Tribunal, observados a ordem cronológica e os ditames constitucionais. Ademais, é autorizada a

expedição de precatório complementar (ou suplementar) com os valores que não foram pagos em decorrência

de erro material anterior. Neste sentido:

Tema 1360 - 1. É vedada a expedição de precatórios complementares ou suplementares de valor pago, salvo

nas hipóteses de erro material, inexatidão aritmética ou substituição de índices aplicáveis por força de

alteração normativa; 2. A verificação de enquadramento nas hipóteses admitidas de complementação ou

suplementação de precatório pressupõe o reexame de matéria fático-probatória. (ARE 1491413 RG, Relator(a):

MINISTRO PRESIDENTE, Tribunal Pleno, julgado em 26-11-2024, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL

- MÉRITO DJe-362 DIVULG 28-11-2024 PUBLIC 29-11-2024)


8
📌 OBSERVAÇÃO
Caso o precatório possua valor superior a 15% do montante dos precatórios apresentados no §5º do

art. 100, dispõe o §20 (incluído pela EC n. 94/2016) que 15% do valor deste precatório serão pagos até o final do

exercício seguinte e o restante em parcelas iguais nos cinco exercícios subsequentes, acrescidas de juros de

mora e correção monetária, ou mediante acordos diretos, perante Juízos Auxiliares de Conciliação de

Precatórios, com redução máxima de 40% do valor do crédito atualizado, desde que em relação ao crédito não

penda recurso ou defesa judicial e que sejam observados os requisitos definidos na regulamentação editada

pelo ente federado.

3. ORDEM CRONOLÓGICA DE APRESENTAÇÃO PARA PAGAMENTO:


CRÉDITOS NORMAIS, CRÉDITOS DE NATUREZA ALIMENTÍCIA E
SUPER PREFERÊNCIAS

Conforme consta no caput do art. 100, da Constituição Federal, os créditos judiciais para com a Fazenda

Pública serão pagos de forma cronológica, de acordo com sua apresentação. Assim, em um exemplo bem

simples, se “A” tem quantia referente à indenização para receber e apresentou seu precatório em 2020,

receberá antes de “B” que, tendo o mesmo crédito a receber, apresentou seu precatório somente em 2022.

No entanto, é preciso ficar atento também à regra dos §§1º e 2º do mesmo dispositivo, que têm a

seguinte redação:

Art. 100. (...) § 1º Os débitos de natureza alimentícia compreendem aqueles decorrentes de salários,

vencimentos, proventos, pensões e suas complementações, benefícios previdenciários e indenizações

por morte ou por invalidez, fundadas em responsabilidade civil, em virtude de sentença judicial transitada

em julgado, e serão pagos com preferência sobre todos os demais débitos, exceto sobre aqueles referidos

no § 2º deste artigo.

§ 2º Os débitos de natureza alimentícia cujos titulares, originários ou por sucessão hereditária, tenham

60 anos de idade, ou sejam portadores de doença grave, ou pessoas com deficiência, assim definidos na

forma da lei, serão pagos com preferência sobre todos os demais débitos, até o valor equivalente ao

triplo fixado em lei para os fins do disposto no § 3º deste artigo (RPV), ADMITIDO O FRACIONAMENTO

PARA ESSA FINALIDADE, sendo que o restante será pago na ordem cronológica de apresentação do

precatório

Desta forma, ao lermos o texto constitucional, é possível observar a existência de “três filas” diferentes

para o pagamento dos precatórios, a saber:

FILA 01 - PAGAMENTO Créditos provenientes de condenações contra a Fazenda Pública.

NORMAL Exemplo: repetição de indébito tributário.


9

(Art. 100, caput)

Créditos considerados verbas alimentícias. Serão pagos com preferência

FILA 02 - PREFERÊNCIAS àqueles do caput do art. 100.

(Art. 100, §1º) Exemplos: indenização decorrente de condenação por responsabilidade civil

do Estado.

Verbas alimentares de indivíduos com: (i) 60 anos de idade (ou mais); (ii)

doença grave ou (iii) algum tipo de deficiência.


FILA 03 - SUPER
Serão pagos preferencialmente àqueles dispostos no caput E TAMBÉM, até
PREFERÊNCIAS
certo valor, àqueles do §1º.
(Art. 100, §2º)
Exemplos: indenização decorrente de condenação por responsabilidade civil

do Estado.

O art. 100, § 1º, da Constituição Federal traz um rol exemplificativo, de sorte que a definição da natureza

alimentar das verbas nele elencadas encontra-se vinculada à destinação precípua de subsistência do credor e

de sua família.

STJ. 1ª Turma. RMS 72.481-BA, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 5/12/2023 (Info 798).4

🚨JÁ CAIU
No concurso para Procurador do Município de NIterói (Ano: 2023; FGV) foi considerada correta a seguinte

assertiva: Josué, com 61 anos de idade e com deficiência, ganhou uma ação judicial, com trânsito em julgado,

em que a União Federal foi condenada a indenizá-lo por danos materiais ao imóvel onde reside decorrentes

de obra pública federal, totalizando um valor de condenação de R$ 120.000,00. Pretende receber o valor

integralmente. O pagamento pela União Federal será feito por meio de precatório sem nenhuma prioridade.

[Observa-se que a indenização foi referente a danos materiais, os quais não possuem nenhuma preferência!]

No concurso para Procurador do Estado de Santa Catarina (Ano: 2022; FGV) foi considerada correta a

seguinte assertiva: Em um grave acidente de trânsito causado por viatura da Polícia Civil do Estado Alfa que

vitimou João, este ficou tetraplégico e teve de ser aposentado por invalidez. Após o devido processo judicial, o

Estado Alfa foi condenado a pagar a João o valor de R$ 170.000,00 a título de indenização por invalidez

fundada em responsabilidade civil do Estado. Diante desse cenário, e ciente de que lei do Estado Alfa

estabeleceu as obrigações de pequeno valor, a serem pagas pelo regime de requisição de pequeno valor

4
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. O art. 100, § 1º, da CF traz um rol exemplificativo, de sorte que a definição da natureza alimentar das verbas nele
elencadas encontra-se vinculada à destinação precípua de subsistência do credor e de sua família. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 21/02/2024
10

(RPV), em R$ 40.000,00, é correto afirmar que João deverá receber R$ 120.000,00 com preferência sobre

todos os demais débitos de precatórios, e R$ 50.000,00 como débito de natureza alimentícia sem a

preferência especial de pessoas portadoras de doença grave ou com deficiência.

Ainda, os créditos “super preferenciais", que são pagos antes de qualquer outro, tem uma outra

regrinha a ser observada: permite-se o fracionamento para que sejam pagos de modo preferencial os valores

correspondentes a três vezes mais do que a quantia que corresponde ao considerado “crédito de pequeno

valor.” O restante do pagamento observará a ordem cronológica de apresentação dos precatórios

correspondentes às verbas alimentares (ou seja, a 2ª fila da nossa tabela).

Vamos abordar no que consiste a requisição de pequeno valor com mais vagar em um tópico adiante,

mas, para fins de elucidação do que estamos estudando, imaginemos a seguinte situação: o Estado X estipulou

através de lei orçamentária que pagará através de RPV (requisição de pequeno valor, que é pago de forma mais

célere pela Fazenda Pública tendo em vista que seu valor é menos elevado) as condenações que correspondam

até o valor de R$ 20.000,00. “A”, sujeito de 75 anos de idade, tem um crédito a receber do Poder Público no

valor de R$ 120.000,00, referente à indenização de condenação do Estado por responsabilidade civil. Nestes

termos, a Constituição Federal permite que o valor de R$ 120.000,00 seja fracionado e que “A” receba de forma

imediata R$ 60.000,00 (o triplo do que corresponde à RPV do Estado). A quantia que sobrou, R$ 60.000,00,

deverá obedecer a ordem cronológica para pagamento.

Apesar da regra do §2º do art. 100 ser clara, aduzindo com todas as letras a possibilidade de

fracionamento, esta regra - cuja redação foi dada pela EC nº 94, de 2016 - confronta diretamente com o §8º do

mesmo dispositivo constitucional, também incluído pelo legislador constituinte derivado reformador. Eis sua

redação:

Art. 100. (...) § 8º É vedada a expedição de precatórios complementares ou suplementares de valor pago,

bem como o fracionamento, repartição ou quebra do valor da execução para fins de enquadramento de

parcela do total ao que dispõe o § 3º deste artigo.

🚨 JÁ CAIU
Na prova para Consultor Legislativo do Senado Federal (FGV- 2022), foi dito: “Uma determinada autarquia

federal foi condenada, por sentença transitada em julgado em 20/04/2022, ao pagamento de indenização por

invalidez a servidor público, de 58 anos, pertencente a seu quadro de funcionários efetivos, no montante de

65 salários mínimos, valor este já incluso com correção monetária e juros.” Sendo considerada correta a

alternativa que completou: “o servidor poderá ceder integralmente seus créditos em precatórios a terceiros,

independentemente da concordância do devedor, não se aplicando ao cessionário a preferência prevista


11

para os créditos de natureza alimentícia cujos titulares tenham, ao menos, 60 anos de idade”.

Tendo em vista o aparente conflito de normas constitucionais, ambas decorrentes de reformas

formalmente promovidas na Constituição Federal - “EC nº 94/2016 versus EC nº 62/2009” (esta última mais

antiga, sendo portanto o paradigma), o Supremo Tribunal Federal acabou por reconhecer a repercussão geral

sobre o tema, cujo mérito ainda não foi julgado:

RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. PRECATÓRIOS. CRÉDITOS DE NATUREZA SUPERPREFERENCIAL.

CONVERSÃO OU FRACIONAMENTO DO PRECATÓRIO PARA SATISFAÇÃO DA REFERIDA PARCELA POR MEIO DE

REQUISIÇÃO DE PEQUENO VALOR (RPV) ATÉ O LIMITE CONSTITUCIONAL. ARTIGO 100, § 2º, DA CONSTITUIÇÃO

FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. AÇÕES DIRETAS DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.357 E 4.425. RESOLUÇÃO

303/2019 DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. MEDIDA CAUTELAR NA AÇÃO DIRETA DE

INCONSTITUCIONALIDADE 6.556. MULTIPLICIDADE DE RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS. CONTROVÉRSIA

CONSTITUCIONAL DOTADA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 1326178 RG, Relator(a): MINISTRO PRESIDENTE,

Tribunal Pleno, julgado em 06/08/2021, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-175 DIVULG 01-09-2021 PUBLIC

02-09-2021 REPUBLICAÇÃO: PROCESSO ELETRÔNICO DJe-164 DIVULG 17-08-2021 PUBLIC 18-08-2021)

O tema da Repercussão Geral nº 1156 foi assim determinado: “Pagamento da parcela de natureza

superpreferencial, prevista no artigo 100, § 2º, da Constituição Federal, por meio de Requisição de Pequeno

Valor (RPV).” Temos que aguardar a decisão da Corte Superior, mas em outras oportunidades, já decidiu o

Plenário do STF pela impossibilidade do fracionamento, pois configura verdadeira burla ao sistema

constitucional instituído. Veja-se:

Recurso Extraordinário. 2. Alegação de ofensa ao art. 87 do ADCT e ao § 4º do art. 100 da Constituição Federal.

Ocorrência. 3. Fracionamento do valor de precatório em execução de sentença, com o objetivo de efetuar o

pagamento das custas processuais por meio de requisição de pequeno valor (RPV). Impossibilidade. 4. Recurso

extraordinário provido. É vedado o fracionamento do valor de precatório em execução de sentença, com

o objetivo de efetuar o pagamento das custas processuais por meio de requisição de pequeno valor

(RPV). Obs: Redação da tese aprovada nos termos do item 2 da Ata da 12ª Sessão Administrativa do STF,

realizada em 09/12/2015. (RE 592619, Relator(a): GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 08/09/2010,

REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-218 DIVULG 12-11-2010 PUBLIC 16-11-2010 EMENT VOL-02431-01

PP-00179 RTJ VOL-00219-01 PP-00603 RSJADV dez., 2010, p. 41-43 RJTJRS v. 46, n. 280, 2011, p. 29-34)

(Grifou-se)

REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL. VEDAÇÃO CONSTITUCIONAL DE

FRACIONAMENTO DE EXECUÇÃO PARA FRAUDAR O PAGAMENTO POR PRECATÓRIO. ART. 100, § 8º

(ORIGINARIAMENTE § 4º), DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. LITISCONSÓRCIO FACULTATIVO SIMPLES.

CONSIDERAÇÃO INDIVIDUAL DOS LITISCONSORTES: CONSTITUCIONALIDADE. RECURSO


12
EXTRAORDINÁRIO AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. 1. Ausência de prequestionamento quanto à alegação

de inconstitucionalidade da Resolução n. 199/2005 do Tribunal de Justiça de São Paulo e quanto ao

fracionamento dos honorários advocatícios. Incidência das Súmulas 282 e 356. 2. A execução ou o

pagamento singularizado dos valores devidos a partes integrantes de litisconsórcio facultativo simples

não contrariam o § 8º (originariamente § 4º) do art. 100 da Constituição da República. A forma de

pagamento, por requisição de pequeno valor ou precatório, dependerá dos valores isoladamente

considerados. 3. Recurso extraordinário ao qual se nega provimento. (RE 568645, Relator(a): CÁRMEN

LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 24/09/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-223

DIVULG 12-11-2014 PUBLIC 13-11-2014) (Grifou-se)

RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO FINANCEIRO. PRECATÓRIOS. NATUREZA

ALIMENTAR. PREVALÊNCIA ABSOLUTA. ART. 78 DO ADCT. SEQUESTRO DE VERBAS PÚBLICAS. PRETERIÇÃO.

ORDEM CRONOLÓGICA. 1. Fixação de tese jurídica ao Tema 521 da sistemática da repercussão geral: “É

legítima a expedição de ordem de sequestro de verbas públicas, por conta da ordem cronológica de

pagamento de precatórios, na hipótese de crédito de natureza alimentar mais antigo ser preterido em favor

de parcela de precatório de natureza não alimentar mais moderno, mesmo quando este integrar o regime do

art. 78 do ADCT.” 2. O artigo 100 da Constituição da República traduz-se em um dos mais expressivos

postulados realizadores do princípio da igualdade, pois busca conferir, na concreção do seu alcance,

efetividade à exigência constitucional de tratamento isonômico dos credores do Estado. Precedente: ADI-MC

584, de relatoria do Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, DJ 22.05.1992. 3. O Supremo Tribunal Federal

possui entendimento iterativo no sentido de que a ordem cronológica é o critério constitucional para a

satisfação dos débitos do Poder Público reconhecidos em juízo. 4. Concebe-se o relacionamento entre o

regime de pagamento especial de débitos judiciais da Fazenda Pública, de acordo com a natureza do crédito,

alimentar ou não, com prevalência absoluta do primeiro em relação ao último. Precedente: ADI 47, de relatoria

do Ministro Octávio Gallotti, DJe 13.06.1997. Súmula 655 do STF. 5. O único caso de autorização do sequestro

de verbas públicas, previsto no art. 100 da Constituição da República e aplicável aos precatórios de caráter

alimentar, consiste na hipótese de burla ao direito de precedência do credor. Precedente: ADI 1.662, de

relatoria do Ministro Maurício Corrêa, DJ 19.09.2003. 6. O pagamento parcelado de débitos antigos, nos termos

do art. 78 do ADCT, não infirma a prevalência dos créditos de natureza alimentar sobre os demais, desde que

respeitada a ordem cronológica. A regra permanece hígida, mesmo diante da excepcionalidade conjectural

pressuposta pelo dispositivo precitado. Precedente: RE 132.031, de relatoria do Ministro Celso de Mello,

Primeira Turma, DJ 19.04.1996. 7. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Tese: O pagamento

parcelado dos créditos não alimentares, na forma do art. 78 do ADCT, não caracteriza preterição

indevida de precatórios alimentares, desde que os primeiros tenham sido inscritos em exercício

anterior ao da apresentação dos segundos, uma vez que, ressalvados os créditos de que trata o art. 100,

§ 2º, da Constituição, o pagamento dos precatórios deve observar as seguintes diretrizes: (1) a divisão e

a organização das classes ocorrem segundo o ano de inscrição; (2) inicia-se o pagamento pelo exercício

mais antigo em que há débitos pendentes; (3) quitam-se primeiramente os créditos alimentares;

depois, os não alimentares do mesmo ano; (4) passa-se, então, ao ano seguinte da ordem cronológica,

repetindo-se o esquema de pagamento; e assim sucessivamente. (RE 612707, Relator(a): EDSON FACHIN,

Tribunal Pleno, julgado em 15/05/2020, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-222

DIVULG 04-09-2020 PUBLIC 08-09-2020) (Grifou-se)


13

CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL. ALEGADO FRACIONAMENTO DE EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA

PÚBLICA DE ESTADO-MEMBRO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. VERBA DE NATUREZA ALIMENTAR, A QUAL NÃO

SE CONFUNDE COM O DÉBITO PRINCIPAL. AUSÊNCIA DE CARÁTER ACESSÓRIO. TITULARES DIVERSOS.

POSSIBILIDADE DE PAGAMENTO AUTÔNOMO. REQUERIMENTO DESVINCULADO DA EXPEDIÇÃO DO OFÍCIO

REQUISITÓRIO PRINCIPAL. VEDAÇÃO CONSTITUCIONAL DE REPARTIÇÃO DE EXECUÇÃO PARA FRAUDAR O

PAGAMENTO POR PRECATÓRIO. INTERPRETAÇÃO DO ART. 100, § 8º (ORIGINARIAMENTE § 4º), DA

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. RECURSO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO. Tese: Os honorários advocatícios

incluídos na condenação ou destacados do montante principal devido ao credor consubstanciam verba

de natureza alimentar cuja satisfação ocorrerá com a expedição de precatório ou requisição de

pequeno valor, observada ordem especial restrita aos créditos dessa natureza. (RE 564132, Relator(a):

EROS GRAU, Relator(a) p/ Acórdão: CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 30/10/2014, REPERCUSSÃO

GERAL - MÉRITO DJe-027 DIVULG 09-02-2015 PUBLIC 10-02-2015 EMENT VOL-02765-01 PP-00001) (Grifou-se)

Constitucional e Previdenciário. 2. Execução contra a Fazenda Pública. Obrigação de fazer. Fracionamento da

execução para que uma parte seja paga antes do trânsito em julgado, por meio de Complemento Positivo, e

outra depois do trânsito, mediante Precatório ou RPV. Impossibilidade. 3. Repercussão geral da questão

constitucional reconhecida. 4. Reafirmação de jurisprudência. Precedentes. 5. Conhecimento do agravo e

provimento do recurso extraordinário para afastar o fracionamento da execução. Tese: É vedado o

fracionamento da execução pecuniária contra a Fazenda Pública para que uma parte seja paga antes

do trânsito em julgado, por meio de Complemento Positivo, e outra depois do trânsito, mediante

Precatório ou Requisição de Pequeno Valor. (ARE 723307 Manif-RG, Relator(a): GILMAR MENDES, Tribunal

Pleno, julgado em 08/08/2014, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-206 DIVULG

26-09-2016 PUBLIC 27-09-2016) (Grifou-se)

🚨JÁ CAIU
No concurso para Procurador do Estado do Pará (Ano: 2022; CEBRASPE) foi considerada correta a seguinte

assertiva: No julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade 4.425/PA, o Supremo Tribunal Federal

reconheceu a constitucionalidade da chamada sistemática de superpreferência criada pela Emenda

Constitucional n.º 62/2009, porém declarou inconstitucional a expressão “na data da expedição do

precatório”, contida na redação do § 2.º do art. 100 dessa emenda, dispositivo vigente à época do julgamento,

como critério temporal para aplicação da sistemática aos idosos, por considerá-la atentatória à isonomia.

Quanto à ordem cronológica para pagamento, também é importante ressaltar que o § 5º do art. 100,

que nos até quando o precatório deve ser apresentado para que entre no orçamento do exercício financeiro

seguinte, foi recentemente modificado. Atualmente, diz a regra que a habilitação deve ocorrer até o dia 02 de

abril:

Art. 100 § 5º É obrigatória a inclusão no orçamento das entidades de direito público de verba necessária ao
14
pagamento de seus débitos oriundos de sentenças transitadas em julgado constantes de precatórios

judiciários apresentados até 2 de abril, fazendo-se o pagamento até o final do exercício seguinte, quando

terão seus valores atualizados monetariamente. (EC 114/21)

Veja-se que a redação do dispositivo foi alterada ainda no ano de 2021, pela Emenda Constitucional nº

114. Antes disso, o prazo para apresentação era até 1º de julho. Note que o prazo de habilitação que possibilita

o pagamento do crédito já no exercício seguinte ficou mais curto, já que antes era possível que o credor

apresentasse o precatório até julho (meio do ano) e agora isso é possível somente até o início do quarto mês do

ano civil. Ademais, a redação do parágrafo quinto que autorizada a apresentação até 1º de julho havia vinha

desde a Emenda Constitucional nº 62/2009 (denominada jocosamente de “Emenda do Calote”), perdurando por

um longo período esta como a data estipulada pela Constituição.

DATA LIMITE PARA HABILITAÇÃO DO PRECATÓRIO


(para que o crédito seja, em teoria, quitado no exercício financeiro subsequente)

Habilitação até 01º de julho


ANTES DA EC nº 114/2021
(EC nº 62/2009)

Habilitação até dia 02 de abril


DEPOIS DA EC nº 114/2021
(prazo que vale agora)

🚨 JÁ CAIU
Na prova para Procurador do Município de Porto Alegre/RS (FUNDATEC - 2022), foi considerada correta a

afirmativa que trouxe: “As solicitações de pagamento devem ser realizadas até o dia 2 de abril de cada ano e

os precatórios recebidos até esta data deverão ser pagos até o final do próximo exercício.”

Por fim, é pertinente a este tópico tratarmos do art. 78 do ADCT, que diz:

Art. 78. Ressalvados os créditos definidos em lei como de pequeno valor, os de natureza alimentícia, os de que

trata o art. 33 deste Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e suas complementações e os que já

tiverem os seus respectivos recursos liberados ou depositados em juízo, os precatórios pendentes na data de

promulgação desta Emenda e os que decorram de ações iniciais ajuizadas até 31 de dezembro de 1999 serão

liquidados pelo seu valor real, em moeda corrente, acrescido de juros legais, em prestações anuais, iguais e

sucessivas, no prazo máximo de dez anos, permitida a cessão dos créditos.

§ 1º É permitida a decomposição de parcelas, a critério do credor.


15
§ 2º As prestações anuais a que se refere o caput deste artigo terão, se não liquidadas até o final do exercício a

que se referem, poder liberatório do pagamento de tributos da entidade devedora.

§ 3º O prazo referido no caput deste artigo fica reduzido para dois anos, nos casos de precatórios judiciais

originários de desapropriação de imóvel residencial do credor, desde que comprovadamente único à época da

imissão na posse.

§ 4º O Presidente do Tribunal competente deverá, vencido o prazo ou em caso de omissão no orçamento, ou

preterição ao direito de precedência, a requerimento do credor, requisitar ou determinar o seqüestro de

recursos financeiros da entidade executada, suficientes à satisfação da prestação.

Conforme assevera a doutrina, “a Emenda Constitucional 30, de 2000, incluiu no ADCT o artigo 78, que

criou mais uma moratória em relação ao pagamento de precatórios. Dessa vez, os precatórios pendentes na

data de promulgação da EC, dia 13 de setembro de 2000, e aqueles que decorressem de ações judiciais

ajuizadas até 31 de dezembro de 1999, seriam pagos no prazo máximo de dez anos, em prestações anuais,

iguais e sucessivas, permitida a cessão de créditos. Ainda nos termos do caput do artigo 78 do ADCT, ficaram

excluídos desse regime os créditos de pequeno valor, os de natureza alimentícia, os disciplinados no artigo 33

do ADCT e respectivas complementações relativas à atualização monetária e, por fim, aqueles cujos recursos já

tenham sido liberados ou depositados em juízo. De resto, todos os precatórios pendentes em 13 de setembro

de 2000, e também aqueles que serão emitidos por conta de ações ajuizadas até 31 de dezembro de 1999,

devem se submeter ao pagamento em dez anos.”5

Como podemos perceber, as regras determinadas pelo art. 78, do ADCT, são bastante controversas

(mesmo que algumas sejam até mesmo benéficas aos credor, como a possibilidade de cessão de crédito). O

Supremo Tribunal Federal foi instado a se pronunciar em, pelo menos, duas polêmicas:

■​ ADIs 2362 e 2356, onde decidiu pela inconstitucionalidade do pagamento parcelado do precatório e

■​ RE nº 590.751, no qual se decidiu a questão da inclusão de juros moratórios e remuneratórios no

precatório. Esse tema veremos com mais vagar em outro ponto, dado que há até mesmo súmula

vinculante sobre o tema.

🚨 JÁ CAIU
Na prova para Juiz Federal da 2ª Região (Banca Própria - 2017), foi considerada correta a alternativa que

trouxe: “Os credores de débitos de natureza alimentícia, com 60 (sessenta) anos de idade ou mais, ou que

sejam portadores de doença grave ou deficiência, assim definidos na forma da lei, gozam do benefício de

receber o valor do precatório com preferência sobre os demais, obedecido o limite de montante equivalente

ao triplo fixado em lei para requisições de pequeno valor”.

5
Piscitelli, Tathiane. Direito Financeiro. Disponível em: Minha Biblioteca, (7th edição). Grupo GEN, 2021.
16

Na prova para Procurador do Município de Recife/PE (CESPE - 2022), foi perguntado: “Precatório judicial

expedido em face de município e que tenha sido apresentado em 5/6/2022 deverá ser pago até”, tendo sido

considerada correta a alternativa que completou: “31/12/2024”.

3.1. NÃO PAGAMENTO DE PRECATÓRIOS PELOS ESTADOS


Devemos ter em mente que o não adimplemento dos precatórios contraídos pelos Estados se traduz no

não cumprimento de obrigação fixada no montante de dívida pública consolidado, o que representa a

possibilidade de intervenção federal naquele ente, nos termos do art. 34, V da CF:

Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para:

V - reorganizar as finanças da unidade da Federação que:

a) suspender o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos consecutivos, salvo motivo de força maior;

b) deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias fixadas nesta Constituição, dentro dos prazos

estabelecidos em lei;

O STF já se manifestou sobre o assunto, tendo em vista que este fato já ocorreu repetidas vezes nos

mais diversos estados, principalmente no Estado de São Paulo, na oportunidade o Supremo Tribunal entendeu

que a intervenção federal não seria possível nos casos levados a sua análise, isto porque não havia uma

intenção de inadimplemento, mas sim uma impossibilidade para o adimplemento em razão da

indisponibilidade de recursos.

Agravo regimental em Intervenção Federal. Precatório. Descumprimento involuntário. O descumprimento

voluntário e intencional de decisão transitada em julgado configura pressuposto indispensável ao acolhimento

do pedido de intervenção federal. A ausência de voluntariedade em não pagar precatórios, consubstanciada

na insuficiência de recursos para satisfazer os créditos contra a fazenda estadual no prazo previsto no § 1º do

artigo 100 da Constituição da República, não legitima a medida drástica de subtrair temporariamente a

autonomia estatal, mormente quando o ente público, apesar da exaustão do erário, vem sendo zeloso, na

medida do possível, com suas obrigações derivadas de provimentos judiciais. Precedentes. Agravo regimental

a que se nega provimento. (IF 3124 AgR, Relator(a): Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, julgamento em

22/03/2004, DJ 28/05/2004).

Ao que tange a invenção dos Estados em Municípios há previsão no art. 35, I e IV da CF, vejamos:

Art. 35. O Estado não intervirá em seus Municípios, nem a União nos Municípios localizados em Território

Federal, exceto quando:


17
I - deixar de ser paga, sem motivo de força maior, por dois anos consecutivos, a dívida fundada;

IV - o Tribunal de Justiça der provimento a representação para assegurar a observância de princípios indicados

na Constituição Estadual, ou para prover a execução de lei, de ordem ou de decisão judicial.

A professora Piscitelli sustenta: “Nesses casos, os pedidos de intervenção estadual serão submetidos ao

Tribunal de Justiça, que tem determinado a aplicação da medida tão logo sejam atendidos os requisitos exigidos

pela Constituição. Diferentemente da jurisprudência do Supremo, a alegação de dificuldade financeira do

Município, segundo alguns julgados, não configura óbice à intervenção estadual”.

Sobre o assunto apresentamos os entendimentos que seguem:

REPRESENTAÇÃO. DIREITO PÚBLICO NÃO ESPECIFICADO. PEDIDO DE INTERVENÇÃO ESTADUAL EM MUNICÍPIO.

NÃO PAGAMENTO DE PRECATÓRIO. A pretensão da requerente encontra amparo legal no disposto no inciso

IV, do artigo 15, da Constituição Estadual. A mera alegação de inscrição do precatório no orçamento, bem

como de dificuldade financeira não afastam o descumprimento da ordem judicial, nem mesmo o caráter de

excepcionalidade da situação a tutelar o pedido de intervenção estadual no Município de Vila Flores.

REPRESENTAÇÃO ACOLHIDA. UNÂNIME. (TJ-RS – Intervenção em Município: 70031561525 RS, Relator(a): Luiz

Felipe Silveira Difini, Tribunal Pleno, julgamento em 14/09/2009, DJ/RS 13/10/2009; destaques não contidos no

original).

INTERVENÇÃO ESTADUAL – MUNICÍPIO DE OSASCO – PAGAMENTO NÃO EFETUADO – DIFICULDADES

FINANCEIRAS NÃO JUSTIFICAM O DESCUMPRIMENTO DO PRECATÓRIO – ADVENTO DA EC 62/2009 –

INAPLICABILIDADE RETROATIVA RECONHECIDA – PEDIDO DE INTERVENÇÃO PROCEDENTE. “O precatório,

originado de condenação em reclamação trabalhista, deixou de ser pago como determina o art. 100, § 1º da

Constituição Federal e o art. 57, § 1º, da Constituição Estadual. Mas, dificuldades financeiras não têm a virtude

de absterger o inadimplemento ou justificar o não cumprimento de ordem judicial. Além disso, irrelevante o

advento da Emenda Constitucional nº 62/2009, porque inaplicável a emenda a casos pretéritos, incidindo o

princípio constitucional do tempus regit actum. Destarte, necessária a intervenção estadual no Município de

Osasco, para que se garanta a obediência a decisão judicial transitada em julgado, conforme dispõe o art. 35,

IV, da Constituição Federal, restabelecendo-se o equilíbrio e a harmonia entre os Poderes”. (TJ-SP – Intervenção

em Município: 994092229960 SP, Relator(a): Artur Marques, Órgão Especial, julgamento em 17/11/2010,

publicado em 09/12/2010; destaques não contidos no original).

PEDIDO DE INTERVENÇÃO ESTADUAL EM MUNICÍPIO – PRECATÓRIO REQUISITÓRIO DE NATUREZA ALIMENTAR

– DESCUMPRIMENTO DE ORDEM JUDICIAL – ALEGAÇÃO DE QUE O PARCELAMENTO DO PRECATÓRIO SOB Nº

01 IMPOSSIBILITA O PAGAMENTO DOS DEMAIS PRECATÓRIOS – INSUBSISTÊNCIA – AFRONTA AO ARTIGO 35,

INCISO IV, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, E AO ARTIGO 20, INCISO IV, DA CONSTITUIÇÃO ESTADUAL –

PROCEDÊNCIA DO PEDIDO. O descumprimento de ordem judicial, decorrente do inadimplemento injustificado

de requisição de pagamento de precatório de caráter alimentar, autoriza a medida interventiva no Município

descumpridor, consoante preceitua o artigo 35, inciso IV, da Constituição Federal, e o artigo 20, inciso IV, da

Constituição Estadual. (TJ-PR – Pedido de Intervenção Estadual: 5271263 PR 0527126-3, Relator(a): José Marcos

de Moura, 5ª Câmara Cível em Composição Integral, julgamento em 08/02/2011, DJ 576).


18
Também é interessante mencionar o que consta no art. 101 do ADCT, vejamos:

Art. 101. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios que, em 25 de março de 2015, se encontravam em

mora no pagamento de seus precatórios quitarão, até 31 de dezembro de 2029, seus débitos vencidos e os

que vencerão dentro desse período, atualizados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial

(IPCA-E), ou por outro índice que venha a substituí-lo, depositando mensalmente em conta especial do

Tribunal de Justiça local, sob única e exclusiva administração deste, 1/12 (um doze avos) do valor calculado

percentualmente sobre suas receitas correntes líquidas apuradas no segundo mês anterior ao mês de

pagamento, em percentual suficiente para a quitação de seus débitos e, ainda que variável, nunca inferior, em

cada exercício, ao percentual praticado na data da entrada em vigor do regime especial a que se refere este

artigo, em conformidade com plano de pagamento a ser anualmente apresentado ao Tribunal de Justiça local.

🚨 JÁ CAIU
Na prova para Procurador do Estado do Amapá (FCC - 2018), foi perguntado: “Acerca da disciplina dos

precatórios, o STF julgou inconstitucional a Emenda nº 62/2009, mais tarde editando modulação de efeitos.

Sobrevieram duas Emendas Constitucionais, de números 94/2016 e 99/2017, dispondo que”, tendo sido

considerada correta a alternativa que completou: “na vigência do atual regime especial, os Estados, cujos

estoques de precatórios ainda pendentes de pagamento excedam 70% de sua Receita Corrente Líquida (RCL),

ficam, em regra, proibidos de realizar desapropriações”.

4. PESSOAS SUJEITAS AO PAGAMENTO DOS DÉBITOS JUDICIAIS


ATRAVÉS DE PRECATÓRIO

De acordo com a Constituição Federal, tanto a Administração Pública Direta quanto algumas pessoas

jurídicas integrantes da Administração Pública Indireta - tais como autarquias e fundações públicas, pagam suas

dívidas decorrentes de sentenças judiciais transitadas em julgado através do regime de precatórios. Isso se dá

como forma de proteção da própria coisa pública, tendo em vista que as despesas públicas devem ser

planejadas. Afinal, o gestor público lida com o dinheiro arrecadado de todos os contribuintes.

Prosseguindo, “os bens das empresas públicas prestadoras de serviço público são impenhoráveis,

porque elas integram o conceito de Fazenda Pública, devendo ser observado, quanto àquelas entidades, o

sistema de pagamento por precatório de dívidas decorrentes de decisões judiciais. Por outro lado, não podem

se beneficiar do regime de precatório as estatais que executam atividades em regime de concorrência ou que

tenham como objetivo distribuir lucros aos seus acionistas.”6

Neste sentido, vamos conferir julgado do Supremo Tribunal Federal em controle abstrato de

6
Filho, Carlos Alberto de Moraes R. Direito financeiro e econômico (Coleção Esquematizado®). Disponível em: Minha Biblioteca, (4th edição). Editora
Saraiva, 2022.
19
constitucionalidade:

É inconstitucional o bloqueio ou sequestro de verba pública, por decisões judiciais, de empresa estatal

prestadora de serviço público em regime não concorrencial e sem intuito lucrativo primário - Os

recursos públicos vinculados ao orçamento de estatais prestadoras de serviço público essencial, em regime

não concorrencial e sem intuito lucrativo primário, não podem ser bloqueados ou sequestrados por decisão

judicial para pagamento de suas dívidas, em virtude do disposto no art. 100 da CF/1988, e dos princípios da

legalidade orçamentária (art. 167, VI, da CF), da separação dos poderes (arts. 2°, 60, § 4°, III, da CF) e da

eficiência da administração pública (art. 37, caput, da CF). STF. Plenário. ADPF 616/BA, Rel. Min. Roberto

Barroso, julgado em 21/5/2021 (Info 1018).7

📌 OBSERVAÇÃO
■ O Supremo Tribunal Federal já decidiu pela aplicação do regime dos precatórios à Empresa

Brasileira de Correios e Telégrafos – ECT, por considerá-la sociedade prestadora de serviços públicos e, assim,

sujeita às mesmas regras aplicáveis à administração direta.

A tese foi reafirmada em recente decisão, vejamos:

1. A EMATER- RIO é empresa pública prestadora de serviço público essencial de natureza não

concorrencial, cuja finalidade é a prestação de serviço de assistência técnica e extensão rural gratuitas, a

benefício dos pequenos e médios produtores, aos trabalhadores rurais, suas famílias e suas organizações o

que atrai a submissão à sistemática de execução aplicável à Fazenda Pública. 2. Essa linha de raciocínio

conduz, inevitavelmente, à conclusão de que, na presente hipótese, houve violação ao decidido nas ADPF 437

(Rel. Min. Rosa Weber) e ADPF 387 (Rel. Min. Gilmar Mendes), porque prevalece o entendimento de que é

aplicável o regime de precatórios às empresas públicas e sociedades de economia mista prestadoras de

serviço público próprio do Estado e de natureza não concorrencial. 3. Na mesma linha de entendimento,

destaque-se os seguintes precedentes de ambas as Turmas desta CORTE: Rcl 41.420 AgR, Rel. Min. Marco

Aurélio, Red. p/Acórdão: Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 15/9/2020; e Rcl 40.402 AgR-ED, Rel. Min. Gilmar

Mendes, Segunda Turma, julgado em 11/11/2020. 4. Recurso de agravo a que se dá provimento.

⚠️ ATENÇÃO
Muito embora os Conselhos de fiscalização profissional sejam classificados como Autarquias, o STF já

reconheceu que tais entes não fazem jus à prerrogativa do pagamento através de precatórios. Confira-se

a ementa do julgado, cujo tema foi objeto de Repercussão Geral na Suprema Corte:

EXECUÇÃO – CONSELHOS – ÓRGÃOS DE FISCALIZAÇÃO – DÉBITOS – DECISÃO JUDICIAL. A execução de

7
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. É inconstitucional o bloqueio ou sequestro de verba pública, por decisões judiciais, de empresa estatal prestadora
de serviço público em regime não concorrencial e sem intuito lucrativo primário. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link]
20
débito de Conselho de Fiscalização não se submete ao sistema de precatório. (RE 938837, Relator(a):

EDSON FACHIN, Relator(a) p/ Acórdão: MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 19/04/2017, PROCESSO

ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-216 DIVULG 22-09-2017 PUBLIC 25-09-2017) (Grifou-se)

Desta forma, pagam através de precatório:

■​ Todos os entes integrantes da Administração Pública Direta;

■​ Autarquias e fundações públicas (excluídas das primeiras os Conselhos de Fiscalização Profissional);

■​ Empresas Públicas prestadoras de serviço público (que não atuam em regime de concorrência e

tampouco distribuem lucros entre os seus acionistas).

🚨 JÁ CAIU
Na prova para o cargo de Procurador do Município de Macaé - RJ (Ano: 2024, Banca: FGV), foi considerado

correto afirmar que o regime de pagamento através de precatórios “é aplicável o regime dos precatórios às

sociedades de economia mista prestadoras de serviço público próprio do Estado, de natureza não

concorrencial, e sem finalidade de lucro.” Por outro lado, no mesmo certame foi considerada incorreta a

seguinte afirmativa: “é aplicável o regime dos precatórios às empresas públicas prestadoras de serviço

público próprio do Estado, ainda que atuem sob regime concorrencial.” e também “é aplicável o regime dos

precatórios às sociedades de economia mista, ainda que suas ações sejam negociadas na Bolsa de Valores,

desde que prestadoras de serviço público essencial.”

No concurso para Procurador do Estado de Sergipe (Ano: 2023; CEBRASPE) foi considerada correta a

seguinte assertiva: No que concerne à possibilidade de aplicação do regime de precatórios em execução

movida por particular contra empresa estatal, o Supremo Tribunal Federal (STF) entende que para se

submeterem ao regime dos precatórios, as empresas estatais devem, cumulativamente, prestar

exclusivamente serviço público essencial, em regime não concorrencial, e não ter finalidade primária de

distribuir lucros.

5. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E INCIDÊNCIA DE JUROS

Conforme versa o art. 100, §5º, É obrigatória a inclusão no orçamento das entidades de direito público

de verba necessária ao pagamento de seus débitos oriundos de sentenças transitadas em julgado constantes

de precatórios judiciários apresentados até 2 de abril (que até a promulgação da EC n. 114/2021, era 1º de

julho), fazendo-se o pagamento até o final do exercício seguinte, quando terão seus valores atualizados

monetariamente.
21
Entretanto, “o debate sobre a incidência de juros de mora e critérios de atualização monetária por

ocasião do pagamento de precatórios tem sido motivado pelos constantes atrasos e regimes de prorrogação de

pagamento sucessivamente presentes no ordenamento brasileiro.”8

Na redação original do artigo 100, da Constituição Federal, não havia previsão de incidência de juros,

apenas correção monetária. Isso porque, via de regra, os pagamentos se dariam de forma tempestiva, no

exercício financeiro seguinte ao que o precatório foi apresentado. O Supremo Tribunal Federal firmou

posicionamento claro quanto ao tema:

Efetivamente, o próprio texto constitucional determinava o prazo para pagamento do precatório, qual seja, até

o final do exercício seguinte. Assim, somente no caso de seu descumprimento poder-se-ia falar em mora e, em

consequência, nos juros a ela relativos, como penalidade pelo atraso no pagamento. Assim, o entendimento

que se firmou no julgamento do RE 305.186/SP, Primeira Turma, sessão de 17-9-2002, rel. min. Ilmar Galvão,

foi o de que “não são devidos juros moratórios no período compreendido entre a data de expedição e a data

do efetivo pagamento de precatório judicial, no prazo constitucionalmente estabelecido, à vista da não

caracterização, na espécie, de inadimplemento por parte do poder público” (RE 298.616, voto do Rel. Min.

Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgamento em 31/10/2002, DJ de 03/10/2003).

Após, o STF editou súmula que trata sobre o assunto:

Súmula Vinculante nº 17: Durante o período previsto no parágrafo 1º do artigo 100 da Constituição, não

incidem juros de mora sobre os precatórios que nele sejam pagos.

Em momento superveniente à edição da súmula vinculante, o Plenário do STF decidiu, em sede de

Repercussão Geral, que incidem juros de mora no período compreendido entre a realização dos cálculos de

liquidação da quantia devida e a requisição do precatório:

JUROS DA MORA – FAZENDA PÚBLICA – DÍVIDA – REQUISIÇÃO OU PRECATÓRIO. Incidem juros da mora entre

a data da realização dos cálculos e a da requisição ou do precatório. (RE 579431, Relator(a): MARCO

AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 19/04/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO

DJe-145 DIVULG 29-06-2017 PUBLIC 30-06-2017)

No mesmo sentido, o Superior Tribunal de Justiça:

QUESTÃO DE ORDEM. REVISÃO DE ENTENDIMENTO CONSOLIDADO EM TEMA REPETITIVO. TEMA 291/STJ.

TERMO FINAL DA INCIDÊNCIA DOS JUROS MORATÓRIOS CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. ENTENDIMENTO

8
Piscitelli, Tathiane. Direito Financeiro. Disponível em: Minha Biblioteca, (7th edição). Grupo GEN, 2021.
22
FIXADO PELO STF, EM REPERCUSSÃO GERAL, TEMA 96/STF, QUE SOLUCIONA, DE FORMA SUFICIENTE, A

CONTROVÉRSIA POSTA EM DISCUSSÃO. ADEQUAÇÃO DO TEMA REPETITIVO 291/STJ À NOVA ORIENTAÇÃO

FIXADA PELO STF EM REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 96/STF. QUESTÃO DE ORDEM ACOLHIDA, PARA DAR NOVA

REDAÇÃO AO TEMA 291. PARECER FAVORÁVEL DO MPF. 1. Esta Corte Especial, por ocasião do julgamento do

REsp 1.143.677/RS (DJe 4.2.2010), sob a Relatoria do ilustre Ministro LUIZ FUX, fixou a tese (Tema Repetitivo

291/STJ) no sentido de que não incidem juros moratórios entre a elaboração dos cálculos e o efetivo

pagamento da Requisição de Pequeno Valor-RPV. Transcorridos aproximadamente sete anos, o Supremo

Tribunal Federal, em 19.4.2017, julgou o Recurso Extraordinário 579.431/RS, sob a relatoria do ilustre Ministro

MARCO AURÉLIO (DJe 30.6.2017), com Repercussão Geral reconhecida, quando fixou a tese de que incidem os

juros da mora no período compreendido entre a data da realização dos cálculos e a da requisição ou do

precatório (Tema 96/STF da Repercussão Geral). As duas orientações são claramente oposta, como se vê sem

esforço. A partícula não no início do Tema Repetitivo 291/STJ não deixa margem à dúvida.

2. Considerando os princípios da segurança jurídica, da proteção da confiança e da isonomia, nos termos do

art. 927, §4º. do Código Fux, é patente e evidente a necessidade de revisão do entendimento consolidado no

enunciado de Tema Repetitivo 291/STJ, a fim de adequá-lo à nova orientação fixada pelo egrégio Supremo

Tribunal Federal quando do julgamento do RE 579.431/RS (Repercussão Geral - Tema 96/STF).

3. Nova redação que se dá ao enunciado de Tema Repetitivo 291/STJ: incidem os juros da mora no período

compreendido entre a data da realização dos cálculos e a da requisição ou do precatório.

4. Questão de ordem acolhida a fim de dar nova redação ao Tema 291/STJ, em conformidade com Parecer

favorável do MPF e em estrita observância da redação conferida ao tema pelo STF. (QO no REsp n.

1.665.599/RS, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Corte Especial, julgado em 20/3/2019, DJe de

2/4/2019.) (Grifou-se)

Assim, não restam dúvidas da incidência de juros moratórios no período compreendido entre a

elaboração dos cálculos e a requisição do precatório ou da RPV. Ademais, a EC nº 62/2009 alterou a redação do

§5º, do art. 100, para estipular que a atualização monetária deverá incidir até o pagamento do precatório.

Apesar da redação do dispositivo ter sofrido nova alteração com a EC nº 114/2021, o trecho referente à

atualização permaneceu inalterado.

Neste contexto, ressalta-se que, após anos de discussões na jurisprudência acerca de qual índice seria o

mais adequado a incidir para os juros e correção, bem como se haveria diferença entre condenações de

natureza tributária ou não tributária, sobre o assunto, ensina a professora:

“é possível dizer que a TR não é índice apto a remunerar os precatórios, por não refletir, ao longo do tempo, a

perda do valor da moeda, corroída pela inflação. O IPCA-E é o índice que deve ser utilizado, tanto antes da

expedição quanto entre a expedição e o pagamento efetivo. Quanto aos juros, seguem aplicáveis os índices da

caderneta de poupança, feita exceção aos débitos tributários, que se beneficiarão da mesma taxa de juros

praticada pela Fazenda Pública em outras modalidades de pagamento.”9

9
Piscitelli, Tathiane. Direito Financeiro. Disponível em: Minha Biblioteca, (7th edição). Grupo GEN, 2021.
23

🚨 JÁ CAIU
Na prova para Auditor de Contas Públicas do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (CESPE -

2018), foi considerada correta a alternativa que trouxe: “Os juros de mora devem incidir no período

compreendido entre a data de elaboração dos cálculos e a data de expedição do precatório”.

Porém, há também na jurisprudência a delimitação do chamado “período de graça”: não incidem juros

moratórios no lapso que compreende a inscrição do precatório para pagamento (até o dia 2 de abril, conforme

já dito), até o final do exercício seguinte, período no qual, em tese, a dívida será quitada com o credor. Neste

sentido, a Tese de Repercussão Geral nº 1037:

Tema 1037 - O enunciado da Súmula Vinculante 17 não foi afetado pela superveniência da Emenda

Constitucional 62/2009, de modo que não incidem juros de mora no período de que trata o § 5º do art.

100 da Constituição. Havendo o inadimplemento pelo ente público devedor, a fluência dos juros

inicia-se após o ‘período de graça’. (RE 1169289, Relator(a): MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão:

ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 16-06-2020, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO

GERAL - MÉRITO DJe-165 DIVULG 30-06-2020 PUBLIC 01-07-2020)

Neste sentido, confira os julgados sobre o tema que ocorreram (e foram publicados) em 2024, no

âmbito dos Tribunais Superiores:

Tema 1135 - 1. Não incide a taxa SELIC, prevista no art. 3º da EC nº 113/2021, no prazo constitucional de

pagamento de precatórios do § 5º do art. 100 da Constituição. 2. Durante o denominado "período de graça", os

valores inscritos em precatório terão exclusivamente correção monetária, nos termos decididos na ADI

4.357-QO/DF e na ADI 4.425-QO/DF. (RE 1515163 RG, Relator(a): MINISTRO PRESIDENTE, Tribunal Pleno,

julgado em 11-10-2024, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-314 DIVULG 18-10-2024

PUBLIC 21-10-2024)

Quando não houver o pagamento das parcelas do precatório, podem incidir juros de mora durante o

prazo de parcelamento estabelecido no art. 78 do ADCT, excluindo-se o período de graça constitucional

- • Precatórios expedidos antes de 25/11/2010: o poder público poderia se valer do art. 78 do ADCT e pagar

parceladamente em 10 prestações anuais.

• Se o poder público pagou pontualmente o precatório em 10 prestações anuais, na forma do art. 78 do ADCT

não pagou juros de mora por esses 10 anos de parcelamento.

• Por outro lado, se o poder público não pagou pontualmente o precatório nas 10 prestações anuais do art. 78

do ADCT: terá que pagar juros de mora e no cálculo desses juros serão incluídos esses 10 anos e mais o que

vier depois. Nesta situação, o único período em relação ao qual a Fazenda Pública não pagará juros de mora é

aquele relacionado com o período de graça constitucional.


24
Quando não houver o pagamento das parcelas do precatório, podem incidir juros de mora durante o prazo de

parcelamento estabelecido no art. 78 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), excluindo-se

o “período de graça constitucional” (art. 100, § 5º, CF/88).

STF. 1ª Turma. ARE 1.462.538 AgR/PR, Rel. Min. Alexandre de Moraes, redator do acórdão Min. Luiz Fux, julgado

em 06/08/2024 (Info 1145).10

Porém, no período que compreende entre a confecção dos cálculos e a requisição do precatório (ou

até mesmo da RPV), incidem sim os referidos juros moratórios. Trata-se de período anterior à inscrição do

precatório, de modo que não há que se confundir com a redação da Súmula Vinculante 17. Tal

entendimento também foi fixado pelo Supremo Tribunal Federal em sede de Repercussão Geral - Tema 96:

Incidem os juros da mora no período compreendido entre a data da realização dos cálculos e a da requisição

ou do precatório. (RE 579431, Relator(a): MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 19-04-2017, ACÓRDÃO

ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-145 DIVULG 29-06-2017 PUBLIC 30-06-2017)

🚨 JÁ CAIU
Na prova para Analista de Controle Externo do TCE-GO (Ano: 2024, Banca: FGV), foi considerado errado

afirmar que “não incidem juros da mora entre a data da realização dos cálculos e a da requisição ou do

precatório;”

6. REQUISIÇÃO DE PEQUENO VALOR

Considerando que o trâmite dos precatórios é demorado, entendeu o legislador constituinte que alguns

pagamentos não deveriam se subordinar ao regime, em decorrência de seu pequeno valor, não sendo

subordinado à inclusão no orçamento do exercício financeiro seguinte. Diz o art. 100, §3º:

Art. 100. (...) § 3º O disposto no caput deste artigo relativamente à expedição de precatórios não se aplica aos

pagamentos de obrigações definidas em leis como de pequeno valor (RPV) que as Fazendas referidas devam

fazer em virtude de sentença judicial transitada em julgado.

Apesar de estipular que os pagamentos de menor valor não se sujeitam ao processamento pelo regime

de precatórios, o texto constitucional não traz definição exata do que é uma Requisição de Pequeno Valor (RPV),

cabendo ao art. 87 do ADCT estabelecer o seguinte:

10
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Quando não houver o pagamento das parcelas do precatório, podem incidir juros de mora durante o prazo de
parcelamento estabelecido no art. 78 do ADCT, excluindo-se o período de graça constitucional. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link]
25

Art. 87. Para efeito do que dispõem o § 3º do art. 100 da Constituição Federal e o art. 78 deste Ato das

Disposições Constitucionais Transitórias serão considerados de pequeno valor, até que se dê a publicação

oficial das respectivas leis definidoras pelos entes da Federação, observado o disposto no § 4º do art. 100 da

Constituição Federal, os débitos ou obrigações consignados em precatório judiciário, que tenham valor igual

ou inferior a:

I - quarenta salários-mínimos, perante a Fazenda dos Estados e do Distrito Federal;

II - trinta salários-mínimos, perante a Fazenda dos Municípios.

Parágrafo único. Se o valor da execução ultrapassar o estabelecido neste artigo, o pagamento far-se-á,

sempre, por meio de precatório, sendo facultada à parte exeqüente a renúncia ao crédito do valor excedente,

para que possa optar pelo pagamento do saldo sem o precatório, da forma prevista no § 3º do art. 100.

Ainda, sobre o instituto, se refere a doutrina da seguinte forma:

“A definição do que seria “pequeno valor” seria fixada pelos próprios entes, considerando as diferentes

capacidades das entidades de direito público.

Com o advento da EC 37/2002, porém, o legislador estabeleceu o que seria considerado “pequeno valor”, até

que se dê a publicação oficial das respectivas leis pelos entes subnacionais: 40 salários mínimos para os

estados e o Distrito Federal e trinta salários mínimos para os municípios. Do ponto de vista da União, o tema já

havia sido disciplinado na Lei nº 10.259/2001, a Lei dos Juizados Especiais Federais, que fixa tal limite em 60

salários mínimos.”11

Ocorre que, em decorrência dos entes federativos poderem definir o que seria pequeno valor, diversos

entes estipularam a RPV em valores ínfimos, o que levou a edição do §4º do art. 100 pela EC n. 62/2009:

§ 4º Para os fins do disposto no § 3º, poderão ser fixados, por leis próprias, valores distintos às entidades

de direito público, segundo as diferentes capacidades econômicas, sendo o mínimo igual ao valor do

maior benefício do regime geral de previdência social.

📌 OBSERVAÇÃO
Quando se tratar de ações plúrimas, há de se considerar o valor pleiteado individualmente, para fins de

expedição de RPV (STJ, REsp 1257935). Neste sentido o Tema 1317, do Supremo Tribunal Federal, fixado em

sede de Repercussão Geral:

11
Piscitelli, Tathiane. Direito Financeiro. Disponível em: Minha Biblioteca, (7th edição). Grupo GEN, 2021.
26
Direito constitucional e processual civil. Recurso extraordinário. Cumprimento de sentença de ação coletiva.

Substituição processual. Inexistência de fracionamento de precatório. Reafirmação de jurisprudência. I. Caso

em exame 1. Recurso extraordinário contra acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo que determinou o

pagamento por precatório de diferenças remuneratórias reconhecidas em ação coletiva. Isso sob o

fundamento de que o limite de requisição de pequeno valor não poderia considerar o valor de crédito de cada

servidor/substituído, mas o valor total da condenação, já que o cumprimento de sentença foi requerido pelo

sindicato autor. II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste em saber se a vedação ao

fracionamento de créditos judiciais devidos pela fazenda pública (CRFB/1988, art. 100, § 8º) alcança execuções

individuais de pequeno valor promovidas por substituto processual, cujo valor global do crédito supera o

limite para requisição de pequeno valor – RPV. III. Razões de decidir 3. O Supremo, no julgamento do RE

568.645 (Tema 148/RG), afirmou que não há fracionamento de precatório no pagamento de débitos judiciais

decorrentes de individualização de créditos de litisconsortes facultativos. 4. A execução promovida por

sindicato, na condição de substituto processual de beneficiários de título judicial coletivo, não altera a natureza

individual e divisível do crédito exigido. A qualidade coletiva e/ou indivisível do direito não decorre das

características do autor da ação ou da execução, mas da natureza jurídica dos interesses protegidos.

Inexistência de fracionamento de precatório na execução de créditos individuais decorrentes de ação coletiva.

IV. Dispositivo e tese 5. Recurso extraordinário com agravo conhecido e provido. Tese de julgamento: “A

execução de créditos individuais e divisíveis decorrentes de título judicial coletivo, promovida por

substituto processual, não caracteriza o fracionamento de precatório vedado pelo § 8º do art. 100 da

Constituição”. (ARE 1491569 RG, Relator(a): MINISTRO PRESIDENTE, Tribunal Pleno, julgado em 23-08-2024,

PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-222 DIVULG 26-08-2024 PUBLIC 27-08-2024)

Chamamos atenção para o fato de que o legislador constituinte proibiu o fracionamento do pagamento

do crédito cobrado com o intuito do credor receber uma parte por RPV (cujo pagamento, na esfera federal, se

dá em até 60 dias, muito mais célere, por exemplo) e o restante pelo rito normal do precatório. Consoante nos

explica a professora Tathiane Piscitelli, “o mesmo dispositivo ainda estabelece, em seus §§ 3o e 4o, a

impossibilidade de fracionamento do valor, para que o pagamento seja em parte feito via RPV, em parte via

precatório. Caso o valor extrapole o limite de 60 salários mínimos, a única possibilidade que o credor teria de

receber os valores devidos por RPV seria a renúncia do valor excedente.”12

🚨 JÁ CAIU
Na prova para Procurador do Estado de Rondônia (CESPE - 2022), foi considerada correta a alternativa que

disse: “Leis próprias poderão fixar valores distintos para os pagamentos de obrigações de pequeno valor para

as entidades de direito público, segundo as suas capacidades econômicas”.

Na prova para Analista Judiciário - Oficial de Justiça Avaliador - TRT 16ª/MA (FGV - 2022), foi dito: “Em

12
Piscitelli, Tathiane. Direito Financeiro. Disponível em: Minha Biblioteca, (7th edição). Grupo GEN, 2021.
27

determinada reclamação trabalhista, ajuizada em 2021, e que tramita na 20ª VT/São Luís, o pedido foi julgado

procedente, sendo condenado o ex-empregador ao pagamento de R$ 40.000,00 para o trabalhador e R$

4.000,00 de honorários advocatícios de sucumbência. No título executivo consta ainda a responsabilidade do

Estado do Maranhão, que está no polo passivo porque houve terceirização dos serviços. Não tendo sido pago

o débito pelo ex-empregador e não se logrando êxito na constrição do seu patrimônio, a execução foi

direcionada contra o Estado do Maranhão”. Diante do texto, foi considerada correta a alternativa que disse:

“O crédito do trabalhador e os honorários advocatícios serão pagos mediante RPV”.

7. COMPENSAÇÃO DE PRECATÓRIOS COM DÍVIDAS ATIVAS E


AMORTIZAÇÃO DO SEU VALOR COM DÉBITOS VENCIDOS OU
VINCENDOS

O próximo ponto que estudaremos neste Resumo Destacado diz respeito às disposições constitucionais

que possibilitam a compensação dos precatórios com eventuais dívidas que o credor possa ter com a Fazenda

Pública, bem como as questões judiciais envolvendo a constitucionalidade de tais medidas. Eis o texto

constitucional:

§ 9º Sem que haja interrupção no pagamento do precatório e mediante comunicação da Fazenda Pública ao

Tribunal, o valor correspondente aos eventuais débitos inscritos em dívida ativa contra o credor do

requisitório e seus substituídos deverá ser depositado à conta do juízo responsável pela ação de

cobrança, que decidirá pelo seu destino definitivo. (EC 113/21)

§ 10. Antes da expedição dos precatórios, o Tribunal solicitará à Fazenda Pública devedora, para resposta em

até 30 dias, sob pena de perda do direito de abatimento, informação sobre os débitos que preencham as

condições estabelecidas no § 9º, para os fins nele previstos (Dispositivo declarado integralmente

inconstitucional).

🚨 CUIDADO
■​ O STF entendeu que os §§ 9º e 10 do art. 100 são INCONSTITUCIONAIS.

■​ Para o Supremo, este regime de compensação obrigatória trazido pelos §§ 9º e 10, ao estabelecer uma

enorme superioridade processual à Fazenda Pública, viola a garantia do devido processo legal, do

contraditório, da ampla defesa, da coisa julgada, da isonomia e afeta o princípio da separação

dos Poderes.

Neste sentido, a Tese de Repercussão Geral - Tema 558:

A compensação dos débitos da Fazenda Pública inscritos em precatórios, prevista nos §§ 9º e 10 do art. 100 da

Constituição Federal, incluídos pela EC nº 62/09, viola frontalmente o texto constitucional, pois obsta a
28
efetividade da jurisdição (CRFB/88, art. 5º, XXXV), desrespeita a coisa julgada material (CRFB/88, art. 5º, XXXVI),

vulnera a Separação dos Poderes (CRFB/88, art. 2º) e ofende a isonomia entre o Poder Público e o particular

(CRFB/88, art. 5º, caput). (RE 678360, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 27-11-2024, PROCESSO

ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-s/n DIVULG 17-12-2024 PUBLIC 18-12-2024)

Conforme aponta o professor Marcus Abraham, “mecanismo introduzido pela Emenda Constitucional

nº 62/2009, e que infelizmente foi julgado inconstitucional pelo STF (ADIs 4.357 e 4.425, em 14/03/2013), foi o da

proteção ao crédito público pela denominada “compensação do precatório”, segundo o qual deveria ser

deduzido do valor a ser pago por precatório o montante da dívida do exequente perante a Fazenda Pública. A

proposta do legislador constituinte derivado, ao criar e incluir no texto constitucional o referido mecanismo foi,

essencialmente, de zelar pelo Erário, dando efetividade e otimização à recuperação dos créditos públicos. Nada

mais razoável do que se verificar, antes de o Estado realizar qualquer pagamento a um credor, inclusive por

decorrência de decisão judicial transitada em julgado (precatórios), se este credor não é – ao mesmo tempo –

seu devedor, para, neste caso, efetivar uma compensação entre seus créditos e débitos. Afinal, pagar ao seu

próprio devedor não é uma prática que se coaduna com o princípio da moralidade, insculpido no art. 37 da

Carta Maior. Registre-se que, antes da EC nº 62/2009, qualquer credor de precatórios estaria legitimado a

recebê-los sem qualquer óbice ou restrição. Quando muito, o credor de precatórios sofria um pedido de

penhora no rosto dos autos, correspondente ao valor objeto de Ação de Execução Fiscal.”13

Destacamos abaixo os trechos da ementa do julgado proferido pelo Plenário do Supremo Tribunal

Federal no qual foi considerada inconstitucional a medida compensatória:

DIREITO CONSTITUCIONAL. REGIME DE EXECUÇÃO DA FAZENDA PÚBLICA MEDIANTE PRECATÓRIO. EMENDA

CONSTITUCIONAL Nº 62/2009. (...) INCONSTITUCIONALIDADE DA SISTEMÁTICA DE COMPENSAÇÃO DE

DÉBITOS INSCRITOS EM PRECATÓRIOS EM PROVEITO EXCLUSIVO DA FAZENDA PÚBLICA. EMBARAÇO À

EFETIVIDADE DA JURISDIÇÃO (CF, ART. 5º, XXXV), DESRESPEITO À COISA JULGADA MATERIAL (CF, ART. 5º

XXXVI), OFENSA À SEPARAÇÃO DOS PODERES (CF, ART. 2º) E ULTRAJE À ISONOMIA ENTRE O ESTADO E O

PARTICULAR (CF, ART. 1º, CAPUT, C/C ART. 5º, CAPUT). INCONSTITUCIONALIDADE DO REGIME ESPECIAL DE

PAGAMENTO. OFENSA À CLÁUSULA CONSTITUCIONAL DO ESTADO DE DIREITO (CF, ART. 1º, CAPUT), AO

PRINCÍPIO DA SEPARAÇÃO DE PODERES (CF, ART. 2º), AO POSTULADO DA ISONOMIA (CF, ART. 5º, CAPUT), À

GARANTIA DO ACESSO À JUSTIÇA E A EFETIVIDADE DA TUTELA JURISDICIONAL (CF, ART. 5º, XXXV) E AO DIREITO

ADQUIRIDO E À COISA JULGADA (CF, ART. 5º, XXXVI). PEDIDO JULGADO PROCEDENTE EM PARTE. (...) 4. A

compensação dos débitos da Fazenda Pública inscritos em precatórios, previsto nos §§ 9º e 10 do art.

100 da Constituição Federal, incluídos pela EC nº 62/09, embaraça a efetividade da jurisdição (CF, art. 5º,

XXXV), desrespeita a coisa julgada material (CF, art. 5º, XXXVI), vulnera a Separação dos Poderes (CF,

art. 2º) e ofende a isonomia entre o Poder Público e o particular (CF, art. 5º, caput), cânone essencial do

Estado Democrático de Direito (CF, art. 1º, caput). (...) 9. Pedido de declaração de inconstitucionalidade

julgado procedente em parte. (ADI 4357, Relator(a): AYRES BRITTO, Relator(a) p/ Acórdão: LUIZ FUX, Tribunal

Pleno, julgado em 14/03/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-188 DIVULG 25-09-2014 PUBLIC 26-09-2014)

13
Abraham, Marcus. Curso de Direito Financeiro Brasileiro. Disponível em: Minha Biblioteca, (6th edição). Grupo GEN, 2020.
29
Quanto à amortização do precatório com dívidas decorrentes de ajustes contratuais que o particular

pode ter com a Fazenda Pública, trata-se de recente possibilidade introduzida no art. 100, da Constituição

Federal, através da EC nº 113/2021. Vejamos:

Art. 100. (...) § 21. Ficam a União e os demais entes federativos, nos montantes que lhes são próprios, desde

que aceito por ambas as partes, autorizados a utilizar valores objeto de sentenças transitadas em julgado

devidos a pessoa jurídica de direito público para amortizar dívidas, vencidas ou vincendas: (EC 113/21)

I - nos contratos de refinanciamento cujos créditos sejam detidos pelo ente federativo que figure como

devedor na sentença de que trata o caput deste artigo; (EC 113/21)

II - nos contratos em que houve prestação de garantia a outro ente federativo; (EC 113/21)

III - nos parcelamentos de tributos ou de contribuições sociais; e (EC 113/21)

IV - nas obrigações decorrentes do descumprimento de prestação de contas ou de desvio de recursos. (EC

113/21)

§ 22. A amortização de que trata o § 21 deste artigo: (EC 113/21)

I - nas obrigações vencidas, será imputada primeiramente às parcelas mais antigas; (EC 113/21)

II - nas obrigações vincendas, reduzirá uniformemente o valor de cada parcela devida, mantida a

duração original do respectivo contrato ou parcelamento. (EC 113/21)

O regime de amortização que acima destacamos foi promulgado apenas em 8 de dezembro de 2021.

Sendo assim, como ainda se trata de uma novidade, não há posicionamento dos Tribunais Superiores quanto

ao tema. Ainda, a doutrina apenas destaca as hipóteses nas quais tal abatimento seria permitido, sendo todas

elas previstas nos incisos do §21 acima transcrito. Desta forma, neste primeiro momento basta que o aluno

memorize as situações descritas no texto frio da Constituição, tendo em vista que muito provavelmente

aparecerão na prova tal qual previu o legislador constituinte.

🚨 JÁ CAIU
Na prova para Auditor Fiscal do Tesouro do Estado de Pernambuco (FCC- 2022), foi dito: “ Do regime de

pagamentos dos débitos da Fazenda Pública, de acordo com a disciplina constitucional fixada para os

precatórios, extrai-se que”, tendo sido considerada correta a alternativa que completou: “a determinação de

condicionantes e requisitos para o levantamento ou a autorização para depósito em conta bancária de

valores decorrentes de precatórios judiciais, que não os constantes da norma constitucional aplicável,

ofende, entre outros, o princípio da garantia de jurisdição efetiva”.


30

8. OUTROS TEMAS

8.1. PRECATÓRIOS E REFLEXOS TRIBUTÁRIOS


8.1.1. COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO CONTRIBUINTE
A redação do art. 78, §2º do ADCT previa a possibilidade de compensação automática de tributos com

precatórios:

Art. 78. Ressalvados os créditos definidos em lei como de pequeno valor, os de natureza alimentícia, os de que

trata o art. 33 deste Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e suas complementações e os que já

tiverem os seus respectivos recursos liberados ou depositados em juízo, os precatórios pendentes na data de

promulgação desta Emenda e os que decorram de ações iniciais ajuizadas até 31 de dezembro de 1999 serão

liquidados pelo seu valor real, em moeda corrente, acrescido de juros legais, em prestações anuais, iguais e

sucessivas, no prazo máximo de dez anos, permitida a cessão dos créditos. (Incluído pela Emenda

Constitucional nº 30, de 2000)

§ 1º É permitida a decomposição de parcelas, a critério do credor. (Incluído pela Emenda Constitucional nº

30, de 2000)

§ 2º As prestações anuais a que se refere o caput deste artigo terão, se não liquidadas até o final do exercício a

que se referem, poder liberatório do pagamento de tributos da entidade devedora. (Incluído pela Emenda

Constitucional nº 30, de 2000) (Vide Emenda Constitucional nº 62, de 2009)

Assim:

CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL, FINANCEIRO E TRIBUTÁRIO. PRECATÓRIOS ESTADUAIS. UTILIZAÇÃO NA

QUITAÇÃO DE SALDOS DEVEDORES DE ICMS. LEI N. 3.062/2006 DO ESTADO DO AMAZONAS. COMPENSAÇÕES

PASSÍVEIS DE ACELERAR O PAGAMENTO AOS CREDORES ORDENADOS DE ACORDO COM A APRESENTAÇÃO

DOS PRECATÓRIOS. OPÇÃO DOS CREDORES DE PRECATÓRIOS QUE AO MESMO TEMPO OCUPEM A POSIÇÃO

DE DEVEDORES DE ICMS. QUEBRA DA ORDEM CRONOLÓGICA DE PRECEDÊNCIA E OFENSA AO PRINCÍPIO DA

ISONOMIA NÃO CARACTERIZADOS. REPARTIÇÃO DE RECEITAS TRIBUTÁRIAS DO ICMS (CF, ART 158, IV, “A”).

PERCENTUAL (25%) PERTENCENTE AOS MUNICÍPIOS. DEVER DE OBSERVÂNCIA. INTERPRETAÇÃO CONFORME À

CONSTITUIÇÃO. 1. A compensação pode otimizar o pagamento dos precatórios, beneficiando em alguma

medida todos os que se encontrem na lista de espera. Ofensa à norma do art. 100, caput, da Constituição

Federal não caracterizada. 2. A Lei n. 3.062, de 6 de julho de 2006, do Estado do Amazonas, ao prever o

instituto da compensação, condiciona o procedimento a requerimento dos contribuintes que sejam ao mesmo

tempo credores de precatório, originário ou por cessão, e devedores de ICMS. Desrespeito ao princípio da

isonomia não configurado. 3. A extinção do crédito tributário por compensação implica aumento da

disponibilidade de receita e impõe ao Estado a obrigação de entregar a respectiva cota aos Municípios.

Precedente. 4. Ação conhecida e pedido julgado parcialmente procedente, para conferir-se interpretação

conforme à Constituição à Lei n. 3.062, de 6 de julho de 2006, do Estado do Amazonas, de modo a consignar
31
que a compensação de créditos tributários de ICMS deve observar o dever constitucional de repartição dos

25% pertencentes aos Municípios (CF, art. 158, IV, “a”). (ADI 4080, Relator(a): NUNES MARQUES, Tribunal Pleno,

julgado em 06-11-2024, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 14-11-2024 PUBLIC 18-11-2024)

​ Neste sentido, surgiu dúvida sobre a necessidade ou não de lei do ente federativo a fim de permitir a

compensação de tributos com precatórios. O Superior Tribunal de Justiça majoritariamente vem entendendo

pela impossibilidade de compensação, caso não houver previsão legal específica nesse sentido (AgRg no RESp

1196680/RS; RESP 1192662/RS). Posteriormente, a EC n. 94/2016 trouxe novo regime, permitindo ao credor de

precatório compensar débitos de natureza tributária, observados alguns requisitos:

Art. 105. Enquanto viger o regime de pagamento de precatórios previsto no art. 101 deste Ato das Disposições

Constitucionais Transitórias, é facultada aos credores de precatórios, próprios ou de terceiros, a

compensação com débitos de natureza tributária ou de outra natureza que até 25 de março de 2015

tenham sido inscritos na dívida ativa dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, observados os

requisitos definidos em lei própria do ente federado. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 94, de

2016)

§ 1º Não se aplica às compensações referidas no caput deste artigo qualquer tipo de vinculação, como as

transferências a outros entes e as destinadas à educação, à saúde e a outras finalidades. (Numerado do

parágrafo único pela Emenda constitucional nº 99, de 2017)

Em conseguinte, a EC n. 99/2017 delimitou o período desta compensação, estabelecendo que os

Estados, o Distrito Federal e os Municípios regulamentarão nas respectivas leis o disposto no caput deste artigo

em até 120 dias a partir de 1º de janeiro de 2018. Na lição de Harisson Leite:

Trata-se de concretização de um direito sagrado do credor do poder público, que se via numa situação de

impotência, pois, embora tendo o direito a crédito, nada podia fazer, sequer deixar de pagar tributos para a

compensação. A nova permissão constitucional, mormente nas hipóteses de desídia da Administração em não

regulamentar a matéria, é importante avanço na solução de problemas infindáveis na relação entre o Estado e

os seus credores.

Os entes federativos poderão apenas regulamentar a matéria, no estrito sentido da acepção do vocábulo, não

podendo criar qualquer óbice ao direito constitucional à compensação.14

Uma vez compensados, os valores passam a constituir receita do ente público, mas não podem sofrer

vinculação automática.

14
Leite, Harrison. Manual de Direito Financeiro. 9. ed. rev., atual, e ampli. Salvador: JusPODIVM, 2020. p. 478.
32

8.1.2. PRECATÓRIOS E PROCESSO EXECUTIVO FISCAL


​ No âmbito da Execução Fiscal, o contribuinte poderá dar em garantia o precatório, independente de se

tratar da mesma entidade devedora, bem como utilizá-lo para substituir outro bem penhorado. Todavia, faculta

à Fazenda Pública aceitar o precatório na substituição de bem penhorado:

Súmula 406-STJ: A Fazenda Pública pode recusar a substituição do bem penhorado por precatório.

8.1.3. PRECATÓRIOS E CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO

​ O art. 19 da Lei n. 11.033/04 condicionava o levantamento do precatório à apresentação de certidão

negativa. Todavia, o artigo foi julgado inconstitucional pela ADI n. 3.453/DF, por violação aos arts. 5º, XXXVI e

100 da Constituição Federal, sendo desnecessária a comprovação de quitação e regularidade fiscal para a

satisfação de direito do jurisdicionado a recebimento de créditos reconhecidos pela Justiça15. Desta forma, foi

instituída a compensação de ofício.

8.2. AQUISIÇÃO DE IMÓVEIS PÚBLICOS COM PRECATÓRIOS

​ É possível que o credor receba bens públicos, ao invés de receber seu crédito em precatório, nos

termos do art. 100, §11:

§ 11. É facultada ao credor, conforme estabelecido em lei do ente federativo devedor, com auto aplicabilidade

para a União, a oferta de créditos líquidos e certos que originalmente lhe são próprios ou adquiridos de

terceiros reconhecidos pelo ente federativo ou por decisão judicial transitada em julgado para: (Redação

dada pela Emenda Constitucional nº 113, de 2021) (Vide ADI 7047) (Vide ADI 7064)

I - quitação de débitos parcelados ou débitos inscritos em dívida ativa do ente federativo devedor, inclusive em

transação resolutiva de litígio, e, subsidiariamente, débitos com a administração autárquica e fundacional do

mesmo ente; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 113, de 2021)

II - compra de imóveis públicos de propriedade do mesmo ente disponibilizados para venda; (Incluído pela

Emenda Constitucional nº 113, de 2021)

III - pagamento de outorga de delegações de serviços públicos e demais espécies de concessão negocial

promovidas pelo mesmo ente; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 113, de 2021)

IV - aquisição, inclusive minoritária, de participação societária, disponibilizada para venda, do respectivo ente

federativo; ou (Incluído pela Emenda Constitucional nº 113, de 2021)

V - compra de direitos, disponibilizados para cessão, do respectivo ente federativo, inclusive, no caso da União,

15
Leite, Harrison. Manual de Direito Financeiro. 9. ed. rev., atual, e ampli. Salvador: JusPODIVM, 2020. p. 479.
33
da antecipação de valores a serem recebidos a título do excedente em óleo em contratos de partilha de

petróleo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 113, de 2021)

8.3. CESSÃO DE PRECATÓRIOS

​ A cessão de precatórios é prevista nos parágrafos 13 e 14 do art. 100, da Constituição Federal:

Art. 100. (...)

§ 13. O credor poderá ceder, total ou parcialmente, seus créditos em precatórios a terceiros,

independentemente da concordância do devedor, não se aplicando ao cessionário o disposto nos §§ 2º e 3º.

(Incluído pela Emenda Constitucional nº 62, de 2009).

§ 14. A cessão de precatórios, observado o disposto no § 9º deste artigo, somente produzirá efeitos após

comunicação, por meio de petição protocolizada, ao Tribunal de origem e ao ente federativo devedor.

(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 113, de 2021)

🚨 JÁ CAIU
Na prova Analista Judiciário - Área Judiciária do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) (Ano: 2024, Banca:

CESPE/CEBRASPE), foi considerada correta a afirmativa que dizia que “no regime de precatórios, o credor

pode ceder a terceiros seus créditos relativos a precatórios, independentemente da concordância do

devedor.”

​ Desta forma, caso o precatório não tiver natureza alimentar e se o mesmo for transferido para uma

pessoa com 60 anos de idade ou mais na data de expedição do precatório, ou portadora de doença grave ou

pessoa com deficiência definida em lei, o precatório não será munido dos privilégios concedidos aos precatórios

alimentares especiais.

Por sua vez, durante muito tempo houve discussão doutrinária e jurisprudencial sobre a alteração da

natureza na cessão inversa, até ser julgado em definitivo pelo STF, encerrando a discussão:

PRECATÓRIO – CRÉDITO – CESSÃO – NATUREZA. A cessão de crédito não implica alteração da natureza.

(RE 631537, Relator(a): MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 22-05-2020, PROCESSO ELETRÔNICO

REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-137 DIVULG 02-06-2020 PUBLIC 03-06-2020)


34

🚨 JÁ CAIU
Na prova para o cargo de Procurador do Município de Macaé-RJ (Ano: 2024, Banca: FGV), foi cobrada a

seguinte questão sobre o tema: “Carlos detém um crédito alimentício proveniente de precatório não pago

pelo Fazenda Nacional. Dada a dificuldade financeira que enfrenta, Carlos decidiu ceder o precatório

alimentício para um fundo de investimento, recebendo uma quantia imediata em troca da cessão.

Sobre a hipótese apresentada, assinale a afirmativa correta.

a. A cessão do precatório alimentício altera a natureza do crédito alimentício para crédito comum, sob pena

de violação da isonomia.

b. A cessão do crédito alimentício somente é permitida nos casos em que o crédito é considerado de

pequeno valor, ou seja, abaixo de 60 salários mínimos.

c. A cessão do crédito alimentício é válida e a natureza do crédito permanece a mesma, não se

alterando com a mudança de titularidade para um fundo de investimento.

d. A cessão de precatório alimentício é inconstitucional, dada à sua natureza personalíssima.

e. A cessão do crédito alimentício somente é permitida se houver concordância da Fazenda Pública.”

Resposta: Letra C.

8.4. REGIMES ESPECIAIS DE PRECATÓRIOS

​ Em regra, o pagamento de precatório deve ser feito à vista. Entretanto, dadas as dificuldades

orçamentárias, foram criados regimes especiais de precatórios (REP) para afastar a própria norma regra, com

previsão na ADCT.

O primeiro regime especial foi inserido no art. 33 da ADCT, facultando o parcelamento de dívidas objeto

de precatórios em oito anos, porém não se estendendo aos créditos de natureza alimentar16. O segundo regime

especial foi criado em 2000, pela EC n. 30, autorizando o parcelamento em dez anos e excluindo o

parcelamento de RPV e os que já haviam sido objeto de parcelamento pelo art. 33:

Art. 78. Ressalvados os créditos definidos em lei como de pequeno valor, os de natureza alimentícia, os de que

trata o art. 33 deste Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e suas complementações e os que já

tiverem os seus respectivos recursos liberados ou depositados em juízo, os precatórios pendentes na data de

promulgação desta Emenda e os que decorram de ações iniciais ajuizadas até 31 de dezembro de 1999 serão

liquidados pelo seu valor real, em moeda corrente, acrescido de juros legais, em prestações anuais, iguais e

sucessivas, no prazo máximo de dez anos, permitida a cessão dos créditos. (Incluído pela Emenda

Constitucional nº 30, de 2000)

16
Leite, Harrison. Manual de Direito Financeiro. 9. ed. rev., atual, e ampli. Salvador: JusPODIVM, 2020. p. 490
35
§ 1º É permitida a decomposição de parcelas, a critério do credor. (Incluído pela Emenda Constitucional nº

30, de 2000)

§ 2º As prestações anuais a que se refere o caput deste artigo terão, se não liquidadas até o final do exercício a

que se referem, poder liberatório do pagamento de tributos da entidade devedora. (Incluído pela Emenda

Constitucional nº 30, de 2000) (Vide Emenda Constitucional nº 62, de 2009)

§ 3º O prazo referido no caput deste artigo fica reduzido para dois anos, nos casos de precatórios judiciais

originários de desapropriação de imóvel residencial do credor, desde que comprovadamente único à época da

imissão na posse. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 30, de 2000)

§ 4º O Presidente do Tribunal competente deverá, vencido o prazo ou em caso de omissão no orçamento, ou

preterição ao direito de precedência, a requerimento do credor, requisitar ou determinar o seqüestro de

recursos financeiros da entidade executada, suficientes à satisfação da prestação. (Incluído pela Emenda

Constitucional nº 30, de 2000)

​ Tendo em vista que este regime foi suspenso pelas ADI n. 2362 e 2356, veio o terceiro regime especial

de precatórios (EC n. 62/09), permitindo o parcelamento dos precatórios em até 15 anos e também julgado

inconstitucional pelas ADI n. 4357 e 4425.

RESUMO DO JULGAMENTO DAS ADI 4357 E 442517

DISPOSITIVO LEGAL POSIÇÃO ADOTADA PELO STF. COMENTÁRIOS


MODULAÇÃO

Emenda Constitucional Não acatou o pedido de

n. 62/09 inconstitucionalidade formal consistente na

inobservância do interstício dos turnos de

votação.

Art. 100 §2º da CF, Declarou inconstitucional. Eficácia "ex nunc", A regra configuraria critério de

expressão “na data de a partir da data de conclusão do julgamento aplicação de preferência no

expedição do da questão de ordem, que se deu em pagamento de idosos. Contudo,

precatório” 25.3.2015. Assim, todo credor que tinha mais esse balizamento temporal

de 60 anos na data de conclusão do discriminaria, sem fundamento,

julgamento da questão de ordem possuía o aqueles que viessem a alcançar 60

direito de ingressar na fila de preferência. anos em data posterior à

expedição do precatório,

enquanto pendente e ainda não

ocorrido o pagamento.

17
Leite, Harrison. Manual de Direito Financeiro. 9. ed. rev., atual, e ampli. Salvador: JusPODIVM, 2020. p. 496
36

Art. 100, §§ 99 e 109 da Declarou inconstitucional, sem modulação Considerou que esse critério

CF e o art. 97, II do dos seus efeitos. beneficiaria exclusivamente o

ADCT, que fixam regime devedor público, em ofensa ao

unilateral de princípio da isonomia. Além disso,

compensação dos os dispositivos instituíram nítido

débitos da Fazenda privilégio em favor do Estado e em

Pública inscritos em detrimento do cidadão, cujos

precatório. débitos em face do Poder Público

sequer poderiam ser

compensados com as dívidas

fazendárias.

Art. 100, § 12 da CF, Declarou inconstitucional. Efeitos "ex nunc", Entendeu que aos precatórios de

expressão "índice oficial a partir da data de conclusão do julgamento natureza tributária deveriam se

de remuneração básica da questão de ordem, que se deu em aplicar os mesmos juros de mora

da caderneta de 25.3.2015, ressalvando-se os requisitórios incidentes sobre o crédito

poupança". expedidos pela União, com base nos arts. 27 tributário, qual seja, a taxa SELIC.

das Leis de Diretrizes Orçamentárias da Com a decisão e sua modulação,

União de 2014 e 2015 (Lei n. 12.919/2013 e válidos foram os precatórios

Lei n. 13.080/2015), que fixam o IPCA-E como expedidos ou pagos até a data de

índice de correção monetária. O STF 25.3.2015, com a aplicação do

ponderou que eventual decisão com efeito índice da poupança (TR). Após

retroativo teria como consequência o direito essa data os créditos em

à percepção, pelos antigos credores, das precatórios serão corrigidos pelo

diferenças resultantes da incidência do novo Índice de Preços ao Consumidor

índice de correção a ser definido pelo Amplo Especial (IPCA-E) e os

respectivo ente federado, com a precatórios tributários devem

necessidade de reabertura de precatórios já observar os mesmos critérios

extintos, o que causaria evidente tumulto. pelos quais a Fazenda Pública

corrige seus créditos tributários.

No ponto, deve-se resguardar os

precatórios expedidos no âmbito

federal, que fixam o IPCA- -E como

índice de correção monetária.

Art. 100, § 12 da CF, Declarou inconstitucional sem redução de Visou afastar a incidência dos

expressão texto. Efeitos "ex nunc", a partir da data de juros moratórios calculados
37

"independentemente de conclusão do julgamento da questão de segundo índice da caderneta de

sua natureza" ordem, que se deu em 25.3.2015. Para o STF, poupança quanto aos créditos

a consequência prática de uma decisão com devidos pela Fazenda Pública em

eficácia retroativa seria muito semelhante à razão de relações

aventada no caso da correção monetária. jurídico-tributárias.

Igualmente surgiria, para os antigos

credores, o direito à percepção das

diferenças resultantes da incidência de

novos juros de mora, com a necessidade de

reabertura dos precatórios já extintos, e, em

consequência, uma avalanche de

questionamentos de processos judiciais

quanto aos precatórios já pagos durante o

período de aplicação do referido dispositivo

constitucional.

Art. 100, § 15 e todo o Declarou inconstitucional, porém modulou 0 STF entendeu que, ao criarem

art. 97 do ADCT os seus efeitos para que se desse sobrevida regime especial para pagamento

ao regime especial de pagamento de de precatórios para Estados,

precatórios, instituído pela EC n. 62/2009, Distrito Federal e Municípios,

por cinco exercícios financeiros a contar de veiculariam nova moratória na

ie.1.2016. Foram consideradas válidas as quitação dos débitos judiciais da

compensações, os leilões e os pagamentos à Fazenda Pública e imporiam

vista por ordem crescente de crédito contingenciamento de recurso

previstos na EC n. 62/2009, desde que para esse fim, a violar a cláusula

realizados até 25.3.2015, data a partir da constitucional do Estado de

qual não seria possível a quitação de Direito, o princípio da separação

precatórios por essas modalidades. de Poderes, o postulado da

Igualmente, ficou mantida a possibilidade de isonomia, a garantia do acesso à

realização de acordos diretos, observada a justiça, a efetividade da tutela

ordem de preferência dos credores e de judicial, o direito adquirido e a

acordo com lei própria da entidade coisa julgada

devedora, com redução máxima de 40% do

valor do crédito atualizado. Por fim, até

31.12.2020, o STF manteve a vinculação de

percentuais mínimos da receita corrente

líquida ao pagamento dos precatórios


38

(ADCT, art. 97, § 10), bem como as sanções

para o caso de não liberação tempestiva dos

recursos destinados ao pagamento de

precatórios (ADCT, art. 97, § 10).

Em conseguinte, a EC n. 94/16 trouxe o quarto regime especial de precatórios, determinando a quitação

até 31/12/2020. Contudo, em decorrência da crise econômica dos entes, a EC n. 99/17 instituiu o quinto regime

especial de precatórios, determinando a quitação dos mesmos até 31 de dezembro de 2024. Na lição de

Harisson Leite:

Essas prorrogações constantes denotam que a quitação de precatórios é tema de Estado, que não pode

ser decidido sem uma análise técnica minuciosa, desatrelada das disposições orçamentárias. Não se

resolve com uma decisão judicial. No entanto, por ser tecnicamente difícil, não significa que pode ser

prorrogada indefinidamente. A moralidade do Estado reclama atenção aos seus credores, e que seja esse

quinto regime especial o ponto final de uma história de frustrações e prorrogações contrárias à essência do

corpo definitivo da Constituição.18

8.5. INTERVENÇÃO FEDERAL


O art. 34, V, a, da Constituição Federal prevê que, caso haja a suspensão do pagamento de dívida

fundada por mais de dois anos consecutivos, é possível a intervenção da União nos Estados e Distrito Federal,

salvo por motivo de força maior. Desta forma, foram feitos diversos pedidos de intervenção; entretanto o STF

vem se posicionando contra às intervenções, considerando que na maioria dos casos não há falta de interesse

no pagamento, mas sim ausência de recursos para a quitação:

Precatórios judiciais. Não configuração de atuação dolosa e deliberada do Estado de São Paulo com finalidade

de não pagamento. Estado sujeito a quadro de múltiplas obrigações de idêntica hierarquia. Necessidade de

garantir eficácia a outras normas constitucionais, como, por exemplo, a continuidade de prestação de serviços

públicos. A intervenção, como medida extrema, deve atender à máxima da proporcionalidade. Adoção da

chamada relação de precedência condicionada entre princípios constitucionais concorrentes.” (IF 298, Rei. p/ o

ac. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 3-2-03, DJ de 27-2-04)

O descumprimento voluntário e intencional de decisão transitada em julgado configura pressuposto

indispensável ao acolhimento do pedido de intervenção federal. A ausência de voluntariedade em não pagar

precatórios, consubstanciada na insuficiência de recursos para satisfazer os créditos contra a Fazenda

18
Leite, Harrison. Manual de Direito Financeiro. 9. ed. rev., atual, e ampli. Salvador: JusPODIVM, 2020. p. 492
39
Estadual no prazo previsto no § Io do art. 100 da Constituição da República, não legitima a subtração

temporária da autonomia estatal, mormente quando o ente público, apesar da exaustão do erário, vem sendo

zeloso, na medida do possível, com suas obrigações derivadas de provimentos judiciais. Precedentes.” (IF

1.917-AgR, Rei. Min. Presidente Maurício Corrêa, julgamento em 17-3-2004, Plenário, DJ de 3-8-2007.).

9. JURISPRUDÊNCIA

STJ, Tema 1237 (Info 813) - É válido o ato jurídico de cancelamento automático de precatórios ou requisições

federais de pequeno valor realizados entre 06/07/2017 (data da publicação da Lei 13.463/2017) e 06/07/2022

(data da publicação da ata da sessão de julgamento da ADI 5.755/DF), nos termos do art. 2º, caput, e § 1º, da

Lei n. 13.463/2017, desde que caracterizada a inércia do credor em proceder ao levantamento do depósito

pelo prazo legalmente estabelecido (dois anos). É ilegal esse mesmo ato se circunstâncias alheias à vontade do

credor impediam, ao tempo do cancelamento, o levantamento do valor depositado.

DIREITO CONSTITUCIONAL. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 2º DA EMENDA

CONSTITUCIONAL Nº 30, DE 13 DE SETEMBRO DE 2000, QUE ACRESCENTOU O ART. 78 AO ATO DAS

DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS TRANSITÓRIAS. PARCELAMENTO DA LIQUIDAÇÃO DE PRECATÓRIOS

PELA FAZENDA PÚBLICA. PEDIDO JULGADO PROCEDENTE. I – CASO EM EXAME 1. Ação direta de

inconstitucionalidade em que se discute a constitucionalidade do regime de parcelamento precatórios

instituído pelo artigo 2º da Emenda Constitucional n. 30/2000, o qual acrescentou o artigo 78 do Ato das

Disposições Constitucionais Transitórias. II - QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Saber se há, ou não, afronta às

cláusulas pétreas (artigo 60, §4º, III e IV), especialmente, ao princípio da separação de poderes (artigo 2º,

CRFB), à garantia de acesso à jurisdição (artigo 5º, XXXV, CRFB), às garantias do ato jurídico perfeito,

direito adquirido e coisa julgada (artigo 5º, XXXVI, CRFB), do direito fundamental à propriedade (artigo

5º, XXII e XXIV, CRFB) e à isonomia (artigo 5º, caput, CRFB), e do princípio da proporcionalidade (artigo

5º, LIV, CRFB). 3. Saber se o parcelamento, em até dez anos, dos valores correspondentes a precatórios

pendentes e futuros, decorrentes de ações ajuizadas até 31 de dezembro de 1999, impossibilita que cidadãos

e cidadãs, bem como pessoas jurídicas, titulares de créditos líquidos e certos reconhecidos em decisões

transitadas em julgado, recebam do Poder Judiciário a tutela efetiva de seus direitos. III – RAZÕES DE DECIDIR

4. O legislador constituinte derivado, ao editar a norma ora impugnada, não observou direitos

fundamentais dos cidadãos e cidadãs brasileiras, quando estabeleceu regras transitórias para fazer

face a um problema concreto e irremediável de gestão das contas públicas, ou seja, a dos precatórios

pendentes de pagamento por falta de recursos financeiros disponíveis. Feriu, portanto, cláusula pétrea

expressamente disposta na Constituição da República de 1988 (art. 60, §4º, CRFB). 5. O poder público, na

condição de parte devedora de relação jurídica em que deve cumprir sua obrigação de pagar, já é

privilegiado por ter o prazo dilargado de até 20 meses para quitar sua dívida. 6. Não obstante

compreenda a perspectiva das fazendas públicas, é necessário deslocar o olhar para o credor, cidadão e

cidadã que, após demandas judiciais geralmente prolongadas no tempo, vê-se vencedor do pleito

judicial, com trânsito em julgado, mas sem garantia de que receberá o valor pecuniário que lhe é

devido, o que afronta a perspectiva material do princípio de acesso à jurisdição. 7. O regime de

parcelamento de precatórios do artigo 78 e parágrafos do ADCT impediu o mais amplo acesso à


40
jurisdição, pois mesmo cogitando-se do direito fundamental à propriedade e da garantia de isonomia, o

regime instituído teve impacto desproporcional na vida de milhares de cidadãos e cidadãs que não

tiveram reconhecidos seus direitos fundamentais à propriedade, à isonomia e ao devido processo legal

substantivo, diante da mora de receber o que lhe era devido, atestado em título judicial transitado em

julgado. 8. A questão posta, nos presentes autos, não perdeu o objeto em face das posteriores alterações

legislativas ao regime de precatórios no Brasil, tendo em vista que a solução da controvérsia constitucional

com a amplitude veiculada nos pedidos das ADIs 2356 e 2362 reafirmará os limites aos quais devem se

submeter os legisladores constituintes derivados nesse tema, doravante. IV – MODULAÇÃO DE EFEITOS 9. O

Supremo Tribunal Federal, por maioria, modulou os efeitos da presente decisão para que seja conferida

eficácia ex nunc ao presente julgamento, mantendo os parcelamentos realizados até a concessão da medida

cautelar nestes autos (25.11.2010), vencidos os Ministros Nunes Marques (Relator), Alexandre de Moraes e

André Mendonça, que modulavam os efeitos da decisão, mantendo a validade de todos os pagamentos,

parciais ou integrais, que tenham sido realizados de acordo com a norma declarada inconstitucional. 10. A

modulação até a data da concessão da cautelar, em 25.11.2010, é devida porque os efeitos da declaração de

inconstitucionalidade da norma impugnada devem ser respeitados até esse marco, a partir de quando a

norma impugnada teve sua eficácia suspensa em face da cautelar deferida. V - DISPOSITIVO 11. Pedido de

declaração de inconstitucionalidade julgado procedente, nas ações diretas de inconstitucionalidade n. 2356 e

n. 2362, para, confirmando a liminar nestes autos deferida, declarar a inconstitucionalidade do artigo 2º da

Emenda Constitucional nº 30/2000, que introduziu o artigo 78 no ADCT da Constituição da República de 1988,

respeitando-se os parcelamentos realizados sob o regime instaurado pela norma declarada inconstitucional,

até a concessão da medida cautelar, em 25.11.2010. (ADI 2356, Relator(a): NUNES MARQUES, Relator(a) p/

Acórdão: EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 07-05-2024, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG

13-08-2024 PUBLIC 14-08-2024)

É inconstitucional lei estadual que prevê o uso de depósitos judiciais ou administrativos relativos a

processos em que pessoas jurídicas de direito privado da Administração Pública indireta sejam partes.

Essa previsão exorbita as normas gerais previstas na Lei Complementar federal nº 151/2015 e ofende o direito

de propriedade das pessoas jurídicas de direito privado da Administração Pública indireta.

STF. Plenário. ADI 5.457/AM, Rel. Min. Nunes Marques, julgado em 19/12/2023 (Info 1121).19

É constitucional a Lei Complementar nº 151/2015, que dispõe sobre a destinação prioritária do montante de

depósitos judiciais e administrativos, tributários e não tributários, para o pagamento de precatórios de

qualquer natureza dos entes federados.

Essa lei não viola o direito de propriedade (arts. 5º, “caput”, e 170, II, CF/88) nem ofende os princípios do

devido processo legal (art. 5º, LIV, CF/88), da separação dos Poderes (art. 2º, CF/88) e do não confisco.

STF. Plenário. ADI 5.361/DF e ADI 5.463/DF, Rel. Min. Nunes Marques, julgados em 21/11/2023 (Info 1117).20

19
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. É inconstitucional lei estadual que preveja que o Estado possa utilizar, para pagamento de precatórios, valores de
depósitos judiciais e administrativos decorrentes de processos em que empresas públicas e sociedades de economia mista da administração estadual
sejam parte. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 21/02/2024
20
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. É constitucional a LC 151/2015, que autoriza o uso de um percentual dos depósitos judiciais para pagamentos do
Poder Público. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 21/02/2024
41
A pretensão de expedição de novo precatório ou requisição de pequeno valor, fundada nos arts. 2º e 3º da Lei

nº 13.463/2017, sujeita à prescrição quinquenal prevista no art. 1º do Decreto nº 20.910/1932 e tem, como

termo inicial, a notificação do credor, na forma do § 4º do art. 2º da Lei nº 13.463/2017.

STJ. 1ª Seção. REsps 1.961.642-CE, REsp 1.944.707-PE e REsp 1.944.899-PE, Rel. Min. Assusete Magalhães,

julgada em 25/10/2023 (Recurso Repetitivo – Tema 1141) (Info 793).21

É constitucional dispositivo de emenda constitucional que possibilita o uso eventual de depósitos

judiciais com o fim específico de quitar precatórios atrasados.

Não há violação ao princípio da separação dos Poderes (art. 2º, da CF/88) e aos direitos de propriedade (arts.

5º, “caput”, e 170, II), de acesso à justiça (art. 5º, XXXV), do devido processo legal (art. 5º, LIV) e da duração

razoável do processo (art. 5º, LXXVII).


22
STF. Plenário. ADI 5.679/SC, Rel. Min. Luís Roberto Barroso, julgado em 29/9/2023 (Info 1110).

O regime especial de precatórios trazido pela Emenda Constitucional nº 62/2009 aplica-se aos precatórios

expedidos anteriormente a sua promulgação, observados a declaração de inconstitucionalidade parcial

quando do julgamento da ADI nº 4.425 e os efeitos prospectivos do julgado.

STF. Plenário. RE 659.172/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 22/09/2023 (Repercussão Geral – Tema 519)

(Info 1109).23

O deferimento de sequestro de rendas públicas para pagamento de precatório deve se restringir às hipóteses

enumeradas taxativamente na Constituição Federal de 1988.

STF. Plenário. RE 840.435/RS, relator Ministro Dias Toffoli, julgado em 22/09/2023 (Repercussão Geral – Tema

598) (Info 1109).24

🚨 JÁ CAIU
No concurso para Analista Administrativo do TCE-AC (Ano: 2024, Banca: CESPE/CEBRASPE), foi considerado

correto afirmar que “segundo a jurisprudência do STF, o deferimento de sequestro de receitas públicas para

pagamento de precatório, pelo Judiciário, limita-se a situações em que se caracterize alguma das hipóteses

expressamente previstas na CF.” Por outro lado, no mesmo concurso e sobre o tema precatórios, foi

considerada errada a afirmativa que dizia “segundo a jurisprudência do STF, é incompatível com a autonomia

21
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Prescreve em 5 anos a pretensão de expedição de novo precatório ou nova RPV, após o cancelamento de que trata
o art. 2º da Lei nº 13.463/2017 (válido para casos anteriores à ADI 5755). Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 21/02/2024
22
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. É constitucional a previsão contida no § 2º do art. 101 do ADCT de que os depósitos judiciais podem ser utilizados
para pagamento de precatórios atrasados. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 21/02/2024
23
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. As regras estipuladas na EC 62/2009, quanto ao regime especial de precatórios, são aplicáveis aos já expedidos
antes de sua promulgação. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 21/02/2024
24
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Poder Judiciário não pode aumentar hipóteses de sequestro de verbas para pagamento de precatório. Buscador
Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: <[Link]
Acesso em: 21/02/2024
42

financeira dos entes federados, porquanto implica subordinação em relação à União, o encaminhamento,

pelos entes subnacionais, das respectivas contas públicas ao Poder Executivo Federal.”

Sociedades de economia mista, como o Metrô-DF, desde que prestem serviço público essencial em regime de

exclusividade (monopólio natural) e sem intuito lucrativo, submetem-se ao regime constitucional de

precatórios para o adimplemento de seus débitos.

STF. Plenário. ADPF 524/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 22/8/2023 (Info 1104)25

O STF adotou a compreensão no sentido de que o plano de pagamentos apresentado pelo devedor de

precatórios ao respectivo Tribunal deve contemplar todo o passivo, de modo a formar um único

montante global de débitos de precatórios, ainda que se refiram a parcelas vencidas e não pagas em

período anterior ao advento da Emenda Constitucional 109/2021. Nesse sentido: STF. 1ª Turma. MS 36035

AgR, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 30/08/2021.

Uma vez que o prazo de pagamento antes estabelecido pela EC 99/2017 (até 31/12/2024) foi estendido pela EC

109/2021 para 31/12/2029, sem qualquer ressalva quanto aos anos a que se referem os débitos em questão,

apresenta-se indevida a decisão que nega a renegociação quanto às dívidas anteriores a 2021.

STJ. 1ª Turma. AgInt no RMS 69.711-SP, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 15/8/2023 (Info 783).26

O recebimento de comissão sobre o valor total de precatório na hipótese em que não foi integralmente pago,

em razão de negociação prévia do crédito com deságio, fere a boa-fé objetiva e gera enriquecimento sem

causa. STJ. 4ª Turma. EDcl no AgInt no AREsp 1.809.319-RJ, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em

14/8/2023 (Info 783).27

1. A complementação ao FUNDEF realizada a partir do valor mínimo anual por aluno fixada em desacordo com

a média nacional impõe à União o dever de suplementação de recursos.

2. Sendo tal obrigação imposta por título executivo judicial, aplica-se a sistemática dos precatórios, nos termos

do art. 100 da Constituição Federal.

STF. Plenário. RE 635.347/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 01/7/2023 (Repercussão Geral – Tema 416)

(Info 1101).28

25
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Sociedades de economia mista, como o Metrô-DF, desde que prestem serviço público essencial em regime de
exclusividade (monopólio natural) e sem intuito lucrativo, submetem-se ao regime constitucional de precatórios para o adimplemento de seus débitos.
Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 21/02/2024
26
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. É possível a renegociação dos débitos de precatórios vencidos e dos que vencerão dentro do período previsto pela
EC 109/2021. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 21/02/2024
27
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Fere a boa-fé objetiva e gera enriquecimento sem causa a pretensão de receber, pela indicação de cliente,
porcentagem sobre o valor total do precatório, quando tal valor não foi efetivamente recebido na integralidade, em razão de negociação do crédito com
deságio. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 21/02/2024
28
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. A União deve suplementar recursos do Fundef quando o valor repassado a partir do valor mínimo anual por aluno
esteja em desacordo com a média nacional; essa suplementação deve observar a sistemática dos precatórioso. Buscador Dizer o Direito, Manaus.
Disponível em: <[Link] Acesso em: 21/02/2024
43
É constitucional o sequestro de verbas públicas pela autoridade judicial competente nas hipóteses do § 4º do

art. 78 do ADCT, cuja normatividade veicula regime especial de pagamento de precatórios de observância

obrigatória por parte dos entes federativos inadimplentes na situação descrita pelo caput do dispositivo.

No caso de atraso na quitação das parcelas de precatório, o sequestro de verbas públicas pela autoridade

judicial é constitucional, pois configurado descumprimento ao regime especial de pagamento (ADCT, art. 78),

cuja adesão dos entes federativos inadimplentes é obrigatória.

Originalmente, somente a preterição da ordem de pagamento ensejava a realização de sequestro da quantia

necessária à satisfação do débito (art. 100, § 2º, da CF/88, na redação original). No entanto, a partir da EC

30/2000, todas as modificações referentes à sistemática dos precatórios passaram a admitir o sequestro para

a quitação das parcelas nas hipóteses de não alocação orçamentária para satisfazer os valores devidos, como,

por exemplo, a previsão contida no art. 103 do ADCT.

Nesse contexto, o regime especial do art. 78 do ADCT é impositivo, visto que os precatórios se encontram

vencidos, em desrespeito à normatividade geral sobre a matéria.

STF. Plenário. RE 597.092/RJ, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 26/6/2023 (Repercussão Geral – Tema 231)

(Info 1100).29

O crédito inscrito em precatório decorrente de parcelas vencidas de benefício previdenciário pode ser objeto

de cessão a terceiros?

1ª corrente: NÃO

É nula a cessão de crédito previdenciário, conforme o art. 114 da Lei nº 8.213/91.

Nos termos do art. 114 da Lei 8.213/91, é proibida a cessão de créditos previdenciários, sendo nula qualquer

cláusula contratual que a este respeito disponha de modo diverso.

STJ. 1ª Turma. AgInt nos EDcl no REsp n. 1.934.524/RS, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 26/6/2023.

STJ. 2ª Turma. AgInt no REsp 1.923.742-RS, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 3/4/2023 (Info 11 – Edição

Extraordinária).

2ª corrente: SIM

O crédito inscrito em precatório oriundo de ação previdenciária pode ser objeto de cessão a terceiros.

A cessão de créditos inscritos em precatórios, autorizada pelo art. 100, §§ 13 e 14, da CF/88, permite ao credor,

mediante negociações entabuladas com eventuais interessados na aquisição do direito creditício com deságio,

a percepção imediata de valores que somente seriam obtidos quando da quitação da dívida pelo Poder

Público, cujo notório inadimplemento fomenta a instituição de mercado dos respectivos títulos, abrangendo,

inclusive, as parcelas de natureza alimentar.

O princípio da intangibilidade das prestações da Previdência Social, previsto no art. 114 da Lei nº 8.213/91,

veda a cessão dos benefícios previdenciários, obstando, por conseguinte, a alienação ou transmissão irrestrita

de direitos personalíssimos e indisponíveis. Esse art. 114, contudo, não impede que o titular de crédito inscrito

em precatório, inclusive oriundo de ação previdenciária, possa ceder o crédito das prestações atrasadas para

terceiros. Isso porque se trata de direito patrimonial disponível passível de livre negociação.

29
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Atraso no pagamento das parcelas de precatório autoriza determinação de sequestro de verbas. Buscador Dizer o
Direito, Manaus. Disponível em: <[Link] Acesso
em: 21/02/2024
44
STJ. 1ª Turma. REsp 1.896.515-RS, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 11/4/2023 (Info 771).30

30
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. O crédito inscrito em precatório decorrente de parcelas vencidas de benefício previdenciário pode ser objeto de
cessão a terceiros?. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 21/02/2024

Você também pode gostar