Guia Completo sobre Precatórios 2025
Guia Completo sobre Precatórios 2025
PRECATÓRIOS
3ª EDIÇÃO/2025
1. INTRODUÇÃO 3
2. PROCEDIMENTO 7
3. ORDEM CRONOLÓGICA DE APRESENTAÇÃO PARA PAGAMENTO: CRÉDITOS NORMAIS,
CRÉDITOS DE NATUREZA ALIMENTÍCIA E SUPER PREFERÊNCIAS 8
3.1. NÃO PAGAMENTO DE PRECATÓRIOS PELOS ESTADOS 16
4. PESSOAS SUJEITAS AO PAGAMENTO DOS DÉBITOS JUDICIAIS ATRAVÉS DE PRECATÓRIO 18
5. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E INCIDÊNCIA DE JUROS 20
6. REQUISIÇÃO DE PEQUENO VALOR 24
7. COMPENSAÇÃO DE PRECATÓRIOS COM DÍVIDAS ATIVAS E AMORTIZAÇÃO DO SEU VALOR
COM DÉBITOS VENCIDOS OU VINCENDOS 27
8. OUTROS TEMAS 30
8.1. PRECATÓRIOS E REFLEXOS TRIBUTÁRIOS 30
8.1.1. COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO CONTRIBUINTE 30
8.1.2. PRECATÓRIOS E PROCESSO EXECUTIVO FISCAL 32
8.1.3. PRECATÓRIOS E CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO 32
8.2. AQUISIÇÃO DE IMÓVEIS PÚBLICOS COM PRECATÓRIOS 32
8.3. CESSÃO DE PRECATÓRIOS 33
8.4. REGIMES ESPECIAIS DE PRECATÓRIOS 34
8.5. INTERVENÇÃO FEDERAL 38
9. JURISPRUDÊNCIA 39
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1. INTRODUÇÃO
O precatório é uma requisição formal de pagamento, no qual o Poder Público é condenado a realizar,
decorrente de condenação judicial definitiva. Dessa forma, o precatório decorre do reconhecimento judicial de
um crédito que uma pessoa jurídica de direito público deverá arcar, assim bem define a Professora Tathiane
Como se sabe, a existência de precatórios pendentes revela despesas para o Estado, na medida em que
representam obrigações do ente de efetivar o pagamento de determinada quantia, nos termos em que
reconhecida judicialmente.
O caput do art. 100, da Constituição Federal, dispõe que “os pagamentos devidos pelas Fazendas
Públicas Federal, Estaduais, Distrital e Municipais, em virtude de sentença judiciária, far-se-ão exclusivamente
na ordem cronológica de apresentação dos precatórios e à conta dos créditos respectivos, proibida a
designação de casos ou de pessoas nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para este
fim.” Ou seja, consiste o precatório no instrumento disposto pelo legislador constituinte para viabilizar pela
Fazenda Pública o pagamento de condenações judiciais nas quais tenha que pagar quantia certa.
“Precatório é o documento pelo qual a autoridade judicial competente (Presidente do Tribunal que proferiu a
decisão exequenda), após ouvir o Ministério Público e obter parecer favorável, determina à autoridade
administrativa competente a saída da verba para o pagamento da dívida objeto da condenação da Fazenda
Pública .”1
A origem do precatório remonta ao século XIX, do instrumento criado pela legislação processual civil
brasileira denominado “precatória vênia”, através do qual requisitava-se “ao Tesouro recursos para o
pagamento nas condenações da Fazenda Pública, diante da impenhorabilidade dos bens públicos. Em sede
constitucional, o sistema de pagamentos por precatórios foi previsto pela primeira vez na Carta de 1934, mas
⚠️ ATENÇÃO
O precatório é instrumento necessário para a quitação apenas de obrigação de pagar quantia certa por
parte do Poder Público; o Supremo Tribunal Federal já decidiu que obrigações de fazer e não fazer não se
1
Filho, Carlos Alberto de Moraes R. Direito financeiro e econômico (Coleção Esquematizado®). Disponível em: Minha Biblioteca, (4th edição). Editora
Saraiva, 2022.
2
Abraham, Marcus. Curso de Direito Financeiro Brasileiro. Disponível em: Minha Biblioteca, (6th edição). Grupo GEN, 2020.
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RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO CONSTITUCIONAL FINANCEIRO.
SISTEMÁTICA DOS PRECATÓRIOS (ART. 100, CF/88). EXECUÇÃO PROVISÓRIA DE DÉBITOS DA FAZENDA PÚBLICA.
Fixação da seguinte tese ao Tema 45 da sistemática da repercussão geral: “A execução provisória de obrigação
de fazer em face da Fazenda Pública não atrai o regime constitucional dos precatórios.” 2. A jurisprudência
provisória de prestação de pagar quantia certa, após o advento da Emenda Constitucional 30/2000.
Pública, cuja interpretação deve ser restrita. Por consequência, a situação rege-se pela regra regal de que
toda decisão não autossuficiente pode ser cumprida de maneira imediata, na pendência de recursos não
recebidos com efeito suspensivo. 4. Não se encontra parâmetro constitucional ou legal que obste a pretensão
militar, antes do trânsito em julgado dos embargos do devedor opostos pela Fazenda Pública. 5. Há
compatibilidade material entre o regime de cumprimento integral de decisão provisória e a sistemática dos
precatórios, haja vista que este apenas se refere às obrigações de pagar quantia certa. 6. Recurso
extraordinário a que se nega provimento. (RE 573872, Relator(a): EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em
24/05/2017, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-204 DIVULG 08-09-2017 PUBLIC
11-09-2017) (Grifou-se)
b) destina-se unicamente a definir critérios objetivos para pagamento dos débitos oriundos de
sentenças judiciais e;
c) é privativo das Fazendas Públicas e respectivas entidades de direito público, bem como se aplica,
por interpretação extensiva do STF, às empresas estatais que não competem com pessoas
jurídicas privadas ou que não têm por objetivo primordial acumular patrimônio e distribuir
lucros.”3
Prosseguindo, o motivo pelo qual as condenações judiciais a pagar quantia certa são adimplidas através
deste instrumento público dá-se pois, conforme já estudado nos Resumos Destacados anteriores desta mesma
série, é necessário que o Estado organize e preveja com antecedência as despesas públicas para o exercício
financeiro que está por vir. Desta forma, não poderia o Poder Público se submeter ao regime de pagamento de
condenações tal qual os particulares, tendo em vista que o gestor público administra o dinheiro de todos e,
caso não seja observado o princípio da legalidade e todos os seus consectários, inúmeras normas
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Abraham, Marcus. Curso de Direito Financeiro Brasileiro. Disponível em: Minha Biblioteca, (6th edição). Grupo GEN, 2020.
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transitadas em julgado - de maneira tempestiva, propicia a inclusão de seu pagamento no exercício financeiro
seguinte (ou pelo menos assim deveria ser). Inclusive, como veremos adiante, o prazo de apresentação do título
público no qual se substancia a dívida mudou no final do ano de 2021, o que poderá ser muito explorado nas
Art. 100. (...) § 6º As dotações orçamentárias e os créditos abertos serão consignados diretamente ao Poder
Judiciário, cabendo ao Presidente do Tribunal que proferir a decisão exequenda determinar o pagamento
integral e autorizar, a requerimento do credor e exclusivamente para os casos de preterimento de seu direito
de precedência ou de não alocação orçamentária do valor necessário à satisfação do seu débito, o sequestro
da quantia respectiva.
Observe que, uma vez apresentado o precatório, o Presidente do respectivo Tribunal de Justiça (ao qual
está vinculado o juiz prolator da decisão condenatória) proferirá a ordem de pagamento da dívida e, caso essa
não seja quitada, o sequestro nas contas públicas da quantia necessária à satisfação da dívida. Em ambos os
Tribunais Superiores já foi objeto de discussão a natureza jurídica desta decisão do Presidente do TJ,
Tendo em vista a pacificação do assunto, o Superior Tribunal de Justiça, editou súmula sobre o tema, na
Súmula 311, STJ: Os atos do presidente do tribunal que disponham sobre processamento e pagamento de
🚨 JÁ CAIU
No concurso para Procurador do Município de Porto Alegre - RS (Ano: 2022; FUNDATEC) foi
considerada incorreta a seguinte assertiva: Os atos do presidente do tribunal que disponham sobre
Por sua vez, o Supremo Tribunal Federal proferiu julgado em sede de controle concentrado de
sistema de execução revelado pelos precatórios longe fica de implicar a perpetuação da relação jurídica
ao Tribunal, mediante dispositivos do Regimento, disciplinar a tramitação dos precatórios, a fim de que
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possam ser cumpridos. PRECATÓRIO - TRAMITAÇÃO - CUMPRIMENTO - ATO DO PRESIDENTE DO TRIBUNAL
- NATUREZA. A ordem judicial de pagamento (§ 2º do artigo 100 da Constituição Federal), bem como os
demais atos necessários a tal finalidade, concernem ao campo administrativo e não jurisdicional. A
respaldá-la tem-se sempre uma sentença exeqüenda. PRECATÓRIO - VALOR REAL - DISTINÇÃO DE
TRATAMENTO. A Carta da República homenageia a igualação dos credores. Com ela colide norma no sentido
da satisfação total do débito apenas quando situado em certa faixa quantitativa. PRECATÓRIO - ATUALIZAÇÃO
inexatidão nos cálculos, compete ao Presidente do Tribunal determinar as correções, fazendo-o a partir dos
SUBSTITUIÇÃO DE ÍNDICE. Ocorrendo a extinção do índice inicialmente previsto, o Tribunal deve observar
aquele que, sob o ângulo legal, vier a substituí-lo. PRECATÓRIO - SATISFAÇÃO - CONSIGNAÇÃO - DEPÓSITO.
Não se há de confundir a consignação de créditos, a ser feita ao Poder Judiciário, com o depósito do valor do
precatório, de responsabilidade da pessoa jurídica devedora à qual são recolhidas, materialmente, "as
importâncias respectivas" (§ 2º do artigo 100 da Constituição Federal). (ADI 1098, Relator(a): MARCO AURÉLIO,
Tribunal Pleno, julgado em 11/09/1996, DJ 25-10-1996 PP-41026 EMENT VOL-01847-01 PP-00019 RTJ
Após o julgamento da ADI acima menciona, o STF enfrentou diversos recursos e consolidou
Súmula nº 733, STF. Não cabe recurso extraordinário contra decisão proferida no processamento de
📌 OBSERVAÇÃO
Em face da natureza não processual da expedição de precatórios, é admitida a impetração de mandado
de segurança.
a exigibilidade de obrigação de pagar quantia certa pela Fazenda Pública é delimitado pelos arts. 910 e 535 do
CPC:
Art. 910. Na execução fundada em título extrajudicial, a Fazenda Pública será citada para opor embargos em
30 (trinta) dias.
§ 1º Não opostos embargos ou transitada em julgado a decisão que os rejeitar, expedir-se-á precatório ou
requisição de pequeno valor em favor do exequente, observando-se o disposto no art. 100 da Constituição
Federal .
§ 2º Nos embargos, a Fazenda Pública poderá alegar qualquer matéria que lhe seria lícito deduzir como defesa
no processo de conhecimento.
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§ 3º Aplica-se a este Capítulo, no que couber, o disposto nos artigos 534 e 535 .
Feitas as considerações acerca do conceito, características, importância, bem como natureza jurídica
das decisões que permeiam a tramitação dos precatórios no Tribunal de Justiça, passaremos nos próximos
tópicos a aprofundar um pouco mais o tema, tendo em vista que seu regime de processamento é
constantemente alterado pelo legislador constitucional, uma vez que também reflete a situação
2. PROCEDIMENTO
Após vencido em demanda judicial, o Poder público deverá pagar sua dívida através do regime de
precatórios. Dessa forma, o juiz da execução faz uma solicitação ao Presidente do respectivo Tribunal, para que
este requisite a verba necessária ao pagamento do credor da Fazenda Pública (precatório requisitório). Em
seguida, o presidente do Tribunal comunicará a respectiva Fazenda Pública, via ofício requisitório, a fim de que
a verba seja consignada no orçamento, como despesa pública a ser paga no próximo exercício financeiro. Neste
§ 5º É obrigatória a inclusão no orçamento das entidades de direito público de verba necessária ao pagamento
apresentados até 2 de abril, fazendo-se o pagamento até o final do exercício seguinte, quando terão seus
valores atualizados monetariamente. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 114, de 2021)
(Vigência)
Dessa forma, após o valor ser incluído na dotação de precatórios, os valores serão liberados pelo
expedição de precatório complementar (ou suplementar) com os valores que não foram pagos em decorrência
Tema 1360 - 1. É vedada a expedição de precatórios complementares ou suplementares de valor pago, salvo
nas hipóteses de erro material, inexatidão aritmética ou substituição de índices aplicáveis por força de
suplementação de precatório pressupõe o reexame de matéria fático-probatória. (ARE 1491413 RG, Relator(a):
MINISTRO PRESIDENTE, Tribunal Pleno, julgado em 26-11-2024, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL
art. 100, dispõe o §20 (incluído pela EC n. 94/2016) que 15% do valor deste precatório serão pagos até o final do
exercício seguinte e o restante em parcelas iguais nos cinco exercícios subsequentes, acrescidas de juros de
mora e correção monetária, ou mediante acordos diretos, perante Juízos Auxiliares de Conciliação de
Precatórios, com redução máxima de 40% do valor do crédito atualizado, desde que em relação ao crédito não
penda recurso ou defesa judicial e que sejam observados os requisitos definidos na regulamentação editada
Conforme consta no caput do art. 100, da Constituição Federal, os créditos judiciais para com a Fazenda
Pública serão pagos de forma cronológica, de acordo com sua apresentação. Assim, em um exemplo bem
simples, se “A” tem quantia referente à indenização para receber e apresentou seu precatório em 2020,
receberá antes de “B” que, tendo o mesmo crédito a receber, apresentou seu precatório somente em 2022.
No entanto, é preciso ficar atento também à regra dos §§1º e 2º do mesmo dispositivo, que têm a
seguinte redação:
Art. 100. (...) § 1º Os débitos de natureza alimentícia compreendem aqueles decorrentes de salários,
por morte ou por invalidez, fundadas em responsabilidade civil, em virtude de sentença judicial transitada
em julgado, e serão pagos com preferência sobre todos os demais débitos, exceto sobre aqueles referidos
no § 2º deste artigo.
§ 2º Os débitos de natureza alimentícia cujos titulares, originários ou por sucessão hereditária, tenham
60 anos de idade, ou sejam portadores de doença grave, ou pessoas com deficiência, assim definidos na
forma da lei, serão pagos com preferência sobre todos os demais débitos, até o valor equivalente ao
triplo fixado em lei para os fins do disposto no § 3º deste artigo (RPV), ADMITIDO O FRACIONAMENTO
PARA ESSA FINALIDADE, sendo que o restante será pago na ordem cronológica de apresentação do
precatório
Desta forma, ao lermos o texto constitucional, é possível observar a existência de “três filas” diferentes
(Art. 100, §1º) Exemplos: indenização decorrente de condenação por responsabilidade civil
do Estado.
Verbas alimentares de indivíduos com: (i) 60 anos de idade (ou mais); (ii)
do Estado.
O art. 100, § 1º, da Constituição Federal traz um rol exemplificativo, de sorte que a definição da natureza
alimentar das verbas nele elencadas encontra-se vinculada à destinação precípua de subsistência do credor e
de sua família.
STJ. 1ª Turma. RMS 72.481-BA, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 5/12/2023 (Info 798).4
🚨JÁ CAIU
No concurso para Procurador do Município de NIterói (Ano: 2023; FGV) foi considerada correta a seguinte
assertiva: Josué, com 61 anos de idade e com deficiência, ganhou uma ação judicial, com trânsito em julgado,
em que a União Federal foi condenada a indenizá-lo por danos materiais ao imóvel onde reside decorrentes
de obra pública federal, totalizando um valor de condenação de R$ 120.000,00. Pretende receber o valor
integralmente. O pagamento pela União Federal será feito por meio de precatório sem nenhuma prioridade.
[Observa-se que a indenização foi referente a danos materiais, os quais não possuem nenhuma preferência!]
No concurso para Procurador do Estado de Santa Catarina (Ano: 2022; FGV) foi considerada correta a
seguinte assertiva: Em um grave acidente de trânsito causado por viatura da Polícia Civil do Estado Alfa que
vitimou João, este ficou tetraplégico e teve de ser aposentado por invalidez. Após o devido processo judicial, o
Estado Alfa foi condenado a pagar a João o valor de R$ 170.000,00 a título de indenização por invalidez
fundada em responsabilidade civil do Estado. Diante desse cenário, e ciente de que lei do Estado Alfa
estabeleceu as obrigações de pequeno valor, a serem pagas pelo regime de requisição de pequeno valor
4
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. O art. 100, § 1º, da CF traz um rol exemplificativo, de sorte que a definição da natureza alimentar das verbas nele
elencadas encontra-se vinculada à destinação precípua de subsistência do credor e de sua família. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 21/02/2024
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(RPV), em R$ 40.000,00, é correto afirmar que João deverá receber R$ 120.000,00 com preferência sobre
todos os demais débitos de precatórios, e R$ 50.000,00 como débito de natureza alimentícia sem a
Ainda, os créditos “super preferenciais", que são pagos antes de qualquer outro, tem uma outra
regrinha a ser observada: permite-se o fracionamento para que sejam pagos de modo preferencial os valores
correspondentes a três vezes mais do que a quantia que corresponde ao considerado “crédito de pequeno
Vamos abordar no que consiste a requisição de pequeno valor com mais vagar em um tópico adiante,
mas, para fins de elucidação do que estamos estudando, imaginemos a seguinte situação: o Estado X estipulou
através de lei orçamentária que pagará através de RPV (requisição de pequeno valor, que é pago de forma mais
célere pela Fazenda Pública tendo em vista que seu valor é menos elevado) as condenações que correspondam
até o valor de R$ 20.000,00. “A”, sujeito de 75 anos de idade, tem um crédito a receber do Poder Público no
valor de R$ 120.000,00, referente à indenização de condenação do Estado por responsabilidade civil. Nestes
termos, a Constituição Federal permite que o valor de R$ 120.000,00 seja fracionado e que “A” receba de forma
imediata R$ 60.000,00 (o triplo do que corresponde à RPV do Estado). A quantia que sobrou, R$ 60.000,00,
Apesar da regra do §2º do art. 100 ser clara, aduzindo com todas as letras a possibilidade de
fracionamento, esta regra - cuja redação foi dada pela EC nº 94, de 2016 - confronta diretamente com o §8º do
mesmo dispositivo constitucional, também incluído pelo legislador constituinte derivado reformador. Eis sua
redação:
Art. 100. (...) § 8º É vedada a expedição de precatórios complementares ou suplementares de valor pago,
bem como o fracionamento, repartição ou quebra do valor da execução para fins de enquadramento de
🚨 JÁ CAIU
Na prova para Consultor Legislativo do Senado Federal (FGV- 2022), foi dito: “Uma determinada autarquia
federal foi condenada, por sentença transitada em julgado em 20/04/2022, ao pagamento de indenização por
invalidez a servidor público, de 58 anos, pertencente a seu quadro de funcionários efetivos, no montante de
65 salários mínimos, valor este já incluso com correção monetária e juros.” Sendo considerada correta a
alternativa que completou: “o servidor poderá ceder integralmente seus créditos em precatórios a terceiros,
para os créditos de natureza alimentícia cujos titulares tenham, ao menos, 60 anos de idade”.
formalmente promovidas na Constituição Federal - “EC nº 94/2016 versus EC nº 62/2009” (esta última mais
antiga, sendo portanto o paradigma), o Supremo Tribunal Federal acabou por reconhecer a repercussão geral
REQUISIÇÃO DE PEQUENO VALOR (RPV) ATÉ O LIMITE CONSTITUCIONAL. ARTIGO 100, § 2º, DA CONSTITUIÇÃO
CONSTITUCIONAL DOTADA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 1326178 RG, Relator(a): MINISTRO PRESIDENTE,
Tribunal Pleno, julgado em 06/08/2021, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-175 DIVULG 01-09-2021 PUBLIC
O tema da Repercussão Geral nº 1156 foi assim determinado: “Pagamento da parcela de natureza
superpreferencial, prevista no artigo 100, § 2º, da Constituição Federal, por meio de Requisição de Pequeno
Valor (RPV).” Temos que aguardar a decisão da Corte Superior, mas em outras oportunidades, já decidiu o
Plenário do STF pela impossibilidade do fracionamento, pois configura verdadeira burla ao sistema
Recurso Extraordinário. 2. Alegação de ofensa ao art. 87 do ADCT e ao § 4º do art. 100 da Constituição Federal.
pagamento das custas processuais por meio de requisição de pequeno valor (RPV). Impossibilidade. 4. Recurso
o objetivo de efetuar o pagamento das custas processuais por meio de requisição de pequeno valor
(RPV). Obs: Redação da tese aprovada nos termos do item 2 da Ata da 12ª Sessão Administrativa do STF,
realizada em 09/12/2015. (RE 592619, Relator(a): GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 08/09/2010,
REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-218 DIVULG 12-11-2010 PUBLIC 16-11-2010 EMENT VOL-02431-01
PP-00179 RTJ VOL-00219-01 PP-00603 RSJADV dez., 2010, p. 41-43 RJTJRS v. 46, n. 280, 2011, p. 29-34)
(Grifou-se)
fracionamento dos honorários advocatícios. Incidência das Súmulas 282 e 356. 2. A execução ou o
pagamento singularizado dos valores devidos a partes integrantes de litisconsórcio facultativo simples
pagamento, por requisição de pequeno valor ou precatório, dependerá dos valores isoladamente
considerados. 3. Recurso extraordinário ao qual se nega provimento. (RE 568645, Relator(a): CÁRMEN
LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 24/09/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-223
ORDEM CRONOLÓGICA. 1. Fixação de tese jurídica ao Tema 521 da sistemática da repercussão geral: “É
legítima a expedição de ordem de sequestro de verbas públicas, por conta da ordem cronológica de
pagamento de precatórios, na hipótese de crédito de natureza alimentar mais antigo ser preterido em favor
de parcela de precatório de natureza não alimentar mais moderno, mesmo quando este integrar o regime do
art. 78 do ADCT.” 2. O artigo 100 da Constituição da República traduz-se em um dos mais expressivos
postulados realizadores do princípio da igualdade, pois busca conferir, na concreção do seu alcance,
efetividade à exigência constitucional de tratamento isonômico dos credores do Estado. Precedente: ADI-MC
584, de relatoria do Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, DJ 22.05.1992. 3. O Supremo Tribunal Federal
possui entendimento iterativo no sentido de que a ordem cronológica é o critério constitucional para a
satisfação dos débitos do Poder Público reconhecidos em juízo. 4. Concebe-se o relacionamento entre o
regime de pagamento especial de débitos judiciais da Fazenda Pública, de acordo com a natureza do crédito,
alimentar ou não, com prevalência absoluta do primeiro em relação ao último. Precedente: ADI 47, de relatoria
do Ministro Octávio Gallotti, DJe 13.06.1997. Súmula 655 do STF. 5. O único caso de autorização do sequestro
de verbas públicas, previsto no art. 100 da Constituição da República e aplicável aos precatórios de caráter
alimentar, consiste na hipótese de burla ao direito de precedência do credor. Precedente: ADI 1.662, de
relatoria do Ministro Maurício Corrêa, DJ 19.09.2003. 6. O pagamento parcelado de débitos antigos, nos termos
do art. 78 do ADCT, não infirma a prevalência dos créditos de natureza alimentar sobre os demais, desde que
respeitada a ordem cronológica. A regra permanece hígida, mesmo diante da excepcionalidade conjectural
pressuposta pelo dispositivo precitado. Precedente: RE 132.031, de relatoria do Ministro Celso de Mello,
Primeira Turma, DJ 19.04.1996. 7. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Tese: O pagamento
parcelado dos créditos não alimentares, na forma do art. 78 do ADCT, não caracteriza preterição
indevida de precatórios alimentares, desde que os primeiros tenham sido inscritos em exercício
anterior ao da apresentação dos segundos, uma vez que, ressalvados os créditos de que trata o art. 100,
§ 2º, da Constituição, o pagamento dos precatórios deve observar as seguintes diretrizes: (1) a divisão e
a organização das classes ocorrem segundo o ano de inscrição; (2) inicia-se o pagamento pelo exercício
mais antigo em que há débitos pendentes; (3) quitam-se primeiramente os créditos alimentares;
depois, os não alimentares do mesmo ano; (4) passa-se, então, ao ano seguinte da ordem cronológica,
repetindo-se o esquema de pagamento; e assim sucessivamente. (RE 612707, Relator(a): EDSON FACHIN,
Tribunal Pleno, julgado em 15/05/2020, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-222
pequeno valor, observada ordem especial restrita aos créditos dessa natureza. (RE 564132, Relator(a):
EROS GRAU, Relator(a) p/ Acórdão: CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 30/10/2014, REPERCUSSÃO
GERAL - MÉRITO DJe-027 DIVULG 09-02-2015 PUBLIC 10-02-2015 EMENT VOL-02765-01 PP-00001) (Grifou-se)
execução para que uma parte seja paga antes do trânsito em julgado, por meio de Complemento Positivo, e
outra depois do trânsito, mediante Precatório ou RPV. Impossibilidade. 3. Repercussão geral da questão
fracionamento da execução pecuniária contra a Fazenda Pública para que uma parte seja paga antes
do trânsito em julgado, por meio de Complemento Positivo, e outra depois do trânsito, mediante
Precatório ou Requisição de Pequeno Valor. (ARE 723307 Manif-RG, Relator(a): GILMAR MENDES, Tribunal
Pleno, julgado em 08/08/2014, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-206 DIVULG
🚨JÁ CAIU
No concurso para Procurador do Estado do Pará (Ano: 2022; CEBRASPE) foi considerada correta a seguinte
Constitucional n.º 62/2009, porém declarou inconstitucional a expressão “na data da expedição do
precatório”, contida na redação do § 2.º do art. 100 dessa emenda, dispositivo vigente à época do julgamento,
como critério temporal para aplicação da sistemática aos idosos, por considerá-la atentatória à isonomia.
Quanto à ordem cronológica para pagamento, também é importante ressaltar que o § 5º do art. 100,
que nos até quando o precatório deve ser apresentado para que entre no orçamento do exercício financeiro
seguinte, foi recentemente modificado. Atualmente, diz a regra que a habilitação deve ocorrer até o dia 02 de
abril:
Art. 100 § 5º É obrigatória a inclusão no orçamento das entidades de direito público de verba necessária ao
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pagamento de seus débitos oriundos de sentenças transitadas em julgado constantes de precatórios
judiciários apresentados até 2 de abril, fazendo-se o pagamento até o final do exercício seguinte, quando
Veja-se que a redação do dispositivo foi alterada ainda no ano de 2021, pela Emenda Constitucional nº
114. Antes disso, o prazo para apresentação era até 1º de julho. Note que o prazo de habilitação que possibilita
o pagamento do crédito já no exercício seguinte ficou mais curto, já que antes era possível que o credor
apresentasse o precatório até julho (meio do ano) e agora isso é possível somente até o início do quarto mês do
ano civil. Ademais, a redação do parágrafo quinto que autorizada a apresentação até 1º de julho havia vinha
desde a Emenda Constitucional nº 62/2009 (denominada jocosamente de “Emenda do Calote”), perdurando por
🚨 JÁ CAIU
Na prova para Procurador do Município de Porto Alegre/RS (FUNDATEC - 2022), foi considerada correta a
afirmativa que trouxe: “As solicitações de pagamento devem ser realizadas até o dia 2 de abril de cada ano e
os precatórios recebidos até esta data deverão ser pagos até o final do próximo exercício.”
Por fim, é pertinente a este tópico tratarmos do art. 78 do ADCT, que diz:
Art. 78. Ressalvados os créditos definidos em lei como de pequeno valor, os de natureza alimentícia, os de que
trata o art. 33 deste Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e suas complementações e os que já
tiverem os seus respectivos recursos liberados ou depositados em juízo, os precatórios pendentes na data de
promulgação desta Emenda e os que decorram de ações iniciais ajuizadas até 31 de dezembro de 1999 serão
liquidados pelo seu valor real, em moeda corrente, acrescido de juros legais, em prestações anuais, iguais e
§ 3º O prazo referido no caput deste artigo fica reduzido para dois anos, nos casos de precatórios judiciais
originários de desapropriação de imóvel residencial do credor, desde que comprovadamente único à época da
imissão na posse.
Conforme assevera a doutrina, “a Emenda Constitucional 30, de 2000, incluiu no ADCT o artigo 78, que
criou mais uma moratória em relação ao pagamento de precatórios. Dessa vez, os precatórios pendentes na
data de promulgação da EC, dia 13 de setembro de 2000, e aqueles que decorressem de ações judiciais
ajuizadas até 31 de dezembro de 1999, seriam pagos no prazo máximo de dez anos, em prestações anuais,
iguais e sucessivas, permitida a cessão de créditos. Ainda nos termos do caput do artigo 78 do ADCT, ficaram
excluídos desse regime os créditos de pequeno valor, os de natureza alimentícia, os disciplinados no artigo 33
do ADCT e respectivas complementações relativas à atualização monetária e, por fim, aqueles cujos recursos já
tenham sido liberados ou depositados em juízo. De resto, todos os precatórios pendentes em 13 de setembro
de 2000, e também aqueles que serão emitidos por conta de ações ajuizadas até 31 de dezembro de 1999,
Como podemos perceber, as regras determinadas pelo art. 78, do ADCT, são bastante controversas
(mesmo que algumas sejam até mesmo benéficas aos credor, como a possibilidade de cessão de crédito). O
Supremo Tribunal Federal foi instado a se pronunciar em, pelo menos, duas polêmicas:
■ ADIs 2362 e 2356, onde decidiu pela inconstitucionalidade do pagamento parcelado do precatório e
precatório. Esse tema veremos com mais vagar em outro ponto, dado que há até mesmo súmula
🚨 JÁ CAIU
Na prova para Juiz Federal da 2ª Região (Banca Própria - 2017), foi considerada correta a alternativa que
trouxe: “Os credores de débitos de natureza alimentícia, com 60 (sessenta) anos de idade ou mais, ou que
sejam portadores de doença grave ou deficiência, assim definidos na forma da lei, gozam do benefício de
receber o valor do precatório com preferência sobre os demais, obedecido o limite de montante equivalente
5
Piscitelli, Tathiane. Direito Financeiro. Disponível em: Minha Biblioteca, (7th edição). Grupo GEN, 2021.
16
Na prova para Procurador do Município de Recife/PE (CESPE - 2022), foi perguntado: “Precatório judicial
expedido em face de município e que tenha sido apresentado em 5/6/2022 deverá ser pago até”, tendo sido
não cumprimento de obrigação fixada no montante de dívida pública consolidado, o que representa a
possibilidade de intervenção federal naquele ente, nos termos do art. 34, V da CF:
Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para:
a) suspender o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos consecutivos, salvo motivo de força maior;
b) deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias fixadas nesta Constituição, dentro dos prazos
estabelecidos em lei;
O STF já se manifestou sobre o assunto, tendo em vista que este fato já ocorreu repetidas vezes nos
mais diversos estados, principalmente no Estado de São Paulo, na oportunidade o Supremo Tribunal entendeu
que a intervenção federal não seria possível nos casos levados a sua análise, isto porque não havia uma
indisponibilidade de recursos.
na insuficiência de recursos para satisfazer os créditos contra a fazenda estadual no prazo previsto no § 1º do
artigo 100 da Constituição da República, não legitima a medida drástica de subtrair temporariamente a
autonomia estatal, mormente quando o ente público, apesar da exaustão do erário, vem sendo zeloso, na
medida do possível, com suas obrigações derivadas de provimentos judiciais. Precedentes. Agravo regimental
a que se nega provimento. (IF 3124 AgR, Relator(a): Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, julgamento em
22/03/2004, DJ 28/05/2004).
Ao que tange a invenção dos Estados em Municípios há previsão no art. 35, I e IV da CF, vejamos:
Art. 35. O Estado não intervirá em seus Municípios, nem a União nos Municípios localizados em Território
IV - o Tribunal de Justiça der provimento a representação para assegurar a observância de princípios indicados
A professora Piscitelli sustenta: “Nesses casos, os pedidos de intervenção estadual serão submetidos ao
Tribunal de Justiça, que tem determinado a aplicação da medida tão logo sejam atendidos os requisitos exigidos
NÃO PAGAMENTO DE PRECATÓRIO. A pretensão da requerente encontra amparo legal no disposto no inciso
IV, do artigo 15, da Constituição Estadual. A mera alegação de inscrição do precatório no orçamento, bem
como de dificuldade financeira não afastam o descumprimento da ordem judicial, nem mesmo o caráter de
REPRESENTAÇÃO ACOLHIDA. UNÂNIME. (TJ-RS – Intervenção em Município: 70031561525 RS, Relator(a): Luiz
Felipe Silveira Difini, Tribunal Pleno, julgamento em 14/09/2009, DJ/RS 13/10/2009; destaques não contidos no
original).
originado de condenação em reclamação trabalhista, deixou de ser pago como determina o art. 100, § 1º da
Constituição Federal e o art. 57, § 1º, da Constituição Estadual. Mas, dificuldades financeiras não têm a virtude
de absterger o inadimplemento ou justificar o não cumprimento de ordem judicial. Além disso, irrelevante o
advento da Emenda Constitucional nº 62/2009, porque inaplicável a emenda a casos pretéritos, incidindo o
princípio constitucional do tempus regit actum. Destarte, necessária a intervenção estadual no Município de
Osasco, para que se garanta a obediência a decisão judicial transitada em julgado, conforme dispõe o art. 35,
IV, da Constituição Federal, restabelecendo-se o equilíbrio e a harmonia entre os Poderes”. (TJ-SP – Intervenção
em Município: 994092229960 SP, Relator(a): Artur Marques, Órgão Especial, julgamento em 17/11/2010,
INCISO IV, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, E AO ARTIGO 20, INCISO IV, DA CONSTITUIÇÃO ESTADUAL –
descumpridor, consoante preceitua o artigo 35, inciso IV, da Constituição Federal, e o artigo 20, inciso IV, da
Constituição Estadual. (TJ-PR – Pedido de Intervenção Estadual: 5271263 PR 0527126-3, Relator(a): José Marcos
Art. 101. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios que, em 25 de março de 2015, se encontravam em
mora no pagamento de seus precatórios quitarão, até 31 de dezembro de 2029, seus débitos vencidos e os
que vencerão dentro desse período, atualizados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial
(IPCA-E), ou por outro índice que venha a substituí-lo, depositando mensalmente em conta especial do
Tribunal de Justiça local, sob única e exclusiva administração deste, 1/12 (um doze avos) do valor calculado
percentualmente sobre suas receitas correntes líquidas apuradas no segundo mês anterior ao mês de
pagamento, em percentual suficiente para a quitação de seus débitos e, ainda que variável, nunca inferior, em
cada exercício, ao percentual praticado na data da entrada em vigor do regime especial a que se refere este
artigo, em conformidade com plano de pagamento a ser anualmente apresentado ao Tribunal de Justiça local.
🚨 JÁ CAIU
Na prova para Procurador do Estado do Amapá (FCC - 2018), foi perguntado: “Acerca da disciplina dos
precatórios, o STF julgou inconstitucional a Emenda nº 62/2009, mais tarde editando modulação de efeitos.
Sobrevieram duas Emendas Constitucionais, de números 94/2016 e 99/2017, dispondo que”, tendo sido
considerada correta a alternativa que completou: “na vigência do atual regime especial, os Estados, cujos
estoques de precatórios ainda pendentes de pagamento excedam 70% de sua Receita Corrente Líquida (RCL),
De acordo com a Constituição Federal, tanto a Administração Pública Direta quanto algumas pessoas
jurídicas integrantes da Administração Pública Indireta - tais como autarquias e fundações públicas, pagam suas
dívidas decorrentes de sentenças judiciais transitadas em julgado através do regime de precatórios. Isso se dá
como forma de proteção da própria coisa pública, tendo em vista que as despesas públicas devem ser
planejadas. Afinal, o gestor público lida com o dinheiro arrecadado de todos os contribuintes.
Prosseguindo, “os bens das empresas públicas prestadoras de serviço público são impenhoráveis,
porque elas integram o conceito de Fazenda Pública, devendo ser observado, quanto àquelas entidades, o
sistema de pagamento por precatório de dívidas decorrentes de decisões judiciais. Por outro lado, não podem
se beneficiar do regime de precatório as estatais que executam atividades em regime de concorrência ou que
Neste sentido, vamos conferir julgado do Supremo Tribunal Federal em controle abstrato de
6
Filho, Carlos Alberto de Moraes R. Direito financeiro e econômico (Coleção Esquematizado®). Disponível em: Minha Biblioteca, (4th edição). Editora
Saraiva, 2022.
19
constitucionalidade:
É inconstitucional o bloqueio ou sequestro de verba pública, por decisões judiciais, de empresa estatal
prestadora de serviço público em regime não concorrencial e sem intuito lucrativo primário - Os
recursos públicos vinculados ao orçamento de estatais prestadoras de serviço público essencial, em regime
não concorrencial e sem intuito lucrativo primário, não podem ser bloqueados ou sequestrados por decisão
judicial para pagamento de suas dívidas, em virtude do disposto no art. 100 da CF/1988, e dos princípios da
legalidade orçamentária (art. 167, VI, da CF), da separação dos poderes (arts. 2°, 60, § 4°, III, da CF) e da
eficiência da administração pública (art. 37, caput, da CF). STF. Plenário. ADPF 616/BA, Rel. Min. Roberto
📌 OBSERVAÇÃO
■ O Supremo Tribunal Federal já decidiu pela aplicação do regime dos precatórios à Empresa
Brasileira de Correios e Telégrafos – ECT, por considerá-la sociedade prestadora de serviços públicos e, assim,
1. A EMATER- RIO é empresa pública prestadora de serviço público essencial de natureza não
concorrencial, cuja finalidade é a prestação de serviço de assistência técnica e extensão rural gratuitas, a
benefício dos pequenos e médios produtores, aos trabalhadores rurais, suas famílias e suas organizações o
que atrai a submissão à sistemática de execução aplicável à Fazenda Pública. 2. Essa linha de raciocínio
conduz, inevitavelmente, à conclusão de que, na presente hipótese, houve violação ao decidido nas ADPF 437
(Rel. Min. Rosa Weber) e ADPF 387 (Rel. Min. Gilmar Mendes), porque prevalece o entendimento de que é
serviço público próprio do Estado e de natureza não concorrencial. 3. Na mesma linha de entendimento,
destaque-se os seguintes precedentes de ambas as Turmas desta CORTE: Rcl 41.420 AgR, Rel. Min. Marco
Aurélio, Red. p/Acórdão: Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 15/9/2020; e Rcl 40.402 AgR-ED, Rel. Min. Gilmar
⚠️ ATENÇÃO
Muito embora os Conselhos de fiscalização profissional sejam classificados como Autarquias, o STF já
reconheceu que tais entes não fazem jus à prerrogativa do pagamento através de precatórios. Confira-se
a ementa do julgado, cujo tema foi objeto de Repercussão Geral na Suprema Corte:
7
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. É inconstitucional o bloqueio ou sequestro de verba pública, por decisões judiciais, de empresa estatal prestadora
de serviço público em regime não concorrencial e sem intuito lucrativo primário. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link]
20
débito de Conselho de Fiscalização não se submete ao sistema de precatório. (RE 938837, Relator(a):
EDSON FACHIN, Relator(a) p/ Acórdão: MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 19/04/2017, PROCESSO
ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-216 DIVULG 22-09-2017 PUBLIC 25-09-2017) (Grifou-se)
■ Empresas Públicas prestadoras de serviço público (que não atuam em regime de concorrência e
🚨 JÁ CAIU
Na prova para o cargo de Procurador do Município de Macaé - RJ (Ano: 2024, Banca: FGV), foi considerado
correto afirmar que o regime de pagamento através de precatórios “é aplicável o regime dos precatórios às
sociedades de economia mista prestadoras de serviço público próprio do Estado, de natureza não
concorrencial, e sem finalidade de lucro.” Por outro lado, no mesmo certame foi considerada incorreta a
seguinte afirmativa: “é aplicável o regime dos precatórios às empresas públicas prestadoras de serviço
público próprio do Estado, ainda que atuem sob regime concorrencial.” e também “é aplicável o regime dos
precatórios às sociedades de economia mista, ainda que suas ações sejam negociadas na Bolsa de Valores,
No concurso para Procurador do Estado de Sergipe (Ano: 2023; CEBRASPE) foi considerada correta a
movida por particular contra empresa estatal, o Supremo Tribunal Federal (STF) entende que para se
exclusivamente serviço público essencial, em regime não concorrencial, e não ter finalidade primária de
distribuir lucros.
Conforme versa o art. 100, §5º, É obrigatória a inclusão no orçamento das entidades de direito público
de verba necessária ao pagamento de seus débitos oriundos de sentenças transitadas em julgado constantes
de precatórios judiciários apresentados até 2 de abril (que até a promulgação da EC n. 114/2021, era 1º de
julho), fazendo-se o pagamento até o final do exercício seguinte, quando terão seus valores atualizados
monetariamente.
21
Entretanto, “o debate sobre a incidência de juros de mora e critérios de atualização monetária por
ocasião do pagamento de precatórios tem sido motivado pelos constantes atrasos e regimes de prorrogação de
Na redação original do artigo 100, da Constituição Federal, não havia previsão de incidência de juros,
apenas correção monetária. Isso porque, via de regra, os pagamentos se dariam de forma tempestiva, no
exercício financeiro seguinte ao que o precatório foi apresentado. O Supremo Tribunal Federal firmou
Efetivamente, o próprio texto constitucional determinava o prazo para pagamento do precatório, qual seja, até
o final do exercício seguinte. Assim, somente no caso de seu descumprimento poder-se-ia falar em mora e, em
consequência, nos juros a ela relativos, como penalidade pelo atraso no pagamento. Assim, o entendimento
que se firmou no julgamento do RE 305.186/SP, Primeira Turma, sessão de 17-9-2002, rel. min. Ilmar Galvão,
foi o de que “não são devidos juros moratórios no período compreendido entre a data de expedição e a data
caracterização, na espécie, de inadimplemento por parte do poder público” (RE 298.616, voto do Rel. Min.
Súmula Vinculante nº 17: Durante o período previsto no parágrafo 1º do artigo 100 da Constituição, não
Repercussão Geral, que incidem juros de mora no período compreendido entre a realização dos cálculos de
JUROS DA MORA – FAZENDA PÚBLICA – DÍVIDA – REQUISIÇÃO OU PRECATÓRIO. Incidem juros da mora entre
a data da realização dos cálculos e a da requisição ou do precatório. (RE 579431, Relator(a): MARCO
AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 19/04/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO
TERMO FINAL DA INCIDÊNCIA DOS JUROS MORATÓRIOS CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. ENTENDIMENTO
8
Piscitelli, Tathiane. Direito Financeiro. Disponível em: Minha Biblioteca, (7th edição). Grupo GEN, 2021.
22
FIXADO PELO STF, EM REPERCUSSÃO GERAL, TEMA 96/STF, QUE SOLUCIONA, DE FORMA SUFICIENTE, A
FIXADA PELO STF EM REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 96/STF. QUESTÃO DE ORDEM ACOLHIDA, PARA DAR NOVA
REDAÇÃO AO TEMA 291. PARECER FAVORÁVEL DO MPF. 1. Esta Corte Especial, por ocasião do julgamento do
REsp 1.143.677/RS (DJe 4.2.2010), sob a Relatoria do ilustre Ministro LUIZ FUX, fixou a tese (Tema Repetitivo
291/STJ) no sentido de que não incidem juros moratórios entre a elaboração dos cálculos e o efetivo
Tribunal Federal, em 19.4.2017, julgou o Recurso Extraordinário 579.431/RS, sob a relatoria do ilustre Ministro
MARCO AURÉLIO (DJe 30.6.2017), com Repercussão Geral reconhecida, quando fixou a tese de que incidem os
juros da mora no período compreendido entre a data da realização dos cálculos e a da requisição ou do
precatório (Tema 96/STF da Repercussão Geral). As duas orientações são claramente oposta, como se vê sem
esforço. A partícula não no início do Tema Repetitivo 291/STJ não deixa margem à dúvida.
art. 927, §4º. do Código Fux, é patente e evidente a necessidade de revisão do entendimento consolidado no
enunciado de Tema Repetitivo 291/STJ, a fim de adequá-lo à nova orientação fixada pelo egrégio Supremo
3. Nova redação que se dá ao enunciado de Tema Repetitivo 291/STJ: incidem os juros da mora no período
4. Questão de ordem acolhida a fim de dar nova redação ao Tema 291/STJ, em conformidade com Parecer
favorável do MPF e em estrita observância da redação conferida ao tema pelo STF. (QO no REsp n.
1.665.599/RS, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Corte Especial, julgado em 20/3/2019, DJe de
2/4/2019.) (Grifou-se)
Assim, não restam dúvidas da incidência de juros moratórios no período compreendido entre a
elaboração dos cálculos e a requisição do precatório ou da RPV. Ademais, a EC nº 62/2009 alterou a redação do
§5º, do art. 100, para estipular que a atualização monetária deverá incidir até o pagamento do precatório.
Apesar da redação do dispositivo ter sofrido nova alteração com a EC nº 114/2021, o trecho referente à
Neste contexto, ressalta-se que, após anos de discussões na jurisprudência acerca de qual índice seria o
mais adequado a incidir para os juros e correção, bem como se haveria diferença entre condenações de
“é possível dizer que a TR não é índice apto a remunerar os precatórios, por não refletir, ao longo do tempo, a
perda do valor da moeda, corroída pela inflação. O IPCA-E é o índice que deve ser utilizado, tanto antes da
expedição quanto entre a expedição e o pagamento efetivo. Quanto aos juros, seguem aplicáveis os índices da
caderneta de poupança, feita exceção aos débitos tributários, que se beneficiarão da mesma taxa de juros
9
Piscitelli, Tathiane. Direito Financeiro. Disponível em: Minha Biblioteca, (7th edição). Grupo GEN, 2021.
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🚨 JÁ CAIU
Na prova para Auditor de Contas Públicas do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (CESPE -
2018), foi considerada correta a alternativa que trouxe: “Os juros de mora devem incidir no período
Porém, há também na jurisprudência a delimitação do chamado “período de graça”: não incidem juros
moratórios no lapso que compreende a inscrição do precatório para pagamento (até o dia 2 de abril, conforme
já dito), até o final do exercício seguinte, período no qual, em tese, a dívida será quitada com o credor. Neste
Tema 1037 - O enunciado da Súmula Vinculante 17 não foi afetado pela superveniência da Emenda
Constitucional 62/2009, de modo que não incidem juros de mora no período de que trata o § 5º do art.
100 da Constituição. Havendo o inadimplemento pelo ente público devedor, a fluência dos juros
inicia-se após o ‘período de graça’. (RE 1169289, Relator(a): MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão:
Neste sentido, confira os julgados sobre o tema que ocorreram (e foram publicados) em 2024, no
Tema 1135 - 1. Não incide a taxa SELIC, prevista no art. 3º da EC nº 113/2021, no prazo constitucional de
valores inscritos em precatório terão exclusivamente correção monetária, nos termos decididos na ADI
4.357-QO/DF e na ADI 4.425-QO/DF. (RE 1515163 RG, Relator(a): MINISTRO PRESIDENTE, Tribunal Pleno,
julgado em 11-10-2024, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-314 DIVULG 18-10-2024
PUBLIC 21-10-2024)
Quando não houver o pagamento das parcelas do precatório, podem incidir juros de mora durante o
- • Precatórios expedidos antes de 25/11/2010: o poder público poderia se valer do art. 78 do ADCT e pagar
• Se o poder público pagou pontualmente o precatório em 10 prestações anuais, na forma do art. 78 do ADCT
• Por outro lado, se o poder público não pagou pontualmente o precatório nas 10 prestações anuais do art. 78
do ADCT: terá que pagar juros de mora e no cálculo desses juros serão incluídos esses 10 anos e mais o que
vier depois. Nesta situação, o único período em relação ao qual a Fazenda Pública não pagará juros de mora é
parcelamento estabelecido no art. 78 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), excluindo-se
STF. 1ª Turma. ARE 1.462.538 AgR/PR, Rel. Min. Alexandre de Moraes, redator do acórdão Min. Luiz Fux, julgado
Porém, no período que compreende entre a confecção dos cálculos e a requisição do precatório (ou
até mesmo da RPV), incidem sim os referidos juros moratórios. Trata-se de período anterior à inscrição do
precatório, de modo que não há que se confundir com a redação da Súmula Vinculante 17. Tal
entendimento também foi fixado pelo Supremo Tribunal Federal em sede de Repercussão Geral - Tema 96:
Incidem os juros da mora no período compreendido entre a data da realização dos cálculos e a da requisição
ou do precatório. (RE 579431, Relator(a): MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 19-04-2017, ACÓRDÃO
🚨 JÁ CAIU
Na prova para Analista de Controle Externo do TCE-GO (Ano: 2024, Banca: FGV), foi considerado errado
afirmar que “não incidem juros da mora entre a data da realização dos cálculos e a da requisição ou do
precatório;”
Considerando que o trâmite dos precatórios é demorado, entendeu o legislador constituinte que alguns
pagamentos não deveriam se subordinar ao regime, em decorrência de seu pequeno valor, não sendo
subordinado à inclusão no orçamento do exercício financeiro seguinte. Diz o art. 100, §3º:
Art. 100. (...) § 3º O disposto no caput deste artigo relativamente à expedição de precatórios não se aplica aos
pagamentos de obrigações definidas em leis como de pequeno valor (RPV) que as Fazendas referidas devam
Apesar de estipular que os pagamentos de menor valor não se sujeitam ao processamento pelo regime
de precatórios, o texto constitucional não traz definição exata do que é uma Requisição de Pequeno Valor (RPV),
10
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Quando não houver o pagamento das parcelas do precatório, podem incidir juros de mora durante o prazo de
parcelamento estabelecido no art. 78 do ADCT, excluindo-se o período de graça constitucional. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link]
25
Art. 87. Para efeito do que dispõem o § 3º do art. 100 da Constituição Federal e o art. 78 deste Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias serão considerados de pequeno valor, até que se dê a publicação
oficial das respectivas leis definidoras pelos entes da Federação, observado o disposto no § 4º do art. 100 da
Constituição Federal, os débitos ou obrigações consignados em precatório judiciário, que tenham valor igual
ou inferior a:
Parágrafo único. Se o valor da execução ultrapassar o estabelecido neste artigo, o pagamento far-se-á,
sempre, por meio de precatório, sendo facultada à parte exeqüente a renúncia ao crédito do valor excedente,
para que possa optar pelo pagamento do saldo sem o precatório, da forma prevista no § 3º do art. 100.
“A definição do que seria “pequeno valor” seria fixada pelos próprios entes, considerando as diferentes
Com o advento da EC 37/2002, porém, o legislador estabeleceu o que seria considerado “pequeno valor”, até
que se dê a publicação oficial das respectivas leis pelos entes subnacionais: 40 salários mínimos para os
estados e o Distrito Federal e trinta salários mínimos para os municípios. Do ponto de vista da União, o tema já
havia sido disciplinado na Lei nº 10.259/2001, a Lei dos Juizados Especiais Federais, que fixa tal limite em 60
salários mínimos.”11
Ocorre que, em decorrência dos entes federativos poderem definir o que seria pequeno valor, diversos
entes estipularam a RPV em valores ínfimos, o que levou a edição do §4º do art. 100 pela EC n. 62/2009:
§ 4º Para os fins do disposto no § 3º, poderão ser fixados, por leis próprias, valores distintos às entidades
de direito público, segundo as diferentes capacidades econômicas, sendo o mínimo igual ao valor do
📌 OBSERVAÇÃO
Quando se tratar de ações plúrimas, há de se considerar o valor pleiteado individualmente, para fins de
expedição de RPV (STJ, REsp 1257935). Neste sentido o Tema 1317, do Supremo Tribunal Federal, fixado em
11
Piscitelli, Tathiane. Direito Financeiro. Disponível em: Minha Biblioteca, (7th edição). Grupo GEN, 2021.
26
Direito constitucional e processual civil. Recurso extraordinário. Cumprimento de sentença de ação coletiva.
em exame 1. Recurso extraordinário contra acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo que determinou o
pagamento por precatório de diferenças remuneratórias reconhecidas em ação coletiva. Isso sob o
fundamento de que o limite de requisição de pequeno valor não poderia considerar o valor de crédito de cada
servidor/substituído, mas o valor total da condenação, já que o cumprimento de sentença foi requerido pelo
sindicato autor. II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste em saber se a vedação ao
fracionamento de créditos judiciais devidos pela fazenda pública (CRFB/1988, art. 100, § 8º) alcança execuções
individuais de pequeno valor promovidas por substituto processual, cujo valor global do crédito supera o
limite para requisição de pequeno valor – RPV. III. Razões de decidir 3. O Supremo, no julgamento do RE
568.645 (Tema 148/RG), afirmou que não há fracionamento de precatório no pagamento de débitos judiciais
sindicato, na condição de substituto processual de beneficiários de título judicial coletivo, não altera a natureza
individual e divisível do crédito exigido. A qualidade coletiva e/ou indivisível do direito não decorre das
características do autor da ação ou da execução, mas da natureza jurídica dos interesses protegidos.
IV. Dispositivo e tese 5. Recurso extraordinário com agravo conhecido e provido. Tese de julgamento: “A
execução de créditos individuais e divisíveis decorrentes de título judicial coletivo, promovida por
substituto processual, não caracteriza o fracionamento de precatório vedado pelo § 8º do art. 100 da
Constituição”. (ARE 1491569 RG, Relator(a): MINISTRO PRESIDENTE, Tribunal Pleno, julgado em 23-08-2024,
PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-222 DIVULG 26-08-2024 PUBLIC 27-08-2024)
Chamamos atenção para o fato de que o legislador constituinte proibiu o fracionamento do pagamento
do crédito cobrado com o intuito do credor receber uma parte por RPV (cujo pagamento, na esfera federal, se
dá em até 60 dias, muito mais célere, por exemplo) e o restante pelo rito normal do precatório. Consoante nos
explica a professora Tathiane Piscitelli, “o mesmo dispositivo ainda estabelece, em seus §§ 3o e 4o, a
impossibilidade de fracionamento do valor, para que o pagamento seja em parte feito via RPV, em parte via
precatório. Caso o valor extrapole o limite de 60 salários mínimos, a única possibilidade que o credor teria de
🚨 JÁ CAIU
Na prova para Procurador do Estado de Rondônia (CESPE - 2022), foi considerada correta a alternativa que
disse: “Leis próprias poderão fixar valores distintos para os pagamentos de obrigações de pequeno valor para
Na prova para Analista Judiciário - Oficial de Justiça Avaliador - TRT 16ª/MA (FGV - 2022), foi dito: “Em
12
Piscitelli, Tathiane. Direito Financeiro. Disponível em: Minha Biblioteca, (7th edição). Grupo GEN, 2021.
27
determinada reclamação trabalhista, ajuizada em 2021, e que tramita na 20ª VT/São Luís, o pedido foi julgado
Estado do Maranhão, que está no polo passivo porque houve terceirização dos serviços. Não tendo sido pago
o débito pelo ex-empregador e não se logrando êxito na constrição do seu patrimônio, a execução foi
direcionada contra o Estado do Maranhão”. Diante do texto, foi considerada correta a alternativa que disse:
O próximo ponto que estudaremos neste Resumo Destacado diz respeito às disposições constitucionais
que possibilitam a compensação dos precatórios com eventuais dívidas que o credor possa ter com a Fazenda
Pública, bem como as questões judiciais envolvendo a constitucionalidade de tais medidas. Eis o texto
constitucional:
§ 9º Sem que haja interrupção no pagamento do precatório e mediante comunicação da Fazenda Pública ao
Tribunal, o valor correspondente aos eventuais débitos inscritos em dívida ativa contra o credor do
requisitório e seus substituídos deverá ser depositado à conta do juízo responsável pela ação de
§ 10. Antes da expedição dos precatórios, o Tribunal solicitará à Fazenda Pública devedora, para resposta em
até 30 dias, sob pena de perda do direito de abatimento, informação sobre os débitos que preencham as
condições estabelecidas no § 9º, para os fins nele previstos (Dispositivo declarado integralmente
inconstitucional).
🚨 CUIDADO
■ O STF entendeu que os §§ 9º e 10 do art. 100 são INCONSTITUCIONAIS.
■ Para o Supremo, este regime de compensação obrigatória trazido pelos §§ 9º e 10, ao estabelecer uma
enorme superioridade processual à Fazenda Pública, viola a garantia do devido processo legal, do
dos Poderes.
A compensação dos débitos da Fazenda Pública inscritos em precatórios, prevista nos §§ 9º e 10 do art. 100 da
Constituição Federal, incluídos pela EC nº 62/09, viola frontalmente o texto constitucional, pois obsta a
28
efetividade da jurisdição (CRFB/88, art. 5º, XXXV), desrespeita a coisa julgada material (CRFB/88, art. 5º, XXXVI),
vulnera a Separação dos Poderes (CRFB/88, art. 2º) e ofende a isonomia entre o Poder Público e o particular
(CRFB/88, art. 5º, caput). (RE 678360, Relator(a): LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 27-11-2024, PROCESSO
Conforme aponta o professor Marcus Abraham, “mecanismo introduzido pela Emenda Constitucional
nº 62/2009, e que infelizmente foi julgado inconstitucional pelo STF (ADIs 4.357 e 4.425, em 14/03/2013), foi o da
proteção ao crédito público pela denominada “compensação do precatório”, segundo o qual deveria ser
deduzido do valor a ser pago por precatório o montante da dívida do exequente perante a Fazenda Pública. A
proposta do legislador constituinte derivado, ao criar e incluir no texto constitucional o referido mecanismo foi,
essencialmente, de zelar pelo Erário, dando efetividade e otimização à recuperação dos créditos públicos. Nada
mais razoável do que se verificar, antes de o Estado realizar qualquer pagamento a um credor, inclusive por
decorrência de decisão judicial transitada em julgado (precatórios), se este credor não é – ao mesmo tempo –
seu devedor, para, neste caso, efetivar uma compensação entre seus créditos e débitos. Afinal, pagar ao seu
próprio devedor não é uma prática que se coaduna com o princípio da moralidade, insculpido no art. 37 da
Carta Maior. Registre-se que, antes da EC nº 62/2009, qualquer credor de precatórios estaria legitimado a
recebê-los sem qualquer óbice ou restrição. Quando muito, o credor de precatórios sofria um pedido de
penhora no rosto dos autos, correspondente ao valor objeto de Ação de Execução Fiscal.”13
Destacamos abaixo os trechos da ementa do julgado proferido pelo Plenário do Supremo Tribunal
EFETIVIDADE DA JURISDIÇÃO (CF, ART. 5º, XXXV), DESRESPEITO À COISA JULGADA MATERIAL (CF, ART. 5º
XXXVI), OFENSA À SEPARAÇÃO DOS PODERES (CF, ART. 2º) E ULTRAJE À ISONOMIA ENTRE O ESTADO E O
PARTICULAR (CF, ART. 1º, CAPUT, C/C ART. 5º, CAPUT). INCONSTITUCIONALIDADE DO REGIME ESPECIAL DE
PAGAMENTO. OFENSA À CLÁUSULA CONSTITUCIONAL DO ESTADO DE DIREITO (CF, ART. 1º, CAPUT), AO
PRINCÍPIO DA SEPARAÇÃO DE PODERES (CF, ART. 2º), AO POSTULADO DA ISONOMIA (CF, ART. 5º, CAPUT), À
GARANTIA DO ACESSO À JUSTIÇA E A EFETIVIDADE DA TUTELA JURISDICIONAL (CF, ART. 5º, XXXV) E AO DIREITO
ADQUIRIDO E À COISA JULGADA (CF, ART. 5º, XXXVI). PEDIDO JULGADO PROCEDENTE EM PARTE. (...) 4. A
compensação dos débitos da Fazenda Pública inscritos em precatórios, previsto nos §§ 9º e 10 do art.
100 da Constituição Federal, incluídos pela EC nº 62/09, embaraça a efetividade da jurisdição (CF, art. 5º,
XXXV), desrespeita a coisa julgada material (CF, art. 5º, XXXVI), vulnera a Separação dos Poderes (CF,
art. 2º) e ofende a isonomia entre o Poder Público e o particular (CF, art. 5º, caput), cânone essencial do
Estado Democrático de Direito (CF, art. 1º, caput). (...) 9. Pedido de declaração de inconstitucionalidade
julgado procedente em parte. (ADI 4357, Relator(a): AYRES BRITTO, Relator(a) p/ Acórdão: LUIZ FUX, Tribunal
Pleno, julgado em 14/03/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-188 DIVULG 25-09-2014 PUBLIC 26-09-2014)
13
Abraham, Marcus. Curso de Direito Financeiro Brasileiro. Disponível em: Minha Biblioteca, (6th edição). Grupo GEN, 2020.
29
Quanto à amortização do precatório com dívidas decorrentes de ajustes contratuais que o particular
pode ter com a Fazenda Pública, trata-se de recente possibilidade introduzida no art. 100, da Constituição
Art. 100. (...) § 21. Ficam a União e os demais entes federativos, nos montantes que lhes são próprios, desde
que aceito por ambas as partes, autorizados a utilizar valores objeto de sentenças transitadas em julgado
devidos a pessoa jurídica de direito público para amortizar dívidas, vencidas ou vincendas: (EC 113/21)
I - nos contratos de refinanciamento cujos créditos sejam detidos pelo ente federativo que figure como
II - nos contratos em que houve prestação de garantia a outro ente federativo; (EC 113/21)
113/21)
I - nas obrigações vencidas, será imputada primeiramente às parcelas mais antigas; (EC 113/21)
II - nas obrigações vincendas, reduzirá uniformemente o valor de cada parcela devida, mantida a
O regime de amortização que acima destacamos foi promulgado apenas em 8 de dezembro de 2021.
Sendo assim, como ainda se trata de uma novidade, não há posicionamento dos Tribunais Superiores quanto
ao tema. Ainda, a doutrina apenas destaca as hipóteses nas quais tal abatimento seria permitido, sendo todas
elas previstas nos incisos do §21 acima transcrito. Desta forma, neste primeiro momento basta que o aluno
memorize as situações descritas no texto frio da Constituição, tendo em vista que muito provavelmente
🚨 JÁ CAIU
Na prova para Auditor Fiscal do Tesouro do Estado de Pernambuco (FCC- 2022), foi dito: “ Do regime de
pagamentos dos débitos da Fazenda Pública, de acordo com a disciplina constitucional fixada para os
precatórios, extrai-se que”, tendo sido considerada correta a alternativa que completou: “a determinação de
valores decorrentes de precatórios judiciais, que não os constantes da norma constitucional aplicável,
8. OUTROS TEMAS
precatórios:
Art. 78. Ressalvados os créditos definidos em lei como de pequeno valor, os de natureza alimentícia, os de que
trata o art. 33 deste Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e suas complementações e os que já
tiverem os seus respectivos recursos liberados ou depositados em juízo, os precatórios pendentes na data de
promulgação desta Emenda e os que decorram de ações iniciais ajuizadas até 31 de dezembro de 1999 serão
liquidados pelo seu valor real, em moeda corrente, acrescido de juros legais, em prestações anuais, iguais e
sucessivas, no prazo máximo de dez anos, permitida a cessão dos créditos. (Incluído pela Emenda
30, de 2000)
§ 2º As prestações anuais a que se refere o caput deste artigo terão, se não liquidadas até o final do exercício a
que se referem, poder liberatório do pagamento de tributos da entidade devedora. (Incluído pela Emenda
Assim:
DOS PRECATÓRIOS. OPÇÃO DOS CREDORES DE PRECATÓRIOS QUE AO MESMO TEMPO OCUPEM A POSIÇÃO
ISONOMIA NÃO CARACTERIZADOS. REPARTIÇÃO DE RECEITAS TRIBUTÁRIAS DO ICMS (CF, ART 158, IV, “A”).
medida todos os que se encontrem na lista de espera. Ofensa à norma do art. 100, caput, da Constituição
Federal não caracterizada. 2. A Lei n. 3.062, de 6 de julho de 2006, do Estado do Amazonas, ao prever o
instituto da compensação, condiciona o procedimento a requerimento dos contribuintes que sejam ao mesmo
tempo credores de precatório, originário ou por cessão, e devedores de ICMS. Desrespeito ao princípio da
isonomia não configurado. 3. A extinção do crédito tributário por compensação implica aumento da
disponibilidade de receita e impõe ao Estado a obrigação de entregar a respectiva cota aos Municípios.
Precedente. 4. Ação conhecida e pedido julgado parcialmente procedente, para conferir-se interpretação
conforme à Constituição à Lei n. 3.062, de 6 de julho de 2006, do Estado do Amazonas, de modo a consignar
31
que a compensação de créditos tributários de ICMS deve observar o dever constitucional de repartição dos
25% pertencentes aos Municípios (CF, art. 158, IV, “a”). (ADI 4080, Relator(a): NUNES MARQUES, Tribunal Pleno,
Neste sentido, surgiu dúvida sobre a necessidade ou não de lei do ente federativo a fim de permitir a
compensação de tributos com precatórios. O Superior Tribunal de Justiça majoritariamente vem entendendo
pela impossibilidade de compensação, caso não houver previsão legal específica nesse sentido (AgRg no RESp
1196680/RS; RESP 1192662/RS). Posteriormente, a EC n. 94/2016 trouxe novo regime, permitindo ao credor de
Art. 105. Enquanto viger o regime de pagamento de precatórios previsto no art. 101 deste Ato das Disposições
compensação com débitos de natureza tributária ou de outra natureza que até 25 de março de 2015
tenham sido inscritos na dívida ativa dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, observados os
requisitos definidos em lei própria do ente federado. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 94, de
2016)
§ 1º Não se aplica às compensações referidas no caput deste artigo qualquer tipo de vinculação, como as
Estados, o Distrito Federal e os Municípios regulamentarão nas respectivas leis o disposto no caput deste artigo
Trata-se de concretização de um direito sagrado do credor do poder público, que se via numa situação de
impotência, pois, embora tendo o direito a crédito, nada podia fazer, sequer deixar de pagar tributos para a
compensação. A nova permissão constitucional, mormente nas hipóteses de desídia da Administração em não
regulamentar a matéria, é importante avanço na solução de problemas infindáveis na relação entre o Estado e
os seus credores.
Os entes federativos poderão apenas regulamentar a matéria, no estrito sentido da acepção do vocábulo, não
Uma vez compensados, os valores passam a constituir receita do ente público, mas não podem sofrer
vinculação automática.
14
Leite, Harrison. Manual de Direito Financeiro. 9. ed. rev., atual, e ampli. Salvador: JusPODIVM, 2020. p. 478.
32
tratar da mesma entidade devedora, bem como utilizá-lo para substituir outro bem penhorado. Todavia, faculta
Súmula 406-STJ: A Fazenda Pública pode recusar a substituição do bem penhorado por precatório.
negativa. Todavia, o artigo foi julgado inconstitucional pela ADI n. 3.453/DF, por violação aos arts. 5º, XXXVI e
100 da Constituição Federal, sendo desnecessária a comprovação de quitação e regularidade fiscal para a
satisfação de direito do jurisdicionado a recebimento de créditos reconhecidos pela Justiça15. Desta forma, foi
É possível que o credor receba bens públicos, ao invés de receber seu crédito em precatório, nos
§ 11. É facultada ao credor, conforme estabelecido em lei do ente federativo devedor, com auto aplicabilidade
para a União, a oferta de créditos líquidos e certos que originalmente lhe são próprios ou adquiridos de
terceiros reconhecidos pelo ente federativo ou por decisão judicial transitada em julgado para: (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 113, de 2021) (Vide ADI 7047) (Vide ADI 7064)
I - quitação de débitos parcelados ou débitos inscritos em dívida ativa do ente federativo devedor, inclusive em
II - compra de imóveis públicos de propriedade do mesmo ente disponibilizados para venda; (Incluído pela
III - pagamento de outorga de delegações de serviços públicos e demais espécies de concessão negocial
promovidas pelo mesmo ente; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 113, de 2021)
IV - aquisição, inclusive minoritária, de participação societária, disponibilizada para venda, do respectivo ente
V - compra de direitos, disponibilizados para cessão, do respectivo ente federativo, inclusive, no caso da União,
15
Leite, Harrison. Manual de Direito Financeiro. 9. ed. rev., atual, e ampli. Salvador: JusPODIVM, 2020. p. 479.
33
da antecipação de valores a serem recebidos a título do excedente em óleo em contratos de partilha de
§ 13. O credor poderá ceder, total ou parcialmente, seus créditos em precatórios a terceiros,
§ 14. A cessão de precatórios, observado o disposto no § 9º deste artigo, somente produzirá efeitos após
comunicação, por meio de petição protocolizada, ao Tribunal de origem e ao ente federativo devedor.
🚨 JÁ CAIU
Na prova Analista Judiciário - Área Judiciária do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) (Ano: 2024, Banca:
CESPE/CEBRASPE), foi considerada correta a afirmativa que dizia que “no regime de precatórios, o credor
devedor.”
Desta forma, caso o precatório não tiver natureza alimentar e se o mesmo for transferido para uma
pessoa com 60 anos de idade ou mais na data de expedição do precatório, ou portadora de doença grave ou
pessoa com deficiência definida em lei, o precatório não será munido dos privilégios concedidos aos precatórios
alimentares especiais.
Por sua vez, durante muito tempo houve discussão doutrinária e jurisprudencial sobre a alteração da
natureza na cessão inversa, até ser julgado em definitivo pelo STF, encerrando a discussão:
PRECATÓRIO – CRÉDITO – CESSÃO – NATUREZA. A cessão de crédito não implica alteração da natureza.
(RE 631537, Relator(a): MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 22-05-2020, PROCESSO ELETRÔNICO
🚨 JÁ CAIU
Na prova para o cargo de Procurador do Município de Macaé-RJ (Ano: 2024, Banca: FGV), foi cobrada a
seguinte questão sobre o tema: “Carlos detém um crédito alimentício proveniente de precatório não pago
pelo Fazenda Nacional. Dada a dificuldade financeira que enfrenta, Carlos decidiu ceder o precatório
alimentício para um fundo de investimento, recebendo uma quantia imediata em troca da cessão.
a. A cessão do precatório alimentício altera a natureza do crédito alimentício para crédito comum, sob pena
de violação da isonomia.
b. A cessão do crédito alimentício somente é permitida nos casos em que o crédito é considerado de
Resposta: Letra C.
Em regra, o pagamento de precatório deve ser feito à vista. Entretanto, dadas as dificuldades
orçamentárias, foram criados regimes especiais de precatórios (REP) para afastar a própria norma regra, com
previsão na ADCT.
O primeiro regime especial foi inserido no art. 33 da ADCT, facultando o parcelamento de dívidas objeto
de precatórios em oito anos, porém não se estendendo aos créditos de natureza alimentar16. O segundo regime
especial foi criado em 2000, pela EC n. 30, autorizando o parcelamento em dez anos e excluindo o
parcelamento de RPV e os que já haviam sido objeto de parcelamento pelo art. 33:
Art. 78. Ressalvados os créditos definidos em lei como de pequeno valor, os de natureza alimentícia, os de que
trata o art. 33 deste Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e suas complementações e os que já
tiverem os seus respectivos recursos liberados ou depositados em juízo, os precatórios pendentes na data de
promulgação desta Emenda e os que decorram de ações iniciais ajuizadas até 31 de dezembro de 1999 serão
liquidados pelo seu valor real, em moeda corrente, acrescido de juros legais, em prestações anuais, iguais e
sucessivas, no prazo máximo de dez anos, permitida a cessão dos créditos. (Incluído pela Emenda
16
Leite, Harrison. Manual de Direito Financeiro. 9. ed. rev., atual, e ampli. Salvador: JusPODIVM, 2020. p. 490
35
§ 1º É permitida a decomposição de parcelas, a critério do credor. (Incluído pela Emenda Constitucional nº
30, de 2000)
§ 2º As prestações anuais a que se refere o caput deste artigo terão, se não liquidadas até o final do exercício a
que se referem, poder liberatório do pagamento de tributos da entidade devedora. (Incluído pela Emenda
§ 3º O prazo referido no caput deste artigo fica reduzido para dois anos, nos casos de precatórios judiciais
originários de desapropriação de imóvel residencial do credor, desde que comprovadamente único à época da
recursos financeiros da entidade executada, suficientes à satisfação da prestação. (Incluído pela Emenda
Tendo em vista que este regime foi suspenso pelas ADI n. 2362 e 2356, veio o terceiro regime especial
de precatórios (EC n. 62/09), permitindo o parcelamento dos precatórios em até 15 anos e também julgado
votação.
Art. 100 §2º da CF, Declarou inconstitucional. Eficácia "ex nunc", A regra configuraria critério de
precatório” 25.3.2015. Assim, todo credor que tinha mais esse balizamento temporal
expedição do precatório,
ocorrido o pagamento.
17
Leite, Harrison. Manual de Direito Financeiro. 9. ed. rev., atual, e ampli. Salvador: JusPODIVM, 2020. p. 496
36
Art. 100, §§ 99 e 109 da Declarou inconstitucional, sem modulação Considerou que esse critério
fazendárias.
Art. 100, § 12 da CF, Declarou inconstitucional. Efeitos "ex nunc", Entendeu que aos precatórios de
expressão "índice oficial a partir da data de conclusão do julgamento natureza tributária deveriam se
de remuneração básica da questão de ordem, que se deu em aplicar os mesmos juros de mora
poupança". expedidos pela União, com base nos arts. 27 tributário, qual seja, a taxa SELIC.
Lei n. 13.080/2015), que fixam o IPCA-E como expedidos ou pagos até a data de
ponderou que eventual decisão com efeito índice da poupança (TR). Após
Art. 100, § 12 da CF, Declarou inconstitucional sem redução de Visou afastar a incidência dos
expressão texto. Efeitos "ex nunc", a partir da data de juros moratórios calculados
37
sua natureza" ordem, que se deu em 25.3.2015. Para o STF, poupança quanto aos créditos
constitucional.
Art. 100, § 15 e todo o Declarou inconstitucional, porém modulou 0 STF entendeu que, ao criarem
art. 97 do ADCT os seus efeitos para que se desse sobrevida regime especial para pagamento
até 31/12/2020. Contudo, em decorrência da crise econômica dos entes, a EC n. 99/17 instituiu o quinto regime
especial de precatórios, determinando a quitação dos mesmos até 31 de dezembro de 2024. Na lição de
Harisson Leite:
Essas prorrogações constantes denotam que a quitação de precatórios é tema de Estado, que não pode
ser decidido sem uma análise técnica minuciosa, desatrelada das disposições orçamentárias. Não se
resolve com uma decisão judicial. No entanto, por ser tecnicamente difícil, não significa que pode ser
prorrogada indefinidamente. A moralidade do Estado reclama atenção aos seus credores, e que seja esse
quinto regime especial o ponto final de uma história de frustrações e prorrogações contrárias à essência do
fundada por mais de dois anos consecutivos, é possível a intervenção da União nos Estados e Distrito Federal,
salvo por motivo de força maior. Desta forma, foram feitos diversos pedidos de intervenção; entretanto o STF
vem se posicionando contra às intervenções, considerando que na maioria dos casos não há falta de interesse
Precatórios judiciais. Não configuração de atuação dolosa e deliberada do Estado de São Paulo com finalidade
de não pagamento. Estado sujeito a quadro de múltiplas obrigações de idêntica hierarquia. Necessidade de
garantir eficácia a outras normas constitucionais, como, por exemplo, a continuidade de prestação de serviços
públicos. A intervenção, como medida extrema, deve atender à máxima da proporcionalidade. Adoção da
chamada relação de precedência condicionada entre princípios constitucionais concorrentes.” (IF 298, Rei. p/ o
18
Leite, Harrison. Manual de Direito Financeiro. 9. ed. rev., atual, e ampli. Salvador: JusPODIVM, 2020. p. 492
39
Estadual no prazo previsto no § Io do art. 100 da Constituição da República, não legitima a subtração
temporária da autonomia estatal, mormente quando o ente público, apesar da exaustão do erário, vem sendo
zeloso, na medida do possível, com suas obrigações derivadas de provimentos judiciais. Precedentes.” (IF
1.917-AgR, Rei. Min. Presidente Maurício Corrêa, julgamento em 17-3-2004, Plenário, DJ de 3-8-2007.).
9. JURISPRUDÊNCIA
STJ, Tema 1237 (Info 813) - É válido o ato jurídico de cancelamento automático de precatórios ou requisições
federais de pequeno valor realizados entre 06/07/2017 (data da publicação da Lei 13.463/2017) e 06/07/2022
(data da publicação da ata da sessão de julgamento da ADI 5.755/DF), nos termos do art. 2º, caput, e § 1º, da
Lei n. 13.463/2017, desde que caracterizada a inércia do credor em proceder ao levantamento do depósito
pelo prazo legalmente estabelecido (dois anos). É ilegal esse mesmo ato se circunstâncias alheias à vontade do
PELA FAZENDA PÚBLICA. PEDIDO JULGADO PROCEDENTE. I – CASO EM EXAME 1. Ação direta de
instituído pelo artigo 2º da Emenda Constitucional n. 30/2000, o qual acrescentou o artigo 78 do Ato das
cláusulas pétreas (artigo 60, §4º, III e IV), especialmente, ao princípio da separação de poderes (artigo 2º,
CRFB), à garantia de acesso à jurisdição (artigo 5º, XXXV, CRFB), às garantias do ato jurídico perfeito,
direito adquirido e coisa julgada (artigo 5º, XXXVI, CRFB), do direito fundamental à propriedade (artigo
5º, XXII e XXIV, CRFB) e à isonomia (artigo 5º, caput, CRFB), e do princípio da proporcionalidade (artigo
5º, LIV, CRFB). 3. Saber se o parcelamento, em até dez anos, dos valores correspondentes a precatórios
pendentes e futuros, decorrentes de ações ajuizadas até 31 de dezembro de 1999, impossibilita que cidadãos
e cidadãs, bem como pessoas jurídicas, titulares de créditos líquidos e certos reconhecidos em decisões
transitadas em julgado, recebam do Poder Judiciário a tutela efetiva de seus direitos. III – RAZÕES DE DECIDIR
4. O legislador constituinte derivado, ao editar a norma ora impugnada, não observou direitos
fundamentais dos cidadãos e cidadãs brasileiras, quando estabeleceu regras transitórias para fazer
face a um problema concreto e irremediável de gestão das contas públicas, ou seja, a dos precatórios
pendentes de pagamento por falta de recursos financeiros disponíveis. Feriu, portanto, cláusula pétrea
expressamente disposta na Constituição da República de 1988 (art. 60, §4º, CRFB). 5. O poder público, na
condição de parte devedora de relação jurídica em que deve cumprir sua obrigação de pagar, já é
privilegiado por ter o prazo dilargado de até 20 meses para quitar sua dívida. 6. Não obstante
compreenda a perspectiva das fazendas públicas, é necessário deslocar o olhar para o credor, cidadão e
cidadã que, após demandas judiciais geralmente prolongadas no tempo, vê-se vencedor do pleito
judicial, com trânsito em julgado, mas sem garantia de que receberá o valor pecuniário que lhe é
regime instituído teve impacto desproporcional na vida de milhares de cidadãos e cidadãs que não
tiveram reconhecidos seus direitos fundamentais à propriedade, à isonomia e ao devido processo legal
substantivo, diante da mora de receber o que lhe era devido, atestado em título judicial transitado em
julgado. 8. A questão posta, nos presentes autos, não perdeu o objeto em face das posteriores alterações
legislativas ao regime de precatórios no Brasil, tendo em vista que a solução da controvérsia constitucional
com a amplitude veiculada nos pedidos das ADIs 2356 e 2362 reafirmará os limites aos quais devem se
Supremo Tribunal Federal, por maioria, modulou os efeitos da presente decisão para que seja conferida
eficácia ex nunc ao presente julgamento, mantendo os parcelamentos realizados até a concessão da medida
cautelar nestes autos (25.11.2010), vencidos os Ministros Nunes Marques (Relator), Alexandre de Moraes e
André Mendonça, que modulavam os efeitos da decisão, mantendo a validade de todos os pagamentos,
parciais ou integrais, que tenham sido realizados de acordo com a norma declarada inconstitucional. 10. A
modulação até a data da concessão da cautelar, em 25.11.2010, é devida porque os efeitos da declaração de
inconstitucionalidade da norma impugnada devem ser respeitados até esse marco, a partir de quando a
norma impugnada teve sua eficácia suspensa em face da cautelar deferida. V - DISPOSITIVO 11. Pedido de
n. 2362, para, confirmando a liminar nestes autos deferida, declarar a inconstitucionalidade do artigo 2º da
Emenda Constitucional nº 30/2000, que introduziu o artigo 78 no ADCT da Constituição da República de 1988,
respeitando-se os parcelamentos realizados sob o regime instaurado pela norma declarada inconstitucional,
até a concessão da medida cautelar, em 25.11.2010. (ADI 2356, Relator(a): NUNES MARQUES, Relator(a) p/
Acórdão: EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 07-05-2024, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG
É inconstitucional lei estadual que prevê o uso de depósitos judiciais ou administrativos relativos a
processos em que pessoas jurídicas de direito privado da Administração Pública indireta sejam partes.
Essa previsão exorbita as normas gerais previstas na Lei Complementar federal nº 151/2015 e ofende o direito
STF. Plenário. ADI 5.457/AM, Rel. Min. Nunes Marques, julgado em 19/12/2023 (Info 1121).19
É constitucional a Lei Complementar nº 151/2015, que dispõe sobre a destinação prioritária do montante de
Essa lei não viola o direito de propriedade (arts. 5º, “caput”, e 170, II, CF/88) nem ofende os princípios do
devido processo legal (art. 5º, LIV, CF/88), da separação dos Poderes (art. 2º, CF/88) e do não confisco.
STF. Plenário. ADI 5.361/DF e ADI 5.463/DF, Rel. Min. Nunes Marques, julgados em 21/11/2023 (Info 1117).20
19
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. É inconstitucional lei estadual que preveja que o Estado possa utilizar, para pagamento de precatórios, valores de
depósitos judiciais e administrativos decorrentes de processos em que empresas públicas e sociedades de economia mista da administração estadual
sejam parte. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 21/02/2024
20
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. É constitucional a LC 151/2015, que autoriza o uso de um percentual dos depósitos judiciais para pagamentos do
Poder Público. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 21/02/2024
41
A pretensão de expedição de novo precatório ou requisição de pequeno valor, fundada nos arts. 2º e 3º da Lei
nº 13.463/2017, sujeita à prescrição quinquenal prevista no art. 1º do Decreto nº 20.910/1932 e tem, como
STJ. 1ª Seção. REsps 1.961.642-CE, REsp 1.944.707-PE e REsp 1.944.899-PE, Rel. Min. Assusete Magalhães,
Não há violação ao princípio da separação dos Poderes (art. 2º, da CF/88) e aos direitos de propriedade (arts.
5º, “caput”, e 170, II), de acesso à justiça (art. 5º, XXXV), do devido processo legal (art. 5º, LIV) e da duração
O regime especial de precatórios trazido pela Emenda Constitucional nº 62/2009 aplica-se aos precatórios
STF. Plenário. RE 659.172/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 22/09/2023 (Repercussão Geral – Tema 519)
(Info 1109).23
O deferimento de sequestro de rendas públicas para pagamento de precatório deve se restringir às hipóteses
STF. Plenário. RE 840.435/RS, relator Ministro Dias Toffoli, julgado em 22/09/2023 (Repercussão Geral – Tema
🚨 JÁ CAIU
No concurso para Analista Administrativo do TCE-AC (Ano: 2024, Banca: CESPE/CEBRASPE), foi considerado
correto afirmar que “segundo a jurisprudência do STF, o deferimento de sequestro de receitas públicas para
pagamento de precatório, pelo Judiciário, limita-se a situações em que se caracterize alguma das hipóteses
expressamente previstas na CF.” Por outro lado, no mesmo concurso e sobre o tema precatórios, foi
considerada errada a afirmativa que dizia “segundo a jurisprudência do STF, é incompatível com a autonomia
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CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Prescreve em 5 anos a pretensão de expedição de novo precatório ou nova RPV, após o cancelamento de que trata
o art. 2º da Lei nº 13.463/2017 (válido para casos anteriores à ADI 5755). Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 21/02/2024
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CAVALCANTE, Márcio André Lopes. É constitucional a previsão contida no § 2º do art. 101 do ADCT de que os depósitos judiciais podem ser utilizados
para pagamento de precatórios atrasados. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 21/02/2024
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CAVALCANTE, Márcio André Lopes. As regras estipuladas na EC 62/2009, quanto ao regime especial de precatórios, são aplicáveis aos já expedidos
antes de sua promulgação. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 21/02/2024
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CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Poder Judiciário não pode aumentar hipóteses de sequestro de verbas para pagamento de precatório. Buscador
Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: <[Link]
Acesso em: 21/02/2024
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financeira dos entes federados, porquanto implica subordinação em relação à União, o encaminhamento,
pelos entes subnacionais, das respectivas contas públicas ao Poder Executivo Federal.”
Sociedades de economia mista, como o Metrô-DF, desde que prestem serviço público essencial em regime de
STF. Plenário. ADPF 524/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 22/8/2023 (Info 1104)25
O STF adotou a compreensão no sentido de que o plano de pagamentos apresentado pelo devedor de
precatórios ao respectivo Tribunal deve contemplar todo o passivo, de modo a formar um único
montante global de débitos de precatórios, ainda que se refiram a parcelas vencidas e não pagas em
período anterior ao advento da Emenda Constitucional 109/2021. Nesse sentido: STF. 1ª Turma. MS 36035
Uma vez que o prazo de pagamento antes estabelecido pela EC 99/2017 (até 31/12/2024) foi estendido pela EC
109/2021 para 31/12/2029, sem qualquer ressalva quanto aos anos a que se referem os débitos em questão,
apresenta-se indevida a decisão que nega a renegociação quanto às dívidas anteriores a 2021.
STJ. 1ª Turma. AgInt no RMS 69.711-SP, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 15/8/2023 (Info 783).26
O recebimento de comissão sobre o valor total de precatório na hipótese em que não foi integralmente pago,
em razão de negociação prévia do crédito com deságio, fere a boa-fé objetiva e gera enriquecimento sem
causa. STJ. 4ª Turma. EDcl no AgInt no AREsp 1.809.319-RJ, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em
1. A complementação ao FUNDEF realizada a partir do valor mínimo anual por aluno fixada em desacordo com
2. Sendo tal obrigação imposta por título executivo judicial, aplica-se a sistemática dos precatórios, nos termos
STF. Plenário. RE 635.347/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 01/7/2023 (Repercussão Geral – Tema 416)
(Info 1101).28
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CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Sociedades de economia mista, como o Metrô-DF, desde que prestem serviço público essencial em regime de
exclusividade (monopólio natural) e sem intuito lucrativo, submetem-se ao regime constitucional de precatórios para o adimplemento de seus débitos.
Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 21/02/2024
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CAVALCANTE, Márcio André Lopes. É possível a renegociação dos débitos de precatórios vencidos e dos que vencerão dentro do período previsto pela
EC 109/2021. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 21/02/2024
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CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Fere a boa-fé objetiva e gera enriquecimento sem causa a pretensão de receber, pela indicação de cliente,
porcentagem sobre o valor total do precatório, quando tal valor não foi efetivamente recebido na integralidade, em razão de negociação do crédito com
deságio. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 21/02/2024
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CAVALCANTE, Márcio André Lopes. A União deve suplementar recursos do Fundef quando o valor repassado a partir do valor mínimo anual por aluno
esteja em desacordo com a média nacional; essa suplementação deve observar a sistemática dos precatórioso. Buscador Dizer o Direito, Manaus.
Disponível em: <[Link] Acesso em: 21/02/2024
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É constitucional o sequestro de verbas públicas pela autoridade judicial competente nas hipóteses do § 4º do
art. 78 do ADCT, cuja normatividade veicula regime especial de pagamento de precatórios de observância
obrigatória por parte dos entes federativos inadimplentes na situação descrita pelo caput do dispositivo.
No caso de atraso na quitação das parcelas de precatório, o sequestro de verbas públicas pela autoridade
judicial é constitucional, pois configurado descumprimento ao regime especial de pagamento (ADCT, art. 78),
necessária à satisfação do débito (art. 100, § 2º, da CF/88, na redação original). No entanto, a partir da EC
30/2000, todas as modificações referentes à sistemática dos precatórios passaram a admitir o sequestro para
a quitação das parcelas nas hipóteses de não alocação orçamentária para satisfazer os valores devidos, como,
Nesse contexto, o regime especial do art. 78 do ADCT é impositivo, visto que os precatórios se encontram
STF. Plenário. RE 597.092/RJ, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 26/6/2023 (Repercussão Geral – Tema 231)
(Info 1100).29
O crédito inscrito em precatório decorrente de parcelas vencidas de benefício previdenciário pode ser objeto
de cessão a terceiros?
1ª corrente: NÃO
Nos termos do art. 114 da Lei 8.213/91, é proibida a cessão de créditos previdenciários, sendo nula qualquer
STJ. 1ª Turma. AgInt nos EDcl no REsp n. 1.934.524/RS, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 26/6/2023.
STJ. 2ª Turma. AgInt no REsp 1.923.742-RS, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 3/4/2023 (Info 11 – Edição
Extraordinária).
2ª corrente: SIM
O crédito inscrito em precatório oriundo de ação previdenciária pode ser objeto de cessão a terceiros.
A cessão de créditos inscritos em precatórios, autorizada pelo art. 100, §§ 13 e 14, da CF/88, permite ao credor,
mediante negociações entabuladas com eventuais interessados na aquisição do direito creditício com deságio,
a percepção imediata de valores que somente seriam obtidos quando da quitação da dívida pelo Poder
Público, cujo notório inadimplemento fomenta a instituição de mercado dos respectivos títulos, abrangendo,
O princípio da intangibilidade das prestações da Previdência Social, previsto no art. 114 da Lei nº 8.213/91,
veda a cessão dos benefícios previdenciários, obstando, por conseguinte, a alienação ou transmissão irrestrita
de direitos personalíssimos e indisponíveis. Esse art. 114, contudo, não impede que o titular de crédito inscrito
em precatório, inclusive oriundo de ação previdenciária, possa ceder o crédito das prestações atrasadas para
terceiros. Isso porque se trata de direito patrimonial disponível passível de livre negociação.
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CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Atraso no pagamento das parcelas de precatório autoriza determinação de sequestro de verbas. Buscador Dizer o
Direito, Manaus. Disponível em: <[Link] Acesso
em: 21/02/2024
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STJ. 1ª Turma. REsp 1.896.515-RS, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 11/4/2023 (Info 771).30
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CAVALCANTE, Márcio André Lopes. O crédito inscrito em precatório decorrente de parcelas vencidas de benefício previdenciário pode ser objeto de
cessão a terceiros?. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 21/02/2024