0% acharam este documento útil (0 voto)
6 visualizações19 páginas

Trabalho Migratório no Sul de Moçambique

historia

Enviado por

heltonjuvencio78
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
6 visualizações19 páginas

Trabalho Migratório no Sul de Moçambique

historia

Enviado por

heltonjuvencio78
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

ESCOLA SECUNDÁRIA GERAL DE MOCUBA

TRABALHO DE HISTÓRIA

4º Grupo

Tema: O SUL E O TRABALHO MIGRATÓRIO

12ª Classe, A/A, curso diurno

Discentes:
 Daniel Fernando, nº16
 Dulce Olímpio, nº19
 Filomena Mário, nº27
 Gelcia Firmino, nº29 Docente:
 Jacinta Castro, nº36 dr. Miguel Mendonça
 Luís Bernardo, nº44
 Tavares Faustino, nº59
 Tilson Xavier, nº60
 Edna Felizardo, nº65

MOCUBA aos 1 de setembro de 2025


Índice
Introdução..............................................................................................................................3
O SUL E O TRABALHO MIGRATÓRIO............................................................................4
A situação política e económica do sul do save em 1880......................................................4
Lourenço Marques e o sul de Moçambique...........................................................................7
Razões que contribuiram para o estreitamento dos laços econónticos..................................8
Os acordos sobre o trabalho: 1867, 1897, 1901. 1909 e 1928.............................................13
Acordos sobre o trabalho.....................................................................................................13
As vias de comunicação.......................................................................................................15
Cronologia das principais vias de comunicação de Moçambique.......................................15
Consequências gerais do trabalho migratório......................................................................16
Narrativas e representações do trabalho migratório.............................................................17
Conclusão.............................................................................................................................18
Referência bibliográficas.....................................................................................................19
Introdução
A história de Moçambique é marcada por profundas transformações sociais, políticas e
econômicas, especialmente durante o período de dominação colonial portuguesa. Antes da
conquista, os Estados do Sul, como Gaza e Maputo, mantinham autonomia e relações
comerciais com potências asiáticas e europeias, sustentadas pela caça ao elefante e pela
produção de oleaginosas. No entanto, com o avanço das campanhas de pacificação a partir de
1895, essa soberania foi gradualmente suprimida.

No presente trabalho da disciplina de história leccionada pelo docente Mendonça, nós iremos
abordar os principais momentos e dinâmicas que marcaram a história de Moçambique desde
o período pré-colonial até à luta pela independência. Onde que procuraremos saber sobre
sobre os Estados do Sul antes da conquista colonial, fazendo a análise das estruturas políticas
e económicas dos reinos como Gaza e Maputo, e suas relações comerciais com potências
estrangeira.

Faremos um estudo completo do tema em questão, iremos baseando-nos nos livros de história
da12ª segunda classe, e outras informações serão citadas da internet para complementar o
nosso trabalho.

3
O SUL E O TRABALHO MIGRATÓRIO
A situação política e económica do sul do save em 1880
Uma das principais características do sistema colonial português era o seu carácter de
dependência em relação ao capital [Link] 1880, essa dependência continuava,
sobretudo, nos territórios que o Estado português tinha de administrar, como a zona abaixo do
rio Save.

A sul do rio Save, em 1880, localizavam-se territórios sob a administração directa do Estado
português. Eram territórios que hoje corresponde- riam, grosso modo, a Inhambane, Gaza e
Maputo.

Portugal transformou-se num Estado dependente e a economia moçambicana numa economia


de prestação de serviços. Moçambique era a principal reserva de força de trabalho para o
mercado da África Austral e um campo aberto ao investimento internacional.

Sabendo que o Portugal, durante o período colonial, especialmente nos séculos XIX e XX,
enfrentava limitações econômicas e militares que o tornavam dependente de outras potências
europeias, sobretudo da Grã-Bretanha. Essa dependência manifestava-se em:

 Acordos de exploração e recrutamento: Portugal permitiu que empresas estrangeiras,


como a WENELA, recrutassem mão-de-obra moçambicana para trabalhar nas minas
da África do Sul;
 Pressões diplomáticas: O Ultimato britânico de 1890 obrigou Portugal a recuar em
suas ambições territoriais, evidenciando sua fragilidade política;
 Economia colonial subordinada: Moçambique passou a servir interesses externos,
funcionando como fornecedor de recursos e trabalhadores para outras potências.

A sul do rio Save, os territórios estavam sob administração direta do Estado português, o que
facilitava acordos com potências estrangeiras. Essa dependência é evidente por:

 Localização estratégica: A proximidade com a África do Sul tornava o sul ideal para o
recrutamento e envio de trabalhadores;
 Ausência de companhias privadas: Ao contrário do norte, onde atuavam companhias
como a do Niassa, o sul estava livre para servir diretamente aos interesses externos;
 Infraestrutura voltada ao recrutamento: O Estado português organizou postos e rotas
para facilitar a migração laboral, reforçando a função do sul como fornecedor de mão-
de-obra.

4
A sul do rio Save, os territórios estavam sob administração direta do Estado português, o que
facilitava acordos com potências estrangeiras. Essa dependência é evidente por:

 Localização estratégica: A proximidade com a África do Sul tornava o sul ideal para o
recrutamento e envio de trabalhadores;
 Ausência de companhias privadas: Ao contrário do norte, onde atuavam companhias
como a do Niassa, o sul estava livre para servir diretamente aos interesses externos;
 Infraestrutura voltada ao recrutamento: O Estado português organizou postos e rotas
para facilitar a migração laboral, reforçando a função do sul como fornecedor de mão-
de-obra.

No ano de 1880, os Estados situados ao sul do rio Save, em Moçambique, mantinham sua
independência política em relação ao domínio colonial português.

Entre esses Estados, destacavam-se dois como forças dominantes: o Estado de Gaza, cuja
capital localizava-se em Mossurize, exercendo influência sobre as atuais províncias de
Inhambane e Gaza; e o Estado de Maputo, situado ao sul da baía de Lourenço Marques, que
abrangia a região entre os Montes Libombos eo litoral, incluindo a chefatura Tembe.

Esses territórios, embora autônomos, já mantinham relações comerciais com capitais asiáticos
e europeus, por meio de pequenos estabelecimentos portugueses localane e Lourenço
Marques, tanto na costa quanto no interior. E já estavam inseridos em redes comerciais
transcontinentais. Essa inserção se dava por meio de relações estabelecidas com capitais
asiáticos e europeus, evidenciando uma dinâmica de interdependência econômica anterior à
ocupação colonial formal.

A presença portuguesa, embora limitada em termos de controle territorial, manifestava-se


através de pequenos estabelecimentos comerciais localizados em pontos estratégicos como
Inhambane e Lourenço Marques (atualmente Maputo). Esses entrepostos funcionavam como
núcleos de mediação entre os interesses mercantis europeus e asiáticos e as estruturas
políticas africanas locais. Neles, realizavam-se trocas de produtos como marfim, tecidos,
armas e outros bens de valor, que circulavam tanto pelo litoral quanto pelo interior, por meio
de rotas comerciais mantidas por caravanas e chefaturas africanas.

Essa configuração revela que, mesmo antes da consolidação do domínio colonial, os


territórios moçambicanos já participavam ativamente de circuitos econômicos globais. A
atuação portuguesa, nesse contexto, não se dava apenas pela força militar, mas também pela

5
construção de uma infraestrutura comercial que gradualmente ampliava sua influência sobre
os sistemas locais de produção e troca.

As interações entre os Estados do sul e os mercadores estrangeiros baseavam-se em


atividades econômicas específicas, que permitiam o acesso a bens de valor estratégico e
simbólico, como a caça ao elefante, por exemplo, era uma prática recorrente, pois o marfim
obtido possibilitava a inserção desses Estados no mercado internacional. Com o marfim, os
líderes locais podiam adquirir produtos até então inacessíveis, como ferro, tecidos, armas de
fogo e missangas de vidro, elementos que reforçavam tanto o poder político quanto o
prestígio social.

Paralelamente, junto a caça ao elefante estava a produção de oleaginosas — especialmente


amendoim, gergelim e milho — a venda desses produtos foi ainda de maior valia quando o
comércio de marfim começou a declinar na década de 1870. Esses produtos eram exportados
para a África do Sul e para a Europa, consolidando uma economia de base agrícola voltada
para o comércio externo. Com o tempo, o comércio de oleaginosas ganhou uma grande
importânca. O que antes era adquirido em troca do marfim passou a ser parcialmente
garantido pela comercialização de oleaginosas. Como resultado das campanhas de
pacificação levadas a cabo pelos Portugueses, a partir de 1895, estes Estados perdem a sua
soberania e independência.

A história do sul de Moçambique é marcada por uma transição profunda: da autonomia


comercial africana à integração forçada na economia-mundo colonial. Essa trajetória, iniciada
com a entrada do sul do Save nas redes globais, culmina na centralidade de Lourenço
Marques como polo migratório e logístico.

Como já evidenciado, é importante referir que o sul do Save não precisou do colonizador
português para se inserir no comércio internacional. Antes da ocupação efetiva, já mantinha
redes comerciais com mercadores asiáticos, europeus e vizinhos africanos, exportando
marfim, peles, milho e amendoim por vias próprias. A presença portuguesa foi tardia e mais
voltada ao controle territorial do que ao desenvolvimento das trocas.

Uma das maiores riquezas da região sempre foram suas gentes — não apenas como mão-de-
obra para as minas sul-africanas, mas como portadoras de saberes, cultura e capacidade de
transformação. O trabalho migratório gerou renda, infraestrutura e identidade coletiva,
tornando as pessoas verdadeiras “minas” vivas.

6
A África do Sul teve papel decisivo nessa inserção: como destino comercial, como
empregadora de trabalhadores moçambicanos e como elo logístico através de ferrovias e
mercados. Foi por essa ponte regional — e não pela colonização portuguesa — que o sul do
Save se conectou à economia-mundo.

Lourenço Marques e o sul de Moçambique


Antes da consolidação do domínio colonial português, Lourenço Marques (atualmente
Maputo) já desempenhava um papel estratégico na economia do sul de Moçambique. A
região passou por dois períodos distintos entre 1840 e 1885, marcados por transformações
profundas nas dinâmicas comerciais e sociais.

1.° Período (1840-1870):


 Caça ao elefante e exportação do marfim.
 Acumulação de fortunas nas mãos de Inácio José Paiva de Raposo e Diocleciano
Fernandes das Neves.
 Extinção completa dos elefantes.
 Estabelecimento, no Sul, de uma rede de comércio sob controlo asiático (a partir de
1838). Início da exportação de mão-de-obra para a colónia britânica do Natal.
 Início da monetarização da economia do Sul de Moçambique,

Retomando o ponto anteriormente abordado, é possível observar que no primeiro período


(1840–1870), a economia local girava em torno da caça ao elefante e da exportação de
marfim, atividade que gerou fortunas significativas para comerciantes como Inácio José Paiva
de Raposo e Diocleciano Fernandes das Neves. No entanto, a exploração intensiva levou à
extinção quase completa dos elefantes, encerrando esse ciclo económico.

Paralelamente, estabeleceu-se uma rede de comércio sob influência asiática e britânica,


especialmente a partir de 1838, com destaque para o controle britânico exercido a partir da
colônia do Natal. Essa rede contribuiu para o início da modernização da economia regional,
conectando o sul de Moçambique a mercados externos e introduzindo novas formas de
organização comercial. Lourenço Marques tornou-se, assim, um ponto de articulação entre os
interesses locais e os circuitos internacionais de mercadorias.

2.º Período (1870-1885):


 Fim da caça ao elefante e da exportação do marfim em larga escala.

7
 Aumento da exportação de milho e de peles de animais para o Natal e amendoim para
Marselha.
 Estreitamento de laços económicos entre o Sul de Moçambique, as colónias britânicas
e as repúblicas bóeres independentes.

Como já mencionado, mas agora sob outra perspectiva neste segundo período, com o declínio
da caça ao elefante, houve uma transição para o comércio de peles e outros produtos animais,
inicialmente direcionado ao Natal e, posteriormente, a Marselha. Essa mudança coincidiu
com o fortalecimento das ligações econômicas entre o sul de Moçambique, as colônias
britânicas vizinhas e as repúblicas boêres independentes. Lourenço Marques consolidou-se
como centro urbano e portuário, facilitando o escoamento de produtos agrícolas e minerais,
além de servir como ponto de entrada para bens manufaturados.

Essas transformações econômicas tiveram implicações diretas no trabalho migratório. A


crescente demanda por mão de obra nas colônias vizinhas e nas zonas de produção levou
muitos moçambicanos a migrarem temporariamente em busca de emprego, especialmente nas
minas da África do Sul. Lourenço Marques funcionava como eixo logístico dessa mobilidade,
articulando fluxos de trabalhadores e mercadorias. Assim, o sul de Moçambique, com
destaque para Lourenço Marques, não apenas participou das redes comerciais internacionais,
mas também desempenhou papel central na configuração dos movimentos migratórios que
marcaram a região durante o período pré-colonial e colonial inicial.

Razões que contribuiram para o estreitamento dos laços econónticos


Foram duas razões contribuiram para o estreitamento destes laços econónticos:

 a abertura das minas de diamantes em Kimberley concorreu para a migração da força


de trabalho do Sul de Moçambique, criando uma dependência econômica baseada na
exportação de força de trabalho;
 depois de 1874, Lourenço Marques e o Sul de Moçambique ficaram mais
estreitamente ligados ao capitalismo colonial, a partir da exploração do ouro em
Lydenburg, no leste do Transval. A cidade de Lourenço Marques tornou-se um local
de trânsito, por via terrestre, de recrutadores e equipamento até Lydenburg. No mesmo
ano de 1874, começou a funcionar um serviço regular de barcos a vapor, fazendo a
ligação às já conhecidas rotas do Cabo e do Suez.

De referir que os laços económicos são referem-se às conexões crescentes entre o sul de
Moçambique e as economias coloniais da África Austral — especialmente as colônias

8
britânicas do Cabo e do Natal, e as repúblicas bóeres do Transval e Orange — durante a
segunda metade do século XIX.

Esses laços não foram apenas econômicos no sentido técnico — eles também implicaram
transformações sociais, políticas e culturais profundas. Se quiser, posso te ajudar a explorar
como essa dependência moldou a identidade regional ou os impactos que isso teve nas
comunidades locais.

Analisando os dois períodos, podemos perceber que, a partir da segunda metade do século
XIX, a economia do Sul de Moçambique começou por ser profundamente influenciada pela
expansão da economia capitalista que se verificava nas colónias britânicas do Cabo e do
Natal e nas repúblicas bóeres do Transval e Orange. Com efeito, a necessidade de fontes de
mão-de- -obra abundante e barata, para as minas e plantações sul-africanas, combinada com
as dificuldades económicas, então experimentadas pelas formações políticas do Sul de
Moçambique, concorreu para a transformação das actuais províncias de Maputo, Gaza e
Inhambane em reserva de mão-de-obra.

A utilização do Sul de Moçambique como reserva de mão-de-obra e a sua exportação para os


centros mais avançados de acumulação capitalista na África do Sul mostrou claramente a
especifi- cidade do colonialismo português: a sua dependência. Inicialmente, esta mão-de-
obra ia para as plantações sacarinas do Natal e para os campos diamantíferos de Kimberley e
minas de ouro de Witwatersrand. A exportação da força de trabalho para a África do Sul foi
regulamentada por acordos datando desde 1896 e posteriormente renegociados várias vezes.

O quadro seguinte mostra aquela que é a cronologia da utilização da mão-de-obra


moçambicana na África do sul.

1896 Mouzinho de Albuquerque autoriza a emigração voluntária para África do


sul

1897 18 de novembro. Aprovação do regulamento para o engajamento de


indígenas da província de Moçambique para o trabalho na África do sul.

Criação da pasta do curador, cujo titular tinha como função dirigir e


controlar os «nativos» moçambicanos na África do sul.

Criação da Witwatersrand Native Labour Association, WANELA.

1901 Acordo secreto entre a WENELA, organização da Câmara das Minas e o

9
Governo Português:

WANELA obtém o monopólio de recrutamento de mão-de-obra no sul.

Devido aos interesses do capital internacional a Norte do rio Save, foi


também incluída uma cláusula proibindo a

à WANELA o estabelecimento de estações de recrutamento a Norte do


paralelo 22º.

1909 Primeira convenção entre Moçambique e transval diferido voluntário.

1913 Proibição do recrutamento de trabalhadores para o transval ao Norte do


paralelo 22º.

1914 4 de julho. Acordo suplementar ao acordo de 1913.

1928 Convenção entre Portugal e a África do sul. Pagamento diferido


obrigatório.

Análisando esta cronologia verificaremos que estes acordos estavam estreitamente


relacionados com o porto e caminho de ferro de Lourenço Marques, que servia o complexo
mineiro industrial do transval.

A cronologia dos acordos entre Moçambique e a África do Sul, entre 1896 e 1918, revela uma
engrenagem colonial que articulava mão-de-obra, política e logística. O porto de Lourenço
Marques não eram apenas meios de transporte: eram dispositivos estratégicos que
sustentavam o funcionamento do complexo mineiro-industrial do Transval.

Desde a autorização da emigração voluntária em 1896 até à convenção de pagamento diferido


em 1918, os acordos sucessivos mostram uma crescente sofisticação na gestão da força
laboral moçambicana. A criação da WANELA em 1901, com monopólio de recrutamento, e
os acordos secretos com o governo português indicam que o recrutamento não era apenas
uma questão administrativa — era uma operação transnacional, dependente de infraestrutura
robusta e controle territorial.

O caminho de ferro entre Lourenço Marques e Pretória, concluído em 1892, oferecia ao


Transvaal uma rota mais curta e eficiente para o mar, evitando os portos britânicos. Essa linha
férrea permitia o transporte de trabalhadores, carvão, ouro e maquinaria, consolidando

10
Lourenço Marques como nó logístico essencial. O porto, por sua vez, funcionava como ponto
de entrada e saída de mercadorias e pessoas, gerando receitas alfandegárias e influência
regional para Portugal.

A presença de cláusulas sanitárias nos regulamentos de engajamento, a delimitação


geográfica do recrutamento (como a proibição ao norte do paralelo 22° em 1913), e a
institucionalização dos contratos escritos (1909) revelam um sistema que se pretendia
funcional, previsível e lucrativo. Lourenço Marques, nesse contexto, não era periferia
colonial — era centro operacional de uma economia extrativista que dependia da circulação
controlada de corpos e bens.

Mais do que uma simples cronologia, esses acordos desenham um mapa de interesses
cruzados, onde o território moçambicano servia como reservatório humano e corredor
logístico. A ferrovia e o porto não apenas viabilizavam o recrutamento, mas legitimavam-no
como parte de uma ordem colonial que transformava mobilidade em lucro e soberania em
serviço.

O Acordo de 1909, por exemplo, estabelecia:

 a manutenção de uma «zona de competência» de parte de Lourenço Marques em


relação à área do rand;
 a garantia de 50% do tráfego dessa área passar pelo porto de Lourenço Marques;
 estabelecimento de uma comissão mista para a coordenação dos dois
sistemasferroviários;
 monopólio de recrutamento à WENELA;
 um sistema de pagamento diferido de salários (mas numa base voluntária);
 a possibilidade de o governo português cobrar os impostos nas minas;
 o direito a receber uma taxa por cada mineiro recrutado, a ser paga pelas minas;
 contratos que continuariam a ser celebrados por 12 meses, mas renováveis.

11
Por seu turno, o de 1928, que devia vigorar durante dez anos, incluía os seguintes pontos
Principais:

 mantinha em vigor todos os acordos anteriores no que diz respeito ao porto de


Lourenço Marques, nomeadamente o que estabelecia que 50% das importações por
mar, dirigidas à «zona de competência do rand, seriam feitas através de Lourenço
Marques;
 estabelecia um sistema de pagamento diferido obrigatório, nos termos do qual uma
parte dos salários era entregue à Curadoria e pago aos trabalhadores depois do seu
regresso a Moçambique, depois de cada contrato;
 o período de contrato era de 12 meses, extensíveis por mais seis meses, e era proibido
voltar a empregar os trabalhadores antes de estes terem passado pelo menos seis
meses em Moçambique;
 estipulava que o número de moçambicanos nas minas fosse reduzido para 80 mil
mineiros até 1933. Impôs o repatriamento compulsivo depois desse período e
proibindo um novo contrato durante os seis meses seguintes.

Para avançar com rigor, convém esclarecer o que se entende por WANELA evitando
ambiguidades, e reconhecendo que foi um termo muito abordado no decorrer do trabalho,
mas sem uma conceitualização exata e clara, WANELA (Witwatersrand Native Labour
Association) ou em português (Associação de Trabalho Nativo de Witwatersrand) foi
uma organização criada pela África do Sul para recrutar trabalhadores africanos —
incluindo muitos moçambicanos — para trabalhar nas minas de ouro em Witwatersrand
uma região rica em minas de ouro na África do Sul.

 Era como uma empresa que ia buscar homens em Moçambique para trabalhar nas
minas da África do Sul;
 Funcionava com autorização do governo português, que deixava a WENELA
organizar tudo: transporte, alojamento, exames médicos e contratos;
 A maioria dos trabalhadores vinha do sul de Moçambique, especialmente das
províncias de Gaza, Inhambane e Maputo, porque estavam mais perto da África
do Sul;
 Muitos homens ficavam longe da família por meses ou anos, em condições
difíceis, só para ganhar algum dinheiro.

12
A WENELA mostra como Moçambique era usado por outras potências, como a África do
Sul, para conseguir mão-de-obra barata. E também mostra como o governo colonial
português dependia de acordos com países mais ricos para manter o controle e ganhar
dinheiro.

Os acordos sobre o trabalho: 1867, 1897, 1901. 1909 e 1928


A partir de 1867, com a crescente saida de mão-de-obra moçam- bicana para a Africa do Sul.
Portugal sentiu necessidade de regulamentar o sector. Nesse sentido publicou alguns acordos
sobre o trabalho.

Acordos sobre o trabalho


1867: os governos de Natal (África do sul) E de Portugal estabeleceram um acordo que
permitia a saída voluntária de trabalhadores, a partir de Lourenço Marques por via marítima;

 Foi alargado em 1875 no sentido de permitir a os moçambicanos trabalharam na


província do cabo.

1897: o primeiro estatuto regulamentado sobre a migração de trabalhadores para o transval


foi estabelecido pelo governador colonial de Moçambique, Mouzinho de Albuquerque.

Este estatuto estabelecia a função de curador, cujo titular tinha como competências dirigir e
controlar os “nativos” moçambicanos na África do sul.

 Neste mesmo ano foi criada a Witwatersrand Native Labour Association, WANELA.

1901: o recrutamento de trabalhadores o moçambicanos foi interrompido quando começou a


guerra anglo-Bóer (1899-1902).

Segundo os novos regulamentos assinados pelos ingleses, depois de estes terem assumido o
controlo do Transvaal, e como resultado de pressão por parte dos colonos em Moçambique, o
período de contrato foi limitado a um ano. Foi permitido à WENELA gerir o monopólio de
recrutamento no Sul de Moçambique.

13
1909: Nesta data foi oficialmente assinada a primeira Convenção entre Moçambique e o
Transvaal e o recrutamento de mão-de-obra.

A Convenção estabelecia o seguinte:

a) a manutenção de uma “zona de competência” da parte de Lourenço Marques em


relação à área do Rand; a garantia de que 50% do tráfego dessa área pas- saria pelo
porto de Lourenço Marques; o estabelecimento de uma comissão 1909 mista para a
coordenação dos dois sistemas ferroviários; e o sistema de tari- fas ferroviárias;
b) a formalização do acordo prévio que estabelecia o monopólio de recrutamento da
WENELA; um sistema de pagamento diferido de salários (mas numa base
voluntária); a possibilidade de o Governo português poder cobrar os impostos nas
minas; o direito a receber uma taxa por cada mineiro recrutado, a ser paga pelas
minas; os contratos teriam a duração de 12 meses, mas renováveis.

1928: Este acordo que devia vigorar durante dez anos incluía os seguintes pontos prin-
cipais:

a) mantinha em vigor todos os acordos anteriores no que diz respeito ao porto de


Lourenço Marques, nomeadamente o que estabelecia que 50% das importações por
mar dirigidas à “zona de competência” do Rand, e que seriam feitas através de
Lourenço Marques;
b) o período de contrato era de 12 meses, extensíveis por mais 6 meses, e era proibido
voltar a empregar os trabalhadores antes destes terem passado, pelo menos, 6 meses
em Moçambique, depois de cada contrato;
c) estabelecia um sistema de pagamento diferido obrigatório, nos termos do qual uma
parte dos salários era entregue à Curadoria e pago aos trabalhadores depois do seu
regresso a Moçambique;
d) estipulava que o número de moçambicanos nas minas fosse reduzido para 80 mil
mineiros até 1933. Impôs o repatriamento compulsivo depois desse período e proibia
a celebração de um novo contrato durante os seis meses seguintes.

14
As vias de comunicação
Segundo Newitt:

[…] a economia do Estado Colonial e as duas companhias avalizadas dependiam maiori-


tariamente de dois factores: a tributação dos camponeses africanos e a utilização de mão-de-
obra africana, e a criação de mão-de-obra e serviços para as colónías britânicas. […] As
despesas com as campanhas de pacificação eram justificadas como uma forma de inves-
timento destinada a aumentar os rendimentos dos impostos e da mão-de-obra africanos e
moeda britânica através da criação de serviços. […]

Toda a economia colonial de Moçambique dependia de dois factores importantes: a utilização


da mão-de-obra africana (para uso interno ou para exportação) e a cobrança de impostos aos
campo neses. Mas para a colónia crescer economicamente e ser completa mente dominada
pelo invasor era necessário implementar um bom sistema de comunicações. A via-férrea foi a
opção escolhida, por excelência. Contudo, também se registou um interesse substancial em
desenvolver os portos e algumas estradas térreas.

A ideia da construção do caminho-de-ferro de Lourenço Marques ao Transvaal foj objecto de


discussão pela primeira vez em 1870, no Transvaal. O Governo do Transvaal tinha o desejo
de se libertar do domínio e influência britânicos e Lourenço Marques garantia-lhe a libertação
por via marítima. Para Portugal, a construção do caminho-de-ferro era importante porque
serviria de corredor de acesso ao interior, facto relevante na implementação do principio da
ocupação efectiva.

Outra linha de comunicação importante era a linha que ligava Beira à Rodésia. Os trabalhos
da sua construção iniciaram-se em 1892, com a construção da linha férrea Beira-Macequece
e, em 1897, com a construção da linha férrea entre Beira e Umtail. Esta linha começou a
funcionar oficialmente somente em 1898.

Cronologia das principais vias de comunicação de Moçambique


1871: Inicio da construção da estrada de Lourenço Marques à fronteira do Transvaal;

1887: Inicio da construção da linha férrea Lourenço Marques-Transvaal;

1892:Inicio dos trabalhos de construção da linha de caminho-de-ferro Beira-Macequece;

1897:Linha férrea Beira-Umtali entra em funcionamento (via reduzida);

15
1901:Linha de caminho-de-ferro, via normal, entre Beira e a Rodésia do Sul encontra-se em
expansão;

1912:Linha de caminho-de-ferro Suazilândia chega a Goba;

1929:Conclusão da construção do porto de Maputo.

É importante referir que Moçambique passou por importantes melhorias nas vias de
comunicação, impulsionadas pelo domínio colonial e pela integração na economia-mundo.
Foram construídos caminhos-de-ferro, como a linha Lourenço Marques–Pretória (1895),
modernizados os portos marítimos (Maputo, Beira, Nacala), instaladas redes de telégrafo e
iniciada a expansão de estradas secundárias. Ao relacionar essa cronologia com o mapa [59],
destaca-se o transporte ferroviário como o mais privilegiado, especialmente a linha Lourenço
Marques–Transvaal, que ligava o sul de Moçambique às minas da África do Sul. Essa
infraestrutura foi essencial para a economia a sul do Save, pois facilitou a exportação de mão-
de-obra, impulsionou o comércio internacional, promoveu o crescimento urbano e reforçou o
controlo colonial sobre o território.

Consequências gerais do trabalho migratório


 Incremento dos contactos entre Lourenço Marques e o Transval a partir da exploração
mineira;
 Aumento da importância de Lorenço Marques como centro de trânsito para o
recrutamento de homens e de escoamento de equipamento para Transval;
 Aumento de empreendimentos comerciais, de hotéis e de prestação de serviços
transformando-se numa das principais fontes receita das taxas de trânsito;
 Escassez de mão-de-obra masculina no interior de Moçambique o que provocou a
intervenção do governo colonial a pedido dos comerciantes;
 Expansão da rede comercial, interior do sul de no Moçambique, controlada por
asiáticos e que absorvia os salários dos mineiros.

16
Narrativas e representações do trabalho migratório
Narrativa Oficial: Trabalho como “civilização”

 As autoridades coloniais portuguesas frequentemente apresentavam o trabalho


migratório como uma forma de “disciplinar” e “civilizar” os africanos.
 recrutamento era descrito como voluntário e benéfico, ocultando coerções, violências
e perdas sociais envolvidas.

2. Economia de Prestação de Serviços

 Moçambique foi retratado como uma “reserva de força de trabalho” para a África
Austral, especialmente para as minas sul-africanas.
 Estado colonial dependia economicamente da exportação de mão de obra, mas isso
era mascarado como cooperação regional.

3. Acordos Secretos e Controle

 A WENELA (organização da Câmara das Minas) obteve monopólio do recrutamento


por meio de acordos secretos com autoridades portuguesas, como os de 1901 e 1909.
 Esses acordos garantiam fornecimento constante de trabalhadores, mas os documentos
oficiais evitavam mencionar os impactos sociais e culturais dessa migração forçada.

4. Silenciamento da Experiência Africana

 Relatos coloniais ignoravam as rupturas familiares, os abusos nas minas e os retornos


traumáticos.
 A voz dos trabalhadores era ausente nos relatórios oficiais, que priorizavam
estatísticas e eficiência econômica.

5. Instrumentalização da Mobilidade

 A mobilidade era apresentada como escolha individual, quando na verdade era


resultado de pressões fiscais, violência administrativa e falta de alternativas locais.
 A emigração era usada como forma de garantir arrecadação de impostos e controle
político sobre populações rurais.

17
Conclusão
Em síntese deste estudo sobre o sul e o trabalho migratório, nós podemos destacar a análise
dos períodos de 1840 a 1885 revela como Lourenço Marques se transformou em um ponto
estratégico na economia do sul de Moçambique, moldando-se sob a influência do capitalismo
colonial. A transição da caça ao elefante para o comércio de peles e produtos agrícolas,
seguida pela exportação de mão-de-obra para as colônias britânicas, ilustra a dependência
econômica e social que se estabeleceu. Os acordos entre Moçambique e a África do Sul não
apenas regulavam a migração de trabalhadores, mas também consolidavam Lourenço
Marques como um eixo logístico essencial. Uma curiosidade que poucos conhecem é que a
criação da Witwatersrand Native Labour Association (WANELA) foi um marco na
institucionalização do recrutamento de trabalhadores moçambicanos, refletindo a complexa
relação entre exploração e dependência que caracterizou o colonialismo português.

18
Referência bibliográficas
 PERREIRA, J.L.B. História 12ª Disponível Classe. 1ª Ed. Maputo. Pearson Moz.
2013. 152pg
 COSSA, Hortência e MATARUCA, Simão. Moçambique e a sua história. 1ª Ed. Dina
me e.e 191pg ADMINISTRADOR. O Sul e o trabalho migratório e os acordos sobre o
trabalho: 1867, 1897, 1901, 1909 e
 NHAPULO, Telésfero de Jesus. História 12ª classe . 1ª Ed.
 1928. Blogger, 2018. em: [Link]
[Link]. Acesso em: 31 ago. 2025.
 NGOVENE, Daniel. O Sul de Moçambique e o Trabalho Migratório: causas e
consequências. Filotchila, publicado há 3 anos. Disponível em:
[Link]
Migrat%C3%B3rio-causas-e. Acesso em: 31 ago. 2025.
 MINEDH. Módulo 7 de História: O Colonialismo Português em Moçambique de
1890 a 1930. Instituto De Educação Aberta e à Distância (IEDA), Moçambique, s/d.

19

Você também pode gostar