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Diabetes Gestacional: Riscos e Tratamento

Resumo de materno infantil, matéria de nutrição

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Diabetes Mellitus Gestacional

10.1 Introdução

●​ Definição: Intolerância a carboidratos de gravidade variável diagnosticada na


gestação.​

●​ Dois tipos de hiperglicemia:​

○​ DMDG – Diabetes mellitus diagnosticado na gestação (diabetes prévio).​

○​ DMG – Diabetes mellitus gestacional.​

●​ Prevalência: No Brasil, ~18% das gestantes do SUS preenchem critérios de DMG.​

●​ Fatores de risco principais:​



Obesidade, idade > 25 anos, história familiar/pessoal de DM, gestação múltipla,
hipertensão, dislipidemia, tabagismo, sedentarismo, macrossomia prévia, óbito fetal
sem causa aparente.​

●​ Fisiopatologia:​

○​ Gestação normal → hormônios placentários diabetogênicos ↑ (lactogênio


placentário, progesterona, cortisol, prolactina) → aumento da resistência
insulínica.​

○​ A partir da 24ª semana, se o pâncreas não aumenta a produção de insulina


→ hiperglicemia materna.​

●​ Riscos da hiperglicemia:​

Eleva morbidade materna e perinatal, com repercussões de curto, médio e longo
prazo para mãe e filho.​

Quadro – Repercussões

●​ Mãe: aborto espontâneo, pré-eclâmpsia, hipertensão gestacional, polidrâmnio,


infecção urinária, parto prematuro, cesárea, hemorragia pós-parto, risco futuro de
DM tipo 2, doença cardiovascular e alterações no metabolismo de glicose/lipídios.​

●​ Feto/Neonato: crescimento excessivo, distócia de ombros, lesão de plexo braquial,


hipóxia, óbito fetal, hipoglicemia neonatal, icterícia, policitemia, trombose,
prematuridade, distúrbio respiratório, óbito neonatal.​
●​ Longo prazo (filho): maior risco de sobrepeso, obesidade, DM tipo 2 e doenças
cardiovasculares.​

10.2 Diagnóstico

●​ Investigação: no início da gestação e entre 24–28 semanas.​

●​ Rastreamento: universal, independentemente de fatores de risco.​

●​ 1ª consulta:​

○​ Glicemia de jejum (GJ):​

■​ ≥126 mg/dL → DMDG (diabetes prévio).​

■​ 92–125 mg/dL → DMG.​

●​ Se GJ < 92 mg/dL:​

Fazer TOTG 75 g entre 24–28 semanas (medir jejum, 1h e 2h).​

○​ Critérios DMG:​

■​ Jejum ≥ 92 mg/dL​

■​ 1h ≥ 180 mg/dL​

■​ 2h ≥ 153 mg/dL​

(basta 1 valor alterado).​

○​ GJ ≥ 126 mg/dL ou 2h ≥ 200 mg/dL → diabetes prévio.​

●​ Recursos limitados: repetir GJ na 24–28 semanas com mesmos valores de corte.​

10.3 Tratamento

●​ Objetivos: manter normoglicemia, evitar cetose, garantir ganho de peso adequado,


desenvolvimento fetal e prevenir desfechos adversos.​

●​ Início: imediato após diagnóstico.​

●​ Envolvimento familiar: discutir riscos e benefícios para melhorar adesão.​


10.4 Controle glicêmico

●​ Metas:​

○​ Jejum < 95 mg/dL​

○​ 1h pós-prandial < 140 mg/dL​

○​ 2h pós-prandial < 120 mg/dL​

●​ Método: automonitorização com glicosímetro (SUS fornece insumos).​

●​ Frequência:​

○​ Sem fármacos: perfil 3x/semana (jejum + pós-café, pós-almoço, pós-jantar).​

○​ Com insulina: preferencialmente diário.​

○​ DM1 ou DM2: incluir pré-prandiais.​

●​ Contar tempo das pós-prandiais a partir do início da refeição.​

10.5 Medidas não farmacológicas

●​ Primeira linha: dieta + exercício.​



~70% controlam glicemia só com essas medidas.​

●​ Orientação nutricional:​

○​ Individualizar por IMC, idade, atividade física, condição clínica,


socioeconômica e cultural.​

○​ Dieta equilibrada com macro e micronutrientes; priorizar alimentos in


natura/minimamente processados.​

○​ Distribuição de macronutrientes:​

■​ 40–55% carboidratos​

■​ 15–20% proteínas​

■​ 30–40% lipídios​

○​ Incluir cereais, legumes, verduras, frutas, leites e derivados, carnes/ovos,


óleos vegetais.​
○​ Estimular sementes (linhaça, chia, girassol, gergelim) e oleaginosas
(castanhas, nozes).​

○​ Açúcar → substituir por edulcorantes (máx. 6 sachês ou 15 gotas/dia).​

○​ Ceia noturna: 25 g carboidratos + proteína/lipídio (previne hipoglicemia em


insulinodependentes).​

●​ Exercício:​

○​ Incentivar início ou manutenção se não houver contraindicação.​

○​ Caminhada moderada 5+ dias/semana, 30–40 min.​

10.6 Tratamento farmacológico

●​ Primeira escolha: Insulina (segura na gestação).​



Indicada quando medidas não farmacológicas não atingem metas (≥ 30% das
glicemias alteradas).​

●​ Insulinas mais utilizadas no DMG/DMDG:​

○​ NPH (ação intermediária) – controle de jejum e pré-prandial.​

○​ Regular (ação rápida) – controle pós-prandial.​

○​ Análogos ultrarrápidos (asparte, lispro) – indicados em casos de hipoglicemia


persistente/difícil controle.​

○​ Análogo prolongado detemir – seguro em DM tipo 1, mas não avaliado no


DMG.​

●​ Esquemas de aplicação:​

○​ Dose inicial: 0,5 UI/kg/dia, fracionada (ex.: 2/3 manhã, 1/3 à noite) ou 4
aplicações (rápida nas refeições + NPH à noite).​

○​ Ajustes de dose conforme perfil glicêmico, avaliados a cada 15 dias até 30ª
semana, e semanalmente após.​

●​ Antidiabéticos orais:​

○​ Não liberados rotineiramente (falta de evidências de segurança a longo


prazo).​
○​ Metformina pode ser usada em casos muito específicos: difícil acesso à
insulina, incapacidade de aplicação, estresse com insulina, altas doses (>100
UI/dia) sem controle.​

○​ Uso deve ser discutido com paciente/família e registrado em prontuário com


termo de consentimento.​

10.7 Cuidados obstétricos pré-natais

●​ Foco principal:​

○​ Crescimento fetal (principalmente excessivo).​

○​ Oxigenação intrauterina.​

○​ Momento adequado do parto.​

●​ Ultrassonografia precoce: confirmar idade gestacional e avaliar morfologia fetal.​

●​ Risco no DMG: crescimento fetal excessivo (GIG ≥ P90 ou peso > 4.000 g) →
aumenta risco de trauma de parto, hipoglicemia neonatal, distúrbios respiratórios.​

●​ Causas: excesso de glicose materna → aumento da insulina fetal → crescimento


exagerado.​

●​ US obstétrica: avaliar crescimento a partir de 24–28 semanas; usar circunferência


abdominal como parâmetro mais sensível.​

●​ Avaliação do bem-estar fetal: indicada no DMG tratado com insulina ou mal


controlado; iniciar 32ª semana, 1–2x/semana.​

●​ Método mais comum: perfil biofísico fetal simplificado (cardiotocografia de repouso +


líquido amniótico).​

●​ Doppler de artéria umbilical: só em casos com risco de insuficiência placentária.​

10.8 Cuidados obstétricos no momento do parto

●​ Decisão do momento: equilibrar riscos do parto tardio (natimorto, trauma por


macrossomia) e indução precoce (prematuridade, cesárea).​

●​ Indicação de parto:​
○​ DMG bem controlado sem fármacos → não induzir antes de 39 semanas;
pode aguardar até 40 6/7 semanas com monitoramento.​

○​ DMG em tratamento farmacológico → parto entre 39 0/7 e 39 6/7 semanas.​

○​ DMG mal controlado → parto a partir de 37 semanas.​

10.9 Controle glicêmico no parto

●​ Meta intraparto: glicemia entre 100–120 mg/dL.​

●​ Condutas:​

○​ Se < 70 mg/dL → infusão contínua de glicose (5% a 10%).​

○​ Se ≥ 120 mg/dL → insulina regular rápida SC.​

●​ Intraparto espontâneo: infusão glicose 5% (125 mg/h), monitorar glicemia 1–2h.​

●​ Cesárea programada: jejum ≥ 8h, administrar ½ ou ⅓ da dose de NPH, glicemia a


cada 2h, infusão glicose 5% (125 mg/h).​

●​ Indução do parto: seguir esquema da cesárea para insulina e glicose.​

●​ Pós-parto: suspender medicação na maioria dos casos; monitorar glicemia por


24–72h se hiperglicemia persistir.​

●​ Reavaliação pós-parto: 6–8 semanas com TOTG 75 g.​

○​ DM: jejum ≥ 126 mg/dL ou 2h ≥ 200 mg/dL → iniciar tratamento.​

○​ Normal: orientar prevenção de DM tipo 2 e manutenção de hábitos


saudáveis.​

RESUMO

Seção Conteúdo-chave

Definição (10.1) Intolerância a carboidratos de gravidade variável


diagnosticada na gestação. Inclui: DMDG (diabetes
prévio detectado na gestação) e DMG (início na
gestação).
Prevalência ~18% das gestantes do SUS atendem critérios.

Fatores de risco Obesidade, idade > 25 anos, histórico familiar/pessoal


de DM, gestação múltipla, HAS, dislipidemia,
tabagismo, sedentarismo, macrossomia prévia, óbito
fetal inexplicado.

Fisiopatologia Hormônios placentários (lactogênio placentário,


progesterona, cortisol, prolactina) → resistência
insulínica ↑ (24ª semana) → se pâncreas não compensa
→ hiperglicemia.

Complicações maternas Curto prazo: aborto, pré-eclâmpsia, polidrâmnio, parto


prematuro, cesárea, infecção urinária/pós-parto. Longo
prazo: DM tipo 2, doença cardiovascular, obesidade.

Complicações fetais/neonatais Curto prazo: macrossomia, distócia de ombros,


hipoglicemia, icterícia, policitemia, óbito fetal/neonatal.
Longo prazo: obesidade, resistência insulínica, DM tipo
2.

Tópico Pontos-chave

Diagnóstico - Rastreamento universal.1ª consulta:• GJ ≥ 126 mg/dL


→ DMDG (diabetes prévio)• 92–125 mg/dL → DMG• < 92
mg/dL → TOTG 75 g (24–28 sem.).Critérios TOTG
(DMG):• Jejum ≥ 92 mg/dL• 1h ≥ 180 mg/dL• 2h ≥ 153
mg/dL (1 valor alterado confirma)• GJ ≥ 126 mg/dL ou 2h
≥ 200 mg/dL → diabetes pré[Link] falta de TOTG: repetir
GJ 24–28 sem.

Tratamento (geral) - Objetivo: normoglicemia, evitar cetose, ganho de peso


adequado, desenvolvimento fetal normal, prevenir
complicações.- Início imediato após diagnóstico.-
Envolver família para adesão.

Controle glicêmico - Metas: Jejum < 95 mg/dL; 1h < 140 mg/dL; 2h < 120
mg/dL.- Automonitorização com glicosímetro (SUS
fornece insumos).- Sem fármacos: 3x/semana, 4
pontos/dia.- Com insulina: diariamente.- DM1/DM2:
incluir pré-prandiais.

Medidas não farmacológicas - Nutrição:• 40–55% carboidratos, 15–20% proteínas,


30–40% lipídios.• Alimentos in natura/minimamente
processados.• Fracionar refeições, incluir fibras e
oleaginosas.• Ceia noturna para insulinodependentes
(25 g carboidrato + proteína/lipídio).• Edulcorantes
liberados (máx. 6 sachês/dia).- Exercício: caminhada
moderada, 30–40 min, ≥ 5 dias/semana, se sem
contraindicação.

Tratamento farmacológico - Primeira escolha: insulina (NPH, Regular; análogos


ultrarrápidos asparte/lispro; detemir seguro no DM1).-
Dose inicial: 0,5 UI/kg/dia, fracionada.- Ajuste de dose a
cada 15 dias até 30ª semana; semanalmente depois.-
Antidiabéticos orais não indicados; metformina só em
casos especiais com termo de consentimento.

Cuidados pré-natais - Monitorar crescimento fetal (risco GIG/macrossomia).-


US precoce (idade gestacional/morfologia).-
Circunferência abdominal = melhor parâmetro.-
Bem-estar fetal (DMG com insulina/mal controlado):
iniciar 32ª semana, 1–2x/semana.- Doppler só se risco
de insuficiência placentária.

Cuidados no parto - DMG bem controlado sem fármacos: ≥ 39 semanas


(pode até 40 6/7 sem.).- DMG com fármacos: 39 0/7 a 39
6/7 sem.- DMG mal controlado: ≥ 37 semanas.- Via de
parto definida por indicação obstétrica.

Controle glicêmico no parto - Meta: 100–120 mg/dL.- < 70 mg/dL → infusão glicose
5–10%.- ≥ 120 mg/dL → insulina regular rápida SC.-
Pós-parto: suspender insulina na maioria, monitorar
24–72h se hiperglicemia.- Reavaliação 6–8 semanas
com TOTG 75 g.- Orientar prevenção de DM tipo 2 se
resultado normal.

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