Monitoria - Clínica Médica
CONDUTA EM PACIENTE RECÉM DIAGNÓSTICADO
COMO HIPERTENSO
Avaliação Inicial
Antes de iniciar alguma medicação no paciente hipertenso, o ideal é fazer um
inventário laboratorial, uma vez que as medicações podem alterar alguns
parâmetros normais.
Exames Laboratoriais:
EAS - Proteinúria é um sinal clássico de hipertensão com lesão renal.
Potássio - Alguns anti-hipertensivos alteram o potássio.
Creatinina plasmática - Selecionar o melhor anti-hipertensivo e fazer diagnóstico
diferencial para HAS secundária.
Glicemia de Jejum e HbA1c - Buscar novos fatores de risco.
Colesterol total e frações e triglicerídeos - Buscar novos fatores de risco.
Ácido úrico - Pacientes com gota não podem utilizar todos os anti-hipertensivos.
ECG - Muitas vezes o achado mais precoce da cardiomiopatia hipertensiva é a alteração
no ECG com sinais de Sobrecarga ventricular esquerda.
Definição de Risco Cardiovascular (RCV)
Estimativa do RCV diretamente relacionado à HAS:
É uma forma de estratificação restrita aos hipertensos que toma por base a PA, a presença
de fatores de risco cardiovascular adicionais, lesões de orgão alvo, doença cardiovascular
estabelecida e ou nefropatia.
Riscos referidos na tabela
Sexo masculino
Idade >= 55 anos em homens e >= 65 anos em mulheres
DCV em parentes de 1º grau, < 55 anos em homens e < 65 em mulheres
Tabagismo
Dislipidemia: Colesterol total > 190; LDL > 100; HDL < 40 em homens ou < 46 em
mulheres; Triglicerídeos > 150.
Resistência à insulina: Glicemia de jejum entre 100-125; Glicemia de 2h após TOTG
entre 140-199; HbA1c entre 5,7 e 6,4%.
Obesidade: IMC >= 30; Circunferência abdominal > 80 cm em mulheres ou > 94 cm em
homens de descendência europeia ou africana ou > 90 cm de descendência asiática.
DICAS:
HAS estágio III (PA >= 180 x 110 mmHg) RCV sempre alto
Na LOA, DCV, DRC ou DM o RCV também será sempre alto, desde que a PA do
paciente seja >= 130 x 85 mmHg
Tratamento
Alvos:
Alvo geral no Brasil - PA < 140 x 90 mmHg
Alvo em pacientes de alto risco (>= 3 fatores de risco) - < 130 x 80 mmHg
Alvo em pacientes idosos frágeis - < 160 x 90 mmHg
Tratamento não farmacológico (MEV)
Restrição sódica - 2g de sódio ou 5g de sal
Dieta Dash - Estímulo para consumir potássio, cálcio, vegetais, frutas e legumes.
Perda de peso
Prática regular de exercicio
Tratamento
Tratamento Farmacológico
Anti Hipertensivos de 1ª linha:
Diuréticos tiazídicos
Bloqueadores dos canais de cálcio (BCC)
Inibidores de ECA (IECA)
Bloq. dos receptores da angiotensina II (BRA II)
Anti Hipertensivos de 2ª linha:
Betabloqueador (BB)
Alfabloqueador
Diuréticos de alça
Clonidina
Metildopa
Poupadores de K
Hidralazina
Inibidores da renina
Indicações específicas
IECA OU BRA
Nefropatas ou diabéticos.
Pacientes com IC - Inibem os mediadores do SRAA que provocam o remodelamento
cardíaco.
Pacientes com IAM prévio.
Diuréticos Tiazidicos
Negros e idosos
BCC
Negros
Doença arterial periférica + HAS - Melhoram a claudicação por fazer vaso dilatação.
BB
IC
IAM
Enxaqueca
Contraindicações
IECA OU BRA
Creatinina > 3
Potássio > 5,5
Estenose bilateral de arteria renal
Gestantes - Associados a malformações, evitar em mulheres em idade fertil.
Nunca associar IECA + BRA - Agem no mesmo sistema e expõe o paciente a riscos
adversos.
Diuréticos tiazídicos
Gota - Pode elevar o ácido úrico
BB
Pacientes com asma - Causam bronco espasmo
Tratamento
Estratégias de acordo com a classificação:
HAS estágio I - MEV +/- droga:
Se baixo risco CV podemos iniciar só com MEV por 3-6 meses. Se PA não controlada
introduz 01 droga.
Se alto risco CV - MEV + 2 drogas
HAS estagio II e III - MEV + 2 drogas:
Preferencialmente iniciar com IECA ou BRA + 01 droga de outra classe.
Urgencia vs Emergência Hipertensiva