A Floresta das Palavras Perdidas
Num cantinho escondido do mundo, havia uma floresta mágica onde todas
as palavras viviam. Sim, as palavras! — como “amizade”, “risos”, “tristeza” e
até “chuva”. Elas passeavam entre as árvores, brincavam nos riachos e
dormiam nas flores.
A pequena Leonor, uma menina muito curiosa, descobriu essa floresta por
acaso enquanto lia um livro velho da biblioteca da escola. Assim que leu em
voz alta as palavras "abre-te, mundo escondido", foi puxada por um
redemoinho de letras e caiu suavemente numa clareira cheia de palavras
dançantes.
— "Olá!" — disse a palavra "Olá", com um sorriso saltitante.
— "Onde estou?" — perguntou Leonor, confusa.
— "Na Floresta das Palavras Perdidas," respondeu "Explicação", surgindo do
nada.
Ali, cada palavra tinha vida. Havia palavras tristes, felizes, envergonhadas e
até esquecidas. Mas algo estava errado: muitas palavras estavam a
desaparecer!
— "Precisamos da tua ajuda," disse a palavra "Ajuda", aflita. — "As crianças
do teu mundo estão a usar cada vez menos palavras. Preferem abreviações,
emojis ou silêncio."
Leonor ficou pensativa. Então lembrou-se de como a sua turma usava poucas
palavras, e quase nunca escrevia cartas ou lia histórias.
— "Então vou levar-vos de volta," prometeu Leonor. — "Vou contar a vossa
história, vou usar palavras bonitas, escrever poemas, cantar canções!"
As palavras vibraram de alegria. "Esperança" brilhou forte no céu da
floresta.
Quando Leonor acordou, já estava de novo na sala da biblioteca. Mas algo
tinha mudado. Dentro do seu bolso, havia uma pequena folha com uma
palavra escrita: "Coragem."
Desde aquele dia, Leonor nunca mais parou de ler, escrever e partilhar
palavras com os outros. E a floresta mágica? Ela continuava lá — mais viva
do que nunca, em cada frase que Leonor dizia com o coração.
Fim.