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Sintomas e Tratamento da Artrite Reumatoide

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Quadro clínico

Sintomas articulares:
• Dor e inchaço articular: Afeta predominantemente articulações das mãos,
punhos e pés, podendo evoluir para cotovelos, ombros, tornozelos, joelhos e
quadris. As mãos são acometidas em praticamente todos os pacientes.
• Rigidez matinal: Caracteriza-se por rigidez nas articulações ao
despertar, com duração de 30 minutos ou mais.
• Padrão simétrico: As articulações são afetadas de forma simétrica; por
exemplo, se um joelho é acometido, o outro também tende a ser.
• Evolução para deformidades: Com a progressão da doença, pode ocorrer
destruição da cartilagem articular, levando a deformidades e incapacidade
funcional.

Sintomas sistêmicos:
• Fadiga: Sensação de cansaço generalizado, especialmente no período da
tarde.
• Mal-estar e fraqueza: Sensação geral de indisposição e redução da força
muscular.
• Febre baixa: Ocasionalmente, pode ocorrer febre de baixa intensidade.
• Perda de peso: Em alguns casos, observa-se emagrecimento não
intencional.

É importante destacar que a AR é uma doença sistêmica, podendo afetar órgãos além
das articulações, como coração, pulmões e olhos.
Diagnóstico
Avaliação Clínica

O diagnóstico da AR é primariamente clínico e deve considerar os seguintes


aspectos:
• História Clínica: Investigação de sintomas como dor, edema e rigidez
matinal em articulações, especialmente das mãos e punhos, com duração superior a 30
minutos.
• Exame Físico: Identificação de sinais inflamatórios em articulações
periféricas, geralmente de forma simétrica.

Exames Laboratoriais

Os exames laboratoriais auxiliam na confirmação do diagnóstico e incluem:


• Fator Reumatoide (FR): Autoanticorpo presente em aproximadamente 80%
dos pacientes com AR. Contudo, sua especificidade é limitada, pois pode estar
presente em outras condições e em indivíduos saudáveis.
• Anticorpos Anti-Peptídeos Cíclicos Citrulinados (anti-CCP): Possuem
sensibilidade semelhante ao FR, mas com maior especificidade para a AR, sendo úteis
especialmente nos estágios iniciais da doença.
• Provas de Atividade Inflamatória: Velocidade de hemossedimentação (VHS)
e proteína C reativa (PCR) são geralmente elevadas em pacientes com AR ativa,
refletindo o estado inflamatório sistêmico.

Exames de Imagem

As técnicas de imagem são essenciais para avaliar o comprometimento articular:


• Radiografia Convencional: Indicada para avaliação diagnóstica e
prognóstica da doença. Embora possa ser normal no início, serve como referência
para monitorar a progressão da AR.
• Ultrassonografia e Ressonância Magnética: Podem detectar alterações
precoces não visíveis na radiografia, como sinovite e erosões ósseas iniciais,
auxiliando no diagnóstico precoce.

Critérios de Classificação
Os critérios do American College of Rheumatology (ACR) e da European League Against
Rheumatism (EULAR) de 2010 são utilizados para classificar a AR. Eles consideram:
• Envolvimento Articular: Número e tipo de articulações afetadas.
• Sorologia: Presença de FR e/ou anti-CCP.
• Provas de Fase Aguda: Níveis de PCR e VHS.
• Duração dos Sintomas: Tempo superior a seis semanas.

Uma pontuação igual ou superior a seis sugere a presença de AR.

Tratamento

O tratamento visa controlar a inflamação, aliviar os sintomas, prevenir danos


articulares e melhorar a qualidade de vida. As abordagens terapêuticas incluem o
uso de medicamentos modificadores do curso da doença (DMCDs), agentes biológicos e
terapias adjuvantes em que se destaca:
• Leflunomida: Uma alternativa ao metotrexato, especialmente em casos de
intolerância ou contraindicações.
• Sulfassalazina: Utilizada em monoterapia ou em combinação com outros
DMCDs, como o metotrexato e a hidroxicloroquina.
• Antimaláricos (Cloroquina e Hidroxicloroquina): Indicados para casos
iniciais de AR ou artrite indiferenciada com baixo potencial erosivo.
• Sais de Ouro: Embora eficazes, seu uso é atualmente limitado devido aos
efeitos adversos e à dificuldade de aquisição.

Para pacientes que não respondem adequadamente aos DMCDs tradicionais, os agentes
biológicos oferecem opções terapêuticas avançadas:

• Inibidores do Fator de Necrose Tumoral (anti-TNF): Medicamentos como


adalimumabe, etanercepte e infliximabe bloqueiam a ação do TNF, uma citocina pró-
inflamatória central na patogênese da AR. Revisões sistemáticas demonstram que o
adalimumabe, por exemplo, é eficaz tanto em monoterapia quanto combinado com MTX,
melhorando os desfechos clínicos e radiográficos dos pacientes.
• Rituximabe: Este anticorpo monoclonal direcionado contra células B tem
mostrado eficácia em pacientes com AR ativa que não responderam a terapias
anteriores, incluindo os anti-TNF. Estudos indicam que o rituximabe, combinado com
MTX, melhora a resposta clínica e funcional, além de reduzir a progressão
radiológica da doença.
• Inibidores da Interleucina-6 (IL-6): Fármacos como tocilizumabe,
sarilumabe, olokizumabe e sirukumabe atuam bloqueando a IL-6, uma citocina
envolvida na inflamação da AR. O tocilizumabe, por exemplo, pode ser usado em
monoterapia ou associado ao MTX, mostrando eficácia na redução da atividade da
doença. Estudos recentes destacam que olokizumabe, sirukumabe e sarilumabe são
opções terapêuticas viáveis, especialmente para pacientes que não responderam
adequadamente aos anti-TNF.

Além desses, também possuem algumas terapias adjuvantes


• Antimaláricos: Medicamentos como a hidroxicloroquina são utilizados em
formas mais leves de AR. Embora seu início de ação seja lento, apresentam perfil de
segurança favorável.
• Corticosteroides: Podem ser empregados para controle rápido da
inflamação, especialmente em exacerbações da doença, mas seu uso prolongado deve
ser evitado devido aos potenciais efeitos adversos.

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