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Salvamento Aquático e RCP

sal. aquatico

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fagner gomes
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SALVAMENTO AQUÁTICO

Salvamento aquático é toda ação de socorro e de resgate em que houve a


necessidade de contato entre o socorrista e a vítima em meio líquido. É
uma das atividades dos Guarda-Vidas, que também preconizam como
fundamento a prevenção, o método mais eficiente de reduzir as mortes
por afogamento.

Prevenção é qualquer medida com o objetivo de evitar o afogamento sem


que haja contato físico entre a vítima e o socorrista.

Cada afogamento sinaliza o fracasso da intervenção mais eficaz - ou seja,


a prevenção. Estima-se que mais de 85% dos casos de afogamento
podem ser prevenidos pela supervisão, ensino de natação, tecnologia,
regulamentação e educação pública.
DEFINIÇÃO DE AFOGAMENTO
“É a aspiração de líquido causada por submersão ou
imersão.” O termo aspiração refere-se à entrada de líquido nas vias aéreas
(traqueia, brônquios e/ou pulmões), e não deve ser confundido com “engolir água”.

Resgate: é a “Pessoa socorrida da água, sem sinais de aspiração de


líquido”.

Já cadáver por afogamento é a “morte por afogamento sem chances


de iniciar reanimação, comprovada por tempo de submersão maior que
uma hora ou sinais evidentes de morte a mais de uma hora (rigidez
cadavérica, livores, ou decomposição corporal).
O afogamento ocorre em qualquer situação em que o líquido entra em
contato com as vias aéreas da pessoa em imersão (água na face) ou por
submersão (abaixo da superfície do líquido).

Se a pessoa é resgatada, o processo de afogamento é interrompido, o que


é denominado um afogamento não fatal.

Se a pessoa morre como resultado de afogamento, isto é denominado um


afogamento fatal.

Qualquer incidente de submersão ou imersão sem evidência de aspiração


deve ser considerado um resgate na água e não um afogamento.

Termos como "quase afogamento" (near-drowning), "afogamento seco


ou molhado", "afogamento ativo e passivo" e "afogamento secundário
(re-afogamento horas após o evento)" ou apenas “submersão” são
obsoletos e devem ser evitados.
MECANISMOS DA LESÃO NO AFOGAMENTO

Quando uma pessoa está em dificuldades na água e não pode


manter as vias aéreas livres de líquido, a água que entra na
boca é voluntariamente cuspida ou engolida. Se não
interrompido a tempo, uma quantidade inicial de água é
aspirada para as vias aéreas e a tosse ocorre como uma
resposta reflexa (evidencia de aspiração). Em raras situações
ocorre o laringoespasmo (menos de 2%), mas em tais casos,
é rapidamente terminado pelo aparecimento da hipóxia.
A aspiração de água salgada ou doce causam
graus similares de lesão, e possuem mesmo
tratamento e prognóstico.
Se a pessoa não é resgatada, a aspiração de água continua e a hipoxemia
(baixa de oxigênio no sangue) leva em segundos a poucos minutos à
perda da consciência e parada respiratória (apneia) que acontecem ao
mesmo tempo.

Em sequencia a aceleração do coração (taquicardia) ocorre uma redução


dos batimentos/min.(bradicardia), atividade elétrica do coração sem
pulso arterial palpável, e assistolia.

Geralmente o processo todo de afogamento, da imersão (parte do corpo


dentro da água) ou submersão (todo corpo dentro da água) até uma
parada cardíaca, ocorre de segundos a alguns minutos. Se a pessoa é
resgatada viva, o quadro clínico é determinado pela quantidade de água
que foi aspirada e os seus efeitos.
Se a Reanimação cardiopulmonar (RCP) for necessária, o risco de dano
neurológico é semelhante a outros casos de parada cardíaca. No entanto,
o reflexo de mergulho e a hipotermia usualmente associadas com
afogamento podem proporcionar maiores tempos de submersão sem
sequelas.

A hipotermia pode reduzir o consumo de oxigênio no cérebro,


retardando a hipóxia celular, o que explica casos de sucesso na RCP
realizadas em pacientes com tempo prolongado de submersão onde
supostamente não teriam chances de recuperação sem danos
permanentes.
CLASSIFICAÇÃO

 QUANTO AO TIPO DE ÁGUA (importante para campanhas de


prevenção):
1
2 - Afogamento em água Doce: piscinas, rios, lagos ou tanques.

3 - Afogamento em água Salgada: mar.

4 - Afogamento em água salobra: encontro de água doce com o mar.

5 - Afogamento em outros líquidos não corporais: tanque de óleo,


lama ou outros líquidos.
CLASSIFICAÇÃO
QUANTO Á CAUSA DO AFOGAMENTO (identifica a doença associada ao
afogamento):

1 - Afogamento Primário: quando não existem indícios de uma patologia associada


ao afogamento, ou seja houve uma subestimação do risco ou uma super estima da
competência aquática do individuo que o levou ao afogamento.

2 - Afogamento Secundário: quando existe alguma causa que tenha impedido a


vítima de se manter na superfície da água e, em consequência precipitou o
afogamento: Drogas (36,2% - mais frequente o álcool), convulsão, traumatismos,
mal súbito (doenças cardíacas), patologias pulmonares, acidentes de mergulho e
outras.

Usualmente a cãibra não se caracteriza como afogamento secundário já que não


pode ser responsabilizada por um afogamento, como ex: nadadores, surfistas e
mergulhadores enfrentam cãibras dentro da água com frequência e não se afogam
por esta razão.
CLASSIFICAÇÃO
QUANTO Á GRAVIDADE DO AFOGAMENTO (permite saber a gravidade e o
tratamento) Permite ao socorrista estabelecer a gravidade de cada caso, indicando a
conduta a ser seguida

A classificação não tem caráter evolutivo, devendo ser estabelecida no local do


afogamento ou com relatos do 1º atendimento, estabelecendo uma evolução de
melhora ou piora do quadro que tabulado ao prognóstico a cada grau possa fornecer
uma avaliação evolutiva de boas praticas ou não.

Resgate: Vítima resgatada viva da água que não apresenta tosse ou espuma na
boca e/ou nariz com ausculta pulmonar normal - pode ser liberada no local sem
necessitar de atendimento médico após avaliação do socorrista, quando consciente.

Todos os casos podem apresentar hipotermia, náuseas, vômitos, distensão abdominal,


tremores, cefaleia, mal estar, cansaço, mialgias, dor no tórax, diarreia e outros
sintomas inespecíficos. Grande parte destes sintomas é decorrente do esforço físico
realizado dentro da água sob estresse emocional do medo, durante a tentativa de se
salvar do afogamento.
Afogamento: pessoa resgatada da água que apresenta
evidência de aspiração de líquido: tosse, espuma na boca
ou nariz ou ausculta pulmonar alterada - deve ter sua
gravidade avaliada no local do incidente, receber tratamento
adequado e acionar se necessário uma equipe médica a prover
suporte avançado de vida.

O primeiro passo na classificação da


gravidade do afogamento é diferenciarmos
entre RESGATE e AFOGAMENTO.
CLASSIFICAÇÃO QUANTO Á GRAVIDADE
CADEIA DE SOBREVIVÊNCIA DO AFOGAMENTO

A cadeia de sobrevivência do afogamento é um passo-a-passo que inclui


todas as ações, desde de como evitar o afogamento até o hospital,
quando necessário. Como o afogamento envolve principalmente a
assistência antes do hospital prestado em um ambiente altamente hostil –
a água - e usualmente realizado por leigos sem treinamento, necessita de
uma abordagem educativa diferenciada de outras patologias no sentido
de reduzir estes dramáticos números.
Identificar um caso de afogamento antes ou durante a sua ocorrência
possibilita tomar atitudes mais precocemente e evitar o agravamento da
situação. Preste mais atenção nas pessoas ao seu redor na praia, em
riso/lagos ou piscina e antecipe as pessoas que podem se afogar.

Qualquer atitude de ajuda deve ser precedida pelo reconhecimento de


que alguém está se afogando. Ao contrário da crença popular, o banhista
em apuros não acena com a mão e tampouco chama por ajuda
principalmente o sexo masculino no qual o afogamento é mais frequente.
O banhista encontra-se tipicamente em posição vertical, com os braços
estendidos lateralmente, batendo com os mesmos na água. Indivíduos
próximos da vítima podem achar que ele está apenas brincando na água.
A vítima pode submergir e emergir sua cabeça diversas vezes, enquanto
está lutando para se manter acima da superfície.

As crianças geralmente resistem de 10 a 20 segundos em tal luta,


enquanto os adultos resistem por até 60 segundos, antes da submersão

pessoa inexperiente na água para salvar alguém é extremamente perigosa e não é


recomendado. A fim de mitigar o risco durante um socorro desta natureza deve-se levar
sempre um objeto de flutuação para ajudar a vítima e reduzir o risco ao leigo/socorrista
de ser afogado junto..
Se tudo mais falhar, o socorrista leigo
pode então considerar sua entrada na
águasabendo que a entrada de uma
Se você for o socorrista – cuidado para não se tornar a vítima!

1. Decida o local por onde irá atingir ou ficar mais próximo da vítima.
2. Tente realizar o socorro sem entrar na água

• Se a vítima se encontra a menos de 4 m (piscina, lagos, rios), estenda um cabo, galho,


cabo de vassoura para a vítima. Se estiver a uma curta distancia, ofereça sempre o pé ao
invés da mão para ajudá-la – é mais seguro.

• Se a vítima se encontra entre 4 e 10 m (rios, encostas, canais), atire uma boia (garrafa
de 2 litros fechada, tampa de isopor, bola), ou amare-a a uma corda e atire a vítima
segurando na extremidade oposta. Deixe primeiro que a vítima se agarre ao objeto e
fique segura. Só então a puxe para a área seca.

• Se for rio ou enchentes, a corda poderá ser utilizada de duas formas: Cruzada de uma
margem a outra obliquamente, de forma que a vítima ao atingi-la será arrastada pela
corrente à margem mais distante; ou fixando um ponto a margem e deixando que a
correnteza arraste-a para mais além da mesma margem.
Se você decidiu entrar na água para socorrer

• Avise a alguém que você tentará salvar a vítima e que chame socorro profissional.
• Leve consigo sempre que possível algum material de flutuação (prancha, boia, ou
outros).
• Retire roupas e sapatos que possam pesar na água e dificultar seu deslocamento. É
válida a tentativa de se fazer das calças um flutuador, porém isto costuma não funcionar
se for sua primeira vez.
• Entre na água sempre mantendo a visão na vítima.
• Pare a 2 m antes da vítima e lhe entregue o material de flutuação. Sempre mantenha o
material de flutuação entre você e a vítima.
• Nunca permita que a vítima chegue muito perto, de forma que possa lhe agarrar.
Entretanto, caso isto ocorra, afunde com a vítima que ela lhe soltará.
• Deixe que a vítima se acalme, antes de chegar muito perto.
• Se você não estiver confiante em sua natação, peça a vítima que flutue e acene
pedindo ajuda.
• Só tente rebocar a vitima se tiver treinamento, pois isto pode gastar suas últimas
energias.
• Durante o socorro, mantenha-se calmo, e acima de tudo não se exponha ou ao paciente
a riscos desnecessários.
A decisão de realizar o suporte básico de vida ainda dentro da água e antes
da remoção baseia-se no nível de consciência do afogado e no nível de
experiência do socorrista.

Afogado consciente (99.5% das ocorrências): resgate a pessoa até a terra


sem demais cuidados médicos.

Afogado inconsciente (0.5% das ocorrências): a medida mais importante é a


instituição imediata de ventilação ainda dentro da água. A hipóxia (baixa de
oxigênio) causada por afogamento resulta primeiramente em parada da
respiração, ocasionando parada cardíaca em um intervalo de tempo variável,
porém curto, caso não seja revertida. A ressuscitação ainda dentro da água
(ventilação apenas) proporciona à vítima uma chance 4 vezes maior de
sobrevivência sem sequelas. O socorrista que encontra uma vitima
inconsciente deve iniciar a respiração boca-a-boca ainda na água. Infelizmente,
compressões cardíacas externas não podem ser realizadas de maneira efetiva
na água.
Métodos de ventilação dentro da água
• Sem equipamento – só é recomendável com dois socorristas ou com
um socorrista em água rasa.
• Com equipamento – Pode ser realizado com apenas um socorrista,
mas deve ter treinamento para tal procedimento. O tipo de material
deve ser escolhido conforme o local do resgate. O material de
flutuação deve ser utilizado no tórax superior, promovendo uma
espontânea hiperextensão do pescoço e a abertura das vias aéreas.
O TRANSPORTE

A TRANSIÇÃO DA ÁGUA PARA


O SECO
O transporte ideal da água para a
areia é a técnica Australiana. Este
tipo de transporte reduz a incidência
de vômitos e permite manter as vias
aéreas permeáveis durante todo o
transporte.
Coloque seu braço esquerdo por sob
a axila esquerda da vítima e trave o
braço esquerdo. O braço direito do
socorrista por sob a axila direita da
vítima segurando o queixo de forma
a abrir as vias aéreas, desobstruindo-
as, permitindo a ventilação durante o
transporte.
Em caso de vítima exausta, confusa ou inconsciente, transporte em posição mais
próxima possível da horizontal mantendo-se a cabeça acima do nível do corpo sem,
contudo obstruir as vias aéreas que devem permanecer sempre que possível abertas.

Considerando a baixa incidência de TRM nos afogamentos e desperdício


de tempo para iniciar a ventilação, a imobilização de rotina da coluna
cervical durante o resgate sem sinais de trauma não é recomendada.

Em casos suspeitos de trauma cervical, utilize sempre que possível à imobilização da


coluna cervical durante o transporte até a areia ou a borda da piscina. Quando possível
utilize uma prancha de imobilização e colar cervical, ou improvise com prancha de surf.

O posicionamento da vítima para o primeiro atendimento em área seca deve ser paralela
à do espelho d'água, o mais horizontal possível, deitada em decúbito dorsal, distante o
suficiente da água a fim de evitar as ondas. Se estiver consciente, coloque o afogado em
decúbito dorsal a 30º. Se estiver ventilando, porém inconsciente coloque a vítima em
posição lateral de segurança (decúbito lateral sob o lado direito).
As tentativas de drenagem da água aspirada são extremamente nocivas e devem ser
evitadas. A manobra de compressão abdominal (Heimlich) nunca deve ser realizada
como meio para eliminar água dos pulmões, ela é ineficaz e gera riscos
significativos de vômitos com aumento da aspiração.

Durante a ressuscitação, tentativas de drenar água ativamente, colocando a vítima


com a cabeça abaixo do nível do corpo, aumentam as chances de vômito em mais de
cinco vezes, levando a um aumento de 19% na mortalidade.
7 PASSOS INCIAIS EM AFOGAMENTOS
Ao chegar na areia, ou na borda da piscina coloque o
afogado em posição paralela a água, de forma que o
socorrista fique com suas costas voltada para o mar, e a
vítima com a cabeça do seu lado esquerdo.
• A cabeça e o tronco devem ficar na mesma linha
horizontal.
• A água que foi aspirada durante o afogamento não deve
ser retirada, pois esta tentativa prejudica e retarda o início
da ventilação e oxigenação do paciente, além de facilitar a
ocorrência de vômitos.
• Cheque a resposta da vítima perguntando, “Você está me
ouvindo?”
Se houver resposta da vítima ela está viva, e indica ser um caso de
resgate ou grau 1, 2, 3, ou 4. Coloque em posição lateral de
segurança (preferencialmente sobre o lado direito) e aplique o
tratamento apropriado para o grau de afogamento. Avalie então se há
necessidade de chamar o socorro avançado (ambulância), aguardar o
socorro chegar ou fazer a própria remoção ao hospital.
Se não houver resposta da vítima (inconsciente) e for possível ligue
193/192 ou peça a alguém para chamar a ambulância ou o guarda-
vidas, e;
Abra as vias aéreas, colocando dois
dedos da mão direita no queixo e a mão
esquerda na testa, e estenda o pescoço;
Cheque se existe respiração - ver, ouvir e sentir
- ouça e sinta a respiração e veja se o tórax se
movimenta (figura) - Se houver respiração é um
caso de resgate, ou grau 1, 2, 3, ou 4. Coloque
em posição lateral de segurança e aplique o
tratamento apropriado para grau.
Se não houver respiração – inicie a
ventilação boca-a-boca - Obstrua o nariz
utilizando a mão (esquerda) da testa, e
com os dois dedos da outra mão (direita)
abra a boca e realize 5 ventilações boca-
a-boca iniciais observando um intervalo
entre cada uma que possibilite a elevação
do tórax, e logo em seguida o seu
esvaziamento. É recomendável a
utilização de barreira de proteção
(máscara), e:
Cheque sinais de circulação (movimentos ou
reação à ventilação realizada) - simplesmente
observe movimentos na vítima ou reação a
ventilação feita.
Se houver sinais de circulação, é uma parada respiratória
isolada - grau 5, mantenha somente a ventilação com 10
vezes por minuto até o retorno espontâneo da respiração
(usualmente isto acontece antes de terminar as 10
ventilações). Se não houver sinal de circulação retire os dois
dedos do queixo e passe-os pelo abdômen localizando o
encontro das duas últimas costelas, marque dois dedos, retire
a mão da testa e coloque-a no tórax e a outra por sobre a
primeira e inicie 30 compressões cardíaca externa em caso de
1 socorrista.
DICAS SOBRE O SUPORTE BÁSICO DE VIDA NO AFOGAMENTO GRAU 6
• Sempre inicie todo processo com apenas um socorrista, para então após o 1º ciclo
completo de RCP, iniciar a alternância com dois socorristas.

• Em caso de dois socorristas presentes e somente em casos de afogamento, o


protocolo de RCP após o primeiro ciclo poderá passar a 15 compressões para 2
ventilações.

• A velocidade (Frequência) destas compressões deve ser de 100 a 120 vezes em 60


segundos.

• Em crianças de 1 a 9 anos utilize apenas uma mão para as compressões.

• Os socorristas devem se colocar lateralmente ao afogado e em lados opostos


• Aquele responsável pela ventilação deve manter as vias aéreas desobstruídas.

• Em caso de cansaço realize a troca rápida de função com o outro.

• A RCP deve ser mantida alternando 2 ventilações e 30 compressões (ou


2x15 com dois socorristas) até que:
A - Haja resposta e retorne a respiração e os batimentos cardíacos. Coloque
então a vítima de lado e aguarde o socorro médico solicitado;

B – Você entregue o afogado a uma equipe médica; ou

C – Você fique exausto.


• Após os 2 minutos de RCP, reavalie a ventilação e os sinais de
circulação.

• Se ausente, prossiga a RCP e interrompa-a para nova reavaliação a


cada 2 minutos.

• Fique atento durante a RCP e verifique periodicamente se o afogado


está ou não respondendo, o que será importante na decisão de parar ou
prosseguir. Existem casos descritos de sucesso na reanimação de
afogados após 2 horas de manobras e casos de recuperação sem danos
ao cérebro até 1 hora de submersão.

• Nos casos do retorno da função cardíaca e respiratória acompanhe a


vítima com muita atenção, durante os primeiros 30 minutos, até a
chegada da equipe médica, pois ainda não esta fora de risco de uma
nova parada cardiorrespiratória.
• O DEA não tem utilidade em casos de afogamento primário, pois a Parada
Cardiorrespiratória (PCR) é de causa respiratória e, portanto ocorre em assistolia em
quase 100% dos casos onde não há indicação de desfibrilação.

• No entanto o DEA é útil em situações de praias e balneários onde são locais de


grande ocorrência de parada cardíaca em fibrilação ventricular (FV), por pessoas de
idade em pratica de diversas atividades e assim expostas ao risco de PCR por FV,
onde seu uso pode determinar o sucesso da ressuscitação.

• O DEA pode ser necessário em casos de afogamento secundário a ocorrência de um


IAM. Cada serviço de saúde e salvamento aquático deverá avaliar os benefícios de
possuir um DEA disponível para uso imediato nestes locais.

• Nos casos onde não houver efetividade da manobra de ventilação boca-a-boca,


refaça a hiperextensão do pescoço e tente novamente. Caso não funcione, pense em
obstrução por corpo estranho e execute manobra apropriada. A avaliação de corpo
estranho ou a retirada de próteses dentárias só deve ser feita caso estejam
dificultando a ventilação boca-a-boca.
QUANDO VALE A PENA TENTAR A RCP EM AFOGAMENTO?
O tempo é fator fundamental para um bom resultado na RCP, e os casos de afogamento
apresentam uma grande tolerância à falta de oxigênio, o que nos estimula a tentar a
RCP além do limite estabelecido para outras patologias. Inicie a RCP em:
1. Todos os afogados em PCR com um tempo de submersão inferior a uma hora - Três
fatos juntos ou isolados explicam o maior sucesso na RCP de afogados – o
“Reflexo de mergulho”, a continuação da troca gasosa de O2 - CO2 após a
submersão, e a hipotermia. O Centro de Recuperação de Afogados (CRA) tem
registrado 13 casos de PCR com submersão maior do que 7 minutos, sendo 8 com
mais de 14 minutos ressuscitados com sucesso.

2. Todos os casos de PCR que não apresentem um ou mais dos sinais abaixo:
• Rigidez cadavérica
• Decomposição corporal
• Presença de livores
A água aspirada pode obstruir totalmente ou parcialmente a faringe,
pode atingir os alvéolos onde impede totalmente (raro) ou
parcialmente (frequente) a troca de oxigênio (hematose), ou ainda o
afogado pode ter realizado esforço tão violento na tentativa de se
salvar que sua força muscular para respirar pode esgotar-se parando o
próprio esforço de respirar.
O afogamento é definido como a entrada de água em vias aéreas
(aspiração), e isto pode ocorrer em quantidade mínima (grau 1) ou
extrema (4 a 6), o que vai acarretar na variação da dificuldade na troca de
oxigênio no pulmão.

Quanto maior a quantidade de água aspirada maior a dificuldade na


hematose e mais grave a hipoxemia resultante. Nos casos de resgate e
grau 1 onde não há hipóxia, a respiração ofegante e a taquicardia são
resultados do exercício físico violento realizado para se salvar, e
normalizam rapidamente com o repouso de 5 a 20 minutos, ao contrário
daquela decorrente de hipoxemia que só cedem com o uso de oxigênio
(grau 2 a 6).

COMPLICAÇÕES NO ATENDIMENTO AO AFOGADO

A ocorrência de vômitos pode ser evitada utilizando-se as manobras


corretas:
• Utilize o transporte tipo Australiano da água para a areia – evite o
transporte tipo Bombeiro.

• Posicione o afogado na areia com a cabeça ao mesmo nível que o


tronco – Evite coloca-lo inclinado de cabeça para baixo.

• Desobstrua as vias aéreas antes de ventilar – Evite exagero nas


insuflações boca-a-boca, evitando distensão do estômago.

• Em caso de vômitos, vire a face da vítima lateralmente, e rapidamente


limpe a boca.

• Lembre-se que, o vômito é o pior inimigo do socorrista.


CONDUTA DO SOCORRISTA APÓS O RESGATE AQUÁTICO

Em casos graves a indicação da necessidade da ambulância e/ou do hospital é


óbvia, porém casos menos graves sempre ocasionam dúvidas. Após o resgate e
o atendimento inicial o guarda-vidas e/ou socorrista tem resumidamente 3
possibilidades:

1. Liberar a vítima sem maiores recomendações - Vítima de RESGATE sem


sintomas, doenças ou traumas associados – sem tosse, com a frequência do
coração e da respiração normal, sem frio e totalmente acordado, alerta e capaz
de andar sem ajuda.
2. Liberar a vítima com recomendações de ser acompanhada por médico a nível
ambulatorial.

a) Resgate com pequenas queixas.

b) Grau 1 – Só liberar após observação de 15 a 30 min. se a vítima estiver se


sentindo bem. Só observar o grau 1 no posto de salvamento se a praia estiver
vazia e não necessitar se afastar da observação da água que é a prioridade.

c)Liberar o paciente para procurar o hospital por meios próprios quando


houver:
• Pequeno trauma que não impossibilita andar – anzol, luxação escápulo-
umeral, e outros.
• Mal estar passageiros que não o impossibilite de andar.

3. Acionar o Sistema de Emergências Médicas (SEM) – Ambulância
(193) ou levar diretamente ao hospital em caso de ausência da
ambulância.
a) Afogamento grau 2, 3, 4, 5, e 6.
b) Qualquer paciente que por conta do trauma ou doença aguda o
impossibilite de andar sem ajuda.
c) Qualquer paciente que perdeu a consciência mesmo que por um breve
período.
d) Qualquer paciente que necessitou de boca-a-boca ou RCP.
e) Qualquer paciente com suspeita de doença grave como; infarto agudo
do miocárdio, lesão de coluna, trauma grave, falta de ar, epilepsia, lesão
por animal marinho, intoxicação por drogas, etc.

“ESCOLHER ENTRE O SOFRIMENTO DA GLÓRIA OU A DOR


DO ARREPENDIMENTO É OPTAR PELA VITÓRIA OU
FRACASSO EM SUA JORNADA”!
Manual resumido de Emergências Aquáticas – 2019 – Dr David Szpilman.

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