ESCOLA BÍBLICA
DE OBREIROS DA CEADEP
Fronteiras (PI), 17 a 19 de julho de 2025
MANTENDO A
INTEGRIDADE MINISTERIAL
(1 Timóteo 4.16)
Pr. Raimundo Leal Neto
MANTENDO A INTEGRIDADE MINISTERIAL
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(1 Timóteo 4.6,9; 11-16)
INTRODUÇÃO
Em linhas gerais - Vamos a uma noção do significado da expressão, para podermos
nos situar em nosso assunto;
De acordo com o filólogo Antônio Houaiss, em sua obra “Dicionário Houaiss da
Língua Portuguesa”, integridade significa:
1. Estado ou característica daquilo que está inteiro, que não sofreu qualquer
diminuição; plenitude, inteireza. 2. Característica ou estado daquilo que se
apresenta ileso, intato, que não foi atingido ou agredido. 3. Caráter, qualidade
de uma pessoa integra, honesta, incorruptível, cujos atos e atitudes são
irrepreensíveis; honestidade, retidão (Houaiss, 2001, p. 1.630).
Em consulta à Palavra de Deus, veremos sem dificuldade que, quando o assunto é
ministério pastoral, a Bíblia Sagrada nos traz uma gama substancial de orientações que
nos direcionam para uma vida espiritual e ministerial que seja do agrado do Altíssimo.
Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a
imposição das mãos do presbitério. Medita estas coisas; ocupa-te nelas, para
que o teu aproveitamento seja manifesto a todos. Tem cuidado de ti mesmo e
da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a
ti mesmo como aos que te ouvem (1 Tm 4.14-16).
Então, de acordo com o apóstolo Paulo (em suas epístolas a Timóteo), existe um
crivo para se manter o mínimo de integridade no desempenho da função ministerial.
ORIENTAÇÕES DE PAULO SOBRE
A MANUTENÇÃO DA INTEGRIDADE MINISTERIAL
Paulo orientou Timóteo! Ele também nos orienta ainda hoje, que para manter a
integridade ministerial, faz-se necessário que o obreiro observe alguns pontos basilares
no desempenho do ministério:
1. Ser um bom ministro
“Propondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Jesus Cristo, criado com as palavras
da fé e da boa doutrina que tens seguido” (1 Tm 4.6).
2. Ser o exemplo ou padrão
“Ninguém despreze a tua mocidade; mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor,
no espírito, na fé, na pureza. (1 Tm 4.12).
3. Exige vigilância constante
“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te
salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” (1 Tm 4.16).
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4. Sobriedade no desempenho do ministério
“Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu
ministério” (2 Timóteo 4.5).
I - COMO MANTER A INTEGRIDADE MINISTERIAL?
❖ EVITANDO A PROFISSIONALIZAÇÃO
a) Somos obreiros vocacionados por Deus para uma grande obra; o apóstolo Paulo
afirma que: “se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja” (1 Tm 3.1).
b) Para o obreiro manter a integridade ministerial, se faz necessário que ele lute
contra a profissionalização do seu ministério;
c) É cada vez mais frequente essa pergunta nos meios jurídicos e religiosos
brasileiros: “O pastor pode ser considerado um empregado da igreja?”.
d) Existe uma tendência de se estabelecer parâmetros que conduzem os pastores a
se parecerem com homens de negócios, executivos ou coisa parecida.
O teólogo e escritor José Gonçalves, no livro “Rastros de fogo”, comenta a questão:
O ministério pastoral, sem sombra de dúvida, está mais profissional do que
vocacional. Existem denominações pentecostais que já há muito tratam seus
pastores como simples empregados. São assalariados e o seu vínculo com a
comunidade ou denominação é extremamente profissional. São tratados
como executivos de uma multinacional que gerenciam uma grande empresa
ou uma filial da mesma. Dessa forma, o seu vínculo com a comunidade é
extremamente profissional, tendo como fator preponderante a produção de
resultados. Eles são remanejados quando as metas financeiras estipuladas
pela diretoria geral para aquela área, comunidade ou igreja não é alcançada.
Assim, quando são transferidos de uma cidade para outra encontram um
apartamento mobiliado, que evidentemente não é dele, mas da igreja. (...).
Enfim, é um empregado como qualquer outro de uma grande empresa
(Gonçalves, 2012, p. 32).
e) Analisando friamente essa questão, verificamos que, nos dias hodiernos, existe
um claro desvirtuamento da atividade pastoral. Pastores estão se transformando em
meros executivos, chefes ou senhores; estão esquecendo que são servos, e que existe
apenas um Senhor no reino: Jesus é Senhor de todos.
❖ CAUSAS DA PROFISSIONALIZAÇÃO DO MINISTÉRIO
Menciono a seguir algumas das causas dessa profissionalização que está atingindo
uma boa quantidade de obreiros em nosso país.
1. O amor ao dinheiro:
a) Até algumas décadas atrás, a quantidade de obreiros atingidos por essa
iniquidade ainda era pequena;
b) Hoje é um percentual elevado de pastores maculados por ela. A ganância move
os corações dessas pessoas, que nesse afã, tornam-se inescrupulosas;
c) O apóstolo Paulo escreveu em sua primeira carta ao obreiro Timóteo,
prevenindo-o a respeito dos perigos para o seu ministério:
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Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos
levar dele. Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com
isso contente. Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e
em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na
perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de
males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si
mesmos com muitas dores. Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e
segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão (1 Tm 6.7-
11).
d) Paulo já detectava naqueles dias do primeiro século, a presença de obreiros
maldosos que demonstravam a ganância como marca do caráter (1 Tm 6.7-11).
2. A soberba trovejante
a) Nos dias de Jesus, houve uma calorosa discussão no seio do colégio apostólico
sobre qual deles seria o maior (Lc 22.24).
b) O Texto Sagrado nos informa que Jesus chamou os seus discípulos à parte e lhes
mostrou que aquele que deseja ser o maior, deve ser servo, assim como Ele, Jesus,
procedeu em sua passagem pela terra (Lc 22.26-27).
c) Permitam-me contar um exemplo: “Certa feita estava eu em uma convenção de
pastores....”.
d) A soberba é uma das causas da profissionalização do ministério de muitos em
nossos dias; embevecidos por ela, permitem que lance raízes em seus corações.
e) O pastor é um servo e deve se comportar como tal, pois, o próprio Cristo nos
deu o exemplo de um servo humilde e obediente (Fp 2.5-8).
3. O orgulho e a vaidade latentes
a) Ao longo dos séculos o cristianismo sempre esteve ameaçado por uma mácula
de falsos pastores, pregadores de faz de conta e líderes malfazejos.
b) São homens que pregam o que não vivem, enganam, defraudam, mentem,
insubordinam-se e atentam vergonhosamente contra a pureza do evangelho de Cristo.
c) Criam para si um “evangelho” com dogmas que constituem um acinte às
Sagradas Escrituras.
O pastor Anísio Batista Dantas, no livro “O pastor e o seu ministério”, assim comenta:
O inimigo de nossas almas tem procurado, e em muitos casos conseguido,
macular vidas preciosas e até santas, quando não pode estragá-las de outras
maneiras, semeando nos corações o terrível joio do orgulho, enquanto o servo
de Deus “dorme”. Desta forma, o homem fica inchado, empanzinado com a
soberba: profissão, lugar que ocupa, posição social ou ministerial, fama como
bom pregador ou mestre, e outras. Esquece-se de que tais atitudes são
desastrosas para a vida espiritual e ministerial. O orgulho desequilibra o
comportamento, desqualifica o indivíduo em sua posição de líder espiritual e
moral da igreja... (..). A grande lição de humildade encontramos no Senhor
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Jesus, que ensinou: “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou
manso e humilde de coração” (Mt 11.29) (Dantas, 2005, p. 88).
d) Precisamos entender, à luz da Palavra de Deus que somos servos do Senhor e
da igreja de Cristo; fomos chamados para servir.
Jesus ensinou: “Mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser ser
grande, será vosso serviçal; E qualquer que dentre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos.
Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em
resgate de muitos” (Mc 10.43-45).
II – PROFISSÃO OU VOCAÇÃO?
❖ EIS A QUESTÃO - EXEMPLOS BÍBLICOS
O que nos move para fazer a obra de Deus? O ganho, a posição, o status, ou a
chamada pura e simples? São questões interessantes. São muitas as seduções que tentam
afastar o obreiro do seu foco. Mencionaremos dois exemplos: um obreiro que foi logrado
pela sedução das coisas terrenas; e outro obreiro que não capitulou à sedução:
1. A sedução que suplanta a vocação
Nos evangelhos, encontramos um obreiro que foi logrado pela sedução das coisas
terrenas: Judas Iscariotes (Jo 6.71).
a) Ele aparece na narrativa dos evangelhos já como um dos doze apóstolos de Jesus
(Lc 6.16).
b) Foi escolhido como o tesoureiro do colégio apostólico, sendo o que conduzia a
bolsa com as ofertas para a manutenção do ministério de Jesus (Jo 12.6).
c) Isso nos mostra que Judas gozava de boa confiança do grupo e do próprio
Senhor.
d) Porém, com o passar do tempo, foi arruinando a sua vida, se tornando um
homem vil, de escusos interesses e subtraindo valores que eram lançados na bolsa das
ofertas.
e) Movido por terríveis sentimentos, procurou os sacerdotes e vendeu o Mestre
por trinta moedas de prata.
e) Aterrorizado e desesperado, enforcou-se, pondo fim à sua vida (Mt 27.3-10).
Diariamente, pastores estão a abandonar o ministério para seguir outros rumos em
suas vidas. Outros simplesmente abandonaram a unção que lhes foi entregue com a
imposição de mãos do ministério. O apóstolo Paulo, porém, aconselha:
“Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das
mãos do presbitério”. (1 Tm 4.14).
f) Não permitamos que a sedução, suplante a nossa vocação! Digamos como o
grande líder Neemias: “Estou fazendo uma grande obra!” (Ne 6.3).
2. A vocação que não capitula à profissão
Quando o Senhor Jesus Cristo foi crucificado e sepultado, os seus apóstolos
fugiram ante a iminente perseguição e possível morte que lhes aguardava.
a) O Mestre os havia chamado e lhes afirmado que os faria pescadores de homens
(Mc 1.16);
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b) Pedro, angustiado e sem saber que rumo tomar na vida, falou para os seus
colegas: “Vou pescar”. Eles o acompanharam naquela decisão: “Também nós vamos
contigo” (Jo 21.3).
c) Ao encontrar novamente os discípulos na praia do mar de Tiberíades, Jesus
chamou a Pedro e lhe interrogou (Jo 21.15-23). As palavras do Salvador, nos dão uma
ideia do que Ele deseja para aqueles a quem chama para a sua obra. As expressões foram:
“apascenta”, “pastoreia” e “segue-me” (Jo 21.15-19).
d) Não era da vontade do divino Mestre que Pedro fosse pescador de peixes, mas,
sim “pescador de homens” (Lc 6.12-16).
e) A tentativa de capitulação da vocação de Pedro, ante a profissão que ele exercia
anteriormente, foi quebrada pelas poderosas palavras do Mestre. A vocação verdadeira
jamais capitula ante a profissão pura e simples.
CONCLUSÃO
Que possamos lutar a todo custo, a fim de manter a integridade ministerial! Mantê-
la é uma necessidade premente.
Dessa forma, atentemos para o conselho final do apóstolo Paulo, na primeira
epístola endereçada ao jovem obreiro Timóteo:
Ó Timóteo, guarda o depósito que te foi confiado, tendo horror aos clamores
vãos e profanos e às oposições da falsamente chamada ciência, a qual,
professando-a alguns, se desviaram da fé. A graça seja contigo. Amém (1
Timóteo 6.20,21).
Amados companheiros desta causa santa, que a graça do Senhor esteja sempre
conosco. AMEM!
BIBLIOGRAFIA
BÍBLIA COM COMENTÁRIOS DE ANTONIO GILBERTO – 1. ed. – Rio de Janeiro:
CPAD, 2023.
BÍBLIA DE ESTUDO EXPLICADA / Editor: S. E. McNair, - 1. ed. – Rio de Janeiro:
CPAD, 2024.
BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL: EDIÇÃO GLOBAL / Donald C. Stamps, J.
Wesley Adams (Ed.) - Rio de Janeiro: CPAD, 2022.
BÍBLIA OBREIRO APROVADO: Sínteses, artigos, liturgia, concordância, dicionário,
Harpa Cristã. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.
GONÇALVES, José. Rastros de fogo: O que diferencia o Pentecostes bíblico do
neopentecostalismo atual? Rio de Janeiro: CPAD, 2012.
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HOUAISS, Antônio. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Bolonha, Itália: Editora
Objetiva, 2001.
LEAL NETO, Raimundo. Entre a profissão e a vocação: existe relação de emprego entre
o pastor e a igreja? São Paulo: Editora Reflexão, 2022.