Revista Psicologia e Saúde. doi: [Link]
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Artigos
Qualidade de Vida, Estratégias de Enfrentamento e Sexualidade em Pessoas
Vivendo com HIV
Quality of Life, Coping Strategies and Sexuality in People Living with HIV
Calidad de Vida, Estrategias de Afrontamiento y Sexualidad en Personas Viviendo con VIH
Whigney Edmilson da Costa
Hospital Estadual de Doenças Tropicais
Alexandre Castelo Branco Herênio
Centro Universitário Alfredo Nasser
Eliane Maria Fleury Seidl
Universidade de Brasília (UnB)
Resumo
Introdução: O diagnóstico de HIV ainda é considerado uma má notícia devido ao seu impacto possivelmente
deletério sobre a qualidade de vida. O estudo objetivou investigar a relação entre as variáveis qualidade
de vida (QV), estratégias de enfrentamento e sexualidade de pessoas com HIV, acompanhadas em um
ambulatório de infectologia em Goiânia, GO. Método: Estudo observacional e transversal, participaram
150 pessoas vivendo com HIV, 98 (65,66%) do gênero masculino, com idades entre 19 e 75 anos (M=39;
DP=12,286), em uso da terapia antirretroviral. Instrumentos validados para a população brasileira foram
utilizados, em coleta presencial. Análises descritivas e inferenciais foram realizadas. Resultados: O maior
escore médio dos participantes nas dimensões da QV foi em relação à percepção geral, com diferença
significativa para o gênero feminino. As estratégias de enfrentamento com maiores médias totais foram
aceitação, coping ativo e religião. Discussão: Pessoas com maior percepção da QV utilizam estratégias
de enfrentamento mais adaptativas, enquanto o grupo com menor QV utiliza estratégias mais evitativas.
Conclusão: A sexualidade e as estratégias de enfrentamento influenciam na percepção da QV em PVHIV
tendo por base os resultados do presente estudo.
Palavras-chave: HIV, qualidade de vida, estratégias de enfrentamento, sexualidade
Abstract
Programa de Mestrado e Doutorado em Psicologia, UCDB - Campo Grande, MS
Introduction: The HIV diagnosis is still considered bad news due to its possibly deleterious impact on
quality of life. The study aimed to investigate the relationship between the variables quality of life (QoL),
coping strategies and sexuality of people with HIV, followed at an infectious diseases clinic in Goiânia, GO.
Method: Observational and cross-sectional study; 150 people living with HIV participated, 98 (65.66%)
male, aged between 19 and 75 years (M=39; SD=12.286), using therapy antiretroviral. Instruments
validated for the Brazilian population were used in face-to-face collection. Descriptive and inferential
analyzes were performed. Results: The participants' highest average score in the QoL dimensions was
in relation to general perception, with a significant difference for females. The coping strategies that
obtained the highest total averages were acceptance, active coping and religion. Discussion: People with
a higher perception of QOL use more adaptive coping strategies, while the group with lower QOL uses
more avoidant strategies. Conclusion: Sexuality and coping strategies influence the perception of QoL in
people living with HIV, based on the results of the present study.
Keywords: HIV, quality of life, coping strategies, sexuality
Resumen
Introducción: El diagnóstico de VIH aún se considera una mala noticia debido a su impacto posiblemente
deletéreo en la calidad de vida. El estudio tuvo como objetivo investigar la relación entre las variables
calidad de vida (CV), estrategias de afrontamiento y sexualidad de personas con VIH, seguidas en una clínica
de enfermedades infecciosas en Goiânia, GO. Método: Estudio observacional y transversal; participaron
150 personas viviendo con VIH, 98 (65,66%) hombres, edades entre 19 y 75 años (M=39; DE=12.286),
en uso de terapia antirretroviral. En la recogida presencial se utilizaron instrumentos validados para la
población brasileña. Se realizaron análisis descriptivos e inferenciales. Resultados: El puntaje promedio
más alto de los participantes en las dimensiones de CV fue en relación a la percepción general, con
diferencia significativa para las mujeres. Las estrategias de afrontamiento que obtuvieron mayores
promedios totales fueron la aceptación, el afrontamiento activo y la religión. Discusión: Las personas
con una mayor percepción de CV utilizan estrategias de afrontamiento más adaptativas, mientras que
el grupo con menor CV utiliza más estrategias de evitación. Conclusión: La sexualidad y estrategias de
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afrontamiento influyen en la percepción de la CV de las personas con el VIH, basado en los resultados
del presente estudio.
Palabras clave: VIH, calidad de vida, estrategias de afrontamiento, sexualidad
Introdução
Desde sua descoberta na década de 1980, avanços biomédicos e psicossociais transfor-
maram a infecção pelo vírus HIV em uma condição crônica e controlada, por meio da terapia
antirretroviral (TARV) e do acesso a marcadores biológicos. Mesmo com a contribuição po-
sitiva dos avanços tecnológicos para as pessoas vivendo com HIV (PVHIV), este diagnóstico
ainda é considerado uma má notícia devido ao seu impacto possivelmente deletério, rever-
berando na qualidade de vida destas pessoas (Brasil, 2018; Costa et al., 2019).
A qualidade de vida (QV) é um construto, de acordo com a Organização Mundial de Saúde
(The World Health Organization Quality of Life assessment [WHOQOL]1, 995), que se refere
à percepção do indivíduo sobre sua inserção na vida, no contexto da cultura, nos sistemas
de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preo-
cupações. Dessa forma, a QV está diretamente relacionada com o contexto em que o sujeito
está inserido, a forma como ele o percebe e, neste sentido, favorece a identificação das
condições psicossociais que podem auxiliar a entender maiores e menores impactos desta
variável (Pinto & Guerra, 2018).
A relação entre QV e viver com HIV é um tema amplamente discutido na literatura cientí-
fica. Contudo, os estudos apresentam resultados variados a depender do ano de publicação
e a região em que foram realizados. No entanto, percebe-se que tempo de diagnóstico e
adesão à TARV estão associadas a uma percepção de melhor QV em determinados fatores
(Cecilio et al., 2019; Hipolito et al., 2017; Santos et al., 2019).
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Devido a características potencialmente traumáticas, compreende-se que as PVHIV pre-
cisam estabelecer novas estratégias de enfrentamento para lidar com esta condição, ainda
estigmatizante e geradora de sofrimento psíquico. Estas estratégias são esforços comporta-
mentais, cognitivos e emocionais utilizados diante de eventos com uma carga estressora que
rompe com a rotina habitual e, consequentemente, influencia e pode promover mudanças
na QV (Sousa et al., 2019).
Acerca das estratégias de enfrentamento utilizadas por PVHIV, estudos apontam que a
espiritualidade/religião e a busca de suporte social e familiar desempenham grande impor-
tância para estas pessoas. Além disso, estratégias direcionadas à aceitação do diagnóstico,
distração e suporte instrumental estariam relacionadas a maiores níveis de QV percebida;
menor utilização de desinvestimento comportamental também é uma estratégia que favore-
ce efeitos positivos (Brandão et al., 2020; Catunda et al., 2016; Foch et al., 2017).
Além da QV e das estratégias de enfrentamento, o diagnóstico de HIV tem implicações
significativas na sexualidade humana devido à sua historicidade, aspectos culturais com cer-
tos grupos sociais e o fato de ser uma infecção sexualmente transmissível (IST). A sexualidade
refere-se a uma dimensão humana fundamental e está baseada no sexo, nas identidades de
gênero, na orientação sexual, na vinculação afetiva e na reprodução humana. É vivenciada e
se expressa em forma de pensamentos, desejos, crenças, atitudes, valores, práticas, papéis
e relações. Nesta perspectiva, é resultado da interação de fatores biológicos, psicológicos,
socioeconômicos, culturais, éticos e religiosos (Villela & Arilha, 2003).
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Ao explorar a variável sexualidade nas categorias identidade de gênero e orientação se-
xual, constata-se que estudos realizados – além de analisá-las como variáveis sociodemo-
gráficas – apontam que se identificar com o gênero masculino ou feminino, bem como se
orientar heterossexualmente ou transgredir esta norma, tem influência nas vulnerabilida-
des específicas em PVHIV e, com isso, também se estabelecem relações com estratégias
de enfrentamento e maiores ou menores índices de QV (Oliveira et al., 2017). Em relação
ao gênero masculino, aspectos socioculturais e institucionais tendem a gerar um compor-
tamento aversivo em homens diante de espaços no campo da saúde. Por ser um ambiente
que transparece aspectos de vulnerabilidade e fragilidade, características que estes homens
não reconhecem como inerentes ao seu aparato biológico, estes tendem a perceber institui-
ções de saúde como ambientes predominantemente femininos ou infantis. Com isso, muitos
agravos, como o HIV, poderiam ser evitados caso os homens realizassem, com regularida-
de, as medidas preventivas (Paula & Rocha, 2019). Perante esta demanda, foi lançada, no
Ministério da Saúde, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH),
visando minimizar os impactos da construção da masculinidade deletéria na saúde dos ho-
mens. Essa política almejou promover, em uma ação em parceria com o Programa Nacional
de DST/aids (nomenclatura utilizada à época), a prevenção e o controle de infecções sexual-
mente transmissíveis, com especial atenção ao HIV (Brasil, 2009).
No que tange ao gênero feminino, a construção do que é ser mulher, baseada nas no-
ções culturais, econômicas, políticas e sociais, é perpassada por relações de poder e do-
minação corporal, legal e institucional. Apesar das transformações ocorridas nos últimos
séculos perante esta problemática, conquistas são necessárias em face do sistema de do-
minação potente e que, por vezes, corre o risco de ser naturalizado (Foucault, 2020). Vale
ressaltar que os cuidados com a saúde da mulher que vive com HIV é pauta do Ministério
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da Saúde desde 2004, com a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher
(Brasil, 2004).
Desde 2007, o Ministério da Saúde lançou o Plano Nacional de Enfrentamento da Epidemia
de Aids e das DST entre Gays, HSH (homens que fazem sexo com homens) e Travestis, com
o objetivo de garantir prioridade, ampliar abrangência geográfica, promover visibilidade
positiva, somar intersetorialidade, produzir conhecimento e garantir monitoramento para
travestis/trans em relação à temática do HIV/aids. Em 2013, a Política Nacional de Saúde
Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais também reforçava esta questão
em seus objetivos. Contudo, fatores relacionados a preconceito, falta de profissionais de
saúde e não respeito ao uso do nome social podem influenciar negativamente a saúde des-
tas pessoas (Brasil, 2013, 2017; Solka & Antoni, 2020).
Com base nas ideias expressas e ao se constatar a complexidade que envolve aspectos
psicossociais e de saúde acerca da vivência de PVHIV, o presente estudo teve por objetivo in-
vestigar a relação entre as variáveis QV, estratégias de enfrentamento e sexualidade (identi-
ficação de gênero e orientação sexual) de pacientes com diagnóstico de HIV, acompanhados
em um ambulatório de infectologia da cidade de Goiânia, GO.
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Método
Delineamento do Estudo
Trata-se de estudo observacional transversal, realizado no Hospital Estadual de Doenças
Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT/HAA) localizado em Goiânia, Goiás. O estudo foi aprovado
pelo Comitê de Ética em Pesquisa do HDT/HAA com o parecer de número 4.209.646.
Participantes
Participaram 150 PVHIV, sendo 98 (65,66%) do gênero masculino e 52 (35,44%) do gê-
nero feminino, 85 (56,7%) heterossexuais, 52 (34,7%) homossexuais e 13 (8,7%) bissexuais,
com idades entre 19 e 75 anos (M=39; DP=12,27) em uso regular da terapia antirretrovi-
ral (TARV) que eram acompanhados e utilizavam o serviço de atendimento ambulatorial do
Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT/HAA).
Os critérios de inclusão foram: ser paciente HIV positivo; ser alfabetizado em língua por-
tuguesa; ter como cidade de residência algum município do estado de Goiás. Já os cri-
térios de exclusão consideraram: uso irregular de terapia antirretroviral (TARV); ter lesão
neurológica; ser portador de transtorno mental severo; estar submetido a algum tipo de
tratamento imunossupressor; possuir outra doença crônica, além da infecção pelo HIV; ter
se submetido à cirurgia de transplante de órgãos há menos de cinco anos; possuir outras
doenças imunossupressoras; apresentar quaisquer condições clínicas que comprometes-
sem a coleta de dados, levando em conta que estas informações foram obtidas por meio
de autorrelato.
Instrumentos
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Questionário de dados sociodemográficos: o questionário incluiu também informações
referentes à sexualidade, como a identificação de gênero e orientação sexual. A fim de
abranger pessoas travestis/trans, o instrumento considerou a categoria gênero, e não sexo.
Instrumento de avaliação de qualidade de vida – The World Health Organization Quality of
Life – WHOQOL-bref: O instrumento possibilita que se descreva a percepção de um indivíduo
em relação à sua saúde física e psicológica, às relações sociais e ao ambiente em que vive.
Avalia quatro dimensões, além de percepção geral da QV e satisfação com a saúde, com 26
itens, respondidos em escala Likert de 5 pontos. Exemplos de itens são: “como você avaliaria
a sua qualidade de vida?”, “o quanto você aproveita a vida?”, “você é capaz de aceitar sua
aparência física?”. O índice de confiabilidade da escala, que é medido pelo Alfa de Cronbach,
é de 0,89 (Almeida-Brasil et al., 2017). Na amostra do estudo o Alfa de Cronbach, foi de 0,90.
Questionário Brief Cope: Com versão em português do Brasil (Brasileiro et al., 2012), é
um instrumento para medir estratégias de enfrentamento em situações estressoras. Um
total de 28 itens avaliam 14 estratégias de enfrentamento, com respostas em escala Likert
de quatro pontos (1 = nunca fiz isso; 4 = faço isso sempre). Exemplos de itens são: “rezo ou
medito”, “faço críticas a mim próprio”, “tento aprender a viver com a situação”. O índice de
confiabilidade, medido pelo Alfa de Cronbach, é de 0,77. Na amostra do estudo, o Alfa de
Cronbach foi de 0,77.
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Procedimentos
A coleta de dados foi realizada na sala de espera do ambulatório do hospital, entre os me-
ses de agosto e outubro de 2020, enquanto os pacientes aguardavam pela consulta médica.
Os instrumentos foram aplicados em 194 participantes, dos quais 150 foram selecionados de
acordo com os critérios de inclusão. Estes foram abordados e convidados a participar volun-
tariamente do estudo, sem que fossem constrangidos ou houvesse exposição diagnóstica no
momento da abordagem. Aos que aceitaram participar da pesquisa, foi apresentado e entre-
gue o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, devidamente assinado pelo pesquisador
e pelo participante, sendo que este ficou com uma cópia do TCLE.
A aplicação dos instrumentos foi feita simultaneamente em mais de um participante no
ambiente de espera do ambulatório, após orientações e convite realizados individualmente,
sendo disponibilizados aos interessados os instrumentos, em versão impressa, a serem res-
pondidos e caneta. O tempo médio de resposta aos instrumentos foi de 35 minutos.
Análise de dados
Os dados foram analisados com o uso do Statistical Package for the Social Sciencies (SPSS),
versão 28, em que foram submetidos a análises descritivas e inferenciais. Média, desvio-pa-
drão e frequência foram utilizados para caracterização da amostra, e o Teste T de Student
para amostra independente, para analisar a associação entre os dados. Os grupos considera-
dos nas análises estão ligados às categorias de gênero, orientação sexual e QV. As categorias
de gênero (masculino e feminino), orientação sexual (heterossexual e homossexual) e a de
QV (menor e maior QV) foram criadas por meio de um índice geral de QV. Tal índice consiste
na soma das quatro dimensões que compõem este construto: aspecto físico, psicológico,
meio ambiente e relações sociais. Neste caso, os grupos foram diferenciados entre aqueles
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com um menor QV (percentil menor que 50) e maior QV (percentil maior que 50).
Resultados
Na Tabela 1, estão descritos os escores médios referentes às dimensões da QV da amos-
tra, e a sua distribuição por gênero e orientação sexual. Percebe-se que as maiores médias
dos participantes diante das dimensões da QV se referiram à percepção geral da QV (78,21),
satisfação com a saúde (74,25) e aspecto psicológico (71,51). O fator ambiental (68,11) teve
o menor escore. Não houve diferença estatisticamente significativa em relação à orientação
sexual e ao gênero nas dimensões da QV analisadas.
Tabela 1
Dimensões da Qualidade de Vida da Amostra, por Gênero (N=150) e Orientação Sexual
(N=137)
Dimensões Orientação
Gênero N Média p N Média p
da QV sexual
Masculino 98 76,17 Hetero 85 79,65
Percepção 0,07 0,43
Feminino 52 82,42 Homo 52 76,77
geral da QV
Total 150 78,21 – Total 137 78,21 –
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Dimensões Orientação
Gênero N Média p N Média p
da QV sexual
Masculino 98 74,41 Hetero 85 75,51
Satisfação 0,91 0,38
Feminino 52 73,93 Homo 52 71,61
com a saúde
Total 150 74,25 – Total 137 74,25 –
Masculino 98 69,28 Hetero 85 68,42
0,63 0,65
Aspecto físico Feminino 52 68,22 Homo 52 69,40
Total 150 68,93 – Total 137 68,93 –
Masculino 98 71,07 Hetero 85 71,49
Aspecto 0,61 0,58
Feminino 52 72,42 Homo 52 72,90
psicológico
Total 150 71,51 – Total 137 71,51 –
Masculino 98 71,86 Hetero 85 71,38
0,42 0,68
Aspecto social Feminino 52 70,70 Homo 52 73,12
Total 150 71,28 – Total 137 72,25 –
Masculino 98 67,38 Hetero 85 67,88
Aspecto 0,41 0,65
Feminino 52 69,62 Homo 52 69,11
ambiental
Total 150 68,11 – Total 137 68,11 –
Nota. As 13 pessoas que se definiram como bissexuais não foram incluídas na análise, em função do número
reduzido.
A Tabela 2 apresenta as estratégias de enfrentamento dos participantes, bem como a sua
distribuição por gênero e orientação sexual. As estratégias de enfrentamento que obtiveram
escores médios mais elevados foram aceitação (3,49), coping ativo (3,21) e religião (3,14).
Em contrapartida, as menores médias relacionaram-se ao humor (1,47), abuso de substân-
cias (1,45) e ao desinvestimento comportamental (1,31). Ao se relacionarem as estratégias
de enfrentamento com as categorias de gênero, notaram-se diferenças estatisticamente sig-
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nificativas no que tange à religião (p=0,01): pessoas do gênero feminino obtiveram os maio-
res escores. Em relação à orientação sexual, a estratégia relacionada à religião (p=0,000)
foi associada a pessoas heterossexuais, ao contrário das estratégias de desabafo (p=0,01) e
humor (p=0,05), utilizadas em maior frequência por participantes homossexuais.
Tabela 2
Estratégias de Enfrentamento, por Gênero e Orientação Sexual, a partir dos Escores Médios
(N=150)
Estratégias de Orientação
Gênero n Média p n Média p
enfrentamento sexual
Masculino 98 3,15 Hetero 85 3,24
Coping ativo 0,33 0,92
Feminino 52 3,31 Homo 52 3,25
Masculino 98 2,98 Hetero 85 2,86
Planejamento 0,62 0,18
Feminino 52 2,88 Homo 52 3,14
Masculino 98 2,51 Hetero 85 2,54
Suporte instrumental 0,73 0,62
Feminino 52 2,59 Homo 52 2,6
Masculino 98 2,85 Hetero 85 2,82
Suporte emocional 0,74 0,30
Feminino 52 2,92 Homo 52 3,06
Masculino 98 2,94 Hetero 85 3,44
Religião 0,01 0,00
Feminino 52 3,54 Homo 52 2,83
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Estratégias de Orientação
Gênero n Média p n Média p
enfrentamento sexual
Reinterpretação Masculino 98 2,96 Hetero 85 3,00
0,85 0,91
positiva Feminino 52 3,00 Homo 52 3,03
Masculino 98 2,17 Hetero 85 2,18
Autoculpa 0,56 0,59
Feminino 52 2,04 Homo 52 2,06
Masculino 98 3,42 Hetero 85 3,53
Aceitação 0,25 0,49
Feminino 52 3,63 Homo 52 3,40
Masculino 98 1,91 Hetero 85 1,76
Desabafo 0,74 0,01
Feminino 52 1,98 Homo 52 2,30
Masculino 98 1,69 Hetero 85 1,73
Negação 0,66 0,52
Feminino 52 1,78 Homo 52 1,87
Masculino 98 2,86 Hetero 85 3,04
Autodistração 0,27 0,83
Feminino 52 3,25 Homo 52 3,00
Desinvestimento Masculino 98 0,64 Hetero 85 1,28
0,82 0,41
comportamental Feminino 52 0,69 Homo 52 1,40
Abuso de subst. Masculino 98 0,93 Hetero 85 1,31
0,15 0,08
psicoativas Feminino 52 0,58 Homo 52 1,66
Masculino 98 1,52 Hetero 85 1,37
Humor 0,37 0,05
Feminino 52 1,37 Homo 52 1,70
Nota. As 13 pessoas que se definiram como bissexuais não foram incluídas na análise, em função do número
reduzido.
A Tabela 3 exibe as estratégias de enfrentamento utilizadas pelos subgrupos com maior e
menor QV em participantes que se identificaram com o gênero masculino. Do total de 150
sujeitos, 75 foram categorizados como grupo com menor QV e 75 como grupo de maior QV,
considerando-se o grupo de maior QV os indivíduos com o índice geral da QV cujo percentil
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foi maior que 50, e aqueles cujo índice geral da QV teve percentil menor que 50, o grupo
de menor QV. Acerca do subgrupo com maior QV, as estratégias de enfrentamento signifi-
cativamente mais utilizadas foram a aceitação (3,64; p=0,05), coping ativo (3,38; p=0,03),
planejamento (3,20; p=0,04) e suporte emocional (3,09; p=0,05). Já o grupo com menor QV
fazia uso, de forma significativa, das estratégias de enfrentamento relacionadas à autoculpa
(2,45; p=0,02), ao abuso de substâncias (1,77; p=0,04) e ao desinvestimento comportamen-
tal (1,50; p=0,00).
Tabela 3
Estratégias de Enfrentamento por Subgrupos com Maior e Menor Qualidade de Vida do
Gênero Masculino (N=98)
Estratégias de
Qualidade de vida n Média Desvio-padrão p
enfrentamento
Menor QV 51 2,94 0,88
Coping ativo 0,03
Maior QV 47 3,38 0,73
Menor QV 51 2,78 0,88
Planejamento 0,04
Maior QV 47 3,20 0,87
Menor QV 51 2,51 1,04
Suporte instrumental 0,99
Maior QV 47 2,51 0,95
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Estratégias de
Qualidade de vida n Média Desvio-padrão p
enfrentamento
Menor QV 51 2,62 1,10
Suporte emocional 0,05
Maior QV 47 3,09 0,85
Menor QV 51 2,94 1,00
Religião 0,96
Maior QV 47 2,95 1,11
Menor QV 51 2,81 0,82
Reinterpretação positiva 0,15
Maior QV 47 3,12 0,93
Menor QV 51 2,45 1,09
Autoculpa 0,02
Maior QV 47 1,88 0,91
Menor QV 51 3,23 0,96
Aceitação 0,05
Maior QV 47 3,64 0,73
Menor QV 51 1,93 1,07
Desabafo 0,93
Maior QV 47 1,91 0,86
Menor QV 51 1,87 1,04
Negação 0,12
Maior QV 47 1,51 0,83
Menor QV 51 2,71 0,88
Autodistração 0,20
Maior QV 47 3,01 1,06
Desinvestimento Menor QV 51 1,50 0,81
0,00
comportamental Maior QV 47 1,10 0,26
Abuso de Menor QV 51 1,77 1,14
0,04
substâncias psicoativas Maior QV 47 1,36 0,60
Menor QV 51 1,40 0,69
Humor 0,17
Maior QV 47 1,65 0,68
A Tabela 4 exibe as estratégias de enfrentamentos utilizadas pelos subgrupos com maior
e menor QV em participantes que se identificaram com o gênero feminino. Do total de 52
Programa de Mestrado e Doutorado em Psicologia, UCDB - Campo Grande, MS
sujeitos pertencentes a esse gênero, 28 foram categorizados como grupo com menor QV e
24 participantes com maior QV. Quanto ao grupo com maior escore de QV, as estratégias
de enfrentamento mais utilizadas, de forma significativa, foram aceitação (3,96; p=0,00) e
reinterpretação positiva (3,28; p=0,04). No que tange ao grupo com menor QV, a estratégia
de enfrentamento mais utilizada foi autoculpa (2,63; p= 0,02).
Tabela 4
Estratégias de Enfrentamento por Subgrupos com Maior e Menor Escores de Qualidade de
Vida do Gênero Feminino (N=52)
Estratégias de enfrentamento Qualidade de vida n Média Desvio-padrão p
Menor QV 28 3,27 0,75
Coping ativo 0,98
Maior QV 24 3,27 0,65
Menor QV 28 2,50 1,36
Planejamento 0,30
Maior QV 24 2,93 0,75
Menor QV 28 2,86 1,18
Suporte instrumental 0,72
Maior QV 24 2,70 1,11
Menor QV 28 2,68 1,36
Suporte emocional 0,20
Maior QV 24 3,27 0,94
Menor QV 28 3,73 0,90
Religião 0,47
Maior QV 24 3,47 0,89
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Estratégias de enfrentamento Qualidade de vida n Média Desvio-padrão p
Menor QV 28 2,41 1,37
Reinterpretação positiva 0,04
Maior QV 24 3,20 0,90
Menor QV 28 2,63 1,21
Autoculpa 0,02
Maior QV 24 1,80 1,04
Menor QV 28 3,00 1,24
Aceitação 0,00
Maior QV 24 3,96 0,12
Menor QV 28 2,18 1,03
Desabafo 0,70
Maior QV 24 2,03 0,93
Menor QV 28 1,77 1,00
Negação 0,57
Maior QV 24 2,00 1,00
Menor QV 28 3,22 0,84
Autodistração 0,66
Maior QV 24 3,36 0,74
Menor QV 28 1,63 0,95
Desinvestimento comportamental 0,22
Maior QV 24 1,26 0,56
Menor QV 28 1,36 0,92
Abuso de substâncias psicoativas 0,18
Maior QV 24 1,03 0,12
Menor QV 28 1,31 0,90
Humor 0,96
Maior QV 24 1,33 0,64
Discussão
A fim de compreender a relação entre qualidade de vida, estratégias de enfrentamento,
identificação de gênero e orientação sexual de pacientes com diagnóstico de HIV em um am-
bulatório de infectologia, notou-se que participantes do gênero masculino foram de 65,66%,
em relação aos 35,44% pertencentes ao gênero feminino, havendo consonância com o último
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boletim epidemiológico de HIV/aids do ano de 2023: no período de 2007 a junho de 2023, foi
notificado, no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) ,um total de 345.069
(70,5%) casos em homens e 144.364 (29,5%) casos em mulheres (Brasil, 2023). Ressalta-se que
esta prevalência do vírus HIV em homens pode ser compreendida por meio de uma análise das
categorias gênero e comportamento sexual. Aspectos referentes a características patriarcais
da sociedade, que perpassam a construção de identidades de masculinidades, operam, desde
o Brasil colonial, em uma livre expressão do comportamento sexual do homem, que, devido
a suas vias (inserção vaginal e anal desprotegida), aumenta a probabilidade de infecção, com
pouca ressalva para suas consequências. Contudo, este modelo social que se fundamenta em
uma visão patriarcal, à medida que exalta certos caracteres de masculinidade, também é dele-
tério para a saúde, em todos os seus aspectos, do homem (Paula & Rocha, 2019).
Apesar de a construção das identidades homossexuais e do movimento gay possuir uma
relação direta com a epidemia de HIV/aids, desde seu início, nos anos 1980, ainda hoje a
infecção pelo vírus se faz presente no contexto da vivência sexual desses sujeitos, não acon-
tecendo com homens heterossexuais. Seja pela crença errônea, culturalmente estruturada,
que relaciona o HIV à homossexualidade, seja pela possibilidade de gravidez como o maior
temor no imaginário deste grupo de homens heterossexuais, além dos fatores já descritos
associados à construção do ser masculino e sua posição de provedor, o diagnóstico de HIV
ainda é recebido por homens heterossexuais com grande surpresa e incredulidade (Knauth et
al., 2020). Dessa forma, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH)
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também buscou incentivar o uso do preservativo a fim de prevenir não somente a gravidez,
mas também ISTs e o HIV (Brasil, 2009).
Devido à coleta de dados ter sido realizada em uma instituição de referência no trata-
mento de doenças infectocontagiosas, incluindo o HIV, travestis e pessoas trans, em razão
das situações de vulnerabilidade a que são expostas diariamente, comumente são um pú-
blico que se faz presente na emergência e na internação hospitalar. Com isso, a ausência
de pessoas trans/travestis na amostra colhida em um acompanhamento ambulatorial pode
sinalizar as dificuldades enfrentadas na continuidade de seu acesso aos serviços de saúde,
para além de emergências, de forma preventiva e com acompanhamento regular (Ferreira
et al., 2017). Ressalta-se que a construção do questionário sociodemográfico considerou a
categoria gênero e não sexo, diferentemente dos dados expostos no boletim epidemiológico
de HIV/aids do ano de 2022, que utiliza a categoria sexo em sua apuração, não visibilizando
estas vivências.
Acerca da percepção da QV total da amostra, notou-se que, independentemente do gê-
nero e da orientação sexual, os participantes consideraram possuir qualidade em relação
à sua vida em geral, além de satisfação com a saúde física e mental. Contudo, o aspecto
que recebeu o menor escore destinou-se ao meio ambiente, que avalia a QV em relação à
segurança, moradia, recursos financeiros, cuidados de saúde, lazer e transporte, resultados
semelhantes a um estudo realizado no Rio de Janeiro, com 281 PVHIV (Cecilio et al., 2019),
dimensão afetada por condições socioeconômicas precárias. Destaca-se que a coleta de da-
dos ocorreu entre os meses de agosto e outubro de 2020, período pandêmico da covid-19,
o que pode ter influenciado nesta percepção dos participantes.
Acerca das estratégias de enfrentamento utilizadas pelos participantes de forma total,
por gênero e orientação sexual, percebeu-se a aceitação, coping ativo e religião como estra-
tégias mais utilizadas, e menos de estratégias de humor, abuso de substâncias e desinves-
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timento comportamental. De acordo com o estudo de Brito (2017), a aceitação e o coping
ativo estariam associados a estratégias mais adaptativas, a depender de determinados con-
textos. Ressalta-se que a amostra foi composta apenas por PVHIV em uso regular de TARV,
o que pode indicar pessoas com maior compreensão, adesão ao tratamento e aceitação do
diagnóstico (Catunda et al., 2016). Além disso, o uso de álcool e outras drogas é descrito
como um preditor de baixa adesão ao tratamento, sendo uma prática pouco utilizada pelos
participantes (Brasil, 2018).
Os dados também indicaram que os sujeitos que se definiram como gênero feminino
utilizavam mais a religião como estratégia de enfrentamento, o que é coerente com resul-
tados encontrados em outros estudos (Foch et al., 2017). Assim como discutido acerca das
expectativas sociais em relação à construção da ideia de masculinidade, esta sociedade que
se fundamenta em um modelo de heterossexualidade compulsória (Butler, 2020) exige in-
terpretações de papéis no que tange ao comportamento feminino, sendo que mulheres são
inseridas em uma cultura judaico-cristã e a preceitos religiosos desde a infância. Contudo,
esta complexa e subjetiva dimensão possui efeitos deletérios e protetivos, como em relação
à diminuição do abuso de substâncias (Faria et al., 2017).
Quanto à orientação sexual, as informações de relevância estatística associaram a religião
como uma estratégia de enfrentamento utilizada por sujeitos heterossexuais, o que faz sen-
tido ao se pensar na construção sócio-histórica do país, enquanto uma nação fortemente
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influenciada pelo judaísmo cristão e que, consequentemente, privilegia certos grupos (Orth
et al., 2017). Dessa forma, pessoas homossexuais, muitas vezes, não são incluídas de forma
positiva em grande parte das religiões. Ademais, ressalta-se que a problemática imposta
pela construção da masculinidade e feminilidade da categoria gênero também exerce opres-
são perante as vivências homossexuais (Eccel et al., 2015; Oliveira et al., 2017).
Entre os participantes que se definiram como gênero masculino, observou-se que houve
diferença estatisticamente significativa entre os grupos com maior e menor QV. Foi possível
perceber certa semelhança entre as estratégias utilizadas; contudo, o grupo com maior QV
fazia uso de estratégias de enfrentamento mais adaptativas (coping ativo, planejamento,
aceitação) e de apoio (suporte emocional), de maneira oposta ao grupo com menor QV, que
lançava mão de estratégias evitativas ou de cunho paliativo (desinvestimento comportamen-
tal, autoculpa, abuso de substâncias). Dessa forma, com base nas ideias levantadas acerca da
construção da masculinidade e seus aspectos, os dados indicam que o grupo com maior QV
parece ter o seu foco na assimilação e resolução do problema, enquanto o grupo com menor
QV pode se defrontar com vulnerabilidades que foram instruídos e moldados a ignorar, exi-
gindo, assim, uma reestruturação não somente perante o seu diagnóstico, mas também no
que diz respeito ao que compreender, por ser homem (Paula & Rocha, 2019).
Entre os participantes que se definiram como gênero feminino, observou-se que houve
diferença estatisticamente significativa entre os grupos com maior e menor QV: o grupo com
maior QV utilizava estratégias de enfrentamento mais adaptativas (aceitação, reinterpreta-
ção positiva), que possibilitavam uma convivência mais satisfatória com o status sorológico,
diferentemente da estratégia adotada pelos sujeitos do grupo com menor QV (autoculpa).
Por fim, faz-se uma relação entre os dados obtidos sobre os sujeitos que se definiram
como gênero feminino e faziam mais uso da religião enquanto estratégia de enfrentamento
em comparação aos homens, com o predomínio da autoculpa utilizada pelas mulheres do
Programa de Mestrado e Doutorado em Psicologia, UCDB - Campo Grande, MS
grupo com menor QV, a fim de retomar a discussão acerca do dispositivo social e da imposi-
ção de papéis de feminilidade que são exigidos pela mulher. Neste aspecto, compreende-se
que as instituições atuam como agentes reguladores da sexualidade e do comportamento
de forma geral, em especial as instituições religiosas. Embates atuais são travados a fim
de assegurar, legalmente, o controle sobre a liberdade do corpo feminino. Dessa forma, há
sentido na culpa vivenciada pela mulher perante a sua vivência com HIV, ao se compreender
o caráter ambíguo que a religião pode representar na subjetividade destes sujeitos (Vital &
Lopes, 2013).
Considerações Finais
O estudo permitiu identificar como a QV, as estratégias de enfrentamento e a sexualida-
de, a partir da identificação de gênero e da orientação sexual, relacionam-se com o diag-
nóstico de HIV em pacientes atendidos em um ambulatório especializado em infectologia. A
QV dos participantes revelou certa fragilidade no que tange ao meio ambiente onde vivem.
Contudo, pontua-se que a coleta de dados foi realizada em um momento pandêmico, em
que as PVHIV, por fazer parte de um grupo mais vulnerável, necessitaram de um isolamento
mais rigoroso, além de incertezas e angústias perante a continuidade de seu tratamento.
Foi observado que as pessoas com maior percepção de QV tendiam a utilizar estraté-
gias de enfrentamento mais adaptativas e de suporte, enquanto aquelas com uma menor
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ercepção de QV usavam estratégias de enfrentamento mais deletérias, evitativas ou pa-
p
liativas. Ademais, observou-se que, em relação à QV e às estratégias de enfrentamento, a
variável gênero teve uma maior predominância em relação aos resultados, se comparada à
orientação sexual. Dessa forma, abrem-se novas possibilidades para um aprofundamento
teórico, construção do conhecimento e, consequentemente, novas políticas e ações em saú-
de perante a temática. Por fim, apesar da presença de políticas públicas destinadas à saúde
integral de travestis/trans, o estudo clarificou a vulnerabilidade enfrentada por estes sujeitos
no que tange à garantia de acesso e, principalmente, ao acompanhamento ininterrupto nos
serviços de saúde.
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Heinrich Böll.
Recebido em: 04/01/2024
Última revisão: 08/10/2024
Aceite final: 27/02/2025
Sobre os autores:
Whigney Edmilson da Costa: [Autor para contato]. Mestre em Psicologia Clínica e Cultura pela
Universidade de Brasília. Especialista em Psicologia e Sexualidade pela Universidade de Araraquara.
Psicólogo pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, com Residência Multiprofissional em
Infectologia, pela Universidade Evangélica de Goiás. Psicólogo da saúde no Hospital Estadual de
Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad, Goiânia, GO. Contribuição do autor para o manuscrito: revisão
teórica, construção do método, resultados e discussão. E-mail: whigney10@[Link], ORCID:
[Link]
Alexandre Castelo Branco Herênio: Mestre em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade
Católica de Goiás (PUC Goiás). Especialista em Docência do Ensino Superior pela Faculdade Brasileira
ISSN: 2177-093X Revista Psicologia e Saúde, v. 17, e17232701, jan./dez. 2025.
Revista Psicologia e Saúde. 15 de 15
de Educação e Cultura, Saúde Mental e Dependência Química pela Faculdade Delta, e em Psicologia
Jurídica pela Universidade de Araraquara. Psicólogo pela PUC Goiás. Professor do Centro Universitário
Alfredo Nasser, Aparecida de Goiânia, GO. Contribuição do autor para o manuscrito: análise esta-
tística e orientação na construção de todas as etapas. E-mail: herenioacb@[Link], ORCID:
[Link]
Eliane Maria Fleury Seidl: Doutora em Psicologia e Psicóloga pela Universidade de Brasília (UnB).
Professora titular da UnB, Instituto de Psicologia, Brasília, DF. Contribuição do autor para o ma-
nuscrito: revisão geral do texto e da análise de dados. E-mail: [Link]@[Link], ORCID:
[Link]
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ISSN: 2177-093X Revista Psicologia e Saúde, v. 17, e17232701, jan./dez. 2025.