Divisão de Engenharia
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA MECÂNICA
Curso: Engenharia de Construção Mecânica
Nível: 2º Ano
Unidade de Competência: Resistência dos Materiais
Tema:
Tensões Compostas
Discentes:
António Octávio Manuel
Edgar Robson Maoze Docente:
Élvio Aníbal Chitata Eng. Guift Pinho
Hélton Domingos dos Santos Melo
Jartinísio Adélia Tsope
Niyurca João Sidumo
Ribeiro A. Ribeiro
Songo, Junho 2025
Índice
1. Introdução................................................................................................................................1
2. Tensões Compostas..................................................................................................................2
2.1.1. Superposição e suas limitações.......................................................................................2
2.2. Flexão oblíqua.......................................................................................................................6
2.2.1. Superposição de tensões de cisalhamento....................................................................10
3. Conclusão...............................................................................................................................14
Referências................................................................................................................................15
1. Introdução
A Resistência dos Materiais é uma disciplina fundamental na engenharia, responsável por
estudar o comportamento de estruturas e componentes sob diferentes tipos de carregamento.
Este trabalho aborda os principais conceitos relacionados a tensões compostas, superposição
de efeitos, flexão oblíqua, carregamento excêntrico e superposição de tensões de
cisalhamento, apresentando definições, fórmulas, exemplos resolvidos e citações de autores
renomados. As tensões compostas são fenômenos fundamentais na engenharia e na física,
essenciais para a análise de estruturas e materiais sob diversas condições de carga. Quando
um corpo é submetido a forças externas, as tensões internas que se desenvolvem podem ser
complexas, resultando em diferentes modos de deformação. A compreensão dessas tensões é
crucial para garantir a segurança e a eficiência de projetos em construção civil, engenharia
mecânica e outras áreas. Este trabalho tem como objetivo explorar o conceito de tensões
compostas, suas aplicações práticas e as metodologias para sua análise. Serão abordados os
princípios básicos, os tipos de tensões envolvidas, como as tensões normais e cisalhantes, e
exemplos que ilustram sua importância no cotidiano das engenharias. Além disso, serão
discutidas ferramentas e métodos de cálculo, como a teoria de Mohr e os diagramas de
tensões, que permitem visualizar e interpretar essas interações de maneira eficaz.
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2. Tensões Compostas
Tensões compostas ocorrem quando um elemento estrutural está sujeito a múltiplos tipos de
carregamento simultâneos, gerando uma combinação de tensões normais (tração/compressão)
e cisalhantes (torção/cortante). Esse fenômeno é comum em estruturas reais, como vigas,
eixos, colunas e peças mecânicas.
Segundo Ferdinand P. Beer & E. Russell Johnston. "A vida real raramente impõe cargas
puras, a maioria dos problemas envolve combinações de tração, flexão e torção."
Nos capítulos anteriores, foram desenvolvidos métodos para determinar a distribuição de
tensão em membros sujeitos à esforços internos: força axial, força cortante, momento fletor e
momento torçor. Muito frequentemente, a seção transversal de um membro está sujeita à
vários tipos de esforços internos simultaneamente. A tensão resultante destes esforços é
obtida pela superposição das tensões devido a cada esforço interno calculadas separadamente.
Tipos de Carregamentos que Geram Tensões Compostas
Carregamento Tensão Resultante Exemplo Prático
Axial (Tração/Compressão) Tensão normal (σ) Colunas, tirantes
Flexão Tensão normal variável (σ) Vigas, pontes
Torção Tensão cisalhante (τ) Eixos de transmissão
Cisalhamento Transversal Tensão cisalhante (τ) Conectores, rebites
2.1.1. Superposição e suas limitações
O princípio da superposição pode ser usado desde que haja uma relação linear entre tensão e
carregamento. Também deve ser considerado que a geometria do membro não deve sofrer
mudança significativa quando as cargas são aplicadas. Isto deve ser assegurado de maneira
que a tensão produzida por uma carga não está relacionada com a tensão produzida por uma
outra carga. Neste sentido, considere a viga com o carregamento mostrado abaixo,
trabalhando dentro do regime elástico linear.
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Figura 1.1 – Viga submetida à uma flexo-compressão
Onde v é a deflexão da viga de um ponto distante x da extremidade: Impondo o equilíbrio de
momentos com relação ao eixo z, temos:
Assim, percebe-se que o momento interno M é dependente da deflexão v: M = RAy . x – W.
(x – a) + P. v
Como a deflexão v é devido ao carregamento W, o momento P.v seria desprezado quando da
aplicação do princípio da superposição. Isto poderia ser considerado somente quando a
deflexão v for pequena. Portanto, nos casos onde as deformações são pequenas, o princípio da
superposição pode ser aplicado separadamente para cada força aplicada na estrutura.
Tensão normal devido à força axial P:
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Tensão normal devido ao momento fletor M:
Tensão de cisalhamento devido à força cortante V:
O tensor de tensões é para este caso bidimensional:
Exemplo 1.1: Calcule o tensor de tensões no ponto C da viga de seção transversal retangular,
b = 50 mm e h = 250 mm.
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b – Cálculo dos esforços internos:
c - Tensão no ponto C devido à força P:
d - Tensão no ponto C devido ao momento M:
e - Tensão no ponto C devido ao cortante V:
f – Tensor de tensões no ponto C:
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2.2. Flexão oblíqua
Ocorre quando o carregamento não atua em um dos eixos principais de inércia, gerando
flexão em duas direções.
Considere uma viga sujeita à um momento inclinado de α com relação aos eixos principais y e
z da seção transversal da viga, Fig. 8.1.
Figura 1.2 - Viga sujeita à um momento inclinado de α
A fórmula da flexão elástica, pode ser aplicada para cada componente do momento My e Mz,
e a tensão combinada dos dois efeitos pode ser obtida pela superposição. Considere o caso
especial de uma seção transversal retangular submetida à um carregamento inclinado, Fig.8.3.
Figura 1.3 – Tensões devido à um carregamento inclinado
A obtenção da posição do eixo neutro é feita fazendo σx =
0:
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Substituindo as componentes do momento inclinado:
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Assim, a equação que fornece a equação do eixo neutro é da forma:
Conclusão importante: O eixo neutro não é perpendicular ao plano de aplicação do
momento, a menos que Iz = Iy. Os pontos de máxima tensão de flexão em tração e em
compressão se encontram nos vértices da seção transversal. Exemplo 8.2: A viga de madeira
de seção 100 mm x 150 mm mostrada abaixo é usada para suportar uma carga uniformemente
distribuída de 500 kgf. A carga aplicada age em um plano que faz um ângulo de 30° com a
vertical. Calcular a máxima tensão no meio do vão e localizar o eixo neutro.
a – Cálculo das reações:
b – Cálculo do momento interno M:
c – Cálculo das componentes do momento M:
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d – Cálculo dos momentos de inércia de área Iz e Iy:
e – Cálculo das tensões normais:
Ponto (y = - 75 mm, z = 50 mm) ⇒ σx = 0,808 kgf/mm2 (tração)
Ponto (y = 75 mm, z = - 50 mm) ⇒ σx = - 0,808 kgf/mm2
(compressão) f – Cálculo da posição do eixo neutro:
Elementos estruturais com carregamento excêntrico
Forças aplicadas fora do centroide geram momentos fletores adicionais. Considere um
elemento estrutural em cuja seção transversal é aplicada uma força excêntrica em relação ao
centróide da seção, Fig. 8.4.
Figura 8.4 – Elemento estrutural solicitado axialmente
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Com a superposição dos efeitos, tem-se:
Figura 8.5 – Distribuição das tensões normais
A tensão resultante das tensões normais é da forma:
Exemplo 1.3: O bloco retangular de peso desprezível está sujeito a uma força vertical de 40
kN, a qual é aplicada em seus vértices. Determine a distribuição de tensão normal atuando
sobre a seção ABCD.
Ponto A (y = 400 mm, z = - 200 mm):
Ponto B (y = 400 mm, z = 200 mm):
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Ponto C (y = - 400 mm, z = 200 mm):
Ponto D (y = - 400 mm, z = - 200 mm):
Posição do eixo neutro (tensão nula):
62500
= 125000
0,4 − e 0
e
e = 66,7mm
62500 12500
=
0,8 − h h
h = 0,133m
2.2.1. Superposição de tensões de cisalhamento
Em vigas, o cisalhamento devido a forças transversais pode ser combinado com o
cisalhamento torcional.
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Exemplo 1.4: Achar a máxima tensão de cisalhamento no plano ABDE do eixo de 12 mm de
diâmetro, devido as esforços aplicados.
Tensões devido ao momento de torção T:
Tensões devido ao cortante V:
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Exemplo 1.5: Uma placa é sujeita à um carregamento uniforme devido ao vento conforme
mostrado abaixo. Determine o estado de tensões nos pontos C e D situados na coluna de
sustentação da placa de 100 mm de diâmetro.
Tensões normais devido ao momento fletor M:
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Tensões de cisalhamento devido ao momento torçor T:
Tensões de cisalhamento devido à força cortante V:
Ponto D
Ponto C
Q = 0 ⇒ τc= 0
Ponto C:
σC = - 106,95 Mpa, τC = 15,28 MPa
Ponto D:
σD = 0 Mpa, τD = 15,28 + 0,51 = 15,79 Mpa
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3. Conclusão
Este trabalho apresentou os principais conceitos de Resistência dos Materiais, com exemplos
práticos e fundamentação teórica. A correta aplicação desses princípios é essencial para o
dimensionamento seguro de estruturas. Em suma, as tensões compostas desempenham um
papel vital na integridade estrutural e na segurança de projetos de engenharia. Através da
análise dessas tensões, é possível prever comportamentos de materiais e garantir que
estruturas resistam a condições adversas, como sobrecargas e variações de temperatura. Este
trabalho reforçou a importância do conhecimento das tensões compostas, destacando não
apenas sua teoria, mas também suas aplicações práticas em situações do dia a dia, como em
pontes, edifícios e componentes mecânicos. O estudo das tensões compostas não se limita
apenas à análise de falhas, mas também à otimização de materiais e ao desenvolvimento de
novas tecnologias. Com isso, espera-se que profissionais e estudantes da área se sintam mais
preparados para enfrentar desafios relacionados a este tema, contribuindo para a evolução das
práticas de engenharia e construção e promovendo um futuro mais seguro e eficiente.
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Referências
[1] BEER, F. P., JOHNSTON Jr. R. Resistência dos materiais. 3ed. São Paulo, Makron [1]
Books, 1996.
[2] BEER, F. P., JOHNSTON Jr., R. Mecânica vetorial para engenheiros - estática. 5ed. São
Paulo, Makron Books, 2004.
[3] BORESI, A. P., SCHMIDT, R. J. Estática. São Paulo, Thomson, 2003. FUSCO, P. B.
Construções de concreto solicitações tangenciais: introdução – combinação de ações – força
cortante – conceitos básicos. São Paulo: EPUSP/PEF, 1981.
[4] GERE, J. M. Mecânica dos Materiais. São Paulo, Thomson, 2003. HIBBELLER, R. C.
Resistência dos materiais. Rio de Janeiro, LTC, 1997. LANGENDONCK, T. Resistência dos
materiais: tensões. Rio de Janeiro: Científica, 1956.
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