Poder Executivo no Direito Constitucional
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CONSTITUCIONAL
Poder Executivo
SISTEMA DE ENSINO
Livro Eletrônico
DIREITO CONSTITUCIONAL
Poder Executivo
Aragonê Fernandes
Poder Executivo..............................................................................................................4
1. Formas de Governo. .....................................................................................................5
2. Sistemas de Governo...................................................................................................5
3. Chefia de Estado x Chefia de Governo......................................................................... 7
4. Condições de Elegibilidade. ..........................................................................................8
5. Processo Eleitoral.......................................................................................................9
6. Duração do Mandato................................................................................................. 13
7. Impedimento e Vacância............................................................................................ 13
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Questões de Concurso.................................................................................................. 48
Gabarito....................................................................................................................... 58
Gabarito Comentado. .....................................................................................................59
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PODER EXECUTIVO
Vamos começar definindo alguns conceitos essenciais. Veja:
No âmbito federal, o Poder Executivo é chefiado pelo presidente da República, que é auxi-
liado pelos ministros de Estado.
Se você olhar para a esfera estadual e para a distrital, verá que a chefia cabe aos governa-
dores e, no âmbito municipal, aos prefeitos.
Uma distinção deve ser feita desde agora – e será fundamental para as provas: o presi-
dente da República é o único que acumula as funções de chefe de Estado e de chefe de gover-
no em nosso sistema atual. Os demais são considerados apenas chefes de governo.
Qual é a importância dessa particularidade? Ora, se determinada prerrogativa for exclusi-
va do chefe de Estado não poderá repercutir para as outras esferas de governo.
Antes de entrar no texto constitucional, penso ser necessário que você relembre alguns
conceitos que são extraídos da doutrina, mas que serão de grande importância.
Vamos lá!
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1. Formas de Governo
República Monarquia
Eletividade Hereditariedade
Temporalidade Vitaliciedade
Representatividade popular (o povo escolhe seu Ausência de representatividade popular (o critério
representante) para definição do rei é a linhagem familiar)
Responsabilização dos governantes (inclusive Inexistência de responsabilidade dos governantes
por crime de responsabilidade – impeachment) (the king can do no wrong – o rei não pode errar).
A primeira Constituição brasileira (1824) previa a Monarquia como forma de governo. En-
tretanto, desde 1891, adotou-se a forma republicana de governo.
É exatamente em razão da adoção da República como forma de governo que se limita a
reeleição para apenas um período em relação aos mandatos de chefe do Executivo.
É também em razão disso que se previu a inelegibilidade reflexa ou reflexiva: ao final, o
regime no qual uma família se perpetua no poder se chama monarquia.
2. Sistemas de Governo
Presidencialismo Parlamentarismo
Independência entre os Poderes nas funções Regime de colaboração; de corresponsabilidade entre
governamentais. Legislativo e Executivo.
Primeiro-ministro só permanece na chefia de governo
Governantes (Executivo e Legislativo) possuem enquanto possuir maioria parlamentar.
mandato certo. Mandato dos parlamentares pode ser abreviado, caso
haja a dissolução do parlamento.
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Há um só chefe do Executivo (presidente ou Chefia do Executivo é dual, já que exercida pelo Primei-
monarca), que acumula as funções de chefe de ro-ministro (chefe de governo), juntamente com o pre-
Estado e chefe de governo. sidente ou monarca (chefes de estado).
A responsabilidade do governo é perante o povo. A responsabilidade do governo é perante o parlamento.
O Brasil, embora tenha por tradição o sistema presidencialista, já teve dois períodos de
parlamentarismo: o primeiro na época do Império, com Dom Pedro II – basta lembrar que Dom
Pedro II era muito jovem quando assumiu o trono. Assim, houve uma diminuição das atribui-
ções do Príncipe Regente.
O segundo período de parlamentarismo é mais recente (e mais cobrado em provas!). Ele
envolveu os anos de 1961-63, exatamente o período que antecedeu o Golpe Militar.
Nesse período, com a renúncia de Jânio Quadros e a assunção de João Goulart (Jango),
houve uma nova tentativa de esvaziar os poderes do presidente da República, dividindo-os com
o Parlamento. A figura de primeiro-ministro, nesse período, coube a Tancredo Neves, que mais
à frente seria eleito para presidente da República, cargo que não chegou a assumir diante de
sua morte por diverticulite.
Abrindo um parêntese, muito se fala hoje no semipresidencialismo, sistema nunca adotado
no Brasil, mas que existe em países como Portugal e França.
Como o próprio nome sugere, o semipresidencialismo fica numa posição intermediária
entre o presidencialismo e o parlamentarismo. Assim, teríamos nele o compartilhamento de
atribuições, existindo a figura do Presidente, como chefe de Estado, e do Primeiro-Ministro,
como chefe do governo.
Porém, no semipresidencialismo, o Presidente da República tem mais poder do que no
parlamentarismo. Isso porque ele não é só chefe de Estado, podendo nomear o Primeiro-Mi-
nistro, dissolver o Parlamento, propor leis, controlar a política externa do país, escolher alguns
funcionários do alto escalão etc.
A ideia de implantar no Brasil foi cogitada por Michel Temer quando presidiu nosso país. Os
defensores do semipresidencialismo citam como vantagens sobre os dois outros sistemas o
maior equilíbrio entre os Poderes Executivo e o Legislativo e a maior eficiência para solucionar
crises políticas, ao permitir uma troca de comando, caso haja falta de governabilidade ou de
representatividade popular.
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Por outro lado, é óbvio que há críticas ao modelo, especialmente no sentido de que as
crises enfrentadas pelo regime político brasileiro são decorrentes de fatores bastante comple-
xos, de modo que não seriam superadas pela simples mudança do sistema de governo.
A verdade é que na história recente de nossa Democracia passamos por dois processos de
impeachment (Collor e Dilma), situações de intenso desgaste político e econômico.
Como, então, viabilizar eventual mudança? Há dois caminhos: emenda à Constituição ou
nova Constituinte. Certamente, a alteração demandaria consulta popular, por impactar direta-
mente os rumos da nação.
Fecho o parêntese.
De acordo com o art. 2º do ADCT, cinco anos após a promulgação da Constituição, seria
realizado um plebiscito, a fim de que o povo decidisse qual a forma e sistema de governo que
desejavam. À época, foram mantidas a república e o presidencialismo.
Em acréscimo, adotamos a federação como forma de Estado e a democracia como re-
gime de governo.
Já adiantei algumas linhas acima, mas lembro que, em razão da escolha do sistema presi-
dencialista de governo, o presidente da República acumula as funções de chefe de Estado e
de chefe de governo.
Nesse contexto, ele agirá como chefe de Estado quando representar o Brasil no plano in-
ternacional.
De outro lado, a função de chefe de governo acontece quando o Presidente atua no plano
interno, como chefe do Poder Executivo da União.
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Veja alguns exemplos: proposição de projeto de lei que aumente os vencimentos de servido-
res de determinado Ministério, ou ainda, edição de medida provisória, dispondo sobre aumen-
to de proventos de aposentadoria.
Por ser chefe de Estado, o presidente tem a chamada imunidade relativa, o que significa
que, durante a vigência do mandato, ele não responderá por atos estranhos ao exercício de
suas funções. Mas isso nós veremos mais à frente, quando falarmos da responsabilidade do
presidente da República, tópico sempre lembrado pelas bancas examinadoras...
4. Condições de Elegibilidade
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5. Processo Eleitoral
A eleição para os cargos de Presidente e vice-presidente, bem assim para os demais cargos
eletivos, está definida na Constituição como sendo:
• primeiro turno: ocorrerá no primeiro domingo de outubro, do último ano anterior ao
término do mandato vigente.
• Segundo turno: será realizado no último domingo de outubro, do último ano anterior ao
término do mandato vigente.
Essa mesma regra deve ser observada, de forma compulsória, nas eleições diretas para
Governador e Vice-Governador e para Prefeito e Vice-Prefeito.
Havendo dupla vacância para Presidente e Vice-Presidente, precisaremos olhar se isso
aconteceu na primeira ou na segunda parte do mandato.
Acontecendo nos dois primeiros anos, a solução é fazer novas eleições diretas, com o
povo escolhendo, no prazo de 90 dias. Se faltarem menos de dois anos, a eleição passa a ser
indireta, com eleição feita no Congresso Nacional, no prazo de 30 dias.
Agora cuidado com um ponto: a Lei Federal n. 13.165/2015 (lei da minirreforma eleitoral)
prevê que na dupla vacância provocada por razões eleitorais – indeferimento de registro, cas-
sação do diploma e perda do mandato de candidato em pleito majoritário, independentemente
do número de votos anulado –, só haverá eleições indiretas se faltar menos de 6 meses para
o término do mandato.
Se a causa for eleitoral, vale a regra federal, porque cabe à União legislar privativamente
sobre matéria eleitoral. Do contrário, se a matéria tratar de organização político-administrativa,
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cada ente da Federação tem legitimidade para legislar – autonomia Financeira, Administrativa
e Política.
Ou seja, se você reparou bem, a lei federal contrariou a regra aí de cima, que fala em
eleições indiretas para Presidente e Vice-Presidente da República nos últimos dois anos do
mandato, certo?
Pois é, apreciando a constitucionalidade da referida lei, o STF entendeu pela validade das
novas regras para os cargos de Governador e de Prefeito, mas não para Presidente da Repú-
blica e Senador.
Como assim?
Deixe-me explicar: primeiro, lembro uma vez mais que cabe à União, de forma privativa,
legislar sobre direito eleitoral. Então, até aí, nada de errado com a lei federal.
O problema é que ela dizia que as novas regras seriam aplicáveis aos cargos majoritários,
sem fazer nenhuma ressalva. Acontece que para o cargo de Presidente da República e para o
de Senador a própria Constituição Federal já prevê um procedimento específico, e diferente do
que constou na Lei n. 13.165/2015.
Então, para Presidente continua valendo a regra do artigo 81, § 1º, da Constituição, segun-
do a qual as eleições indiretas ocorrerão se vagarem os cargos de Presidente e de Vice-Pre-
sidente nos dois últimos anos do mandato.
Por sua vez, para Senadores, prevalecerá a norma do artigo 56, § 2º, da Constituição, a
qual prevê que ocorrendo vaga e não havendo suplente, nova eleição será feita para preen-
chê-la se faltarem mais de quinze meses para o término do mandato (STF, ADI 5.525).
Deixando claro, para Governador e para Prefeito teremos duas opções: a) se a dupla va-
cância decorrer de causas eleitorais, aplica-se a lei federal, com eleições indiretas apenas se
faltar menos de seis meses para o fim do mandato; b) para dupla vacância fundada em cau-
sas não eleitorais, vale a regra editada pelo próprio ente – Estado ou Município.
Isso porque as regras atinentes à dupla vacância não são de observância obrigatória no
âmbito estadual. Assim, as Constituições Estaduais ou Leis Orgânicas podem prever solução
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diversa caso haja vacância nos cargos de governador e vice-governador (STF, ADI-MC 4.298)
ou de Prefeito e Vice-prefeito (STF, ADI 3.549). Podem, inclusive, prever votação nominal e
aberta para as eleições indiretas (STF, ADI 1.057).
Um Estado da Federação tem sido fonte inesgotável de exemplos neste tema...
Se você acompanhou com atenção ao noticiário, percebeu que no ano de 2018 houve
duas eleições diretas para governador no Estado de Tocantins.
O primeiro pleito, realizado no 1º semestre de 2018, decorreu da cassação da chapa elei-
toral, o que gerou a dupla vacância por razões eleitorais. Como faltavam mais de seis meses
para o término do mandato, a população foi chamada para eleições diretas.
Mais tarde, em outubro, novamente houve eleições diretas. Inclusive, o vencedor foi o
mesmo em ambos os pleitos.
Ainda sobre Tocantins, alguns anos atrás também houve dupla vacância. Na época, as
eleições indiretas foram regulamentadas por uma lei estadual, que determinou o voto aberto.
A norma foi questionada no STF, mas o Tribunal reconheceu a sua constitucionalidade
no ponto em que previa que a votação na Assembleia Legislativa daquele estado deveria ser
aberta (STF, ADI 4.298).
Já em abril de 2022, tivemos uma situação inusitada no estado de Alagoas: o então Go-
vernador, Renan Filho, estava em seu segundo mandato e deixou o cargo (desincompatibili-
zação) para disputar o cargo de senador.
Nessa situação, naturalmente assumiria o vice, mas acontece que ele havia saído do cargo
em 2020, para disputar o mandato de prefeito pela segunda maior cidade alagoana, Arapiraca.
Ou seja, dupla vacância!
Como não era motivação eleitoral – ninguém cassou a chapa –, a eleição foi indireta,
como prevê a Constituição Estadual, já que faltavam menos de dois anos para o término do
mandato.
Daí, uma ressalva: na hora de organizar as eleições indiretas, a Assembleia permitiu que
houvesse candidatos para governador e para vice, sem integrar a mesma chapa. Isso foi ve-
tado pelo STF, que entendeu pela necessidade de candidaturas para ambos os cargos numa
espécie de combo, como normalmente vemos nas campanhas (STF, ADPF n. 969).
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Ah, por falar em mandatos-tampão, você sabe que no Executivo o titular só pode ocupar a
cadeira por dois mandatos consecutivos, certo?
Pois é, a vedação ao exercício de três mandatos consecutivos de prefeito pelo mesmo nú-
cleo familiar aplica-se também na hipótese em que tenha havido a convocação do segundo
colocado nas eleições para o exercício de mandato-tampão (STF, RE 1.128.439).
Vamos sistematizar:
Nas eleições indiretas, o voto pode (e deve) ser aberto, pois o titular do poder (o povo) tem o
direito de acompanhar a atuação dos parlamentares.
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Desse modo, nos municípios nos quais o total de eleitores não alcance essa marca, será
eleito em 1º Turno o candidato mais votado, não importando o percentual que tenha recebido.
Essa mesma regra rege as eleições para senadores. Adota-se, nesses casos, o sistema majo-
ritário simples.
Para finalizar, vamos ver uma alteração que só terá aplicação prática em 2027...
É o seguinte: a EC 111/2021 modificou a data da posse para Presidente da República e para
Governador dos Estados ou DF. Agora, as novas datas serão 5 e 6 de janeiro, respectivamente.
A alteração é bem-vinda, porque muitas vezes a posse presidencial acabava sendo esva-
ziada, sem a presença de Chefes de Estado e outras autoridades, exatamente porque a data
– 1º de janeiro – não favorecia principalmente quem precisava viajar por horas, passando a
virada de ano longe de seu país.
Ah, nada muda em relação à data da posse dos prefeitos, hein?
6. Duração do Mandato
Após as alterações trazidas pela EC n. 15/1996, o mandato presidencial – e também dos go-
vernadores e prefeitos – é de quatro anos, permitida uma reeleição, para o período subsequente.
Antes disso, a regra relativa ao mandato presidencial era de mandato de cinco anos, sem
a possibilidade de reeleição.
7. Impedimento e Vacância
Inicialmente, destaco que o impedimento está ligado à ideia de temporariedade (viagem,
doença), enquanto a vacância pressupõe o afastamento definitivo do cargo (morte, renúncia,
impeachment).
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O STF entendeu que se uma das autoridades que estiver na ordem de vocação sucessória tiver
contra si denúncia recebida pelo STF pode continuar na sua função, ficando impedido apenas
de ocupar a Presidência da República, ainda que temporariamente.
Agora cuidado com um ponto: é que a Lei Federal n. 13.165/2015 prevê que, na vacância
em cargos majoritários (no âmbito do Executivo, dupla vacância) provocada por razões elei-
torais – indeferimento de registro, cassação do diploma e perda do mandato de candidato
em pleito majoritário, independentemente do número de votos anulados –, só haverá eleições
indiretas se faltarem menos de seis meses para o término do mandato.
Por outro lado, se o motivo da dupla vacância for alguma causa não eleitoral (morte, desis-
tência, renúncia ao mandato etc.), valerá a regra prevista na Constituição Estadual (governa-
dor) ou na Lei Orgânica (governador do DF e municípios).
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Se a causa for eleitoral, vale a regra federal, porque cabe à União legislar privativamente
sobre matéria eleitoral. Do contrário, se a matéria tratar de organização político-administrativa,
cada ente da Federação tem legitimidade para legislar – autonomia financeira, administrativa
e política.
Ou seja, se você reparou bem, a lei federal contrariou as regras que falam em eleições
indiretas para presidente e vice-presidente da República nos últimos dois anos do mandato e
também as regras supracitadas para senador.
Pois é, apreciando a constitucionalidade da referida lei, o STF entendeu pela validade das
novas regras para os cargos de governador e de prefeito, mas não para presidente da Repú-
blica e senador.
Como assim?
Deixe-me explicar: em primeiro lugar, é bom lembrar que cabe à União, de forma privativa,
legislar sobre direito eleitoral. Então, até aí, nada de errado com a lei federal.
O problema é que ela dizia que as novas regras seriam aplicáveis aos cargos majoritários,
sem fazer nenhuma ressalva. Acontece que, para o cargo de presidente da República e para o
de senador, a própria Constituição Federal já prevê um procedimento específico e diferente do
que constou na Lei n. 13.165/2015.
Então, para presidente continua valendo a regra do artigo 81, § 1º, da Constituição, segun-
do o qual as eleições indiretas ocorrerão se vagarem os cargos de presidente e de vice-presi-
dente nos dois últimos anos do mandato.
Por sua vez, para senadores, prevalecerá a norma que vimos, do artigo 56, § 2º, da Consti-
tuição, o qual prevê que, ocorrendo vaga e não havendo suplente, nova eleição será feita para
preenchê-la se faltarem mais de quinze meses para o término do mandato (STF, ADI 5.525).
Lembrando, para governador e para prefeito, teremos duas opções: a) se a dupla vacância
decorrer de causas eleitorais, aplica-se a lei federal, com eleições indiretas apenas se faltarem
menos de seis meses para o fim do mandato; b) para dupla vacância fundada em causas não
eleitorais, vale a regra editada pelo próprio ente – estado ou município.
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Outra coisa: ainda sobre a Lei n. 13.165/2015, o STF firmou a seguinte tese:
É constitucional legislação federal que estabeleça novas eleições para os cargos majo-
ritários simples – isto é, prefeitos de Municípios com menos de duzentos mil eleitores e
senadores da República – em casos de vacância por causas eleitorais (STF, ADI 5.690).
Nesse julgamento, discutia-se a validade da norma eleitoral que prevê novas eleições não
importando o número de votos anulados.
Como você viu, prevaleceu a tese de que deve haver novas eleições quando a vacância
se der por causas eleitorais (ex.: abuso do poder econômico), não importando quantos votos
válidos tenham sido anulados – se mais ou menos de 50%.
Falta eu falar de duas regrinhas chatas, porque tratam de prazos que podem confundir você.
A primeira prevê que se o presidente ou o vice-presidente não tomarem posse, sem motivo
de força maior, no prazo de 10 dias, o cargo será declarado vago.
A segunda cai mais em prova... diz respeito à necessidade de autorização do Congresso
Nacional se o presidente ou o vice-presidente forem se ausentar do País por mais de 15 dias.
Caso não haja essa autorização, eles podem perder o cargo.
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No artigo 59 estão listados os atos normativos primários, cuja elaboração é descrita, ainda
que resumida, na própria Constituição. Daquele rol, o presidente é o responsável por editar medi-
das provisórias, bem como pode propor emendas à Constituição, leis ordinárias e complementa-
res. Sendo autorizado pelo Congresso Nacional, ele também pode editar Leis Delegadas.
Por sua vez, as resoluções e os decretos legislativos são atos interna corporis. Ou seja, eles
não contam com a participação do Executivo em nenhum momento, tramitando apenas dentro
do Legislativo.
Ah, cabendo ao presidente da República dar o ‘start’ ao processo legislativo (iniciativa priva-
tiva/exclusiva/reservada), se houver descumprimento dessa regra, o projeto de lei padecerá do
vício de inconstitucionalidade formal, que nunca se convalida, nem mesmo com a sanção.
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Outra coisa: imagine que caiba ao Poder Executivo deflagrar o processo legislativo para regu-
lamentar determinado ponto da CF. Daí, a fim de forçar a atuação do governante, o Legislativo
edita uma lei estabelecendo prazo para o envio do projeto de lei.
IV – sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para
sua fiel execução;
O decreto mencionado neste inciso é o regulamentar, ato normativo secundário que serve
para regulamentar as leis. Ele se difere do decreto autônomo, que você encontrará no inciso
VI, logo a seguir.
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Apesar disso, o veto presidencial pode alcançar toda a proposta legislativa ou ainda restrin-
gir-se a apenas determinado artigo, parágrafo, inciso ou alínea.
Fique de olho, pois o presidente não pode vetar apenas uma palavra, um trecho ou uma
expressão dentro de uma frase. Essa proibição é para evitar desvirtuamento do projeto apro-
vado pelo Legislativo.
Nesse sentido, basta pensar na seguinte frase: “não poderá ser realizada a alienação de
determinado bem”. Excluída a palavra “não” do texto, certamente outro sentido terá a lei.
Ah, é importante falar que o Judiciário, ao contrário do Executivo, pode retirar uma palavra
ou expressão de dentro da frase.
Mais do que isso, ao fazer o controle de constitucionalidade, pode o Judiciário retirar ape-
nas uma interpretação entre as possíveis, quando estivermos diante de palavras plurissignifi-
cativas. Isso será possível dentro das técnicas de declaração de inconstitucionalidade parcial
sem redução de texto ou ainda na interpretação conforme a Constituição.
Optando o chefe do Executivo pelo veto, deverá ele comunicar as razões de sua decisão ao
presidente do Senado dentro do prazo de 48 horas.
Caso o presidente da República não se manifeste no prazo de 15 dias úteis, ocorrerá a sanção
tácita do projeto de lei.
Motivação do veto
Veto Político Veto Jurídico
O presidente da República entende que o O presidente da República entende que o pro-
projeto de lei, apesar de constitucional, é jeto de lei é inconstitucional.
contrário ao interesse público. Ex.: está presente vício de iniciativa, o que
Ex.: determinado aumento aos aposentados, torna o projeto inconstitucional, sob o ponto de
se concedido, pode causar desequilíbrio nas vista formal.
contas públicas.
Quando o presidente faz o veto jurídico, está atuando em controle político de constitucio-
nalidade, feito na forma preventiva, tendo em vista que a norma ainda não entrou em vigor.
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SANÇÃO VETO
Expressa Tácita Político Jurídico
PR manifesta concordân- Quando escoa o prazo de PR entende que projeto PR entende que o projeto
cia dentro do prazo 15 dias úteis sem mani- é contrário ao interesse é inconstitucional
festação do PR público
Observações:
1) O veto jurídico é controle político preventivo de constitucionalidade.
2) Presidente não pode vetar apenas uma palavra ou expressão dentro da frase. Pode vetar a lei, o título, o
capítulo, o artigo, inciso ou a alínea, desde que na íntegra.
3) Veto precisa ser motivado. Veto sem motivação equivale a sanção.
4) Havendo o veto, o CN vai deliberar, em votação aberta, se mantém ou rejeita. A ordem de apreciação dos
vetos não precisa ser cronológica.
5) Não cabe ADPF contra vetos presidenciais.
Ex.: se não concorda com uma expressão dentro do artigo, tem de revogar artigo completo.
O Judiciário, ao contrário, pode vetar somente a expressão indesejada. Mais que isso, pode
fazer a declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto.
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Por sua vez, os decretos regulamentares (inciso IV do artigo 84) são atos normativos
secundários, prestando-se para regulamentar as leis. Sujeitam-se a controle de legalidade, e
não de constitucionalidade.
Avançando, o decreto autônomo leva esse nome por não regulamentar lei alguma. Ele se
submete diretamente a controle de constitucionalidade. É, então, considerado um ato norma-
tivo primário.
Sistematizando...
Constituição Constituição
Lei (ato primário) -–-–-–
Decreto Regulamentar (ato secundário) Decreto Autônomo (ato primário)
Obs.:
*1: TIDH (Tratados Internacionais sobre Direitos Humanos) antes EC n. 45/2004 ou após,
mas sem rito especial (dois turnos, três quintos em cada Casa do Congresso Nacional.
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*2: leis complementares, leis ordinárias, leis delegadas, medidas provisórias, resolu-
ções e decretos legislativos, tratados internacionais (não sobre direitos humanos),
decretos autônomos e resoluções do CNJ e do CNMP.
*3: portarias, decretos regulamentares, instruções normativas.
Uma última coisa: a figura do decreto autônomo foi inserida pela EC n. 32/2001 o que ge-
rou questionamentos quanto à sua constitucionalidade (não se discute constitucionalidade
de normas originárias).
Apreciando a questão, o STF entendeu que é válida a edição de decretos autônomos, ape-
nas nas hipóteses previstas no artigo 84, VI, da Constituição. Afastou-se, então, a ideia da
inconstitucionalidade.
VII – manter relações com Estados estrangeiros e acreditar seus representantes diplomáticos;
VIII – celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso
Nacional;
resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos
ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional.
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Indulto é o perdão da pena. Ele pode ser total ou parcial. Nesse último caso, é também cha-
mado de comutação. Esses benefícios, normalmente são dados pelo presidente da República
no final de cada ano. Em virtude disso, muitas pessoas acabam chamando de indulto de Natal.
Antes de passar para a próxima atribuição do presidente da República vou lembrar alguns
conceitos semelhantes para que você não esqueça:
a) indulto: perdão coletivo, dado pelo presidente da República. Caso se perdoe apenas
parte da pena, pode ser usada a nomenclatura comutação.
Não confunda indulto natalino com saídas temporárias, conhecidas como ‘saidão’. O pre-
so que ganha o indulto pleno não volta para o presídio, pois foi perdoado. Já aqueles que
recebem o benefício da saída temporária está no regime prisional semiaberto e precisa voltar
para o estabelecimento ao final da festividade.
b) graça: também é um perdão e também é dado pelo presidente da República. A diferença
central para a graça está no fato de ela ser individual, enquanto o indulto é coletivo.
c) anistia: é dada pelo Legislativo, e não pelo presidente da República. É formalizada por
meio de lei, e produz como efeito apagar o fato histórico. Em consequência, as punições aca-
bam sendo perdoadas também.
Pois bem, se você reparou direitinho, eu disse que cabe ao Legislativo conceder anistia. Eu
não falei que a tarefa era somente do Congresso Nacional.
Dentro desse contexto, se a anistia envolver crimes, apenas o Congresso Nacional estará
habilitado a concedê-la. Isso porque cabe privativamente à União legislar sobre direito penal
– artigo 22, I, da Constituição.
No entanto, em razão da autonomia conferida aos Estados, a Assembleia Legislativa pode
conceder anistia aos servidores públicos, desde que relativa a punições administrativas (STF,
ADI n. 104).
Usando um exemplo citado na mídia, no ano de 2019, o governador do estado do Espírito
Santo sancionou a lei concedendo anistia aos policiais militares que se envolveram no movi-
mento grevista em período anterior.
Repito: a anistia dada pela Assembleia Legislativa só poderia abranger punições admi-
nistrativas, nunca os crimes. Em relação aos delitos penais, somente o Congresso Nacional
poderia conceder o benefício.
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Um detalhe: embora a anistia seja dada pelo Legislativo, tratando-se de infrações adminis-
trativas praticadas por policiais civis, militares e bombeiros – agentes de segurança estadual
–, cabe ao governador enviar o projeto de lei. Desse modo, seria inconstitucional lei fruto de
iniciativa parlamentar conferindo anistia a tais integrantes da segurança pública (STF, ADI n.
4.928).
Voltando ao indulto, o STF entendeu que é prerrogativa do presidente da República conce-
der indultos sem que sofra interferências do Judiciário. Na hipótese, questionava-se decreto
editado pelo ex-presidente Temer que teria sido muito benevolente no indulto do ano de 2017.
A tese da PGR era no sentido de que teriam sido beneficiados indevidamente condenados por
crimes do colarinho branco.
Ao final, prevaleceu a orientação de que o presidente é livre na extensão dos termos do
decreto, desde que observada a proibição de concessão a crimes hediondos e equiparados
(STF, ADI n. 5.874).
Não confunda indulto com o benefício das saídas temporárias (saidão). Em datas festivas,
como Dia das Mães, Carnaval, Dia das Crianças, os presos submetidos a regime aberto têm o
direito de passar o feriado com seus familiares, devendo retornar ao estabelecimento prisional.
Já o indulto é o perdão da pena.
XIII – exercer o comando supremo das Forças Armadas, nomear os Comandantes da Marinha, do
Exército e da Aeronáutica, promover seus oficiais-generais e nomeá-los para os cargos que lhes são
privativos;
XIV – nomear, após aprovação pelo Senado Federal, os ministros do Supremo Tribunal Federal e dos
Tribunais Superiores, os governadores de Territórios, o Procurador-Geral da República, o presidente
e os diretores do Banco Central e outros servidores, quando determinado em lei;
Dentre esses “outros servidores”, podem ser listados, por exemplo, os embaixadores e os
diretores das agências reguladoras – ANA, ANVISA, ANEEL, ANATEL etc.
É importante lembrar que a votação no Senado Federal sobre a indicação das autoridades
é a única hipótese de votação secreta após a EC n. 76/2013. E mais: não há sabatina do Sena-
do quanto à nomeação de ministros de Estado e do advogado-geral da União (AGU).
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A primeira parte do inciso XXV (prover cargos públicos federais) é uma das atribuições que
podem ser delegadas (veja item abaixo). Se o ministro de Estado pode prover os cargos públi-
cos, ele também poderá improver. Em outras palavras, ele também pode demitir os servidores
(STF, RE n. 633.009).
XXVI – editar medidas provisórias com força de lei, nos termos do art. 62;
XXVII – exercer outras atribuições previstas nesta Constituição.
XXVIII - propor ao Congresso Nacional a decretação do estado de calamidade pública de âmbito
nacional previsto nos arts. 167-B, 167-C, 167-D, 167-E, 167-F e 167-G desta Constituição.
O inciso XXVIII foi incorporado pela EC n. 109/2021, fruto da PEC Emergencial. A decre-
tação do estado de calamidade possibilita o acionamento de diversos gatilhos para contin-
genciar gastos a fim de fazer frente à necessidade, como é o caso da proibição de criação de
cargos, de concessão de reajustes e o impedimento à realização de concursos públicos, salvo
para suprimento de vacâncias.
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A bem da verdade, a realidade de uns anos para cá é que os concursos realizados, quando
muito, preenchem as vagas existentes, sendo rara a criação de novos cargos ou mesmo o
reajuste na remuneração. Assim, o efeito prático da PEC Emergencial é bem menos intenso
do que se previa na proposta inicial, que continha, inclusive, a previsão de reduzir ¼ dos ven-
cimentos.
Fazendo uma análise conjunta entre os artigos 49 e 84, vê-se que o presidente propõe e o
Congresso Nacional decreta o estado de calamidade pública.
Quando se fala nas atribuições do Presidente, o que mais cai em prova é exatamente a dis-
cussão acerca das hipóteses nas quais pode haver a delegação das tarefas, bem assim quem
seriam as autoridades que receberiam a delegação.
Pois bem.
No parágrafo único do artigo 84 consta que o presidente da República poderá delegar ao
PGR, ao AGU e aos ministros de Estado as seguintes atribuições:
Somente algumas das atribuições do presidente da República são delegáveis aos ministros de
Estado, ao PGR e ao AGU.
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A primeira coisa que você deve saber é que não é qualquer demanda contra o presidente
que será julgada em um foro especial.
Exemplificando, ações cíveis e trabalhistas não contam com regra diferenciada, sendo julga-
das na 1ª instância.
Avançando, em regra, não há foro especial para o julgamento de ação popular ou ação civil
pública. Desse modo, mesmo que elas sejam propostas contra autoridades, a tramitação ocor-
rerá perante um juiz de 1ª instância (STF, PET n. 3.087).
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Dentro da locução “crimes comuns” (ou infrações penais comuns) se inserem os crimes
comuns propriamente ditos e também as contravenções penais e os crimes eleitorais (STF,
RCL n. 511).
Tratando-se de crimes comuns, a competência para julgamento será do STF.
Aqui, cabem duas ponderações: a primeira, no sentido de que o Presidente só poderá ser
processado por fatos ocorridos na vigência do mandato.
Ou seja, por conta da imunidade relativa (ou inviolabilidade presidencial), os processos
relativos a fatos anteriores ao mandato ficarão suspensos. Nesse caso, não haverá contagem
do prazo prescricional.
A segunda ponderação é no sentido de que, mesmo os fatos ocorridos durante o mandato
só tramitarão se guardarem relação com o cargo de presidente da República.
Usando um exemplo esdrúxulo, caso o Presidente Jair Bolsonaro pratique ato de violência
doméstica contra a sua mulher, Michele, sem que haja motivação relacionada ao cargo, esse
crime relacionado à chamada Lei Maria da Penha ficará suspenso até que o mandato termine.
A prescrição, igualmente, ficará suspensa.
Agora, partindo para outra situação hipotética (outro exemplo dantesco), na qual o Pre-
sidente agrida sua esposa, tentando contra sua vida, diante de uma briga na qual a primeira-
-dama demonstre interesse em denunciar ao Ministério Público crimes praticados pelo Pre-
sidente e por sua equipe, relacionados ao mandato, estaríamos diante de caso a ser julgado
pelo STF mesmo na vigência do mandato.
Contudo, lembro que o julgamento pelo STF dependeria de autorização a ser dada por 2/3
dos membros da Câmara dos Deputados.
Havendo condenação, o Presidente estaria sujeito à prisão. Destaco que a Constituição
fala que não pode haver prisão antes da prolação de sentença.
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Assim, o presidente não estaria sujeito a prisão em flagrante ou temporária, nem mesmo
a preventiva a ser decretada durante as investigações ou mesmo na instrução, sem sentença.
Além dos crimes comuns, os detentores de altos cargos públicos também podem pra-
ticar infrações político-administrativas que são chamadas crimes de responsabilidade (de
natureza política).
No artigo 85, a Constituição apresenta alguns exemplos de crimes de responsabilidade.
Ou seja, o rol é exemplificativo.
São considerados crimes de responsabilidade os atos que atentem contra:
a) a existência da União;
b) o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes
constitucionais das Unidades da Federação;
c) o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;
d) a segurança interna do País;
e) a probidade (honestidade) da administração;
f) a lei orçamentária;
g) descumprimento das leis e das decisões judiciais.
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Por ser mais recente, você provavelmente se lembra o que aconteceu no julgamento da
ex-presidente Dilma. Então, vou fazer um paralelo entre ele e o julgamento do ex-presidente Collor.
No caso de Fernando Collor, buscando escapar do processo de cassação, ele, na véspera do
julgamento, renunciou ao mandato. Qual era a estratégia? Escapar da inabilitação por oito anos...
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Sua tentativa não deu certo... Isso porque o STF entendeu que a renúncia ao cargo, apre-
sentada durante a sessão de julgamento, não paralisaria o processo de impeachment (STF,
MS 21.689).
Ou seja, no final das contas, acabou havendo o fatiamento das sanções.
Ora, se as punições (perda do cargo e inabilitação por oito anos) fossem atreladas, Collor
escaparia sem sofrer nenhuma delas, uma vez que a sanção de perda da função não poderia
ser aplicada diante da renúncia ao cargo.
Vou analisar agora a situação do impeachment de Dilma Rousseff.
Durante a votação, os senadores findaram separando os quesitos. Primeiro, votou-se fa-
voravelmente à perda do cargo. Em seguida, não se aplicou a inabilitação por oito anos.
Dito em outras palavras, novamente se fatiou, impondo-se apenas uma das punições.
Houve questionamento perante o STF, por parte de alguns parlamentares, que impetraram
vários mandados de segurança. As liminares foram indeferidas, mas o mérito dos pedidos
ainda não foi julgado.
A condenação no impeachment é política, e não penal. Ela não pode ser revista pelo STF. O
Tribunal só pode analisar se foi observado o devido processo legal.
I – nas infrações penais comuns, se recebida a denúncia ou queixa-crime pelo Supremo Tribunal
Federal;
II – nos crimes de responsabilidade, após a instauração do processo pelo Senado Federal.
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Sistematizando:
AFASTAMENTO DO PRESIDENTE
Crimes comuns Crimes de responsabilidade
Se o STF receber a denúncia ou queixa-crime Se o Senado instaurar o processo
Observação: em ambos os casos, o afastamento não pode durar mais que 180 dias. Se o processo não tiver
acabado, presidente retorna ao cargo, mas processo seguirá.
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Por se tratar de regra inerente à Chefia de Estado, não se estende a nenhuma outra pessoa.
É de ver que o governador – chefe de governo estadual – poderá ser preso em qualquer mo-
mento. Foi o que aconteceu no Distrito Federal e no estado do Amapá há poucos anos.
Na vigência de seu mandato, o Presidente não pode ser responsabilizado por atos estra-
nhos ao exercício de suas funções.
Em julgamento relacionado ao ex-presidente Collor, o STF entendeu que a regra da imuni-
dade relativa também alcança as infrações penais cometidas antes da vigência do mandato
(STF, APN n. 305).
Outro ponto que deve ser destacado é o de que a regra da imunidade relativa não se esten-
de às outras autoridades, pois ela abrange unicamente o chefe de Estado.
Assim, os outros chefes de governo (governadores e prefeitos) não contam com as se-
guintes prerrogativas:
Sistematizando:
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Na vigência de seu mandato, o Presidente não responde por atos estranhos ao exercício de
suas funções. Nesse caso, tanto o processo quanto o prazo prescricional ficarão suspensos.
MINISTROS DE ESTADO
Idade mínima 21 anos
Precisa ser brasileiro nato? Não, exceto o Ministro da Defesa
Quem vai julgá-los? Crimes comuns STF
CR s/ conexão com PR ou VICE-PR STF
CR c/ conexão com PR ou VICE-PR Senado
Consta no art. 87 que os ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros com mais
de 21 (vinte e um) anos e no exercício dos direitos políticos.
Um ponto recorrente nas provas: o ministro de Estado da Defesa é o único que deve ser
brasileiro nato. Assim, mesmo os ministros da Justiça e das Relações Exteriores podem ser
naturalizados.
Há alguns cargos que são equiparados ao de Ministro de Estado. É o caso, por exemplo,
do Presidente do Banco Central e do advogado-geral da União.
Aliás, em relação ao AGU, há dois pontos que devem ser destacados porque o diferenciam
dos outros ministros de Estado:
a) a idade mínima para ser AGU é de 35 anos (artigo 131, § 1º, da Constituição), enquanto
a dos demais ministros de Estado é de apenas 21 anos.
b) nos crimes comuns e nos crimes de responsabilidade os ministros de Estado são julga-
dos originariamente pelo STF.
Excepcionalmente, eles responderão perante o Senado Federal quando o crime de respon-
sabilidade tiver sido praticado em conexão com o Presidente ou o vice-presidente da República.
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O art. 88, na redação dada pela EC n. 32/2001, diz que a lei disporá sobre a criação e ex-
tinção de Ministérios e órgãos da administração pública.
Vale lembrar que o presidente da República pode, por meio de decreto, dispor sobre a or-
ganização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de des-
pesa nem criação ou extinção de órgãos públicos.
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I – o vice-presidente da República;
II – o Presidente da Câmara dos Deputados;
III – o Presidente do Senado Federal;
IV – os líderes da maioria e da minoria na Câmara dos Deputados;
V – os líderes da maioria e da minoria no Senado Federal;
VI – o Ministro da Justiça;
VII – seis cidadãos brasileiros natos, com mais de trinta e cinco anos de idade, sendo dois nomea-
dos pelo presidente da República, dois eleitos pelo Senado Federal e dois eleitos pela Câmara dos
Deputados, todos com mandato de três anos, vedada a recondução.
No item VII, ao falar dos seis cidadãos natos, temos uma das hipóteses constitucionais de
diferenciação entre natos e naturalizados.
As outras três situações estão relacionadas à possibilidade de extradição (artigo 5º, LII),
aos cargos privativos de brasileiros natos (artigo 12, § 3º) e à propriedade de empresa jorna-
lística (artigo 222).
Segundo o art. 90 da CF, cabe ao Conselho da República pronunciar-se sobre intervenção
federal, estado de defesa e estado de sítio, além de questões relevantes para a estabilidade
das instituições democráticas.
Além dos membros natos – os que naturalmente integram o conselho (não confundir
nacionalidade) –, o presidente da República poderá convocar Ministro de Estado para parti-
cipar da reunião do Conselho, quando constar da pauta questão relacionada com o respec-
tivo Ministério.
A lei regulará a organização e o funcionamento do Conselho da República.
Para o STF, os Estados podem criar conselho de governo, nos moldes do Conselho da República.
Entretanto, o Conselho Estadual não pode contar com membros que não guardem sime-
tria com o modelo federal. Assim, o Tribunal reconheceu a inconstitucionalidade da inclusão
do procurador-geral de Justiça (PGJ) e dos presidentes do TJ e do TCE no órgão consultivo
(STF, ADI n. 106).
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Nem todos os membros do Conselho da República precisam ser brasileiros natos. A possibili-
dade de ser brasileiro naturalizado atingiria, entre outros, o ministro da justiça e os líderes da
maioria e da minoria nas Casas do Congresso Nacional.
Além do Conselho da República, também existe o Conselho de Defesa Nacional. Ele é ór-
gão de consulta do presidente da República nos assuntos relacionados com a soberania na-
cional e a defesa do Estado democrático, e dele participam como membros natos:
I – o vice-presidente da República;
II – o Presidente da Câmara dos Deputados;
III – o Presidente do Senado Federal;
IV – o Ministro da Justiça;
V – o Ministro da Defesa;
VI – o Ministro das Relações Exteriores;
VII – o Ministro do Planejamento;
VIII – os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica.
a) opinar nas hipóteses de declaração de guerra e de celebração da paz, nos termos desta Cons-
tituição;
b) opinar sobre a decretação do estado de defesa, do estado de sítio e da intervenção federal;
c) propor os critérios e condições de utilização de áreas indispensáveis à segurança do território
nacional e opinar sobre seu efetivo uso, especialmente na faixa de fronteira e nas relacionadas com
a preservação e a exploração dos recursos naturais de qualquer tipo;
d) estudar, propor e acompanhar o desenvolvimento de iniciativas necessárias a garantir a inde-
pendência nacional e a defesa do Estado democrático.
Por fim, o STF entende que a manifestação do Conselho de Defesa Nacional não é requi-
sito de validade da demarcação de terras indígenas, mesmo daquelas situadas em região de
fronteira (STF, MS n. 25.483).
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Hora de sistematizar:
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Súmula Vinculante n. 46
A definição dos crimes de responsabilidade e o estabelecimento das respectivas normas
de processo e julgamento são da competência legislativa privativa da União.
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QUESTÕES DE CONCURSO
Atribuições e Responsabilidades do Presidente
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c) irregular, considerando que a delegação não foi ratificada pelo Legislativo, e os mandados
de segurança impetrados contra os atos do Ministro são julgados pelo STF;
d) regular, considerando que a extinção de cargos vagos já é de competência dos Ministros, e
os mandados de segurança impetrados contra os atos do Ministro são julgados pelo STF;
e) irregular, considerando que os cargos vagos, criados por lei, devem ser extintos por lei, e os
mandados de segurança impetrados contra os atos do Ministro são julgados pelo STJ.
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( ) O Presidente da República pode alterar a estrutura e extinguir órgãos públicos, desde que
não haja aumento de despesa.
Na ordem apresentada, as afirmativas são, respectivamente,
a) V – F – V.
b) F – V – F.
c) F – F – V.
d) V – V – F.
e) F – F – F.
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d) parcialmente correta, pois a decisão a respeito da perda da função fica a cargo do Senado
Federal, que a proferirá quando do julgamento;
e) parcialmente correta, pois a Câmara dos Deputados deve autorizar a instauração do proces-
so e, após o julgamento pelo Senado, decidir a respeito da perda da função.
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Questão 3 (PREFEITURA DE SALVADOR/NÍVEL SUPERIOR/2017) João da Silva, Ministro
de Estado, praticou condutas que podem ser enquadradas nas figuras tipológicas dos crimes
comuns e dos crimes de responsabilidade. Preocupado com a grande repercussão dos fatos,
solicitou a orientação de um advogado para delinear sua estratégia de defesa.
De acordo com o advogado, caso o Ministro de Estado viesse a ser acusado, (I) os crimes
comuns seriam julgados pelo Poder Judiciário; (II) os crimes de responsabilidade seriam jul-
gados pelo Poder Legislativo; e (III) o Poder Legislativo poderia deliberar pela sustação do
andamento das ações.
À luz dos dados fornecidos, assinale a opção que indica as orientações fornecidas pelo advo-
gado que se harmonizam com a sistemática constitucional.
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) II e III, apenas.
d) I e III, apenas.
e) I, II e III.
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GABARITO
Atribuições e Responsabilidades do Presidente
1. e 6. b 11. a
2. b 7. c 12. c
3. a 8. d 13. c
4. e 9. e
5. e 10. e
Ministros de Estado
1. c 3. a
2. d 4. d
Temas Gerais
1. b
2. b
3. b
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GABARITO COMENTADO
Atribuições e Responsabilidades do Presidente
Matéria envolvendo a SV n. 46. Legislar sobre direito processual está dentro da competência
privativa da União. Portanto, a norma estadual é inconstitucional, por ferir o artigo 22, I, da CF.
A matéria, inclusive, é regulada atualmente pela Lei Federal n. 1.079/1950 (recepcionada, em
grande medida, pela atual Constituição). Não se fala em simetria, pois o PR, caso pratique ato
contra a probidade, estará sujeito a crime de responsabilidade, nos termos do artigo 85, V, da
CF, situação não estendida aos demais chefes de governo. Eles estão sujeitos à Lei de Impro-
bidade Administrativa.
Letra e.
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De acordo com o parágrafo único do art. 84 da CF, é permitido ao Presidente da República de-
legar essa função aos Ministros de Estado, ao PGR e ao AGU. Veja:
Ainda, a competência para o julgamento de MS contra atos de Ministros cabe ao STJ, conforme
estabelece o art. 105, I, “b”, da CF:
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Vamos analisar cada item primeiro. O primeiro item está errado, pois a autorização para a ins-
tauração do processo contra o Presidente é competência privativa da Câmara dos Deputados,
não do Congresso Nacional (art. 51, I). O segundo item também está errado, pois a escolha dos
Ministros do TCU não é feita apenas pelo Presidente. Neste caso um terço será escolhido pelo
Presidente, e dois terços, pelo Congresso Nacional (art. 73, § 2º). Por fim, último item errado,
pois uma das competências do Presidente é dispor mediante decreto sobre a organização e
funcionamento da administração federal, mas apenas quando não implicar aumento de despe-
sa nem criação ou extinção de órgãos públicos (art. 84, VI). Logo, a alternativa E tem o gabarito
da questão.
Letra e.
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Devemos lembrar que o Presidente da República só pode ser processado, seja por crime co-
mum, seja por crime de responsabilidade, após licença a ser dada pela Câmara dos Deputados,
em quórum de 2/3 de votos (ao menos 342 votos). Essa regra é extraída do artigo 51, I, da
Constituição.
Apenas quando instruído o processo, sob a presidência do Presidente do STF, o julgamento
final do impeachment caberá ao Plenário do Senado Federal. Para que haja a condenação, no-
vamente se exige quórum qualificado de 2/3 (dois terços) dos Senadores. Portanto, primeiro a
acusação deve ser levada à Câmara para aprovação, o que torna a Letra E gabarito da questão.
Letra e.
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O Presidente só pode ser processado, seja por crime comum, seja por crime de responsabi-
lidade, após licença a ser dada pela Câmara dos Deputados, em quórum de 2/3 de votos (ao
menos 342 votos). Essa regra é extraída do artigo 51, I, da Constituição. Instruído o processo,
sob a presidência do Presidente do STF, o julgamento final do impeachment caberá ao Plenário
do Senado Federal. Para que haja a condenação, novamente se exige quórum qualificado de
2/3 (dois terços) dos Senadores.
Acrescento que, em relação aos governadores e prefeitos, nos crimes comuns, não será exigi-
da licença da Casa Legislativa. Ao contrário, se houve previsão nesse sentido na Constituição
Estadual, o dispositivo será inconstitucional. Isso porque a prerrogativa é de chefe de Estado,
e não de chefe de governo.
Portanto, a Letra B é a correta.
Letra b.
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d) O decreto somente poderia ter versado sobre a organização administrativa, não sobre a ex-
tinção de cargos públicos vagos.
e) O decreto somente poderia incursionar nas matérias de que tratou se existisse lei delegada
autorizando-o.
Questões relativas ao artigo 84, VI, da Constituição, são muito frequentes não apenas nas pro-
vas da FGV, mas de todas as Bancas.
Começando pelo dispositivo constitucional, o artigo 84 da Constituição diz que compete ao
Presidente da República dispor, mediante decreto, sobre: a) organização e funcionamento da
administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de
órgãos públicos; e b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos.
Agora que você já viu o texto constitucional, vamos decompor as informações e acrescentar
mais algumas!
Se implicar aumento de despesa, criação ou extinção de órgãos públicos, competência será do
Congresso Nacional (art. 48), devendo ser elaborada lei.
Ah, essas matérias podem ser abordadas também por medida provisória, desde que não inci-
dam em nenhuma das proibições do artigo 62, § 1º, da Constituição.
Exemplificando, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio –
foi criado pela Medida Provisória n. 366/2007, sendo posteriormente convertido na Lei n.
11.516/2007.
Já dentro da letra B do inciso VI, é bom lembrar que, se cargos ou funções estiverem ocupados,
a competência para extinção será do Congresso Nacional (art. 48), também sendo necessária
a edição de lei.
Pelo princípio do paralelismo das formas – também chamado de simetria –, deve ser respeita-
da a paridade entre as formas de criação e extinção de entidades (autarquias, empresas públi-
cas, sociedades de economia mista e fundações) e de cargos públicos. Assim, como regra, o
cargo público é criado e extinto por meio de lei.
A possibilidade de o cargo vago ser extinto por meio de decreto é uma exceção a esse princí-
pio. Daí, a importância para as provas.
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Note-se que o decreto mencionado no artigo 84, VI, da Constituição, é chamado pela doutrina
de decreto autônomo. Tal denominação deriva do fato de que, em regra, os decretos são utili-
zados para regulamentar as leis, sendo, por isso, chamados de atos normativos secundários.
Vale dizer, as leis são atos normativos primários e se submetem a controle de constituciona-
lidade.
Por sua vez, os decretos são atos normativos secundários, prestando-se para regulamentar as
leis. Sujeitam-se a controle de legalidade, e não de constitucionalidade.
Avançando, o decreto autônomo leva esse nome por não regulamentar lei alguma. Ele se sub-
mete diretamente a controle de constitucionalidade. É, então, considerado um ato normativo
primário.
Sistematizando...
Constituição Constituição
Ato normativo
Decretos regulamentares À lei e à CF
secundário
Uma última coisa: a figura do decreto autônomo foi inserida pela EC n. 32/2001, o que gerou
questionamentos quanto à sua constitucionalidade (não se discute constitucionalidade de
normas originárias).
Apreciando a questão, o STF entendeu que é válida a edição de decretos autônomos, apenas
nas hipóteses previstas no artigo 84, VI, da Constituição. Afastou-se, então, a ideia da incons-
titucionalidade.
Voltando ao comando da questão, a resposta esperada está na letra C, pois tanto num quanto
noutro caso as atribuições são do Presidente da República.
Letra c.
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d) celebrar convenções.
e) expedir regulamentos.
O decreto autônomo é uma figura excepcional, cabível apenas nas hipóteses do inciso VI do
artigo 84, tão cobradas nas provas.
Os decretos presidenciais, em regra, não são autônomos. Ao contrário, são os decretos regula-
mentares (artigo 84, IV, da CF).
Como o próprio nome deixa antever, a tarefa do decreto regulamentar é exatamente regula-
mentar as leis.
Se elas (as leis) são atos normativos primários, sujeitando-se a controle de constitucionalida-
de, os decretos regulamentares são atos normativos secundários, submetendo-se ao controle
das leis (controle de legalidade).
Voltando ao comando da questão, é mencionada a existência de uma lei federal, bem assim a
necessidade de “complementação normativa”. Logo, a resposta esperada está na letra E, que
traz o decreto regulamentar (“expedir regulamentos”).
Letra e.
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Isso porque o TCU é composto por nove Ministros, sendo 1/3 (um terço) escolhido peloFernandes
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dente da República, enquanto os outros 2/3 (dois terços) são eleitos pelo Congresso nacional.
Confira como funciona:
COMPOSIÇÃO DO TCU
1 livre escolha do PR
Na tabela aí de cima ficou claro que apenas em relação aos Ministros indicados pelo Presiden-
te da República haverá a necessidade de aprovação do nome pelo Senado Federal.
Isso deve pela atuação dos freios e contrapesos, na medida em que não faria sentido o Con-
gresso Nacional indicar e o Senado avaliar o nome proposto.
Um detalhe que passa despercebido por muitos candidatos experientes é o quórum exigido
para a aprovação do nome indicado para o TCU.
Diferentemente do que acontece com o STF, o STJ e o TST, para os quais se exige quórum de
maioria absoluta, no caso do TCU, basta a aprovação de maioria simples (=relativa) dos Sena-
dores.
Aliás, grave aí dois importantes casos de exigência de quórum de maioria simples para a apro-
vação do nome pelo Senado: TCU, que você acabou de ver, e o STM!
Como visto, dos nove ministros, apenas três serão escolhidos pelo Presidente da República
(artigo 73, § 2º), enquanto a escolha dos outros seis caberá ao Congresso Nacional (artigo 49,
XIII).
Letra a.
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a) será necessário aguardar o final do mandato presidencial para dar início à persecução penal.
b) o Presidente da República somente poderá ser submetido a julgamento após autorização
do Senado Federal.
c) o Supremo Tribunal Federal é o órgão competente para proceder ao julgamento do Presidente.
d) a agressão ao jornalista configura crime de responsabilidade do Presidente da República.
e) o Presidente da República tem imunidade em relação à prática dos crimes comuns.
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Voltando à nossa explicação, se houver a condenação, o Presidente estaria sujeito à prisão.
Destaco que a Constituição fala que não pode haver prisão antes da prolação de sentença.
Assim, o Presidente não estaria sujeito a prisão em flagrante ou temporária, nem mesmo a
preventiva a ser decretada durante as investigações ou mesmo na instrução, sem sentença.
Retomando o que se pergunta, veja que as agressões tinham relação à apuração de crimes
ocorridos no curso do mandato, o que autoriza o julgamento pelo STF, desde que haja licença
da Câmara dos Deputados. Em consequência, a resposta esperada está na letra C.
Letra c.
Ministros de Estado
Vamos olhar o que diz o artigo 87, que trata das atribuições dos Ministros de Estado:
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Dito isso, tem-se que apenas as atribuições I, II e III são dadas aos Ministros de Estado. A de
conferir condecorações e distinções honoríficas está listada no artigo 84 da CF, como sendo
inerente ao Presidente da República. Some-se a isso o fato de ela não estar entre as possíveis
de delegação aos ministros de Estado, PGR ou AGU, segundo o parágrafo único do artigo 84.
Assim, a resposta esperada está na letra C.
Letra c.
Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e no
exercício dos direitos políticos.
Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta
Constituição e na lei:
I – exercer a orientação, coordenação e supervisão dos órgãos e entidades da administração federal
na área de sua competência e referendar os atos e decretos assinados pelo Presidente da Repúbli-
ca; (2)
II – expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos; (1)
III – apresentar ao Presidente da República relatório anual de sua gestão no Ministério;
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IV – praticar os atos pertinentes às atribuições que lhe forem outorgadas ou delegadas pelo Presi-
dente da República.
Logo, apenas a competência (3) não será exercida por Ministros de Estados, e sim pelo Presi-
dente da República:
Veja o artigo 102, III, segundo o qual o STF julgará originariamente as seguintes autoridades:
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Em relação aos Ministros de Estado, algumas observações devem ser feitas: a) se o crime de
responsabilidade for praticado em conexão com o Presidente ou Vice-Presidente da República,
os Ministros de Estado serão julgados pelo Senado Federal e não pelo STF; b) equiparam-se a
Ministro de Estado o Presidente do Banco Central e o Advogado-Geral da União (AGU), entre
outras autoridades.
Destaque-se que o AGU, embora seja equiparado a Ministro de Estado, possui duas impor-
tantes distinções: a idade mínima para ocupar o cargo é de 35 anos, enquanto para os outros
Ministros de Estado se exige o mínimo de 21 anos. Além disso, no crime de responsabilidade,
estando ou não em conexão com o Presidente, o AGU será julgado pelo Senado Federal (artigo
52, II, da Constituição).
Agora podemos voltar à questão: nos crimes comuns, os Ministros de Estado responderão pe-
rante o STF, mesma regra aplicável aos crimes de responsabilidade, exceto se houver conexão
com o Presidente ou com o Vice-Presidente, o que não foi mencionado.
Dito isso, a resposta esperada está na letra A.
Letra a.
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O art. 88, na redação dada pela EC n. 32/2001, diz que a lei disporá sobre a criação e extinção
de Ministérios e órgãos da administração pública.
Vale lembrar que o Presidente da República pode, por meio de decreto, dispor sobre a organiza-
ção e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem
criação ou extinção de órgãos públicos.
Art. 58. O Congresso Nacional e suas Casas terão comissões permanentes e temporárias, consti-
tuídas na forma e com as atribuições previstas no respectivo regimento ou no ato de que resultar
sua criação.
§ 1º Na constituição das Mesas e de cada Comissão, é assegurada, tanto quanto possível, a re-
presentação proporcional dos partidos ou dos blocos parlamentares que participam da respectiva
Casa.
§ 2º Às comissões, em razão da matéria de sua competência, cabe:
I – discutir e votar projeto de lei que dispensar, na forma do regimento, a competência do Plenário,
salvo se houver recurso de um décimo dos membros da Casa;
II – realizar audiências públicas com entidades da sociedade civil;
III – convocar Ministros de Estado para prestar informações sobre assuntos inerentes a suas atri-
buições.
Só isso já seria suficiente para responder a pergunta, com a resposta esperada estando na
letra D.
Mas é bom lembrar que as Comissões, inclusive as CPIs, não podem convocar o próprio Pre-
sidente da República para prestar os esclarecimentos, dentro da ideia da independência e se-
paração dos Poderes.
Letra d.
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Temas Gerais
Talvez você lembre, o andamento do impeachment da ex-Presidente Dilma teve início quando
o então Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, recebeu o pedido formulado por três cidadãos:
Janaína Paschoal, Miguel Reale Júnior e Helio Bicudo.
Eu trago de volta esses fatos, pois, mais do que decorar, o importante é entender e, infelizmen-
te, o atual cenário político-criminal da República é farto em exemplos práticos de aplicação dos
instrumentos constitucionais, até mesmo uma intervenção federal.
Então, cabe a qualquer cidadão fazer a denúncia, conforme consta na Lei n. 1.079/1950, que
trata dos crimes de responsabilidade.
Voltando, a resposta esperada está na letra B, pois a acusação do cometimento de crime de
responsabilidade (impeachment) é feita pelo Presidente da Câmara. Entendendo que os fatos
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têm fundamento, ele dará prosseguimento ao processo. A partir daí, será necessária autoriza-
ção, por 2/3 dos membros da Câmara dos Deputados. Depois, o caso será julgado pelo Sena-
do, que novamente pelo quórum de 2/3, poderá aplicar as punições cabíveis.
Letra b.
Vou falar primeiro de duas regrinhas chatas, porque tratam de prazos que podem confundir
você.
A primeira prevê que, se o Presidente ou o Vice-Presidente não tomarem posse, sem motivo de
força maior, no prazo de 10 dias, o cargo será declarado vago.
A segunda cai mais em prova... Diz respeito à necessidade de autorização do Congresso Na-
cional se o Presidente ou o Vice-Presidente forem se ausentar do País por mais de 15 dias.
Caso não haja essa autorização, eles podem perder o cargo.
Mas qual é o motivo de a segunda cair mais em prova?
Simples! É que algumas Constituições Estaduais previam o seguinte: para o Governador sair
do Estado por mais de 15 dias, ou para sair do País, por qualquer prazo, seria necessária a au-
torização da Assembleia Legislativa, sob pena de perda do cargo.
O STF, invocando o princípio da simetria, afastou essas regras estaduais, estabelecendo a ne-
cessidade de autorização da Assembleia Legislativa apenas para ausências do Governador ou
Vice superiores a 15 dias (STF, ADI n. 738). Idêntico raciocínio se aplica aos Prefeitos, quanto
à necessidade de licença da Câmara dos Vereadores (STF, RE 317.574).
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DIREITO CONSTITUCIONAL
Poder Executivo
Aragonê Fernandes
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DIREITO CONSTITUCIONAL
Poder Executivo
Aragonê Fernandes
De saída, eu lembro que todos os que estão na linha devem ser brasileiros natos.
Os cargos privativos de brasileiros natos constam no artigo 12, § 3º, abrangendo também
razões de segurança (Ministro de Estado da Defesa e Oficiais das Forças Armadas) e nas ne-
gociações internacionais (Membros da Carreira Diplomática).
Retomando, a resposta esperada está na letra B, pois, depois do Presidente e do Vice-Presi-
dente, aparece o Presidente da Casa do Povo, a Câmara dos Deputados. A partir daí, vem o
Presidente do Senado e o do STF.
Letra b.
Aragonê Fernandes
Atua como juiz de Direito titular do TJDFT. Em seu qualificado percurso profissional, já se dedicou a ser
promotor de Justiça do MPDFT; assessor de ministros do STJ; analista do STF; além de ter sido aprovado
em vários concursos públicos. Leciona Direito Constitucional com exclusividade no Gran Cursos Online.
Coordenador Acadêmico da Gran Pós.
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