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Poder Executivo no Direito Constitucional

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DIREITO

CONSTITUCIONAL
Poder Executivo

SISTEMA DE ENSINO

Livro Eletrônico
DIREITO CONSTITUCIONAL
Poder Executivo
Aragonê Fernandes

Poder Executivo..............................................................................................................4
1. Formas de Governo. .....................................................................................................5
2. Sistemas de Governo...................................................................................................5
3. Chefia de Estado x Chefia de Governo......................................................................... 7
4. Condições de Elegibilidade. ..........................................................................................8
5. Processo Eleitoral.......................................................................................................9
6. Duração do Mandato................................................................................................. 13
7. Impedimento e Vacância............................................................................................ 13

8. Atribuições do Presidente da República.. ................................................................... 18


8.1. Possibilidade de Delegação das Atribuições........................................................... 30
9. Responsabilidade do Presidente da República...........................................................32
9.1. Autorização para Abertura de Processo contra o Presidente da República e
contra Governadores....................................................................................................33
9.2. Foro para Julgamento de Presidente da República e Infrações a que ele Responde.3 4
9.3. Hipóteses de Afastamento do Presidente da República..........................................39
9.4. Restrições à Prisão............................................................................................... 40
9.5. Imunidade Relativa ou Inviolabilidade..................................................................... 41
10. Ministros de Estado.................................................................................................42
10.1. Atribuições dos Ministros de Estado. . ....................................................................43
11. Conselho da República..............................................................................................44
12. Conselho de Defesa Nacional...................................................................................45
13. Tópico Especial: Súmulas Aplicáveis à Aula. . ............................................................ 47

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Questões de Concurso.................................................................................................. 48
Gabarito....................................................................................................................... 58
Gabarito Comentado. .....................................................................................................59

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Poder Executivo
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PODER EXECUTIVO
Vamos começar definindo alguns conceitos essenciais. Veja:

PANORAMA DA REALIDADE BRASILEIRA ATUAL


Forma de Estado Federação Brasil foi Estado unitário até 1891
(nunca fomos confederação)
Forma de Governo República Brasil foi monarquia até 1891
Sistema de Governo Presidencialismo Brasil teve parlamentarismo em
dois momentos:
1) época do Império, com o
Príncipe Regente; e
2) entre 1961-63.
Regime de Governo Democracia Brasil viveu ditadura militar,
iniciada em 1964

No âmbito federal, o Poder Executivo é chefiado pelo presidente da República, que é auxi-
liado pelos ministros de Estado.
Se você olhar para a esfera estadual e para a distrital, verá que a chefia cabe aos governa-
dores e, no âmbito municipal, aos prefeitos.
Uma distinção deve ser feita desde agora – e será fundamental para as provas: o presi-
dente da República é o único que acumula as funções de chefe de Estado e de chefe de gover-
no em nosso sistema atual. Os demais são considerados apenas chefes de governo.
Qual é a importância dessa particularidade? Ora, se determinada prerrogativa for exclusi-
va do chefe de Estado não poderá repercutir para as outras esferas de governo.
Antes de entrar no texto constitucional, penso ser necessário que você relembre alguns
conceitos que são extraídos da doutrina, mas que serão de grande importância.
Vamos lá!

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1. Formas de Governo

O conceito de forma de governo guarda relação com a maneira em que se dá a relação


entre governantes e governados. Existem duas formas de governo: a república e a monarquia.
Vejam-se as diferenças básicas entre cada uma delas:

República Monarquia
Eletividade Hereditariedade
Temporalidade Vitaliciedade
Representatividade popular (o povo escolhe seu Ausência de representatividade popular (o critério
representante) para definição do rei é a linhagem familiar)
Responsabilização dos governantes (inclusive Inexistência de responsabilidade dos governantes
por crime de responsabilidade – impeachment) (the king can do no wrong – o rei não pode errar).

A primeira Constituição brasileira (1824) previa a Monarquia como forma de governo. En-
tretanto, desde 1891, adotou-se a forma republicana de governo.
É exatamente em razão da adoção da República como forma de governo que se limita a
reeleição para apenas um período em relação aos mandatos de chefe do Executivo.
É também em razão disso que se previu a inelegibilidade reflexa ou reflexiva: ao final, o
regime no qual uma família se perpetua no poder se chama monarquia.

2. Sistemas de Governo

Já o conceito de sistema de governo refere-se ao modo em que se relacionam os Poderes


Executivo e Legislativo. São dois os sistemas de governo, que têm, em resumo, estas diferenças:

Presidencialismo Parlamentarismo
Independência entre os Poderes nas funções Regime de colaboração; de corresponsabilidade entre
governamentais. Legislativo e Executivo.
Primeiro-ministro só permanece na chefia de governo
Governantes (Executivo e Legislativo) possuem enquanto possuir maioria parlamentar.
mandato certo. Mandato dos parlamentares pode ser abreviado, caso
haja a dissolução do parlamento.

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Há um só chefe do Executivo (presidente ou Chefia do Executivo é dual, já que exercida pelo Primei-
monarca), que acumula as funções de chefe de ro-ministro (chefe de governo), juntamente com o pre-
Estado e chefe de governo. sidente ou monarca (chefes de estado).
A responsabilidade do governo é perante o povo. A responsabilidade do governo é perante o parlamento.

O Brasil, embora tenha por tradição o sistema presidencialista, já teve dois períodos de
parlamentarismo: o primeiro na época do Império, com Dom Pedro II – basta lembrar que Dom
Pedro II era muito jovem quando assumiu o trono. Assim, houve uma diminuição das atribui-
ções do Príncipe Regente.
O segundo período de parlamentarismo é mais recente (e mais cobrado em provas!). Ele
envolveu os anos de 1961-63, exatamente o período que antecedeu o Golpe Militar.
Nesse período, com a renúncia de Jânio Quadros e a assunção de João Goulart (Jango),
houve uma nova tentativa de esvaziar os poderes do presidente da República, dividindo-os com
o Parlamento. A figura de primeiro-ministro, nesse período, coube a Tancredo Neves, que mais
à frente seria eleito para presidente da República, cargo que não chegou a assumir diante de
sua morte por diverticulite.
Abrindo um parêntese, muito se fala hoje no semipresidencialismo, sistema nunca adotado
no Brasil, mas que existe em países como Portugal e França.
Como o próprio nome sugere, o semipresidencialismo fica numa posição intermediária
entre o presidencialismo e o parlamentarismo. Assim, teríamos nele o compartilhamento de
atribuições, existindo a figura do Presidente, como chefe de Estado, e do Primeiro-Ministro,
como chefe do governo.
Porém, no semipresidencialismo, o Presidente da República tem mais poder do que no
parlamentarismo. Isso porque ele não é só chefe de Estado, podendo nomear o Primeiro-Mi-
nistro, dissolver o Parlamento, propor leis, controlar a política externa do país, escolher alguns
funcionários do alto escalão etc.
A ideia de implantar no Brasil foi cogitada por Michel Temer quando presidiu nosso país. Os
defensores do semipresidencialismo citam como vantagens sobre os dois outros sistemas o
maior equilíbrio entre os Poderes Executivo e o Legislativo e a maior eficiência para solucionar
crises políticas, ao permitir uma troca de comando, caso haja falta de governabilidade ou de
representatividade popular.

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Por outro lado, é óbvio que há críticas ao modelo, especialmente no sentido de que as
crises enfrentadas pelo regime político brasileiro são decorrentes de fatores bastante comple-
xos, de modo que não seriam superadas pela simples mudança do sistema de governo.
A verdade é que na história recente de nossa Democracia passamos por dois processos de
impeachment (Collor e Dilma), situações de intenso desgaste político e econômico.
Como, então, viabilizar eventual mudança? Há dois caminhos: emenda à Constituição ou
nova Constituinte. Certamente, a alteração demandaria consulta popular, por impactar direta-
mente os rumos da nação.
Fecho o parêntese.

De acordo com o art. 2º do ADCT, cinco anos após a promulgação da Constituição, seria
realizado um plebiscito, a fim de que o povo decidisse qual a forma e sistema de governo que
desejavam. À época, foram mantidas a república e o presidencialismo.
Em acréscimo, adotamos a federação como forma de Estado e a democracia como re-
gime de governo.

3. Chefia de Estado x Chefia de Governo

Já adiantei algumas linhas acima, mas lembro que, em razão da escolha do sistema presi-
dencialista de governo, o presidente da República acumula as funções de chefe de Estado e
de chefe de governo.
Nesse contexto, ele agirá como chefe de Estado quando representar o Brasil no plano in-
ternacional.

Ex.: celebração de tratados internacionais; declaração de guerra; celebração de paz.

De outro lado, a função de chefe de governo acontece quando o Presidente atua no plano
interno, como chefe do Poder Executivo da União.

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Veja alguns exemplos: proposição de projeto de lei que aumente os vencimentos de servido-
res de determinado Ministério, ou ainda, edição de medida provisória, dispondo sobre aumen-
to de proventos de aposentadoria.

Por ser chefe de Estado, o presidente tem a chamada imunidade relativa, o que significa
que, durante a vigência do mandato, ele não responderá por atos estranhos ao exercício de
suas funções. Mas isso nós veremos mais à frente, quando falarmos da responsabilidade do
presidente da República, tópico sempre lembrado pelas bancas examinadoras...

CHEFIA DE ESTADO CHEFIA DE GOVERNO


Prerrogativa exclusiva do Presidente da República, Prerrogativa se estende aos outros chefes de governo
não se estendendo aos outros chefes de governo. (governadores e prefeitos).
Ex.: imunidade à prisão e a processo por atos estra- Ex.: organizar a administração pública, expedir decre-
nhos ao exercício do mandato. tos regulamentares.
Atuação “Brasil pra fora”.
fora” Atuação “Brasil pra dentro”.
Ex.: celebrar tratados internacionais e declarar guerra. Ex.: encaminhar projeto de lei reajustando remunera-
ção dos servidores do Executivo e edição de medida
provisória.

4. Condições de Elegibilidade

Para concorrer aos cargos de presidente ou vice-presidente da República, o candidato deve


preencher estes requisitos:
a) ser brasileiro nato;
b) estar no pleno exercício dos direitos políticos;
c) alistamento eleitoral;
d) filiação partidária (não é possível concorrer sem partido político, como acontece em
outros países, como os EUA);
e) idade mínima de 35 anos;
f) não ser inalistável nem inelegível.

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5. Processo Eleitoral

A eleição para os cargos de Presidente e vice-presidente, bem assim para os demais cargos
eletivos, está definida na Constituição como sendo:
• primeiro turno: ocorrerá no primeiro domingo de outubro, do último ano anterior ao
término do mandato vigente.
• Segundo turno: será realizado no último domingo de outubro, do último ano anterior ao
término do mandato vigente.

Essa mesma regra deve ser observada, de forma compulsória, nas eleições diretas para
Governador e Vice-Governador e para Prefeito e Vice-Prefeito.
Havendo dupla vacância para Presidente e Vice-Presidente, precisaremos olhar se isso
aconteceu na primeira ou na segunda parte do mandato.
Acontecendo nos dois primeiros anos, a solução é fazer novas eleições diretas, com o
povo escolhendo, no prazo de 90 dias. Se faltarem menos de dois anos, a eleição passa a ser
indireta, com eleição feita no Congresso Nacional, no prazo de 30 dias.
Agora cuidado com um ponto: a Lei Federal n. 13.165/2015 (lei da minirreforma eleitoral)
prevê que na dupla vacância provocada por razões eleitorais – indeferimento de registro, cas-
sação do diploma e perda do mandato de candidato em pleito majoritário, independentemente
do número de votos anulado –, só haverá eleições indiretas se faltar menos de 6 meses para
o término do mandato.

Exemplificando, a perda de mandato de Governador e de Vice por compra de votos geraria


a aplicação da regra atual do artigo 225, § 4º, do Código Eleitoral, sendo realizadas eleições
diretas, exceto se faltar menos de seis meses para seu mandato acabar.

Por que há regras diferentes, professor?

Se a causa for eleitoral, vale a regra federal, porque cabe à União legislar privativamente
sobre matéria eleitoral. Do contrário, se a matéria tratar de organização político-administrativa,

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cada ente da Federação tem legitimidade para legislar – autonomia Financeira, Administrativa
e Política.
Ou seja, se você reparou bem, a lei federal contrariou a regra aí de cima, que fala em
eleições indiretas para Presidente e Vice-Presidente da República nos últimos dois anos do
mandato, certo?
Pois é, apreciando a constitucionalidade da referida lei, o STF entendeu pela validade das
novas regras para os cargos de Governador e de Prefeito, mas não para Presidente da Repú-
blica e Senador.

Como assim?

Deixe-me explicar: primeiro, lembro uma vez mais que cabe à União, de forma privativa,
legislar sobre direito eleitoral. Então, até aí, nada de errado com a lei federal.
O problema é que ela dizia que as novas regras seriam aplicáveis aos cargos majoritários,
sem fazer nenhuma ressalva. Acontece que para o cargo de Presidente da República e para o
de Senador a própria Constituição Federal já prevê um procedimento específico, e diferente do
que constou na Lei n. 13.165/2015.
Então, para Presidente continua valendo a regra do artigo 81, § 1º, da Constituição, segun-
do a qual as eleições indiretas ocorrerão se vagarem os cargos de Presidente e de Vice-Pre-
sidente nos dois últimos anos do mandato.
Por sua vez, para Senadores, prevalecerá a norma do artigo 56, § 2º, da Constituição, a
qual prevê que ocorrendo vaga e não havendo suplente, nova eleição será feita para preen-
chê-la se faltarem mais de quinze meses para o término do mandato (STF, ADI 5.525).
Deixando claro, para Governador e para Prefeito teremos duas opções: a) se a dupla va-
cância decorrer de causas eleitorais, aplica-se a lei federal, com eleições indiretas apenas se
faltar menos de seis meses para o fim do mandato; b) para dupla vacância fundada em cau-
sas não eleitorais, vale a regra editada pelo próprio ente – Estado ou Município.
Isso porque as regras atinentes à dupla vacância não são de observância obrigatória no
âmbito estadual. Assim, as Constituições Estaduais ou Leis Orgânicas podem prever solução

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diversa caso haja vacância nos cargos de governador e vice-governador (STF, ADI-MC 4.298)
ou de Prefeito e Vice-prefeito (STF, ADI 3.549). Podem, inclusive, prever votação nominal e
aberta para as eleições indiretas (STF, ADI 1.057).
Um Estado da Federação tem sido fonte inesgotável de exemplos neste tema...
Se você acompanhou com atenção ao noticiário, percebeu que no ano de 2018 houve
duas eleições diretas para governador no Estado de Tocantins.
O primeiro pleito, realizado no 1º semestre de 2018, decorreu da cassação da chapa elei-
toral, o que gerou a dupla vacância por razões eleitorais. Como faltavam mais de seis meses
para o término do mandato, a população foi chamada para eleições diretas.
Mais tarde, em outubro, novamente houve eleições diretas. Inclusive, o vencedor foi o
mesmo em ambos os pleitos.
Ainda sobre Tocantins, alguns anos atrás também houve dupla vacância. Na época, as
eleições indiretas foram regulamentadas por uma lei estadual, que determinou o voto aberto.
A norma foi questionada no STF, mas o Tribunal reconheceu a sua constitucionalidade
no ponto em que previa que a votação na Assembleia Legislativa daquele estado deveria ser
aberta (STF, ADI 4.298).
Já em abril de 2022, tivemos uma situação inusitada no estado de Alagoas: o então Go-
vernador, Renan Filho, estava em seu segundo mandato e deixou o cargo (desincompatibili-
zação) para disputar o cargo de senador.
Nessa situação, naturalmente assumiria o vice, mas acontece que ele havia saído do cargo
em 2020, para disputar o mandato de prefeito pela segunda maior cidade alagoana, Arapiraca.
Ou seja, dupla vacância!
Como não era motivação eleitoral – ninguém cassou a chapa –, a eleição foi indireta,
como prevê a Constituição Estadual, já que faltavam menos de dois anos para o término do
mandato.
Daí, uma ressalva: na hora de organizar as eleições indiretas, a Assembleia permitiu que
houvesse candidatos para governador e para vice, sem integrar a mesma chapa. Isso foi ve-
tado pelo STF, que entendeu pela necessidade de candidaturas para ambos os cargos numa
espécie de combo, como normalmente vemos nas campanhas (STF, ADPF n. 969).

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Ah, por falar em mandatos-tampão, você sabe que no Executivo o titular só pode ocupar a
cadeira por dois mandatos consecutivos, certo?
Pois é, a vedação ao exercício de três mandatos consecutivos de prefeito pelo mesmo nú-
cleo familiar aplica-se também na hipótese em que tenha havido a convocação do segundo
colocado nas eleições para o exercício de mandato-tampão (STF, RE 1.128.439).
Vamos sistematizar:

Dupla vacância de governador e prefeito por motivos eleitorais


Faltando MAIS de seis meses para Faltando MENOS de seis meses para
término do mandato término do mandato
Eleições diretas Eleições indiretas
Observação se a dupla vacância não tiver razão eleitoral (ex.: morte), valerá a regra prevista na Constituição
Observação:
Estadual ou na lei orgânica, por conta da autonomia do ente.

Nas eleições indiretas, o voto pode (e deve) ser aberto, pois o titular do poder (o povo) tem o
direito de acompanhar a atuação dos parlamentares.

Encerrado o assunto eleições indiretas, é hora de prosseguir.


Será considerado eleito em primeiro turno o candidato que obtiver maioria absoluta dos
votos válidos – o que exclui os votos brancos e nulos. Não sendo atingido esse patamar,
avançam para o segundo turno apenas os dois candidatos mais bem colocados.
Se entre o primeiro e o segundo turnos ocorrer a morte, a desistência ou o impedimento
legal do candidato deverá ser convocado o terceiro colocado. Veja-se que nessa hipótese
aquele que concorre como vice-presidente na chapa não poderá permanecer na disputa.
Tanto a disputa para a Presidência da República quanto aquela atinente aos governos
estaduais e distrital são regidas pelo sistema majoritário complexo, que é aquele no qual se
prevê a disputa em 2º turno.
Já nas eleições para prefeito, a possibilidade de 2º turno é prevista tão somente para as
cidades nas quais o número de eleitores seja superior a duzentos mil.

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Desse modo, nos municípios nos quais o total de eleitores não alcance essa marca, será
eleito em 1º Turno o candidato mais votado, não importando o percentual que tenha recebido.
Essa mesma regra rege as eleições para senadores. Adota-se, nesses casos, o sistema majo-
ritário simples.
Para finalizar, vamos ver uma alteração que só terá aplicação prática em 2027...
É o seguinte: a EC 111/2021 modificou a data da posse para Presidente da República e para
Governador dos Estados ou DF. Agora, as novas datas serão 5 e 6 de janeiro, respectivamente.
A alteração é bem-vinda, porque muitas vezes a posse presidencial acabava sendo esva-
ziada, sem a presença de Chefes de Estado e outras autoridades, exatamente porque a data
– 1º de janeiro – não favorecia principalmente quem precisava viajar por horas, passando a
virada de ano longe de seu país.
Ah, nada muda em relação à data da posse dos prefeitos, hein?

As regras de fidelidade partidária são aplicáveis apenas às eleições proporcionais (vereado-


res e deputados). Assim, nas eleições majoritárias, caso o político deixe a legenda não perderá
o seu mandato.

6. Duração do Mandato
Após as alterações trazidas pela EC n. 15/1996, o mandato presidencial – e também dos go-
vernadores e prefeitos – é de quatro anos, permitida uma reeleição, para o período subsequente.
Antes disso, a regra relativa ao mandato presidencial era de mandato de cinco anos, sem
a possibilidade de reeleição.

7. Impedimento e Vacância
Inicialmente, destaco que o impedimento está ligado à ideia de temporariedade (viagem,
doença), enquanto a vacância pressupõe o afastamento definitivo do cargo (morte, renúncia,
impeachment).

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Havendo o impedimento, caberá ao vice-presidente assumir o cargo interinamente.


Nas hipóteses em que o Vice também não puder ocupar a cadeira presidencial a Cons-
tituição estabelece a seguinte ordem de vocação sucessória: 1º) Presidente da Câmara dos
Deputados; 2º) Presidente do Senado Federal; e 3º) Presidente do STF.
Fique atento, pois são comuns questões de prova colocando o Presidente do Congresso
Nacional (que também preside o Senado) logo abaixo do vice-presidente da República. Para
lembrar mais facilmente, terá preferência o representante da Casa que representa o povo (ao
menos na teoria...).
Você deve se lembrar que não faz muito tempo, um Ministro do STF determinou que o
então presidente do Senado Renan Calheiros deveria ser afastado da presidência da Casa
Legislativa, em razão de ter sido recebida denúncia contra ele.
Na ocasião, monocraticamente, aplicou a seguinte lógica: se o presidente da República,
após o recebimento de denúncia pelo STF, deve ficar afastado, idêntico raciocínio deveria va-
ler para todos aqueles que estivessem na ordem de vocação sucessória.
Após recusa de Renan Calheiros em cumprir a decisão, o Plenário do Tribunal entendeu
que a autoridade da linha sucessória poderia ficar em seu cargo, mas ficaria impedido de as-
sumir a Presidência da República (STF, ADPF n. 402).

Exemplificando, se isso acontecesse na atualidade, na ausência de Jair Bolsonaro, a Presi-


dência da República deve ser ocupada pelo vice-presidente, Hamilton Mourão. Estando este
também ausente, segue-se para o presidente da Câmara dos Deputados. Em seu impedimen-
to, pularíamos o presidente do Senado, por ter denúncia recebida contra si, passando-se ao
presidente do STF.

Outra coisa: havendo a vacância do cargo de presidente, o Vice assume definitivamente,


ocasião em que nossa República ficará SEM ninguém ocupando a vice-presidência. Foi o que
aconteceu com o impeachment da ex-presidente Dilma. Essa também será a solução se a
vacância atingir apenas a cadeira de vice-presidente.

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O STF entendeu que se uma das autoridades que estiver na ordem de vocação sucessória tiver
contra si denúncia recebida pelo STF pode continuar na sua função, ficando impedido apenas
de ocupar a Presidência da República, ainda que temporariamente.

Tratando-se de dupla vacância, ou seja, afastando-se definitivamente o presidente e o


vice-presidente dos cargos antes do término do mandato, a solução será a seguinte:

Dupla vacância de presidente e vice-presidente (não importa motivo)


Faltando MAIS de dois anos para Faltando MENOS de dois anos para término do mandato
término do mandato
Eleições diretas, no prazo de 90 Eleições indiretas, no prazo de 30 dias. Congresso Nacional escolhe.
dias. Povo escolhe.

Agora cuidado com um ponto: é que a Lei Federal n. 13.165/2015 prevê que, na vacância
em cargos majoritários (no âmbito do Executivo, dupla vacância) provocada por razões elei-
torais – indeferimento de registro, cassação do diploma e perda do mandato de candidato
em pleito majoritário, independentemente do número de votos anulados –, só haverá eleições
indiretas se faltarem menos de seis meses para o término do mandato.

Exemplificando, a perda de mandato de governador e de vice por compra de votos geraria a


aplicação da regra atual do artigo 224, § 4º, do Código Eleitoral, sendo realizadas eleições
diretas, exceto se faltarem menos de seis meses para seu mandato acabar.

Por outro lado, se o motivo da dupla vacância for alguma causa não eleitoral (morte, desis-
tência, renúncia ao mandato etc.), valerá a regra prevista na Constituição Estadual (governa-
dor) ou na Lei Orgânica (governador do DF e municípios).

Por que há regras diferentes, professor?

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Se a causa for eleitoral, vale a regra federal, porque cabe à União legislar privativamente
sobre matéria eleitoral. Do contrário, se a matéria tratar de organização político-administrativa,
cada ente da Federação tem legitimidade para legislar – autonomia financeira, administrativa
e política.
Ou seja, se você reparou bem, a lei federal contrariou as regras que falam em eleições
indiretas para presidente e vice-presidente da República nos últimos dois anos do mandato e
também as regras supracitadas para senador.
Pois é, apreciando a constitucionalidade da referida lei, o STF entendeu pela validade das
novas regras para os cargos de governador e de prefeito, mas não para presidente da Repú-
blica e senador.

Como assim?

Deixe-me explicar: em primeiro lugar, é bom lembrar que cabe à União, de forma privativa,
legislar sobre direito eleitoral. Então, até aí, nada de errado com a lei federal.
O problema é que ela dizia que as novas regras seriam aplicáveis aos cargos majoritários,
sem fazer nenhuma ressalva. Acontece que, para o cargo de presidente da República e para o
de senador, a própria Constituição Federal já prevê um procedimento específico e diferente do
que constou na Lei n. 13.165/2015.
Então, para presidente continua valendo a regra do artigo 81, § 1º, da Constituição, segun-
do o qual as eleições indiretas ocorrerão se vagarem os cargos de presidente e de vice-presi-
dente nos dois últimos anos do mandato.
Por sua vez, para senadores, prevalecerá a norma que vimos, do artigo 56, § 2º, da Consti-
tuição, o qual prevê que, ocorrendo vaga e não havendo suplente, nova eleição será feita para
preenchê-la se faltarem mais de quinze meses para o término do mandato (STF, ADI 5.525).
Lembrando, para governador e para prefeito, teremos duas opções: a) se a dupla vacância
decorrer de causas eleitorais, aplica-se a lei federal, com eleições indiretas apenas se faltarem
menos de seis meses para o fim do mandato; b) para dupla vacância fundada em causas não
eleitorais, vale a regra editada pelo próprio ente – estado ou município.

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DIREITO CONSTITUCIONAL
Poder Executivo
Aragonê Fernandes

Dupla vacância de governador e prefeito por motivos eleitorais


Faltando MAIS de seis meses para término do Faltando MENOS de seis meses para término do
mandato mandato
Eleições diretas Eleições indiretas
Observação se a dupla vacância não tiver razão eleitoral (ex.: morte), valerá a regra prevista na Constituição
Observação:
Estadual ou na lei orgânica, por conta da autonomia do ente.

Outra coisa: ainda sobre a Lei n. 13.165/2015, o STF firmou a seguinte tese:

É constitucional legislação federal que estabeleça novas eleições para os cargos majo-
ritários simples – isto é, prefeitos de Municípios com menos de duzentos mil eleitores e
senadores da República – em casos de vacância por causas eleitorais (STF, ADI 5.690).

Nesse julgamento, discutia-se a validade da norma eleitoral que prevê novas eleições não
importando o número de votos anulados.
Como você viu, prevaleceu a tese de que deve haver novas eleições quando a vacância
se der por causas eleitorais (ex.: abuso do poder econômico), não importando quantos votos
válidos tenham sido anulados – se mais ou menos de 50%.
Falta eu falar de duas regrinhas chatas, porque tratam de prazos que podem confundir você.
A primeira prevê que se o presidente ou o vice-presidente não tomarem posse, sem motivo
de força maior, no prazo de 10 dias, o cargo será declarado vago.
A segunda cai mais em prova... diz respeito à necessidade de autorização do Congresso
Nacional se o presidente ou o vice-presidente forem se ausentar do País por mais de 15 dias.
Caso não haja essa autorização, eles podem perder o cargo.

Mas qual é o motivo de a segunda cair mais em prova?

Simples! É que algumas Constituições Estaduais previam o seguinte: para o governador


sair do Estado por mais de 15 dias, ou para sair do País, por qualquer prazo, seria necessária a
autorização da Assembleia Legislativa, sob pena de perda do cargo.

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Poder Executivo
Aragonê Fernandes

O STF, invocando o princípio da simetria, afastou essas regras estaduais, estabelecendo a


necessidade de autorização da Assembleia Legislativa apenas para ausências do governador
ou vice superiores a 15 dias (STF, ADI n. 738). Idêntico raciocínio se aplica aos prefeitos, quan-
to à necessidade de licença da Câmara dos Vereadores (STF, RE n. 317.574).

8. Atribuições do Presidente da República

As atribuições do presidente da República estão descritas no artigo 84 da Constituição em


um rol que, apesar de extenso, é apenas exemplificativo – e não, taxativo.
Para melhorar sua assimilação, transcreverei integralmente o artigo 84, fazendo comentá-
rios pontuais nos itens mais cobrados nas provas, ok?
Compete privativamente ao presidente da República:

I – nomear e exonerar os ministros de Estado;


II – exercer, com o auxílio dos ministros de Estado, a direção superior da administração federal;
III – iniciar o processo legislativo, na forma e nos casos previstos nesta Constituição;

No artigo 59 estão listados os atos normativos primários, cuja elaboração é descrita, ainda
que resumida, na própria Constituição. Daquele rol, o presidente é o responsável por editar medi-
das provisórias, bem como pode propor emendas à Constituição, leis ordinárias e complementa-
res. Sendo autorizado pelo Congresso Nacional, ele também pode editar Leis Delegadas.
Por sua vez, as resoluções e os decretos legislativos são atos interna corporis. Ou seja, eles
não contam com a participação do Executivo em nenhum momento, tramitando apenas dentro
do Legislativo.
Ah, cabendo ao presidente da República dar o ‘start’ ao processo legislativo (iniciativa priva-
tiva/exclusiva/reservada), se houver descumprimento dessa regra, o projeto de lei padecerá do
vício de inconstitucionalidade formal, que nunca se convalida, nem mesmo com a sanção.

Exemplificando, compete ao presidente apresentar projeto de lei que implique aumento na


remuneração de servidores do Executivo. Se um parlamentar apresentar projeto de lei nesse
sentido, ainda que haja a aprovação nas duas Casas Legislativas e sanção presidencial, não se
afastará o defeito (inconstitucionalidade formal ou nomodinâmica).

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Poder Executivo
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Outra coisa: imagine que caiba ao Poder Executivo deflagrar o processo legislativo para regu-
lamentar determinado ponto da CF. Daí, a fim de forçar a atuação do governante, o Legislativo
edita uma lei estabelecendo prazo para o envio do projeto de lei.

Pode isso, Arnaldo?


Claro que não, pois cabe ao chefe do Poder Executivo examinar a conveniência e a oportu-
nidade para desempenho das atividades legislativas e regulamentares que lhe são inerentes.
A imposição vinda do Legislativo caracteriza indevida interferência, violando a separação dos
Poderes (STF, ADI n. 4.728).

IV – sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para
sua fiel execução;

O decreto mencionado neste inciso é o regulamentar, ato normativo secundário que serve
para regulamentar as leis. Ele se difere do decreto autônomo, que você encontrará no inciso
VI, logo a seguir.

V – vetar projetos de lei, total ou parcialmente;

No processo legislativo, a fase de deliberação executiva (sanção/veto) só acontece nas


leis ordinárias e complementares, além das medidas provisórias aprovadas com modifica-
ções pelo Congresso Nacional.
Desse modo, não haverá sanção ou veto nas emendas à Constituição, nas resoluções e
nos decretos legislativos, nas leis delegadas, ou ainda nas medidas provisórias aprovadas
sem modificação pelo Congresso Nacional.
A deliberação executiva consiste na demonstração da concordância – ou não – do presi-
dente da República.
Caso ele esteja de acordo com o texto do projeto, deverá sancioná-lo; entendendo haver
vícios, pode o chefe do Executivo vetar a proposta que lhe foi encaminhada.
A sanção pode ainda ser expressa ou tácita. Esta acontece quando o presidente não se
manifesta dentro do prazo de 15 dias úteis, dado pela Constituição.

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Apesar disso, o veto presidencial pode alcançar toda a proposta legislativa ou ainda restrin-
gir-se a apenas determinado artigo, parágrafo, inciso ou alínea.
Fique de olho, pois o presidente não pode vetar apenas uma palavra, um trecho ou uma
expressão dentro de uma frase. Essa proibição é para evitar desvirtuamento do projeto apro-
vado pelo Legislativo.
Nesse sentido, basta pensar na seguinte frase: “não poderá ser realizada a alienação de
determinado bem”. Excluída a palavra “não” do texto, certamente outro sentido terá a lei.
Ah, é importante falar que o Judiciário, ao contrário do Executivo, pode retirar uma palavra
ou expressão de dentro da frase.
Mais do que isso, ao fazer o controle de constitucionalidade, pode o Judiciário retirar ape-
nas uma interpretação entre as possíveis, quando estivermos diante de palavras plurissignifi-
cativas. Isso será possível dentro das técnicas de declaração de inconstitucionalidade parcial
sem redução de texto ou ainda na interpretação conforme a Constituição.
Optando o chefe do Executivo pelo veto, deverá ele comunicar as razões de sua decisão ao
presidente do Senado dentro do prazo de 48 horas.

Caso o presidente da República não se manifeste no prazo de 15 dias úteis, ocorrerá a sanção
tácita do projeto de lei.

A motivação do veto poderá ser política ou jurídica, conforme a seguinte ilustração:

Motivação do veto
Veto Político Veto Jurídico
O presidente da República entende que o O presidente da República entende que o pro-
projeto de lei, apesar de constitucional, é jeto de lei é inconstitucional.
contrário ao interesse público. Ex.: está presente vício de iniciativa, o que
Ex.: determinado aumento aos aposentados, torna o projeto inconstitucional, sob o ponto de
se concedido, pode causar desequilíbrio nas vista formal.
contas públicas.

Quando o presidente faz o veto jurídico, está atuando em controle político de constitucio-
nalidade, feito na forma preventiva, tendo em vista que a norma ainda não entrou em vigor.

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Vou abrir um parêntese.


É até comum você “trocar as bolas”. Eu disse que existem os vetos políticos e os jurídicos,
dizendo em seguida que o veto jurídico era controle político de constitucionalidade.
Deixe-me esclarecer, existem dois modelos de controle de constitucionalidade: o político
e o jurisdicional. O jurisdicional é feito pelo Poder Judiciário, enquanto o político cabe aos
Poderes Legislativo e Executivo.
Fechando o parêntese, você viu que a inércia do presidente da República dentro do prazo
constitucional – 15 dias úteis – corresponde à sanção tácita.
Acontece que, se ele vetar, mas não motivar o veto, também haverá sanção. Isso acontece
porque o veto será submetido ao Congresso Nacional, que levará em conta exatamente os
fundamentos utilizados no veto.

Há controle de constitucionalidade político preventivo quando o presidente da República veta


o projeto de lei por entender que ele viola a Constituição (veto jurídico).

Seguindo na sistemática, após o veto, caberá ao Congresso Nacional apreciá-lo, em ses-


são conjunta (não unicameral), dentro do prazo de 30 dias, contado a partir do recebimen-
to. Não havendo deliberação dentro do prazo, serão sobrestadas as demais proposições. Ou
seja, será trancada a pauta do Congresso Nacional.
A EC n. 76/2013 acabou com o voto secreto na apreciação dos vetos presidenciais e na
cassação de mandato parlamentar. Atualmente, o voto secreto se aplica apenas à sabatina de
autoridades, feita pelo Senado Federal.
Optando o Congresso Nacional pela rejeição (derrubada) de veto, tal decisão produzirá
os efeitos de sanção presidencial, seguindo-se para a promulgação, a cargo do presidente
da República.
Ah, o STF decidiu que os vetos presidenciais não precisam ser apreciados em ordem cro-
nológica de apreciação (STF, MS n. 31.816).

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Antes de terminar, uma nota importante dentro do controle de constitucionalidade: não


cabe ADPF (arguição por descumprimento de preceito fundamental) contra vetos presiden-
ciais (STF, ADPF n. 1).
Agora imagine a seguinte situação: o presidente da República resolve vetar parte do pro-
jeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional (sancionando o restante). Dias depois, ele repu-
blica a lei, acrescentando vetos a alguns artigos.
Pode isso, Arnaldo?
Nananinanão! Depois de sua primeira manifestação acontece a preclusão, não se admi-
tindo novo veto em lei já promulgada e publicada. Assim, é incabível eventual retratação (STF,
ADPF n. 714).
Hora de sistematizar:

SANÇÃO VETO
Expressa Tácita Político Jurídico
PR manifesta concordân- Quando escoa o prazo de PR entende que projeto PR entende que o projeto
cia dentro do prazo 15 dias úteis sem mani- é contrário ao interesse é inconstitucional
festação do PR público
Observações:
1) O veto jurídico é controle político preventivo de constitucionalidade.
2) Presidente não pode vetar apenas uma palavra ou expressão dentro da frase. Pode vetar a lei, o título, o
capítulo, o artigo, inciso ou a alínea, desde que na íntegra.
3) Veto precisa ser motivado. Veto sem motivação equivale a sanção.
4) Havendo o veto, o CN vai deliberar, em votação aberta, se mantém ou rejeita. A ordem de apreciação dos
vetos não precisa ser cronológica.
5) Não cabe ADPF contra vetos presidenciais.

Presidente não pode vetar só uma palavra ou expressão dentro de um texto.

Ex.: se não concorda com uma expressão dentro do artigo, tem de revogar artigo completo.
O Judiciário, ao contrário, pode vetar somente a expressão indesejada. Mais que isso, pode
fazer a declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto.

VI – dispor, mediante decreto:


a) sobre a organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de
despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos;

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Se implicar aumento de despesa, criação ou extinção de órgãos públicos, competência


será do Congresso Nacional (art. 48), devendo ser elaborada lei.
Ah, essas matérias podem ser abordadas também por medida provisória, desde que não
incidam em nenhuma das proibições do artigo 62, § 1º, da Constituição.

Exemplificando, no governo do ex-presidente Michel Temer, o Ministério Extraordinário da


Segurança Pública foi criado pela Medida Provisória n. 821/2018, sendo posteriormente con-
vertido na Lei n. 13.690/2018.

Outra coisa: existem variados Conselhos da Administração Pública – exemplos: Conselho


Nacional de Assistência Social; Conselho Nacional do Esporte; Conselho Nacional de Política
Agrícola. Se eles forem criados por lei, contando com a participação direta da sociedade civil,
sua extinção não pode ser feita por decreto do presidente da República. Ao contrário! Para se
extinguir um desses conselhos, seria necessária aprovação pelo Congresso Nacional, para
não violar o princípio da separação dos Poderes. (STF, ADI n. 6.121).

b) sobre a extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos.

Se cargos ou funções estiverem ocupados, a competência para extinção será do Congres-


so Nacional (art. 48), também sendo necessária a edição de lei.
Pelo princípio do paralelismo das formas – também chamado de simetria –, deve ser res-
peitada a paridade entre as formas de criação e extinção de entidades (autarquias, empresas
públicas, sociedades de economia mista e fundações) e de cargos públicos. Assim, como re-
gra, o cargo público é criado e extinto por meio de lei.
A possibilidade de o cargo vago ser extinto por meio de decreto é uma exceção a esse
princípio. Daí, a importância para as provas.
Note-se que o decreto mencionado no artigo 84, VI, da Constituição é chamado pela doutri-
na de decreto autônomo. Tal denominação deriva do fato de que, em regra, os decretos são uti-
lizados para regulamentar as leis, sendo, por isso, chamados de atos normativos secundários.
Vale dizer, as leis são atos normativos primários e se submetem a controle de constitu-
cionalidade.

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Por sua vez, os decretos regulamentares (inciso IV do artigo 84) são atos normativos
secundários, prestando-se para regulamentar as leis. Sujeitam-se a controle de legalidade, e
não de constitucionalidade.
Avançando, o decreto autônomo leva esse nome por não regulamentar lei alguma. Ele se
submete diretamente a controle de constitucionalidade. É, então, considerado um ato norma-
tivo primário.
Sistematizando...

Constituição Constituição
Lei (ato primário) -–-–-–
Decreto Regulamentar (ato secundário) Decreto Autônomo (ato primário)

Por outro ângulo...

Espécie Submissão Classificação


Decretos regulamentares À lei e à CF Ato normativo secundário
Decretos autônomos Somente à CF Ato normativo primário

Vamos revisitar a “Pirâmide de Kelsen”, que estrutura de forma hierarquizada as normas


no direito brasileiro:

Obs.:
 *1: TIDH (Tratados Internacionais sobre Direitos Humanos) antes EC n. 45/2004 ou após,
mas sem rito especial (dois turnos, três quintos em cada Casa do Congresso Nacional.

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 *2: leis complementares, leis ordinárias, leis delegadas, medidas provisórias, resolu-
ções e decretos legislativos, tratados internacionais (não sobre direitos humanos),
decretos autônomos e resoluções do CNJ e do CNMP.
 *3: portarias, decretos regulamentares, instruções normativas.

Uma última coisa: a figura do decreto autônomo foi inserida pela EC n. 32/2001 o que ge-
rou questionamentos quanto à sua constitucionalidade (não se discute constitucionalidade
de normas originárias).
Apreciando a questão, o STF entendeu que é válida a edição de decretos autônomos, ape-
nas nas hipóteses previstas no artigo 84, VI, da Constituição. Afastou-se, então, a ideia da
inconstitucionalidade.

Os decretos regulamentares são atos normativos secundários e se submetem apenas a con-


trole de legalidade. Já os decretos autônomos são considerados atos normativos primários,
submetendo-se a controle de constitucionalidade.

VII – manter relações com Estados estrangeiros e acreditar seus representantes diplomáticos;
VIII – celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso
Nacional;

Em relação à celebração de tratados internacionais, há a participação tanto do Executivo


quanto do Legislativo.
Isso porque cabe ao presidente da República, no papel de chefe de Estado celebrar o tra-
tado com outros países ou organismos internacionais.
A partir daí, entra em cena a atuação do Poder Legislativo, prevista no artigo 49, I, da Cons-
tituição. Nesse dispositivo, fala-se na competência exclusiva do Congresso Nacional em:

resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos
ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional.

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Havendo a concordância do Legislativo, a bola volta para o presidente da República, que


internalizará o conteúdo do tratado internacional ao editar um decreto.
É importante lembrar que os tratados internacionais podem receber três status diferentes.
Isso porque eles podem ser equiparados às emendas à Constituição, contarem com status
supralegal ou se equivalerem às leis ordinárias.
Explico.
De saída, os tratados internacionais que não versarem sobre direitos humanos são consi-
derados atos normativos primários, sendo equivalentes às leis ordinárias.
Versando sobre direitos humanos, abrem-se duas possibilidades: a) se aprovados em
procedimento equivalente ao exigido para as emendas à Constituição – dois turnos de vo-
tação, em cada Casa do Congresso Nacional, obtendo 3/5 dos votos em cada um deles –,
serão equivalentes às ECs (artigo 5º, § 3º, da CF); b) terão status supralegal, posicionando-se
acima das leis, mas abaixo da CF. É o que aconteceu com o Pacto de São José da Costa Rica,
responsável por restringir a prisão civil por dívida do depositário infiel (STF, RE n. 466.343).

A celebração de tratados internacionais é um ato complexo, pois conta com a participação


do presidente da República (assina o acordo e depois edita o Decreto que internaliza o ato em
nosso ordenamento) e do Congresso Nacional, que resolve definitivamente se aceita ou não o
compromisso firmado pelo chefe de Estado.

IX – decretar o estado de defesa e o estado de sítio;


X – decretar e executar a intervenção federal;
XI – remeter mensagem e plano de governo ao Congresso Nacional por ocasião da abertura da
sessão legislativa, expondo a situação do País e solicitando as providências que julgar necessárias;
XII – conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em lei;

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Indulto é o perdão da pena. Ele pode ser total ou parcial. Nesse último caso, é também cha-
mado de comutação. Esses benefícios, normalmente são dados pelo presidente da República
no final de cada ano. Em virtude disso, muitas pessoas acabam chamando de indulto de Natal.
Antes de passar para a próxima atribuição do presidente da República vou lembrar alguns
conceitos semelhantes para que você não esqueça:
a) indulto: perdão coletivo, dado pelo presidente da República. Caso se perdoe apenas
parte da pena, pode ser usada a nomenclatura comutação.
Não confunda indulto natalino com saídas temporárias, conhecidas como ‘saidão’. O pre-
so que ganha o indulto pleno não volta para o presídio, pois foi perdoado. Já aqueles que
recebem o benefício da saída temporária está no regime prisional semiaberto e precisa voltar
para o estabelecimento ao final da festividade.
b) graça: também é um perdão e também é dado pelo presidente da República. A diferença
central para a graça está no fato de ela ser individual, enquanto o indulto é coletivo.
c) anistia: é dada pelo Legislativo, e não pelo presidente da República. É formalizada por
meio de lei, e produz como efeito apagar o fato histórico. Em consequência, as punições aca-
bam sendo perdoadas também.
Pois bem, se você reparou direitinho, eu disse que cabe ao Legislativo conceder anistia. Eu
não falei que a tarefa era somente do Congresso Nacional.
Dentro desse contexto, se a anistia envolver crimes, apenas o Congresso Nacional estará
habilitado a concedê-la. Isso porque cabe privativamente à União legislar sobre direito penal
– artigo 22, I, da Constituição.
No entanto, em razão da autonomia conferida aos Estados, a Assembleia Legislativa pode
conceder anistia aos servidores públicos, desde que relativa a punições administrativas (STF,
ADI n. 104).
Usando um exemplo citado na mídia, no ano de 2019, o governador do estado do Espírito
Santo sancionou a lei concedendo anistia aos policiais militares que se envolveram no movi-
mento grevista em período anterior.
Repito: a anistia dada pela Assembleia Legislativa só poderia abranger punições admi-
nistrativas, nunca os crimes. Em relação aos delitos penais, somente o Congresso Nacional
poderia conceder o benefício.

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Um detalhe: embora a anistia seja dada pelo Legislativo, tratando-se de infrações adminis-
trativas praticadas por policiais civis, militares e bombeiros – agentes de segurança estadual
–, cabe ao governador enviar o projeto de lei. Desse modo, seria inconstitucional lei fruto de
iniciativa parlamentar conferindo anistia a tais integrantes da segurança pública (STF, ADI n.
4.928).
Voltando ao indulto, o STF entendeu que é prerrogativa do presidente da República conce-
der indultos sem que sofra interferências do Judiciário. Na hipótese, questionava-se decreto
editado pelo ex-presidente Temer que teria sido muito benevolente no indulto do ano de 2017.
A tese da PGR era no sentido de que teriam sido beneficiados indevidamente condenados por
crimes do colarinho branco.
Ao final, prevaleceu a orientação de que o presidente é livre na extensão dos termos do
decreto, desde que observada a proibição de concessão a crimes hediondos e equiparados
(STF, ADI n. 5.874).

Não confunda indulto com o benefício das saídas temporárias (saidão). Em datas festivas,
como Dia das Mães, Carnaval, Dia das Crianças, os presos submetidos a regime aberto têm o
direito de passar o feriado com seus familiares, devendo retornar ao estabelecimento prisional.
Já o indulto é o perdão da pena.

XIII – exercer o comando supremo das Forças Armadas, nomear os Comandantes da Marinha, do
Exército e da Aeronáutica, promover seus oficiais-generais e nomeá-los para os cargos que lhes são
privativos;
XIV – nomear, após aprovação pelo Senado Federal, os ministros do Supremo Tribunal Federal e dos
Tribunais Superiores, os governadores de Territórios, o Procurador-Geral da República, o presidente
e os diretores do Banco Central e outros servidores, quando determinado em lei;

Dentre esses “outros servidores”, podem ser listados, por exemplo, os embaixadores e os
diretores das agências reguladoras – ANA, ANVISA, ANEEL, ANATEL etc.
É importante lembrar que a votação no Senado Federal sobre a indicação das autoridades
é a única hipótese de votação secreta após a EC n. 76/2013. E mais: não há sabatina do Sena-
do quanto à nomeação de ministros de Estado e do advogado-geral da União (AGU).

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A EC n. 76/2013 acabou com o voto secreto no Parlamento, exceto quanto à sabatina de


autoridades.
Ex.: ministros do STF, presidente do BACEN etc.

XV – nomear, observado o disposto no art. 73, os ministros do Tribunal de Contas da União;


XVI – nomear os magistrados, nos casos previstos nesta Constituição, e o Advogado-Geral da União;
XVII – nomear membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII;
XVIII – convocar e presidir o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional;
XIX – declarar guerra, no caso de agressão estrangeira, autorizado pelo Congresso Nacional ou re-
ferendado por ele, quando ocorrida no intervalo das sessões legislativas, e, nas mesmas condições,
decretar, total ou parcialmente, a mobilização nacional;
XX – celebrar a paz, autorizado ou com o referendo do Congresso Nacional;
XXI – conferir condecorações e distinções honoríficas;
XXII – permitir, nos casos previstos em lei complementar, que forças estrangeiras transitem pelo
território nacional ou nele permaneçam temporariamente;
XXIII – enviar ao Congresso Nacional o plano plurianual, o projeto de lei de diretrizes orçamentárias
e as propostas de orçamento previstos nesta Constituição;
XXIV – prestar, anualmente, ao Congresso Nacional, dentro de sessenta dias após a abertura da
sessão legislativa, as contas referentes ao exercício anterior;
XXV – prover e extinguir os cargos públicos federais, na forma da lei;

A primeira parte do inciso XXV (prover cargos públicos federais) é uma das atribuições que
podem ser delegadas (veja item abaixo). Se o ministro de Estado pode prover os cargos públi-
cos, ele também poderá improver. Em outras palavras, ele também pode demitir os servidores
(STF, RE n. 633.009).

XXVI – editar medidas provisórias com força de lei, nos termos do art. 62;
XXVII – exercer outras atribuições previstas nesta Constituição.
XXVIII - propor ao Congresso Nacional a decretação do estado de calamidade pública de âmbito
nacional previsto nos arts. 167-B, 167-C, 167-D, 167-E, 167-F e 167-G desta Constituição.

O inciso XXVIII foi incorporado pela EC n. 109/2021, fruto da PEC Emergencial. A decre-
tação do estado de calamidade possibilita o acionamento de diversos gatilhos para contin-
genciar gastos a fim de fazer frente à necessidade, como é o caso da proibição de criação de
cargos, de concessão de reajustes e o impedimento à realização de concursos públicos, salvo
para suprimento de vacâncias.

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A bem da verdade, a realidade de uns anos para cá é que os concursos realizados, quando
muito, preenchem as vagas existentes, sendo rara a criação de novos cargos ou mesmo o
reajuste na remuneração. Assim, o efeito prático da PEC Emergencial é bem menos intenso
do que se previa na proposta inicial, que continha, inclusive, a previsão de reduzir ¼ dos ven-
cimentos.
Fazendo uma análise conjunta entre os artigos 49 e 84, vê-se que o presidente propõe e o
Congresso Nacional decreta o estado de calamidade pública.

8.1. Possibilidade de Delegação das Atribuições

Quando se fala nas atribuições do Presidente, o que mais cai em prova é exatamente a dis-
cussão acerca das hipóteses nas quais pode haver a delegação das tarefas, bem assim quem
seriam as autoridades que receberiam a delegação.
Pois bem.
No parágrafo único do artigo 84 consta que o presidente da República poderá delegar ao
PGR, ao AGU e aos ministros de Estado as seguintes atribuições:

a. dispor, mediante decreto sobre a) sobre a organização e funcionamento da administração fe-


deral, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; e b)
sobre a extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos;
b. conceder indulto e comutar penas;
c. prover os cargos públicos federais, na forma da lei.

Somente algumas das atribuições do presidente da República são delegáveis aos ministros de
Estado, ao PGR e ao AGU.

Depois desse tanto de informações, vou dar uma sistematizada:

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ATRIBUIÇÕES DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA


DESTAQUES
- Sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execu-
ção.
- Vetar projetos de lei, total ou parcialmente.
- Manter relações com Estados estrangeiros e acreditar em seus representantes diplomáticos.
- Celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional.
- Nomear, após aprovação pelo Senado Federal, os Ministros do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais
Superiores, os Governadores de Territórios, o Procurador-Geral da República, o presidente e os diretores do
Banco Central e outros servidores, quando determinado em lei.
- Conferir condecorações e distinções honoríficas.
- Prestar, anualmente, ao Congresso Nacional, dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa,
as contas referentes ao exercício anterior.
ATRIBUIÇÕES DELEGÁVEIS AO PGR, AGU E AOS MINISTROS DE ESTADO:
1 – dispor, mediante decreto (autônomo):
a) sobre a organização e o funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa
nem criação ou extinção de órgãos públicos;
b) sobre a extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos;
2 – conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em lei;
3 – prover e extinguir os cargos públicos federais, na forma da lei (a delegação é só quanto a prover, não a
extinguir).
OBSERVAÇÕES
1) O Presidente edita decretos autônomos (atos normativos primários) e decretos regulamentares (atos nor-
mativos secundários). Os autônomos se sujeitam a controle de constitucionalidade,
constitucionalidade enquanto os regulamen-
tares a controle de legalidade.
legalidade
2) O Presidente não sanciona, não veta, não promulga e não publica emendas à Constituição.
3) O veto presidencial pode ser político (contrário ao interesse público) ou jurídico (controle de constituciona-
lidade).
4) Se houver aumento de despesa, criação ou extinção de órgãos públicos, o instrumento correto será a lei (ou
medida provisória, se for o caso), e não o decreto autônomo.
5) Indulto, comutação e graça são formas de perdão concedidos pelo presidente da República. A anistia é dada
pelo Legislativo.

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9. Responsabilidade do Presidente da República

Toda atenção é pouca quando falamos de responsabilidade do presidente da República.


Para começar com um “choque de gestão”, veja o quadro a seguir:

SITUAÇÃO FORO COMPETENTE


Infrações penais comuns (abrangem crimes comuns, STF
militares, eleitorais e contravenções penais)
Crimes de responsabilidade (impeachment) Senado Federal
Improbidade administrativa Presidente não se sujeita à LIA.
LIA Para ele, ato contra
a probidade é tida como crime de responsabilidade
(artigo 85, V).
Ações populares, ações civis públicas, ações cíveis e 1ª instância
trabalhistas

Vou aproveitar e lembrar quem julga os outros Chefes do Executivo:

AUTORIDADE CRIMES COMUNS CRIMES DE RESPONSABILIDADE


GOVERNADOR STJ Tribunal especial previsto na Lei n.
1.079/1950.
É composto por 11 integrantes:
- Presidente do TJ;
- 5 Desembargadores;
- 5 Deputados estaduais/distritais.
PREFEITO TJ / TRF / TRE Próprios: são as infrações de natu-
(depende da natureza da infração) reza política (impeachment). Jul-
gamento pela câmara municipal.
Impróprios: são punidos com pena
privativa de liberdade.
Julgamento caberá ao TJ / TRF /
TRE, a depender da natureza da
infração.

Vamos aprofundar um pouco mais agora.


Diante do atual cenário de instabilidade política, bem assim do impeachment da ex-presi-
dente Dilma, ele tende a cair ainda mais.
Então, redobre os cuidados!

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O presidente da República, na condição de chefe de Estado, possuirá algumas prerrogati-


vas que serão apenas suas, não repercutindo para os outros chefes de governo (governadores
e prefeitos).
Vou começar com um ponto bem relevante, que foi objeto de manifestação recente no
STF: a (des)necessidade de autorização do Legislativo para a abertura de processo contra os
chefes de governo.

9.1. Autorização para Abertura de Processo contra o Presidente da


República e contra Governadores
Nesse ponto, não há dúvidas de que o presidente da República só pode ser processado,
seja por crime comum, seja por crime de responsabilidade, após licença a ser dada pela Câ-
mara dos Deputados, em quórum de 2/3 de votos (ao menos 342 votos). Essa regra é extraída
do artigo 51, I, da Constituição.
A questão que se põe é se a necessidade de autorização do Legislativo para o julgamento
também abrangeria os governadores de Estado.
O entendimento tradicional do STF era no sentido de que as regras se estendiam aos go-
vernadores, com base no princípio republicano.
Foi então que chegou ao Tribunal discussão envolvendo a CE/MG. Nela, diferentemente
do que consta em outras Constituições Estaduais, não se previa a participação da Assembleia
Legislativa mineira.
O STJ, ao se debruçar sobre a questão, acabou entendendo pela necessidade de autoriza-
ção, mesmo diante da omissão da Constituição Estadual.
Já no STF, a orientação foi exatamente contrária. Ou seja: firmou-se a compreensão pela
desnecessidade de autorização da Assembleia para a abertura de processo contra o governa-
dor (STF, ADI n. 5.540).
E mais: entendeu-se pela inconstitucionalidade das normas que prevejam expressamente
a necessidade de autorização do Legislativo. Prevaleceu a ideia de que a prerrogativa seria
unicamente do presidente da República (STF, ADI n. 4.797).
Não há dúvidas de que pesaram na mudança de orientação do STF dois fatos: a) envolvi-
mento de vários governadores de Estado nas delações feitas no âmbito da Operação Lava Jato;

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e b) desde a instalação do STJ, em 52 oportunidades o Tribunal solicitou junto às Assembleias


Legislativas autorização para processar governadores. Desse total, houve 15 negativas e apenas
1 caso de deferimento. Em outras 36 ocasiões, a Casa Legislativa sequer respondeu ao STJ.
Em outras palavras, o ambiente de profundo escárnio e impunidade acabou ensejando a
mudança na orientação. Repetindo, hoje, a necessidade de autorização vale apenas para o
presidente da República.
Outra coisa: se você puxar pela memória, vai lembrar que o ex-presidente Michel Temer,
enquanto estava no cargo, foi denunciado duas vezes pelo PGR.
Em ambos os casos, a acusação girava em torno de crimes comuns, como pertencimento
a organização criminosa e obstrução de justiça.
Pois bem, acontece que a Câmara dos Deputados não deu a autorização para a abertura
de processo, de modo que o STF não pôde, à época, dar sequência à persecução penal, nem
em relação ao presidente da República nem quanto aos ministros de estados que estavam
respondendo em conexão – inciso I do artigo 51 da CF.
É, mas como havia outros investigados respondendo juntamente com o presidente e com
os ministros de estado (pense aí no ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, “o Homem da Mala”),
foi determinado o desmembramento do processo, para que a apuração seguisse contra eles.
Isso porque a prerrogativa de depender de autorização da Câmara dos Deputados para a
abertura de processo se restringe ao presidente e aos ministros de estado, não se estendendo
aos demais investigados (STF, INQ n. 4.483).

9.2. Foro para Julgamento de Presidente da República e Infrações a


que ele Responde

A primeira coisa que você deve saber é que não é qualquer demanda contra o presidente
que será julgada em um foro especial.

Exemplificando, ações cíveis e trabalhistas não contam com regra diferenciada, sendo julga-
das na 1ª instância.

Avançando, em regra, não há foro especial para o julgamento de ação popular ou ação civil
pública. Desse modo, mesmo que elas sejam propostas contra autoridades, a tramitação ocor-
rerá perante um juiz de 1ª instância (STF, PET n. 3.087).

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A prerrogativa de foro abrange especificamente os crimes, sejam comuns ou de res-


ponsabilidade.
Vejamos como fica o julgamento nessas hipóteses.

9.2.1. Crimes Comuns

Dentro da locução “crimes comuns” (ou infrações penais comuns) se inserem os crimes
comuns propriamente ditos e também as contravenções penais e os crimes eleitorais (STF,
RCL n. 511).
Tratando-se de crimes comuns, a competência para julgamento será do STF.
Aqui, cabem duas ponderações: a primeira, no sentido de que o Presidente só poderá ser
processado por fatos ocorridos na vigência do mandato.
Ou seja, por conta da imunidade relativa (ou inviolabilidade presidencial), os processos
relativos a fatos anteriores ao mandato ficarão suspensos. Nesse caso, não haverá contagem
do prazo prescricional.
A segunda ponderação é no sentido de que, mesmo os fatos ocorridos durante o mandato
só tramitarão se guardarem relação com o cargo de presidente da República.
Usando um exemplo esdrúxulo, caso o Presidente Jair Bolsonaro pratique ato de violência
doméstica contra a sua mulher, Michele, sem que haja motivação relacionada ao cargo, esse
crime relacionado à chamada Lei Maria da Penha ficará suspenso até que o mandato termine.
A prescrição, igualmente, ficará suspensa.
Agora, partindo para outra situação hipotética (outro exemplo dantesco), na qual o Pre-
sidente agrida sua esposa, tentando contra sua vida, diante de uma briga na qual a primeira-
-dama demonstre interesse em denunciar ao Ministério Público crimes praticados pelo Pre-
sidente e por sua equipe, relacionados ao mandato, estaríamos diante de caso a ser julgado
pelo STF mesmo na vigência do mandato.
Contudo, lembro que o julgamento pelo STF dependeria de autorização a ser dada por 2/3
dos membros da Câmara dos Deputados.
Havendo condenação, o Presidente estaria sujeito à prisão. Destaco que a Constituição
fala que não pode haver prisão antes da prolação de sentença.

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Assim, o presidente não estaria sujeito a prisão em flagrante ou temporária, nem mesmo
a preventiva a ser decretada durante as investigações ou mesmo na instrução, sem sentença.

A expressão “crimes comuns” também abrange as contravenções penais e os crimes eleitorais.

9.2.2. Crimes de Responsabilidade (Impeachment)

Além dos crimes comuns, os detentores de altos cargos públicos também podem pra-
ticar infrações político-administrativas que são chamadas crimes de responsabilidade (de
natureza política).
No artigo 85, a Constituição apresenta alguns exemplos de crimes de responsabilidade.
Ou seja, o rol é exemplificativo.
São considerados crimes de responsabilidade os atos que atentem contra:

a) a existência da União;
b) o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes
constitucionais das Unidades da Federação;
c) o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;
d) a segurança interna do País;
e) a probidade (honestidade) da administração;
f) a lei orçamentária;
g) descumprimento das leis e das decisões judiciais.

De acordo com o parágrafo único do art. 85, os crimes de responsabilidade – impeach-


ment ou impedimento – serão definidos em lei especial, que estabelecerá as normas de pro-
cesso e julgamento.
A lei referida é a Lei n. 1.079/1950 que, segundo o STF, em grande medida, foi recebida por
ser compatível com a Constituição.
Avançando, a sistemática relativa à definição dos crimes de responsabilidade e o estabe-
lecimento das normas de processo e julgamento são privativas da União (STF, SV n. 46).

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Em consequência, normas estaduais ou municipais que tipifiquem condutas como crime


de responsabilidade ou mesmo prevejam regras diversas daquelas constantes na Constituição
ou na Lei n. 1.079/1950 serão inconstitucionais.
É o que acontece, por exemplo, com as Constituições Estaduais que preveem caber à As-
sembleia Legislativa o julgamento do governador em crime de responsabilidade. Isso porque
o julgamento do chefe do Executivo Estadual no impeachment caberá a um Tribunal Especial,
composto pelo presidente do TJ, mais cinco desembargadores e cinco deputados – artigo 78,
§ 3º, da Lei n. 1.079/1950 (STF, ADI n. 4.791).
Voltando para o julgamento do presidente da República, além da Constituição e da Lei n.
1.079/1950, pode haver a aplicação subsidiária do Regimento Interno tanto da Câmara dos
Deputados quanto do Senado Federal, desde que as normas regimentais não estejam em
choque (STF, ADPF n. 378).
E, por falar na Lei n. 1.079/1950, o seu artigo 14 prevê que cabe a qualquer cidadão denun-
ciar o presidente da República nos crimes de responsabilidade.
Sendo negado o pedido pela Câmara dos Deputados, não há previsão de recurso contra
essa decisão.
Pensando no impeachment da ex-presidente Dilma, você deve se lembrar que o então
presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, negou uma série de pedidos e, ao final,
de um desentendimento político com o Partido dos Trabalhadores, recebeu a acusação for-
mulada por Janaína Paschoal, Miguel Reale Júnior e Hélio Bicudo.
Seguindo para a tramitação do pedido, admitida a acusação pela Câmara dos Deputados,
em quórum de 2/3, o processo será remetido ao Senado Federal.
Nesse ponto, houve uma importância modificação: o STF entendeu que o Senado Federal,
ao receber o processo vindo da Câmara dos Deputados, não estaria vinculado à instauração
do processo, devendo fazer uma análise prévia de admissibilidade.
Ou seja, em vez de ficar vinculado à manifestação da Câmara, o Senado deveria se ma-
nifestar expressamente se receberia – ou não – a denúncia autorizada pela Câmara. Nessa
manifestação, o quórum seria de maioria simples, exigindo-se o quórum de 2/3 apenas no
julgamento final (STF, ADPF n. 387).
Ah, diante do inegável clima hostil (para dizer o mínimo!) entre Dilma e Eduardo Cunha,
questionou-se sobre a possibilidade de aplicação das regras de suspeição ou impedimento

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relacionadas aos parlamentares, seja da Câmara dos Deputados (admissão da acusação),


seja do Senado Federal (julgamento no Crime de Responsabilidade). A esse respeito, o STF
entendeu pela inaplicabilidade das regras de suspeição e de impedimento previstas nos Có-
digos de Processo (STF, MS n. 21.623).
Se na relação entre Dilma e Eduardo Cunha o clima era tenebroso, não há dúvidas de que
Arthur Lira era aliado político de Jair Bolsonaro.
Digo isso porque chegaram ao STF pedidos para que fosse determinado ao Presidente da
Câmara dos Deputados que analisasse e encaminhasse os pedidos de impeachment contra
Bolsonaro.
Porém, o tribunal entendeu que feriria a separação dos Poderes uma determinação do
Judiciário nesse sentido, pois a análise é política, não jurídica (STF, MS 38.034).
Instruído o processo, sob a presidência do presidente do STF, o julgamento final do impe-
achment caberá ao Plenário do Senado Federal. Para que haja a condenação, novamente se
exige quórum qualificado de 2/3 (dois terços) dos senadores.
Um ponto importantíssimo: em respeito à separação dos Poderes, não cabe ao STF rever
a condenação proferida pelo Senado Federal.
Em outras palavras, não se admite que o STF reveja o mérito (se a condenação era devida ou não).
Entretanto, o Tribunal pode – e deve! – observar a observância dos direitos e das garan-
tias constitucionais (devido processo legal, contraditório, ampla defesa etc.) durante a trami-
tação do processo em qualquer das Casas Legislativas.
A condenação no impeachment é política, e não penal. Ela autoriza a imposição de
duas sanções:

a) perda da função pública;


b) inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública.

Por ser mais recente, você provavelmente se lembra o que aconteceu no julgamento da
ex-presidente Dilma. Então, vou fazer um paralelo entre ele e o julgamento do ex-presidente Collor.
No caso de Fernando Collor, buscando escapar do processo de cassação, ele, na véspera do
julgamento, renunciou ao mandato. Qual era a estratégia? Escapar da inabilitação por oito anos...

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Sua tentativa não deu certo... Isso porque o STF entendeu que a renúncia ao cargo, apre-
sentada durante a sessão de julgamento, não paralisaria o processo de impeachment (STF,
MS 21.689).
Ou seja, no final das contas, acabou havendo o fatiamento das sanções.

Como assim, professor?

Ora, se as punições (perda do cargo e inabilitação por oito anos) fossem atreladas, Collor
escaparia sem sofrer nenhuma delas, uma vez que a sanção de perda da função não poderia
ser aplicada diante da renúncia ao cargo.
Vou analisar agora a situação do impeachment de Dilma Rousseff.
Durante a votação, os senadores findaram separando os quesitos. Primeiro, votou-se fa-
voravelmente à perda do cargo. Em seguida, não se aplicou a inabilitação por oito anos.
Dito em outras palavras, novamente se fatiou, impondo-se apenas uma das punições.
Houve questionamento perante o STF, por parte de alguns parlamentares, que impetraram
vários mandados de segurança. As liminares foram indeferidas, mas o mérito dos pedidos
ainda não foi julgado.

A condenação no impeachment é política, e não penal. Ela não pode ser revista pelo STF. O
Tribunal só pode analisar se foi observado o devido processo legal.

9.3. Hipóteses de Afastamento do Presidente da República

O Presidente ficará suspenso de suas funções:

I – nas infrações penais comuns, se recebida a denúncia ou queixa-crime pelo Supremo Tribunal
Federal;
II – nos crimes de responsabilidade, após a instauração do processo pelo Senado Federal.

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No intuito de evitar o afastamento indeterminado do presidente, o § 2º do art. 85 traz a


regra segundo a qual se, decorrido o prazo de 180 (cento e oitenta dias), o julgamento não es-
tiver concluído, cessará o afastamento do presidente, sem prejuízo do regular prosseguimento
do processo.
Frisando: depois dos 180 dias, se o processo não estiver concluído, o Presidente volta para
o cargo, mas o processo não se encerra. Correrá com ele sentado na cadeira presidencial.
Ah, eu falei lá em cima e vou repetir aqui: o Plenário do STF entendeu que a autoridade da
linha sucessória que tenha uma denúncia recebida contra si poderia ficar em seu cargo, mas
ficaria impedido de assumir a Presidência da República (STF, ADPF n. 402).

Exemplificando, na ausência de Jair Bolsonaro, a Presidência da República deveria ser ocupa-


da pelo vice-presidente. Seguindo-se a ordem, se Hamilton Mourão também estivesse fora do
país, a bola passaria para o presidente da Câmara dos Deputados. Em seu impedimento, pula-
ríamos para o presidente do Senado. Se ele tiver uma denúncia recebida, nós pularíamos para
o próximo da lista, que é o presidente do STF.

Sistematizando:

AFASTAMENTO DO PRESIDENTE
Crimes comuns Crimes de responsabilidade
Se o STF receber a denúncia ou queixa-crime Se o Senado instaurar o processo
Observação: em ambos os casos, o afastamento não pode durar mais que 180 dias. Se o processo não tiver
acabado, presidente retorna ao cargo, mas processo seguirá.

9.4. Restrições à Prisão


Eu também já falei sobre esse tema, de passagem, quando tratamos sobre os crimes co-
muns (item 9.2.1).
Enquanto não for proferida sentença condenatória, nas infrações comuns, o presidente da
República não estará sujeito a prisão.
Note que mesmo em caso de flagrante delito não há hipótese de prisão. A regra cons-
titucional não autoriza prisões em flagrante nem temporárias, em razão da importância do
cargo ocupado.

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Por se tratar de regra inerente à Chefia de Estado, não se estende a nenhuma outra pessoa.
É de ver que o governador – chefe de governo estadual – poderá ser preso em qualquer mo-
mento. Foi o que aconteceu no Distrito Federal e no estado do Amapá há poucos anos.

9.5. Imunidade Relativa ou Inviolabilidade

Na vigência de seu mandato, o Presidente não pode ser responsabilizado por atos estra-
nhos ao exercício de suas funções.
Em julgamento relacionado ao ex-presidente Collor, o STF entendeu que a regra da imuni-
dade relativa também alcança as infrações penais cometidas antes da vigência do mandato
(STF, APN n. 305).
Outro ponto que deve ser destacado é o de que a regra da imunidade relativa não se esten-
de às outras autoridades, pois ela abrange unicamente o chefe de Estado.
Assim, os outros chefes de governo (governadores e prefeitos) não contam com as se-
guintes prerrogativas:

a) necessidade de prévia licença da Casa Legislativa para a abertura de processos (STF,


ADI 4.797);
b) não ser preso antes da prolação de sentença condenatória; e
c) não ser processado por atos estranhos ao exercício de suas funções (STF, ADI 1.027).

Sistematizando:

Imunidade a Prisão Presidente só pode ser preso após prolação de sen-


tença. Não cabe prisão em flagrante, temporária ou
preventiva.
Imunidade a processo Na vigência do mandato, Presidente não pode ser
processado por atos estranhos ao exercício das fun-
ções (cometidos antes ou durante mandato).
Com o fim do mandato, os processos que estavam parados voltam a tramitar na 1ª instância

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Na vigência de seu mandato, o Presidente não responde por atos estranhos ao exercício de
suas funções. Nesse caso, tanto o processo quanto o prazo prescricional ficarão suspensos.

10. Ministros de Estado

Vou mandar logo de cara uma tabela para agilizar as coisas:

MINISTROS DE ESTADO
Idade mínima 21 anos
Precisa ser brasileiro nato? Não, exceto o Ministro da Defesa
Quem vai julgá-los? Crimes comuns STF
CR s/ conexão com PR ou VICE-PR STF
CR c/ conexão com PR ou VICE-PR Senado

Consta no art. 87 que os ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros com mais
de 21 (vinte e um) anos e no exercício dos direitos políticos.
Um ponto recorrente nas provas: o ministro de Estado da Defesa é o único que deve ser
brasileiro nato. Assim, mesmo os ministros da Justiça e das Relações Exteriores podem ser
naturalizados.
Há alguns cargos que são equiparados ao de Ministro de Estado. É o caso, por exemplo,
do Presidente do Banco Central e do advogado-geral da União.
Aliás, em relação ao AGU, há dois pontos que devem ser destacados porque o diferenciam
dos outros ministros de Estado:
a) a idade mínima para ser AGU é de 35 anos (artigo 131, § 1º, da Constituição), enquanto
a dos demais ministros de Estado é de apenas 21 anos.
b) nos crimes comuns e nos crimes de responsabilidade os ministros de Estado são julga-
dos originariamente pelo STF.
Excepcionalmente, eles responderão perante o Senado Federal quando o crime de respon-
sabilidade tiver sido praticado em conexão com o Presidente ou o vice-presidente da República.

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Quanto ao AGU, no entanto, independentemente de haver ou não conexão com o Presiden-


te ou o vice-presidente, ele sempre será julgado no Senado Federal no crime de responsabili-
dade, por conta de regra específica, prevista no artigo 52, II, da Constituição.
Em razão dessas particularidades, é como se o AGU fosse um ‘superministro’.
Sistematizando:

Ministro de Estado AGU


Idade mínima 21 anos 35 anos
Foro para julgamento em crime de Em regra, no STF. Só vai para o Sempre no Senado, havendo ou
responsabilidade Senado se houver conexão com PR não conexão
ou vice-PR.

10.1. Atribuições dos Ministros de Estado

Compete ao ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constitui-


ção e na lei:

I – exercer a orientação, coordenação e supervisão dos órgãos e entidades da administração fe-


deral na área de sua competência e referendar os atos e decretos assinados pelo presidente da
República;
II – expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos;
III – apresentar ao presidente da República relatório anual de sua gestão no Ministério;
IV – praticar os atos pertinentes às atribuições que lhe forem outorgadas ou delegadas pelo pre-
sidente da República.

O art. 88, na redação dada pela EC n. 32/2001, diz que a lei disporá sobre a criação e ex-
tinção de Ministérios e órgãos da administração pública.
Vale lembrar que o presidente da República pode, por meio de decreto, dispor sobre a or-
ganização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de des-
pesa nem criação ou extinção de órgãos públicos.

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11. Conselho da República

O Conselho da República é órgão superior de consulta do presidente da República, e dele


participam:

I – o vice-presidente da República;
II – o Presidente da Câmara dos Deputados;
III – o Presidente do Senado Federal;
IV – os líderes da maioria e da minoria na Câmara dos Deputados;
V – os líderes da maioria e da minoria no Senado Federal;
VI – o Ministro da Justiça;
VII – seis cidadãos brasileiros natos, com mais de trinta e cinco anos de idade, sendo dois nomea-
dos pelo presidente da República, dois eleitos pelo Senado Federal e dois eleitos pela Câmara dos
Deputados, todos com mandato de três anos, vedada a recondução.

No item VII, ao falar dos seis cidadãos natos, temos uma das hipóteses constitucionais de
diferenciação entre natos e naturalizados.
As outras três situações estão relacionadas à possibilidade de extradição (artigo 5º, LII),
aos cargos privativos de brasileiros natos (artigo 12, § 3º) e à propriedade de empresa jorna-
lística (artigo 222).
Segundo o art. 90 da CF, cabe ao Conselho da República pronunciar-se sobre intervenção
federal, estado de defesa e estado de sítio, além de questões relevantes para a estabilidade
das instituições democráticas.
Além dos membros natos – os que naturalmente integram o conselho (não confundir
nacionalidade) –, o presidente da República poderá convocar Ministro de Estado para parti-
cipar da reunião do Conselho, quando constar da pauta questão relacionada com o respec-
tivo Ministério.
A lei regulará a organização e o funcionamento do Conselho da República.
Para o STF, os Estados podem criar conselho de governo, nos moldes do Conselho da República.
Entretanto, o Conselho Estadual não pode contar com membros que não guardem sime-
tria com o modelo federal. Assim, o Tribunal reconheceu a inconstitucionalidade da inclusão
do procurador-geral de Justiça (PGJ) e dos presidentes do TJ e do TCE no órgão consultivo
(STF, ADI n. 106).

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Poder Executivo
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Nem todos os membros do Conselho da República precisam ser brasileiros natos. A possibili-
dade de ser brasileiro naturalizado atingiria, entre outros, o ministro da justiça e os líderes da
maioria e da minoria nas Casas do Congresso Nacional.

12. Conselho de Defesa Nacional

Além do Conselho da República, também existe o Conselho de Defesa Nacional. Ele é ór-
gão de consulta do presidente da República nos assuntos relacionados com a soberania na-
cional e a defesa do Estado democrático, e dele participam como membros natos:

I – o vice-presidente da República;
II – o Presidente da Câmara dos Deputados;
III – o Presidente do Senado Federal;
IV – o Ministro da Justiça;
V – o Ministro da Defesa;
VI – o Ministro das Relações Exteriores;
VII – o Ministro do Planejamento;
VIII – os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica.

Compete ao Conselho de Defesa Nacional:

a) opinar nas hipóteses de declaração de guerra e de celebração da paz, nos termos desta Cons-
tituição;
b) opinar sobre a decretação do estado de defesa, do estado de sítio e da intervenção federal;
c) propor os critérios e condições de utilização de áreas indispensáveis à segurança do território
nacional e opinar sobre seu efetivo uso, especialmente na faixa de fronteira e nas relacionadas com
a preservação e a exploração dos recursos naturais de qualquer tipo;
d) estudar, propor e acompanhar o desenvolvimento de iniciativas necessárias a garantir a inde-
pendência nacional e a defesa do Estado democrático.

Por fim, o STF entende que a manifestação do Conselho de Defesa Nacional não é requi-
sito de validade da demarcação de terras indígenas, mesmo daquelas situadas em região de
fronteira (STF, MS n. 25.483).

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Hora de sistematizar:

Conselho da República Conselho de Defesa Nacional


Atribuições Pronunciar-se sobre intervenção - Opinar nas hipóteses de declara-
federal, estado de defesa e estado ção de guerra e de celebração da
de sítio, além de questões relevan- paz, nos termos desta Constitui-
tes para a estabilidade das institui- ção.
ções democráticas - Opinar sobre a decretação do
estado de defesa, do estado de sítio
e da intervenção federal.
- Propor os critérios e condições de
utilização de áreas indispensáveis
à segurança do território nacio-
nal e opinar sobre seu efetivo uso,
especialmente na faixa de fronteira
e nas relacionadas com a preser-
vação e a exploração dos recursos
naturais de qualquer tipo.
- Estudar, propor e acompanhar
o desenvolvimento de iniciati-
vas necessárias a garantir a inde-
pendência nacional e a defesa do
Estado democrático.
Composição I – o Vice-Presidente da República; I – o Vice-Presidente da República;
II – o Presidente da Câmara dos II – o Presidente da Câmara dos
Deputados; Deputados;
III – o Presidente do Senado Fede- III – o Presidente do Senado Fede-
ral; ral;
IV – os líderes da maioria e da IV – o Ministro da Justiça;
minoria na Câmara dos Deputados; V – o Ministro da Defesa;
V – os líderes da maioria e da mino- VI – o Ministro das Relações Exte-
ria no Senado Federal; riores;
VI – o Ministro da Justiça; VII – o Ministro do Planejamento;
VII – seis cidadãos brasileiros VIII – os Comandantes da Marinha,
natos, com mais de trinta e cinco do Exército e da Aeronáutica.
anos de idade, sendo dois nomea-
dos pelo Presidente da República,
dois eleitos pelo Senado Federal e
dois eleitos pela Câmara dos Depu-
tados, todos com mandato de três
anos, vedada a recondução.

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13. Tópico Especial: Súmulas Aplicáveis à Aula

Súmulas Vinculantes – STF

Súmula Vinculante n. 46
A definição dos crimes de responsabilidade e o estabelecimento das respectivas normas
de processo e julgamento são da competência legislativa privativa da União.

Súmulas STF – não Vinculantes

Súmula n. 5. A sanção do projeto supre a falta de iniciativa do Poder Executivo.


(Atenção: esta súmula não foi formalmente cancelada, mas não vigora na atualidade, por-
que se entende que vício de iniciativa não se convalida nem mesmo com a sanção.
Súmula n. 6
A revogação ou anulação, pelo Poder Executivo, de aposentadoria ou qualquer outro ato
aprovado pelo Tribunal de Contas não produz efeitos antes de aprovada por aquele Tribunal,
ressalvada a competência revisora do Judiciário.
Súmula n. 627
No mandado de segurança contra a nomeação de magistrado da competência do presi-
dente da República, este é considerado autoridade coatora, ainda que o fundamento da impe-
tração seja nulidade ocorrida em fase anterior ao procedimento.

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QUESTÕES DE CONCURSO
Atribuições e Responsabilidades do Presidente

Questão 1 (Q1866800/SEFAZ-ES/AUDITOR-FISCAL/2021) Sensível à necessidade de ze-


lar pela probidade administrativa, a Assembleia Legislativa do Estado Alfa promulgou a Emen-
da Constitucional n. XX/2019, de iniciativa parlamentar, dispondo sobre as infrações político-
-administrativas passíveis de serem praticadas pelo Governador do Estado, as quais poderiam
acarretar, na hipótese de condenação, a perda do mandato eletivo e a inabilitação para o exer-
cício de outra função pública.
A Emenda Constitucional n. XX/2019 é:
a) formalmente inconstitucional, pois a matéria deve ser disciplinada em lei ordinária estadual,
de iniciativa exclusiva do Chefe do Poder Executivo;
b) formalmente inconstitucional, pois a matéria só pode ser disciplinada pela Constituição da
República de 1988, não pela legislação infraconstitucional;
c) formal e materialmente constitucional, considerando o disposto na Constituição da Repúbli-
ca de 1988 e o princípio da simetria;
d) materialmente inconstitucional apenas em relação à sanção de inabilitação, que não pode
ser cominada;
e) formalmente inconstitucional, pois a matéria é de competência legislativa privativa da União.

Questão 2 (Q1143841/MP-RJ/ANALISTA PROCESSUAL/2019) O Presidente da Repúbli-


ca delegou ao Ministro de Estado da Pasta WW a competência para editar decreto visando à
extinção de cargos públicos, quando vagos.
À luz da sistemática constitucional e da competência atribuída ao Supremo Tribunal Federal
(STF) e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para o julgamento de mandados de segurança, é
correto afirmar que a delegação foi:
a) irregular, considerando que a matéria era insuscetível de delegação, e os mandados de se-
gurança impetrados contra os atos do Ministro são julgados pelo STJ;
b) regular, considerando que a matéria era suscetível de delegação, e os mandados de segu-
rança impetrados contra os atos do Ministro são julgados pelo STJ;

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c) irregular, considerando que a delegação não foi ratificada pelo Legislativo, e os mandados
de segurança impetrados contra os atos do Ministro são julgados pelo STF;
d) regular, considerando que a extinção de cargos vagos já é de competência dos Ministros, e
os mandados de segurança impetrados contra os atos do Ministro são julgados pelo STF;
e) irregular, considerando que os cargos vagos, criados por lei, devem ser extintos por lei, e os
mandados de segurança impetrados contra os atos do Ministro são julgados pelo STJ.

Questão 3 (Q913487/MP-AL/TÉCNICO/2018) Tão logo foi noticiado o falecimento de um


Ministro do Supremo Tribunal Federal, o Presidente da República recebeu comunicado, exa-
rado por associação de classe, de que, escolhido o candidato pela Câmara dos Deputados e
aprovado o nome pelo Senado Federal, ele seria nomeado pelo Presidente da República.
À luz da sistemática constitucional, o referido procedimento está errado, porque
a) a escolha e a nomeação competem ao Presidente da República, enquanto a aprovação cabe
ao Senado Federal.
b) a escolha e a aprovação competem ao Presidente da República, enquanto a nomeação cabe
ao Senado Federal.
c) a escolha compete ao Presidente da República, a aprovação à Câmara dos Deputados e a
nomeação ao Senado Federal.
d) a escolha e a aprovação competem ao Senado Federal, enquanto a nomeação cabe ao Pre-
sidente da República.
e) a escolha compete ao Presidente da República, enquanto a aprovação e a nomeação cabem
ao Senado Federal.

Questão 4 (Q956803/PREFEITURA DE NITERÓI/ANALISTA/2018) Em relação ao Presi-


dente da República e às suas atribuições constitucionais, assinale V para a afirmativa verda-
deira e F para a falsa.
( ) No caso de infrações penais comuns, admitida a acusação contra o Presidente da Repúbli-
ca, por dois terços do Congresso Nacional, será ele submetido a julgamento perante o Supre-
mo Tribunal Federal.
( ) Compete ao Presidente da República a escolha dos Ministros do Tribunal de Contas da
União.

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( ) O Presidente da República pode alterar a estrutura e extinguir órgãos públicos, desde que
não haja aumento de despesa.
Na ordem apresentada, as afirmativas são, respectivamente,
a) V – F – V.
b) F – V – F.
c) F – F – V.
d) V – V – F.
e) F – F – F.

Questão 5 (Q878323/TJ-AL/TÉCNICO/2018) O Presidente da República foi acusado da


prática de crime de responsabilidade perante o Senado Federal. Em resposta, afirmou que a
acusação não poderia ser endereçada à referida Casa Legislativa.
À luz da sistemática constitucional, a defesa apresentada pelo Presidente da República deve
ser:
a) acolhida, pois a acusação deveria ter sido endereçada ao Supremo Tribunal Federal;
b) rejeitada, pois o Senado Federal deve receber a acusação para que o processo se inicie no
Supremo Tribunal Federal;
c) acolhida, pois a acusação deveria ter sido endereçada ao Superior Tribunal de Justiça;
d) rejeitada, pois o Senado Federal deve receber a acusação para que o processo se inicie na
Câmara dos Deputados;
e) acolhida, pois a acusação deveria ter sido endereçada à Câmara dos Deputados.

Questão 6 (Q909864/CÂMARA DE SALVADOR/ANALISTA LEGISLATIVO/2018) Um jor-


nal de grande circulação divulgou que João, Presidente da República, teria praticado uma série
de condutas ilícitas, todas tecnicamente consideradas crimes de responsabilidade.
À luz da sistemática constitucional, é correto afirmar que João, em casos como esse, deve ser
processado e julgado:
a) pelo Supremo Tribunal Federal, após autorização do Senado Federal;
b) pelo Senado Federal, após autorização da Câmara dos Deputados;
c) pela Câmara dos Deputados, após autorização do Senado Federal;
d) pelo Supremo Tribunal Federal, após autorização da Câmara dos Deputados;
e) pelo Senado Federal, após autorização do Supremo Tribunal Federal.
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Questão 7 (SEPOG-RO/ANALISTA DE PLANEJAMENTO/2017) O Presidente da Repúbli-


ca, após a análise de sua assessoria, editou decreto extinguindo certo quantitativo de cargos
públicos vagos e organizando um setor da administração pública federal. Essa última medida
não acarretou aumento de despesa ou a criação ou extinção de órgãos públicos.
João, que vinha se preparando para diversos concursos públicos, sentiu-se prejudicado com o
decreto e solicitou que o seu advogado procedesse à sua análise.
À luz da narrativa acima e das competências constitucionais do Presidente da República e do
Poder Legislativo, assinale a afirmativa correta.
a) Ambas as matérias versadas no decreto são de competência do Poder Legislativo, não do
Presidente da República.
b) O decreto somente poderia ter versado sobre a extinção de cargos públicos vagos, não so-
bre a organização administrativa.
c) Ambas as matérias versadas no decreto são de competência do Presidente da República.
d) O decreto somente poderia ter versado sobre a organização administrativa, não sobre a ex-
tinção de cargos públicos vagos.
e) O decreto somente poderia incursionar nas matérias de que tratou se existisse lei delegada
autorizando-o.

Questão 8 (TRT 12ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2017) Certo profissional da área jurí-


dica foi questionado sobre as características do processo e do julgamento do Presidente da
República pela prática de crimes de responsabilidade. Em resposta, afirmou que a instauração
do processo deve ser autorizada pela Câmara dos Deputados, o processamento e o julgamen-
to ficam a cargo do Senado Federal, bem como que a perda da função é decidida pelo Presi-
dente do Supremo Tribunal Federal.
À luz da sistemática constitucional, essa resposta é:
a) totalmente incorreta, pois todas as questões envolvendo o julgamento por crimes de respon-
sabilidade devem ser decididas pelas duas Casas Legislativas em conjunto;
b) parcialmente correta, pois a instauração do processo deve ser autorizada pelo Senado Fede-
ral e o julgamento fica a cargo da Câmara dos Deputados;
c) totalmente correta, pois a separação entre as funções estatais exige que cada fase do pro-
cesso de responsabilização seja dividida entre poderes distintos;

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d) parcialmente correta, pois a decisão a respeito da perda da função fica a cargo do Senado
Federal, que a proferirá quando do julgamento;
e) parcialmente correta, pois a Câmara dos Deputados deve autorizar a instauração do proces-
so e, após o julgamento pelo Senado, decidir a respeito da perda da função.

Questão 9 (PREFEITURA DE CUIABÁ/NÍVEL SUPERIOR/2015) Decorridos pouco mais de


cem dias após o início da sessão legislativa, constatou-se que o Presidente da República não
havia apresentado as contas de governo correspondentes ao exercício anterior.
À luz da sistemática constitucional, é correto afirmar que, em situações dessa natureza, com-
pete
a) ao Congresso Nacional julgar as contas com base nos relatórios elaborados pela equipe
técnica.
b) ao Congresso Nacional, por intermédio do Tribunal de Contas, proceder à tomada de contas
do Presidente da República.
c) ao Senado Federal proceder à tomada de contas do Presidente da República.
d) ao Congresso Nacional dar início ao processo, por crime de responsabilidade, contra o Pre-
sidente da República.
e) à Câmara dos Deputados proceder à tomada de contas do Presidente da República.

Questão 10 (DETRAN-MA/ANALISTA DE TRÂNSITO/2013) O servidor público Pedro, em


exercício na Secretaria Estadual de Transportes do Estado X, é questionado sobre a aplicação
de determinada norma federal incidente sobre ato a ser praticado no âmbito da sua repartição
pública. Pesquisando o tema, apresenta breve nota, em que indica a necessidade de comple-
mentação normativa sobre o tema.
Observado o enunciado, uma das competências previstas para o Presidente da República, na
Constituição Federal, aplicáveis ao caso, consiste em
a) sancionar leis.
b) vetar projetos de lei.
c) organizar a administração.
d) celebrar convenções.
e) expedir regulamentos.

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Questão 11 (TJ-AM/ANALISTA JUDICIÁRIO/2013) As alternativas a seguir apresentam atri-


buições do Presidente da República, à exceção de uma. Assinale-a.
a) A escolha de dois terços dos Ministros do Tribunal de Contas da União.
b) O veto a projetos de lei de iniciativa popular.
c) Dispor, mediante decreto, sobre a extinção de cargos públicos vagos.
d) Decretar intervenção federal.
e) A celebração de tratados internacionais que disponham em sentido contrário à legislação
vigente.

Questão 12 (AL-MA/ADVOGADO/2013) Assinale a alternativa que indica a função exercida


pelo presidente da República, dentre as previstas no texto constitucional federal, considerada
como inerente à função de Chefia de Governo.
a) Celebrar a paz, autorizado ou com o referendo do Congresso Nacional.
b) Presidir o Conselho de Defesa Nacional.
c) Enviar ao Congresso Nacional o plano plurianual previsto na Constituição.
d) Manter relações com Estados estrangeiros e acreditar seus representantes diplomáticos.
e) Celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Na-
cional.

Questão 13 (MP-MS/ANALISTA PROCESSUAL/2013) O Presidente da República, durante


entrevista coletiva, agrediu, com socos e pontapés, um jornalista que fez uma pergunta relativa
à ocorrência de desvio de recursos em obras públicas federais, conduta atribuída a um dos
Ministros de Estado, filiado ao mesmo partido político do Presidente. Nesse caso,
a) será necessário aguardar o final do mandato presidencial para dar início à persecução penal.
b) o Presidente da República somente poderá ser submetido a julgamento após autorização
do Senado Federal.
c) o Supremo Tribunal Federal é o órgão competente para proceder ao julgamento do Presidente.
d) a agressão ao jornalista configura crime de responsabilidade do Presidente da República.
e) o Presidente da República tem imunidade em relação à prática dos crimes comuns.

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Poder Executivo

Ministros de Estado Aragonê Fernandes

Questão 1 (Q1862402/TCE-AM/AUDITOR/2021) João, ao assumir o Ministério ZZ, ques-


tionou sua assessoria a respeito das atribuições que, por imposição constitucional, teria em
relação ao Presidente da República. Em resposta, João foi informado de que deveria: (I) refe-
rendar atos e decretos assinados pelo Chefe do Poder Executivo; (II) apresentar relatório anual;
(III) praticar atos concernentes às atribuições que lhe forem outorgadas ou delegadas; e (IV)
conferir condecorações e distinções honoríficas.
À luz da sistemática constitucional, estão corretas as atribuições referidas em:
a) I, II, III e IV;
b) II, III e IV;
c) I, II e III;
d) I e IV;
e) I e II.

Questão 2 (Q1120904/TJ-CE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2019) Maria, recém-empossada Mi-


nistra de Estado, foi informada por um assessor próximo que lhe competiria (1) expedir instru-
ções para a execução das leis, (2) exercer a coordenação dos órgãos e entidades da Adminis-
tração Indireta e (3) nomear os membros do Conselho da República.
À luz da sistemática constitucional, é correto afirmar, em relação às competências acima des-
critas, que:
a) todas devem ser exercidas pelo Ministro de Estado;
b) apenas a referida em (1) não deve ser exercida pelo Ministro de Estado, pois é privativa do
Presidente da República;
c) apenas a referida em (2) não deve ser exercida pelo Ministro de Estado, pois é privativa do
Presidente da República;
d) apenas a referida em (3) não deve ser exercida pelo Ministro de Estado, pois é privativa do
Presidente da República;
e) nenhuma delas deve ser exercida pelo Ministro de Estado, pois são privativas do Presidente
da República.

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Poder Executivo
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Questão 3 (PREFEITURA DE SALVADOR/NÍVEL SUPERIOR/2017) João da Silva, Ministro
de Estado, praticou condutas que podem ser enquadradas nas figuras tipológicas dos crimes
comuns e dos crimes de responsabilidade. Preocupado com a grande repercussão dos fatos,
solicitou a orientação de um advogado para delinear sua estratégia de defesa.
De acordo com o advogado, caso o Ministro de Estado viesse a ser acusado, (I) os crimes
comuns seriam julgados pelo Poder Judiciário; (II) os crimes de responsabilidade seriam jul-
gados pelo Poder Legislativo; e (III) o Poder Legislativo poderia deliberar pela sustação do
andamento das ações.
À luz dos dados fornecidos, assinale a opção que indica as orientações fornecidas pelo advo-
gado que se harmonizam com a sistemática constitucional.
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) II e III, apenas.
d) I e III, apenas.
e) I, II e III.

Questão 4 (PGM/NITERÓI/PROCURADOR/2014) Em relação aos Ministros de Estado e


aos atos praticados no exercício de suas competências constitucionais, assinale a afirmativa
correta.
a) As instruções normativas que eles venham a editar não estão sujeitas ao controle concen-
trado de constitucionalidade.
b) Não estão constitucionalmente obrigados a referendar atos praticados pelo Presidente da
República.
c) Devem ser escolhidos dentre brasileiros natos, maiores de vinte e um anos e no exercício
dos direitos políticos.
d) Devem prestar às comissões do Congresso Nacional informações atinentes às suas atribui-
ções.
e) Somente devem referendar os projetos de lei e as medidas provisórias assinadas pelo Pre-
sidente da República.

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Temas Gerais Aragonê Fernandes

Questão 1 (PROCEMPA/ANALISTA ADMINISTRATIVO/2014) Eurípedes pretende candi-


datar-se a Presidente da República e apresenta sua candidatura pelo partido B, tendo realizado
campanha popular, com intensa repercussão social. Após campanha de sucesso, obtém maio-
ria absoluta dos votos, sendo eleito no primeiro turno da eleição, tomando posse e cumprindo
seu mandato.
Apesar do sucesso administrativo da sua gestão, Eurípedes foi surpreendido pela denúncia de
um cidadão, ao Congresso Nacional, de que ele cometera crime de responsabilidade.
Nesse caso, nos termos da Constituição, deve ocorrer
a) a rejeição liminar da denúncia do cidadão, por não ter legitimidade para o processo.
b) a análise da acusação, e, se acatada, será examinada, em juízo de admissibilidade, pela
Câmara dos Deputados.
c) a admissibilidade da acusação e o julgamento de mérito pelo Supremo Tribunal Federal.
d) o acatamento por maioria absoluta da Câmara dos Deputados e o seu julgamento de mérito,
também por maioria absoluta.
e) a aceitação da acusação por comissão da Câmara do Deputados, e o processo será enca-
minhado ao Senado para julgamento de mérito.

Questão 2 (AL-BA/NÍVEL SUPERIOR/2014) Em caso de vacância dos cargos de Presiden-


te e Vice-Presidente da República, por falta de posse na data fixada, a Constituição Federal
determina que assumirá a Presidência da República
a) o Presidente do Supremo Tribunal Federal.
b) o Presidente da Câmara dos Deputados.
c) o Presidente do Senado Federal.
d) o Presidente do Congresso Nacional.
e) o Presidente do Superior Tribunal de Justiça.

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Questão 3 (TJ-AM/ANALISTA JUDICIÁRIO/2013) A Constituição da República Federativa


do Brasil dispõe que, em caso de impedimento do Presidente e do Vice-Presidente, ou vacância
dos respectivos cargos, serão sucessivamente chamados ao exercício da Presidência.
a) o Presidente do Congresso Nacional, o Presidente do Supremo Tribunal Federal e o Procu-
rador Geral da República.
b) o Presidente da Câmara dos Deputados, o Presidente do Senado Federal e o Presidente do
Supremo Tribunal Federal.
c) o Presidente da Câmara dos Deputados, o Presidente do Supremo Tribunal Federal e o Pre-
sidente do Superior Tribunal de Justiça.
d) o Presidente do Congresso Nacional, o Presidente do Senado Federal e o Presidente da Câ-
mara dos Deputados.
e) o Presidente da Câmara dos Deputados, o Ministro da Justiça e o Presidente do Supremo
Tribunal Federal.

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Aragonê Fernandes

GABARITO
Atribuições e Responsabilidades do Presidente

1. e 6. b 11. a
2. b 7. c 12. c
3. a 8. d 13. c
4. e 9. e
5. e 10. e

Ministros de Estado

1. c 3. a
2. d 4. d

Temas Gerais

1. b
2. b
3. b

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GABARITO COMENTADO
Atribuições e Responsabilidades do Presidente

Questão 1 (Q1866800/SEFAZ-ES/AUDITOR-FISCAL/2021) Sensível à necessidade de ze-


lar pela probidade administrativa, a Assembleia Legislativa do Estado Alfa promulgou a Emen-
da Constitucional n. XX/2019, de iniciativa parlamentar, dispondo sobre as infrações político-
-administrativas passíveis de serem praticadas pelo Governador do Estado, as quais poderiam
acarretar, na hipótese de condenação, a perda do mandato eletivo e a inabilitação para o exer-
cício de outra função pública.
A Emenda Constitucional n. XX/2019 é:
a) formalmente inconstitucional, pois a matéria deve ser disciplinada em lei ordinária estadual,
de iniciativa exclusiva do Chefe do Poder Executivo;
b) formalmente inconstitucional, pois a matéria só pode ser disciplinada pela Constituição da
República de 1988, não pela legislação infraconstitucional;
c) formal e materialmente constitucional, considerando o disposto na Constituição da Repúbli-
ca de 1988 e o princípio da simetria;
d) materialmente inconstitucional apenas em relação à sanção de inabilitação, que não pode
ser cominada;
e) formalmente inconstitucional, pois a matéria é de competência legislativa privativa da União.

Matéria envolvendo a SV n. 46. Legislar sobre direito processual está dentro da competência
privativa da União. Portanto, a norma estadual é inconstitucional, por ferir o artigo 22, I, da CF.
A matéria, inclusive, é regulada atualmente pela Lei Federal n. 1.079/1950 (recepcionada, em
grande medida, pela atual Constituição). Não se fala em simetria, pois o PR, caso pratique ato
contra a probidade, estará sujeito a crime de responsabilidade, nos termos do artigo 85, V, da
CF, situação não estendida aos demais chefes de governo. Eles estão sujeitos à Lei de Impro-
bidade Administrativa.
Letra e.

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Questão 2 (Q1143841/MP-RJ/ANALISTA PROCESSUAL/2019) O Presidente da Repúbli-


ca delegou ao Ministro de Estado da Pasta WW a competência para editar decreto visando à
extinção de cargos públicos, quando vagos.
À luz da sistemática constitucional e da competência atribuída ao Supremo Tribunal Federal
(STF) e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para o julgamento de mandados de segurança, é
correto afirmar que a delegação foi:
a) irregular, considerando que a matéria era insuscetível de delegação, e os mandados de se-
gurança impetrados contra os atos do Ministro são julgados pelo STJ;
b) regular, considerando que a matéria era suscetível de delegação, e os mandados de segu-
rança impetrados contra os atos do Ministro são julgados pelo STJ;
c) irregular, considerando que a delegação não foi ratificada pelo Legislativo, e os mandados
de segurança impetrados contra os atos do Ministro são julgados pelo STF;
d) regular, considerando que a extinção de cargos vagos já é de competência dos Ministros, e
os mandados de segurança impetrados contra os atos do Ministro são julgados pelo STF;
e) irregular, considerando que os cargos vagos, criados por lei, devem ser extintos por lei, e os
mandados de segurança impetrados contra os atos do Ministro são julgados pelo STJ.

De acordo com o parágrafo único do art. 84 da CF, é permitido ao Presidente da República de-
legar essa função aos Ministros de Estado, ao PGR e ao AGU. Veja:

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:


VI – dispor, mediante decreto, sobre:
b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos;
Parágrafo único. O Presidente da República poderá delegar as atribuições mencionadas nos incisos
VI, XII e XXV, primeira parte, aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral da República ou ao Advo-
gado-Geral da União, que observarão os limites traçados nas respectivas delegações.

Ainda, a competência para o julgamento de MS contra atos de Ministros cabe ao STJ, conforme
estabelece o art. 105, I, “b”, da CF:

Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça:


I – processar e julgar, originariamente:
b) os mandados de segurança e os habeas data contra ato de Ministro de Estado, dos Comandantes
da Marinha, do Exército e da Aeronáutica ou do próprio Tribunal.

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Portanto, a letra B é a resposta correta.


Letra b.

Questão 3 (Q913487/MP-AL/TÉCNICO/2018) Tão logo foi noticiado o falecimento de um


Ministro do Supremo Tribunal Federal, o Presidente da República recebeu comunicado, exa-
rado por associação de classe, de que, escolhido o candidato pela Câmara dos Deputados e
aprovado o nome pelo Senado Federal, ele seria nomeado pelo Presidente da República.
À luz da sistemática constitucional, o referido procedimento está errado, porque
a) a escolha e a nomeação competem ao Presidente da República, enquanto a aprovação cabe
ao Senado Federal.
b) a escolha e a aprovação competem ao Presidente da República, enquanto a nomeação cabe
ao Senado Federal.
c) a escolha compete ao Presidente da República, a aprovação à Câmara dos Deputados e a
nomeação ao Senado Federal.
d) a escolha e a aprovação competem ao Senado Federal, enquanto a nomeação cabe ao Pre-
sidente da República.
e) a escolha compete ao Presidente da República, enquanto a aprovação e a nomeação cabem
ao Senado Federal.

As atribuições do Presidente da República estão descritas no artigo 84 da Constituição em


um rol que, apesar de extenso, é apenas exemplificativo, e não taxativo. Dentre elas está a de
nomear, após aprovação pelo Senado Federal, os Ministros do Supremo Tribunal Federal e dos
Tribunais Superiores, os Governadores de Territórios, o Procurador-Geral da República, o presi-
dente e os diretores do Banco Central e outros servidores, quando determinado em lei.
Portanto, o PR que deve escolher e nomear o novo Ministro do STF, enquanto cabe ao Senado
sua aprovação, por maioria absoluta, em sessão secreta. É bom lembrar que, mesmo após a
EC n. 76/2013, que acabou com o voto secreto para a apreciação dos vetos presidenciais e
para as votações sobre perda de mandato parlamentar, as sabatinas feitas pelo Senado pros-
seguem com o voto secreto.

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Logo, a letra A é a correta.


Letra a.

Questão 4 (Q956803/PREFEITURA DE NITERÓI/ANALISTA/2018) Em relação ao Presi-


dente da República e às suas atribuições constitucionais, assinale V para a afirmativa verda-
deira e F para a falsa.
( ) No caso de infrações penais comuns, admitida a acusação contra o Presidente da Repúbli-
ca, por dois terços do Congresso Nacional, será ele submetido a julgamento perante o Supre-
mo Tribunal Federal.
( ) Compete ao Presidente da República a escolha dos Ministros do Tribunal de Contas da
União.
( ) O Presidente da República pode alterar a estrutura e extinguir órgãos públicos, desde que
não haja aumento de despesa.
Na ordem apresentada, as afirmativas são, respectivamente,
a) V – F – V.
b) F – V – F.
c) F – F – V.
d) V – V – F.
e) F – F – F.

Vamos analisar cada item primeiro. O primeiro item está errado, pois a autorização para a ins-
tauração do processo contra o Presidente é competência privativa da Câmara dos Deputados,
não do Congresso Nacional (art. 51, I). O segundo item também está errado, pois a escolha dos
Ministros do TCU não é feita apenas pelo Presidente. Neste caso um terço será escolhido pelo
Presidente, e dois terços, pelo Congresso Nacional (art. 73, § 2º). Por fim, último item errado,
pois uma das competências do Presidente é dispor mediante decreto sobre a organização e
funcionamento da administração federal, mas apenas quando não implicar aumento de despe-
sa nem criação ou extinção de órgãos públicos (art. 84, VI). Logo, a alternativa E tem o gabarito
da questão.
Letra e.

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Questão 5 (Q878323/TJ-AL/TÉCNICO/2018) O Presidente da República foi acusado da


prática de crime de responsabilidade perante o Senado Federal. Em resposta, afirmou que a
acusação não poderia ser endereçada à referida Casa Legislativa.
À luz da sistemática constitucional, a defesa apresentada pelo Presidente da República deve ser:
a) acolhida, pois a acusação deveria ter sido endereçada ao Supremo Tribunal Federal;
b) rejeitada, pois o Senado Federal deve receber a acusação para que o processo se inicie no
Supremo Tribunal Federal;
c) acolhida, pois a acusação deveria ter sido endereçada ao Superior Tribunal de Justiça;
d) rejeitada, pois o Senado Federal deve receber a acusação para que o processo se inicie na
Câmara dos Deputados;
e) acolhida, pois a acusação deveria ter sido endereçada à Câmara dos Deputados.

Devemos lembrar que o Presidente da República só pode ser processado, seja por crime co-
mum, seja por crime de responsabilidade, após licença a ser dada pela Câmara dos Deputados,
em quórum de 2/3 de votos (ao menos 342 votos). Essa regra é extraída do artigo 51, I, da
Constituição.
Apenas quando instruído o processo, sob a presidência do Presidente do STF, o julgamento
final do impeachment caberá ao Plenário do Senado Federal. Para que haja a condenação, no-
vamente se exige quórum qualificado de 2/3 (dois terços) dos Senadores. Portanto, primeiro a
acusação deve ser levada à Câmara para aprovação, o que torna a Letra E gabarito da questão.
Letra e.

Questão 6 (Q909864/CÂMARA DE SALVADOR/ANALISTA LEGISLATIVO/2018) Um jor-


nal de grande circulação divulgou que João, Presidente da República, teria praticado uma série
de condutas ilícitas, todas tecnicamente consideradas crimes de responsabilidade.
À luz da sistemática constitucional, é correto afirmar que João, em casos como esse, deve ser
processado e julgado:
a) pelo Supremo Tribunal Federal, após autorização do Senado Federal;
b) pelo Senado Federal, após autorização da Câmara dos Deputados;
c) pela Câmara dos Deputados, após autorização do Senado Federal;

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d) pelo Supremo Tribunal Federal, após autorização da Câmara dos Deputados;


e) pelo Senado Federal, após autorização do Supremo Tribunal Federal.

O Presidente só pode ser processado, seja por crime comum, seja por crime de responsabi-
lidade, após licença a ser dada pela Câmara dos Deputados, em quórum de 2/3 de votos (ao
menos 342 votos). Essa regra é extraída do artigo 51, I, da Constituição. Instruído o processo,
sob a presidência do Presidente do STF, o julgamento final do impeachment caberá ao Plenário
do Senado Federal. Para que haja a condenação, novamente se exige quórum qualificado de
2/3 (dois terços) dos Senadores.
Acrescento que, em relação aos governadores e prefeitos, nos crimes comuns, não será exigi-
da licença da Casa Legislativa. Ao contrário, se houve previsão nesse sentido na Constituição
Estadual, o dispositivo será inconstitucional. Isso porque a prerrogativa é de chefe de Estado,
e não de chefe de governo.
Portanto, a Letra B é a correta.
Letra b.

Questão 7 (SEPOG-RO/ANALISTA DE PLANEJAMENTO/2017) O Presidente da Repúbli-


ca, após a análise de sua assessoria, editou decreto extinguindo certo quantitativo de cargos
públicos vagos e organizando um setor da administração pública federal. Essa última medida
não acarretou aumento de despesa ou a criação ou extinção de órgãos públicos.
João, que vinha se preparando para diversos concursos públicos, sentiu-se prejudicado com o
decreto e solicitou que o seu advogado procedesse à sua análise.
À luz da narrativa acima e das competências constitucionais do Presidente da República e do
Poder Legislativo, assinale a afirmativa correta.
a) Ambas as matérias versadas no decreto são de competência do Poder Legislativo, não do
Presidente da República.
b) O decreto somente poderia ter versado sobre a extinção de cargos públicos vagos, não so-
bre a organização administrativa.
c) Ambas as matérias versadas no decreto são de competência do Presidente da República.

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d) O decreto somente poderia ter versado sobre a organização administrativa, não sobre a ex-
tinção de cargos públicos vagos.
e) O decreto somente poderia incursionar nas matérias de que tratou se existisse lei delegada
autorizando-o.

Questões relativas ao artigo 84, VI, da Constituição, são muito frequentes não apenas nas pro-
vas da FGV, mas de todas as Bancas.
Começando pelo dispositivo constitucional, o artigo 84 da Constituição diz que compete ao
Presidente da República dispor, mediante decreto, sobre: a) organização e funcionamento da
administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de
órgãos públicos; e b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos.
Agora que você já viu o texto constitucional, vamos decompor as informações e acrescentar
mais algumas!
Se implicar aumento de despesa, criação ou extinção de órgãos públicos, competência será do
Congresso Nacional (art. 48), devendo ser elaborada lei.
Ah, essas matérias podem ser abordadas também por medida provisória, desde que não inci-
dam em nenhuma das proibições do artigo 62, § 1º, da Constituição.
Exemplificando, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio –
foi criado pela Medida Provisória n. 366/2007, sendo posteriormente convertido na Lei n.
11.516/2007.
Já dentro da letra B do inciso VI, é bom lembrar que, se cargos ou funções estiverem ocupados,
a competência para extinção será do Congresso Nacional (art. 48), também sendo necessária
a edição de lei.
Pelo princípio do paralelismo das formas – também chamado de simetria –, deve ser respeita-
da a paridade entre as formas de criação e extinção de entidades (autarquias, empresas públi-
cas, sociedades de economia mista e fundações) e de cargos públicos. Assim, como regra, o
cargo público é criado e extinto por meio de lei.
A possibilidade de o cargo vago ser extinto por meio de decreto é uma exceção a esse princí-
pio. Daí, a importância para as provas.

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Note-se que o decreto mencionado no artigo 84, VI, da Constituição, é chamado pela doutrina
de decreto autônomo. Tal denominação deriva do fato de que, em regra, os decretos são utili-
zados para regulamentar as leis, sendo, por isso, chamados de atos normativos secundários.
Vale dizer, as leis são atos normativos primários e se submetem a controle de constituciona-
lidade.
Por sua vez, os decretos são atos normativos secundários, prestando-se para regulamentar as
leis. Sujeitam-se a controle de legalidade, e não de constitucionalidade.
Avançando, o decreto autônomo leva esse nome por não regulamentar lei alguma. Ele se sub-
mete diretamente a controle de constitucionalidade. É, então, considerado um ato normativo
primário.
Sistematizando...

Constituição Constituição

Lei (ato primário) ––––––

Decreto Regulamentar (ato secundário) Decreto Autônomo (ato primário)

Por outro ângulo...

Espécie Submissão Classificação

Ato normativo
Decretos regulamentares À lei e à CF
secundário

Decretos autônomos Somente à CF Ato normativo primário

Uma última coisa: a figura do decreto autônomo foi inserida pela EC n. 32/2001, o que gerou
questionamentos quanto à sua constitucionalidade (não se discute constitucionalidade de
normas originárias).
Apreciando a questão, o STF entendeu que é válida a edição de decretos autônomos, apenas
nas hipóteses previstas no artigo 84, VI, da Constituição. Afastou-se, então, a ideia da incons-
titucionalidade.
Voltando ao comando da questão, a resposta esperada está na letra C, pois tanto num quanto
noutro caso as atribuições são do Presidente da República.
Letra c.

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Questão 8 (TRT 12ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2017) Certo profissional da área jurí-


dica foi questionado sobre as características do processo e do julgamento do Presidente da
República pela prática de crimes de responsabilidade. Em resposta, afirmou que a instauração
do processo deve ser autorizada pela Câmara dos Deputados, o processamento e o julgamen-
to ficam a cargo do Senado Federal, bem como que a perda da função é decidida pelo Presi-
dente do Supremo Tribunal Federal.
À luz da sistemática constitucional, essa resposta é:
a) totalmente incorreta, pois todas as questões envolvendo o julgamento por crimes de respon-
sabilidade devem ser decididas pelas duas Casas Legislativas em conjunto;
b) parcialmente correta, pois a instauração do processo deve ser autorizada pelo Senado Fede-
ral e o julgamento fica a cargo da Câmara dos Deputados;
c) totalmente correta, pois a separação entre as funções estatais exige que cada fase do pro-
cesso de responsabilização seja dividida entre poderes distintos;
d) parcialmente correta, pois a decisão a respeito da perda da função fica a cargo do Senado
Federal, que a proferirá quando do julgamento;
e) parcialmente correta, pois a Câmara dos Deputados deve autorizar a instauração do proces-
so e, após o julgamento pelo Senado, decidir a respeito da perda da função.

Vamos por partes!


No crime de responsabilidade, o julgamento compete ao Senado Federal. A condenação pode
gerar duas consequências: a) a perda da função pública; e b) a inabilitação por oito anos, para
qualquer cargo.
Avançando, é o Presidente do STF quem presidirá a sessão de julgamento. No entanto, não
cabe a ele a aplicação das punições. Ao contrário, elas – as punições – exigirão o voto de 2/3
dos Senadores.
Por outro lado, assim como acontece no crime comum, há a necessidade de a Câmara dos
Deputados autorizar a abertura de processo contra o Presidente. Foi o que se viu recentemente
com o impeachment da ex-Presidente Dilma.
Dito isso, a resposta correta está na letra D.
Letra d.

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Questão 9 (PREFEITURA DE CUIABÁ/NÍVEL SUPERIOR/2015) Decorridos pouco mais de


cem dias após o início da sessão legislativa, constatou-se que o Presidente da República não
havia apresentado as contas de governo correspondentes ao exercício anterior.
À luz da sistemática constitucional, é correto afirmar que, em situações dessa natureza, compete
a) ao Congresso Nacional julgar as contas com base nos relatórios elaborados pela equipe
técnica.
b) ao Congresso Nacional, por intermédio do Tribunal de Contas, proceder à tomada de contas
do Presidente da República.
c) ao Senado Federal proceder à tomada de contas do Presidente da República.
d) ao Congresso Nacional dar início ao processo, por crime de responsabilidade, contra o Pre-
sidente da República.
e) à Câmara dos Deputados proceder à tomada de contas do Presidente da República.

A resposta demanda a abordagem conjunta de alguns dispositivos constitucionais.


É que, segundo o artigo 84, XXIV, o Presidente da República anualmente deve prestar as contas
ao Congresso Nacional, que vai julgá-las (artigo 49, IX).
Mas, se dentro do prazo de 60 dias após a abertura da sessão legislativa ele não fizer a presta-
ção devida, caberá à Câmara dos Deputados proceder à tomada de contas (artigo 51, II).
Logo, a resposta esperada está na letra E.
Letra e.

Questão 10 (DETRAN-MA/ANALISTA DE TRÂNSITO/2013) O servidor público Pedro, em


exercício na Secretaria Estadual de Transportes do Estado X, é questionado sobre a aplicação
de determinada norma federal incidente sobre ato a ser praticado no âmbito da sua repartição
pública. Pesquisando o tema, apresenta breve nota, em que indica a necessidade de comple-
mentação normativa sobre o tema.
Observado o enunciado, uma das competências previstas para o Presidente da República, na
Constituição Federal, aplicáveis ao caso, consiste em
a) sancionar leis.
b) vetar projetos de lei.

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c) organizar a administração. Aragonê Fernandes

d) celebrar convenções.
e) expedir regulamentos.

O decreto autônomo é uma figura excepcional, cabível apenas nas hipóteses do inciso VI do
artigo 84, tão cobradas nas provas.
Os decretos presidenciais, em regra, não são autônomos. Ao contrário, são os decretos regula-
mentares (artigo 84, IV, da CF).
Como o próprio nome deixa antever, a tarefa do decreto regulamentar é exatamente regula-
mentar as leis.
Se elas (as leis) são atos normativos primários, sujeitando-se a controle de constitucionalida-
de, os decretos regulamentares são atos normativos secundários, submetendo-se ao controle
das leis (controle de legalidade).
Voltando ao comando da questão, é mencionada a existência de uma lei federal, bem assim a
necessidade de “complementação normativa”. Logo, a resposta esperada está na letra E, que
traz o decreto regulamentar (“expedir regulamentos”).
Letra e.

Questão 11 (TJ-AM/ANALISTA JUDICIÁRIO/2013) As alternativas a seguir apresentam atri-


buições do Presidente da República, à exceção de uma. Assinale-a.
a) A escolha de dois terços dos Ministros do Tribunal de Contas da União.
b) O veto a projetos de lei de iniciativa popular.
c) Dispor, mediante decreto, sobre a extinção de cargos públicos vagos.
d) Decretar intervenção federal.
e) A celebração de tratados internacionais que disponham em sentido contrário à legislação
vigente.

Note que ele quer a exceção. Em consequência, há quatro atribuições constitucionalmente


asseguradas ao Presidente.
A resposta esperada está na letra A.

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Isso porque o TCU é composto por nove Ministros, sendo 1/3 (um terço) escolhido peloFernandes
Aragonê Presi-
dente da República, enquanto os outros 2/3 (dois terços) são eleitos pelo Congresso nacional.
Confira como funciona:

COMPOSIÇÃO DO TCU

1 livre escolha do PR

1 entre auditores, escolhido pelo PR entre integrantes de


1/3 (3 Ministros) lista tríplice elaborada pelo TCU
Escolhidos pelo Presidente 1 entre membros do MP/Contas, escolhido pelo PR entre
da República integrantes de lista tríplice elaborada pelo TCU

Necessária aprovação por maioria simples do Senado


Federal

Constituição não especifca as regras, que cabem ao


2/3 (6 Ministros)
próprio Parlamento.
Escolhidos pelo Congresso
Não haverá sabatina pelo Senado, uma vez que a
Nacional
escolha foi feita pelo Poder Legislativo

Na tabela aí de cima ficou claro que apenas em relação aos Ministros indicados pelo Presiden-
te da República haverá a necessidade de aprovação do nome pelo Senado Federal.
Isso deve pela atuação dos freios e contrapesos, na medida em que não faria sentido o Con-
gresso Nacional indicar e o Senado avaliar o nome proposto.
Um detalhe que passa despercebido por muitos candidatos experientes é o quórum exigido
para a aprovação do nome indicado para o TCU.
Diferentemente do que acontece com o STF, o STJ e o TST, para os quais se exige quórum de
maioria absoluta, no caso do TCU, basta a aprovação de maioria simples (=relativa) dos Sena-
dores.
Aliás, grave aí dois importantes casos de exigência de quórum de maioria simples para a apro-
vação do nome pelo Senado: TCU, que você acabou de ver, e o STM!
Como visto, dos nove ministros, apenas três serão escolhidos pelo Presidente da República
(artigo 73, § 2º), enquanto a escolha dos outros seis caberá ao Congresso Nacional (artigo 49,
XIII).
Letra a.

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Questão 12 (AL-MA/ADVOGADO/2013) Assinale a alternativa que indica a função exercida


pelo presidente da República, dentre as previstas no texto constitucional federal, considerada
como inerente à função de Chefia de Governo.
a) Celebrar a paz, autorizado ou com o referendo do Congresso Nacional.
b) Presidir o Conselho de Defesa Nacional.
c) Enviar ao Congresso Nacional o plano plurianual previsto na Constituição.
d) Manter relações com Estados estrangeiros e acreditar seus representantes diplomáticos.
e) Celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Na-
cional.

Em razão da escolha do sistema presidencialista de governo, o Presidente da República acu-


mula as funções de Chefe de Estado e de Chefe de Governo.
Nesse contexto, ele agirá como Chefe de Estado quando representar o Brasil no plano inter-
nacional. Ex.: celebração de tratados internacionais; declaração de guerra; celebração de paz.
De outro lado, a função de Chefe de Governo acontece quando o Presidente atua no plano in-
terno, como chefe do Poder Executivo da União. Veja alguns exemplos: proposição de projeto
de lei que aumente os vencimentos de servidores de determinado Ministério, ou ainda, edição
de Medida Provisória, dispondo sobre aumento de proventos de aposentadoria.
Por ser Chefe de Estado, o Presidente tem a chamada imunidade relativa, o que significa que,
durante a vigência do mandato, ele não responderá por atos estranhos ao exercício de suas
funções.
Voltando, somente na letra C, que é a resposta esperada, consta uma atribuição inerente à
Chefia de Governo, pois nas demais alternativas as missões envolvem no mais das vezes re-
lações com outros países.
Letra c.

Questão 13 (MP-MS/ANALISTA PROCESSUAL/2013) O Presidente da República, durante


entrevista coletiva, agrediu, com socos e pontapés, um jornalista que fez uma pergunta relativa
à ocorrência de desvio de recursos em obras públicas federais, conduta atribuída a um dos
Ministros de Estado, filiado ao mesmo partido político do Presidente. Nesse caso,

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a) será necessário aguardar o final do mandato presidencial para dar início à persecução penal.
b) o Presidente da República somente poderá ser submetido a julgamento após autorização
do Senado Federal.
c) o Supremo Tribunal Federal é o órgão competente para proceder ao julgamento do Presidente.
d) a agressão ao jornalista configura crime de responsabilidade do Presidente da República.
e) o Presidente da República tem imunidade em relação à prática dos crimes comuns.

Tratando-se de crimes comuns, a competência para julgamento será do STF.


Aqui, cabem duas ponderações: a primeira, no sentido de que o Presidente só poderá ser pro-
cessado por fatos ocorridos na vigência do mandato.
Ou seja, por conta da imunidade relativa (ou inviolabilidade presidencial), os processos relati-
vos a fatos ANTERIORES ao mandato ficarão suspensos. Nesse caso, não haverá contagem
do prazo prescricional.
A segunda ponderação é no sentido de que, mesmo os fatos ocorridos durante o mandato só
tramitarão se guardarem relação com o cargo de Presidente da República.
Usando um exemplo esdrúxulo, caso o Presidente Jair Bolsonaro pratique ato de violência do-
méstica contra a sua mulher, Michele Bolsonaro, sem que haja motivação relacionada ao car-
go, esse crime relacionado à chamada Lei Maria da Penha ficará suspenso até que o mandato
termine. A prescrição, igualmente, ficará suspensa.
Agora, partindo para outra situação hipotética (outro exemplo dantesco), na qual o Presiden-
te agrida sua esposa, tentando contra sua vida, diante de uma briga na qual a primeira-dama
demonstre interesse em denunciar ao Ministério Público crimes praticados pelo Presidente e
por sua equipe, relacionados ao mandato, estaríamos diante de caso a ser julgado pelo STF
mesmo na vigência do mandato.
Contudo, lembro que o julgamento pelo STF dependeria de autorização a ser dada por 2/3 dos
membros da Câmara dos Deputados.
Mencionando aqui tristes fatos da vida real, você deve se lembrar de que, em duas oportunida-
des no ano de 2017, a Câmara dos Deputados não autorizou a abertura de processo em fatos
relacionados ao crime de corrupção, entre outros, envolvendo a figura do Presidente. Em razão
disso, os fatos ficarão “congelados”, aguardando o fim do mandato.

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Voltando à nossa explicação, se houver a condenação, o Presidente estaria sujeito à prisão.
Destaco que a Constituição fala que não pode haver prisão antes da prolação de sentença.
Assim, o Presidente não estaria sujeito a prisão em flagrante ou temporária, nem mesmo a
preventiva a ser decretada durante as investigações ou mesmo na instrução, sem sentença.
Retomando o que se pergunta, veja que as agressões tinham relação à apuração de crimes
ocorridos no curso do mandato, o que autoriza o julgamento pelo STF, desde que haja licença
da Câmara dos Deputados. Em consequência, a resposta esperada está na letra C.
Letra c.

Ministros de Estado

Questão 1 (Q1862402/TCE-AM/AUDITOR/2021) João, ao assumir o Ministério ZZ, ques-


tionou sua assessoria a respeito das atribuições que, por imposição constitucional, teria em
relação ao Presidente da República. Em resposta, João foi informado de que deveria: (I) refe-
rendar atos e decretos assinados pelo Chefe do Poder Executivo; (II) apresentar relatório anual;
(III) praticar atos concernentes às atribuições que lhe forem outorgadas ou delegadas; e (IV)
conferir condecorações e distinções honoríficas.
À luz da sistemática constitucional, estão corretas as atribuições referidas em:
a) I, II, III e IV;
b) II, III e IV;
c) I, II e III;
d) I e IV;
e) I e II.

Vamos olhar o que diz o artigo 87, que trata das atribuições dos Ministros de Estado:

Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na


lei:
I – exercer a orientação, coordenação e supervisão dos órgãos e entidades da administração federal
na área de sua competência e referendar os atos e decretos assinados pelo Presidente da República;
II – expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos;
III – apresentar ao Presidente da República relatório anual de sua gestão no Ministério;
IV – praticar os atos pertinentes às atribuições que lhe forem outorgadas ou delegadas pelo Presi-
dente da República.

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Dito isso, tem-se que apenas as atribuições I, II e III são dadas aos Ministros de Estado. A de
conferir condecorações e distinções honoríficas está listada no artigo 84 da CF, como sendo
inerente ao Presidente da República. Some-se a isso o fato de ela não estar entre as possíveis
de delegação aos ministros de Estado, PGR ou AGU, segundo o parágrafo único do artigo 84.
Assim, a resposta esperada está na letra C.
Letra c.

Questão 2 (Q1120904/TJ-CE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2019) Maria, recém-empossada Mi-


nistra de Estado, foi informada por um assessor próximo que lhe competiria (1) expedir instru-
ções para a execução das leis, (2) exercer a coordenação dos órgãos e entidades da Adminis-
tração Indireta e (3) nomear os membros do Conselho da República.
À luz da sistemática constitucional, é correto afirmar, em relação às competências acima des-
critas, que:
a) todas devem ser exercidas pelo Ministro de Estado;
b) apenas a referida em (1) não deve ser exercida pelo Ministro de Estado, pois é privativa do
Presidente da República;
c) apenas a referida em (2) não deve ser exercida pelo Ministro de Estado, pois é privativa do
Presidente da República;
d) apenas a referida em (3) não deve ser exercida pelo Ministro de Estado, pois é privativa do
Presidente da República;
e) nenhuma delas deve ser exercida pelo Ministro de Estado, pois são privativas do Presidente
da República.

As atribuições dos Ministros de Estado estão elencadas no art. 87 da CF. Vejamos:

Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e no
exercício dos direitos políticos.
Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta
Constituição e na lei:
I – exercer a orientação, coordenação e supervisão dos órgãos e entidades da administração federal
na área de sua competência e referendar os atos e decretos assinados pelo Presidente da Repúbli-
ca; (2)
II – expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos; (1)
III – apresentar ao Presidente da República relatório anual de sua gestão no Ministério;

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IV – praticar os atos pertinentes às atribuições que lhe forem outorgadas ou delegadas pelo Presi-
dente da República.

Logo, apenas a competência (3) não será exercida por Ministros de Estados, e sim pelo Presi-
dente da República:

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:


XVII – nomear membros do Conselho da República, nos termos do art. 89, VII;

Portanto, a letra D é a resposta correta.


Letra d.

Questão 3 (PREFEITURA DE SALVADOR/NÍVEL SUPERIOR/2017) João da Silva, Ministro


de Estado, praticou condutas que podem ser enquadradas nas figuras tipológicas dos crimes
comuns e dos crimes de responsabilidade. Preocupado com a grande repercussão dos fatos,
solicitou a orientação de um advogado para delinear sua estratégia de defesa.
De acordo com o advogado, caso o Ministro de Estado viesse a ser acusado, (I) os crimes
comuns seriam julgados pelo Poder Judiciário; (II) os crimes de responsabilidade seriam jul-
gados pelo Poder Legislativo; e (III) o Poder Legislativo poderia deliberar pela sustação do
andamento das ações.
À luz dos dados fornecidos, assinale a opção que indica as orientações fornecidas pelo advo-
gado que se harmonizam com a sistemática constitucional.
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) II e III, apenas.
d) I e III, apenas.
e) I, II e III.

Veja o artigo 102, III, segundo o qual o STF julgará originariamente as seguintes autoridades:

III – nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade:


a) Ministros de Estado e os Comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica;
b) membros dos Tribunais Superiores (STJ, TSE, TST e STM);
c) membros do TCU;
d) chefes de missão diplomática de caráter permanente.

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Em relação aos Ministros de Estado, algumas observações devem ser feitas: a) se o crime de
responsabilidade for praticado em conexão com o Presidente ou Vice-Presidente da República,
os Ministros de Estado serão julgados pelo Senado Federal e não pelo STF; b) equiparam-se a
Ministro de Estado o Presidente do Banco Central e o Advogado-Geral da União (AGU), entre
outras autoridades.
Destaque-se que o AGU, embora seja equiparado a Ministro de Estado, possui duas impor-
tantes distinções: a idade mínima para ocupar o cargo é de 35 anos, enquanto para os outros
Ministros de Estado se exige o mínimo de 21 anos. Além disso, no crime de responsabilidade,
estando ou não em conexão com o Presidente, o AGU será julgado pelo Senado Federal (artigo
52, II, da Constituição).
Agora podemos voltar à questão: nos crimes comuns, os Ministros de Estado responderão pe-
rante o STF, mesma regra aplicável aos crimes de responsabilidade, exceto se houver conexão
com o Presidente ou com o Vice-Presidente, o que não foi mencionado.
Dito isso, a resposta esperada está na letra A.
Letra a.

Questão 4 (PGM/NITERÓI/PROCURADOR/2014) Em relação aos Ministros de Estado e


aos atos praticados no exercício de suas competências constitucionais, assinale a afirmativa
correta.
a) As instruções normativas que eles venham a editar não estão sujeitas ao controle concen-
trado de constitucionalidade.
b) Não estão constitucionalmente obrigados a referendar atos praticados pelo Presidente da
República.
c) Devem ser escolhidos dentre brasileiros natos, maiores de vinte e um anos e no exercício
dos direitos políticos.
d) Devem prestar às comissões do Congresso Nacional informações atinentes às suas atribui-
ções.
e) Somente devem referendar os projetos de lei e as medidas provisórias assinadas pelo Pre-
sidente da República.

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Segundo o artigo 87 da Constituição, compete ao Ministro de Estado, além de outras atribui-


ções estabelecidas nesta Constituição e na lei:

I – exercer a orientação, coordenação e supervisão dos órgãos e entidades da administração federal


na área de sua competência e referendar os atos e decretos assinados pelo Presidente da República;
II – expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos;
III – apresentar ao Presidente da República relatório anual de sua gestão no Ministério;
IV – praticar os atos pertinentes às atribuições que lhe forem outorgadas ou delegadas pelo Presi-
dente da República.

O art. 88, na redação dada pela EC n. 32/2001, diz que a lei disporá sobre a criação e extinção
de Ministérios e órgãos da administração pública.
Vale lembrar que o Presidente da República pode, por meio de decreto, dispor sobre a organiza-
ção e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem
criação ou extinção de órgãos públicos.

Art. 58. O Congresso Nacional e suas Casas terão comissões permanentes e temporárias, consti-
tuídas na forma e com as atribuições previstas no respectivo regimento ou no ato de que resultar
sua criação.
§ 1º Na constituição das Mesas e de cada Comissão, é assegurada, tanto quanto possível, a re-
presentação proporcional dos partidos ou dos blocos parlamentares que participam da respectiva
Casa.
§ 2º Às comissões, em razão da matéria de sua competência, cabe:
I – discutir e votar projeto de lei que dispensar, na forma do regimento, a competência do Plenário,
salvo se houver recurso de um décimo dos membros da Casa;
II – realizar audiências públicas com entidades da sociedade civil;
III – convocar Ministros de Estado para prestar informações sobre assuntos inerentes a suas atri-
buições.

Só isso já seria suficiente para responder a pergunta, com a resposta esperada estando na
letra D.
Mas é bom lembrar que as Comissões, inclusive as CPIs, não podem convocar o próprio Pre-
sidente da República para prestar os esclarecimentos, dentro da ideia da independência e se-
paração dos Poderes.
Letra d.

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Temas Gerais

Questão 1 (PROCEMPA/ANALISTA ADMINISTRATIVO/2014) Eurípedes pretende candi-


datar-se a Presidente da República e apresenta sua candidatura pelo partido B, tendo realizado
campanha popular, com intensa repercussão social. Após campanha de sucesso, obtém maio-
ria absoluta dos votos, sendo eleito no primeiro turno da eleição, tomando posse e cumprindo
seu mandato.
Apesar do sucesso administrativo da sua gestão, Eurípedes foi surpreendido pela denúncia de
um cidadão, ao Congresso Nacional, de que ele cometera crime de responsabilidade.
Nesse caso, nos termos da Constituição, deve ocorrer
a) a rejeição liminar da denúncia do cidadão, por não ter legitimidade para o processo.
b) a análise da acusação, e, se acatada, será examinada, em juízo de admissibilidade, pela
Câmara dos Deputados.
c) a admissibilidade da acusação e o julgamento de mérito pelo Supremo Tribunal Federal.
d) o acatamento por maioria absoluta da Câmara dos Deputados e o seu julgamento de mérito,
também por maioria absoluta.
e) a aceitação da acusação por comissão da Câmara do Deputados, e o processo será enca-
minhado ao Senado para julgamento de mérito.

Talvez você lembre, o andamento do impeachment da ex-Presidente Dilma teve início quando
o então Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, recebeu o pedido formulado por três cidadãos:
Janaína Paschoal, Miguel Reale Júnior e Helio Bicudo.
Eu trago de volta esses fatos, pois, mais do que decorar, o importante é entender e, infelizmen-
te, o atual cenário político-criminal da República é farto em exemplos práticos de aplicação dos
instrumentos constitucionais, até mesmo uma intervenção federal.
Então, cabe a qualquer cidadão fazer a denúncia, conforme consta na Lei n. 1.079/1950, que
trata dos crimes de responsabilidade.
Voltando, a resposta esperada está na letra B, pois a acusação do cometimento de crime de
responsabilidade (impeachment) é feita pelo Presidente da Câmara. Entendendo que os fatos

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têm fundamento, ele dará prosseguimento ao processo. A partir daí, será necessária autoriza-
ção, por 2/3 dos membros da Câmara dos Deputados. Depois, o caso será julgado pelo Sena-
do, que novamente pelo quórum de 2/3, poderá aplicar as punições cabíveis.
Letra b.

Questão 2 (AL-BA/NÍVEL SUPERIOR/2014) Em caso de vacância dos cargos de Presiden-


te e Vice-Presidente da República, por falta de posse na data fixada, a Constituição Federal
determina que assumirá a Presidência da República
a) o Presidente do Supremo Tribunal Federal.
b) o Presidente da Câmara dos Deputados.
c) o Presidente do Senado Federal.
d) o Presidente do Congresso Nacional.
e) o Presidente do Superior Tribunal de Justiça.

Vou falar primeiro de duas regrinhas chatas, porque tratam de prazos que podem confundir
você.
A primeira prevê que, se o Presidente ou o Vice-Presidente não tomarem posse, sem motivo de
força maior, no prazo de 10 dias, o cargo será declarado vago.
A segunda cai mais em prova... Diz respeito à necessidade de autorização do Congresso Na-
cional se o Presidente ou o Vice-Presidente forem se ausentar do País por mais de 15 dias.
Caso não haja essa autorização, eles podem perder o cargo.
Mas qual é o motivo de a segunda cair mais em prova?
Simples! É que algumas Constituições Estaduais previam o seguinte: para o Governador sair
do Estado por mais de 15 dias, ou para sair do País, por qualquer prazo, seria necessária a au-
torização da Assembleia Legislativa, sob pena de perda do cargo.
O STF, invocando o princípio da simetria, afastou essas regras estaduais, estabelecendo a ne-
cessidade de autorização da Assembleia Legislativa apenas para ausências do Governador ou
Vice superiores a 15 dias (STF, ADI n. 738). Idêntico raciocínio se aplica aos Prefeitos, quanto
à necessidade de licença da Câmara dos Vereadores (STF, RE 317.574).

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Avançando, você precisa conhecer a ordem de vocação sucessória.


Inicialmente, destaco que o impedimento está ligado à ideia de temporariedade (viagem, do-
ença), enquanto a vacância pressupõe o afastamento definitivo do cargo (morte, renúncia, im-
peachment).
Havendo o impedimento, caberá ao Vice-Presidente assumir o cargo interinamente.
Nas hipóteses em que o Vice também não puder ocupar a cadeira presidencial, a Constituição
estabelece a seguinte ordem de vocação sucessória: 1º) Presidente da Câmara dos Deputa-
dos; 2º) Presidente do Senado Federal; e 3º) Presidente do STF.
Fique atento(a), pois são comuns questões de prova colocando o Presidente do Congresso
Nacional (que também preside o Senado) logo abaixo do Vice-Presidente da República. Para
lembrar mais facilmente, terá preferência o representante da Casa que representa o povo (ao
menos na teoria...).
Você deve se lembrar de que não faz muito tempo, um Ministro do STF determinou que o então
Presidente do Senado Renan Calheiros deveria ser afastado da presidência da Casa Legislati-
va, em razão de ter sido recebida denúncia contra ele.
Na ocasião, monocraticamente, aplicou a seguinte lógica: se o Presidente da República, após
o recebimento de denúncia pelo STF, deve ficar afastado, idêntico raciocínio deveria valer para
todos aqueles que estivessem na ordem de vocação sucessória.
Após recusa de Renan Calheiros em cumprir a decisão, o Plenário do Tribunal entendeu que a
autoridade da linha sucessória poderia ficar em seu cargo, mas ficaria impedido de assumir a
Presidência da República (STF, ADPF 402).
Exemplificando, na ausência de Jair Bolsonaro, a Presidência da República deveria ser ocu-
pada pelo Vice-Presidente, Hamilton Mourão. Se ele também estiver fora do país, passa-se
ao Presidente da Câmara dos Deputados. Em seu impedimento, pularíamos o Presidente do
Senado, por ter denúncia recebida contra si, passando-se ao Presidente do STF.
Outra coisa: havendo a vacância do cargo de Presidente, o Vice assume definitivamente, oca-
sião em que nossa República ficará sem ninguém ocupando a vice-presidência. Foi o que acon-
teceu com o impeachment da Ex-Presidente Dilma. Essa também será a solução se a vacância
atingir apenas a cadeira de vice-presidente.

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Voltando ao comando da questão, a resposta esperada está na letra B.


Letra b.

Questão 3 (TJ-AM/ANALISTA JUDICIÁRIO/2013) A Constituição da República Federativa


do Brasil dispõe que, em caso de impedimento do Presidente e do Vice-Presidente, ou vacância
dos respectivos cargos, serão sucessivamente chamados ao exercício da Presidência.
a) o Presidente do Congresso Nacional, o Presidente do Supremo Tribunal Federal e o Procu-
rador Geral da República.
b) o Presidente da Câmara dos Deputados, o Presidente do Senado Federal e o Presidente do
Supremo Tribunal Federal.
c) o Presidente da Câmara dos Deputados, o Presidente do Supremo Tribunal Federal e o Pre-
sidente do Superior Tribunal de Justiça.
d) o Presidente do Congresso Nacional, o Presidente do Senado Federal e o Presidente da Câ-
mara dos Deputados.
e) o Presidente da Câmara dos Deputados, o Ministro da Justiça e o Presidente do Supremo
Tribunal Federal.

De saída, eu lembro que todos os que estão na linha devem ser brasileiros natos.
Os cargos privativos de brasileiros natos constam no artigo 12, § 3º, abrangendo também
razões de segurança (Ministro de Estado da Defesa e Oficiais das Forças Armadas) e nas ne-
gociações internacionais (Membros da Carreira Diplomática).
Retomando, a resposta esperada está na letra B, pois, depois do Presidente e do Vice-Presi-
dente, aparece o Presidente da Casa do Povo, a Câmara dos Deputados. A partir daí, vem o
Presidente do Senado e o do STF.
Letra b.

Aragonê Fernandes
Atua como juiz de Direito titular do TJDFT. Em seu qualificado percurso profissional, já se dedicou a ser
promotor de Justiça do MPDFT; assessor de ministros do STJ; analista do STF; além de ter sido aprovado
em vários concursos públicos. Leciona Direito Constitucional com exclusividade no Gran Cursos Online.
Coordenador Acadêmico da Gran Pós.

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