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Defesa Preliminar e Pedido de Liberdade

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AMILCAR MACHADO FILHO

OAB/SP 164.102

EXCELENTÍSSIMO(A) SR(A). DR(A). JUÍZ(A) DE DIREITO DA


VARA CRIMINAL DA COMARCA DE TABOÃO DA SERRA

Processo n.º 609. 01 2010. 007 830 - 6 (Ofício Criminal)


Ordem n.º 1.608/2010

FERNANDO CESAR DE SOUZA, qualificado nos autos em


epígrafe, por seu defensor nomeado pelo Convênio DPESP/OABSP, vem
respeitosamente à presença de Vossa Excelência apresentar DEFESA PRELIMINAR
cc. PEDIDO DE LIBERDADE PROVISÓRIA, nos seguintes termos:

O acusado, nega que os fatos tenham ocorrido da forma narrada


nos presentes autos. no depoimento dado à autoridade policial nem a vítima, nem o
policiais militares chamados presenciaram os fatos.

Primeiramente, discorda-se da narrativa fática constante na


denúncia, visto o acusado não ter participado, de qualquer forma, do cometimento do
crime contextualizado, sendo inocente das acusações a ele imputadas, o que poderá ser
constatado ao fim da instrução.

Seguindo, as alegações da vítima são de uma fragilidade


gigantesca. O mesmo não presenciou a ocorrência dos fatos narrados na denúncia e
sequer indicou testemunhas, oculares ou não, que comprovassem a autoria do referido
delito. Baseia-se tão somente em acusação dos seguranças do shopping que igualmente
não indicou qualquer testemunha ocular dos fatos que dizem ter presenciados.

A acusado apenas estava passando perto do veículo quando foi


acusado pelos seguranças de estar furtando objeto no interior do mesmo. Não sabe
por que está sendo acusado de delito que não cometeu. Foi repentinamente seguro pelos
dois seguranças de forma violenta que passaram a acusá-lo de furto.
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O fato não foi presenciado pela alegada vítima sendo a acusação


originada tão somente dos seguranças da shopping que de forma violenta e ilegal o
detiveram pelos simples fato de estar nas proximidades do veículo objeto de furto.

Assim posiciona-se a jurisprudência:

“PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. ART. 155


C/C ART. 14, II DO CP. TRANCAMENTO DA AÇÃO
PENAL. FALTA DE JUSTA CAUSA. LASTRO
PROBATÓRIO MÍNIMO. INEXISTÊNCIA.
I - O trancamento de ação por falta de justa causa, na via
estreita do writ, somente é viável desde que se comprove,
de plano, a atipicidade da conduta, a incidência de causa
de extinção da punibilidade ou ausência de indícios de
autoria ou de prova sobre a materialidade do delito
(Precedentes).
II - Assim, no processo penal, a exordial acusatória deve
vir acompanhada de um fundamento probatório mínimo
apto a demonstrar, ainda que de modo indiciário, a efetiva
realização do ilícito penal por parte do denunciado. Se
não houver uma base empírica mínima a respaldar a peça
vestibular, de modo a torná-la plausível, inexistirá justa
causa a autorizar a persecutio criminis in iudicio. Tal
acontece, como in casu, quando a situação fática não está
suficientemente reconstituída.
III - No presente caso, imputa-se ao paciente, na proemial
acusatória, um crime de furto tentado. Contudo, tal
acusação é rechaçada pelo acusado, a vítima não o
reconheceu como sendo o autor dos fatos, e, além do
mais, os policiais que teriam efetuado sua prisão e seriam
as únicas testemunhas, sequer foram ouvidos no inquérito
policial. Tudo a evidenciar, portanto, a ausência de justa
causa.
Ordem concedida.” (STJ – HC 91.614/MG – 5ª Turma –
Rel.: Min. Feliz Fischer – DJe, 26.05.2008).

Posto isto, não se vislumbra justa causa para a instauração e


prosseguimento do processo crime em debate, pois a acusação não possui elementos
probatórios mínimos que possam revelar, de modo satisfatório e consistente, a
existência de indícios suficientes de autoria do crime.

Em que pese a denúncia ter sido recebida, requer sua rejeição por
faltar justa causa para o exercício da ação penal, conforme a nova redação do art. 395,
inc. III, do Código de Processo Penal, inovação trazida pela Lei nº 11.719/08.

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O acusado alega inocência e provará que as alegações dos


seguranças são falsas e antes, foi na verdade vítima de truculência por parte desses
indivíduos.

DO PEDIDO DE LIBERDADE PROVISÓRIA

Sobre o crime ora em análise determinou o legislador, pena de


reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa (art. 155 do CPB). Não obstante, o art. 5°,
LXVI da Carta Maior assim se pronuncia:

“Art. 5°
...
LXVI – ninguém será levado à prisão ou nela mantido,
quando a lei admitir liberdade provisória, com ou sem
fiança”.

Doutrinador de nova cepa, Fernando Capez, em lúcida aula,


delineia a cerca do instituto da liberdade provisória.

“No caso de o juiz verificar que não esta presente nenhum dos
motivos que autorizam a decretação da prisão preventiva (CPP, art. 311 e 312); nessa
hipótese também não importa se a infração é inafiançável, afiançável ou daquelas em
que o réu se livra solto. Não sendo necessária para garantia da ordem pública,
conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, não se
vislumbra periculum in mora para manutenção da custódia”,( Fernando Capez. Curso
de Processo Penal. 8ª Ed. P.247. Saraiva – 2002)

É o que emerge da análise dos termos do parágrafo único do art.


310 do Código de Processo Penal. Tal dispositivo, ensina o eminente doutrinador Julio
Fabbrini Mirabete, vejamos:

(...) é aplicável tanto às infrações afiançáveis ou inafiançáveis,


ainda que graves, a réus primários ou reincidentes, de bons ou maus antecedentes,
desde que não seja hipótese em que se pode decretar a prisão preventiva. Trata-se, pois
de um direito “subjetivo processual” do acusado, e não uma faculdade do juiz, que
permite ao preso em flagrante readquirir a liberdade por não ser necessária sua
custódia. Não pode o juiz, reconhecendo que não há elementos que autorizam a
decretação da prisão preventiva, deixar de conceder a liberdade provisória... (IN
Código de Processo Penal Interpretado, São Paulo, Atlas, 1997, 5ª ed., p. 405).

O “jus libertatis” é direito sagrado: Todo indivíduo tem direito à


vida, à liberdade e à segurança em sua pessoa”, proclama o art. 3º da Declaração
Universal dos Direitos do Homem. Destarte, qualquer restrição a essa liberdade é
inteiramente excepcional. Embora preso em flagrante pelo cometimento de crime –
inafiançável ou não deve o autuado ser libertado provisoriamente, desde que não
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ocorram razões para a sua prisão preventiva cabendo à autoridade pública, que
restringir a liberdade de alguém (com a prisão preventiva, por exemplo) ou permitir que
tal restrição prossiga (como manter a prisão em flagrante), dizer por que.

O crime do qual acusam o réu, se por argumentação tenha


ocorrido, não fora praticado com violência à pessoa o que se extrai dos depoimentos
das testemunhas, também não houve resistência à prisão.

Não há se falar em clamor público resultante do ato praticado.


Tamanha a inexperiência do indiciado, bem como sua índole não afeita à criminalidade.
Conclui-se que o indiciado ainda por argumentação , não teria agido como os
“profissionais” do crime que antes da exercitar atos ilícitos se cercam de artimanhas
como prever rota de fuga, escolher local deserto e horário apropriado para o crime.

Não estando presentes nenhum dos requisitos para decretação da


prisão preventiva, previstos nos art. 311 e 312 do CPP, nem tão pouco o perigo da
demora haja vista que o requerente é tecnicamente primário, possui bons antecedentes,
tem residência fixa, emprego fixo e lícito, não demonstra nenhum grau de
periculosidade, não cometeu crime capaz de gerar grave situação de risco à paz social;
uma vez em liberdade não causará discussões quanto à eficiência da Justiça, mas pelo
contrário, demonstrará que sua liberdade realiza-se na própria Justiça. Não trará
prejuízo à conveniência da instrução criminal muito menos à aplicação da lei penal.

Face ao acima exposto Requer:

A) sejam aceitas as presente alegações preliminares rejeitando a


presente Denúncia nos termos do Art. 395, III do CPP;

B) digne-se Vossa Excelência a receber e processar o presente


PEDIDO DE LIBERDADE PROVISÓRIA Sem Fiança, após oitiva do Ministério
Público haja a concessão do competente alvará de soltura ao custodiado FERNANDO
CESAR DE SOUZA, Atualmente recluso para que possa usufruir do benefício da
liberdade provisória e defender-se solto do delito que lhe é imputado, vez que a lei lhe
faculta esta prerrogativa, uma vez demonstrada a desnecessidade da medida coercitiva.

C) O acusado apresenta Rol de Testemunhas em comum com


as da acusação

Nestes termos.
Pede deferimento.

Taboão da Serra 25 de Novembro de 2010.

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