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Instrumentos de Renda Variável e Fixa

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Nubya Capozzoli
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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MÓDULO 4

INSTRUMENTOS DE RENDA VARIÁVEL,


RENDA FIXA E DERIVATIVOS
Neste módulo vamos conhecer os instrumentos de investimentos que existem
no mercado. Conheceremos também os instrumentos de renda fixa, renda
variável e os derivativos.
EXIGÊNCIA DA PROVA: DE 10 A 15 QUESTÕES - 17 A 25%
INTRODUÇÃO AOS INSTRUMENTOS DE RENDA VARIÁVEL, RENDA
FIXA E DERIVATIVOS

Esse é um dos módulos mais densos em sua prova, mas nada de preocupação,
nós vamos evoluindo no conteúdo aos poucos e, se você tiver pleno
entendimento dos primeiros tópicos, vai chegar ao final deste módulo com o
conteúdo na ponta da língua.

[Link] VARIÁVEL
São ativos negociados em mercado, principalmente na Bolsa de Valores ou nos
mercados de balcão organizado. Funciona como um leilão e surge com uma
das características que mais chamam a atenção dos ativos de renda variável, a
con- stante variação e oscilação nos seus preços. Esse tipo investimento possui
um risco maior do que na Renda Fixa.

4.1.AçÕES

O primeiro tipo de renda variável que estudaremos é também o mais famoso:


as ações negociadas na Bolsa de Valores.
A ação representa a menor "fração" do capital social de uma empresa, ou seja,
a unidade do capital nas sociedades anônimas. Quem adquire estas "frações" é
chamado de acionista, e vai ter uma certa participação na empresa, correspon-
dente a quantas dessas "frações" ele possuir.
Basicamente, podemos pensar na padaria que tem aí pertinho da sua casa.
Imagine se você pudesse ser sócio(a) deste empreendimento e receber os
lucros gerados pela venda de pães todos meses. Seria bom, né? Pois é
exatamente isso que acontece com as ações. Você se torna sócio(a) do
empreendimento, pode receber lucros em sua conta, pode votar para decidir
sobre quando e quanto pagar para cada acionista.

202
Ou seja, você também é dono da empresa.
O ponto é que, por ser dono, se a empresa der prejuízo isso pode ser
repassado para você. Ou seja, não pense que, ao comprar uma ação você só
tem benefícios, pois a verdade não é bem assim.
Como uma empresa que tem suas ações na bolsa de valores tem milhões de
só- cios, é importante saber que existem dois tipos de ações e que cada uma
lhe con- fere direitos diferentes.
Vamos falar sobre essas ações a seguir.

[Link] UTILIZADOS NO MERCADO DE AçÕES


Já sabemos, então, o que é uma ação e como esse ativo chega ao Mercado
Finan- ceiro.
Estamos quase prontos para estudar as particularidades desse papel. Digo isso
porque agora irei falar sobre os termos utilizados no mercado e que iremos
utilizar bastante daqui para frente. Vamos lá?

▪ Day trade: combinação de operação de compra e venda realizadas por um


investidor com o mesmo título em um mesmo dia.

▪ Swing Trade: quando os investidores mantêm os títulos por prazo pequeno.


▪ Buy and Hold: modalidade de investimento no mercado onde o investidor
compra ações e as mantém em sua carteira por um longo período. O
termo "buy and hold", traduzido do inglês, significa "comprar e segurar".

▪ Circuit Breaker: sempre que acionado, interrompe o pregão. Na B3, é


acionado sempre que o Índice Ibovespa atinge uma queda de 10% (trinta
minutos de paralisação) e, persistindo a queda, 15% (uma hora de
paralisação).

▪ DARF: documento de arrecadação da receita federal.


▪ Home broker: um canal moderno de relacionamento entre os investidores
e sociedades corretoras que torna ainda mais ágil e simples as
negociações no
mercado acionário. Também permite o envio de ordens de compra e
venda de ações pela internet, possibilitando assim o acesso às cotações, o
acom- panhamento de carteiras de ações e vários outros recursos.

203
▪ Liquidez: maior ou menor facilidade de se negociar um título,
convertendo- o em dinheiro.

▪ Lote padrão: lote de títulos de características idênticas e em quantidade


prefixada pelas bolsas de valores.
▪ Lote fracionário: as ações, no mercado à vista, são negociadas em lotes
(geralmente de 100 ações). O mercado fracionário é o local onde são
negoci- adas frações do lote padrão.

Beleza. Agora vamos discutir as peculiaridades do mercado de ações.

[Link] DE AçÕES

Os principais tipos de ações encontrados no mercado financeiro são as


preferen- ciais e as ordinárias.

▪ Ações ordinárias: essas ações são chamadas de ON e conferem ao seu de-


tentor o direito a voto nas assembleias dos acionistas da empresa. Em
outras palavras, o investidor que compra ações ON pode de fato "mandar"
na em-
presa. Uma empresa pode emitir até 100% de ações ordinárias.
▪ Ações preferenciais: essas ações são chamadas de PN e não conferem ao
seu detentor direito a voto na assembleia de acionistas, mas dão
preferên-
cia no recebimento dos lucros gerados pelas empresas (os dividendos que
estudaremos mais adiante). Uma ação PN tem pelo menos 10% a mais de
dividendo do que uma ação ON. Um ponto importante é que, se a
empresa ficar três anos consecutivos sem distribuir lucros, essa ação passa
a ter direito a voto na assembleia. No máximo 50% das ações de uma
empresa podem ser dessa categoria

Falei que o acionista ordinário é o cara que pode mandar na empresa, certo?
En- tão, isso quer dizer que para eu obter o controle da empresa, basta comprar
ações ordinárias que já posso mandar em tudo? Não é tão simples assim. O
controlador da companhia precisa manter 50% mais uma das ações ordinárias
da empresa. Estou falando assim para você não confundir com 50% mais todas
as ações.
Deixe-me explicar através de um exemplo: O Banco do Brasil é uma empresa
que tem ações na bolsa, mas é controlada pelo governo federal. Vamos

204
imaginar, de

205
forma hiperbólica, que o Banco do Brasil tem 1.000 ações. Destas, 500 são PN
e 500 são ON. Para que o governo federal possa sempre ser o controlador, ele
precisa possuir 251 ações ON. Assim, ele garante que sempre possuirá o maior
poder de voto, já que a ação ON confere um voto por ação.
Agora que entendemos o que é uma ação, vem a pergunta: como uma ação
chega ao Mercado Financeiro? Ou melhor dizendo, se a padaria do seu bairro
quiser vender ações, o que ela deve fazer?
A resposta para isso é: para vender ações no Mercado Financeiro, uma
empresa precisa contratar uma instituição financeira que vai estruturar a
oferta pública de ações.

[Link] SOCIETÁRIOS
Ainda na linha dos direitos dos acionistas, vamos listar o que chamamos de
even- tos societários. Alguns representam literalmente o lucro, mas não
dependem da ação do acionista e sim da empresa.

▪ Dividendos: distribuição de parte do lucro aos seus acionistas, são pagos


ex- clusivamente em dinheiro. O estatuto da empresa pode prever o
percentual do lucro que será distribuído aos acionistas, se essa
informação for omissa
no estatuto o percentual mínimo a ser distribuído é 25%. Isento de IR.

▪ Juros sobre o Capital Próprio: quando a empresa retém parte do lucro para
reinvestimento, deverá pagar juros aos acionistas por este valor. Esses
proventos são pagos em dinheiro, como os dividendos.

▪ Bonificações: : correspondem à distribuição de novas ações para os atuais


acionistas, em função do aumento do capital. Excepcionalmente pode
ocor- rer a distribuição de bonificação em dinheiro.

▪ Grupamento (Inplit): reduzir a quantidade de ações aumentando o valor de


cada ação (o objetivo é o menor risco);

▪ Desdobramento (Split): aumenta a quantidade de ações reduzindo o valor


da ação (o objetivo é a maior liquidez).

Despesas incorrentes na negociação

206
Como tudo na vida tem bônus e ônus, aqui não é diferente. Falamos sobre os
di- reitos, agora falaremos sobre as despesas e riscos que o investidor tem ao
investir nesse mercado.

▪ Corretagem: é uma tarifa paga pelos investidores ao seu agente de


custódia (corretora) por toda ordem de compra e venda executada.
▪ Custódia: uma espécie de tarifa de manutenção de conta, cobrada por
algu- mas corretoras. Sempre que o investidor mantém alguma ação em
custódia na corretora ele está sujeito a essa tarifa. Atualmente, muitas
corretoras, por
iniciativa própria, oferecem isenção dessa tarifa para seus clientes.
▪ Emolumentos: os emolumentos são cobrados pelas Bolsas por pregão em
que tenham ocorrido negócios por ordem do investidor. A taxa cobrada
pela Bolsa é de 0,035% do valor financeiro da operação
▪ Imposto de Renda: o Imposto de Renda no mercado de ações tem como
regra alíquota única de 15%, em operações normais. Agora, se for day
trade, a alíquota única é de 20%. No entanto, devido à riqueza de
detalhes que
envolve a tributação nesse tipo de operação, vamos dedicar o tópico a
seguir para tratar sobre esse assunto.

[Link] DE DEPÓSITOS DE AçÕES


Os recibos de depósitos DR (depositary receipt) são títulos negociados em um
país que têm como lastro ações de uma empresa instalada fora desse país.
Imagine que a empresa Apple Inc. queira vender ações aqui na B3. É possível?
Sim, via DR.
A Apple, que tem suas ações negociadas na Nasdaq, vai custodiar ações em
um banco de investimento estadunidense, que por sua vez, vai emitir um
recibo las- treado nessa ação e negociar na bolsa de valores do Brasil.
O mesmo acontece se a Petrobras quiser vender ações na bolsa de valores de
Nova York. Para isso, a nossa estatal vai custodiar algumas ações em um
banco de investimento brasileiro que, por sua vez, levará recibos lastreados
nessas ações à NYSE (New York Stock Exchange, a bolsa de valores de Nova
York).
Claro que, para diferenciar os papéis de acordo com as praças de negociação,
temos mais códigos nos DR.

207
[Link]
▪ American Depositary Receipt (ADRs): são títulos de empresas com sede
fora dos EUA e com títulos negociados na Bolsa de Valores daquele país. A
Petrobras, ao negociar recibos nos EUA, vai negociar ADR.

▪ Brazilian Depositary Receipt (BDRs): são títulos de empresas com sede


fora do Brasil com títulos negociados aqui na B3. A Apple, ao negociar
títulos aqui no Brasil, vai negociar BDR.

Dica do Kléber: lembre-se de que a primeira letra do recibo indica o


mercado onde aquele papel está sendo negociado.

Direitos do acionista
Quando o investidor compra ações no mercado, ele está se tornando sócio do
empreendimento no qual resolveu aportar seu capital. Por isso, ele terá alguns
direitos, veja abaixo.

▪ Ganho de capital: quando o investidor vende as ações por um preço supe-


rior ao da compra. Esse lucro está sujeito à tributação, conforme
detalhado no próximo tópico.

▪ Subscrição: direito aos acionistas de aquisição de ações por aumento de


capital, com preço e prazos determinados. Garante a possibilidade do
acionista manter a mesma participação no capital total.

▪ Tag Along: direito do acionista ordinário de vender suas ações em função


da troca de controle da companhia por, no mínimo, 80% do valor pago
pelo novo controlador.

Algumas empresas, em seu estatuto, oferecem tag along em percentual maior


que 80% a todos os acionistas. Quando as empresa oferecem aos acionistas a
possibilidade de recomprar as ações, a recompra é feita por meio de uma OPA
(Oferta Pública de Aquisição de Ação).

208
4.6.BÔNUS DE SUBSCRIçÃO
O bônus de subscrição é diferente de direito de subscrição. Vamos entender
mel- hor essa história.
O direito de subscrição é obrigatório para a empresa e cabe ao investidor
decidir se vai ou não exercê-lo.
Já o bônus de subscrição é definido pela própria empresa como uma forma de
beneficiar e privilegiar seus próprios investidores. É como se fosse uma
vantagem em forma de ativos para quem já possui ações da empresa.
Eles são distribuídos sempre na mesma proporção na participação do investi-
mento, ou seja, um investidor com maior participação irá receber mais bônus
de participação do que os investidores com menor participação.
Os bônus e direitos de subscrição são vistos como renda variável, pois podem
ser negociáveis.
Na verdade, eles nada mais são do que títulos negociáveis, emitidos por
empre- sas listadas em Bolsa, que conferem aos titulares nas condições
constantes no certificado, de comprar/subscrever as ações do capital social da
companhia.
Por regra, a emissão desses bônus é da assembleia geral, mas pode ser
atribuído ao conselho de administração essa decisão.
Os acionistas ou investidores atuais possuem preferência para emissão deste bônus.

[Link] E AGE

É obrigatória e deve ocorrer nos quatro primeiros meses seguintes ao término


do exercício social.
Além disso, deve ter o intervalo mínimo de 15 dias após a divulgação dos
resulta- dos e conter obrigatoriamente:

▪ avaliação das contas e demonstrações financeiras;


▪ decisão sobre a destinação do lucro com fixação dos dividendos a serem
trib- utados;
▪ nomeação de administradores e membros do Conselho Fiscal.

209
Assembleia Geral Extraordinária
Tem poderes para decidir todos os negócios relativos à companhia ou fundo e tomar
decisões referentes a sua defesa e desenvolvimento.
Características:

▪ não tem prazo para ocorrer;


▪ pode reformar o estatuto social;
▪ pode eleger ou retirar a qualquer hora os administradores e fiscais da
com- panhia;
▪ cobrar anualmente as contas dos administradores e considerar as demon-
strações financeiras por eles apresentadas;
▪ autorizar emissão de debêntures;
▪ suspender execução a execução de direito dos acionistas;
▪ determinar sob avaliação de bens que o acionista pode ajudar para a for-
mação do capital social;
▪ autorizar a emissão de partes beneficiárias;
▪ discutir sobre transformação fusão incorporação e cisão da companhia
assim como sua dissolução e liquidação;
▪ eleger e destituir liquidantes e lhes julgar as contas.

[Link] DOS ACIONISTAS

Os direitos dos acionistas estão previstos no artigo 109 da Lei nº 6.404/76 (So-
ciedades por Ações).
Art. 109. Nem o estatuto social nem a assembleia geral poderão privar o acionista
dos direitos de:
I – participar dos lucros sociais;
II- participar do acervo da companhia, em caso de liquidação;
III – fiscalizar, na forma prevista nesta Lei, a gestão dos negócios sociais;

210
IV – preferência para subscrição de ações, partes beneficiárias conversíveis em
ações, debêntures conversíveis em ações e bônus de subscrição, observado o
dis- posto nos artigos 171 e 172;
V – retirar-se da sociedade, nos casos previstos nesta lei.
Participação nos Lucros
Quando duas ou mais pessoas se dispõem a aplicar seus esforços e capitais em
um determinado empreendimento por meio de uma sociedade, o fazem com o
objetivo de, após determinado tempo, se apropriar dos lucros do negócio, os
quais serão repartidos entre os sócios-empreendedores.
Da mesma forma, quem investe em uma companhia aberta deseja participar dos
lucros que vierem a ser obtidos. Seja subscrevendo ações em um aumento de
capital, seja adquirindo-as no mercado, o investidor está buscando aplicar seus
recursos em uma empresa que consiga bons resultados em suas atividades,
para participar do seu rateio depois. Após as devidas deduções de prejuízos e
impostos, encontramos o lucro líquido da companhia;
A participação dos lucros dos acionistas se dá pela distribuição dos dividendos,
cada empresa decide periodicamente o pagamento;
O montante dos dividendos deverá ser dividido entre as ações existentes, para
sabermos quanto será devido aos acionistas por cada ação por eles detida;
O pagamento se dá com referência a permanência do acionista na “data com”;
Deve constar no estatuto da companhia o percentual de distribuição anual do
lucro líquido aos acionistas.
Liquidação
O acionista possui o direito essencial ao acionista, é o de participação no acervo
da social no caso de liquidação da companhia.
Normalmente a divisão do acervo final entre os acionistas será feita conforme o
valor patrimonial das ações, partilhando-se o dinheiro que restar após a
liquidação do ativo e pagamento do passivo de forma isonômica entre os
acionistas.
Porém, o estatuto social estabelece prioridade no pagamento do acervo final em
favor dos preferencialistas.
Fiscalização
A Lei das S.A. determina que todo acionista de uma companhia tem o direito
essencial de fiscalizar a gestão dos negócios sociais.

211
A fiscalização deve ser feita nas formas admitidas, inclusive por meio do
Conselho Fiscal ou mediante requisição, à companhia.
Preferência e Subscrição
O direito de preferência na subscrição possui o objetivo de assegurar a estabili-
dade das relações internas de poder, facultando ao acionista a manutenção da
mesma posição na participação do capital social quando a companhia emite
no- vas ações ou valores mobiliários conversíveis em ações.
O direito a subscrição pode ser renunciado.
Retirada
O direito de retirada (ou recesso), é a possibilidade do acionista retirar-se da
com- panhia, recebendo o valor das ações de sua propriedade, desobrigando-
se a per- manecer como sócio.
Esse mecanismo serve como proteção do acionista minoritário contra qualquer
alteração na estrutura da companhia, ou contra a redução de seus direitos
asse- gurados.
O direito não pode ser negado ou restringido, pela Assembleia Geral ou pelo
Es- tatuto da Empresa.

[Link] DE REPRESENTAçÃO

Acionista Controlador
Possui o poder de controlar a companhia (tomar decisões).
O controle é exercido por:

▪ uma única pessoa (física ou jurídica), que detenha mais de 50% do capital
votante da companhia;

▪ controle compartilhado, já que nenhum acionista possui mais de 50% do


capital votante. Assim, um grupo de acionistas obtém a maioria por inter-
médio de um acordo de votos;

▪ um ou mais acionistas, apesar de não deter 50% do capital votante,


consegue eleger os administradores e impor sua estratégia aos negócios
da compan- hia.

212
Acionista Majoritário
Possui mais de 50% das ações com direito a voto. Vantagens:

▪ permissão para atualizar o Estatuto da Companhia;


▪ pode escolher os membros do Conselho de Administração;
▪ pode interferir na Governança Corporativa, e possui maior poder de
decisão e voto nas assembleias.

TAG ALONG
É uma ferramenta de proteção concedida aos acionistas ordinários (ON) minoritários
em operações de venda do controle da sociedade.
É um instrumento que promove a extensão do prêmio de controle aos acionistas
minoritários.
Ações preferenciais (PN) podem ou não possuir essa proteção.
Sempre que o controle da empresa for vendido, o novo controlador deverá ofer-
ecer aos minoritários ON, pelo menos, 80% do valor pago para comprar as
ações do bloco de controle.

4.10. FONTES DE INFORMAçÕES DOS ACIONISTAS (CVM E RI)


Somente estando bem informados sobre as atividades da companhia é que os
acionistas poderão fiscalizar a atuação dos administradores da sociedade, bem
como terão condições de proferir, com consciência, o seu voto nas assembleias
gerais.
É obrigatória a ampla divulgação das informações relevantes sobre a companhia,
constituindo uma medida de proteção ao acionista minoritário.
É necessária a elaboração e disponibilização dos documentos:

▪ relatório anual;
▪ relatório da administração sobre os negócios sociais e os principais fatos
ad- ministrativos;

213
▪ demonstrações financeiras da companhia;
▪ o parecer dos auditores independentes e o parecer do conselho fiscal;
▪ a justificativa para a não distribuição do dividendo obrigatório;
▪ o protocolo e a justificativa de incorporação;
▪ fusão, cisão ou incorporação de ações;
▪ as informações adicionais sobre sociedades coligadas e controladas que
de- vem ser inseridas no relatório anual da administração e nas notas
explicativas às demonstrações financeiras.

4.11. OFERTA PRIMÁRIA X OFERTA SECUNDÁRIA


Acontece quando é realizada a emissão de novas ações ou cotas de fundos de in-
vestimento que serão ofertadas ao mercado, com ingresso de recursos no
próprio emissor da oferta.
A empresa emite e vende novas ações ao mercado.
Nesse caso, essa oferta é conhecida como IPO (initial public offer), e o dinheiro
relativo à venda das ações vai direto para o caixa da empresa.
Normalmente uma oferta pública primária acontece quando uma empresa de-
cide fazer uma expansão e precisa de capital para realizar investimentos.
Já a oferta secundária acontece quando são ofertadas ações ou cotas de fundos
de investimento já existentes, de modo que os recursos não serão aportados
na empresa/fundo, mas serão direcionados aos investidores vendedores.
Ou seja, as ofertas secundárias são lançadas no mercado e estão sendo oferecidas
por algum acionista que deseja diminuir sua participação na empresa ou
simples- mente tirar seus investimentos da mesma.

4.12. ANÁLISE TÉCNICA


O primeiro modo de escolher uma ação também é conhecido como análise grá-
fica.

214
Ela estabelece projeções para os preços das ações, baseando-se na observação
do comportamento passado: sua demanda e oferta, a evolução passada dos
volumes negociados e os preços das ações.
Aliada a isso, a análise técnica de ações sabe que o mercado de ações é
formado por seres humanos que por natureza, possuem tendências a seguir
certos padrões de comportamento, como a demanda e oferta, a evolução
passada dos volumes negociados e os preços das ações.
Agora que entendemos o conceito de análise técnica, vamos discutir sobre re-
sistência e suporte. Para isso, invocamos duas figuras icônicas no mercado de
ações: o Touro e o Urso.
Os próximos conceitos importantes são os de Suporte e Resistência. Muitas
vezes, ouvimos os analistas técnicos falarem sobre a batalha entre touros e
ursos, ou a luta entre compradores e vendedores, que acontece devido à
dificuldade dos preços de moverem-se para cima ou para baixo.
O Touro, um símbolo do mercado, faz o movimento para cima quando ataca
com os chifres para superar a resistência, que seria o nível de preço em que
uma ação raramente consegue ficar, acima de um determinado patamar de
preço.
O Urso, outro símbolo do mercado, faz o movimento com os braços, golpeando
para baixo, buscando romper o suporte, ou seja, o nível de preço em que rara-
mente a ação atinge, abaixo de um determinado patamar de preço.
Estes dois personagens, lutam para superar os patamares de preços de uma ação.

215
Abaixo temos um exemplo de um gráfico de análise de preço de ações.

216
Este gráfico mostra a evolução de preços de uma determinada ação ao longo
do tempo.
A linha azul do gráfico é chamada "linha de tendência", então, no momento
que foi "fotografada", essa ação estava com tendência de queda no preço. A
linha ver- melha inferior (A, B e C) é chamada de suporte. Isso porque é o
momento que o preço do ativo encontra um "suporte" contra queda e começa
a subir (hora de apostar na compra).
A linha vermelha superior é chamada de "linha de resistência" porque entende-
se que o preço encontra uma resistência e começa a cair (hora de apostar na
venda.
Em resumo, a análise técnica estuda as movimentações nos preços passados
e, a partir daí, explica a sua evolução futura. É uma análise para investidores
que querem operar no curto prazo.

4.13. ANÁLISE FUNDAMENTALISTA


A análise fundamentalista tem como objetivo diagnosticar o valor justo de uma
empresa, a fim de entender se o preço da ação está no valor justo ou não. Ela
utiliza dados para fundamentar a análise:

▪ demonstração financeira;
▪ posicionamento estratégico;
▪ cenário macroeconômico.

Quando o valor justo da empresa for maior que o do negociado no mercado,


ex- iste uma oportunidade para investimentos, pois, devido à demanda, os
preços tendem a se igualar com o passar do tempo.
Para entender o que é análise fundamentalista, podemos simplificar que ela
serve para responder a certas perguntas, como:

▪ a receita da empresa está crescendo?;


▪ a empresa está sendo lucrativa?;
▪ a empresa está em uma posição de mercado forte o suficiente para
vencer os seus concorrentes no futuro?;

217
▪ a empresa consegue pagar suas dívidas?

Naturalmente, estas são algumas das muitas questões envolvidas. No entanto, ex-
istem literalmente centenas de outras perguntas que você poderá ter sobre
uma empresa.
Porém, tudo se resume a apenas uma: as ações da empresa são consideradas
um bom investimento? Pense na análise fundamentalista como uma caixa de
ferramentas para ajudá-lo a responder tal pergunta.
A análise fundamentalista nos ajuda a encontrar o preço "ideal" de uma ação, e ex-
istem alguns indicadores utilizados para isso. É sobre eles que falaremos a
seguir.

4.14. DETERMINAçÃO DO PREçO DE UMA AçÃO


Alguns fatores influenciam no preço de uma ação, entre eles, a oferta e demanda.
Ou seja, se muitos investidores querem comprar ação da TopInvest, o preço da
ação desta companhia tende a subir no mercado, ao passo que se muitos
investi- dores querem vender, o preço tende a cair.
Como falamos no tópico anterior, a análise fundamentalista nos ajuda a saber se
o preço da ação é, no momento da análise, um preço justo ou não e para isso,
usamos os indicadores.

▪ Lucro por ação (LPA): representa o quanto uma ação traz de lucro para o in-
vestidor ao ano, via dividendos. Aqui pegamos o lucro líquido da
companhia e dividimos pela quantidade de ações da empresa.
▪ Valor Patrimonial da ação (VPA): o valor patrimonial de uma ação é o valor
contábil dos recursos dos acionistas empregados na empresa mensurados
por ação.
▪ Índice de preço líquido (P/L): este indicador aponta quanto tempo demora
para o investidor recuperar seu investimento. Se o investidor compra uma
ação por R$ 20,00 e recebe, no ano, R$ 2,00 de dividendos, temos que o
LPA
dessa ação é de 10 (20/2). Quanto menor for o LPA, mais rápido o investidor
encontra o payback* do seu investimento.
*O payback representa o momento que o investidor recupera seu investi-
mento.

218
▪ EBITDA: é o lucro antes dos impostos e depreciações. Basicamente, este
in- dicador nos aponta a capacidade de geração de caixa que a empresa
tem.
Dessa forma, é possível avaliar o lucro referente apenas ao negócio,
descon- tando qualquer ganho financeiro.
▪ Preço Justo: Myron J. Gordon disse "o valor de uma ação é igual ao valor
presente de seus dividendos esperados".

4.15. GOVERNANçA CORPORATIVA


As empresas com ações listadas na bolsa de valores são, por definição,
grandes empresas e com boas políticas de gestão. No entanto, a B3 criou o
segmento de governança corporativa que aumenta o padrão de exigência da
gestão da com- panhia para trazer ainda mais segurança aos investidores.
A B3 acredita que o constante aperfeiçoamento das boas práticas de
governança corporativa resulta em uma gestão mais transparente, atendendo
ao propósito de nivelar o conhecimento e mais proteção aos investidores. Esse
processo colabora para maximizar a criação de valor na empresa e propicia, às
partes relacionadas, elementos para a tomada de decisões estratégicas. (Fonte
B3).
Empresas que listadas nos segmentos de governança da bolsa alcançam um
pata- mar a mais na qualidade de sua relação com os investidores.
A governança corporativa pode ser resumida como: conjunto de mecanismos
de incentivo e controle que visa assegurar as tomadas de decisão alinhadas
com os objetivos de longo prazo das organizações.
Entre os mecanismos de governança, destacam-se a existência:

▪ do conselho de administração que seja ativo e atue com independência;


▪ da maioria obrigatória de conselheiros independentes, todos com
excelente reputação no mercado, experiência e firme compromisso de
dedicação ao conselho;
▪ do comitê de auditoria composto exclusivamente por membros indepen-
dentes.

Dentro do segmento de governança corporativa, existem os segmentos de


listagem (Bovespa Mais, Bovespa Mais Nível 2, Novo Mercado, Nível 1 e Nível 2),
na explicação

219
abaixo vou suprimir os segmentos Bovespa Mais e Bovespa Mais nível 2, pois não
são temas cobrados em sua prova, okay?
Vamos entender cada um dos segmentos.

4.15. NÍVEL 1: PRINCIPAIS EXIGÊNCIAS


▪ percentual mínimo de ações em free float (livre circulação de 20%)
▪ conselho de administração composto por no mínimo três membros (con-
forme legislação) e com mandato unificado de até dois anos;
▪ calendário público de eventos corporativos.

4.15. NÍVEL 2: PRINCIPAIS EXIGÊNCIAS

□ todas as exigências do Nível 1;

▪ conselho de administração com no mínimo cinco membros, dos quais pelo


menos 20% deverão ser independentes. O conselho deve ter mandato
unifi- cado de até dois anos;
▪ demonstrações financeiras traduzidas para o inglês;
▪ tag along de 100% tanto para PF quanto PJ.

Novo Mercado: Principais Exigências

▪ todas as exigências do Nível 2;


▪ 100% das ações devem ser ordinárias;
▪ reunião pública anual realizada em até cinco dias úteis após a divulgação
de resultados trimestrais ou das demonstrações financeiras, de
apresentação pública (presencial, por meio de teleconferência,
videoconferência ou outro
meio que permita a participação a distância) sobre as informações divul-
gadas;
▪ conselho de administração com mínimo de dois membros (conforme legis-
lação), dos quais, pelo menos, dois ou 20% (o que for maior) devem ser
inde- pendentes, além de mandato unificado de até dois anos.

220
4.16. RISCOS PRESENTES NA NEGOCIAçÃO
O mercado de ações, assim como outros investimentos, apresenta riscos. No caso
do mercado de ações, somente dois riscos são presentes.

▪ Risco de mercado: sempre que o preço de uma ação muda, estamos


lidando com o risco de mercado que, diga-se de passagem, é o risco mais
presente nessa modalidade de investimento;
▪ Risco de liquidez: caso o investidor encontre dificuldades em vender suas
ações por preço justo, estará sujeito ao risco de liquidez;

Importante ressaltar que, em hipótese alguma, as ações apresentaram risco de


crédito

4.17. COMO ESCOLHER UMA AçÃO


Como escolher uma ação
Se você, assim como eu, é uma pessoa apaixonada pelo Mercado Financeiro, pode
surgir perguntas, como: “como escolher uma ação já que temos muitas
variáveis que envolvem uma empresa?”
Para responder essa pergunta, temos de lançar mão das “escolas de análises”. Ba-
sicamente, vamos falar sobre metodologias de precificação de ações para
encon- trar um papel com preço ideal – seja para realizar Day Trade, Swing
Trade ou Buy and Hold.

4.18. LIQUIDAÇÃO FÍSICA E FINANCEIRA


Um fato importante que você deve levar para sua prova é a questão da liquidação
financeira e liquidação física de uma ação. Ficou confuso? Calma que eu vou
te explicar melhor.
Quando se executa uma ordem de compra ou venda de uma ação, acontecem
dois processos.

▪ Liquidação Física: processo onde se dá a transferência da propriedade do


ativo entre o comprador e vendedor.

221
▪ Liquidação Financeira: processo de pagamento ou recebimento do valor da
ação, ocorrendo o recebimento e o pagamento entre o comprador e
vende- dor.

Em uma operação buy and hold / swing trade, tanto a liquidação financeira, quanto
a liquidação física ocorrem em D+2. Isso significa que só compensará depois
de dois dias úteis.
Vou te deixar um exemplo para ficar melhor o entendimento.
Você vendeu hoje, segunda-feira, um lote de ações da empresa XPTO por
R$2.000,00 na bolsa de valores para outro investidor no mercado secundário.
Somente na quarta-feira, ocorrerá a liquidação financeira e você terá acesso ao
dinheiro.
O mesmo processo ocorre com o comprador das ações. Somente na quarta-feira
ocorrerá a liquidação física e você terá acesso às ações.
Já em uma operação day trade, a liquidação física ocorre em D+0, ou seja, no
mesmo dia. E a liquidação financeira ocorre em D+2.

4.19. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO


Juros sobre capital próprio é uma modalidade de distribuição de lucros aos acionistas.
Essa modalidade é considerada antes do lucro líquido da empresa, entrando no
lançamento contábil da empresa como despesa. Desta forma, o JCP impacta o lu-
cro líquido da empresa e, como consequência, a empresa obtém menor cobrança
de impostos sobre seu lucro líquido.
Quando os acionistas recebem o JCP, existe um desconto de IR no ato do paga-
mento e a incidência de alíquota é de 15%.

4.20. COMPENSAçÃO DE PERDAS


Já que o Imposto de Renda é cobrado sobre o ganho nominal, imagine uma situ-
ação em que o investidor, ao invés de ganhar dinheiro com seu investimento,
reg- istre uma perda.
Neste caso, o investidor pode compensar perdas em investimento futuro. Ou seja,
se ele perdeu dinheiro em janeiro e ganhou em maio, poderá compensar
Vamos a mais um exemplo.

222
No mês de janeiro, o investidor vendeu ações com um prejuízo total de R$ 5.000,00.
No mês de março o mesmo investidor vendeu ações com lucro de R$ 8.000,00.
As- sim, o prejuízo anterior será compensado e recolhido IR somente sobre R$
3.000,00 (8.000 - 5.000).
Essa compensação pode ser feita a qualquer tempo no futuro. No entanto, se o
investidor não fizer a compensação no mesmo ano do prejuízo, terá que levar
esse prejuízo à sua declaração anual de ajuste de IR para compensar em anos
futuros.

Dica do Kléber: a compensação pode ser feita somente para


investimentos da mesma modalidade. Se o investidor teve prejuízo com
day trade, poderá compensar somente com day trade. Se perdeu com
swing trade ou buy and hold, poderá compensar somente com swing
trade ou buy and hold.

4.20. TRIBUTAçÃO

Em uma operação buy and hold/swing trade:

▪ a alíquota de IR para essa modalidade de investimento é de 15% sobre o lucro;


▪ o fato gerador de IR é a venda de ações com lucro;
▪ o lucro do investidor é aferido com base no valor das vendas, deduzindo
as despesas por negociação;

▪ o imposto é apurado no mês que houve a negociação e deve ser recolhido


até o último dia útil do mês subsequente;
▪ o recolhimento de IR é sempre feito pelo próprio investidor via DARF;
▪ a corretora que intermediou a operação recolhe um percentual na fonte
de 0,005% sobre o valor total da alienação, a título de antecipação de IR.
Esse
percentual é conhecido no mercado como "dedo-duro", pois tem a função
de informar a Receita Federal sobre a movimentação do contribuinte;
▪ fica dispensado o recolhimento do dedo duro se o valor for igual ou
inferior a R$ 1,00;
▪ investidor PF que vende, dentro de um mesmo mês, até o valor de R$
20.000,00, estará sempre isento de IR;

223
▪ todas as operações no mercado de ações estarão livres de IOF.

Vamos tentar entender melhor através de um exemplo dessa

dinâmica.
Em janeiro deste ano, o investidor comprou R$ 100.000,00 em ações. Passados
três meses, em abril, este investidor aliena (vendeu) as ações por um total de
R$ 120.000,00.
Assim sendo, temos um lucro de R$ 20.000,00 a ser tributado, certo? Nesse caso
será retido na fonte pela corretora 0,005% sobre o valor total da venda, ou
seja, (120.000 x 0,005) R$ 6,00.
O investidor, por sua vez, precisa recolher 15% sobre o lucro via DARF sendo 15%
sobre 20.000, um total de R$ 3.000,00. Por ter sido retido na fonte R$ 6,00 o
in- vestidor desconta na DARF recolhendo apenas R$ 2.994,00.
Em uma operação day trade:

▪ a alíquota de IR para essa modalidade de operação é 20%;


▪ o fato gerador do IR é a compra e venda no mesmo dia com lucro;
▪ o imposto é apurado dentro do mês que houve a negociação e deve ser
recol- hido até o último dia útil do mês subsequente;
▪ o recolhimento de IR é sempre feito pelo próprio investidor, via DARF;
▪ a corretora que intermediou a operação recolhe um percentual na fonte
de 1% sobre o valor do lucro, a título de antecipação de IR;
▪ o IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte) é feito sobre o total líquido da
operação, ou seja, descontando as taxas de registro, emolumentos e
opera- cional;
▪ não está isento de IR, independentemente do valor.

4.21. RENDA FIXA


No momento que você investe, já sabe o quanto vai receber no vencimento, ou
seja, a renda fixa.
Porém, uma pergunta bem simples que sempre é dúvida: o que, de fato, é renda
fixa?

224
Se eu pedir a você uma grana emprestada, talvez me empreste, porque vai
com a minha cara. Uma certeza que eu tenho é: caso a sua resposta para a
minha solicitação seja "sim", você me fará três perguntas.
1. Quando você vai me pagar?
2. Quanto de juros você vai me pagar quando me devolver o dinheiro?
3. Você tem alguma garantia para me oferecer?
Pronto, você acabou de aprender tudo sobre renda fixa. Ela é um título que:
1. tem vencimento;
2. tem taxa de juros conhecida no momento da contratação;
3. pode ou não oferecer uma garantia adicional.
Se você entendeu o conceito simples que acabei de colocar vamos deixar as
coisas um pouco mais técnicas.
Quando o agente superavitário investe seu dinheiro em um título de renda fixa
está, na prática, emprestando o dinheiro ao agente deficitário (o emissor do
título). Esse título, será constado nos passivos do emissor. Em outras palavras,
representa a dívida do emissor.
Se esse é o conceito de um título de renda fixa, o que seria então um título de
renda variável?
Vamos desenhar minha solicitação de empréstimo de um jeito diferente. Ao
invés de solicitar um empréstimo, faço um convite para você ser meu sócio(a)
em um estúdio de tatuagem que quero abrir. Que tal? Nesse caso, as perguntas
que você me fará serão outras.
1. Quantas cotas da empresa eu terei?
2. Quanto eu tenho que investir?
Nesse exemplo, não estou realizando um empréstimo, mas sim admitindo um
sócio em meu projeto. Você, como sócio, não sabe a taxa de juros que terá de
retorno, tampouco conhece o tempo que esse dinheiro levará para retornar a
você, por isso o nome renda variável. Sua remuneração virá dos resultados que
nosso estúdio trouxer. Você terá parte do lucro.
Em outras palavras, a renda variável é um instrumento que não tem relação
com dívida, mas com propriedade. uma ação do Banco do Brasil é uma
propriedade transferida ao investidor.

225
Quando uma empresa quer crescer, naturalmente será necessário
investimento. Tais investimentos serão chamados "capital próprio" (ações) ou
"capital de ter- ceiros" (dívida, ou melhor dizendo, renda fixa). Quando o
investidor compra uma ação, ele está incorporando dinheiro ao caixa da
empresa, por isso, é chamado de "capital próprio".
Apesar de ter citado o mercado de ações como renda variável, cabe destacar
que não é o único, e vamos ainda abordar cada um dos títulos em cada um dos
mer- cados ao longo deste módulo.
Ainda introduzindo o assunto do módulo, precisamos entender outro aspecto
com muita clareza: o governo vai tributar todo tipo de renda existente no mer-
cado e no caso dos investimentos no Mercado Financeiro não seria diferente.
Ou seja, tudo que o agente superavitário ganha investindo seu dinheiro será
tribu- tado. Por isso, vamos abordar tributação agora.

4.22. DATADEEMISSÃO, DATADEVENCIMENTO, VALORNOMINALEVALORDEFACEEJUROSACRU-


ADOS

DATA DA EMISSÃO
É a data de origem do título.
É quando começa a contagem do tempo e correção do valor nominal do título.
DATA DE VENCIMENTO
É a data em que o ativo é liquidado, pois o contrato de empréstimo se encerra.
Caso o investidor resolva tirar dinheiro da aplicação antes desta data, ele poderá
ser penalizado.
Quando a data de vencimento é atingida, o dinheiro aplicado e o rendimento vão
para a conta do investidor.
VALOR NOMINAL
É o valor unitário do título hoje;
Exemplo: Um CDB de R$ 1 mil tem o valor nominal de R1mil .
Os juros do cupom incidem sobre o valor nominal.
VALOR DE FACE

226
É o montante que será resgatado no vencimento do papel.
O valor de face de um título é o mesmo que valor nominal ou valor de resgate.
Em geral, os títulos de renda fixa pré-fixados possuem um valor de face.
Assim, para saber se é um investimento atrativo ou não é preciso comparar o
valor de compra com o valor de face.
JUROS “ACRUADOS”
Refere-se ao valor proporcional da remuneração do título, compreendido entre
data de emissão e data atual.
Por exemplo, ao investir em um título de renda fixa que rende R$ 1,00 por dia,
passados 10 dias os juros acumulados serão de R10, 00.

4.23. COMPOSIÇÃO DOS CUPONS DE JUROS

É uma antecipação do capital que você investiu no título, ou seja, funciona de


forma a antecipar o recebimento do principal no futuro.
Representam uma renda intermediária extra, que pode ser interessante depen-
dendo do objetivo do investidor.
Quanto maior for a quantidade de cupons de juros pagos durante o prazo do
título, menor é a cobertura do capital à taxa de juros contratada.
Títulos públicos com rentabilidade vinculada à variação do IGP-M e pagamento
de juros semestrais.
O valor nominal unitário será atualizado com base nos índices IGP-M,
divulgados pela FGV, até o mês anterior ao corrente, e a projeção divulgada
pela ANBIMA/BC para o mês corrente.
Títulos públicos com rentabilidade vinculada à variação cambial e pagamento
de juros semestrais.
O valor nominal será atualizado pela variação cambial do dia útil
imediatamente anterior à data de emissão do papel até o último dia útil
anterior à data-base ou data de cálculo. Para o cálculo da variação cambial
utiliza-se o dólar PTAX-800 de venda disponibilizado pelo SISBACEN.
A curva de cupom cambial sujo divulgada pela B3.

227
4.24. AQUISIçÃO FACULTATIVA ANTECIPADA (OPçÃO DE CALL)
Os títulos privados de renda fixa, como CDB, LCI, LCA e LC, possuem uma data
de vencimento, ou seja, só podem ser resgatados em seu vencimento.
No entanto, existe a possibilidade de fazer a venda antecipada desses títulos
no chamado mercado secundário. Esse procedimento depende de encontrar
outro comprador para os títulos que você deseja vender.
Como esse mercado não possui tanta liquidez, geralmente a venda antecipada
é feita para o próprio emissor do título. Por isso é comum que o título sofra um
deságio.

4.25. TESOURO NACIONAL E O TESOURO DIRETO

4.25. O QUE É TESOURO NACIONAL?


▪ Criada pelo Decreto-Lei 92.452 de 1986;
▪ Vinculada ao Ministério da Fazenda (Economia);
▪ É o órgão central do Sistema de Administração Financeira Federal e do
Sis- tema de Contabilidade Federal;

Quando falamos de um país, temos que ter em mente que o mesmo tem várias
contas a receber e várias contas a pagar. Com as contas a pagar e a receber,
ter- emos o chamado “déficit ou superávit” seja ele nominal ou primário.
Imagine comigo: O tesouro nacional que vai cuidar de todas as contas
públicas, tanto a pagar como a receber. Funciona basicamente como um
grande caixa do gov- erno.
Teremos então várias entradas que são conhecidas como arrecadações do gov-
erno onde temos: tributos, taxas e etc… Do outro lado as despesas/pagamentos
e que… normalmente são bem maiores que a arrecadação.
Agora acompanhe o meu raciocínio: Se gastarmos mais do que arrecadamos ire-
mos precisar de mais DINHEIRO! Esse dinheiro precisa vir através de dívidas (que
são os financiamentos) que o governo toma.
Mas você deve estar se perguntando: Como o governo faz isso?

228
Seguinte: Ele pede dinheiro emprestado para você, eu e as empresas. O
governo não financia a dívida pública através de empréstimos bancários. O
tesouro irá emitir suas próprias dívidas, ou melhor irá emitir os títulos de
dívida pública fed- eral, e dessa forma consegue pagar suas contas. Para
auxiliar mais ainda no teu entendimento vamos dividir essas dividas em dois
grandes grupos.

▪ Dívida externa: Títulos de mercados externos (Fique tranquilo que vere-


mos isso mais adiante se for assunto da sua prova).

▪ Títulos do Mercado Interno: Títulos públicos federais. Ex: selic, ipca, renda+,
educa+ e etc. Esses títulos podem ser negociados:

– Mercado de Atacado: Sistema SELIC;

– Mercado de Varejo: Tesouro Direto;

A grande diferença é o público que irá comprar esses títulos. Uma mesma LTN
pode ter uma única negociação no mercado de atacado a um valor de R$ 100
milhões e um investidor pessoa física pode investir pouco mais de R$ 100,00
no mesmo título através do Tesouro Direto. Vale lembrar também que, sempre
que falamos de títulos de crédito (empréstimos) o maior risco é sempre o de
crédito Vamos fazer uma comparação entre o sistema SELIC (Sistema Especial
de Liq- uidação e Custódia) e o Tesouro Direto.

229
4.25. DIFERENçAS SISTEMA SELIC E TESOURO DIRETO

4.25. NEGOCIAçÃO NO TESOURO DIRETO


▪ Pelo site do Tesouro Direto;
▪ Pelo site da Instituição Financeira;

Para que você possa investir em títulos públicos federais através do Tesouro
Di- reto, você pode ir no site do banco X,Y e Z procurar a opção de investir nos
títulos públicos federais e fazer seu aporte. Ou, também pode ir direto no site
do Tesouro e fazer o investimento por lá selecionando a instituição financeira
que fará a custó-

230
dia. Ambas as formas são possíveis, é você quem manda! Basicamente seu
din- heiro, suas regras.

4.25. TESOURO DIRETO TEM NOMES “MEIGOS”

Nomes dos títulos do tesouro Direto:

▪ Tesouro Prefixado;
▪ Tesouro Prefixado com Juros Semestrais;
▪ Tesouro SELIC;
▪ Tesouro IPCA+;
▪ Tesouro IPCA+ Com Juros Semestrais;
▪ Tesouro Renda+;
▪ Tesouro Educa+;
– O Tesouro Direto tem diversas Informações Educacionais sempre
visando ajudar o pequeno investidor pessoa física;

O foco do tesouro direto com sua área educacional é ajudar o investidor leigo a
tomar a melhor decisão de investimento para o seu futuro. Minha opinião é
que começou muito bem, porém se você assistiu a aula pode ver que eu não
sou um fã dessa ideia. Eram poucos títulos, agora são muitos. Por motivos
óbvios o in- vestidor leigo tende a ficar perdido com tantas opções e
informações, e com isso acaba ficando mais confuso do que quando entrou no
site o famoso dilema da escolha. Pense no tempo que você perde pra escolher
um filme no Netflix. Mas como nem tudo são flores…

4.25. NADA É DE GRAçA…

Cobrança da Taxa de Custódia para Títulos “Tradicionais”

▪ 0,20% ao ano sobre o valor bruto atual;


– Você investiu R$ 10.000,00;

231
– Seu Saldo Atual é de R$ 14.944,10;
– Cobrança da Taxa de Custódia é de R$ 29,89;
∗ Isenção para saldos de até R$10.000,00 no Tesouro SELIC

Fique atendo que aqui estão dois novos títulos que possuem algumas diferenças
mas fica tranquilo que vou explicar cada um deles. Custódia Renda+

Custódia Educa+

232
Importante! Tesouro Direto não é investimento, é um programa criado pelo
gov- erno federal para dar acesso às PESSOAS FÍSICAS a um investimento seguro
e de baixo risco;

▪ Investimento Máximo Limitado a R$ 1.000.000,00 por mês;


▪ Negociação é realizada por meio de um agente de custódia;
▪ Recompra garantida pelo governo federal;

4.26. TÍTULOS PÚBLICOS NEGOCIADOS NO MERCADO INTERNO:


Os títulos públicos são instrumentos financeiros essenciais no mercado interno,
oferecendo opções variadas para atender diferentes objetivos de investimento.
Eles podem ser classificados em três categorias principais: Títulos Pós-fixados,
Tí- tulos Pré-fixados e Títulos Híbridos. Títulos Pós-Fixados

4.26. TESOURO SELIC (LFT)


▪ Características: Este título tem seu rendimento atrelado à taxa Selic Over,
ajustando-se diariamente a essa taxa desde seu lançamento em
01/07/2000.
▪ Indicação: Ideal para investidores com objetivos de curto prazo, dada a
sua menor volatilidade e o risco predominantemente associado ao crédito.
▪ Aspectos Populares: Conhecido popularmente como Tesouro Selic, é uma
escolha segura para quem busca um investimento com liquidez e menor
risco.

4.26. TÍTULOS PRÉ-FIXADOS

4.26. TESOURO PREFIXADO (LTN)


▪ Características: Este é um título com rendimento pré-definido, garantindo
que o valor de vencimento seja sempre R$ 1.000,00.
▪ Indicação: Indicado para objetivos de médio prazo, este título está sujeito
à marcação a mercado, o que implica em um risco de volatilidade.

233
▪ Nome Popular: Conhecido como Tesouro Prefixado, é uma opção para
quem busca previsibilidade nos seus investimentos.

4.26. TESOURO PREFIXADO COM JUROS SEMESTRAIS (NTN-F):


▪ Características: Semelhante ao Tesouro Prefixado, porém, com a adição
de um cupom de juros de 10% ao ano ou 4,88% ao semestre.

▪ Indicação: Também voltado para o médio prazo, apresenta uma


volatilidade menor se comparado ao Tesouro Prefixado (LTN).

▪ Nome Popular: Conhecido como Tesouro Prefixado com Juros Semestrais,


este título é uma escolha interessante para quem deseja receber
rendimen- tos periódicos.

4.26. TÍTULOS HÍBRIDOS (ATRELADOS À INFLAçÃO)

4.26. TESOURO IPCA+ (NTN-B PRINCIPAL)

▪ Características: Este título oferece um rendimento prefixado mais a


correção pela inflação, garantindo que o valor inicial de R$ 1.000,00 seja
ajustado pelo IPCA desde 15/07/2000

▪ Indicação: Ideal para objetivos de longo prazo, considerando a marcação a


mercado e o risco associado à volatilidade devido ao prazo extenso.

▪ Nome Popular: Conhecido como Tesouro IPCA+, é uma opção para quem
busca proteção contra a inflação no longo prazo.

4.26. TESOURO IPCA+ COM JUROS SEMESTRAIS (NTN-B):


▪ Características: Assemelha-se ao Tesouro IPCA+, com a diferença de
pagar um cupom de juros de 6% ao ano ou 2,96% ao semestre.

▪ Indicação: Adequado para investidores de longo prazo, apresenta um risco


menor em comparação ao NTN-b Principal, devido à sua menor duration.

234
▪ Nome Popular: Este título é popularmente conhecido como Tesouro IPCA+
com juros semestrais e é preferido por aqueles que desejam rendimentos
periódicos aliados à proteção inflacionária.

4.26. RENDA+
▪ Características e Indicação: Uma variante do Tesouro IPCA+, o Renda+ é
pro- jetado especialmente para complementar a aposentadoria, com um
valor inicial de R$ 1.000,00 corrigido pelo IPCA.
▪ Detalhes Específicos: Por exemplo, o Renda+ 2040 propõe a amortização
dos juros e do principal em 240 meses (20 anos), iniciando o pagamento
em 15/01/2040 e finalizando em 15/12/2059. Este título apresenta uma
carência de
resgate de 60 dias, mesmo com a garantia de recompra pelo Tesouro Direto.

4.26. EDUCA+
▪ Características e Indicação: Similarmente, o Educa+ é voltado para
custear estudos em ensino superior
▪ Detalhes Específicos: No modelo do Educa+ 2040, há a amortização dos
juros e do principal em 60 meses (5 anos), com início em 15/01/2040 e
término em 15/12/2044. Assim como o Renda+, possui uma carência de
resgate de 60
dias.

Estes títulos públicos oferecem uma variedade de opções para atender a difer-
entes perfis e objetivos de investimento, desde a segurança e liquidez do
Tesouro Selic para objetivos de curto prazo até as opções mais sofisticadas do
Tesouro IPCA+ para proteção contra a inflação e planejamento de longo prazo.
É fun- damental entender as características de cada título para alinhar com as
neces- sidades e metas do investidor.

4.27. CERTIFICADO DE DEPÓSITO BANCÁRIO (CDB)


Aqui, começamos a falar, de fato, sobre renda fixa. O CDB é o instrumento de
renda fixa mais popular do nosso mercado, pois é aqui que o banco pode pegar
dinheiro emprestado de seus clientes.

235
O CDB é um título representativo de depósito à prazo, emitido por bancos comer-
ciais, bancos de investimento e bancos múltiplos – além, é claro, da Caixa
Econômica Federal.
A remuneração pode ser pré ou pós-fixada.

▪ O CDB prefixado estabelece, a priori, uma taxa nominal de remuneração


pelo período do investimento.

▪ O CDB pós-fixado é corrigido pelo índice de correção desses depósitos, po-


dendo ser a variação do CDI, Selic, TR, TBF, IGP-M, etc.

4.28. PRAZOS MÍNIMOS DE EMISSÃO


▪ CDB prefixado ou corrigido pela variação da taxa DI: a partir de um dia;
▪ CDB corrigido pela TR ou TL: a partir de um mês;
▪ CDB corrigido pela TBF: a partir de dois meses;
▪ CDB corrigido pelo IGPM: a partir de um ano.

Não há referências sobre prazo máximo de emissão.

4.29. ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DO CDB


▪ é um título de renda fixa, portanto, possui vencimento, taxa conhecida no
momento da contratação e representa a dívida do banco emissor;
▪ pode ser negociado no mercado secundário (embora não seja comum, é
uma prática possível);
▪ pode ser endossável;
▪ a recompra antecipada do título é facultativa ao emissor. Em outras
palavras, o banco pode ou não oferecer liquidez diária do título;

▪ a tributação do título obedece a Tabela Regressiva de IR e IOF, além de


pos- suir retenção exclusiva e definitiva na fonte;

236
▪ possui cobertura do FGC, conforme os limites do fundo;

▪ é um título privado e apresenta risco de crédito. Esse risco pode ser


dimin- uído em função do FGC, já citado aqui;

▪ além do risco de crédito, o título vai apresentar risco de liquidez e de mer-


cado;

▪ o risco de liquidez é diminuído quando o banco oferece liquidez diária


ao título;

▪ o risco de mercado, por sua vez, é diminuído quando o título acompanha a


variação das taxas de juros, ou seja, quando o título for pós-fixado;

▪ é registrado, custodiado e liquidado na clearing da B3;

▪ a distribuição desse produto é feita pelas agências bancárias do próprio


banco emissor e também por corretoras e distribuidoras que oferecem CDB
de di- versos bancos a seus clientes.

▪ as financeiras também são emissoras de CDB

4.30. LETRA FINANCEIRA


Letra financeira é um instrumento de captação emitido por instituições finan-
ceiras, como:

▪ sociedades de crédito, financiamento e investimento;

▪ caixas econômicas;

▪ companhias hipotecárias;

▪ sociedades de crédito imobiliário;

▪ BNDES.

237
4.31. ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DA LF
▪ é um título privado, portanto, tem risco de crédito elevado;

▪ apesar de ser emitido por um banco, esse título não conta com a
cobertura do FGC;

▪ o prazo mínimo de vencimento é de 24 meses e não admite liquidez antes


desse prazo;

▪ remuneração: taxa de juros prefixada, combinada ou não com taxa


flutuante ou índice de preço – vedada a emissão com cláusula de variação
cambial;

▪ por ser um título com vencimento mais longo, admite-se pagamento


de cupons periódicos. Em outras palavras, o investidor pode receber o
rendi- mento do título em sua conta periodicamente enquanto o principal
continua
aplicado;

▪ o valor mínimo para emissão é de R$ 50.000,00. Se o título tiver cláusula


de subordinação, terá como valor mínimo R$ 300.000,00. Essa cláusula
coloca o credor do banco – no nosso caso, o investidor em LF – em
condição subordi-
nada aos demais credores para recebimento em caso de falência do banco.
Portanto, o risco é maior;

▪ por ser um título com prazo e risco maior, não possui cobertura do FGC e
valor de entrada maior. A LF costumeiramente apresenta a vantagem ao
investi-
dor de ter remuneração mais atrativas que outros instrumentos de renda
fixa;

▪ A tributação obedece a tabela regressiva de IR e IOF. No entanto, como


não há liquidez antes de 24 meses, podemos concluir que o IOF não será
cobrado.
O IR, portanto, será cobrado conforme o prazo de permanência dos rendi-
mentos, ou seja, se o título oferece pagamento de cupom, esse
pagamento será deduzido de IR conforme o prazo de pagamento.

A LF pode ser adquirida pela instituição emissora a qualquer momento, desde que
por meio de bolsas ou de mercado de balcão organizado.
238
4.32. TRIBUTAçÃO
Os rendimentos auferidos serão tributados no resgate seguindo Tabela de IR
Re- gressiva, conforme regras de renda fixa. Sendo que, do IOF, não há
cobrança.

4.33. DEPÓSITO A PRAZO COM GARANTIA ESPECIAL (DPGE)


O DPGE é uma forma de captação de depósito a prazo, com garantia especial
pro- porcionada pelo fundo garantidor de crédito. Admite quarenta milhões de
reais por titular, sem emissão de certificado e com registro obrigatório na B3.
Destinado a investidores PF e PJ.
Emissores:

▪ bancos comerciais;
▪ bancos múltiplos;
▪ bancos de desenvolvimento;
▪ bancos de investimento;
▪ sociedade de crédito;
▪ financiamento e investimento;
▪ caixas econômicas.

4.34. ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DO DPGE


▪ é um título de renda fixa emitido por Banco Comercial, investimento, so-
ciedades de crédito e caixas econômicas;
▪ embora possa ser emitido por qualquer banco, é um instrumento mais uti-
lizado por bancos menores que precisam captar recursos do mercado com
garantia especial;
▪ são transferíveis mediante a cessão particular de créditos entre o
interessa- dos, alterando, mandatoriamente, a titularidade na B3.

239
Prazo:

▪ o prazo de vencimento deve ser, no mínimo de seis meses e máximo de


trinta e seis meses;
▪ é vedado resgate parcial ou total antes de seis meses.

Tributação:

▪ a tributação de IR é conforme a Tabela Regressiva, com retenção


exclusiva na fonte;
▪ o limite da garantia oferecida pelo FGC é de até R$ 40.000.000,00 por CPF
e instituição/conglomerado financeiro;
▪ a emissão desse título está condicionada à autorização do FGC e
consequente alienação fiduciária de uma carteira de recebíveis ao fundo.
Explicando: imag-
ine, por exemplo, que o Banco Romero tenha em sua carteira de financia-
mento de veículos R$ 100.000.000,00. Ou seja, esse banco tem um total
de 100 milhões para receber de seus clientes que estão pagando
mensalmente.

O Banco Romero, com autorização do FGC, aliena essa carteira ao fundo. Na


prática, isso significa que, se o Banco Romero quebrar e não tiver dinheiro para
honrar com os DPGEs, o FGC pode cobrar isso junto aos investidores, mas a
carteira de financiamento de veículos passa a ser do FGC. Isso quer dizer que: à
medida que os clientes do banco estão pagando a parcela de seus veículos,
quem recebe agora é o FGC, não o fundo.

4.35. DEBÊNTURES
Até aqui falamos de títulos emitidos por bancos e pelo governo. Agora vamos
entender como as empresas não financeiras podem captar recursos no
mercado através da emissão de títulos de renda fixa, as NPs.
Para deixar as coisas bem simples, vamos começar pelas debêntures. Elas são
títulos de renda fixa, como já falei, emitidos por empresas de sociedade
anônimas (S/A) para captação de recursos a longo prazo.
Além disso, são representativos de dívida de médio e longo prazos que asseguram
aos investidores (debenturistas) o direito de crédito contra a companhia
emissora.

240
Não existe padronização das características deste título. Ou seja, a debênture
pode incluir:

▪ qualquer prazo de vencimento;


▪ amortização (pagamento do valor nominal) programada na forma anual,
semes- tral, trimestral, mensal ou esporádica, no percentual que a emissora
decidir;
▪ remunerações através de correção monetária ou de juros;
▪ remunerações através do prêmio (podendo ser vinculado à receita ou
lucro da emissora);
▪ direito dos debenturistas – além das três formas de remuneração, o
deben- turista pode gozar de outros direitos/atrativos desde que esses
estejam na escritura, com o propósito de tornar mais atrativo o
investimento neste ativo;
▪ conversão da debênture em ações da companhia em debêntures conver-
síveis em ações, é necessário observar o prazo de seis meses a partir do
encer- ramento do período de preferência concedido aos acionistas da
companhia
emissora. Já o prazo de colocação no mercado primário das debêntures
não conversíveis em ações é de seis meses a partir da contagem da data
de pub- licação do anúncio de início de distribuição, e ao término do
prazo, o saldo não subscrito deverá ser cancelado.
▪ como regra geral, o valor total das emissões de debêntures de uma
empresa não poderá́ ultrapassar o seu capital social.

4.35. TIPOS DE DEBÊNTURES:

Temos cinco tipos de debêntures no mercado:

1. debênture simples;

2. debênture conversível;

3. debênture permutável;

4. debênture comum;

5. debênture incentivada.

241
4.35. DEBÊNTURE SIMPLES

A maioria das debêntures são categorizadas como simples.


São títulos de renda fixa, usados pela empresa emissora como uma forma de cap-
tar recursos no mercado e vendidas para os investidores que buscam
rentabilizar o investimento até o vencimento.
Não existe nenhum elemento de renda variável neste tipo de debênture

4.35. DEBENTURE CONVERSÍVEL

É aquela que possibilita aos debenturistas (quem tem posse de uma debênture) a
opção de convertê-las em ações da mesma empresa, a um preço pré-
estabelecido, em datas determinadas ou durante um período.
Para isto, deve constar na escritura de emissão a razão de conversão, isso significa
o número de ações que cada debênture pode ser convertida.
Exemplo: na escritura de emissão de uma debênture conversível de R$ 1.000,00,
ela pode ser convertida por 33 ações da companhia.
Dividindo o valor nominal da debênture pelo número de ações, temos o preço de
conversão de R30, 30.
O debenturista pode escolher realizar a conversão ou manter a debênture con-
versível.
Nas debêntures conversíveis existe um elemento de renda variável.
O preço de uma debênture conversível é composto pelo valor do título de dívida e
pelo valor da opção de conversão, onde este segundo está ligado ao preço de
mercado das ações objeto de eventual conversão.

4.35. DEBÊNTURE PERMUTÁVEL

Debêntures emitidas por uma companhia e podem ser trocadas, a critério do


debenturista, por ações de emissão de outras companhias.
Tem características bem similares às debêntures conversíveis.
Apresenta um elemento de renda variável.

242
4.35. DEBÊNTURES INCENTIVADAS

Veremos mais a frente detalhes.

4.36. CROSS DEFAULT


O conceito de cross default está associado à inadimplência do emissor, de
forma que todos os débitos sejam imediatamente antecipados.
Resgate antecipado
A escritura de emissão pode determinar, a critério da emissora, a possibilidade
de resgate antecipado das debêntures, para posterior cancelamento.
A emissora recompra o título de forma forçada, não podendo se opor ao deben-
turista. Tal cláusula é de suma importância para o tomador de recursos, pois
rep- resenta uma proteção contra um cenário desfavorável da taxa de juros
vigentes.

4.37. DEBÊNTURES - COVENANTS


Covenants são cláusulas de garantia que as empresas têm que cumprir no mo-
mento que fazem contratos de endividamento.
Portanto, trata-se de um mecanismo de proteção do credor bancário em oper-
ações creditícias.
Em caso de não cumprimento desta condição, ao credor abre-se a prerrogativa
de antecipar o vencimento na medida que o devedor não cumpriu com a
condição estipulada

4.37. EXEMPLOS DE COVANANTS

1. teto de endividamento da empresa;

2. vinculação de endividamento a um projeto da empresa;

3. obrigar a prestação de contas periodicamente de fatos relevantes;

4. autorizar a entrada de novos sócios para o negócio.

243
4.37. GARANTIA DAS DEBÊNTURES

Vimos acima que uma debênture não conta com a cobertura do FGC. Se não tem
FGC, qual será a garantia do investidor ao emprestar dinheiro para a empresa
que emitiu a debênture?
Notou que eu escrevi "emprestou dinheiro para a empresa"? Pois é, fiz isso para
lembrar você que sempre que o investidor aloca seus recursos em um título de
renda fixa ele está, na prática, emprestando dinheiro ao emissor.
Bem, retomando a questão da garantia. Como a debênture é um título que não
conta a garantia do FGC, é necessário que exista outra garantia, certo? Por
isso uma debênture terá uma entre as quatro garantias abaixo.

▪ Garantia real: aqui a empresa que emite a dívida (debênture) aliena um


bem à operação. Em outras palavras, um bem real da empresa fica
"preso" de forma que a empresa não pode negociar, vender ou transferir o
bem até
que as debêntures sejam quitadas. Se a empresa não tiver caixa para pagar
as debêntures o bem pode ser vendido para quitação dos títulos.

▪ Garantia flutuante: aqui também temos um bem real dando garantia a op-
eração, no entanto essa garantia pode ser substituída. Ou seja, a empresa
é livre para negociar essa garantia em outra operação, desde que
substitua o
bem.

▪ Garantia quirografária ou sem preferência: : já ouviu a expressão "la garan-


tia soy yo"? Pois é, na garantia quirografária não existe um bem real
dando garantia ao título, e a única garantia que o investidor tem está
associada a
capacidade da empresa para pagar. Se a empresa falir, os investidores con-
correm em igualdade de condições com os demais credores quirografários
(sem preferência), em caso de falência da companhia.

▪ Garantia subordinada: como o próprio nome sugere, essa garantia está


subordinada às demais. O que difere essa garantia da quirografária, é o
fato que o detentor das debêntures não concorre em igualdade de
condições
com os demais credores da empresa, mas estão subordinados a estes. Em
outras palavras, se a empresa falir, o investidor que tem essa debênture

244
será o último da fila para receber (se é que vai receber).

245
4.37. ESCRITURA

A gente viu até aqui que uma debênture é um título de renda fixa emitido por
uma empresa não financeira e têm suas garantias. Agora precisamos entender
onde estão essas informações para que o investidor possa saber exatamente
onde está colocando seu dinheiro.
Essas informações estão dispostas no documento chamado "escritura". A
escrit- ura de uma debênture especifica os direitos dos investidores, deveres
dos emi- tentes, todas as condições da emissão, os pagamentos dos juros,
prêmio e princi- pal, além de conter várias cláusulas padronizadas restritivas e
referentes às garan- tias (se a debênture for garantida).
Além de todas as informações citadas acima, em uma escritura está descrito
quem é o agente fiduciário da debênture. Vamos falar dele agora

4.37. AGENTE FIDUCIÁRIO

O agente fiduciário é o melhor amigo do investidor debenturista. A função dele


é proteger o interesse dos debenturistas exercendo uma fiscalização
permanente e atenta, verificando se as condições estabelecidas na escritura da
debênture estão sendo cumpridas.
Entende-se por relação fiduciária a confiança e lealdade estabelecidas entre a
in- stituição participante (administradora, gestora, custodiante, etc) e os
cotistas.
A emissão pública de debêntures exige a nomeação de um agente fiduciário.
Deve ser ou uma pessoa natural capacitada ou uma instituição financeira
autor- izada pelo Banco Central para o exercício desta função e que tenha
como objeto social a administração ou custódia de bens de terceiros (ex.:
corretora de valores).
O agente fiduciário não tem a função de avalista ou garantidor da emissão e
poderá usar de qualquer ação para proteger direitos ou defender interesses dos
deben- turistas. No caso de inadimplência da emitente, o agente deve:

▪ executar garantias reais, receber o produto da cobrança e aplicá-lo no


paga- mento (integral ou proporcional) dos debenturistas;
▪ requerer falência da emitente, se não existirem garantias reais;
▪ representar os debenturistas em processos de falência, concordata, inter-
venção ou liquidação extrajudicial da emitente, salvo deliberação em con-

246
trário da assembleia dos debenturistas;
▪ tomar qualquer providência necessária para que os debenturistas
realizem seus créditos.

4.37. TRIBUTAçÃO

A tributação em debêntures obedece a Tabela Regressiva de IR. Simples assim.


Sem siglas ou nomes difíceis.

4.37. DEBÊNTURES INCENTIVADAS

No final de 2010, o Governo editou uma série de medidas para estimular a con-
strução de um mercado privado de financiamento a longo prazo.
Basicamente, essas medidas queriam "incentivar" os investidores a financiar o
crescimento da infraestrutura no país.
Ou seja, quando uma empresa capta recursos via debênture para construir uma
estrada que vai ligar a região do Mato Grosso ao porto de Santos, por exemplo,
ela melhora a vida de muitas pessoas que se beneficiam desta obra.
Produtores ru- rais, empresas de transporte, motoristas, aduaneiros, moradores
das regiões onde estará a estrada e por aí vai.
Esta é a importância de termos mais e mais obras de infraestrutura.
Para incentivar os investidores a financiar estas obras, o Governo resolveu isentar
de imposto investidores pessoa física que alocam recursos na debênture
incenti- vada.
Assim, as empresas dos segmentos abaixo podem solicitar ao ministério a qual
são vinculadas uma autorização para emitir debêntures incentivadas, confira:
a. logística e transporte;
b. mobilidade urbana;
c. energia;
d. telecomunicações;
e. radiodifusão;
f. saneamento básico;

247
g. irrigação.

4.38. CARACTERÍSTICAS DAS DEBÊNTURES INCENTIVADAS


▪ isenção de IR para PF;
▪ IR para PJ de 15%;
▪ vencimento mínimo de 48 meses;
▪ prazo mínimo para resgate de 24 meses.

4.39. REGISTRO
A emissão deverá ser registrada na CVM e, por se tratar de emissão escritural, na
B3/SND (Sistema Nacional de Debêntures), onde são realizados os controles de
transferência e efetuadas as liquidações financeiras.
Veja abaixo as característica da emissão de títulos.

▪ Debêntures simples: no vencimento, o resgate é feito em recursos finan-


ceiros. O prazo mínimo é de um ano.

▪ Debêntures conversíveis (DCA): podem ser convertida em ações a exclu-


sivo critério do investidor, em épocas e condições pré-determinadas.
Prazo mínimo de três anos.

4.40. TAXAS E FORMA DE REMUNERAçÃO E NEGOCIAçÃO


A empresa determina o fluxo de amortização e as formas de remuneração, infor-
mações que devem constar na escritura.
Podem ser remuneradas:

▪ prefixada;
▪ pós-fixada – TR, TBF, TLP, índice de preços, e DI (a mais usual).

248
Repactuação
Modalidade de debêntures que consiste em adequar a remuneração dos títulos,
periodicamente, para condições vigentes no mercado e de forma mais
vantajosa para o investidor.
Vencimento Antecipado
Essa cláusula visa garantir aos debenturistas a possibilidade de antecipar o venci-
mento das debêntures quando na ocorrência de determinados eventos:

▪ quebra de covenant;
▪ ocorrência de cross default.
Covenant
Sistema de garantia para pagar dívidas e manter a sustentabilidade na gestão da
empresa.

4.40. ASSEMBLEIA DE DEBENTURISTAS

A reunião dos debenturistas tem como propósito deliberar sobre assuntos rela-
tivos à emissão. mudar características da emissão, por exemplo. Também
pode ser convocada pelo Agente Fiduciário, CVM, ou pelos próprios
debenturistas.
Dever do agente fiduciário:
Deve estar presente, de forma obrigatória, nas emissões públicas.

4.41. NOTAS PROMISSÓRIAS (NP)


Se você entendeu bem o que é uma debênture, ficará fácil entender uma nota
promissória. Uma nota promissória é um título de Renda Fixa emitido por em-
presas não financeiras, porém com finalidade exclusiva de capital de giro.
Ao passo que uma debênture pode financiar projetos de longo prazo, uma NP vai
sempre financiar necessidades de curto prazo da empresa e por esta razão
uma NP tem regras bem objetivas quanto a seu prazo máximo de emissão:

▪ sendo 360 dias se for emitida para uma empresa S/A com capital aberto
ou S/A com capital fechado.

249
Não estão sujeitas ao prazo máximo de vencimento a que se refere o caput das
notas promissórias que, cumulativamente:
I. tenham sido objeto de oferta pública de distribuição com esforços restritos,
con- forme regulamentação específica;
II. contenham com a presença de agente fiduciário nos titulares das notas
promis- sórias.

4.41. FORMA DE EMISSÃO

São nominativas, sendo sua circulação por endosso em preto e de mera transfer-
ência de titularidade, constando obrigatoriamente no endosso a cláusula "sem
garantia".

4.41. NEGOCIAçÃO

A nota promissória, no mercado primário, pode ser negociada por uma instituição
integrante do sistema de distribuição de valores mobiliários. Se for o caso de
uma colocação de garantia, será realizada da seguinte forma:

▪ balcão;

▪ balcão organizado B3.

4.41. REGISTRO

O registro na CVM pode ser negociado no mercado de balcão organizado, sendo a


B3 o mais usual.
Remuneração

▪ Prefixada vencida com desconto.

▪ Pós-fixada, corrigida pela taxa DI.

250
4.41. RESGATE

A nota promissória deve prever o resgate e liquidação do título em moeda cor-


rente data de vencimento.
O emissor pode antecipar o resgate, havendo previsão expressa no título, pode
resgatar antecipadamente a nota promissória.

4.41. TRIBUTAçÃO

Por ser um título de renda fixa, terá sua tributação conforme a Tabela Regressiva
de IR, com a observação de que, por ser um título de curto prazo, a menor
alíquota possível é de 20%.
Agora que vimos tudo a respeito da renda fixa, chegou o momento de entender
como funciona a renda variável.

4.42. LETRA DE CRÉDITO IMOBILIÁRIO (LCI) E LETRA DE CRÉDITO DO AGRONEGÓCIO (LCA)


As Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA)
são investimentos que, embora destinados a setores diferentes, compartilham
muitas semelhanças. Ambas são títulos emitidos por instituições financeiras,
que têm como objetivo captar recursos para financiar atividades específicas: o
setor imobiliário no caso das LCIs, e o agronegócio no caso das LCAs.

4.42. O QUE SÃO LCI E LCA?

Tanto a LCI quanto a LCA são títulos que possuem lastro, ou seja, são garantidos
por um ativo real. No caso das LCIs, o lastro são os financiamentos imobiliários,
enquanto nas LCAs, são financiamentos do agronegócio. Esses títulos são
consid- erados seguros devido à dupla garantia: o lastro e a garantia da
instituição finan- ceira que os emite, respaldada pelo Fundo Garantidor de
Créditos (FGC).

251
4.42. FUNCIONAMENTO DAS LETRAS DE CRÉDITO

Exemplificando com LCI Vamos imaginar um jovem casal, Enzo e Valentina, que
deseja comprar um imóvel. Eles encontram um apartamento de R$500.000,00
e conseguem financiar R$400.000,00 pela Caixa Econômica Federal, pagando
uma taxa de 11% ao ano por 30 anos. A Caixa, então, empacota vários desses
financia- mentos e os vende a investidores sob a forma de LCIs. Os
investidores, por sua vez, compram esses títulos, que pagam uma taxa de 8%
ao ano, proporcionando ao banco um lucro na diferença entre as taxas,
conhecido como spread.
Funcionamento da LCA De maneira similar, um agricultor como o Loreci, que
precisa financiar a compra de máquinas agrícolas, pode recorrer ao Banco do
Brasil. O banco empacota vários desses financiamentos agrícolas e os vende a
investidores como LCAs. Novamente, o banco lucra com o spread entre a taxa
cobrada dos financiamentos e a taxa paga aos investidores.

4.42. VANTAGENS PARA INVESTIDORES E INSTITUIçÕES FINANCEIRAS

Para os investidores, a grande vantagem é a isenção de imposto de renda para


pessoas físicas, o que torna esses títulos bastante atrativos. Já para as
instituições financeiras, a venda dessas letras de crédito permite a antecipação
do fluxo de caixa, possibilitando a realização de novas operações lucrativas.

4.42. CARACTERÍSTICAS IMPORTANTES

1. Emissão: Podem ser emitidas por bancos comerciais, de investimento, múlti-


plos, associações de poupança e empréstimo, entre outros.
2. Garantia: Possuem garantia real (lastro) e garantia do FGC.
3. Remuneração: Pode ser prefixada, pós-fixada ou híbrida.
4. Prazos: Recentemente alterados, com a LCI exigindo um prazo mínimo de
12 meses e de 36 meses para títulos atrelados a índices de preços; para a
LCA, o prazo mínimo é de 9 meses e 12 meses para títulos atrelados a
índices de preços.

LCI e LCA são opções de investimento seguras e vantajosas, tanto para investi-
dores que buscam isenção fiscal quanto para instituições financeiras que dese-

252
jam otimizar seu fluxo de caixa. Com prazos e características específicas,
esses títulos desempenham um papel crucial no financiamento dos setores
imobiliário e do agronegócio, contribuindo para o desenvolvimento econômico
e geração de empregos no país.

4.43. CERTIFICADO DE DIREITOS CREDITÓRIOS DO AGRONEGÓCIO (CDCA)


O CDCA é um título de crédito nominativo, de livre negociação e representativo
de promessa de pagamento em dinheiro, vinculado a direitos creditórios
originários de negócios realizados entre produtores rurais (ou suas
cooperativas) e terceiros, inclusive financiamentos ou empréstimos.
De um modo bem simples de entender, o CDCA é a negociação dos recebíveis
no agronegócio, alienado as CRAs
O CDCA é emitido exclusivamente por cooperativas de produtores rurais e
outras pessoas jurídicas que exerçam atividades de comercialização,
beneficiamento ou industrialização de produtos e insumos agropecuários ou de
máquinas e imple- mentos utilizados na produção agropecuária. Pode ser
também distribuído por meio de oferta pública.
Em resumo, é através desse título que cooperativas de produtores rurais
tomam recursos do mercado para financiar produtores. A operação é
desenhada através do fluxo abaixo.
Uma cooperativa, em posse de CRAs obtidas através de negócios com
produtores de milho, por exemplo, deseja emitir um CDCA para obter um
empréstimo. Para isso, a cooperativa contata um banco e negocia uma
operação de emissão e de- sconto de CDCA, apresentando a sua carteira de
CRAs para registro e a montagem do lote.
O banco recebe o CDCA da cooperativa e entrega os recursos a ela sob a forma
de uma operação de desconto. No vencimento, os produtores de milho quitam
suas dívidas referentes às CRAs junto à cooperativa – que por sua vez, líquida o
valor acordado do desconto. O banco, que é o participante de registro, efetua a
baixa do CDCA no sistema de registro, e a operação é liquidada. Caso a
cooperativa não efetuasse o pagamento do CDCA no vencimento, o banco
executaria o CDCA e as CRAs seriam transferidas ao banco por força do
penhor.

253
4.44. CARACTERÍSTICAS DO CDCA
▪ pode ser negociado com taxa prefixada ou pós-fixadas;
▪ possui isenção fiscal para pessoa física quando da aquisição deste título;
▪ tais títulos apresentam maiores garantias e retornos mais atrativos do que
os usualmente praticados no mercado;

▪ é emitido com alienação fiduciária dos direitos creditórios vinculados ao tí-


tulo, o que aumenta ainda mais as garantias dos investidores nessa oper-
ação.

4.45. CARACTERÍSTICAS DA CPR


▪ o lastro do título é, costumeiramente, o penhor rural;
▪ não tem cobertura do FGC;
▪ pode ser negociado no mercado primário ou secundário;
▪ pode ser negociado no mercado de balcão sem registro na clearing;
▪ para ser negociado no mercado secundário, é imprescindível que tenha
sido registrado na clearing de ativos;

▪ será custodiada na clearing da B3;


▪ investidor PF está isento de IR;
▪ investidor PJ vai pagar IR conforme a Tabela Regressiva;
▪ é possível a liquidação física do título. Em outras palavras, o investidor
pode- ria comprar uma CPR para um produtor de soja, por exemplo, sendo
que no vencimento do título ele não receberia dinheiro, mas sim, a soja
produzida.
Esse tipo de contrato é muito comum entre os produtores e as
exportadoras. Ou seja: a empresa que vai exportar financia a produção
para ser vendida no mercado externo. Esse tipo de negociação pode ser
dispensado do registro na clearing.

254
4.46. CÉDULA DE CRÉDITO IMOBILIÁRIO (CCI)
Mais um título lastreado no crédito imobiliário? Sim, temos aqui mais um
instru- mento que fomenta a indústria da construção civil.
A CCI é um instrumento que facilita a negociabilidade e a portabilidade do
crédito imobiliário.
É importante você memorizar a palavra "portabilidade", lembre-se dela, pois
va- mos usá-la mais adiante. Basicamente, portabilidade é uma transferência,
mas iremos detalhar melhor tudo isso a seguir.
Um banco, uma sociedade de crédito imobiliário ou uma incorporadora,
emprestam dinheiro para as pessoas comprarem seus imóveis, certo? O prazo
desse tipo de crédito normalmente é longo, podendo chegar até 35 anos.
Faz sentido para você que 35 anos é um baita tempo quando se trata de receber
uma dívida? Existe uma solução para isso, chamada CCI.
O banco (ou o emissor do crédito imobiliário) basicamente "empacota"
recebíveis e vende no mercado financeiro.
O banco recebe à vista esse crédito imobiliário, com desconto, claro, e quem
com- prou a CCI recebe a prazo dos mutuários do crédito imobiliário. Sabe
quando um comerciante vende seus produtos a prazo e vai ao banco solicitar a
antecipação desses recebíveis? Então, é exatamente isso que o banco faz ao
emitir uma CCI no mercado: ele antecipa os recebíveis.
Algumas características-chave sobre esse produto:

▪ é negociado no mercado de balcão e registrado na clearing da B3;

▪ Está sujeito ao Ir Conforme tabela Regressiva;

▪ possui garantia real do lastro da operação de crédito;

▪ não possui cobertura do FGC;

▪ embora qualquer investidor possa ter acesso, é um produto negociado, via


de regra, entre o emissor e companhias securitizadoras e fundos de
investi- mento.

255
4.47. CERTIFICADO DE RECEBÍVEL IMOBILIÁRIO (CRI)
O CRI é um título de renda fixa de longo prazo emitido exclusivamente por uma
companhia securitizadora, com lastros em um empreendimento imobiliário que
pagam juros ao investidor.
Pausa para entender o que é uma companhia securitizadora.
O termo securitizadora vem do inglês "securities" que, traduzido, significa "título".
Assim, podemos concluir que uma securitizadora é uma empresa que emite
títu- los no mercado. É necessário realizar prospecto da emissão de CRI.
Podem ser emitidos de forma simples ou com regime fiduciário. Neste último
caso, se constitui um patrimônio separado administrado pela companhia
securi- tizadora, é composto pela totalidade dos créditos submetidos ao regime
fiduciário que lastreiam a emissão.
Um banco emite títulos no mercado para os investidores. Para simplificar ainda
mais: a securitizadora é quem antecipa a carteira de crédito dos bancos,
pagando à vista para o banco e recebendo a prazo dos tomadores.

▪ Prazo mínimo: não possui prazo mínimo.


▪ Tributação: pessoa física isenta de IR.
▪ Remuneração: não podem ser emitidos com correção pela variação cam-
bial.

Voltemos, então, para o CRI. Esse título é emitido por uma securitizadora. Em
linhas gerais, imaginemos que a securitizadora tenha comprado uma carteira
de crédito imobiliário de um banco no valor de R$ 500.000.000,00. Essa
compra é, para o banco, uma antecipação de um fluxo de caixa futuro e, para a
securitizadora, um pagamento à vista.
A pergunta que fica é: de onde a securitizadora vai tirar essa grana toda para pagar
o banco? Se você respondeu "do Mercado Financeiro", acertou. A
securitizadora emite um título chamado CRI.
Um CRI é um título de valor mobiliário, portanto tem que ser objeto de oferta
pública com autorização da CVM para ser ofertado ao mercado, exceto se for
ofer- tado exclusivamente para investidor qualificado.
Características principais:

256
▪ não possui prazo mínimo;
▪ não possui garantia do FGC;
▪ possui lastro no crédito imobiliário e, sendo assim, tem garantia real;
▪ há isenção de IR para investidor PF;
▪ é um título registrado na clearing de títulos da B3;
▪ não há regulação para o valor unitário do título, no entanto, títulos com
valor de aplicação de R$ 1.000,00 são comuns.

4.48. CERTIFICADO DE RECEBÍVEL DO AGRONEGÓCIO (CRA)


Um CRA é um título de valor mobiliário de renda fixa emitido exclusivamente
por companhias securitizadoras.
Baseado em direitos creditórios originados em negócio entre produtores rurais
ou entre suas cooperativas e terceiros – inclusive financiamento ou empréstimo
relacionados à produção, comercialização, beneficiamento ou industrialização.
Portanto, tem que ser objeto de oferta pública com autorização da CVM para
ser ofertado ao mercado – exceto se for ofertado exclusivamente para investidor
qual- ificado.
Características principais:

▪ não possui garantia do FGC;


▪ lastro em direitos creditórios originados de negócios entre produtores
rurais, ou suas cooperativas, e terceiros inclusive financiamentos ou
empréstimos relacionados com a comercialização. beneficiamento ou
industrialização de
produtos ou insumos agropecuários.

▪ há isenção de IR para investidor PF;


▪ é um título registrado na clearing de títulos da B3;
▪ não há regulação para o valor unitário do título. No entanto, títulos com
valor de aplicação de R$ 1.000,00 são comuns.

257
4.49. CÉDULA DO PRODUTOR RURAL (CPR)
A CPR é um título emitido por produtor rural (ou cooperativa de produtores) para
financiar sua produção. Eu adoro uma analogia, então aqui vai mais uma.
Se você está lendo essa apostila, você se matriculou em nosso curso (honesta-
mente,assim eu espero, viu?). Agora, imagine que eu, enquanto professor,
tenha idealizado esse projeto e sabia que, do dia que tive a ideia até o curso
estar pronto para ser vendido para você, demorariam seis meses.
Se imaginarmos que, quando o curso ficasse pronto, eu pudesse matricular 50
alunos e que cada aluno investiria 500 reais no curso. Logo eu teria um fatura-
mento de 25 mil reais depois de seis meses.
Tô rico, né? Não, não estou rico.
O ponto aqui é: para o projeto acontecer, eu tenho custo. Site, câmera, edição de
vídeos, e por aí vai. Como eu não tenho dinheiro para bancar esse projeto, eu
emito uma CPC (cédula do produtor de cursos) e vendo para um investidor que
queira financiar esse projeto. Assim, o investidor me paga hoje R$ 20.000,00
para que eu consiga produzir esse curso lindo para você, e quando eu estiver
vendendo os cursos, ele recebe os R$ 25.000,00.
Assim, todo mundo fica feliz:

▪ eu por conseguir montar o projeto;


▪ o investidor por ganhar dinheiro ao comprar minha CPC;
▪ Você por encontrar esse curso parrudo e ter passado no exame de certifi-
cação.

É claro que você sabe que não existe CPC, mas é exatamente isso que o acontece
com uma CPR. Um produtor rural antecipa a venda de sua produção junto ao
mercado.
Acontece que o mercado financeiro é bem exigente. E se por alguma razão, esse
produtor não conseguir vender sua safra? Quem garante que o investidor vai
re- ceber seu dinheiro? É aí que entra o sistema financeiro.
O produtor (ou a cooperativa de produtores) que quer emitir uma CPR vai con-
tratar um banco ou uma seguradora para prestar serviço de aval. Então, o
banco vai assumir o risco da operação.

258
Isso pode ser entendido como se o banco, ao prestar esse serviço de seguro
(aval), dissesse aos investidores "investidores que pensam em comprar a CPR
desse pro- duto, podem comprar sem medo que se o produtor tiver algum
problema com sua safra, eu pago o valor da CPR".

4.50. OPERAçÃO COMPROMISSADA


Essa é mais uma modalidade de investimento oferecida por bancos.
Caracteriza- se pelo compromisso de recompra de um determinado ativo,
apresentando prazo e preço previamente definidos.
Nesse caso, o investidor compra um título de propriedade do banco. Não con-
funda "propriedade" com "emissão".
Deixa eu explicar isso melhor: quando você compra um CDB de um banco, está
comprando um título emitido pelo banco e representa uma dívida do próprio
banco.
Acontece que o banco, como um player do Mercado Financeiro, também
compra títulos no próprio mercado, por exemplo, uma debênture. Na
compromissada, o investidor está comprando essa debênture comprada
anteriormente pelo banco.
Agora com uma linguagem um pouco mais técnica, uma "compromissada" é
uma operação que possui lastro em ativos de propriedade do banco, e o banco
assume o compromisso de recomprar esse ativo do investidor.
Apesar de ser um título lastreado em outro ativo, o risco desse investimento é
da instituição financeira que emite a compromissada

4.50. CARACTERÍSTICAS
▪ título lastreado em algum ativo de propriedade do banco;
▪ registrado e liquidado na B3;
▪ uma das partes deve ser um banco comercial, de investimento,
desenvolvi- mento, uma sociedade de crédito, financiamento e sociedade
corretora ou distribuidora de valores de títulos e mobiliários;
▪ possui cobertura do FGC se o lastro for título emitido por empresa ligada
ao banco emissor da compromissada, que tem como objeto títulos
emitidos

259
após 8 de março de 2012;
▪ tributação conforme a Tabela Regressiva de IR, tanto para PF quanto para PJ;
▪ sujeito a cobrança de IOF se resgatado antes de 30 dias.

4.51. CADERNETA DE POUPANçA


A poupança foi criada por Dom Pedro II durante o Império, em 1861. E acredite,
desde a sua criação, a poupança paga praticamente os mesmos juros até hoje,
ou até menos.
Ela foi criada para atender população pobre do Brasil imperial, em 1871 foi criada
uma lei que permitia aos escravos depositar dinheiro na poupança por meio de
doações, heranças ou renda proveniente de algum tipo de trabalho.

4.51. CARACTERÍSTICAS
▪ a remuneração definida pelo Banco Central é igual em todas as
instituições financeiras;

▪ o prazo do investimento é indeterminado;


▪ a poupança conta com garantia do FGC até o limite estabelecido;
▪ possui liquidez diária, entretanto, valores sacados antes da data de
aniver- sário não recebem o rendimento do último período;

▪ rendimentos são creditados mensal ou trimestralmente se o investidor for


pessoa física. No caso de pessoa jurídica, será depositado o rendimento
trimes- tralmente;

▪ aplicações em cadernetas de poupança realizadas através de depósito em


cheque têm como data de aniversário o dia que o dia do depósito.

4.52. RENTABILIDADE
O rendimento da poupança será composto por TR mais juros de:

260
▪ 0,5% ao mês, se a meta da taxa Selic, definida pelo BACEN, for superior a
8,5% ao ano;
▪ 70% da meta da taxa Selic, definida pelo BACEN, vigente na data de início
de cada período de rendimento.

O saldo dos depósitos de poupança efetuados até a data de entrada em vigor


de MP 567 de 3 de maio de 2012 será remunerado, em cada período de
rendimento, pela TR mais juros de 0,5% ao mês.
As contas abertas nos dias 29, 30 e 31 têm como data de aniversário o dia 1° do mês
seguinte.
Exemplo
A poupança possui rentabilidade mensal, isto é, paga juros ao investidor
somente uma vez por mês. Esse pagamento é feito no dia do aniversário da
poupança, que se dá sempre no dia de sua aplicação.
Se o investidor colocou o dinheiro na poupança no dia 10 de fevereiro, receberá
sua rentabilidade no dia 10 de março e nos meses subsequentes. Uma
observação a essa regra, porém, é que poupanças com depósito inicial nos dias
29, 30 e 31 farão aniversário no 1° dia do mês subsequente ao próximo mês da
aplicação.
A poupança possui liquidez diária, contudo, com perda de rentabilidade em
caso de saque efetuado antes do aniversário. Já sobre rentabilidade, a
poupança tem duas regras para pagar o investidor, e essas regras estão
condicionadas à taxa Selic.

4.53. TRIBUTAçÃO
▪ isenção total de IR na fonte e na declaração, pessoa física e pessoa
jurídica imune.

261
▪ demais pessoas jurídicas pagam IR com Tabela Regressiva.

Curiosidades
Algumas curiosidades sobre a caderneta de poupança:

▪ a poupança não é considerada um instrumento de renda fixa, mas sim um


depósito à vista com remuneração;
▪ os bancos devem direcionar, no mínimo, 65% do saldo das cadernetas de
poupança para o crédito imobiliário.

4.54. IMPOSTO SOBRE OPERAçÕES FINANCEIRAS (IOF)


O IOF aparece várias vezes na sua vida: quando compra algo parcelado, uso de
moeda estrangeira no cartão de crédito, cheque especial, etc. Mas você sabe
como ele aparece na prova da ANBIMA ou, melhor dizendo, no mercado finan-
ceiro?
Os rendimentos obtidos em títulos de renda fixa, justamente por ter um prazo
definido no momento do investimento, serão tributados com IR (imposto de
renda) e IOF regressivo, e no caso do IOF terá uma tabela que isenta o investidor
a partir do 30° dia. Isto é, investimentos realizados com prazo de resgate menor
ou igual serão tributados segundo a tabela de IOF abaixo.

262
Na prática é assim que funciona, veja o exemplo abaixo.
Imagine que o investidor tenha investido R$ 1.000,00 e 10 dias depois ele
resolve sacar seu investimento com um rendimento de R$ 100,00. Esse
investidor pagará 66% sobre a rentabilidade, ou seja, sobre os R$ 100,00.
Nesse caso o investidor terá um ganho de apenas R$ 34,00. No entanto, sobre
esse saldo será calculado o IR que é nosso próximo tema

Dica do Kléber: investimentos em renda variável não sofrem essa tributação


sob nenhuma hipótese.

4.55. TRIBUTAçÃO RENDA FIXA - IMPOSTO DE RENDA (IR)


Além do IOF, os investimentos serão tributados com IR. A cobrança desse
tributo será feita, no mercado de renda fixa, também conforme uma tabela
regressiva, que você vê aqui embaixo.

A partir de agora, essa tabela deve ser sua nova companheira. A cada olhada
no celular para conferir suas redes sociais, você deve olhar duas vezes para essa
tabela até ter esse conceito bem enraizado, combinado?
Não sei se você notou, mas tanto no IOF quanto no IR os investimentos com
prazos maiores pagam menos imposto. A razão disso é muito simples: o
governo quer incentivar os investimentos de longo prazo.
Na prática, essa tabela funciona assim: imagine que um investidor tenha
investido R$ 1.000,00 em um instrumento de renda fixa, e ao solicitar o resgate,
tenha aferido,

263
sete meses depois, ganho de R$ 200,00. No período de sete meses o
investidor está sujeito a alíquota de 20%. Nesse caso, pagará R$ 40,00 de IR,
tendo apenas R$ 160,00 de lucro líquido.
Outro ponto importante é que, caso haja cobrança de IOF, essa cobrança será
re- alizada primeiro para que o saldo líquido dos rendimentos possam ser
tributados pelo IR.
Tudo que vimos até aqui sobre tributação aplica-se apenas para o mercado de
renda fixa. No caso de renda variável, a coisa é um pouco mais simples. O
mercado de renda variável será sempre isento de IOF e terá uma tributação
fixa que na maioria dos casos, será de 15%.
Cada produto de renda fixa ou renda variável terá regras específicas sobre a
trib- utação. Contudo, em linhas gerais, obedecerá o que descrevemos aqui.
A partir do momento que tivermos abordado cada investimento, detalharei a
forma de cobrança e as especificações do produto. Logo, para continuar nossa
intro- dução, vamos falar de uma garantia adicional que alguns produtos do
mercado oferecem: o fundo garantidor de crédito.

4.56. FGC - FUNDO GARANTIDOR DE CRÉDITO


Muita gente faz investimentos irresponsáveis contando com esse carinha aqui,
mas a dúvida que fica é: Será mesmo que é prudente fazer isso? Isso é muito
mais vamos ver a seguir.

4.56. O FGC - FUNDO GARANTIDOR DE CRÉDITOS

O FGC foi criado em 1.995 com a resolução 2.211/95 pelo CMN. Vale lembrar que
o FGC não é um órgão público é uma associação de sem fins privados,
sociedade privada que visa:

▪ Preocupação com a estabilidade do sistema financeiro;

▪ 2009 tivemos a introdução da DPGE com garantia de até 40 milhões;

▪ Maio de 2017 tivemos as regras atuais do FGC;

264
4.56. FUNCIONAMENTO DO FGC

Instituição privada, sem fins lucrativos mantido pelas instituições financeiras.

▪ Busca trazer competitividade as instituições financeiras de menor porte;

▪ Espécie de seguro contra o calote dos títulos cobertos;

▪ As instituições financeiras depositam entre 0,01% e 0,02% dos depósitos


cober- tos;

▪ De acordo com o CMN, o FGC deve ter um saldo de liquidez de 2,50% dos
depósitos elegíveis.

– Por exemplo: Se tem 100 milhões, o FGC terá basicamente 2,5


milhões de cobertura.

Agora aqui pra nós… você se sente seguro com isso? Pense comigo: quando que
uma instituição financeira deve quebrar? Normalmente quando uma instituição
quebra pode ser um efeito de cadeia e com isso outras instituições quebrarem.
Esporadicamente é lógico, mas isso não é algo fácil de prever, está aí o
COVID19 que não nos deixa mentir.
Com isso quero que você entenda que: O FGC é funcional? SIM! Ele já foi seguro
para muitos investidores? SIM! Mas quero que você tenha em mente que isso
não faz dele infalível, e com isso não invista tendo o FGC como um objetivo
central, mas sim como um recurso de emergência.

265
4.56. PRODUTOS GARANTIDOS

DPGE, com garantia específica até 40 milhões de reais!


Basicamente os produtos de créditos emitidos por instituições financeiras que
co- operam para o FGC serão cobertos pelo mesmo.
Lembrando que :

4.56. VALORES GARANTIDOS

O FGC garante até R$ 250.000,00 por CPF/CNPJ por instituição financeira;

▪ Aplica-se um limite de 1 milhão de reais a cada período de 4 anos.

Basicamente é isso, parece simples mas nas provas da Anbima até o conteúdo
mais simples pode ficar complicado. Eu te recomendo revisitar esse conteúdo
mais de uma vez (não só essa mas como os outros também).

266
4.57. FGCOOP - FUNDO GARANTIDOR DO COOPERATIVISMO: PRODUTOS E SERVIçOS QUE POSSUEM
O FGC foi criado em 2.014 para dar solidez e confiança ao Sistema de Crédito
Co- operativo:

▪ Regulado pela resolução 4.150/12 do CMN;


▪ Preocupação com a estabilidade do sistema financeiro;
▪ Criado para igualar as condições de garantia dos bancos comerciais;

– Contribuição mensal ordinária de 0,0125% dos saldos garantidos;


– MESMAS garantias do FGC;

O FGCoop, ou Fundo Garantidor do Cooperativismo, é uma entidade brasileira


es- tabelecida para oferecer proteção aos depósitos em cooperativas de
crédito.
Semelhante ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que protege os correntistas,
poupadores e investidores de instituições financeiras.
OBJETIVO:
O FGCoop tem o objetivo de promover a estabilidade do Sistema Nacional de
Crédito Cooperativo no Brasil, garantindo os depósitos de seus associados até
um limite estabelecido.
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS:

1. Proteção aos Associados: O FGCoop garante os depósitos dos associados


de cooperativas de crédito, assegurando um limite máximo por CPF ou
CNPJ em caso de intervenção, liquidação ou falência da cooperativa.
2. Contribuições das Cooperativas: As cooperativas de crédito contribuem
para o fundo, pagando cotas proporcionais ao volume de depósitos que
pos- suem.
3. Gestão Independente: O FGCoop é gerido de forma independente das co-
operativas de crédito, proporcionando uma garantia mais confiável aos as-
sociados.
4. Promoção da Confiança: A existência do FGCoop aumenta a confiança dos
associados nas cooperativas de crédito, sabendo que seus depósitos estão
protegidos até certo limite.

267
5. Limites de Garantia: Semelhante ao FGC, o FGCoop estabelece limites para
a garantia dos depósitos. É importante verificar qual é o limite atual.

6. Regulação e Fiscalização: O FGCoop opera sob a supervisão e regulação de


órgãos governamentais, garantindo a aderência às normas financeiras e
de segurança.

PRINCIPAIS SERVIÇOS E PRODUTOS:

1. Contas Correntes e de Poupança: Oferecem contas correntes para gestão


do dia a dia financeiro e contas de poupança para economias de longo
prazo.

2. Empréstimos e Financiamentos: Disponibilizam várias opções de crédito,


incluindo empréstimos pessoais, financiamentos imobiliários, crédito rural,
financiamentos de veículos e linhas de crédito para negócios.

3. Cartões de Crédito e Débito: Oferecem cartões de crédito e débito, muitas


vezes com taxas competitivas e benefícios adicionais.

4. Investimentos: Proporcionam uma gama de opções de investimento, como


certificados de depósito, fundos de investimento e planos de
aposentadoria.

5. Serviços de Pagamento: Incluem serviços como pagamentos de contas,


transferências bancárias e serviços de débito automático.

6. Seguros: Muitas cooperativas de crédito oferecem seguros de vida, saúde,


automóvel, residencial e empresarial.

7. Consultoria Financeira: Fornecem consultoria financeira personalizada, muitas


vezes focada nas necessidades específicas de seus membros.

8. Serviços para Negócios: Incluem linhas de crédito empresarial, serviços de


pagamento de salários, financiamento de capital de giro e outros serviços
voltados para pequenas e médias empresas.

9. Produtos de Planejamento Financeiro: Algumas cooperativas oferecem


serviços de planejamento financeiro, como gestão de patrimônio e
planeja- mento de aposentadoria.

10. Tecnologia Bancária: Disponibilizam plataformas de internet banking e


aplica- tivos móveis para gestão de contas e transações online.

268
4.58. INTRODUçÃO AO MERCADO DE DERIVATIVOS
Os instrumentos de investimentos estudados até aqui são chamados de ativos
financeiros. A partir de agora vamos estudar instrumentos de investimentos
que derivam de um ativo, por isso o nome "derivativo".
Esses instrumentos possibilitam que o investidor tenha acesso a um ativo, via de
regra, com outro ativo ou até mesmo por uma fração do preço do ativo objeto.
O objetivo de um derivativo é a transferência de risco. Quando um investidor
procura se proteger de algum risco específico, ele contrata um derivativo que o
manterá posicionado com a proteção.
Ficou complicado? Calma, vou explicar melhor cada um desses instrumentos.
Antes, deixe-me explicar quais são os tipos de derivativos, e seus agentes.
Tipos de derivativos

▪ Derivativos agropecuários: têm como ativo objeto commodities agrícolas,


como café́, boi, milho, soja e outros.
▪ Derivativos financeiros: têm seu valor de mercado referenciado em alguma
taxa ou índice financeiro, como taxa de juro, taxa de inflação, taxa de
câmbio, índice de ações e outros.
▪ Derivativos de energia e climáticos: têm como objeto de negociação en-
ergia elétrica, gás natural, créditos de carbono e outros.

Tipos de transações no mercado de Derivativos

▪ mercado de swap;
▪ mercado a termo;
▪ mercado de opções;
▪ mercado futuro.

Participantes (players)

▪ Hedger: opera nesse mercado buscando proteção contra oscilações de


preços dos ativos.

269
▪ Especulador: assume o risco da operação com o objetivo de auferir
ganhos com a oscilação dos preços.

▪ Arbitrador: obtém vantagens financeiras em função de distorções nos


preços do ativo nos diferentes mercados.

Agora que já temos uma introdução sobre os contratos, tipos de derivativos e os


players desse mercado, deixa eu trazer um exemplo tangível para ajudar na
sua compreensão.
Imagine que você seja um produtor de milho e vai começar uma plantação hoje. A
colheita do milho se dá entre 90 e 100 dias. Entre seus custos você tem
sementes, insumos, arrendamento da terra, funcionários, colheita,
armazenagem e trans- porte para a trading que vai exportar seu milho. Este
custo total é de R$ 40,00 por saca de milho, assim, para que você tenha lucro,
é necessário que venda o milho por R$ 50,00 a saca.
Acontece que, assim como você, existem milhares de outros produtores mundo
afora com o mesmo objetivo. Se por qualquer razão tivermos uma supersafra
de milho, o preço da saca pode cair, você terá que vender por R$ 30,00 a saca e
amar- gar um prejuízo de R$ 10,00 por saca.
Agora, você que está aprendendo tudo sobre o mercado, tem a dizer o que pode
ser feito?
Nesse caso, você pode vender um contrato futuro de milho na B3. Assim, você
trava o preço de R$ 50,00 hoje e, aconteça o que acontecer no mercado, você
vai ter resultado financeiro de R$ 50,00 por saca.
O que temos aqui? Um contrato de derivativo agrícola onde você fez um hedge
(proteção) da sua posição de milho.
Agora troque a produção de milho por uma dívida em dólar. Nesse caso, como
você precisa pagar algo em dólar no futuro, você deve comprar um contrato
futuro de dólar.
Ou podemos trocar a dívida em dólar por ações da Petrobras, que estão com
tendência de queda no preço. Nesse caso, você pode comprar uma opção de
venda das ações para garantir seu lucro.
O que eu quero deixar com esses exemplos é que, de modo geral, os derivativos
são usados para se proteger contra a queda ou alta de preços dos ativos.
Agora estamos prontos para, de fato, entender cada um dos contratos

270
4.58. MERCADO DE SWAP

Podemos traduzir "swap" como "troca", isso ajuda muito a entender o conceito,
pois o mercado de swap consiste em operações que envolvem a troca de
index- adores
O mercado de swap consiste em operações que envolvem a troca de indexadores.
O hedger (que busca a proteção) possui um ativo financeiro e gostaria de
proteger esse ativo de eventuais mudanças no preço que vão contra seu
objetivo.
Essa troca de indexadores pode ser feita por indexadores de taxa juros,
moedas ou índice de preços.
Imagine que seu cliente tenha um CDB pré-emitido pelo seu banco, mas esse
cliente, por manter relações comerciais em dólar, precisa se proteger da
variação cambial. Como alternativa, esse cliente contrata um swap, trocando
assim a re- muneração prefixada pela variação do dólar.
Perceba nesse exemplo que o seu cliente possui um ativo (CDB-pré) com
rentabil- idade prefixada, mas passa a receber como rentabilidade a variação
cambial.
Neste caso, seu banco vai usar como valor base da operação o valor total do
CDB, deixando seu cliente passivo na taxa prefixada e ativo na variação
cambial. Em outras palavras, o investidor deixa de receber (passivo) a taxa
prefixado e passa a receber (ativo) a variação cambial do período.
O swap é um tipo de contrato de derivativos que precisa ser registrado na
clearing da B3 e sempre terá como contraparte uma instituição financeira. Ou
seja, não dá pra negociar um swap com outro investidor.
Algumas características desse mercado.

▪ Valor base: é o valor do contrato de swap que pode ser o valor de um


ativo ou um valor acordado entre as partes.

▪ Ponta passiva: é o indexador que o investidor deixa de receber após a


con- tratação do swap.

▪ Ponta ativa: é o indexador que o investidor recebe após a contratação do


swap.

▪ Ajuste positivo: é o valor que o investidor recebe em conta caso sua ponta
ativa renda mais que a ponta passiva.

271
▪ Ajuste negativo: é o valor que o investidor paga para a contraparte caso
sua ponta passiva renda mais do a ponta ativa.

▪ Tributação: o IR no mercado de swap é retido na fonte pela contraparte e


será pago segundo a Tabela Regressiva de IR, tendo como base de cálculo
o valor do ajuste positivo (se houver).

▪ Compensação de perdas: caso o investidor tenha prejuízo, este não poderá


ser compensado no futuro.

▪ Swap de fluxo de caixa: modalidade de swap que os ajustes são feitos pe-
riodicamente.

▪ Swap com pagamento final: também chamado no mercado de swap bul-


let, essa modalidade faz o acerto dos ajustes somente no vencimento do
swap.

▪ Risco de Crédito: risco que uma das contrapartes não honre com os paga-
mentos nas datas acordadas. Os bancos estabelecem limites pré-
definidos por contraparte de acordo com as características do contrato e
da própria
contraparte. Algumas vezes, são solicitadas margens antecipadas ou even-
tuais (ex: se durante a vida do contrato a "exposição" ultrapassar um
limite previamente estabelecido).

▪ Risco de Mercado: ao longo da vida do "contrato", os preços dos ativos e/ou


passivos subjacentes flutuam de forma que os "payoffs" de cada uma das
partes envolvidas é incerto. Exemplo: para um swap dólar X real, basica-
mente os riscos de mercado são o dólar, Taxa Prefixada e Cupom Cambial.

Agora que já vimos as características desse tipo de contrato, vamos ver um exem-
plo prático de como pode (e deve) ser utilizado um swap.
Imagine que a TopInvest tenha R$ 1.000.000,00 aplicados em um CDB que rende
100% do DI. Primeiro que isso seria uma boa ideia, partindo do princípio que
tenho parte nessa empresa. Mas agora pense que a taxa de juros esteja com
forte tendên- cia de queda e por isso, o rendimento desse CDB vai acompanhar
essa queda.
Para proteger essa posição, a diretora financeira aqui da escola vai até o banco e
faz um swap de DI x Pré a uma taxa de 7% a.a., pelo período de 360 dias.
Agora vamos prever, na imagem abaixo, dois cenários possíveis para a taxa de
juros.

272
Talvez você tenha notado que, independente dos cenários, o resultado final da
operação foi o mesmo. Se a taxa de juros de mercado cai para 5%, o ajuste
pos- itivo do swap leva o resultado final para os 7% contratado no swap. Se a
taxa de juros de mercado sobe para 10%, o ajuste negativo leva o rendimento
para os 7% contratado.
Em resumo: independente de quanto feche a taxa de juros de mercado, a
escola vai receber os 7% contratados.
Uma observação a esse exemplo é que aqui temos o resultado bruto. Agora
vamos evoluir essa aplicação colocando o IR no cálculo.

273
Na figura acima eu trouxe o IR de 20porque no exemplo o prazo do swap era de
360 dias. Se você reparou bem, na coluna com cenário de alta eu não coloquei
nada. E a razão é simples. O swap, nesse caso, não será tributado, mas o
rendimento da ponta passiva sim. E como eu não sei exatamente a quanto
temos o CDB, não tem como saber qual o IR devido.
Ponto importante: o ativo subjacente terá seu IR conforme o prazo do ativo e o
swap terá seu IR conforme o prazo do swap, que não necessariamente será
igual.

4.58. MERCADO DE OPçÕES

É um contrato que dá a seu detentor ou comprador o direito, mas não o dever,


de comprar, se for uma opção de compra, ou vender, se for uma opção de
venda, determinado ativo objeto, pelo preço de exercício.
O lançador da opção (ou vendedor) tem a obrigação de vender, no caso de
uma opção de compra, no caso de opção de venda, o ativo objeto do contrato
pelo preço de exercício se solicitado pelo titular da opção.
Vamos entender, primeiro, alguns termos do mercado de opções.

▪ Ativo objeto: ativo que dá origem à negociação de opção.


▪ Call: opção de compra.
▪ Put: opção de venda.
▪ Lançador: player que vende a opção no Mercado Financeiro.
▪ Titular de opção: player que compra a opção no mercado, portanto, tem o
direito de exercer a operação.

▪ Prêmio: preço de negociação, por ação objeto, de uma opção de compra


ou venda pago pelo comprador de uma opção.

▪ Exercício de opções: operação pela qual o titular de uma operação exerce


seu direito de comprar o lote de ações objeto, ao preço de exercício.

▪ Opção Americana: opção que pode ser liquidada durante a vigência do


con- trato, a qualquer momento.

274
▪ Opção Europeia: opção que pode ser liquidada apenas na data de venci-
mento do contrato de opções.

▪ Strike: preço de exercício da opção.

▪ In the Money: situação onde exercer uma opção representa lucro para seu
titular.

▪ Out the Money: situação onde exercer uma opção representa prejuízo do
seu titular.

▪ At the Money: situação onde exercer uma opção não representa lucro
nem prejuízo.

Agora que vimos todos os termos desse mercado, vamos "montar"uma operação
com opções para facilitar seu aprendizado.
Imagine que seu cliente tenha em sua carteira ações da TopInvest que foram com-
pradas por R$ 20,00. Ele gostaria de "travar" o preço de sua ação a R$ 21,00
para que ele não perca em caso de desvalorização do papel. O que esse cliente
precisa fazer?
Comprar uma call? Uma put? Pagar ou receber o prêmio?
Esse cliente quer ter a opção de vender sua ação da Top a R$ 21,00 daqui três
meses. Se ele quer vender, então ele deve comprar uma put (opção de venda)
que lhe conferirá o direito de vender essa ação a R$ 21,00.
Por essa opção, ele pagará um prêmio, que é considerado a perda máxima nesse
mercado.
Vamos assumir que o prêmio pago por essa opção seja de R$ 1,00. Assim, teremos,
no quadro abaixo o resultado da operação, conforme os cenários.

275
Antes explicar o cenário, vamos entender cada uma das colunas.

▪ Coluna a: indica o preço de exercício da opção de venda.


▪ Coluna b: indica o valor que pago de prêmio pelo titular da opção.
▪ Coluna c: indica o preço que o ativo objeto está sendo cotado no mercado
à vista no dia do vencimento da opção.

▪ Coluna d: indica se o titular vai exercer ou não a opção com base no valor
de negociação.

▪ Coluna e: indica o resultado financeiro que o titular terá a depender do


preço de mercado.

Agora vamos entender esse quadro. O investidor que comprou essa opção
pagou R$ 1,00 para ter o direito (opção) de vendar a ação da Top por R$ 21,00,
indepen- dente do preço de mercado.
Na primeira linha, as ações da empresa desvalorizam e chegaram ao mercado
com preço zero. Pergunto, você venderia por R$ 21,00 algo que vale nada?
Creio que sim, certo? Assim você teria de lucro R$ 20,00 (o valor da venda
menos o valor pago como prêmio).

276
Na segunda linha, as ações da empresa desvalorizam e chegaram ao mercado
com preço de R$ 1,00. Pergunto, você venderia por R$ 21,00 algo que vale R$
1,00? Creio que sim, certo?
Assim você teria de lucro R$ 19,00. (o valor da venda menos o valor pago
como prêmio).
Se seguirmos essa análise, linha após linha, vamos notar que sempre que o
preço do ativo objeto no mercado estiver cotado a um preço abaixo do strike,
será van- tajoso para o titular exercer a opção. Quando o preço estiver acima
do preço de exercício, não será vantajoso exercer a opção e o investidor terá um
prejuízo de R$ 1,00 (o valor pago pelo prêmio).
Uma observação importante se faz necessário na linha 5. Nesse ponto, o ativo
estava custando R$ 21,00 no mercado. Se o investidor exercer ou não exercer,
terá prejuízo de R$ 1,00.

Em resumo: o investidor que compra uma opção de venda está apostando


na queda do preço do ativo.

Agora imaginemos que você, de olho na valorização eminente das ações da


Top- Invest, queira comprar opções para ter um lucro com a compra. Nesse
caso, você compraria uma call (opção de compra). Assim, teremos o quadro
abaixo com os seguintes cenários.

277
Se você comparar as duas tabelas, vai notar que, quando o preço da ação cai
no mercado, não vale comprar por R$ 21,00 algo que vale mais do que isso.
Vamos analisar a linha 3. Você compraria por R$ 21,00 algo que vale, no
mercado, R$ 15,00? Provavelmente não, né? Assim você ficaria com o prejuízo
de R$ 1,00, que é o valor que você pagou de prêmio.
Agora se analisarmos a linha 8, temos o seguinte: você compraria por R$ 21,00
algo que vale R$ 30,00 no mercado? Provavelmente sim. Nesse caso, seu lucro
seria de R$ 8,00.
Alguns pontos importantes sobre o mercado de opções:

▪ o titular de uma opção tem, como perda máxima da operação, o prêmio


que ele pagou pela opção;

▪ o lançador de uma opção tem, como lucro máximo da operação, o prêmio


que ele recebeu pela opção;

▪ o titular pagou o prêmio, por isso, tem o direito de exercer a opção.


▪ o lançador recebeu o prêmio, por isso, tem obrigação de comprar ou
vender, se for exercido;

▪ havendo lucro na operação, será cobrado IR. Alíquota de 15% para


operações normais e 20% para operações day trade. O pagamento é
realizado por meio de uma DARF.

4.58. MERCADO A TERMO

O que vimos até aqui sobre o mercado de opções é que o titular tem a opção
de exercer ou não o contrato. No mercado a termo, temos muitas semelhanças
ao mercado de opção.
No entanto, as partes são obrigadas a exercer o que foi acordado no início. Ou
seja, exercer o contrato não é uma opção, mas uma obrigação.
Por exemplo, a contratação de compra/venda de ações da TopInvest para ser
en- tregue em 30 dias pelo valor de R$ 20,00.
Vamos citar aqui algumas características importantes do mercado a termo.

278
▪ Vendedor: compromisso de entregar o bem negociado na data prevista e
com o preço previamente acordado.

▪ Comprador: pagamento do preço previamente acordado.


▪ Prazo: não existe regra para prazo e preço do contrato, embora não seja
co- mum operações com prazo superior a 999 dias.

▪ • Margem de garantia: é um valor exigido para garantir a operação. É uti-


lizada caso haja prejuízos, dada pelo comprador ou vendedor e ajustada
de- pendendo do valor negociado. Pode ser ativos ou em moeda.

– – Cobertura (vendedor): depósito em ativos-objeto (ações);


– – Margem (comprador): depósito em R$, títulos públicos, ações, ouro
e outros.

▪ Liquidação antecipada: o contrato pode ser liquidado antecipadamente


por decisão do comprador.

▪ Formas de negociação: negociado no mercado de balcão e registrado na


clearing da B3.

▪ Liquidação: a liquidação desses contratos pode ser física ou por diferença


fi- nanceira. Os contratos que são liquidados por diferença financeira são
chama- dos no mercado de NDF (non deliverable forward).

▪ Alíquota de 15% de Imposto de Renda sobre o lucro da operação, em caso


do swing trade. O pagamento é realizado via DARF.

▪ Em caso de prejuízo, as perdas podem ser compensadas com os ganhos


líquidos auferidos em outras operações futuras, menos em operações de
day trade.

▪ Operações a termo podem alavancar muito a posição do investidor,


devido a isso a B3 exige uma margem de garantia ou garantia para
diminuir o risco de contraparte.

Os contratos liquidados por diferença financeira são chamados no mercado de


NDF (non deliverable orward).

279
Pense nas ações da empresa que você mais gosta. Imagine que eu venda a
você um lote destas ações para entregar em 90 dias pelo preço de R$ 20,00.
Nesse caso, daqui 90 dias, independentemente do preço, a ação está cotada
no mercado: eu vendo por R$ 20,00 e você compra por R$ 20,00.

4.58. MERCADO FUTURO

Por último, e não menos importante, temos o mercado futuro. Esse tipo de
nego- ciação é um misto dos demais contratos.
Se você entendeu bem como funcionam os demais derivativos, vai ficar fácil
en- tender como funciona o mercado futuro. A premissa é a mesma, negociar
no presente a venda ou compra de um ativo que será entregue no futuro pelo
preço combinado hoje.
Algumas características do mercado futuro.

▪ Contratos padronizados: nesse tipo de operação a negociação é


padronizada para todos os clientes, ou seja, taxa, prazo e preço são iguais
para todos os clientes. O contrato é listado na B3.
▪ Margem de Garantia: o investidor que entra nesse mercado precisa alocar,
como garantia, um valor junto a B3, que servirá como garantia da
operação. Quando o contrato é liquidado a B3 devolve a margem de
garantia.
▪ Liquidação antecipada: não existe a possibilidade de liquidação antecipada
deste contrato, no entanto, o investidor pode inverter sua operação
anulando sua exposição ao contrato.
▪ Ajuste diário:a cotação dos ativos subjacentes e dos contratos são atual-
izadas diariamente e pode haver um ajuste negativo ou positivo na conta
das contrapartes.
▪ Risco de contraparte: a B3, ao recolher a margem de garantia dos investi-
dores, assume para si o risco de contraparte da operação.

A premissa aqui é a que expliquei no começo do tema derivativos.


Imagine que você seja um produtor de milho e vai começar uma plantação
hoje. A colheita do milho se dá entre 90 e 100 dias. Entre seus custos você tem
se- mentes, insumos, arrendamento da terra, funcionários, colheita,
armazenagem

280
e transporte para a trading que vai exportar seu milho. Esse custo total é de
R$ 40,00 por saca de milho, assim, para que você tenha lucro é necessário que
venda o milho por R$ 50,00 a saca
Neste caso, você pode vender um contrato futuro de milho na B3. Assim, você
trava o preço de R$ 50,00 hoje e, aconteça o que acontecer no mercado, você
vai ter resultado financeiro de R$ 50,00 por saca.
Se ao final do contrato, o milho estiver cotado a R$ 70,00, você terá pago, via
ajuste diário, R$ 20,00. Assim você garante que vende por R$ 50,00. Nesse caso
você vai vender por R$ 70,00, mas como pagou R$ 20,00 no ajuste, bateu R$
50,00.
Se ao final do contrato o milho estiver cotado a R$ 30,00, você terá recebido,
via ajuste diário, R$ 20,00. Assim, garante o preço de R$ 50,00. Neste caso você
vende por R$ 30,00, mas como recebeu R$ 20,00 no ajuste, bateu R$ 50,00.
Ainda nesse mercado temos a presença de mais um player: o arbitrador. Este
tipo de investidor é aquele que busca ganhar dinheiro com a distorção de
preços entre os contratos (da mesma ou de outra praça).
Por exemplo, um investidor nota que o contrato de milho está sendo negociado
na CBoT (bolsa de Chicago) a U$ 10,00. Esse mesmo investidor percebe que o
preço desse contrato aqui na B3 está cotado a R$ 50,00. Esse investidor,
então, compra contratos na CBoT e vende na B3, buscando auferir lucro com a
diferença dos ajustes diários.
Esse player tem uma importância fundamental nesse mercado. Faz sentido
que milho é uma commodity e por isso, seu preço é o mesmo aqui ou em
qualquer lugar do mundo? Se existe essa diferença muito grande de preços
significa que o mercado está com preço distorcido.
Quando esse player cria uma pressão compradora dos contratos em Chicago, o
preço de lá tende a subir, ao passo que, quando entra vendido aqui na B3, os
preços desse contrato tendem a cair. Assim, chegamos, em determinado mo-
mento, ao equilíbrio de preço entre as praças.

4.58. ESTRATÉGIAS DE PROTEçÃO, ALAVANCAGEM E POSICIONAMENTO

No mercado de capitais, existem formas de você defender seu capital, caso


algum imprevisto possa acontecer na economia ou dentro do setor do qual
você está investindo.
As estratégias podem ser de proteção deste capital, de alavancar seu capital ou

281
de posicionamento. Vamos falar um pouco sobre cada uma delas.
Estratégias de proteção: quem deseja proteção dentro dos derivativos é chamado
de hedger. Eles buscam diminuir seus riscos por ser um importador, exportador,
tomador de empréstimos ou aplicador.
Quais são os riscos provenientes:

▪ variação de valor de ativo/passivo;


▪ fluxo futuro, de pagamentos/recebimentos operacionais e financeiros e de
valor de investimento no exterior.

Exemplos de hedgear (proteger) usando derivativos:

▪ produtor rural vai vender boi em 60 dias e gostaria de se proteger contra


a queda do preço;
▪ um banco tem passivos a serem pagos daqui em três anos em dólar, mas
possui capital em reais. A expectativa do mercado é que haja
desvalorização do real, logo o banco procura se proteger do risco cambial.

Estratégias de alavancagem: dita também como especulação, esta estratégia


busca lucrar assumindo riscos que o mercado apresenta.
Exemplos de alavancagem usando derivativos:

▪ compra/venda futura de ativos;


▪ venda de opções, etc.

Estratégias de posicionamento: também conhecido como arbitragem, tem o


intuito de obter lucro a partir das distorções de preços que os ativos sofrem. É
montado uma posição, utilizando dois ou mais instrumentos para obter lucro
sem risco.
Exemplos de alavancagem usando derivativos:

▪ venda de contrato futuro que está caro e a compra do ativo à vista;


▪ compra de contrato futuro barato e vendendo ativo à vista mais caro.

282
4.59. CERTIFICADO DE OPERAçÕES ESTRUTURADAS (COE)
Como o próprio nome sugere, é um instrumento que permite o investidor comum
possa investir, com poucos recursos, em operações estruturadas e com as mais
diversas estratégias.
É um instrumento inovador e flexível, que mescla elementos de renda fixa e renda
variável. Traz ainda o diferencial de ser estruturado com base em cenários de
gan- hos e perdas selecionadas de acordo com o perfil de cada investidor. É a
ver- são brasileira das Notas Estruturadas, muito populares na Europa e nos
Estados Unidos.
Basicamente o banco que distribui o COE pode alocar o recurso do investidor em
operações bem personalizadas. Quer um exemplo?
Um COE pode, por exemplo, comprar ações do Facebook, Netflix, título público
emitido pelo governo da Austrália e apostar na queda das ações, de forma que,
quanto maior for a queda das ações, maior será o lucro do investidor. Louco,
né? Pois é, o COE permite usar e abusar da criatividade do gestor do recurso.
Somente bancos de investimentos podem oferecer COE ao mercado. No entanto,
é comum encontrar esses produtos sendo distribuídos por DTVM e CTVM. Ou
seja, o produto é do banco, mas quem vende é a corretora.
O COE terá, por definição, data de vencimento, datas de observação e rentabili-
dade previamente acordada.
Vamos desenhar um COE aqui para você entender o mecanismo?
Nosso COE vai comprar índice Nasdaq, peso chileno e ações do Google. O venci-
mento desse nosso COE será daqui dois anos e teremos datas de observação a
cada seis meses, com as regras abaixo.

▪ Observação 1 (seis meses): se todos os ativos valorizarem, na média, 10%, pag-


amos os 10% para o investidor e liquidamos o COE. Se a valorização média
dos
ativos for inferior a 10%, não pagamos os investidores e continuamos com o
COE.

▪ Observação 2 (doze meses): se todos ativos valorizarem, na média,


15pag- amos os 15% para os investidores e liquidamos o COE. Se a
valorização média dos ativos for inferior a 15%, não pagamos os
investidores e continuamos com
o COE.

283
▪ Observação 3 (dezoito meses): se todos os ativos valorizarem, na média,
20pag- amos os 20% para os investidores e liquidamos o COE. Se a
valorização média for inferior a 20%, não pagamos os investidores e
continuamos com o COE.

▪ Observação 4 (vinte e quatro meses): esta observação vai acontecer no


venci- mento e, portanto, não há o que observar, pois o COE vai liquidar
indepen- dente do resultado. Assim, se os ativos renderem, na média
25%, pagamos
os investidores 25% e liquidamos o COE. Se os ativos renderem, na média,
menos que 25%, pagamos aos investidores 10%.

4.59. TRIBUTAçÃO

O COE é um instrumento tributado de acordo com a Tabela Regressiva de IR,


in- dependente do que exista dentro do COE.
É comum surgirem perguntas como "mas Kléber, se o COE comprar somente
ações, qual será o IR?".
A resposta é: o IR do COE terá sempre seu valor conforme a Tabela Regressiva
de IR da renda fixa. Independente do que o COE compre, esse produto tem
prazo e taxa previamente conhecido.

4.59. DOCUMENTAçÃO

O COE, para ser distribuído, precisa de um documento chamado DIE


(Documento de Informações Essenciais). Como o nome sugere, é um
documento que contém todas as informações necessárias para subsidiar a
decisão do investidor.

4.59. O DIE DEVE CONTER


▪ informações verdadeiras, completas, consistentes e que não induzam o in-
vestidor ao erro;

▪ escrita em linguagem simples, clara, objetiva, concisa e adequada à sua


na- tureza e complexidade;
▪ utilidade à avaliação de investimento no COE;
▪ nome do emissor e seu CNPJ;

284
▪ aviso que o recebimento dos montantes devidos ao investidor está sujeito
ao risco de crédito do emissor do certificado;
▪ investimento inicial mínimo ou valor nominal, se houver;
▪ condições de pagamentos periódicos dos rendimentos, quando houver;
▪ a data de vencimento ou o prazo da operação;
▪ a parcela do valor do investimento protegida, acompanhada de aviso
sobre a necessidade da imobilização do capital por determinado período a
fim de existir esta proteção de fato, quando for o caso;
▪ os ativos subjacentes utilizados como referenciais e informações sobre os
meios de obtenção dos valores dos índices, taxas ou cotações destes por
parte dos investidores;
▪ aviso que não se trata de investimento direto no ativo subjacente;
▪ dados completos sobre todos os cenários possíveis de desempenho do
COE em resposta às alternativas de comportamento dos ativos
subjacentes, in- cluindo aviso de que tais resultados são válidos no
vencimento;
▪ a especificação dos direitos e das obrigações do titular e do emissor,
respec- tivamente, que possam influenciar as condições de remuneração;
▪ condições de recompra ou resgate antes do vencimento pactuado;
▪ aviso sobre as condições de entrega física de ativo subjacente, quando for
o caso;
▪ aviso sobre as condições que impliquem na extinção dos certificados
antes do vencimento pactuado, quando for o caso;
▪ aviso sobre as condições de liquidez do investimento, incluindo
informações sobre a admissão à negociação do COE em mercado
secundário e sobre o formador de mercado, se houverem;
▪ indicação e uma breve descrição dos principais fatores de risco;
▪ aviso que o COE não é garantido pelo FGC;
▪ indicação das entidades administradoras de mercado organizado que
man- têm sistemas de registro nos quais o COE será emitido;

285
▪ advertência em destaque com a seguinte afirmação "A presente oferta foi
dispensada de registro pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A dis-
tribuição de Certificado de Operações Estruturadas (COE) não implica, por parte
dos órgãos reguladores, garantia de veracidade das informações prestadas, ou
de adequação do certificado à legislação vigente ou de julgamento sobre
a qualidade do emissor ou da instituição intermediária";

▪ informação sobre qualquer outro fator que possa afetar de forma significa-
tiva as condições de contratação da operação;

▪ descrição da tributação aplicável;

▪ orientação sobre como encaminhar uma reclamação ou esclarecer


dúvidas a respeito do COE;

▪ descrição da natureza e das características essenciais destacando se o


COE é da modalidade "investimento com valor nominal protegido" ou
"investi-
mento com valor nominal em risco", bem como o detalhamento das partic-
ularidades inerentes à respectiva modalidade – sobretudo no tocante à
pos- sibilidade da perda do capital investido.

O último tópico da lista imensa acima trata sobre as modalidades do COE. Além
disso, um COE pode ser emitido nas modalidades abaixo.

▪ Valor Nominal Protegido: nessa modalidade, o investidor não corre risco de


perder todo ou parte do investimento. Na pior das hipóteses, o valor
investido é 100% resgatado ao final do COE (sem qualquer correção).

▪ Valor Nominal em Risco: nessa modalidade, o investidor corre risco de


perder tudo ou parte do que investiu. Se a estratégia de investimento não
for vence- dora, o investidor pode ter algum prejuízo ao final do COE.

A pergunta que fica então é: por que eu iria investir em um COE que tem risco de
perda se posso investir em um COE com capital protegido? A resposta para
essa pergunta é simples: quanto maior for o risco do investimento, maior será
o retorno esperado.

286
4.60. CLEARING HOUSES

As clearing houses são responsáveis por trazer segurança ao sistema financeiro.


Imagine as milhões de transações que circulam no mercado. Como podemos
fazer o controle disso? Como temos a certeza que uma ação comprada por um
investidor foi mesmo colocada em nome desse investidor após a compra?
Os títulos negociados hoje no sistema financeiro são somente escriturais, ou
seja, não existem os títulos físicos, somente informação e dados nos sistemas.
Em nosso mercado existem dois sistemas independentes responsáveis por cus-
todiar e liquidar as transações.

▪ SELIC: o Sistema Especial de Liquidação Custódia é responsável pela


custó- dia, isto é, a guarda e liquidação de Títulos Públicos Federais
negociados no mercado interbancário ou mercado de balcão.
▪ Clearing B3: é responsável por custodiar e liquidar os ativos negociados
no ambiente da Bolsa de Valores,. Bem como o registro de títulos de
renda fixa e derivativos no mercado de balcão.

4.61. SISTEMA DE PAGAMENTOS BRASILEIRO (SPB)


O SPB é o conjunto de entidades, sistemas e mecanismos relacionados com o
processamento e liquidação de operações de transferência de fundos, de
operações com moeda estrangeira ou com ativos financeiros e valores
mobiliários.
Desde 2002, quando houve uma grande reforma no SPB decorrente da edição
da Lei 10.214/2001 — conhecida como "Lei do SPB", que estabeleceu o
fundamento legal e regulatório das câmaras de compensação e liquidação—,
proporcionou-se a interligação dos sistemas dos participantes do mercado, que
também partici- param ativamente dessa reformulação.
Isso de modo que pessoas físicas, empresas, governos e instituições
financeiras passaram a poder realizar transferências de dinheiro para
pagamentos, cobertura de saldos, aplicações e outras finalidades com muito
mais segurança e rapidez.
Hoje o SPB é integrado por serviços de:

▪ compensação de cheques;

287
▪ compensação e liquidação de ordens eletrônicas de débito e de crédito;
▪ transferência de fundos e de outros a vos financeiros;
▪ compensação e liquidação de operações com títulos e valores mobiliários;
▪ compensação e liquidação de operações realizadas em bolsas de
mercado- rias e de futuros e outras entidades.

Além disso, ele se caracteriza atualmente pela base legal sólida e abrangente, pelo
uso obrigatório de contrapartes centrais para a liquidação de obrigações, pela
certeza da liquidação dada pela contraparte central com base em mecanismos
de gerenciamento de riscos e salvaguardas, bem como pela irrevogabilidade e
finalidade das liquidações.

4.62. INITIAL PUBLIC OFFERING (IPO)

Traduzindo, significa "oferta pública inicial". É a primeira vez que uma empresa
ofertará parte de sua companhia para novos sócios, ofertando suas ações para
o mercado, ou seja, é o processo de abertura de capital de uma empresa.
Assim, esta empresa se torna uma companhia de capital aberto com papéis
negociados ou negociáveis no pregão da Bolsa de Valores.

O IPO normalmente é feito por empresas que já estão em um estágio de maturi-


dade estabelecido de seus negócios.

Veja abaixo alguns objetivos de realizar uma IPO ou oferecer ações no mercado
primário.

▪ Acesso ao capital: a empresa adquire recursos, tendo um custo menor do


obtido em financiamentos bancários ou outro tipo de crédito.
▪ Liquidez: a empresa possibilita dar maior liquidez para os
empreendedores e sócios.
▪ Questão de imagem: empresas que vão ofertar suas ações precisam ap-
resentar um nível de transparência de suas operações e resultados, dando
maior credibilidade e maior projeção, e reconhecimento do público.

288
A oferta de ações é feita no mercado primário através do banco líder e os custo-
diantes (corretoras). A reserva não caracteriza a liquidação (compra efetiva
das ações), mas a intenção de compra.
Ao enviar a sua reserva, o investidor pode fazer a ordem de duas formas.

▪ Ordem a Mercado: sem preço estabelecido, o investidor aceita comprar as


ações pelo preço que estiverem sendo negociadas no mercado.

▪ Ordem Limitada: o investidor limita a sua compra a um determinado valor,


ficando de fora da operação caso este seja superior ao limite estabelecido.

– se o preço for igual ou inferior ao preço limite, a corretora autoriza a


com- pra das ações;
– se o preço for superior, a ordem não é executada e não é adquirida
nen- huma ação.

Quando um IPO é anunciado, as instituições coordenadoras da oferta pública di-


vulgam um calendário com as datas e os prazos para o cumprimento de
proced- imentos regulatórios e de mercado.
O investidor interessado em investir na empresa que fará o IPO, tem o período de
reserva para manifestar seu desejo de adquirir as ações. Deverá ser informado
o número de ações que o investidor quer comprar ou o montante em reais que
o investidor está disposto a investir.
Como é dada a avaliação do sucesso de um IPO? São pelos seguintes dados:

▪ o volume de capital levantado pela companhia na aquisição das ações


pelos investidores;

▪ o preço que a ação está sendo cotada;


▪ o tamanho da demanda total verificada pelos coordenadores da oferta.

Se houver um excesso de demanda pelo IPO, os investidores interessados não


receberão o volume ou valor em reais indicado no período de reserva. Haverá
um rateio sobre o volume ofertado de ações, permitindo que cada investidor
tenha posse proporcional ao desejado.

289
4.63. MODALIDADES DE OPA
I. OPA para cancelamento de registro: é a OPA obrigatória, realizada como
condição do cancelamento do registro para negociação de ações nos mercados
regulamentados de valores mobiliários.
II. OPA por aumento de participação: é a OPA obrigatória, realizada em conse-
quência de aumento da participação do acionista controlador no capital social
de companhia aberta.
III. OPA por alienação de controle: é a OPA obrigatória, realizada como condição
da eficácia do negócio jurídico de alienação de controle de companhia aberta.
IV. OPA voluntária: é a OPA que visa a aquisição de ações de emissão de com-
panhia aberta, que não deva realizar-se segundo os procedimentos específicos
estabelecidos nos tipos de OPA citados anteriormente.
As ofertas podem ser primárias ou secundárias.
caixa da empresa, as ofertas são chamadas de primárias. Por outro lado,
quando não envolvem a emissão de novos títulos, caracterizando apenas a
venda de ações já existentes, em geral dos sócios que querem desinvestir ou
reduzir a sua partic- ipação no negócio e os recursos vão para os vendedores e
não para o caixa da empresa, a oferta é conhecida como secundária (block
trade).

Importante: não confunda oferta secundária com mercado secundário.

Além disso, quando a empresa está realizando sua primeira oferta pública, ou
seja, quando está abrindo seu capital, a oferta recebe o nome de oferta pública
inicial ou IPO (do inglês, initial public offer).
Quando a empresa já tem o capital aberto e já realizou sua primeira oferta, as
emissões seguintes são conhecidas como ofertas subsequentes ou, no termo
em inglês, follow on.

4.64. UNDERWRITING
Underwriting (além de ser uma palavra chique em inglês) é o processo de sub-
scrição feito pelas companhias que vão colocar valores mobiliários no mercado.
Ou seja, sempre que uma empresa quer captar recursos no mercado financeiro,

290
será necessário estruturar o processo de underwriting.
Vamos usar como exemplo a padaria do Sr. Manoel aí do seu bairro. Imagine
que a padaria esteja tão grande que o Sr. Manoel resolva captar outros sócios
no mercado, e, para isso, o sr. Manoel precisa vender ações da padaria na
bolsa de valores.
O primeiro passo para um processo de underwriting é contratar uma instituição
financeira que será a instituição líder. Bem, se temos um banco líder, por
dedução, podemos concluir que existe mais de uma instituição no processo de
subscrição. Eis aqui a lista de empresas que fazem parte do processo de
subscrição:

▪ ofertante;
▪ banco coordenador/banco líder;
▪ banco liquidante;
▪ escriturador;
▪ central depositária;
▪ custodiante;
▪ market maker;
▪ agente fiduciário;
▪ agência de rating.

Agora que conhecemos todos os participantes do processo de subscrição,


vamos entender o papel de cada um.
O primeiro, que aposto que você já ouviu falar, é o ofertante. Ele é a empresa
que quer ofertar seus títulos no mercado.
Um ponto importante: apesar de eu ter trazido o tema de underwriting aqui no
tema de ações, vale reforçar que este processo não acontece somente com
ações, mas com toda oferta de títulos e valores mobiliários no mercado. Então,
aqui no nosso exemplo, a padaria do Sr. Manoel será a ofertante.
Ao banco coordenador, também chamado de líder da distribuição, cabem as
seguintes obrigações:

291
▪ avaliar, em conjunto com o ofertante, a viabilidade da distribuição, suas
condições e o tipo de contrato de distribuição a ser celebrado;
▪ solicitar, com o ofertante, o registro de distribuição devidamente
instruído, assessorando-o em todas as etapas da distribuição;
▪ formar o consórcio de distribuição, se for o caso;
▪ informar a CVM, até a obtenção do registro, os participantes do consórcio,
discriminando por tipo, espécie e classe a quantidade de valores
mobiliários inicialmente atribuída a cada um;
▪ comunicar imediatamente a CVM qualquer eventual alteração no contrato
de distribuição, ou sua rescisão;
▪ remeter mensalmente a CVM, no prazo de 15 dias após o encerramento
do mês, a partir da divulgação do anúncio de início de distribuição,
relatório in- dicativo do movimento consolidado de distribuição de valores
mobiliários;
▪ participar ativamente, em conjunto com o ofertante, na elaboração do
prospecto e na verificação da consistência, qualidade e suficiência das
informações dele constantes, ficando responsável pelas informações
prestadas no documento;
▪ divulgar, quando exigido pela instrução CVM 400, os avisos nela previstos;
▪ acompanhar e controlar o plano de distribuição da oferta;
▪ controlar os boletins de subscrição ou os recibos de aquisição, devendo
de- volver ao ofertante os boletins ou os recibos não utilizados, se houver,
no prazo máximo de 30 dias após o encerramento da distribuição;
▪ suspender a distribuição na ocorrência de qualquer fato ou irregularidade,
inclusive após a obtenção do registro, que venha a justificar a suspensão
ou o cancelamento do registro;
▪ comunicar imediatamente a ocorrência do ato ou irregularidade à CVM,
que verificará se a ocorrência do fato ou da irregularidade são sanáveis;
▪ guardar, por cinco anos, à disposição da CVM, toda a documentação
relativa ao processo de registro de distribuição pública e de elaboração do
prospecto.

Lembrando que o agente underwriter junto à ofertante tem que escolher qual
será o tipo de contrato de underwrite/subscrição por um determinado preço,
que podem ser de três tipos. São eles:

292
▪ Garantia Firme: o agente underwriter, garante à padaria que consegue
vender todas as ações ofertadas, ou seja venda de 100% das ações. Caso
não consiga
vender, o próprio banco ou fundo de investimento que é administrado por
ela comprará as ações que sobraram. Ou seja, o banco assume o risco. É
claro que para ser garantido essa venda de 100% das ações, o custo do
con- trato será alto.

▪ Melhores esforços: o agente underwriter vai oferecer no mercado, prome-


tendo que dará o melhor esforço para que essas ações sejam vendidas,
mas não há garantia de venda dessas ações. As ações não vendidas
ficarão em
posse da empresa ofertante, dessa forma, a padaria assume o risco. Aqui,
o custo de serviço é mais baixo.

▪ Stand-by: o agente underwriter vai oferecer no mercado. O que não


vender na primeira leva, ele segurará e fará uma segunda oferta no
mercado para tentar vender.

Banco Liquidante é, como o nome sugere, a intuição que vai liquidar as vendas
dos valores mobiliários. Em outras palavras, é onde os custodiantes vão enviar
o dinheiro dos investidores que comprarem as ações da empresa.
O escriturador é a instituição responsável por abrir e manter, de forma
eletrônica, o livro de registro de ações escriturais. Hoje não temos mais a
negociação física dos papéis, no entanto, toda negociação é escritural, em
outras palavras, as infor- mações dos titulares dos títulos estão devidamente
registradas em um sistema de informação e o escriturador é o responsável por
manter esses registros.
Essas instituições funcionam como um elo entre a companhia e os investidores
(ou a central depositária), sendo responsável por controlar, em sistemas
informa- tizados, o livro de acionistas, por registrar e tratar as ordens de
movimentações recebidas do titular, como a venda ou transferência das ações,
e por providenciar o tratamento dos eventos incidentes sobre as ações, como o
recebimento de div- idendos, bonificações, grupamentos e desdobramentos de
ações.
As instituições que realizam a escrituração de ações para um ofertante
assumem a obrigação, perante os investidores, de disponibilizar e enviar
periodicamente in- formações relativas a sua posição como acionista, como
também sobre as movi- mentações ocorridas.

293
O escriturador deve disponibilizar as seguintes informações aos acionistas:

294
▪ mensalmente, quando houver movimentação, ou sempre que solicitado o
extrato da conta com a posição acionária do investidor;

▪ anualmente, até o final do mês de fevereiro, o saldo existente ao final do


ano anterior;
▪ sempre que solicitado, as informações relativas aos eventos acionários

A central depositária é responsável por assumir, fiduciariamente, a titularidade


dos ativos no livro de acionistas. Eu já falei em algum momento dessa apostila
que uma empresa tem milhões de acionistas, certo? Agora junte a isso o fato
de que todos os dias essas ações são negociadas aos montes na bolsa de
valores, mudando a todo instante de proprietário. Como ficaria o livro de
acionistas com tantas mudanças? É aqui que entra a central de depositária.
A central depositária assume a totalidade dos ativos negociados e, por sua vez,
registra em nome dos investidores. Esse tipo de registro, no entanto, assegura
que a central depositária não tem nenhum direito de propriedade sobre os
ativos mantidos sob sua guarda.
Ou seja, no livro de acionistas as ações em livre negociação no mercado ficam
registradas em nome da central depositária e esta assume o controle individual
de cada acionista. Diariamente é feita a conciliação dos ativos registrados na
pro- priedade fiduciária da central depositária e dos ativos registrados no livro
do es- criturador.
É também a central depositária que assume a responsabilidade pelo
tratamento dos eventos corporativos, recebendo os créditos do escriturador e
repassando-os aos investidores, além de tratar as bonificações,
desdobramentos ou grupamen- tos.
No Brasil, a única central depositária de ações é a central depositária da B3,
que disponibiliza aos investidores o Canal Eletrônico do Investidor (CEI) para
consultas de informações relacionadas à sua conta
O custodiante é a instituição responsável por, de fato, movimentar as ações
dos clientes na central depositária.
Embora a central depositária mantenha o controle individual das contas dos in-
vestidores, a sua relação com eles é apenas indireta. Existe um terceiro partici-
pante que, na prática, é quem tem o relacionamento direto com os investidores
e atua como uma espécie de agente, servindo de intermediário entre eles e a
cen- tral depositária.

295
É o custodiante que tem autorização para movimentar as ações dos seus
clientes na central depositária. Qualquer ordem de venda, transferência,
depósito ou re- tirada de ações da central depositária é realizada por
intermédio do custodiante. Além disso, ele administra os eventos corporativos
realizados na conta do investi- dor na central depositária. Assim, quando uma
companhia distribui dividendos, o investidor irá recebê-los diretamente em sua
conta no custodiante.
Essas instituições também assumem obrigações relacionadas à divulgação de
in- formações e devem disponibilizar aos seus clientes, periodicamente ou
quando solicitado, a posição consolidada da sua conta de custódia e as
movimentações e eventos ocorridos.
É também o custodiante que tem a responsabilidade de efetuar e manter o
cadas- tro do investidor e providenciar as alterações solicitadas por seus
clientes.
É também o custodiante que tem a responsabilidade de efetuar e manter o
cadas- tro do investidor, providenciando as alterações solicitadas por seus
clientes. O market maker, em tradução literal "formador de mercado", é uma
pessoa jurídica, devidamente cadastrada na B3, que se compromete a manter
ofertas de compra e venda de forma regular e contínua durante a sessão de
negociação, estimulando a liquidez dos valores mobiliários, facilitando os
negócios e mitigando movimen- tos artificiais nos preços dos produtos.
Cada formador de mercado pode se credenciar para atuar em mais de um
ativo/derivativo, podendo exercer sua atividade de forma autônoma ou contratado pelo
emissor
dos valores mobiliários, por empresas controladoras, controladas ou coligadas
do emissor, ou por quaisquer detentores de valores mobiliários que possuam
inter- esse em formar o mercado para papéis de sua titularidade.
Os formadores de mercado devem atuar diariamente respeitando os parâmet-
ros de atuação (quantidade mínima, spread máximo e percentual de atuação na
sessão de negociação). No entanto, caso o mercado apresente comportamento
atípico – oscilações fora dos padrões regulares decorrentes de algum fato
econômico, catastrófico ou até mesmo de algum fator positivo totalmente
inesperado que al- tere em demasia o preço do papel –, o formador de mercado
poderá ter, com consenso da B3, seus parâmetros alterados ou ser liberado de
suas obrigações durante a sessão de negociação.
A B3, para incentivar a atividade de formador de mercado, poderá conceder
van- tagens de custo nas negociações realizadas pelo mesmo, por exemplo,
isenção em emolumentos e taxas de negociação.
Em resumo, o market maker é a instituição que vai comprar e vender ativos para
296
prover liquidez ao mercado. Se em determinado dia aparecerem muitos
investi- dores querendo comprar a ação daquela empresa, o market maker
entra no mer- cado vendendo sua posição. Ao contrário, se tem muita gente
vendendo, o mar- ket maker entra comprando.
O agente fiduciário é uma instituição que está presente somente nas ofertas
públicas de ativos de renda fixa (debêntures, CRI e CRA). No tópico de
debêntures citei o papel do agente fiduciário, agora vamos citar em tópicos, o
que deve ser exercido pelo agente fiduciário

▪ exercer suas atividades com boa-fé, transparência e lealdade para com os


titulares dos valores mobiliários (parece óbvio, mas se a CVM quis deixar
isso claro, quem sou eu para contrariar, não é?);
▪ proteger os direitos e interesses dos titulares dos valores mobiliários,
empre- gando no exercício da função o cuidado e a diligência que todo
homem ativo e honesto costuma empregar na administração de seus
próprios bens;
▪ renunciar à função, na hipótese da superveniência de conflito de
interesses ou de qualquer outra modalidade de inaptidão e realizar a
imediata convo- cação da assembleia para deliberar sobre sua
substituição;
▪ conservar em boa guarda toda documentação relativa ao exercício das
suas funções
▪ verificar, no momento de aceitar a função, a veracidade das informações
rel- ativas às garantias e a consistência das demais informações contidas
na es- critura de emissão, no termo de securitização de direitos creditórios
ou no
instrumento equivalente, diligenciando no sentido de que sejam sanadas
as omissões, falhas ou defeitos de que tenha conhecimento;
▪ diligenciar junto ao emissor para que a escritura de emissão, o termo de
se- curitização de direitos creditórios ou o instrumento equivalente, e seus
adi-
tamentos, sejam registrados nos órgãos competentes, adotando, no caso
da omissão do emissor, as medidas eventualmente previstas em lei;
▪ acompanhar a prestação das informações periódicas pelo emissor e
alertar os titulares dos valores mobiliários, no relatório anual, sobre
inconsistências ou omissões de que tenha conhecimento;
▪ acompanhar a atuação da companhia securitizadora na administração do
patrimônio separado por meio das informações divulgadas pela
companhia sobre o assunto;

297
▪ opinar sobre a suficiência das informações prestadas nas propostas de
mod- ificação das condições dos valores mobiliários;
▪ verificar a regularidade da constituição das garantias reais, flutuantes e fide-
jussórias, bem como o valor dos bens dados em garantia, observando a
manutenção da sua suficiência e exequibilidade nos termos das disposições
estabelecidas
na escritura de emissão, no termo de securitização de direitos creditórios ou
no instrumento equivalente;
▪ examinar proposta de substituição de bens dados em garantia,
manifestando sua opinião a respeito do assunto de forma justificada;
▪ intimar, conforme o caso, o emissor, o cedente, o garantidor ou o
coobrigado a reforçar a garantia dada, na hipótese de sua deterioração ou
depreciação;
▪ solicitar, quando julgar necessário para o fiel desempenho de suas
funções, certidões atualizadas dos distribuidores cíveis, das Varas de
Fazenda Pública, cartórios de protesto, das Varas do Trabalho, Procuradoria
da Fazenda Pública,
da localidade onde se situe o bem dado em garantia ou o domicílio ou a sede
do devedor, do cedente, do garantidor ou do coobrigado, conforme o caso;
▪ solicitar, quando considerar necessário, auditoria externa do emissor ou
do patrimônio separado;

▪ examinar, enquanto puder ser exercido o direito à conversão de


debêntures em ações, a alteração do estatuto do emissor que objetive
mudar o objeto da companhia, criar ações preferenciais ou modificar as
vantagens das exis-
tentes, em prejuízo das ações em que são conversíveis as debêntures,
cumprindo- lhe aprovar a alteração ou convocar assembleia especial dos
debenturistas para deliberar sobre a matéria;
▪ convocar, quando necessário, a assembleia dos titulares dos valores
mobil- iários;
▪ comparecer à assembleia dos titulares dos valores mobiliários a fim de
prestar as informações que lhe forem solicitadas;
▪ manter atualizada a relação dos titulares dos valores mobiliários e de seus
endereços;
▪ • coordenar o sorteio das debêntures a serem resgatadas, na forma
prevista na escritura de emissão;

298
▪ escritura de emissão;

▪ fiscalizar o cumprimento das cláusulas constantes na escritura de


emissão, no termo de securitização de direitos creditórios ou no
instrumento equiva- lente, especialmente daquelas impositivas de
obrigações de fazer e de não
fazer;

▪ comunicar aos titulares dos valores mobiliários qualquer inadimplemento,


pelo emissor, de obrigações financeiras assumidas na escritura de
emissão, no termo de securitização de direitos creditórios ou em
instrumento equiv-
alente, incluindo as obrigações relativas a garantias e a cláusulas contratu- ais
destinadas a proteger o interesse dos titulares dos valores mobiliários e
estabelecem condições que não devem ser descumpridas pelo emissor, indi-
cando as consequências para os titulares dos valores mobiliários e as
providên- cias que pretende tomar a respeito do assunto.

Em resumo, o agente fiduciário tem o papel de proteger os interesses dos investi-


dores.
Já as agências de rating são empresas especializadas em classificar o risco do
emissor de um título de renda fixa.
Se você fosse emprestar seu dinheiro para alguém que passa pela rua, iria querer
saber, no mínimo, a condição de pagamento desse sujeito, certo? Isso é mais
ou menos o que uma agência de rating faz no processo de análise de títulos de
renda fixa.
As agências criam "nota" de qualidade de crédito que são simbolizadas por letras
que vão de AAA a D. Quanto mais "próximo" de AAA, maior é a capacidade de
crédito da empresa emissora e portanto, menor será o rendimento que ele
pagará por seus títulos.
Hoje, mundialmente, nós trabalhamos com três agências de aating: a Moodys, a
Fitch e a Standard Poor's, essa que rankeia, através do rating, as empresas en-
quanto emissoras de títulos de renda fixa e também o risco dos países.
Agora que a gente conhece todos os players envolvidos no processo de subscrição
de um ativo, é claro que, por estarem envolvidos em processos financeiros com
seus clientes, a CVM criou normas de conduta que regulam as limitações dos
agentes. É sobre isso que vamos falar agora

299
4.65. INCLUSÃO DA RESOLUçÃO CVM 160 NO CONTEÚDO COBRADO
Basicamente, a resolução 400 e 476 foram revogadas e viraram a nova Resolução
160.
Ela fala basicamente sobre as ofertas públicas de distribuição primária ou
secundária de valores mobiliários e a negociação dos valores mobiliários
ofertados nos mer- cados regulamentados.
Para facilitar seus estudos, a seguir separamos os principais pontos da mudança.

4.66. ÂMBITO, DEFINIçÕES E FINALIDADE


Essa Resolução regula as ofertas públicas de distribuição de valores
mobiliários, à negociação dos valores mobiliários ofertados nos mercados
regulamentados e tem por fim assegurar a proteção dos interesses do público
investidor em geral e promover a eficiência e o desenvolvimento do mercado
de valores mobiliários.
As informações da Resolução se aplicam a toda e qualquer oferta pública de
dis- tribuição de valores mobiliários e de títulos e instrumentos financeiros cuja
regu- lamentação da distribuição pública seja atribuída por lei à CVM.
Exceto:

▪ Quando a oferta dos valores mobiliários e dos referidos títulos e


instrumen- tos financeiros forem expressamente tratados em
regulamentação especí- fica diversa;

▪ Iniciais e subsequentes de cotas de fundos de investimento fechados


exclu- sivos, conforme definidos em regulamentação específica;

▪ Subsequentes de cotas de fundos de investimento fechados destinada ex-


clusivamente a cotistas do próprio fundo nos casos de fundos ou classes
de cotas com menos de 100 (cem) cotistas na data da oferta e cujas cotas
não
estejam admitidas à negociação em mercado organizado

▪ Decorrentes de plano de remuneração destinado aos administradores,


fun- cionários e pessoas naturais que prestem serviços ao emissor ou à
empresa coligada, controlada ou controladora do emissor e entidades sem
fins lucra-
tivos por ele mantidas;

300
▪ De lote único e indivisível de valores mobiliários destinado a um único in-
vestidor;
▪ De valores mobiliários oferecidos por ocasião de permuta no âmbito de
oferta pública de aquisição de ações (“OPA”), sem prejuízo das disposições
de norma específica sobre OPA, e desde que tais valores mobiliários
estejam admitidos
à negociação em mercados organizados brasileiros;
▪ Iniciais ou subsequentes de valores mobiliários emitidos e admitidos à ne-
gociação em mercados organizados de valores mobiliários estrangeiros,
com
liquidação no exterior em moeda estrangeira, quando adquiridos por
investi- dores profissionais residentes no Brasil por meio de conta no
exterior, sendo vedada a negociação desses ativos em mercados
regulamentados de valores mobiliários no Brasil após a sua aquisição; e
▪ De ações de propriedade da União, Estados, Distrito Federal, municípios e
demais entidades da administração pública, que, cumulativamente:
▪ Não objetiva colocação junto ao público em geral.
▪ Seja realizada em leilão organizado por entidade administradora de
mercado organizado, nos termos da legislação que estabelece normas
gerais sobre licitações e contratos administrativos.

4.67. DEFINIçÃO DE ATOS DE DISTRIBUIçÃO PÚBLICA


Configura oferta pública de distribuição o ato de comunicação vindo de um
ofer- tante, de um emissor, quando este não for o ofertante, ou ainda de
quaisquer pes- soas naturais ou jurídicas, integrantes ou não do sistema de
distribuição de valores mobiliários, atuando em nome do emissor, do ofertante
ou das instituições inter- mediárias, disseminado por qualquer meio ou forma
que permita o alcance de diversos destinatários, e cujo conteúdo e contexto
representem tentativa de des- pertar o interesse ou prospectar investidores
para a realização de investimento em determinados valores mobiliários.
Sem prejuízo de outros atos que se enquadrem em tal definição. São exemplos
que caracterizam uma oferta como pública:
Material publicitário

▪ A utilização de material publicitário dirigido ao público investidor em geral.

301
Procura de investidores

▪ A procura, no todo ou em parte, de investidores indeterminados para os


val- ores mobiliários, por meio de quaisquer pessoas naturais ou jurídicas,
inte-
grantes ou não do sistema de distribuição de valores mobiliários, atuando
em nome do emissor, do ofertante ou das instituições participantes do
con- sórcio de distribuição;

Consulta sobre a viabilidade da oferta ou a coleta de intenções de investi- mento

▪ A consulta sobre a viabilidade da oferta ou a coleta de intenções de


investi- mento junto a potenciais subscritores ou adquirentes
indeterminados, ressal- vada a hipótese.

Negociação destinada a subscritores ou adquirentes indeterminados

▪ A negociação feita em loja, escritório, estabelecimento aberto ao público,


página na rede mundial de computadores, rede social ou aplicativo, desti-
nada, no todo ou em parte, a subscritores ou adquirentes indeterminados;
▪ A prática de quaisquer atos destacados acima, ainda que os destinatários
da comunicação sejam individualmente identificados, quando resultante
de comunicação padronizada e massificada.

4.68. CONSULTA SIGILOSA A POTENCIAIS INVESTIDORES PROFISSIONAIS.


É permitida, mesmo antes do protocolo do requerimento de registro da oferta
pública, a consulta sigilosa a potenciais investidores profissionais para
apurar a viabilidade ou o interesse em uma eventual oferta pública de
distribuição.
A consulta mencionada nas normas pode ser realizada:

– Pelos ofertantes;
– Por instituições intermediárias agindo em nome de ofertante;
– Até o momento do protocolo, por pessoas contratadas pelos ofertantes
e que com estes estejam trabalhando ou os assessorando para a
realização da consulta.

302
A consulta a potenciais investidores, incluindo os documentos e apre-
sentações utilizados, não pode vincular as partes, sendo proibida a re-
alização ou aceitação de ofertas, bem como o pagamento ou o recebi-
mento de quaisquer valores, bens ou direitos de parte a parte.
Durante a consulta a potenciais investidores, as pessoas mencionadas
devem obter de seus interlocutores o compromisso de manter em
sigilo as informações recebidas na consulta e a possibilidade de
realização de oferta pública de distribuição de valores mobiliários até
a divulgação do aviso ao mercado ou do anúncio de início de
distribuição.
As pessoas quando mencionadas, como vimos anteriormente, devem
manter à disposição da CVM:
∗ Lista com informações que possibilitem a identificação das
pessoas consultadas, bem como a data ea hora em que foram
consultadas.
∗ As apresentações e os materiais utilizados.

4.69. PUBLICIDADE
Após o início do período de oferta a mercado, é permitido ao ofertante,
às instituições participantes do consórcio de distribuição e às pessoas
contratadas que com estes estejam trabalhando ou os assessorando
de qualquer forma dar ampla publicidade à oferta, nas condições
estabele- cidas por este artigo, inclusive por meio da disseminação:
∗ Do prospecto e da lâmina da oferta;
∗ De material de caráter explicativo e educacional que contenha
as- pectos úteis e relevantes para:
∗ O apropriado entendimento das características do valor mobiliário
objeto da oferta; e
∗ Para o acompanhamento do desempenho do investimento, incluindo:
∗ Datas de vencimento;
∗ Método de cálculo e calendário de pagamento de juros;
∗ Indexadores;
∗ Direitos e deveres do emissor e do investidor relativos a cláusulas de
vencimento antecipado;
∗ Opções de recompra;
∗ Convocação e comparecimento a assembleias;
∗ Outras informações;

303
∗ De material publicitário;
∗ De apresentações para investidores, incluindo os documentos de su-
porte a tais apresentações;
∗ De entrevistas na mídia.
Os remetentes das comunicações devem se identificar, incluindo
infor- mações pelas quais possam ser contatados, bem como
explicitar a sua ligação com o ofertante e com a instituição
participante do consórcio de distribuição e o fato de que está
participando, ou espera participar, do esforço de venda da oferta
pública de distribuição do valor mobiliário.
As comunicações permitidas conforme as normas devem:
∗ Ser consistentes com o conteúdo do prospecto e das informações
periódicas do emissor requeridas pela legislação e
regulamentação em vigor;
∗ Usar linguagem serena e moderada;
∗ Observar os princípios de qualidade, transparência e equidade de
acesso à informação;
∗ Abster-se de:
∗ Utilizar linguagem que omita ou que não reflita adequadamente a
existência de riscos;
∗ Conter afirmações que afastem as responsabilidades do ofertante
e das instituições participantes do consórcio de distribuição sobre
as informações fornecidas;
∗ Afirmar que não se trata de oferta pública;
∗ Afirmar que as informações constantes da comunicação são confi-
denciais;
∗ Conter linguagem de natureza contratual que implique percepção
de anuência tácita de reserva ou colocação de ordem; e
∗ Usar informações falsas, imprecisas ou que induzam o investidor a
erro.
É permitido o uso de tabelas, gráficos, diagramas, imagens e mapas
nos documentos e comunicações autorizados conforme as normas
desde que:
∗ Sejam úteis para o objetivo de facilitar a compreensão das
informações essenciais;
∗ Sejam acompanhados de legendas claras e descrições das
hipóteses usadas, quando houver;

304
∗ As escalas dos eixos dos gráficos e diagramas, incluindo as
grandezas utilizadas e as variáveis escolhidas para a construção da
figura, repre-
sentam a informação de maneira justa e não enviesada, devendo
ser idênticas quando mais de uma figura for utilizada para a
realização de comparações;
∗ As imagens somente sejam incluídas quando úteis para a
compreen- são de aspectos relevantes da oferta.
O material publicitário, se utilizado é obrigatória a divulgação de
prospecto, afirmar que um prospecto preliminar ou definitivo foi
divulgado, con- forme o caso, e indicar onde ele pode ser obtido, além
da advertência em destaque: “Leia o prospecto antes de aceitar a oferta
e em espe- cial a seção dos fatores de risco”.
∗ conter referência expressa de que se trata de material
publicitário, não devendo se confundir com o prospecto; e
∗ advertir que se trata de investimento de risco.
Na promoção publicitária que utilize materiais na forma audiovisual se
realizadas de forma oral não podem comprometer a clareza e o
destaque dos avisos, e, nos casos de advertência de forma escrita, o
tamanho da fonte deve ser adequado para não comprometer a
leitura.
A utilização das comunicações permitidas neste artigo independe de
aprovação prévia pela Superintendência de Registro de Valores Mobil-
iários – SRE, porém os materiais publicitários devem ser
encaminhados à CVM em até 1 (um) dia útil após a sua utilização.
As divulgações requeridas por esta Resolução, inclusive do prospecto
preliminar, quando houver, e do prospecto definitivo, devem ser
feitas, com destaque e sem restrições de acesso, na página da rede
mundial de computadores:

∗ Do ofertante;
∗ Do fundo de investimento cujas cotas estejam sendo ofertadas,
quando for o caso;
∗ Das instituições participantes do consórcio de distribuição, sendo
aceita a remissão à página do coordenador líder que contenha as
divulgações no caso de participantes que não sejam
coordenadores;
∗ Das entidades administradoras de mercado organizado de
valores mobiliários nos quais os valores mobiliários do emissor
sejam admi- tidos à negociação, quando aplicável

305
A obrigação prevista nas normas não impede a divulgação em outros
meios de comunicação e mídias digitais.
As divulgações devem ser feitas, sempre que possível, antes da
abertura ou após o encerramento do pregão.
Na hipótese de alguns dos envolvidos na oferta pública de distribuição
não possuir página própria em português na rede mundial de
computa- dores, e sempre que as precauções adotadas pelo ofertante
e pelas in- stituições mencionadas anteriormente forem suficientes
para atingir a finalidade de ampla publicidade que se deve dar aos
prospectos, é dis- pensada a divulgação do prospecto por estes
envolvidos.
Na hipótese de um ou mais ofertantes serem pessoas naturais, fica
dis- pensada a apresentação de seu nome e endereço nos anúncios
de início e encerramento da distribuição de valores mobiliários, desde
que tais informações constem, de forma completa, no mínimo, dos
prospectos preliminar e definitivo.

4.70. PROSPECTO
O prospecto deve ser elaborado pelo ofertante em conjunto com o co-
ordenador líder e conter a informação necessária, suficiente,
verdadeira, precisa, consistente e atual, apresentada de maneira clara
e objetiva em linguagem direta e acessível, de modo que os
investidores possam for- mar criteriosamente a sua decisão de
investimento.
O prospecto deve, de maneira que não omita informações relevantes,
nem contenha informações imprecisas ou que possam induzir a erro,
conter os dados e informações sobre:
∗ A oferta, incluindo seus termos e condições;
∗ Os valores mobiliários objeto da oferta e os direitos que lhes são
iner- entes;
∗ O ofertante, caso diferente do emissor;
∗ O emissor e sua situação patrimonial, econômica e financeira;
∗ Os terceiros garantidores de obrigações relacionadas com os
valores mobiliários objeto da oferta, se houver, incluindo sua
situação patri- monial, econômica e financeira;
∗ Os principais fatores de risco relacionados com o emissor, com o
valor mobiliário, com a oferta, e com o terceiro garantidor;
∗ Os terceiros que venham a ser destinatários dos recursos
captados com a oferta primária.

306
O conteúdo mínimo do prospecto depende das características do
emis- sor, da operação, do tipo de valor mobiliário e do público-alvo,
devendo conter as informações devidamente discriminadas:
∗ A: Para oferta pública inicial ou subsequente de distribuição de
ações, bônus de subscrição e de certificados de depósito sobre
estes valores mobiliários;
∗ B: Para oferta pública de distribuição de debêntures ou de outros
tipos de valores mobiliários representativos de dívida, inclusive
con- versíveis ou permutáveis em ações de emissor registradas
nas Cate-
gorias A e B.
∗ C: Para oferta pública inicial ou subsequente de distribuição de
co- tas de fundos de investimento fechados, exceto os fundos de
inves- timento em direitos creditórios – FIDC;
∗ D: Para oferta pública de distribuição de cotas de fundos de
investi- mento em direitos creditórios – FIDC;
∗ E: Para oferta pública de distribuição de valores mobiliários repre-
sentativos de operações de securitização emitidos por
companhias securitizadoras.
A seção 1 do prospecto, denominada Capa do Prospecto, deve ter, no
máximo, 1 (uma) página de formato A4, quando impressa, devendo
re- fletir, de forma legível, direta e objetiva, as informações
expressamente solicitadas no respectivo anexo.
A seção 2 do prospecto, denominada Principais Características da
Oferta, deve apresentar as características da operação e conter as
informações fundamentais de que os investidores necessitam para
compreender a natureza do emissor e características dos valores
mobiliários ofertados, devendo adicionalmente:
∗ Ser elaborada de forma que possa ser lida independentemente das
demais partes do prospecto;
∗ Ser coerente com as demais partes do prospecto, sem reproduzir
desnecessariamente informações já contidas neste documento;
∗ Possuir número máximo de 15 (quinze) páginas de formato A4,
quando impressa.
O emissor de valores mobiliários objeto de oferta pública secundária,
deve fornecer ao ofertante as informações e os documentos
necessários para a elaboração dos documentos da oferta, se
obrigatórios por esta Resolução, devendo o emissor ser ressarcido por
todos os custos que in- correr na coleta, elaboração, preparação e
entrega de informações ou

307
documentos adicionais àqueles que periodicamente já fornece ao
mer- cado.

4.71. FATORES DE RISCO


Os principais fatores de risco elencados no prospecto devem ser:
∗ Específicos em relação ao valor mobiliário, à oferta, ao emissor e
ao terceiro garantidor;
∗ Materiais para a tomada de decisão de investimento
A materialidade de cada fator de risco relativo ao emissor deve ser
com- patível com o conteúdo do respectivo formulário de referência,
nos casos em que esse é exigido pela regulamentação. O ofertante
deve avaliar a materialidade dos fatores de risco durante a
elaboração do prospecto com base na probabilidade de ocorrência e
na magnitude do impacto negativo, caso concretizado. Deve ser
apresentada uma descrição ad- equada de como cada fator de risco
elencado pode afetar o emissor, o valor mobiliário, e o terceiro
garantidor, sendo aceito que a materiali- dade seja expressa em uma
escala qualitativa de risco “menor, médio e maior”.
Os fatores de risco devem ser dispostos de maneira que o fator de
maior materialidade seja apresentado em primeiro lugar, seguido
pelos de- mais em ordem decrescente.

4.72. PROSPECTO PRELIMINAR


O prospecto preliminar deve atender a todas as condições de um
prospecto definitivo, exceto por não conter:
∗ O número de registro da oferta na CVM;
∗ O preço ou a taxa de remuneração definitivos
O preço ou a taxa de remuneração podem ser apresentados sob a
forma de faixa de variação, hipótese em que as demais informações
que dela dependam devem ser apresentadas, no mínimo, com base
no valor mé- dio da faixa de variação.
O prospecto preliminar deve ser utilizado, até a divulgação do
anúncio de início, nas ofertas em que a divulgação de prospecto seja
exigida e em que haja previsão de:

308
∗ Recebimento de reservas;
∗ Procedimento de precificação, com ou sem recebimento de reser-
vas;
∗ Utilização de material publicitário
Em adição aos dizeres tópicos citados anteriormente “A” a “E”, os
seguintes dizeres devem constar da capa do prospecto preliminar, com
destaque:
∗ “PROSPECTO PRELIMINAR” e a respectiva data de edição;
∗ “O prospecto definitivo estará disponível em na rede mundial de
com- putadores do ofertante, dos coordenadores, das instituições
partic- ipantes do consórcio de distribuição, se houver, das
entidades ad-
ministradoras de mercado organizado de valores mobiliários no
qual os valores mobiliários do emissor sejam admitidos à
negociação e da CVM.”;
∗ “É admissível o recebimento de reservas, a partir de [dia] de [mês]
de [ano]. Os pedidos de reserva são irrevogáveis e serão quitados
após o início do período de distribuição conforme os termos e
condições da
oferta.”, exclusivamente na hipótese de estar previsto o
recebimento de reservas para subscrição ou aquisição;
∗ “As informações contidas neste prospecto preliminar estão sob
análise da Comissão de Valores Mobiliários- CVM, a qual ainda não
se man-
ifestou a seu respeito.”, nos casos de oferta com rito de registro
or- dinário de distribuição;
∗ “As informações contidas neste prospecto preliminar não foram
anal- isadas pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM", nos
casos de oferta com rito de registro automático de distribuição.

4.73. LÂMINA DA OFERTA


A lâmina da oferta deve ser elaborada pelo ofertante em conjunto com
o coordenador líder em adição ao prospecto e de forma consistente
com ele, servindo para sintetizar o seu conteúdo e apresentar as
característi- cas essenciais da oferta, a natureza e os riscos associados
ao emissor, às garantias, e aos valores mobiliários.
A lâmina da oferta não é obrigatória nas ofertas em que a elaboração
do prospecto é dispensada.
A lâmina da oferta deve:
∗ Ser útil para fins da decisão de investimento;
309
∗ Ser escrita de forma clara, concisa e efetiva quanto ao objetivo
de permitir que o público investidor em geral compreenda a
oferta;
∗ Ser precisa, apropriadamente balanceada na ênfase dada a infor-
mações positivas e negativas, e não deve induzir o investidor a
erro;
∗ Ser de fácil leitura e escrita em linguagem simples, abstendo-se
de fazer comentários por referência ao prospecto nas seções
destinadas a sintetizar as informações solicitadas;
∗ Seguir o modelo e os requisitos de tópicos abordados na ordem
ap- resentada nos Anexos F a J desta Resolução;
∗ Estabelecer, adicionalmente, os termos e condições gerais da oferta;
∗ Ser elaborada de forma a permitir a leitura adequada inclusive
em dispositivos eletrônicos móveis, programas e aplicativos em
geral.
A descrição dos fatores de risco na lâmina da oferta deve ser
relevante para a oferta em questão e ser exclusivamente elaborada
em benefí- cio da compreensão da oferta por parte dos investidores,
abstendo-se o ofertante de formular declarações de caráter genérico
sobre os riscos de investimento, e de limitar sua responsabilidade ou
de quaisquer pes- soas que atuem em seu nome Devem ser listados os
5 (cinco) principais fatores de risco, em ordem decrescente de
materialidade, com base na probabilidade de ocorrência e na
magnitude do impacto negativo, caso concretizado.
A probabilidade de ocorrência e a magnitude do impacto negativo dos
fatores de risco devem ser expressas em uma escala qualitativa de
níveis “menor, médio e maior”, quando requerido nos anexos a esta
Resolução.

4.74. RESPONSABILIDADE SOBRE AS INFORMAçÕES


O ofertante é o responsável pela suficiência, veracidade, precisão,
con- sistência e atualidade dos documentos da oferta e demais
informações fornecidas ao mercado durante a oferta pública de
distribuição.
O coordenador líder deve tomar todas as cautelas e agir com
elevados padrões de diligência, respondendo pela falta de diligência
ou omissão, para assegurar que as informações prestadas pelo
ofertante, inclusive aquelas eventuais ou periódicas constantes da
atualização do registro do emissor na CVM e as constantes do estudo
de viabilidade econômico financeira do empreendimento, se aplicável,
são suficientes, verdadeiras, precisas, consistentes e atuais, permitindo
310
aos investidores uma tomada de decisão fundamentada a respeito da
oferta.

311
Em caso de oferta secundária que não seja realizada pelo emissor ou
pelo seu acionista controlador, cabe ao ofertante, no que se refere a
in- formações do emissor, somente a responsabilidade.
O coordenador líder e o ofertante, este último na hipótese apenas, de-
vem manter à disposição da CVM, a documentação comprobatória de
sua diligência para fins de cumprimento.
Na hipótese de o ofertante não pertencer ao grupo controlador do
emis- sor, ou não atuar representando o mesmo interesse de acionista
contro- lador do emissor, e este lhe negar acesso aos documentos e
informações necessários à elaboração do prospecto, o ofertante deve
fornecer toda a informação relevante que lhe estiver disponível ou
que possa obter em registros e documentos públicos, dar divulgação
deste fato nos docu- mentos da oferta, inclusive no prospecto,
devendo requerer que a CVM exige do emissor a complementação
das informações indicadas pelo ofertante, necessárias ao registro da
oferta pública.

4.75. RITO DE REGISTROAUTOMÁTICODE DISTRIBUIçÃO – EMISSORES


EVALORESMO- BILIÁRIOS ELEGÍVEIS.
O registro da oferta não se sujeita à análise prévia da CVM e a
distribuição pode ser realizada automaticamente se cumpridos os
requisitos e pro- cedimentos devidos nos casos de oferta pública:
∗ nicial de distribuição de ações, bônus de subscrição, debêntures
con- versíveis ou permutáveis em ações e de certificados de
depósito so-
bre estes valores mobiliários de emissores registrados em fase op-
eracional quando o requerimento de registro for previamente
anal- isado por entidade autorreguladora autorizada pela CVM nos
termos do convênio (“IPO de ações com análise via convênio”),
sujeita a ap- resentação dos documentos.
∗ Subsequente de distribuição de ações, bônus de subscrição,
debên- tures conversíveis ou permutáveis em ações e de
certificados de de- pósito sobre estes valores mobiliários de
emissores em fase opera-
cional (“subsequente de ações”) destinada:
∗ Exclusivamente a investidores profissionais;
∗ Exclusivamente a investidores qualificados, sujeita a
apresentação dos documentos.
∗ Inclusive ao público investidor em geral quando o requerimento de

312
registro for previamente analisado por entidade autorreguladora au-
torizada pela CVM nos termos do convênio;
∗ Subsequente de distribuição de ações, bônus de subscrição, debên-
tures conversíveis ou permutáveis em ações e de certificados de de-
pósito sobre estes valores mobiliários de emissão de ações com
grande
exposição ao mercado - EGEM (“subsequente de ações de EGEM”)
destinada:
∗ Exclusivamente a investidores profissionais;
∗ Inclusive ao público investidor em geral, sujeita à apresentação
dos documentos.
∗ De distribuição de debêntures não-conversíveis ou não-
permutáveis em ações, ou de outros tipos de valores mobiliários
representativos de dívida de emissão frequente de valores
mobiliários de renda fixa -
EFRF destinada (“debêntures simples de emissor frequente de dívida”):
∗ Exclusivamente a investidores profissionais.
∗ Inclusive ao público investidor em geral, sujeita a apresentação
dos documentos previstos.
∗ De distribuição de debêntures não-conversíveis ou não-
permutáveis em ações, ou de outros tipos de valores mobiliários
representativos de dívida de emissor em fase operacional
registrado nas Categorias
A e B (“debêntures simples”) destinada exclusivamente a:
∗ Investidores profissionais.
∗ Investidores qualificados.
∗ Inclusive ao público investidor em geral quando (“debêntures
sim- ples de emissor registrado para o público em geral nas
hipóteses de registro automático”):
∗ O requerimento de registro for previamente analisado por
entidade autorreguladora autorizada pela CVM nos termos do
convênio;
∗ Se tratar de títulos com características idênticas, exceto pela taxa
de remuneração, inclusive com o mesmo vencimento, aos
distribuídos em oferta pública anterior destinada público
investidor em geral (re-
abertura de séries);
∗ Se tratar de título padronizado, de acordo com modelo definido por
entidade autorreguladora e que seja previamente aprovado pela
CVM;
∗ Inicial de distribuição de cotas de fundo de investimento fechado
não exclusivo (“inicial de cotas de fundo fechado”) destinada
313
exclu- sivamente a:

314
∗ Investidores profissionais.
∗ Investidores qualificados.
∗ Inclusive ao público investidor em geral quando o requerimento de
registro for previamente analisado por entidade autorreguladora au-
torizada pela CVM nos termos do convênio (“inicial de fundo fechado
destinada ao público investidor em geral com análise via convênio”);
∗ Subsequente de distribuição de cotas de fundo de investimento
fechado não exclusivo (“subsequente de cotas de fundo fechado”)
destinada exclusivamente:
∗ A investidores profissionais.
∗ A investidores qualificados.
∗ Ao público investidor em geral, desde que tenha havido oferta an-
terior objeto de análise prévia por parte da CVM e não tenha
havido ampliação de público-alvo do fundo ou alteração em sua
política de
investimento (“subsequente de fundos fechados destinada ao
público investidor em geral sem mudança na política de
investimento ou ampliação de público-alvo”);
∗ Do público investidor em geral quando o requerimento de registro
for previamente analisado por entidade autorreguladora
autorizada pela CVM nos termos do convênio (“subsequente de
fundo fechado
destinada ao público investidor em geral com análise via convênio”);
∗ De distribuição de títulos de securitização emitidos por
companhias securitizadoras registradas na CVM (“títulos de
securitização”) desti- nada exclusivamente a:
∗ Investidores profissionais.
∗ Investidores qualificados.
∗ Inclusive ao público investidor em geral quando:
∗ O requerimento de registro for previamente analisado por
entidade autorreguladora autorizada pela CVM nos termos do
convênio (“títu- los de securitização com análise via convênio”);
∗ Se tratar de títulos com características idênticas, exceto pela taxa
de remuneração, inclusive com mesmo instrumento de lastro,
vincu- lado a risco corporativo único e mesma data de
vencimento, aos dis-
tribuídos em oferta pública anterior destinada público investidor
em geral (reabertura de séries); ou
∗ O devedor do lastro for único e se enquadrar como EFRF ou EGEM;
∗ De debêntures não conversíveis emitidas pelas sociedades
previstas na Lei nº 12.431, de 24 de junho de 2011, relacionadas à
captação de

315
recursos com vistas a implementar projetos de investimento na área
de infraestrutura, ou de produção econômica intensiva em pesquisa,
desenvolvimento e inovação, considerados como prioritários na
forma regulamentada pelo Poder Executivo Federal, de acordo com
os req- uisitos da referida Lei, destinada exclusivamente a
investidores qual- ificados (“debêntures incentivadas emitidas por
SPE”);
∗ De valores mobiliários representativos de dívida quando o emissor
não for registrado na CVM (“dívida de emissor não registrado”).
∗ De distribuição de certificados de depósito de valores mobiliários no
âmbito de programa de BDR Patrocinado:
∗ Nível I;
∗ Nível II;
∗ Subsequente de distribuição de certificados de depósito de
valores mobiliários no âmbito de programa de BDR Patrocinado
Nível III, ex- clusivamente nos casos de programa BDR Nível III em
que houve
oferta inicial por rito de registro ordinário (“subsequente de BDR
Pa- trocinado Nível III”);
∗ Destinada inclusive ao público investidor em geral para colocação
em bolsa de valores de ações oriundas de distribuição primária
decor-
rente de aumento de capital privado, em volume superior a 5%
(cinco por cento) da emissão e inferior a 1/3 (um terço) das ações
em cir- culação no mercado, considerando as novas ações
ofertadas para o cálculo das ações em circulação, desde que os
valores mobiliários já estejam admitidos à negociação em
mercado organizado (“sobras de aumento de capital privado”);
∗ De distribuição de valores mobiliários representativos de dívida
des- tinada exclusivamente a credores de emissor em
recuperação judi-
cial ou extrajudicial (“emissores em plano de recuperação”), nos
ter- mos de plano de recuperação judicial ou extrajudicial
homologado em juízo.
Nas hipóteses constantes: Devem ser observadas as restrições à ne-
gociação dos valores mobiliários ofertados elencadas no Capítulo VII;
Deve ser dada ciência ao investidor por meio de aviso em destaque
na capa do prospecto e na lâmina da oferta, nos casos em que
exigidos por esta Resolução, de que:
A CVM não realizou análise prévia do conteúdo do prospecto, nem dos
documentos da oferta;

316
Pode haver restrições à revenda dos valores mobiliários, descrevendo
quais são estas, nos casos aplicáveis
Consideram-se companhias securitizadoras registradas, as sociedades
de propósito específico que sejam subsidiárias integrais de
companhias securitizadoras registradas na CVM, nos termos da
regulamentação que dispõe sobre as companhias securitizadoras de
direitos creditórios.

[Link] DE REGISTRO ORDINÁRIO DE DISTRIBUIçÃO - EMISSORES E VALORES


MO- BILIÁRIOS ELEGÍVEIS
O rito de registro ordinário de distribuição de valores mobiliários é
aquele que se sujeita à análise prévia da CVM para a obtenção do
registro, con- forme o procedimento e os requisitos elencados no art.
29, e deve ser obrigatoriamente seguido nos casos de oferta pública:

∗ Inicial de distribuição de ações, bônus de subscrição, debêntures


conversíveis ou permutáveis em ações e de certificados de
depósito sobre estes valores mobiliários.
∗ Subsequente de distribuição de ações, bônus de subscrição,
debên- tures conversíveis ou permutáveis em ações e de
certificados de de- pósito sobre estes valores mobiliários:
∗ Em que exista obrigação de elaboração de estudo de viabilidade
econômico- financeira;
∗ Destinada ao público investidor em geral.

Na hipótese de valores mobiliários de emissão de emissor em fase
pré- operacional:

∗ Somente pode ser distribuída para investidores qualificados;


∗ Não é admitida a análise prévia do requerimento de registro por
en- tidades autorreguladoras.
Na distribuição dos valores mobiliários na oferta deve ser dada ciência
ao investidor, por meio de aviso em destaque no prospecto e na
lâmina da oferta, que há vedações que se aplicam à revenda dos
valores mobiliários até que estejam satisfeitas as condições.

317
4.77. LOTE ADICIONAL E LOTE SUPLEMENTAR
A quantidade de valores mobiliários a ser distribuída pode, a critério
do ofertante e sem a necessidade de novo requerimento de registro
ou de modificação dos termos da oferta, ser aumentada, até um
montante que não exceda em 25% (vinte e cinco por cento) a
quantidade inicial- mente requerida (lote adicional).
Nas ofertas destinadas exclusivamente a investidores profissionais, é
dis- pensada a observância do limite de 25% (vinte e cinco por cento)
previsto nas normas, devendo o valor máximo do lote adicional estar
previsto nos documentos da oferta, assim como a especificação da
destinação dos recursos adicionais.
O emissor ou o ofertante podem outorgar aos coordenadores opção
de distribuição de lote suplementar, a ser exercida em razão da
prestação de serviço de estabilização de preços dos valores
mobiliários objeto da oferta, nas mesmas condições e preço dos
valores mobiliários inicial- mente ofertados, até um montante pré-
determinado que consta obri- gatoriamente nos documentos da oferta
e no prospecto, e que não pode ultrapassar 15% (quinze por cento) da
quantidade inicialmente ofertada.

4.78. APRESENTAçÕES PARA INVESTIDORES


Os documentos de suporte a apresentações oferecidas a investidores
devem ser divulgados pelo ofertante e pelos coordenadores, em até 1
(um) dia após a sua utilização.
Aplicam-se às exigências dos documentos de suporte de
apresentações realizadas junto a investidores.
A exigência constante não se aplica às ofertas destinadas
exclusivamente a investidores profissionais, exceto quando se tratar de
oferta subsequente de distribuição de ações, bônus de subscrição,
debêntures conversíveis ou permutáveis em ações e de certificados de
depósito sobre estes val- ores mobiliários ou a distribuição contar com
o exercício do direito de preferência ou com oferta prioritária destinada
aos atuais detentores dos valores mobiliários.
A divulgação de vídeos das apresentações realizadas para
investidores é facultativa.

318
4.79. FORMAçÃO DE PREçO
O preço da oferta é único pois a CVM pode autorizar, em operações es-
pecíficas, a possibilidade de preços e condições diversos consoante tipo,
espécie e classe, fixados em termos objetivos e em função de interesses
legítimos do ofertante, admitido ágio ou deságio em função das
condições do mercado.
O ofertante, em conjunto com os coordenadores, pode estabelecer
que o preço ou, tratando se de valores mobiliários representativos de
dívida, a taxa de remuneração, sejam determinados por meio de
procedimento de precificação destinado a uma parcela (tranche)
constituída exclusiva- mente por investidores profissionais, desde que
os critérios aplicáveis à sua fixação sejam indicados no prospecto
preliminar.
Nas ofertas registradas de debêntures não-conversíveis e não-
permutáveis em ações, outros títulos representativos de dívida ou de
títulos de se- curitização, é permitida a participação de investidores
qualificados no procedimento de precificação.
A determinação do preço ou taxa de remuneração definitivos, quando
realizada, pode ocorrer no mesmo dia da realização do procedimento
lá referido e sua divulgação deve ser feita em até 1 (um) dia útil após
tal definição. O preço ou taxa de remuneração definitivos são
condições para a concessão do registro definitivo da oferta.
O procedimento de precificação em ofertas com ou sem o
recebimento de reservas somente pode ter início a partir da
divulgação do aviso ao mercado.
Parágrafo único. A intenção de realizar o procedimento de
precificação deve ser comunicada à CVM juntamente com o
requerimento de reg- istro de distribuição realizado.
É vedada a aquisição de ações, no âmbito de ofertas públicas de dis-
tribuição de ações, por investidores que tenham realizado vendas a
de- scoberto da ação objeto na data da fixação do preço da oferta e
nos 5 (cinco) pregões que a antecedem.
Para os efeitos de normas, são consideradas operações de um mesmo
investidor as vendas a descoberto e as aquisições de ações realizadas
em seu próprio nome ou por meio de qualquer veículo cuja decisão de
investimento esteja sujeita a sua influência.
Fundos de investimento cujas decisões de investimento sejam
tomadas pelo mesmo gestor não serão considerados como um único
investidor

319
para efeito do disposto neste artigo, desde que as operações estejam
enquadradas nas respectivas políticas de investimento de cada fundo.
A vedação prevista nas normas não se aplica nos seguintes casos:
∗ Operações realizadas por pessoas jurídicas no exercício da
atividade de formador de mercado da ação objeto da oferta,
conforme definida na norma específica;
∗ Operações posteriormente cobertas por aquisição em mercado da
quantidade total de ações correspondente à posição a descoberto
até, no máximo, 2 (dois) pregões antes da data de fixação do
preço
da oferta.

4.80. ADEQUAçÃO DO PERFIL DO INVESTIDOR E RESTRIçÕES AO INVESTIMENTO


As instituições participantes do consórcio de distribuição e as pessoas
contratadas que com estas estejam trabalhando ou as assessorando
de qualquer forma durante a distribuição devem verificar a
adequação do investimento ao perfil de risco de seus respectivos
clientes, nos termos da regulamentação da CVM que dispõe sobre o
dever de verificação da adequação dos produtos, serviços e operações
ao perfil do cliente, e, adi- cionalmente, devem diligenciar para
verificar se os investidores por elas acessados podem adquirir os
valores mobiliários ofertados ou se há re- strições que impeçam tais
investidores de participar da oferta.

4.81. RECEBIMENTO DE RESERVAS


O recebimento de reservas para subscrição ou aquisição de valores
mo- biliários objeto de oferta pública é admissível desde que:

∗ Tenha sido requerido o registro da distribuição;


∗ A oferta esteja a mercado;
∗ Tal fato esteja divulgado na lâmina da oferta.
As reservas são efetuadas de acordo com os termos e condições
definiti- vas da oferta, facultada a exigência de depósito do montante
reservado. O depósito dos recursos para reservas, se houver, é
realizado em conta bloqueada, remunerada ou não, em instituição
indicada pelo coorde-
nador líder e sob sua responsabilidade, cuja movimentação deve obe-

320
decer às seguintes normas:

321
∗ Apurados os montantes das reservas e das sobras disponíveis e
efet- uado o rateio, se for o caso, o coordenador líder deve
autorizar a liber-
ação das importâncias correspondentes às subscrições a serem
efe- tuadas por intermédio de cada instituição consorciada;
∗ O coordenador líder deve autorizar, no prazo de 3 (três) dias úteis,
a liberação do saldo não utilizado dos depósitos, a favor dos
respectivos depositantes.
Caso seja utilizada a faculdade, o investidor pode estipular no pedido
de reserva como condição de sua confirmação preço máximo para
sub- scrição e taxa de juros mínima de remuneração.
A solicitação de reserva constitui ato de aceitação dos termos e
condições da oferta pública de valores mobiliários e tem caráter
irrevogável. Mesmo que o prospecto preliminar não estipule a
possibilidade de desistência do pedido de reservas, esta pode ocorrer,
sem ônus para o subscritor ou adquirente, caso haja divergência
relevante entre as informações con- stantes do prospecto preliminar e
do prospecto definitivo que altere sub- stancialmente o risco assumido
pelo investidor ou a sua decisão de in- vestimento.
A solicitação de reserva pode ser disponibilizada e assinada pelo
investi- dor em formato digital, e deve, obrigatoriamente:
∗ Conter as condições de integralização, subscrição ou aquisição de
so- bras, se for o caso;
∗ Conter as condições aplicáveis caso a oferta conte com a possibili-
dade de distribuição parcial;
∗ Cientificar, com destaque, que a oferta original foi alterada nos
casos de modificação de oferta;
∗ Incluir declaração assinada pelo subscritor ou adquirente de haver
obtido exemplar do prospecto preliminar e de que tem conhecimento
das novas condições na hipótese de modificação de oferta; e
∗ Possibilitar a identificação da condição de investidor vinculado à oferta.
A solicitação de reserva assinada deve ser mantida à disposição da
CVM .

4.82. EFEITOS DA REVOGAçÃO E DA MODIFICAçÃO DA OFERTA.


A revogação torna ineficazes a oferta e os atos de aceitação
anteriores ou posteriores, devendo ser restituídos integralmente aos
aceitantes os

322
valores, bens ou direitos dados em contrapartida aos valores
mobiliários ofertados, na forma e condições previstas nos termos e
condições da oferta.
A modificação deve ser divulgada imediatamente por meios ao menos
iguais aos utilizados para a divulgação da oferta e as entidades partic-
ipantes do consórcio de distribuição devem se certificar de que os po-
tenciais investidores estejam cientes, no momento do recebimento do
documento de aceitação da oferta, de que a oferta original foi
alterada e das suas novas condições.
Os investidores que já tiverem aderido à oferta devem ser
imediatamente comunicados a respeito da modificação efetuada
diretamente por cor- reio eletrônico, correspondência física ou qualquer
outra forma de co- municação passível de comprovação, para que
informem, no prazo mín- imo de 5 (cinco) dias úteis contados da
comunicação, eventual decisão de desistir de sua adesão à oferta,
presumida a manutenção da adesão em caso de silêncio.
A SRE pode determinar a sua adoção caso entenda que a modificação
não melhora a oferta em favor dos investidores.
No caso de modificação que demande aprovação prévia e que
compro- meta a execução do cronograma, deve ser adotado também
por opor- tunidade da apresentação do requerimento de modificação.
Os investidores que revogaram a sua aceitação têm direito à
restituição integral dos valores, bens ou direitos dados em
contrapartida aos valores mobiliários ofertados, na forma e condições
dos documentos da oferta e do prospecto, nos casos em que é exigida
a divulgação deste.
A documentação referente deve ser mantida à disposição da CVM.

4.83. SUSPENSÃO E CANCELAMENTO DA OFERTA DE DISTRIBUIçÃO.


A SRE pode suspender ou cancelar, a qualquer tempo, a oferta pública
de distribuição que:
∗ Esteja se processando em condições diversas das constantes da
pre- sente Resolução ou do registro;
∗ Esteja sendo intermediada por coordenador que esteja com
registro suspenso ou cancelado, conforme a regulamentação que
dispõe so- bre coordenadores de ofertas públicas de distribuição
de valores mo-
biliários;

323
∗ Tenha sido havida por ilegal, contrária à regulamentação da CVM ou
fraudulenta, ainda que após obtido o respectivo registro.

A SRE deve proceder à suspensão da oferta quando verificar


ilegalidade ou violação de regulamentação consideradas sanáveis.
O prazo de suspensão da oferta não pode ser superior a 30 (trinta)
dias, durante o qual a irregularidade apontada deve ser sanada.
Findo o prazo sem que tenham sido sanadas as irregularidades que
de- terminaram a suspensão, a SRE deve ordenar a retirada da oferta
e can- celar o respectivo registro ou indeferir o requerimento de
registro caso este ainda não tenha sido concedido.
A rescisão do contrato de distribuição com um dos coordenadores,
decor- rente de inadimplemento de qualquer das partes ou de não
verificação. Importa no cancelamento do registro da oferta.
A resilição voluntária do contrato de distribuição por motivo distinto
não implica revogação da oferta, mas sua suspensão, até que novo
contrato de distribuição seja firmado.
O ofertante deve divulgar imediatamente, por meios ao menos iguais
aos utilizados para a divulgação da oferta, comunicado ao mercado in-
formando sobre a suspensão ou o cancelamento, bem como dar con-
hecimento de tais eventos aos investidores que já tenham aceitado a
oferta diretamente por correio eletrônico, correspondência física ou
qual- quer outra forma de comunicação passível de comprovação,
para que, na hipótese de suspensão, informem, no prazo mínimo de 5
(cinco) dias úteis contados da comunicação, eventual decisão de
desistir da oferta.
Têm direito à restituição integral dos valores, bens ou direitos dados
em contrapartida aos valores mobiliários ofertados, na forma e
condições dos documentos da oferta e do prospecto, nos casos em
que é exigida a divulgação deste:

∗ Todos os investidores que já tenham aceitado a oferta, na


hipótese de seu cancelamento;
∗ Os investidores que tenham revogado a sua aceitação, na
hipótese de suspensão.

A documentação referente ao disposto deve ser mantida à disposição


da CVM.

324
4.84. REVOGAçÃO DA ACEITAçÃO
A aceitação da oferta somente pode ser revogada pelos investidores se
tal hipótese estiver expressamente prevista nos documentos da oferta e
no prospecto, ressalvadas as hipóteses previstas nos quais são
inafastáveis.

4.85. DISTRIBUIçÃO PARCIAL


O ato que deliberar sobre a oferta pública deve dispor sobre o trata-
mento a ser dado no caso de não haver a distribuição total dos valores
mobiliários previstos para a oferta pública ou a captação integral do
mon- tante previsto para a oferta pública, especificando, se houver
previsão de distribuição parcial, a quantidade mínima de valores
mobiliários ou o montante mínimo de recursos para os quais será
mantida a oferta pública.
O prospecto ou, nos casos em que a divulgação de um prospecto é
dis- pensada, os demais documentos da oferta, deve conter seção
especí- fica nos termos e condições da oferta tratando da destinação
dos recur- sos conforme a quantidade de valores mobiliários a ser
distribuída ou o montante de recursos que se pretende captar, bem
como a eventual fonte alternativa de recursos, caso seja admitida a
distribuição ou a cap- tação parcial.
Exceto quando contrariamente dispuserem a lei ou os termos e
condições da oferta, em nada são afetadas a subscrição ou a aquisição
dos valores mobiliários ocorridas em uma oferta pública com
distribuição ou cap- tação parcial, desde que autorizada pelo órgão
competente do emissor e realizada dentro do valor mínimo.
Na hipótese de não terem sido distribuídos integralmente os valores
mo- biliários objeto da oferta e não tendo sido autorizada a
distribuição par- cial, ou, caso tenha sido autorizada a distribuição
parcial e não tenha havido o atingimento do montante mínimo, nos
termos das normas, os valores, bens ou direitos dados em
contrapartida aos valores mobil- iários ofertados devem ser
integralmente restituídos aos investidores, na forma dos termos e
condições constantes dos documentos da oferta e do prospecto.
Aplica-se à devolução dos valores, bens ou direitos dados em contra-
partida aos valores mobiliários ofertados aos investidores que tenham
condicionado sua adesão à distribuição total dos valores mobiliários.

325
Não se sujeitam às regras deste artigo as ofertas públicas secundárias
de valores mobiliários, que obedecem às regras de distribuição parcial
que forem previstas nos atos do ofertante e nos termos e condições
con- stantes dos documentos da oferta, inclusive do prospecto.
Havendo a possibilidade de distribuição parcial, deve ser dada a
opção ao investidor de, por meio do documento de aceitação da
oferta, condi- cionar sua adesão a que haja distribuição:
∗ Da totalidade dos valores mobiliários ofertados;
∗ De uma quantidade ou montante financeiro maior ou igual ao
mín- imo previsto pelo ofertante e menor que a totalidade dos
valores mo-
biliários originalmente objeto da oferta ou da captação integral
pre- vista.
Parágrafo único. Para os fins deste artigo, entende-se como valores
mo- biliários efetivamente distribuídos todos os valores mobiliários
objeto de subscrição ou aquisição, conforme o caso.

4.86. INSTITUIçÕES INTERMEDIÁRIAS


O relacionamento do ofertante com as instituições intermediárias
deve ser formalizado mediante contrato de distribuição de valores
mobiliários que contenha obrigatoriamente. Na hipótese de
vinculação societária, direta ou indireta, entre o ofertante ou seu
acionista controlador e os coordenadores ou seus acionistas
controladores, tal fato deve ser infor- mado.
Todas as formas de remuneração, ainda que indiretas, devidas pelo
ofer- tante às instituições participantes do consórcio de distribuição
devem ser explícitas e divulgadas no prospecto ou nos documentos da
oferta, neste caso, quando a divulgação de um prospecto é dispensada,
incluindo qualquer outra forma de pagamento, benefício ou direito.
As instituições intermediárias podem se organizar sob a forma de con-
sórcio com o fim específico de distribuir os valores mobiliários no mer-
cado ou garantir a subscrição da emissão.
As cláusulas relativas ao consórcio devem ser formalizadas no mesmo
instrumento do contrato de distribuição, no qual deve constar a
outorga de poderes de representação das instituições participantes do
consórcio de distribuição ao coordenador líder e, se for o caso, as
condições e os limites de coobrigação de cada instituição
participante.

326
À instituição que não celebrou o instrumento referido é permitida a
adesão por meio da celebração, com o coordenador líder, do termo
específico.
Os coordenadores devem garantir que os representantes de venda
das instituições participantes do consórcio de distribuição recebam
previ- amente exemplares dos documentos da oferta, inclusive do
prospecto, para leitura obrigatória e que eventuais dúvidas possam
ser esclarecidas por pessoa designada tempestivamente pelos
coordenadores.
O coordenador líder deve manter à disposição da CVM outros
contratos relativos à emissão ou subscrição, inclusive no que toca à
distribuição de lote suplementar.
Não é considerada participante da oferta a instituição que realiza
apenas a liquidação financeira de ordem a pedido de instituição
participante do consórcio de distribuição, desde que orientada nesse
sentido por seus clientes.
Exceto nas ofertas sujeitas ao rito de registro automático, após o
início da distribuição, o contrato de distribuição firmado entre o
ofertante e os coordenadores pode ser alterado mediante prévia
autorização da CVM
Sem prejuízo da garantia firme de colocação prestada ao ofertante,
po- dem ser realizadas realocações entre o coordenador líder e as
demais instituições participantes do consórcio de distribuição, desde
que pre- vistas no contrato de distribuição.
Afasta a responsabilidade dos coordenadores perante o ofertante pela
prestação de garantia, respeitadas as condições especificadas no con-
trato de distribuição.
O coordenador líder, os demais coordenadores e as demais
instituições participantes do consórcio de distribuição devem zelar
para que as in- formações divulgadas e a alocação da oferta não
privilegiam pessoas vinculadas, em detrimento de pessoas não
vinculadas. Obrigações do líder
∗ Avaliar, em conjunto com o ofertante, a viabilidade da
distribuição, suas condições e o tipo de contrato de distribuição a
ser celebrado;
∗ Solicitar, juntamente com o ofertante, o registro de oferta pública
de distribuição devidamente instruído, assessorando-o em todas
as etapas da distribuição;
∗ Formar o consórcio de distribuição, se for o caso;
∗ Nas ofertas submetidas ao rito de registro ordinário, informar à
SRE, até a obtenção do registro, os participantes do consórcio,
327
discrimi-

328
nando por tipo, espécie e classe a quantidade de valores
mobiliários inicialmente atribuída a cada um;
∗ Comunicar imediatamente à SRE qualquer eventual alteração no
con- trato de distribuição, ou a sua rescisão;
∗ Remeter mensalmente à CVM, no prazo de 15 (quinze) dias após
o encerramento do mês, a partir da divulgação do anúncio de
início de distribuição, relatório indicativo do movimento
consolidado de dis-
tribuição de valores mobiliários (Resumo Mensal da Distribuição).
∗ Participar ativamente, em conjunto com o ofertante e demais coor-
denadores, na elaboração do prospecto e na verificação da suficiên-
cia, veracidade, precisão, consistência e atualidade das informações
dele constantes.
∗ Adotar diligências para verificar o atendimento às condições
impostas por esta Resolução para a realização da oferta, inclusive o
público- alvo da oferta.
∗ Divulgar, quando exigido por esta Resolução, os avisos nela previstos;
∗ Acompanhar e controlar o plano de distribuição da oferta;
∗ Controlar os atos de subscrição, em conjunto com as demais
institu- ições participantes do consórcio de distribuição;
∗ Suspender a oferta na ocorrência de qualquer fato ou
irregularidade, inclusive após a obtenção do registro, que venha a
justificar a sus- pensão ou o cancelamento do registro, durante o
prazo máximo.
∗ Se tratando de oferta sujeita ao rito de registro automático,
cancelar a respectiva oferta caso o fato ou irregularidade que
tenha levado à suspensão da oferta não tenha sido sanado;
∗ Comunica imediatamente a ocorrência do ato ou irregularidade ali
mencionada à SRE, que deve verificar se a ocorrência do fato ou
da irregularidade é sanável.
∗ Manter à disposição da CVM, pelo prazo de 5 (cinco) anos após o
encerramento da oferta, toda a documentação relativa ao
processo
de registro de distribuição pública, de elaboração do prospecto e de-
mais documentos requeridos por esta Resolução, nos termos da reg-
ulamentação específica que dispõe sobre o registro de
coordenadores de ofertas públicas de distribuição de valores
mobiliários;
∗ certificar-se da adoção das providências necessárias para o
bloqueio ou restrição à negociação nos casos desta exigência.

329
∗ Informar à CVM, até o dia posterior ao do exercício da opção de
dis- tribuição de lote suplementar, a data do respectivo exercício e a
quan- tidade de valores mobiliários envolvidos.
Para fins do cumprimento de normas, as imagens digitalizadas são
ad- mitidas em substituição aos documentos originais requeridos por
esta Resolução, desde que o processo seja realizado de acordo com a
legis- lação federal que dispõe sobre a elaboração e o arquivamento
de docu- mentos públicos e privados em meios eletromagnéticos, e
com a regu- lamentação federal que estabelece a técnica e os
requisitos para a digi- talização desses documentos.
O documento de origem pode ser descartado após sua digitalização,
ex- ceto se apresentar danos materiais que prejudiquem sua
legibilidade.
O disposto neste artigo não afasta a responsabilidade das demais in-
stituições participantes do consórcio de distribuição por eventuais in-
frações às obrigações previstas nas normas a que derem causa.

4.87. CÓDIGO ANBIMA DE REGULAÇÃO E MELHORES PRÁTICAS PARA OFERTAS


PÚBLI- CAS DE DISTRIBUIÇÃO E AQUISIÇÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS
Para facilitar nossa compreensão neste tópico, chamarei o Código AN-
BIMA de Regulação e Melhores Práticas de Distribuição e Aquisição de
Valores Mobiliários, somente de "código", beleza?
O objetivo deste código é estabelecer princípios e regras que devem
ser observados pelas instituições participantes da ANBIMA nas ofertas
públicas de valores mobiliários, incluindo os programas de
distribuição, regulamentados pela Lei no 6.385, de 7 de dezembro de
1976, e pela CVM (ofertas públicas), com a finalidade de propiciar a
transparência e o ad- equado funcionamento do mercado.
As seguintes ofertas públicas não estão sujeitas às disposições deste
código e estão automaticamente dispensadas de registro na ANBIMA,
salvo se tais ofertas utilizarem o prospecto, caso em que serão aplicáveis
as dis- posições do presente código.
I. As ofertas públicas de valores mobiliários distribuídas com esforços
re- stritos, nos termos da regulamentação em vigor.
II. As ofertas públicas de lote único e indivisível de valores mobiliários.
III. As ofertas públicas de que trata a Instrução CVM no 286/98, que
dis- põe sobre alienação de ações de propriedade de pessoas jurídicas
de

330
direito público e de entidades controladas direta ou indiretamente pelo
Poder Público e dispensa os registros de que tratam os artigos 19 e 21
da Lei 6.385, nos casos que especifica.
[Link] ofertas públicas de valores mobiliários de emissão de empresas
de pequeno porte e de microempresas, assim definidas em lei.
Tais ofertas públicas automaticamente dispensadas de registro devem
ser registradas na ANBIMA apenas para fins de registro em sua base
de dados.
As instituições participantes da ANBIMA devem observar os seguintes
princípios e regras em suas atividades relacionadas às operações de
oferta pública de que participem:
I. nortear a prestação das atividades pelos princípios da liberdade de
ini- ciativa e da livre concorrência;
II. evitar quaisquer práticas que infrinjam ou estejam em conflito com
as regras e princípios no código, na legislação pertinente e/ou nas
demais normas estabelecidas pela ANBIMA;
III. evitar a adoção de práticas caracterizadoras de concorrência desleal
e/ou de condições não equitativas, bem como de quaisquer outras
práti- cas que contrariem os princípios contidos no código, respeitando
os princí- pios de livre negociação;
[Link] todas as suas obrigações, devendo empregar, no exercício
de sua atividade, o cuidado que toda pessoa prudente e diligente
costuma dispensar à administração de seus próprios negócios,
respondendo por quaisquer infrações ou irregularidades cometidas
durante o período em que prestarem as atividades reguladas pelo
código;
[Link] desenvolver suas atividades com vistas a incentivar o
mercado secundário de valores mobiliários, respeitadas as
características de cada oferta pública.
Nas ofertas públicas em que atuem na qualidade de coordenadores, as
instituições participantes devem zelar pela elaboração do prospecto e
do formulário de referência, a fim de que apresentem informações
sufi- cientes, claras e precisas, para que o investidor tome a decisão de
investi- mento com as informações necessárias disponíveis, observadas.
Devem, ainda:
I. incluir, no formulário de referência, a descrição de práticas de gov-
ernança corporativa diferenciadas, eventualmente adotadas pela
emis- sora, por exemplo, do Código de Melhores Práticas de
Governança Cor- porativa publicado pelo IBGC — Instituto Brasileiro
de Governança Cor-

331
porativa;
II. incluir, no formulário de referência, a análise e os comentários da
ad- ministração sobre as demonstrações financeiras da emissora, que
dev- erão explicitar:
a) razões que fundamentam as variações das contas do balanço pat-
rimonial e das demonstrações de resultados da emissora, tomando
por referência, pelo menos, os últimos três exercícios sociais;
b) razões que fundamentam as variações das contas do balanço pat-
rimonial e das demonstrações de resultados da emissora, tomando
por referência as últimas Informações Trimestrais (ITR)
acumuladas, comparadas com igual período do exercício social
anterior, se for o caso;
III. incluir, no formulário de referência, informações, se houver, acerca
da adesão da emissora, por qualquer meio, a padrões internacionais
rel- ativos à proteção ambiental, incluindo referência específica ao ato
ou documento de adesão;
IV. incluir, no formulário de referência, informações, se houver das
políti- cas de responsabilidade social, patrocínio e incentivo cultural
adotadas pela emissora, assim como dos principais projetos
desenvolvidos nessas áreas ou dos quais participe;
V. incluir, no formulário de referência, informações sobre pendências
ju- diciais e administrativas relevantes da emissora e/ou ofertantes,
descrição dos processos judiciais e administrativos relevantes em
curso, com indi- cação dos valores envolvidos, perspectivas de êxito e
informação sobre provisionamento;
VI. incluir, no prospecto, as informações abaixo especificadas, no que
diz respeito ao relacionamento relevante entre o coordenador e a
emissora e/ou ofertantes, bem como a destinação de recursos:
a) relacionamento — apresentar de forma consolidada, as relações da
emissora e/ou ofertantes com o coordenador líder e demais coor-
denadores da oferta pública, incluindo as empresas dos respectivos
grupos econômicos destes, tais como empréstimos, investimentos,
valor, prazo, taxa, garantia e outras relações eventualmente
existentes, inclusive com instituições financeiras que tenham
relações societárias com os coordenadores;
b) destinação de recursos — descrever genericamente a destinação
dos recursos e destacar se uma parte ou a totalidade será
destinada para

332
liquidar ou amortizar quaisquer operações, inclusive se contratadas
junto aos acionistas controladores e sociedades controladas da
emis- sora e/ou ofertante.
Quando houver destinação de recursos da oferta para liquidar ou
amortizar dívidas devidamente descritas e individualizadas na
seção "Destinação de Recursos" do prospecto, dentro do curso de
paga- mentos ordinário ou extraordinário junto aos coordenadores
e seus respectivos controladores ou controladas que sejam
instituições fi- nanceiras, deverá constar, nesta seção, referência
para as seções de relacionamento e operações vinculadas;
c) conflitos de interesses — informações sobre a existência ou não de
eventuais conflitos de interesses na participação dos
coordenadores nas ofertas públicas decorrentes do seu
relacionamento com a emis- sora e/ou ofertantes, assim como sobre
os mecanismos adotados para eliminá-los ou mitigá-los;
VII. incluir, no formulário de referência, em seção específica, even-
tual descrição de políticas de gerenciamento de risco adotadas
pela emissora, na forma da regulamentação aplicável.

4.88. SELO ANBIMA


É obrigatória a veiculação da logomarca da ANBIMA, acompanhada de
texto obrigatório (Selo ANBIMA), utilizada para demonstração do com-
promisso das instituições participantes com o cumprimento e
observân- cia dos termos descritos acima.
O selo ANBIMA deve estar presente nos seguintes documentos:
I. I. prospecto;
[Link]. lâmina para nota promissória, conforme modelo disponibilizado
pela ANBIMA;
III. memorando, conforme modelo disponibilizado pela ANBIMA;
IV. avisos ao mercado;
V. comunicados ao mercado;
VI. anúncio de início de distribuição;
VII. anúncio de encerramento de distribuição;
VIII. edital de oferta pública de aquisição de ações.
A veiculação do Selo ANBIMA tem por finalidade exclusiva demonstrar o
compromisso das instituições participantes em atender as disposições

333
do presente código, não cabendo qualquer responsabilidade à ANBIMA
pelas informações constantes dos referidos documentos relativos às
ofer- tas públicas, bem como pela qualidade da emissora e/ou
ofertantes, das instituições participantes e/ou dos valores mobiliários
objeto da oferta pública.

4.89. CÓDIGO ANBIMA DE REGULAçÃO E MELHORES PRÁTICAS PARA


ESTRUTURAçÃO, COORDENAçÃO E DISTRIBUIçÃO DE OFERTAS PÚBLICAS DE
VALORES MOBILIÁRIOS E OFERTAS PÚBLICAS DE AQUISIçÃO DE VALORES
MOBILIÁRIOS
Para finalizarmos este módulo vamos abordar o código que vai tratar
da oferta pública de ativos e aquisição. O conteúdo abaixo foi
extraído do próprio Código ANBIMA.

4.89. OBJETIVO E ABRANGÊNCIA


Assim como os demais códigos da ANBIMA, este tem como objetivo:
∗ a manutenção dos mais elevados padrões éticos e a consagração
da institucionalização de práticas equitativas no Mercado
Financeiro e de capitais;
∗ a concorrência leal;
∗ a padronização de seus procedimentos;
∗ a estímulo ao adequado funcionamento da distribuição de
produtos de investimento;
∗ a transparência no relacionamento com os investidores, conforme o
canal utilizado e as características dos investimentos;
∗ a qualificação das instituições e de seus profissionais envolvidos na
distribuição de produtos de investimento.
Este código se destina aos bancos múltiplos, comerciais, de
investimento, de desenvolvimento, sociedades corretoras e
distribuidoras de títulos e valores mobiliários, assim como aos
administradores fiduciários e/ou ge- stores de recursos de terceiros
quando distribuírem seus próprios fun- dos de investimento.
A observância das normas deste código é obrigatória para as institu-
ições participantes. Elas que devem assegurar que o presente código

334
seja também observado por todos os integrantes de seu
conglomerado ou grupo econômico que estejam autorizados, no
Brasil, a distribuírem produtos de investimento.
As instituições participantes estão dispensadas de observar o disposto
neste código na distribuição de produtos de investimento para:
1. União, Estados, Municípios e Distrito Federal (excluindo os RPPS);
2. pessoa jurídica dos segmentos classificados como middle e
corporate, segundo critérios estabelecidos pela própria instituição
participante;
3. caderneta de poupança.
As instituições participantes submetidas à ação reguladora e
fiscalizadora do Conselho Monetário Nacional, do Banco Central do
Brasil e da Comis- são de Valores Mobiliários, concordam,
expressamente, que a atividade de distribuição de produtos de
investimento excede o limite de sim- ples observância da regulação
que lhe é aplicável, devendo, dessa forma, submeter-se também aos
procedimentos estabelecidos por este código.
O presente código não se sobrepõe à regulação vigente, ainda que se-
jam editadas normas, após o início de sua vigência, que sejam
contrárias às disposições ora trazidas, de maneira que deve ser
desconsiderada, caso haja contradição entre as regras estabelecidas
neste código e a reg- ulação em vigor, a respectiva disposição deste
código, sem prejuízo das demais regras nele contidas.

4. 89. PRINCÍPIOS GERAIS DE CONDUTA


As instituições participantes devem:
I. exercer suas atividades com boa-fé, transparência, diligência e leal-
dade;
II. cumprir todas as suas obrigações, devendo empregar, no exercício
de suas atividades, o cuidado que toda pessoa prudente e diligente
cos- tuma dispensar à administração de seus próprios negócios,
respondendo por quaisquer infrações ou irregularidades cometidas;
III. nortear a prestação das atividades pelos princípios da liberdade de
iniciativa e da livre concorrência, evitando a adoção de práticas carac-
terizadoras de concorrência desleal e/ou de condições não
equitativas, respeitando os princípios de livre negociação;
IV. evitar quaisquer práticas que infrinjam ou estejam em conflito com
as regras e princípios contidos neste código e na regulação vigente;

335
V. adotar condutas compatíveis com os princípios de idoneidade moral
e profissional;
VI. evitar práticas que possam prejudicar a distribuição de produtos de
investimento, especialmente no que tange aos deveres e direitos rela-
cionados às atribuições específicas de cada uma das instituições par-
ticipantes estabelecidas em contratos, regulamentos, neste código e
na regulação vigente;
VII. envidar os melhores esforços para que todos os profissionais que
de- sempenhem funções ligadas à distribuição de produtos de
investimento atuem com imparcialidade e conheçam o código de
ética da instituição participante e as normas aplicáveis à sua
atividade;
VIII. divulgar informações claras e inequívocas aos investidores acerca
dos riscos e consequências que poderão advir dos produtos de
investi- mento;
IX. identificar, administrar e mitigar eventuais conflitos de interesse
que possam afetar a imparcialidade das pessoas que desempenhem
funções ligadas à distribuição de produtos de investimento.

4.89. REGRAS E PROCEDIMENTOS


As instituições participantes devem garantir, por meio de controles in-
ternos adequados, o permanente atendimento ao disposto no código,
às políticas e à regulação vigente.
Sendo que, para assegurar o cumprimento do código, as instituições
participantes devem implementar e manter, em documento escrito,
re- gras, procedimentos e controles que:
I. sejam efetivos e consistentes com a natureza, porte, estrutura e
mod- elo de negócio das instituições participantes, assim como com a
com- plexidade dos produtos de investimento distribuídos;
II. sejam acessíveis a todos os seus profissionais, de forma a
assegurar que os procedimentos e as responsabilidades atribuídas
aos diversos níveis da organização sejam conhecidos;
[Link] divisão clara das responsabilidades dos envolvidos na
função de controles internos e na função de cumprimento das
políticas, pro- cedimentos, controles internos e regras estabelecidas
pela regulação vi- gente ("compliance"), da responsabilidade das
demais áreas da institu- ição, de modo a evitar possíveis conflitos de
interesses com as demais áreas;

336
IV. indiquem as medidas necessárias para garantir a independência e
a adequada autoridade aos responsáveis pela função de controles
inter- nos e de compliance na instituição.
As instituições participantes devem manter em sua estrutura área(s) que
seja(m) responsável(is) por seus controles internos e compliance.
Estas áreas devem:
I. ter estrutura compatível com a natureza, porte e modelo de negócio
das instituições participantes, assim como com a complexidade dos
pro- dutos de investimentos distribuídos;
II. ser independente(s) e reportar-se ao diretor responsável pelos con-
troles internos e pelo compliance;
III. ter profissionais com qualificação técnica e experiência necessária
para o exercício das atividades relacionadas à função de controles in-
ternos e de compliance;
[Link] comunicação direta com a diretoria, administradores e com o
con- selho de administração, se houver, para realizar relato dos
resultados decorrentes das atividades relacionadas à função de
controles internos e de compliance, incluindo possíveis
irregularidades ou falhas identifi- cadas;
V. ter acesso regular a capacitação e treinamento;
VI. ter autonomia e autoridade para questionar os riscos assumidos
nas operações realizadas pela instituição.
A(s) funções desempenhadas pela(s) área(s) responsável(is) pelos con-
troles internos e pelo compliance pode(m) ser desempenhada(s) em
con- junto, na mesma estrutura, ou por unidades específicas.
As instituições participantes devem atribuir a responsabilidade pelos con-
troles internos e pelo compliance a um diretor estatutário ou equiva-
lente, sendo vedada a atuação em funções relacionadas à
administração de recursos de terceiros, à intermediação, distribuição e
à consultoria de valores mobiliários, ou em qualquer atividade que
limite a sua inde- pendência, na instituição, ou fora dela.
A instituição participante pode designar um único diretor responsável
pelos controles internos e pelo compliance, ou pode indicar diretores
específicos para cada função.

4.89. SEGURANçA E SIGILO DAS INFORMAçÕES


As instituições participantes devem estabelecer mecanismos para:

337
I. propiciar o controle de informações confidenciais, reservadas ou
priv- ilegiadas que tenham acesso os seus sócios, diretores,
administradores, profissionais e terceiros contratados;
II. assegurar a existência de testes periódicos de segurança para os
sis- temas de informações, em especial para os mantidos em meio
eletrônico;
III. implantar e manter treinamento para os seus sócios, diretores, ad-
ministradores e profissionais que tenham acesso a informações confi-
denciais, reservadas ou privilegiadas.
As instituições participantes devem implementar e manter, em docu-
mento escrito, regras e procedimentos para assegurar a segurança e
sig- ilo da informação, incluindo, no mínimo:
I. regras de acesso às informações confidenciais, reservadas ou
privile- giadas, indicando como se dá o acesso e controle de pessoas
autorizadas e não autorizadas a essas informações, inclusive nos
casos de mudança de atividade dentro da mesma instituição ou
desligamento do profis- sional;
II. regras específicas sobre proteção da base de dados e procedimen-
tos internos para tratar casos de vazamento de informações
confidenci- ais, reservadas ou privilegiadas, mesmo que oriundos de
ações involun- tárias;
III. regras de restrição ao uso de sistemas, acessos remotos e qualquer
outro meio/veículo que contenham informações confidenciais,
reservadas ou privilegiadas no exercício de suas atividades.
Desta maneira, as instituições participantes devem exigir que seus
profis- sionais assinem, de forma manual ou eletrônica, documento de
confi- dencialidade sobre as informações confidenciais, reservadas ou
privile- giadas que lhes tenham sido confiadas em virtude do exercício
de suas atividades profissionais, excetuadas as hipóteses permitidas
em lei.
Os terceiros contratados que tiverem acesso às informações
confidenci- ais, reservadas ou privilegiadas que lhes tenham sido
confiadas no exer- cício de suas atividades devem assinar o mesmo
documento, podendo tal documento ser excepcionado quando o
contrato de prestação de serviço possuir cláusula de
confidencialidade.

4.89. GESTÃO DE RISCOS


As instituições participantes devem conseguir identificar, mensurar, avaliar,

338
monitorar, reportar, controlar e mitigar os riscos atribuídos à sua ativi-

339
dade (gestão de riscos).
A gestão de riscos deve ser:
1) compatível com a natureza, porte, complexidade, estrutura, perfil
de risco dos produtos de investimento distribuídos e modelo de
negócio da instituição;
2) proporcional a dimensão e a relevância da exposição aos riscos, se-
gundo critérios definidos pela instituição;
3) adequada ao perfil de risco e a importância sistêmica da instituição.
As instituições participantes devem implementar e manter, em docu-
mento escrito, regras, procedimentos e controles para assegurar o
cont- role de gestão de risco citado no slide anterior que contenha, no
mínimo:
I. sistemas, rotinas e procedimentos para a gestão de riscos que:

a) assegurem integridade, segurança e disponibilidade dos dados e


dos sistemas de informação utilizados;
b) sejam robustos e adequados às necessidades e às mudanças do
mod- elo de negócio, tanto em circunstâncias normais, como em
períodos de estresse;
c) Incluam mecanismos de proteção e segurança da informação, com
vistas a prevenir, detectar e reduzir a vulnerabilidade a ataques
digi- tais;

[Link]ção periódica da adequação dos sistemas, rotinas e


procedimen- tos de que trata o item acima;
[Link] e controles adequados para assegurar a identificação
prévia dos riscos inerentes a:

a) novos produtos;
b) modificações relevantes em produtos existentes;
c) mudanças significativas em processos, sistemas, operações e
mod- elo da instituição participante;

IV. papéis e responsabilidades claramente definidas que estabeleçam


atribuições aos profissionais da instituição participante em seus diver-
sos níveis, incluindo os terceiros contratados;
V. indicação de como é feita a coordenação da gestão de riscos da
insti- tuição com a área de controles internos e de compliance.

340
A gestão de riscos deve prever regras e procedimentos sobre o Plano de
Continuidade de Negócios observando-se, no mínimo:
I. análise de riscos potenciais;
II. planos de contingência, detalhando os procedimentos de ativação,
o estabelecimento de prazos para a implementação e a designação
das equipes que ficarão responsáveis pela operacionalização dos
referidos planos;
III. validação ou testes no mínimo a cada doze meses, ou em prazo
infe- rior, se exigido pela regulação.
A validação ou testes de que tratam os itens acima tem como objetivo
avaliar se os Planos de Continuidade de Negócios desenvolvidos con-
seguem suportar, de modo satisfatório, os processos operacionais
críti- cos para continuidade dos negócios da instituição e manter a
integri- dade, segurança e consistência dos bancos de dados criados
pela alter- nativa adotada, e se tais planos podem ser ativados
tempestivamente.
O conteúdo dos documentos exigidos nesse capítulo pode constar de um
único documento, desde que haja clareza a respeito dos procedi-
mentos e regras exigidos em cada seção.

4.89. PUBLICIDADE
A instituição participante, ao elaborar e divulgar material publicitário e
material técnico, deve:
I. empregar com empenho seus melhores esforços no sentido de pro-
duzir materiais adequados aos seus investidores, minimizando incom-
preensões quanto ao seu conteúdo e privilegiando informações
necessárias para a tomada de decisão de investidores e potenciais
investidores;
[Link] a transparência, clareza e precisão das informações, usando
lin- guagem simples, clara, objetiva e adequada aos investidores e
potenci- ais investidores, de modo a não induzir a erro ou a decisões
equivocadas de investimentos
III. conter informações verdadeiras, completas, consistentes e
alinhadas com os documentos dos Produtos de Investimento
distribuídos;
[Link] para não haver qualificações injustificadas, superlativos não
com- provados, opiniões ou previsões para as quais não exista uma base
téc- nica, promessas de rentabilidade, garantia de resultados futuros ou

341
isenção de risco para investidores e potenciais investidores;

342
V. disponibilizar informações que sejam pertinentes ao processo de
de- cisão, tratados de forma técnica assuntos relativos à performance
pas- sada, de modo a privilegiar as informações de longo prazo em
detri- mento daquelas de curto prazo;
VI. manter a mesma linha de conteúdo e forma, e na medida do
possível incluir a informação mais recente disponível, de maneira que
não sejam alterados os períodos de análise, buscando ressaltar
períodos de boa rentabilidade, descartando períodos desfavoráveis, ou
interrompendo sua recorrência e periodicidade especialmente em
razão da performance;
VII. privilegiar dados de fácil comparabilidade e, caso sejam realizadas
projeções ou simulações, detalhar todos os critérios utilizados,
incluindo valores e taxas de comissões;
[Link] para haver concorrência leal, de modo que as informações
disponi- bilizadas ou omitidas não promovam determinados Produtos de
Inves- timento ou instituições participantes em detrimento de seus
concor- rentes, permitida a comparação somente de produtos que
tenham a mesma natureza ou similares.
Todo material publicitário e material técnico é de responsabilidade de
quem o divulga, inclusive no que se refere à conformidade com as
regras previstas no código de distribuição.
Caso a divulgação seja feita por um terceiro contratado, este deve obter,
previamente a divulgação, aprovação expressa da instituição
participante.
A instituição participante, quando oferece divulgação de material pub-
licitário e material técnico deve observar, adicionalmente às regras
pre- vistas neste Código e na Regulação em vigor, as regras aplicáveis
a cada Produto de Investimento, podendo o Conselho de Distribuição
expedir diretrizes específicas sobre o tema.
Para fins do código de distribuição, não são considerados material pub-
licitário ou material técnico:
I. formulários cadastrais, questionários de perfil do investidor ou perfil
de investimento, materiais destinados unicamente à comunicação de
alterações de endereço, telefone ou outras informações de simples
refer- ência para o investidor;
II. materiais que se restrinjam a informações obrigatórias exigidas
pela Regulação vigente;
III. questionários de "due diligence" e propostas comerciais;
[Link] de cunho estritamente jornalístico, inclusive entrevistas, di-
vulgadas em quaisquer meios de comunicação;

343
[Link], extratos e demais materiais destinados à simples
apresentação de posição financeira, movimentação e rentabilidade,
desde que restri- tos a estas informações ou assemelhadas;
VI. propaganda de empresas do conglomerado ou grupo econômico da
instituição participante que apenas faça menção a Produtos de
Investi- mento, a departamentos e/ou empresas que realizam a
Distribuição de Produtos de Investimento em conjunto com os outros
departamentos ou empresas que desenvolvam outros negócios do
conglomerado ou grupo econômicos;

4.89. MATERIAL PUBLICITÁRIO


A instituição participante, ao divulgar material publicitário em qualquer
meio de comunicação disponível, deve incluir, em destaque, link ou
cam- inho direcionando investidores ou potenciais investidores ao
material técnico sobre o(s) produto(s) de investimento mencionado(s),
de modo que haja conhecimento de todas as informações,
características e riscos do investimento.
A instituição participante e empresas do Conglomerado ou Grupo Econômico
que fizerem menção de seus Produtos de Investimento nos materiais
publicitários de forma geral e não específica, devem incluir link ou cam-
inho que direcione os investidores ou potenciais investidores para o site
da instituição.
A instituição participante deve incluir, quando da divulgação de rentabil-
idade do Produto de Investimento em material publicitário, o nome do
emissor e a carência, se houver

4.89. MATERIAL TÉCNICO


O material técnico deve possuir, no mínimo, as seguintes informações
sobre o Produto de Investimento:
I. descrição do objetivo e/ou estratégia;
II. público-alvo, quando destinado a investidores específicos;
III. carência para resgate e prazo de operação;
IV. tributação aplicável;
V. informações sobre os canais de atendimento;
VI. nome do emissor, quando aplicável;

344
VII. classificação do produto de investimento;
[Link]ção resumida dos principais fatores de risco, incluindo, no
mín- imo, os riscos de liquidez, de mercado e de crédito, quando
aplicável. Nas agências e dependências da instituição participante,
devem-se man-
ter à disposição dos interessados, seja por meio impresso ou passível de
impressão, as informações atualizadas previstas no item anterior para
cada Produto de Investimento distribuído nesses locais.

4.89. AVISOS OBRIGATÓRIOS


As instituições participantes devem incluir, com destaque, nos materiais
técnicos os seguintes avisos obrigatórios.
Caso faça referência à histórico de rentabilidade ou menção a perfor-
mance:
∗ "Rentabilidade obtida no passado não representa garantia de resul-
tados futuros";
∗ II. "A rentabilidade divulgada não é líquida de impostos".
Caso faça referência a Produtos de Investimento que não possuam garan-
tia do fundo garantidor de crédito:
∗ "O investimento em [indicar produto de investimento] não é garan-
tido pelo Fundo Garantidor de Crédito".

Caso faça referência à simulação de rentabilidade:


∗ "As informações presentes neste material técnico são baseadas
em simulações e os resultados reais poderão ser significativamente
difer- entes".

No uso de mídia impressa e por meios digitais escritos, o tamanho do


texto e a localização dos avisos e informações devem permitir sua
clara leitura e compreensão.
Regras Gerais
As instituições participantes devem disponibilizar seção exclusiva em
seus sites na internet sobre os Produtos de Investimento distribuídos,
contendo no mínimo, as seguintes informações:
I. descrição do objetivo e/ou estratégia de investimento;
II. público-alvo, quando destinado a investidores específicos;

345
III. carência para resgate e prazo de operação;
IV. nome do emissor, quando
aplicável; [Link]ção aplicável;
VI. classificação do Produto de Investimento;
VII. descrição resumida dos principais fatores de risco, incluindo no
mín- imo, os riscos de liquidez, de mercado e de crédito, quando
aplicável;
VIII. informações sobre os canais de atendimento.
As instituições participantes, quando divulgam de informações dos fun-
dos de investimento nos sites na internet, devem observar, além das
in- formações anteriores, divulgar informações de fundos que:
[Link] constituídos sob a forma de condomínio aberto, cuja
distribuição de cotas independe de prévio registro na CVM, nos termos
da regulação vigente;
II. que não sejam exclusivos e/ou reservado, e que não sejam objeto
de oferta pública pela instituição participante
As instituições participantes devem possuir canais de atendimento com-
patíveis com seu porte e número de investidores para esclarecimento
de dúvidas e recebimento de reclamações.

4.89. CONHEçA SEU CLIENTE


As instituições participantes devem no seu processo de "conheça seu
cliente" buscar conhecer seus investidores no início do
relacionamento e durante o processo cadastral, identificando a
necessidade de visitas pessoais em suas residências, seus locais de
trabalho e em suas insta- lações comerciais.
As instituições participantes devem implementar e manter, em docu-
mento escrito, regras e procedimentos que descrevam o processo de
"conheça seu cliente" adotado pela instituição.
O documento de que trata o parágrafo acima deve conter regras que se-
jam efetivas e consistentes com a natureza, porte, complexidade,
estru- tura, perfil de risco dos Produtos de Investimento distribuídos e
modelo de negócio da instituição e deve conter, no mínimo:
I. procedimento adotado para aceitação de investidores, incluindo pro-
cedimento para análise e validação dos dados, bem como a forma de
aprovação dos investidores;
II. indicação dos casos que são realizadas visitas aos investidores em
sua residência, local de trabalho ou instalações comerciais;

346
III. indicação do sistema e ferramentas utilizadas para realizar o
controle das informações, dados e movimentações dos investidores;
IV. procedimento de atualização cadastral, nos termos da regulação
em vigor;
[Link] adotado para identificar a pessoa natural
caracterizada como beneficiário final, nos termos da regulação em
vigor;
VI. procedimento adotado para veto de relacionamentos em razão dos
riscos envolvidos.
As instituições participantes devem manter as informações cadastrais
de seus investidores atualizadas, de modo a permitir que haja identifi-
cação, a qualquer tempo, de cada um dos beneficiários finais, bem
como do registro atualizado de todas as aplicações e resgates
realizados em nome dos investidores, quando aplicável.

4.89. SUITABILITY
As instituições participantes, no exercício da atividade de distribuição de
produtos de investimento, não podem recomendar produtos de inves-
timento, realizar operações ou prestar serviços sem que verifiquem
sua adequação ao perfil do investidor.
As instituições participantes devem implementar e manter, em docu-
mento escrito, regras e procedimentos que possibilitem verificar a ad-
equação dos produtos de investimento ao perfil dos investidores (suit-
ability), devendo conter, no mínimo, as informações abaixo.
I. Coleta de informações: descrição detalhada do mecanismo de coleta
das informações junto ao investidor para definição de perfil.
II. Classificação do perfil: descrição detalhada dos critérios utilizados
para a classificação de perfil do investidor, devendo ser observadas
as características de classificação para cada perfil, conforme Diretriz
AN- BIMA de Suitability.
III. Classificação dos Produtos de Investimento: descrição detalhada
dos critérios utilizados para a classificação de cada produto de investi-
mento.
IV. Comunicação com o investidor: descrição detalhada dos meios,
forma e periodicidade de comunicação utilizada entre a instituição
par- ticipante e o investidor para as situações abaixo.
a) Divulgação do seu perfil de risco após coleta das informações.

347
b) Divulgação referente ao desenquadramento identificado entre o
per- fil do investidor e seus investimentos, a ser efetuada sempre
que ver- ificado o desenquadramento.

V. Procedimento operacional: descrição detalhada dos procedimen-


tos utilizados para a aferição periódica entre o perfil do investidor e
seus investimentos.
VI. Atualização do perfil do investidor: descrição detalhada dos critérios
utilizados para atualização do perfil do investidor, incluindo como a in-
stituição participante dará ciência desta atualização.
VII. Controles internos: descrição detalhada dos controles internos e
mecanismos adotados pela instituição participante para o processo de
suitability para assegurar a efetividade dos procedimentos estabeleci-
dos pela instituição.
A verificação de perfil do investidor não será aplicada nas exceções pre-
vistas na regulação vigente. A instituição participante é responsável
pelo suitability de seus investidores.
A coleta de informações do investidor deve possibilitar a definição:

∗ do seu objetivo de investimento;


∗ da sua situação financeira;
∗ do seu conhecimento em matéria de investimentos, fornecendo
in- formações suficientes para permitir a definição do perfil de
cada in- vestidor.

Para definição do objetivo de investimento do investidor, a instituição


participante deve considerar, no mínimo, as seguintes informações:
I. período em que será mantido o investimento;
II. as preferências declaradas quanto à assunção de riscos;
III. as finalidades do investimento.
Para definição da situação financeira do investidor, a instituição partici-
pante deve considerar, no mínimo, as seguintes informações:
I. o valor das receitas regulares declaradas;
II. o valor e os ativos que compõem seu patrimônio;
III. a necessidade futura de recursos declarada

348
4.89. PRIVATE
O serviço de private, para fins deste código, compreende as informações
abaixo.
I. A distribuição de produtos de investimento para os investidores que
tenham capacidade financeira de, no mínimo, três milhões de reais,
in- dividual ou coletivamente
II. A prestação dos seguintes serviços:

a) Proposta de portfólio de produtos e serviços exclusivos e/ou;


b) Planejamento financeiro, incluindo, mas não se limitando a:

1. análises e soluções financeiras e de investimentos específicas para


cada investidor, observada a regulação aplicável;
2. constituição de veículos de investimento, que podem ser
exclusivos, reservados e personalizados segundo as necessidades
e o perfil de cada investidor, em parceria com administradores
fiduciários e/ou gestores de recursos de terceiros.

As instituições participantes podem oferecer a seus investidores:


I. planejamento fiscal, tributário e sucessório, que deve ser
desempen- hado por profissional tecnicamente capacitado para esse
serviço;
II. planejamento previdenciário e de seguros, que deve ser desempen-
hado em parceria com sociedade seguradora para a constituição de
fun- dos previdenciários personalizados segundo as necessidades e o
per- fil de cada investidor, assim como análises e propostas de
seguros, de forma geral;
III. elaboração de relatórios de consolidação de investimentos detidos
em outras instituições, que permitam uma análise crítica em relação
às posições, concentração de ativos, risco do portfólio, entre outros
aspec- tos.
As instituições participantes, quando da prestação do serviço de private,
devem possuir contrato contendo, no mínimo:
I. descrição dos serviços contratados;
II. descrição da forma de remuneração, incluindo os casos de múltipla
remuneração pela aquisição e manutenção dos investimentos;
III. indicação de quem prestará o serviço, se a própria instituição ou
ter- ceiro por ela contratado;

349
IV. descrição da prestação de informações para o investidor, com a re-
spectiva periodicidade;
V. cláusula prevendo a responsabilidade do terceiro contratado para a
prestação dos serviços, quando for o caso.
A instituição participante que oferecer para seus investidores o serviço
de private deve possuir em sua estrutura:
I. 75% dos seus gerentes de relacionamento certificados pelo CFP®, de-
vendo estes profissionais serem funcionários das instituições
participantes e exercerem suas funções exclusivamente para o private;
II. profissional ou área responsável pela atividade de estrategista de
in- vestimentos, devendo o profissional que atue nesta atividade ser
certi- ficado pela Planejar - Certified Financial Planner (CFP®), pela
ANBIMA - Certificação de Gestores ANBIMA (CGA), pelo CFA Institute -
Chartered Financial Analyst (CFA), ou, ainda, possuir autorização da
Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para o exercício da atividade
de administração de carteira de valores mobiliários;
III. profissional responsável pela análise de risco de mercado e de
crédito dos Produtos de Investimento recomendados aos investidores;
IV. economista.
Não é necessária dedicação exclusiva dos profissionais citados anteri-
ormente para o serviço de private, desde que as outras atividades ou
funções desempenhadas não gerem conflito de interesses com o
referido serviço.
As instituições participantes que decidirem prestar o serviço de private
para seus investidores devem, previamente ao início da prestação,
infor- mar a ANBIMA que passarão a prestar esse serviço e
demonstrar que cumpriram com as exigências previstas neste
capítulo.

350
4.90. FINANCAS DESCENTRALIZADAS BLOCKCHAIN E DEFI - A3565
4.90. FINANçAS DESCENTRALIZADAS, BLOCKCHAIN E DEFI
4.90. O QUE É BLOCKCHAIN?
Blockchain é uma tecnologia que registra dados de forma segura, em
blocos conectados e imutáveis. Criada em 1991, seu objetivo inicial
era garantir a autenticidade de documentos digitais, tornando-os
irrever- síveis (não podem ser apagados) e imutáveis (não podem ser
alterados). No sistema financeiro tradicional, bancos e bolsas
centralizam o cont- role. Na blockchain, esse controle é distribuído
entre vários usuários, os mineradores.

4.90. FINANçAS CENTRALIZADAS E FINANçAS DESCENTRALIZADAS


As Finanças Centralizadas (CeFi) dependem de bancos e corretoras
para intermediar transações. Já as Finanças Descentralizadas (DeFi)
utilizam a blockchain, eliminando intermediários e dando ao usuário
controle di- reto sobre seus ativos.

4.90. COMO FUNCIONA O MECANISMO DE CONSENSO?


No DeFi, as transações são verificadas por consenso. Milhares de min-
eradores validam cada operação, garantindo transparência,
segurança e impedindo fraudes.

4.90. SMART CONTRACTS: CONTRATOS INTELIGENTES


Smart Contracts são programas digitais que executam automaticamente
acordos predefinidos, sem a necessidade de terceiros. Por exemplo, um
contrato pode transferir criptomoedas em uma data específica sem in-
tervenção humana.

4.90. VANTAGENS DO DEFI


Descentralização, com menos dependência de instituições financeiras.
Autonomia, pois o usuário gerencia seus próprios ativos. Segurança,
garan-

351
tida pelo consenso da rede. Acesso global, possibilitado pela internet.
Custos reduzidos, já que não há taxas de intermediários.

4.90. COMPARATIVO ENTRE CEFI E DEFI

Aspecto CeFi DeFi


Controle dos ativos Instituições financeiras Usuário
Intermediários Bancos e corretoras Nenhum
Acessibilidade Restrita por regras e Global e irrestrita
localizações
Segurança Depende da instituição Garantida pela rede
Custos Taxas administrativas Menores custos de
transação
Table 4.1: Diferenças entre CeFi e DeFi

4.90. CONSIDERAçÕES FINAIS


Blockchain, DeFi e Smart Contracts estão transformando o mercado fi-
nanceiro. Dominar esses conceitos é essencial para quem busca uma
certificação financeira. Continue estudando com dedicação e lembre-
se: cada hora de estudo é um passo mais perto da sua aprovação.
Bora pra cima!

4.91. A3566 TOKENIZACAO E NFT


4.91. TOKENIZAçÃO E NFT
4.91. O QUE É TOKENIZAçÃO?
A tokenização é o processo de conversão de um ativo físico ou digital
em um token registrado em blockchain . Esse token pode representar
uma posse, um direito ou uma fração de um ativo , permitindo sua
transfer- ência e negociação de forma digital, segura e sem
intermediários, como cartórios e bancos.
Imagine a compra de um carro: em vez de enfrentar toda a burocra-
cia de cartórios, CRVA e taxas, a propriedade do veículo poderia ser
reg-

352
istrada digitalmente na blockchain . Isso eliminaria intermediários, re-
duziria custos e tornaria o processo mais ágil e seguro.

4.91. COMO FUNCIONA A TOKENIZAçÃO?


A tokenização utiliza blockchain , uma tecnologia descentralizada e
imutável, para transformar ativos em códigos digitais únicos . Esses tokens
podem
ser criados por meio de contratos inteligentes , contratos inteligentes
que automatizam regras de propriedade e transferência.
Por exemplo, ao comprar um imóvel tokenizado, a escritura poderia
ser registrada na blockchain, garantindo benefícios e facilitando a
venda fu- tura sem necessidade de cartórios.

4.91. ATIVOS FUNGÍVEIS X NÃO FUNGÍVEIS


Os ativos tokenizados podem ser fungíveis ou não fungíveis . Veja a
difer- ença:
Fungíveis. Moedas, ações, commodities ;São idênticos entre si e
podem ser trocados por equivalentes (ex: R$100 podem ser trocados
por duas notas de R$50).
Não fungíveis. Obras de arte, imóveis, carros raros, colecionáveis São
únicos e insubstituíveis (ex: um quadro original de Van Gogh não
pode ser trocado por uma cópia).
O que é um NFT?
NFT (Non-Fungible Token) é um token não fungível registrado em blockchain,
representando um item único e autenticado digitalmente. Diferente de
um ativo fungível, um NFT não pode ser trocado por outro de igual valor
, pois suas características são únicas.
Imagine um Mustang Shelby GT500 de edição especial. Mesmo que
ex- istam outros Mustangs, o número de chassis, a cor e a
personalização tornam esse carro único. Da mesma forma, um NFT
representa um item exclusivo , seja uma arte digital, um ingresso, um
contrato ou um objeto dentro de um jogo.

4.91. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DOS NFTS


Não fungível. Cada NFT é único e não pode ser substituído por outro
idêntico.

353
Registro em blockchain. Garantia garantida, segurança e histórico de
propriedade.
Frações de propriedade. Pode representar partes de ativos, permitindo
divisão entre investidores.
Benefícios da tokenização para o mercado e o cotidiano Segurança.
Registros confiáveis e imutáveis, fraudes rápidas.
Líquido. Agilidade em negociações, permitindo vendas instantâneas
de ativos.
Redução de custos. Eliminar intermediários e taxas burocráticas.
A tokenização permite, por exemplo, que investidores comprem
frações de imóveis ou carros raros , democratizando o acesso a ativos
de alto valor. Além disso, os NFTs podem ser usados para contratos
inteligentes, entrada de eventos, direitos autorais e até certificações
digitais .

4.91. EXEMPLOS DE NFTS E SUAS APLICAçÕES

Os NFTs vão muito além das artes digitais. Veja algumas aplicações
ino- vadoras:
- Games e Metaverso -- Itens exclusivos em jogos, como skins e
terrenos virtuais.
- Música e Entretenimento -- Direitos autorais e ingressos
tokenizados para shows.
- Educação -- Certificados digitais de cursos e diplomas autenticados
em blockchain.
- Setor imobiliário -- Compra e venda de imóveis tokenizados,
simplifi- cada burocracia.
Por que tokenização e NFTs são importantes para sua carreira?
Mais do que um tema para provas de certificação financeira como
CEA, CPA-10 e CPA-20 , o conhecimento sobre tokenização e NFTs
prepara profissionais para o mercado digital , auxiliando na
otimização de pro- cessos, redução de custos e criação de novas
oportunidades de negó- cio. Com a crescente digitalização dos
mercados, entender blockchain, tokenização e NFTs será um
diferencial competitivo para quem atua no setor financeiro, jurídico,
imobiliário e de tecnologia.

354
4.91. FIQUE LIGADO...
A tokenização e os NFTs estão evoluindo na forma como negociamos,
investimos e validamos ativos. Seja na compra de um imóvel, na arte
digital ou no setor financeiro, o blockchain está revolucionando os
mer- cados e criando novas oportunidades . Ficar atualizado sobre
essas tec- nologias não é apenas um diferencial -- é uma necessidade
para quem quer se destacar no futuro digital!

4.92. CRIPTOMOEDAS
4.92. O QUE SÃO CRIPTOMOEDAS?
Criptomoedas são moedas digitais baseadas na tecnologia blockchain,
um sistema descentralizado que garante segurança e transparência
ao registrar todas as transações de forma imutável. Ao contrário das
moedas tradicionais, que dependem de bancos centrais, as
criptomoedas op- eram independentemente de autoridades
governamentais.

4.92. CARACTERÍSTICAS ESSENCIAIS DE UMA MOEDA


Toda moeda, incluindo as criptomoedas, deve possuir três
característi- cas principais: ser meio de troca, unidade de conta e
reserva de valor. Criptomoedas, como o Bitcoin, permitem transações
globais, mensu- ração de preços e, por possuírem oferta limitada, são
vistas como reser- vas de valor no longo prazo.

4.92. DIFERENçAS ENTRE CRIPTOMOEDAS E MOEDAS TRADICIONAIS


Criptomoedas são descentralizadas, imutáveis e permitem transações
internacionais rápidas, enquanto moedas tradicionais são controladas
por autoridades e sujeitas a alterações e regulamentações.

4.92. FORMAS DE NEGOCIAçÃO E GUARDA


As criptomoedas podem ser negociadas em exchanges reguladas
(como Mercado Bitcoin e Binance), de forma descentralizada entre
usuários ou em ATMs específicos. Para armazenar, utilizam-se
exchanges, hot wal- lets (aplicativos online) ou cold wallets
(dispositivos físicos), cada uma

355
Controle Segurança
Criptomoedas Descentralizado, sem cont- Alta, com registros imutáveis
role governamental no blockchain
Moedas Tradicionais Centralizado, controlado por Sujeita a alterações e fraudes
bancos
Table 4.2

com seus riscos e níveis de segurança. Avalie seu perfil de risco para
es- colher a melhor forma de negociação e guarda.

4.93. Criptoativos no Mercado Tradicional


4.93. O que são criptoativos?
Criptoativos são ativos digitais protegidos por criptografia,
transaciona- dos e armazenados por meio de blockchain. Segundo o
Parecer 40 da CVM, eles podem ser valores mobiliários quando
cumprem as normas vigentes.

4.93. O que diz a CVM?


A CVM busca consolidar normas, fiscalizar e disciplinar o mercado de
criptoativos, sendo aberta às inovações tecnológicas que beneficiem
o mercado e protejam os investidores.

4.93. Tipos de Tokens

Tipo de Token Definição


Token de Pagamento Moeda digital para transações e reserva de valor
Token de Utilidade Acesso a produtos ou serviços específicos
Token Referenciado a Ativo Representa ativos tangíveis ou intangíveis, como NFTs
Table 4.3: Tipos de Tokens e suas Definições

356
4.93. Regulação e Transparência
A CVM exige ampla divulgação de informações para proteger investi-
dores e garante medidas legais contra irregularidades, podendo criar
novas normas pelo Sandbox Regulatório.

4.93. Como acessar criptoativos no mercado tradicional?


∗ ETFs de Criptoativos: HASH11 (70,58% BTC, 26,97% ETH) e QBTC11 (100%
BTC)
∗ Fundos de Investimento: Hashdex Explorer (até 40% cripto) e Hashdex
Profissional (até 100%)
∗ BDRs Relacionados: COIN34 (Coinbase) e NVDC34 (Nvidia)

4.93. Por que isso importa?


Criptoativos diversificam carteiras, exigem conhecimento de
regulação e são essenciais para quem busca certificações financeiras
e aplicação prática no mercado. Vamos juntos dominar esse tema!

4.94. SIMULADO - MÓDULO 4


Agora que já abordamos os principais instrumentos de renda fixa, renda
variável e derivativos, vamos treinar um pouco através das questões
abaixo. Lembrando que não deve ser confundido com expectativa de
cair essas questões em sua prova.
1 - #4431. Um cliente busca um investimento que lhe proporcione
manutenção do poder de compra. O investimento mais adequado
para este objetivo é:

a) NTN-B.
b) debêntures com taxa prefixada.
c) CDB-DI.
d) NTN-F.

2 - #3983. Com respeito aos dividendos, escolha a alternativa cor-


reta.

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