Causas e Mecanismos da Inflamação
Causas e Mecanismos da Inflamação
As manifestações externas da
inflamação, muitas vezes chamadas sinais
cardinais, são: calor, rubor (vermelhidão),
tumor (tumefação), dor e perda de
função.
A inflamação é induzida por
mediadores químicos que são produzidos
Embora normalmente protetora, em A reação se resolve porque os
algumas situações, a reação inflamatória mediadores são decompostos e dissipados,
torna-se a causa da doença, e os danos e os leucócitos apresentam meia-vida
produzidos constituem a sua curta nos tecidos.
característica predominante.
Além disso, são ativados
Por exemplo, reações inflamatórias mecanismos anti-inflamatórios, que
relacionadas com infecções servem para controlar a resposta e
frequentemente são acompanhadas por impedir que ela cause danos excessivos ao
lesão tecidual local e sinais e sintomas hospedeiro.
associados (ex: dor e dano funcional).
Após a inflamação alcançar o
No entanto, de forma geral, essas objetivo de eliminar os agentes ofensivos,
consequências prejudiciais são ela desencadeia o processo de reparo
autolimitadas e se resolvem quando a tecidual. Tal reparo consiste em uma série
inflamação diminui, deixando pouco ou de eventos que cicatrizam o tecido
nenhum dano permanente. danificado. Nesse processo, o tecido
lesado é substituído por meio de
Em contraste, existem muitas
regeneração das células sobreviventes e
doenças para as quais a reação
preenchimento de defeitos residuais com
inflamatória é mal direcionada (ex:
tecido conjuntivo (cicatrização).
contra os próprios tecidos nas doenças
autoimunes) ou a reação inflamatória
ocorre contra substâncias ambientais CAUSAS DA INFLAMAÇÃO
normalmente inofensivas que provocam A inflamação pode ser
uma resposta imune (ex: nas alergias) ou é desencadeada por infecções, necrose
excessivamente prolongada (ex: nas tecidual, corpos estranhos e reações
infecções por microrganismos resistentes imunes.
à erradicação).
Infecções bacterianas, virais,
As reações inflamatórias são a base fúngicas e parasitárias, além de toxinas
das doenças crônicas comuns, tais como microbianas, são causas comuns e
artrite reumatoide, aterosclerose e fibrose provocam respostas inflamatórias
pulmonar, assim como às reações de variadas, desde leves e autolimitadas até
hipersensibilidade, com risco de vida, graves ou crônicas.
associadas a picadas de insetos, fármacos
e toxinas. A necrose tecidual,
independentemente da causa, como
A inflamação é encerrada quando o isquemia, trauma, queimaduras ou
agente agressor é eliminado.
exposição a substâncias químicas, libera Toll-like receptors (TLRs), localizados nas
moléculas que desencadeiam inflamação. membranas plasmáticas e endossomos,
permitindo a identificação de
Corpos estranhos, como estilhaços e
microrganismos extracelulares e ingeridos.
suturas, podem causar inflamação
diretamente ou ao transportar Os TLRs reconhecem padrões
microrganismos. moleculares comuns a diversos patógenos
(PAMPs) e ativam a produção de citocinas
Algumas substâncias endógenas,
inflamatórias, interferons antivirais e
como cristais de urato e colesterol,
proteínas que estimulam a resposta imune.
também podem induzir inflamação
quando acumuladas nos tecidos. Além disso, células possuem
receptores citosólicos que identificam
As reações imunes, ou
padrões moleculares associados a danos
hipersensibilidades, ocorrem quando o
(DAMPs), detectando sinais de lesão
sistema imune ataca os próprios tecidos,
celular, como ácido úrico, ATP liberado
como nas doenças autoimunes, ou reage
por mitocôndrias danificadas, redução
inadequadamente a substâncias
do K+ intracelular e DNA no citoplasma.
ambientais, como nas alergias.
Esses receptores ativam o
Nessas condições, a inflamação
inflamassomo, um complexo multiproteico
tende a ser persistente e contribui para a
que induz a produção de IL-1, responsável
morbidade e mortalidade.
pelo recrutamento de leucócitos e
inflamação.
RECONHECIMENTO DE Mutações nos receptores citosólicos
MICRORGANISMOS E CÉLULAS podem causar síndromes
LESADAS
autoinflamatórias, tratáveis com
O reconhecimento de antagonistas de IL-1.
microrganismos e células lesadas é o
O inflamassomo também participa
primeiro passo da resposta inflamatória,
da resposta inflamatória na gota
realizado por receptores celulares e
(cristais de urato), aterosclerose (cristais
proteínas circulantes.
de colesterol), síndrome metabólica e
Esses mecanismos evoluíram para doença de Alzheimer (depósitos
detectar agentes invasores e garantir a amiloides).
sobrevivência dos organismos
Proteínas plasmáticas também
multicelulares.
desempenham papel fundamental no
Os fagócitos, células dendríticas e reconhecimento de microrganismos,
outras células possuem receptores, como os promovendo sua destruição e estimulando
a inflamação. O sistema complemento age INFLAMAÇÃO AGUDA
contra patógenos e gera mediadores A inflamação aguda apresenta três
inflamatórios, enquanto a lectina ligante componentes principais:
de manose reconhece açúcares
microbianos, facilitando sua fagocitose e (1) dilatação de vasos pequenos, o
ativação do complemento. que desencadeia aumento no fluxo
sanguíneo;
Outras proteínas, como as
colectinas, também se ligam a (2) aumento da permeabilidade da
microrganismos e promovem sua microvasculatura, permitindo que
eliminação. proteínas plasmáticas e leucócitos deixem
a circulação;
Resumo (3) emigração dos leucócitos da
Características gerais e causas da inflamação microcirculação, que se acumulam no foco
A inflamação é uma resposta benéfica do
da lesão e são ativados a fim de eliminar
hospedeiro aos agentes estranhos e tecido o agente agressor.
necrótico, mas também pode causar lesão
Quando um agente prejudicial,
tecidual.
como um microrganismo infeccioso ou
Os principais componentes da inflamação células mortas, é encontrado, os fagócitos
são a reação vascular e a resposta celular; ambas
que residem em todos os tecidos tentam
ativadas por mediadores derivados de proteínas
plasmáticas e várias células.
eliminar esses agentes. Ao mesmo tempo,
os fagócitos e outras células sentinelas
As etapas da resposta inflamatória podem
teciduais reconhecem a presença da
ser lembradas na forma de cinco Rs: (1)
reconhecimento do agente prejudicial; (2) substância externa ou anormal e reagem
recrutamento de leucócitos; (3) remoção do por meio da liberação de moléculas
agente; (4) regulação (controle) da resposta; e (5) solúveis que medeiam a inflamação.
resolução (reparo).
Alguns desses mediadores atuam
As causas da inflamação incluem
sobre os pequenos vasos sanguíneos nas
infecções, necrose tecidual, corpos estranhos,
proximidades e promovem o efluxo de
trauma e respostas imunes.
plasma e o recrutamento de leucócitos
As células epiteliais, macrófagos de tecidos
circulantes para o local em que o agente
e células dendríticas, leucócitos e outros tipos de
lesivo está localizado.
células expressam receptores que detectam a
presença de microrganismos e células necróticas.
As proteínas circulantes reconhecem os
microrganismos que penetram no sangue.
Um terceiro mecanismo é a
AUMENTO DA transcitose, que aumenta o transporte de
PERMEABILIDADE VASCULAR líquidos e proteínas através das células
(EXTRAVASAMENTO endoteliais.
VASCULAR)
Esse processo, identificado em
Na inflamação aguda, o aumento
estudos experimentais, pode envolver
da permeabilidade vascular ocorre por
canais intracelulares ativados pelo fator
diferentes mecanismos.
de crescimento endotelial vascular
O mais comum é a retração das (VEGF), promovendo o extravasamento
células endoteliais, que abre lacunas vascular.
interendoteliais, facilitando o
No entanto, seu papel na
extravasamento vascular.
inflamação aguda em humanos ainda
Esse processo é induzido por não está completamente esclarecido.
mediadores como histamina, bradicinina
e leucotrienos, ocorrendo rapidamente
(em 15 a 30 minutos) e sendo geralmente
de curta duração, caracterizando a
resposta transitória imediata. Esse
RESPOSTAS DE VASOS
LINFÁTICOS E LINFONODOS
Na inflamação aguda, os vasos
linfáticos também desempenham um
papel essencial ao filtrar e controlar os
fluidos extravasculares.
A composição do infiltrado
QUIMIOTAXIA DOS leucocitário varia de acordo com a fase
LEUCÓCITOS da resposta inflamatória e o tipo de
Após extravasarem da circulação, os estímulo envolvido.
leucócitos migram pelos tecidos em
Em inflamações agudas, os Entre os tratamentos mais eficazes
neutrófilos predominam nas primeiras 6 a para doenças inflamatórias crônicas
24 horas, sendo substituídos por estão os bloqueadores do TNF, uma
macrófagos derivados de monócitos entre citocina essencial no recrutamento
24 e 48 horas. leucocitário, e os antagonistas das
integrinas, que já foram aprovados para
Essa predominância inicial dos
algumas doenças inflamatórias e
neutrófilos ocorre porque eles são mais
continuam sendo avaliados em ensaios
abundantes no sangue, respondem mais
clínicos.
rapidamente às quimiocinas e aderem
com mais eficiência às moléculas de No entanto, essas terapias podem
adesão endotelial, como P-selectina e E- comprometer a defesa do organismo
selectina. contra microrganismos, demonstrando o
equilíbrio necessário entre o controle da
No entanto, sua sobrevida nos
inflamação e a preservação da resposta
tecidos é curta, e eles sofrem apoptose em
imune fisiológica.
24 a 48 horas.
Já os macrófagos, além de
sobreviverem por mais tempo, podem
proliferar nos tecidos, tornando-se a
população celular predominante nas
inflamações prolongadas.
Os neutrófilos predominam no
infiltrado inflamatório inicial e são
posteriormente substituídos por monócitos
e macrófagos.
FAGOCITOSE E ELIMINAÇÃO
DE AGENTES LESIVOS
FAGOCITOSE
O reconhecimento de
microrganismos ou células mortas A fagocitose ocorre em três etapas
desencadeia nos leucócitos um conjunto sequenciais: reconhecimento e fixação da
de respostas denominadas ativação partícula ao leucócito, engolfamento com
leucocitária. formação de um vacúolo fagocítico e
morte ou degradação do material
Após o recrutamento de neutrófilos
ingerido.
e monócitos para o local da infecção ou
lesão tecidual, é necessário que esses Esses processos são desencadeados
leucócitos sejam ativados para pela ativação dos fagócitos diante de
desempenhar suas funções. microrganismos, detritos necróticos e
mediadores inflamatórios.
Esse mecanismo evita o desperdício
de energia e impede uma resposta No reconhecimento, os receptores
inflamatória desnecessária quando não fagocíticos, como os receptores de manose,
há ameaça presente. scavenger e de opsoninas, ligam-se e
ingerem microrganismos.
As funções mais importantes para a
eliminação de microrganismos e agentes O receptor de manose dos
lesivos são a fagocitose e a morte macrófagos reconhece resíduos terminais
intracelular. de manose e fucose presentes em
glicoproteínas e glicolipídeos de paredes
celulares microbianas, enquanto as partícula (p. ex., uma bactéria) envolve a
células hospedeiras possuem resíduos ligação a receptores na membrana dos
diferentes, como ácido siálico e N- leucócitos, engolfamento e fusão de
acetilgalactosamina. vacúolos fagocíticos com lisossomos. Isso é
seguido pela destruição das partículas
Já os receptores scavenger se ligam
ingeridas dentro dos fagolisossomos por
a LDL e microrganismos.
enzimas lisossômicas e por espécies
A fagocitose é intensificada quando reativas de oxigênio e nitrogênio. (B) Nos
os microrganismos são opsonizados por fagócitos ativados, os componentes
proteínas como IgG, C3b do complemento citoplasmáticos da enzima oxidase de
e lectinas plasmáticas, que são fagócitos se reúnem na membrana do
reconhecidas por receptores de alta fagossomo para formar a enzima ativa,
afinidade nos fagócitos. que catalisa a conversão de oxigênio em
No engolfamento, após a fixação da superóxido (O2–) e H2O2. A
partícula aos receptores dos fagócitos, mieloperoxidase, presente nos grânulos de
extensões do citoplasma (pseudópodes) neutrófilos, converte H2O2 em hipoclorito.
envolvem o agente agressor, formando um (C) As espécies reativas de oxigênio
fagossomo, que se funde com lisossomos microbicidas (ROS) e o óxido nítrico (NO)
para gerar um fagolisossomo. matam os microrganismos ingeridos.
Durante a fagocitose, o conteúdo dos
Esse processo libera enzimas
grânulos pode ser liberado nos tecidos
lisossômicas para a degradação do
extracelulares (não exibido). iNOS, sintase
material ingerido. No entanto, o fagócito
de NO induzível; MPO, mieloperoxidase;
pode liberar conteúdo dos grânulos no
ROS, espécies reativas de oxigênio.
meio extracelular, o que pode causar
danos às células normais adjacentes.
DESTRUIÇÃO INTRACELULAR
DE MICRORGANISMOS E
DETRITOS
A destruição intracelular de
microrganismos e detritos ocorre por meio
de espécies reativas de oxigênio (ROS),
espécies reativas de nitrogênio derivadas
do óxido nítrico (NO) e enzimas
lisossômicas, sendo esta a última etapa na
eliminação de agentes infecciosos e
Fagocitose e destruição intracelular de células necróticas.
microrganismos. (A) A fagocitose de uma
Esses mecanismos são mais eficazes Radicais livres derivados do oxigênio
após a ativação dos neutrófilos e podem ser liberados extracelularmente
macrófagos, permanecendo confinados pelos leucócitos em resposta a
nos lisossomos para evitar danos ao microrganismos, quimiocinas e complexos
fagócito. antígeno-anticorpo, podendo causar
danos teciduais inflamatórios.
As ROS são produzidas pela
fagócito-oxidase (NADPH oxidase), uma O organismo possui mecanismos
enzima multicomponente que reduz o antioxidantes, como superóxido dismutase,
oxigênio a ânion superóxido (O2-) durante catalase e glutationa peroxidase, que
o burst respiratório. equilibram a produção e inativação dessas
ROS. Defeitos genéticos na geração de
Essa reação ocorre dentro do
ROS levam à doença granulomatosa
fagolisossomo, protegendo a célula
crônica, uma imunodeficiência.
hospedeira.
O óxido nítrico (NO), sintetizado a
O ânion superóxido é convertido em
partir da arginina pelo óxido nítrico
peróxido de hidrogênio (H2O2), que por si
sintase (NOS), também participa da
só não é um agente microbicida eficaz.
destruição microbiana.
No entanto, a mieloperoxidase
Existem três isoformas da NOS:
(MPO) dos neutrófilos converte H2O2 em
endotelial (eNOS), neuronal (nNOS) e
hipoclorito (OCl-), um poderoso agente
induzível (iNOS).
antimicrobiano que destrói
microrganismos por halogenação e A iNOS é induzida em macrófagos
oxidação. ativados por citocinas como IFN-γ ou
produtos microbianos, levando à
Esse sistema H2O2-MPO é o mais
produção de NO.
eficiente mecanismo bactericida dos
neutrófilos, embora sua deficiência Esse gás reage com superóxido (O2-)
hereditária leve a apenas um pequeno formando peroxinitrito (ONOO•), um
aumento na suscetibilidade a infecções, radical livre altamente reativo que
demonstrando a redundância dos danifica lipídeos, proteínas e ácidos
mecanismos microbicidas. nucleicos de microrganismos e células
O H2O2 também pode gerar o hospedeiras, contribuindo para a resposta
radical hidroxila (OH•), que modifica imune.
lipídeos, proteínas e ácidos nucleicos, Além de sua função microbicida, o
promovendo destruição celular e óxido nítrico (NO) produzido pelas células
microbiana. endoteliais relaxa o músculo liso vascular
e promove vasodilatação, embora seu
papel nas reações vasculares da fagolisossomos, que são acidificados por
inflamação aguda ainda não esteja bombas de prótons nas membranas.
totalmente esclarecido.
Já as proteases neutras degradam
Neutrófilos e monócitos possuem componentes extracelulares, como
grânulos ricos em enzimas e proteínas colágeno, membrana basal, fibrina,
antimicrobianas que degradam elastina e cartilagem, contribuindo para
microrganismos e tecidos mortos, mas a destruição tecidual nos processos
também podem contribuir para a lesão inflamatórios.
tecidual.
A elastase dos neutrófilos
Esses grânulos são ativamente combatem infecções ao degradar fatores
secretados e distintos dos lisossomos de virulência bacterianos.
clássicos.
Macrófagos também contêm
Nos neutrófilos, há dois tipos hidrolases ácidas, colagenase, elastase,
principais: os grânulos específicos fosfolipase e ativador de plasminogênio,
menores (secundários), que contêm reforçando a atividade de degradação
lisozima, colagenase, gelatinase, tecidual e defesa imunológica.
lactoferrina, ativador do plasminogênio,
As enzimas dos grânulos, devido ao
histaminase e fosfatase alcalina; e os
seu potencial destrutivo, podem
grânulos azurófilos maiores (primários),
intensificar a inflamação caso a
que possuem mieloperoxidase (MPO),
infiltração leucocitária inicial não seja
defensinas, hidrolases ácidas e proteases
controlada, resultando em maiores danos
neutras como elastase, catepsina G,
teciduais.
colagenases inespecíficas e proteinase 3.
No entanto, essas proteases nocivas
As vesículas fagocíticas, que contêm
são normalmente reguladas por um
material engolfado, podem se fundir aos
sistema de antiproteases presente no soro
grânulos e aos lisossomos, permitindo a
e nos fluidos teciduais.
destruição dos materiais ingeridos.
O principal inibidor é a α1-
Além disso, ambos os tipos de
antitripsina, que bloqueia a ação da
grânulos podem sofrer exocitose,
elastase dos neutrófilos. A deficiência
liberando seu conteúdo no meio
desses inibidores pode levar à atividade
extracelular.
prolongada das proteases dos leucócitos,
As enzimas dos grânulos possuem como ocorre em pacientes com deficiência
funções específicas. As proteases ácidas de α1-antitripsina, o que pode resultar em
degradam bactérias e detritos dentro dos danos teciduais progressivos.
LESÃO TECIDUAL MEDIADA A inflamação tende a cessar
POR LEUCÓCITOS naturalmente após a remoção do agente
Os leucócitos podem causar lesão agressor, pois seus mediadores são
tecidual em diferentes situações, seja produzidos de forma rápida e transitória,
como efeito colateral da defesa contra possuem meia-vida curta e são
infecções, como na tuberculose e hepatite, rapidamente degradados.
seja quando atacam erroneamente os Os neutrófilos também têm curta
próprios tecidos do hospedeiro, como em sobrevida nos tecidos e sofrem apoptose
doenças autoimunes, ou em respostas poucas horas ou dias após deixarem a
exageradas a substâncias inofensivas, circulação.
como nas alergias.
Além disso, a inflamação ativa
O dano ocorre pela liberação de mecanismos de interrupção, como a troca
moléculas tóxicas contidas nos grânulos da produção de metabólitos do ácido
dos leucócitos, que podem ser secretadas araquidônico de leucotrienos pró-
por diversos mecanismos. inflamatórios para lipoxinas anti-
Quando os fagócitos não conseguem inflamatórias, e a liberação de citocinas
ingerir completamente certas anti-inflamatórias, como TGF-β e IL-10,
substâncias, como imunocomplexos por macrófagos e outras células.
aderidos a superfícies planas, ocorre uma Estudos também indicam que
“fagocitose frustrada”, intensificando a impulsos neurais colinérgicos podem inibir
ativação leucocitária e promovendo a a produção de TNF por macrófagos,
liberação exacerbada de enzimas contribuindo para o controle da
prejudiciais. inflamação.
Além disso, materiais como cristais RESUMO
de urato e sílica podem danificar a
Ativação de leucócitos e remoção dos
membrana do fagolisossomo, provocando
agentes agressores
a liberação de seu conteúdo tóxico no
meio extracelular. Os leucócitos podem eliminar
microrganismos e células mortas por meio
de fagocitose seguida de destruição nos
RESOLUÇÃO DA RESPOSTA fagolisossomos.
INFLAMATÓRIA AGUDA
A destruição é causada por radicais
A resolução da resposta
livres (ROS, NO) gerados nos leucócitos
inflamatória aguda é essencial para
ativados e nas enzimas dos grânulos
evitar danos excessivos aos tecidos.
lisossômicos.
Neutrófilos podem expulsar seu circular no plasma como precursores
conteúdo nuclear para formar redes inativos ativados no local da inflamação.
extracelulares que aprisionam e destroem
Os mediadores celulares são
microrganismos.
armazenados em grânulos intracelulares
As enzimas dos grânulos podem ser (como as aminas) ou sintetizados de novo
liberadas para o meio extracelular. em resposta a estímulos, sendo liberados
principalmente por macrófagos teciduais,
Os mecanismos que funcionam para
células dendríticas e mastócitos, além de
eliminar microrganismos e células mortas
plaquetas, neutrófilos, células endoteliais
(que é a função fisiológica da
e epiteliais.
inflamação) também são capazes de lesar
tecidos normais (consequências Já os mediadores plasmáticos, como
patológicas da inflamação). as proteínas do complemento, são
produzidos pelo fígado e ativados por
Os mediadores anti-inflamatórios
clivagens proteolíticas, sendo eficazes
terminam a reação inflamatória aguda
contra microrganismos circulantes e
quando ela não é mais necessária.
podendo ser recrutados para os tecidos.
Os fármacos anti-histamínicos
utilizados no tratamento de alergias
atuam como antagonistas dos receptores
AMINAS VASOATIVAS: H1, bloqueando a ação da histamina.
HISTAMINA E SEROTONINA
Além disso, a histamina pode
As principais aminas vasoativas induzir a contração de alguns músculos
envolvidas na inflamação são a lisos, mas os leucotrienos têm um efeito
histamina e a serotonina, armazenadas mais potente e relevante na contração
como moléculas pré-formadas nas células dos brônquios, como ocorre na asma.
e liberadas precocemente no processo
A serotonina (5-hidroxitriptamina)
inflamatório.
é um mediador vasoativo pré-formado
A histamina é encontrada presente em plaquetas e células
principalmente em mastócitos do tecido neuroendócrinas, como no trato
conjuntivo próximo aos vasos sanguíneos, gastrointestinal.
além de estar presente em basófilos e
Nos seres humanos, sua principal
plaquetas.
função é como neurotransmissor no trato
Sua liberação ocorre por digestivo.
degranulação em resposta a estímulos
Além disso, exerce efeito
como lesão física (trauma, frio, calor),
vasoconstritor, embora sua relevância na
ligação de anticorpos aos mastócitos em
inflamação ainda não seja bem
reações alérgicas, e ativação por produtos
compreendida.
do complemento (C3a e C5a).
PROSTAGLANDINAS
As prostaglandinas (PGs) são
mediadores inflamatórios produzidos por
mastócitos, macrófagos, células
endoteliais e outros tipos celulares,
atuando nas reações vasculares e Além dos efeitos vasculares, as
sistêmicas da inflamação. prostaglandinas desempenham papel na
febre e na dor, sendo a PGE2 responsável
Sua síntese ocorre por meio das
por aumentar a sensibilidade da pele a
cicloxigenases COX-1 e COX-2. A COX-1 é
estímulos dolorosos e induzir febre
expressa constitutivamente na maioria
durante infecções.
dos tecidos, exercendo funções
homeostáticas, como o equilíbrio de LEUCOTRIENOS
líquidos e eletrólitos nos rins e a proteção Os leucotrienos são mediadores
do trato gastrointestinal. inflamatórios produzidos por leucócitos e
Já a COX-2 é induzida por estímulos mastócitos por meio da ação da
inflamatórios e gera prostaglandinas lipoxigenase, participando das reações
associadas à inflamação. vasculares, do tônus do músculo liso e do
recrutamento de leucócitos.
As prostaglandinas são
classificadas com base em sua estrutura e Sua síntese ocorre em múltiplas
função. etapas, iniciando com a formação do
leucotrieno A4 (LTA4), que pode ser
A PGD2, produzida por mastócitos, e
convertido em LTB4 ou LTC4.
a PGE2, mais amplamente distribuída,
causam vasodilatação, aumentam a O LTB4, produzido por neutrófilos e
permeabilidade vascular e promovem o alguns macrófagos, atua como um
edema inflamatório. potente agente quimiotático e ativador de
neutrófilos, promovendo sua agregação e
A PGD2 também atrai neutrófilos
adesão ao endotélio venular, além de
para o local da inflamação.
estimular a geração de espécies reativas
O tromboxano A2 (TXA2), de oxigênio (ROS) e a liberação de enzimas
sintetizado pelas plaquetas, atua como lisossômicas.
um potente agregante plaquetário e
Já o LTC4, junto com seus
vasoconstritor, favorecendo a trombose.
metabólitos LTD4 e LTE4, é sintetizado
Em contrapartida, a prostaciclina (PGI2),
principalmente por mastócitos e causa
produzida pelo endotélio vascular,
intensa vasoconstrição, broncospasmo—
promove vasodilatação e inibe a
sendo relevante na asma—e aumento da
agregação plaquetária, prevenindo a
permeabilidade vascular nas vênulas.
formação de trombos.
OUTRAS CÉLULAS NA
INFLAMAÇÃO CRÔNICA
Além dos macrófagos e linfócitos,
outras células desempenham um papel
relevante na inflamação crônica.
A leucocitose é um aumento na
contagem de leucócitos devido à liberação
acelerada de células da medula óssea e
proliferação de precursores.