INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA
DO CEARÁ - CAMPUS SOBRAL
CURSO DE LICENCIATURA PLENA EM MATEMÁTICA
RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO I
JOÃO PAULO FERNANDES SENA
Sobral/CE
2025
JOÃO PAULO FERNANDES SENA
RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO I
Relatório técnico científico de
estágio supervisionado apresentado ao
curso de Licenciatura Plena em
Matemática do Instituto Federal de
Educação, Ciência e Tecnologia do
Ceará (IFCE) – Campus Sobral, como
prática de componente curricular da
disciplina de Estágio Supervisionado II.
Orientadora: Profa. Marília
Duarte Guimarães
Sobral/CE
2025
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO
2 DIAGNÓSTICO DA ESCOLA 7
2.1 Dados de Funcionamento 7
2.2 Espaço Físico da Escola 8
2.3 Recursos Humanos 8
2.4 Sistemática da aula observada e do planejamento docente
2.5 Relação professor-aluno
2.6 Educação Inclusiva 15
2.7 Caracterização da sala de aula 15
2.8 Análise do Livro didático 16
2.9 Regências 17
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS 21
BIBLIOGRAFIA 21
APÊNDICE A–FICHA DE ACOMPANHAMENTO DE ESTÁGIO 237
APÊNDICE B – TERMO DE COMPROMISSO
APÊNDICE C – PLANOS DE AULA 26
ANEXO A–PLANO DE AULA DO PROFESSOR REGENTE 38
ANEXO B – PLANO DE AULA ANUAL 39
1. INTRODUÇÃO
O presente relatório refere-se às atividades desenvolvidas durante o
estágio de observação na Escola Francisco da Chagas Costa, localizada no
distrito de Rafael Arruda, Sobral/CE. O estágio tem como objetivo
proporcionar ao discente o contato inicial com a realidade escolar,
observando sua dinâmica, estrutura física, corpo docente, gestão, alunos e
aspectos pedagógicos que regem a prática educacional da instituição.
A observação foi baseada em instrumentos norteadores, como o
Projeto Político Pedagógico (PPP), estrutura organizacional da escola,
entrevista com docente e análise do livro didático utilizado em sala. Esses
elementos forneceram informações essenciais para uma análise reflexiva
sobre o contexto educacional observado.
Para Pimenta e Lima (2013, p. 34), “o estágio, assim, deixa de ser
considerado como um dos componentes e mesmo um apêndice do
currículo, passando a integrar o corpo de conhecimento do curso de
formação de professores”
2. RESULTADOS E DISCUSSÕES
2.1 Dados de Funcionamento
A Escola Francisco da Chagas Costa é uma instituição de ensino
pública, pertencente à rede municipal, localizada na zona rural do município de
Sobral, no distrito de Rafael Arruda. Sua fundação ocorreu em 30 de julho de
2019, evidenciando-se como uma escola relativamente nova, mas que já
desempenha papel importante na formação educacional dos jovens da
comunidade.
Atualmente, a escola funciona exclusivamente com turmas do Ensino
Fundamental II (6º ao 9º ano), atendendo aproximadamente 255 alunos
distribuídos nos turnos manhã e tarde, em regime de tempo integral. Essa
modalidade favorece a ampliação da jornada escolar, permitindo maior tempo
para o desenvolvimento de conteúdos, projetos e atividades extracurriculares.
A gestão da escola está a cargo do diretor Jorge Luiz Arruda Costa, que
está no exercício do cargo há cerca de cinco meses, tendo ingressado por
meio de concurso público. A escolha por processo seletivo assegura maior
compromisso com critérios técnicos e meritocráticos, reforçando o perfil de
liderança institucional comprometida com a qualidade do ensino.
A escola segue diretrizes da Secretaria Municipal de Educação de
Sobral, sendo orientada por um Projeto Político Pedagógico (PPP) que busca
garantir a aprendizagem significativa, equidade, inclusão e valorização do
contexto local. Seu calendário escolar é definido em conformidade com a
legislação vigente, respeitando a carga horária mínima anual exigida pela LDB.
Entre os princípios que norteiam o funcionamento da instituição, destacam-se o
ensino de qualidade, a gestão participativa, a valorização dos profissionais da
educação e a formação integral do aluno, integrando dimensões cognitivas,
sociais, afetivas e culturais. A rotina pedagógica é acompanhada por
coordenadores e gestores, que monitoram o desempenho das turmas e
oferecem suporte aos docentes.
2.2 Espaço Físico da Escola
A estrutura física da escola é ampla e bem-organizada. O prédio térreo
conta com 10 salas de aula, biblioteca, laboratórios de ciências como mostrado
nas (figuras 1 e 2), matemática e informática, sala da direção, coordenação,
secretaria, refeitório, cozinha, banheiros adaptados e quadra de esportes
coberta com piso adequado. Há também ambientes com plantas cultivadas
pelos alunos, reforçando a proposta pedagógica ambiental e de cuidado.
Figura 1 – Laboratório de Ciências Figura 2 - Laboratório de Ciências
Fonte: Elaborado Pelo Autor 2025 Fonte: Elaborado Pelo Autor 2025
As imagens revelam maquetes, cartazes, objetos históricos e
científicos construídos pelos alunos, expostos em bancadas. Esses materiais
evidenciam o uso criativo e pedagógico do espaço escolar, valorizando o
protagonismo discente e a interdisciplinaridade. Também se observa a
presença de recursos como globos terrestres, instrumentos de medição e
painéis temáticos que favorecem a aprendizagem visual e prática.
Figura 3 – Laboratório de Ciências
Fonte: Elaborado Pelo Autor 2025
Destaca-se também a presença de um refeitório amplo e bem
estruturado, que oferece condições adequadas para a alimentação dos alunos,
promovendo hábitos alimentares saudáveis e convivência social. A escola
conta ainda com uma quadra poliesportiva coberta, utilizada para aulas de
educação física, atividades recreativas e eventos escolares, incentivando a
prática de esportes e o desenvolvimento físico dos estudantes.
Figura 4 – Refeitório Figura 5 – Quadra
Fonte: Elaborado Pelo Autor 2025 Fonte: Elaborado Pelo Autor 2025
2.3 Recursos Humanos
A equipe da Escola Francisco da Chagas Costa é composta por um
conjunto de profissionais que contribuem diretamente para a qualidade do
ensino e da gestão escolar. O núcleo gestor é formado pelo diretor e pela
coordenadora pedagógica, ambos com formação em nível de pós-graduação, o
que demonstra compromisso com a qualificação profissional e a liderança
educacional.
O corpo docente é composto por 27 professores, dos quais 21 são
efetivos e 6 temporários, atendendo às turmas do Ensino Fundamental II. A
maioria possui especialização, e alguns têm formação em nível de mestrado, o
que favorece a prática pedagógica e favorece o desenvolvimento de projetos e
ações inovadoras. Essa qualificação reflete diretamente na implementação do
currículo e no alcance dos objetivos pedagógicos da escola.
Além dos professores, a escola conta com uma orientadora educacional,
figura essencial para o acompanhamento dos estudantes e mediação de
conflitos. Há ainda técnicos administrativos, manipuladores de alimentos,
auxiliares de serviços gerais e supervisora de serviços, totalizando 10
profissionais de apoio escolar.
A integração entre os profissionais de diferentes áreas é um dos pontos
fortes da instituição. Existe um diálogo constante entre a equipe pedagógica e
os demais colaboradores, promovendo um ambiente de cooperação,
organização e acolhimento. O trabalho coletivo é valorizado e incentivado,
contribuindo para uma rotina escolar mais eficiente e humanizada.
A escola apresenta indicadores positivos, como taxa de evasão escolar
igual a 0%. Desenvolve diversos projetos e parcerias com órgãos como PET,
Pibid na escola. Também promove atividades extracurriculares, como palestras
e campanhas educativas.
O PPP da escola foi construído de forma colaborativa por professores,
núcleo gestor e comunidade escolar. Este documento visa promover uma
educação de qualidade, inclusiva, democrática e focada na formação cidadã. A
escola adota os Parâmetros Curriculares Nacionais e inclui em seu currículo
conteúdos sobre cultura afro-brasileira e educação ambiental.
"A BNCC visa garantir o direito de aprendizagem e desenvolvimento de
todos os estudantes" (Brasil, 2018, p. 15).
2.4 Sistemática da aula observada e do planejamento docente
O docente entrevistado foi Osmildo Portela Pontes, professor com
pós-graduação em Ensino da Matemática. Possui 22 anos de experiência,
sendo dois deles na atual instituição. Atua com carga horária de 100 horas
mensais na escola.
Entre suas motivações, destaca o gosto por cálculos e desafios. Relata
como principais dificuldades em sala a estrutura, a falta de material pedagógico
e o desinteresse dos alunos. Segundo ele, os maiores desafios sociais nas
escolas são drogas, fake news e violência.
O professor enfatiza que para aprender é necessário errar e praticar, e
para ensinar, é essencial trabalhar com recursos variados: jogos, construções,
áudio e visuais. Ele acredita que a relação professor-aluno deve ter liberdade
com autoridade, mantendo o respeito e promovendo o diálogo.
As aulas são planejadas na escola, com troca de experiências com
outros docentes e participação do coordenador. Embora a escola priorize o uso
do livro didático e exercícios escritos, o professor busca diversificar com o uso
de tecnologia e materiais audiovisuais.
2.5 Relação professor-aluno
Durante a observação, foi possível notar um ambiente com indisciplina
moderada, mas também com interações positivas e momentos de escuta por
parte do professor. As aulas seguem uma sequência didática com espaços
para dúvidas e participação.
A relação estabelecida entre professor e aluno é tem uma combinação
equilibrada entre autoridade e acolhimento. O professor demonstra
sensibilidade ao lidar com os estudantes, ouvindo-os e oferecendo suporte nos
momentos de dificuldade. Mesmo diante de comportamentos e situações de
indisciplina do aluno, o professor atua com firmeza, buscando estratégias que
favoreçam a disciplina sem perder o vínculo de respeito.
É evidente o esforço do professor em construir uma relação baseada no
diálogo, incentivando os estudantes e a construção coletiva do conhecimento.
Além disso, há abertura para manifestações espontâneas dos alunos, o que
contribui para um ambiente mais democrático e propício ao aprendizado.
Essa convivência mútua entre autoridade e empatia torna-se essencial
no desenvolvimento de vínculos significativos, fundamentais para o processo
de ensino-aprendizagem. A escuta ativa e o olhar atento do professor fazem
com que os alunos se sintam valorizados, criando uma atmosfera positiva na
sala de aula.
2.6 Educação Inclusiva
A escola possui alunos com deficiência e apresenta estrutura
adaptada, como banheiros acessíveis, corredores largos e rampas. Além disso,
há uma Sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE), onde
profissionais capacitados oferecem apoio individualizado. A proposta da escola
contempla a integração e convivência entre os alunos, com projetos de
sensibilização e avaliação diferenciada, fortalecendo o compromisso com a
inclusão.
2.7 Caracterização da sala de aula
A turma observada era composta por alunos dos anos iniciais do
Ensino Fundamental. Os alunos apresentavam comportamentos diversos:
alguns mantinham o respeito e engajamento, enquanto outros apresentavam
inquietação e desatenção. O ambiente da sala era bem ventilado, iluminado e
limpo, com mobiliário em bom estado, mas com poucos estímulos visuais.
2.8 Análise do Livro Didático
Durante a observação, o professor utilizou dois principais materiais
didáticos: "Desafios da Matemática com Ênio Silveira – 7º ano" (Editora
Moderna, PNLD 2024-2027) e "Coleção Ômega – Ensino Fundamental Anos
Finais (Instituto Alfa e Beto). O livro de Matemática, de Ênio Silveira, apresenta
uma proposta alinhada à BNCC, com foco em resolução de problemas
contextualizados. Ele busca aproximar os conteúdos matemáticos da realidade
do aluno, utilizando exemplos do cotidiano e atividades práticas. No entanto, o
professor observou que, apesar da boa estrutura e sequência lógica dos
conteúdos, o livro ainda carece de uma abordagem mais atrativa em termos
visuais , com poucas ilustrações, gráficos e tabelas o que pode comprometer o
engajamento de estudantes com dificuldades de aprendizagem. Outro ponto
citado é a ausência de uma versão digital acessível de forma prática, o que
dificulta a aplicação de recursos híbridos nas aulas. Em um contexto em que a
tecnologia poderia ser uma aliada, essa limitação representa um obstáculo.
A Coleção Ômega, utilizada nas demais disciplinas, adota uma
abordagem mais tradicional. Apesar de ser organizada por componentes
curriculares e contemplar conteúdos exigidos pela BNCC, a linguagem dos
textos é considerada pouco atrativa por alguns professores. Ainda assim, o
material apresenta boa organização estrutural e se mostra útil como base para
o planejamento, desde que complementado com outras fontes e metodologias
diversificadas.
Os materiais adotados cumprem parcialmente seu papel enquanto
instrumentos pedagógicos, mas necessitam de complementações frequentes
para tornarem-se mais efetivos na prática de sala de aula, principalmente no
que se refere à linguagem acessível, contextualização crítica e estímulo visual.
2.9 Regências
Durante o estágio, o estagiário participou de atividades como aplicação
de exercícios, ajuda na organização da sala, correção de tarefas, apoio a
grupos de alunos, participação nas atividades produzidas pelo professor. A
participação direta na regência permitiu ao estagiário experienciar desafios
reais da sala de aula, como a gestão do tempo, a mediação de conflitos, a
adaptação das estratégias didáticas diante das diferentes necessidades dos
alunos e o esforço para manter a atenção da turma.
Além disso, a troca de experiências com o professor regente foi
essencial para a construção de saberes pedagógicos, promovendo reflexões
críticas sobre a postura, a linguagem, a metodologia e a avaliação. Conforme
defendido por Pimenta e Lima (2005), o estágio não deve se limitar à
reprodução de práticas observadas, mas sim favorecer uma atitude
investigativa, reflexiva e transformadora, permitindo ao futuro educador
desenvolver consciência crítica sobre sua atuação e sobre o contexto escolar
em que está inserido.
3. CONSIDERAÇÔES FINAIS
O estágio na Escola Francisco da Chagas Costa proporcionou uma
vivência significativa, com observações sobre a estrutura, gestão, relações
humanas e práticas pedagógicas. Com base nas reflexões construídas,
destaca-se a importância da formação continuada, da motivação docente e do
compromisso coletivo com a educação de qualidade.
4. PLANO DE AULA
5. APENDICE A – FICHA DE ACOMPANHAMENTO
6. APENDICE B – TERMO DE COMPROMISSO