MEDICINA INTENSIVA
Princípios na abordagem emergencial
Síndrome do choque
O choque é uma síndrome clínica caracterizada por uma severa - A acidose deprime diretamente o miocárdio,
redução da perfusão tecidual sistêmica, levando a uma baixa oferta diminuindo sua resposta às catecolaminas.
de oxigênio e nutrientes aos tecidos. - A vasoconstrição em vasos hepáticos e esplênicos gera
hipóxia e destruição do sistema
→ Características gerais histiolinfoplasmcitário, e o animal perde a capacidade
de detoxificação e queda imunitária.
Fisiologia:
- A má perfusão compromete de forma geral os tecidos
O débito cardíaco possui função no sistema respiratório, já que
corporais, inclusive o sistema cardiovascular.
carreia o oxigênio para os tecidos.
A respiração celular consiste basicamente na utilização de Fase III:
oxigênio e glicose na transformação de energia, armazenada na - Quando persiste, o choque pode levar a coagulação
forma de ATP, para o metabolismo celular e funcionamento do intravascular disseminada (CID).
órgão. - Isso leva a complicações hemorrágicas e fenômenos
Em caso de hipóxia, a glicose é o único substrato utilizado pela trombóticos que podem acometer a microcirculação.
célula para formação de energia, tornando a respiração celular Fase IV:
oxidativa em glicólise anaeróbica. - Ocorre a síndrome da disfunção múltipla de órgãos (SDMO)
ocasionado pela necrose focal, devido aos microtrombos
o Fisiopatologia:
formados, que leva a insuficiência de órgãos.
Por consequência de uma má distribuição do volume sanguíneo, o
- Nesse ponto torna-se irreversível e o animal progride para
corpo ativa os mecanismos compensatórios:
o óbito.
Fase I:
- Ativação nervosa do sistema simpático libera catecolaminas
Classificação do choque:
levando a:
o Hipovolêmico:
- Constrição arteriolar: aumenta a resistência vascular
Causado por uma redução do volume sanguíneo (hipovolemia) por
periférica para manter a pressão sanguínea.
perdas extravasculares.
- Constrição venosa: aumenta o retorno venoso e,
consequentemente a pré-carga. Causas: hemorragias, diarreias, vômitos, poliúria, queimaduras,
- Taquicardia (efeito cronotrópico positivo). falência adrenocortical ou por sequestro de líquido em tecidos
- Constrição esplênica (devido sua reserva de células inflamados ou drenagem de transudato.
vermelhas); - O choque hemorrágico é estabelecido quando há perda de
- Ativação hormonal: ativa-se o sistema renina-angiotensina- 30% da volemia no cão, 40% no gato e 50% em equinos.
aldosterona a fim de reter líquido, onde o rim passa a Sinais clínicos: taquicardia, pulso fraco, baixo débito cardíaco
reabsorver sódio e, por osmose, água. e pressão venosa, hipotermia central e periférica, mucosas
- A vasopressina (ADH) também atua no rim e promove pálidas, TPC aumentado, taquipneia e baixa produção de urina.
a reabsorção de água nos túbulos coletores e nos
o Cardiogênico:
ramos espessos ascendentes das alças de Henle.
Ocorre quando a causa primária é devida a uma disfunção
Fase II: cardíaca, impossibilitando um débito cardíaco adequado e, como nos
- Como consequência do desequilíbrio, a perfusão dos tecidos demais, levam a hipoperfusão tecidual sistêmica.
é comprometida e a princípio o animal entra em taquipneia a
Causas: aumento da pós-carga (estenose aórtica), sobrecarga
fim de compensar a má oxigenação.
volumétrica (insuficiência aórtica), dificuldade de enchimento
- Isso leva a uma alcalose respiratória que mais tarde dá
ventricular (estenose mitral), disfunção ventricular (infarto
lugar a uma acidose metabólica provocada pela respiração
agudo do miocárdio) e arritmias.
anaeróbica que ocorre quando o consumo de O2 torna-se
- Esses eventos são observados em traumatismos,
dependente da oferta de O2.
comunicação interventricular, dirofilariose, depressão
- A hipóxia celular ativa o metabolismo anaeróbico,
miocárdica devido à sepse ou pancreatite, ruptura da
acarretando na produção de ácido lático, diminuindo o
válvula, miocardites, arritmias ventriculares, etc.
pH sanguíneo.
Sinais clínicos: aumento da frequência cardíaca, pulso fraco, - Choque anafilático: decorre de alergia que promove a
mucosas pálidas, TPC aumentado, taquipneia, temperatura degranulação de mastócitos com consequente liberação de
central normal, temperatura periférica baixa, oligúria, baixa histamina (produz vasodilatação e aumento da
pressão sanguínea, aumento da pressão venosa central e baixo permeabilidade vascular).
índice cardíaco. - Choque neurogênico: ocorre pela perda súbita do tônus
vascular devido à injúria no centro vasomotor no sistema
o Distributivo (vasogênico):
nervoso central, levando a vasodilatação.
A má perfusão é resultado de uma vasodilatação periférica global
- Choque adrenal: ocorre pelo uso de corticosteróides que
que ocasiona drástica redução da PEC, comprometendo o
leva a atrofia da zona fasciculada do córtex adrenal,
fornecimento de O2 pelos tecidos.
causando insuficiência dos níveis de cortisol e consequente
É a única modalidade de choque que ocorre vasodilatação, e
vasodilatação generalizada.
não há qualquer problema nem com a bomba cardíaca, nem com
o volume circulante de sangue.
- Em todos os outros tipos de choque vai ocorrer uma
vasoconstrição reflexa, que ocorre como mecanismo Protocolo de atendimento do paciente grave
compensatório pela ativação do sistema autônomo → Triagem
simpático. Triar na sala de urgência significa separar os pacientes por ordem
- No choque distributivo, esse mecanismo compensatório não de gravidade.
ocorre, já que a musculatura lisa arteriolar se encontra É o primeiro momento de contato com o doente, quando
seriamente lesada, não respondendo ao estímulo simpático. devemos decidir entre um paciente ou outro, prevendo e
- Por esse motivo, é o tipo de choque mais grave, identificando aquele que virá a óbito antes.
apresentando pior prognóstico e maiores índices de
mortalidade.
→ Anamnese
Causas: tem quatro causas distintas, as quais dão nome aos
Anamnese superficial:
quatro principais subtipos de choque distributivo: o séptico, o
A história clínica na sala de urgência deve ser breve (no máximo
anafilático, o neurogênico e o decorrente de crise adrenal.
em 1 min), objetiva e em conjunto com o exame físico inicial de
- Choque séptico: decorre de infecção disseminada por todo
emergência.
o organismo que induzem a liberação de mediadores
inflamatórios que possuem ação vasodilatadora e aumento Cenário: descrição do acontecimento nas palavras do
da permeabilidade vascular. proprietário (Quem? O quê? Onde? Por quê? Quando?)
Quadro 2- Ordem de atendimento ao paciente.
Classe da triagem Necessidade de atendimento
I- Emergência/atendimento imediato Atender no máximo em 1 min, se possível, em segundos. São aqueles em
parada cardiorrespiratória, obstrução completa da via respiratória e todos
os pacientes inconscientes.
Sinais clínicos: normalmente, hipotensão, ausência de sons cardíacos,
hipotermia e midríase são os sinais que caracterizam este grupo.
II- Muito urgente/críticos A ação tem que ser realizada dentro de 5 a 10 min no máximo. São os
pacientes com insuficiência respiratória grave, normalmente com quadro
hemodinâmico estável, mas que entrarão em parada total se não forem
atendidos rapidamente.
Sinais clínicos: todos os pacientes dispneicos, com dificuldade de manutenção
da via respiratória e alterações ventilatórias, além daqueles em choque
clássico.
III- Sérios/urgentes Todos os pacientes com lesões múltiplas, mas que permanecem com via
respiratória patente e ventilação adequada. O atendimento deve ocorrer, no
máximo, entre 60 min.
Sinais clínicos: fraturas expostas, feridas abertas ou queimaduras, corpo
estranho penetrante no abdome (sem hemorragia), ou trauma sem sinais
aparentes de choque, além dos estados de alteração de consciência (p. ex.:
convulsões), além do choque críptico e descompensação hemodinâmica.
IV- Urgência relativa A ação deve ocorrer em até 120 min. A maioria dos pacientes traumatizados
não se encaixa nesta categoria, mas alguns se evidenciam após o proprietário
relatar persistência de sintomatologia clínica.
Sinais clínicos: anorexia, vômito, claudicação, mau cheiro (miíase, ferida
infectada, abscessos etc.) e apatia.
V- Não urgente Atender no máximo 240 min (4 horas).
Alergia: (o paciente é alérgico a algum fármaco, vacina, etc?). A (vias aéreas):
Passado/prenhez: Assegurar que a via respiratória esteja livre e com ventilação
- Há histórico de doenças, cirurgias ou internamentos contínua. Caso contrário, estabilizar a coluna cervical e estender a
prévios? língua do paciente, realizando a aspiração da cavidade oral.
- Toda fêmea é uma gestante em potencial. Caso não seja suficiente,
Última refeição: (o que e quando o animal se alimentou pela utilizar a intubação
última vez?) orotraqueal ou retrógado, a
Medicações em uso (há algum tratamento para doença crônica cricotireoideostomia, a
ou fármaco em uso que possam interagir com a medicação a ser traqueostomia ou a punção
utilizada?). cricóidea como meios de
abertura de via respiratória.
Abordagem primária
B (boa respiração e ventilação):
A abordagem inicial envolve exame físico rápido e direcionado aos Estabelecer boa ventilação e oxigenação. Se necessário, realizar
problemas que podem matar o paciente. toracocentese ou colocação de tubo torácico para obter expansão
É utilizado o protocolo XABCDE para que determina uma torácica adequada.
sequência na abordagem de urgência. Quando os movimentos respiratórios não forem aparentes ou
São aceitas três exceções para o protocolo XABCDE: as estejam extremamente fracos, a intubação deve ser realizada
hemorragias de grande calibre, a fibrilação ventricular e as e deve-se iniciar a ventilação mecânica.
reanimações cardiopulmonares.
C (circulação com controle de hemorragia):
→ Protocolo XABCDE Verificar se há perfusão sanguínea adequada.
X (controle da hemorragia exsanguinante): Estabelecer um acesso vascular. Nesse ponto, pode ser
Deve-se buscar identificar se o paciente possui algum necessário realizar a prova de carga ou compressão abdominal
sangramento grave. durante a reanimação volêmica no choque.
Hemorragia externa (exsanguinante): quando a hemorragia
está na superfície e pode ser visível. D (estado neurológico):
Hemorragia interna: quando não pode ser visível, podendo Avaliar o nível de consciência e resposta ao ambiente.
exteriorizar-se pelos orifícios naturais do organismo 9boca, Avaliação da simetria das pupilas e reflexo pupilar, além de
nariz, ouvido etc.). verificar a integridade do esqueleto axial.
Ver possibilidades anestésicas.
o Compressão direta:
Colocar, no sangramento, uma E (exposição e temperatura):
bandagem (pano limpo) com Detectar possível presença de hematomas, fraturas ou áreas de
tamanho suficiente para cobrir necrose, além da mensuração e controle da temperatura
toda a ferida e pressioná-la
firmemente.
Importante: se ele estiver ensopado de sangue, não o remova, Abordagem secundária
simplesmente coloque outro pano sobre ele e reaplique a Após a abordagem primária, torna-se necessário um exame físico
pressão. mais completo, buscando alterações que possam comprometer a
- A primeira bandagem não deve ser retirada, pois assim, irá estabilização inicial.
quebrar o mecanismo natural do corpo de hemostasia. É utilizado o protocolo ABORDAGEM que é um método
eficiente para que todos os sistemas sejam abordados e
o Torniquete:
nenhuma informação importante falte durante a abordagem
Indicado para membros e causa com hemorragia não controlada
emergencial.
após compressão direta.
Essa sequência deve ser repetida em todo o exame físico de
Importante1: não deve mantê-lo por mais de 15 minutos (se manutenção do paciente em sala de urgência ou cuidados
usar o garrote, afrouxar a cada 15 minutos e depois voltar a intensivos, devendo ser realizadas em períodos determinados
apertar). (p. ex. a cada 10 min, a cada hora ou continuamente).
2
Importante : não deve apertá-lo muito sob o risco de necrosar
o membro por falta de suprimento de sangue. → Protocolo ABORDAGEM
- Apertar o torniquete até o sangramento cessar. Uma vez Ar: há patência de vias respiratórias?
controlada a hemorragia, não rode mais o bastão e
Batimentos/boa respiração: pode-se basear os valores
mantenha-o firme no lugar.
hemogasométricos e nas medidas geradas pela oximetria de
Importante3: evitar articulações. pulso e pela capnografia.
- Como está o ritmo cardíaco? Há boa sincronia de pulso A pressão coloidosmótica pode ser avaliada a partir da
arterial e batimentos? Como estão os parâmetros mensuração das proteínas do plasma.
hemodinâmicos? Quando a concentração de albumina cair abaixo de 1,5-2,0
- Existe boa relação respiração/ventilação? g/dL a restauração da pressão sanguínea com uma solução que
Oxigenação: como está a perfusão? A ventilação e a circulação não seja coloidal pode levar à fuga de líquido vascular para o
funcionam? Como está a curva de lactato? interstício devido à hemodiluição.
Retroperitônio: há hematoma na região inguinal? Há fratura
Plaquetograma:
de bacia?
Tende a se alterar quando presente o estado de coagulação
- É necessário realizar toque retal à procura de sangue e
intravascular disseminada, gerando uma trombocitopenia.
fragmentos ósseos.
Desidratação/dor: avaliar os parâmetros de hidratação e
Eletrólitos:
volemia. Estabelecer um protocolo associado de controle de
Os distúrbios consistem na hiponatremia (redução de sódio) e
dor.
hipercalemia (elevação de potássio).
Abdome: há dor? Há hematoma umbilical? A percussão é O sódio devido a sua participação no controle hemodinâmico,
positiva para ar livre? Há líquidos na cavidade? A ausculta é equilíbrio ácido-básico e por ser o eletrólito em maior
normal para borborigmos? concentração no meio extracelular.
Glicemia/gânglios/gestação: há risco de convulsão, o paciente - Sódio abaixo de 130 mEq/L causam apatia, flacidez
é diabético? Está bem nutrido, pode ser hipoglicemia? Como muscular e hipotensão.
estão os linfonodos? Há risco de prenhez positiva? O potássio pela depressão cardíaca que pode determinar
quando em concentrações excessivas no meio extracelular.
Encéfalo: há trauma craniano?
- Potássio acima de 7 mEq/L são miocardiotóxicos.
Membros: há fratura, luxação, laceração? Algum ferimento
importante? Lactato sérico:
O lactato sérico proporciona avaliação do grau de oxigenação dos
tecidos.
Avaliação laboratorial
A produção de lactato é inversamente proporcional à
Quando houver possibilidade de realização, os exames
oxigenação tecidual e resulta do catabolismo anaeróbico da
constituirão excelente apoio ao diagnóstico e orientação
glicose.
terapêutica.
A hiperventilação, administração de glicose, epinefrina ou
insulina são fatores que elevam a concentração plasmática do
Hemograma lactato.
Hematócrito:
Frequentemente estará elevado, sendo mais concentrado no Gasometria:
choque séptico. As determinações de pH, pCO2, pO2, pHCO3 proporcionam
Na fase inicial pode está elevado ou normal devido à informação sobre acidemia ou alcalemia que refletem
esplenocontração, por efeito das catecolaminas. respectivamente a ocorrência de acidose ou alcalose.
Mais tarde, diminuído pela diluição do líquido extravascular Acidose metabólica:
que migra para o interstício dos vasos. - O aumento do catabolismo anaeróbico da glicose e da
betaoxigenação, gerado pela baixa perfusão e oxigenação,
Leucograma: eleva os níveis de lactato e corpos cetônicos no sangue,
Normalmente não há alterações significativas, a não ser em casos determinando uma acidose metabólica.
de ocorrência de uma leucocitose por ação das catecolaminas que - Aumento do consumo de HCO3 (bicarbonato de sódio).
liberam o pool marginal de leucócitos, mas esta é uma condição - Valores sanguíneos arterial: pH baixo, pHCO3 baixo e pCO2
fisiológica, que não contribui significativamente para um baixo.
diagnóstico.
Acidose respiratória:
Choque séptico: há leucocitose com neutrofilia devido a
- Ocorre quando o ácido carbônico (H2CO3) tem sua
resposta inflamatória à infecção instalada, ou até mesmo uma
eliminação pelos pulmões sob forma de CO2, quando houver
leucopenia, por uma migração dos leucócitos ao espaço
concentração elevada de CO2 com diminuição do pH.
extravascular.
- Valores sanguíneos arterial: pH baixo, pHCO3 alto e pCO2
alto.
Proteínas plasmáticas:
Paciente em choque cardiogênico apresentam alta pressão venosa
Intervalo ânion:
resultando em aumento da pressão hidrostática do lado venoso.
Após o diagnóstico de acidose metabólica, é necessário realizar
Isso faz com que o liquido que retorna para o leito vascular esteja
um cálculo chamado de “Ânion Gap”.
diminuído.
No sangue, em condições fisiológicas, os cátions sempre são Valores referência:
iguais aos ânios para manter a eletroneutralidade. - Cão e gato: 10-23 mmol/L ou mEq/L.
+ +
- Principais cátions: Na e K . - Bovino: 14-20 mmol/L ou mEq/L.
- Principais ânions: Cl- e HCO3-. - Equino: 12-23 mmol/L ou mEq/L.
Ânion Gap = (Na + K) – (Cl + HCO3) ou Na – (Cl + HCO3).
.
Manejo do paciente grave
A terapia do choque deve ser voltada à remoção das causas Indicado em caso de obstrução entre a boca, o nariz, as vias
desencadeantes e da correção das variáveis fisiológicas alteradas. aéreas altas e o pulmão.
Técnica mais agressiva e traumática, que pode levar a mais
hemorragia, sendo mantida em até 72 horas.
Sedação e analgesia
Pode ser de boa escolha, pois pacientes em estado crítico tendem
Circulação
a ficar agitados, desconfortáveis e com dor.
A dor pode produzir efeitos diretos e indiretos sobre os → Infundir (restauração da volemia)
sistemas cardiovascular, pulmonar, gastrointestinal, hepático e A administração de fluidos é importante na restauração do volume
renal. circulatório em todos os choques, com exceção do cardiogênico.
Antes da aplicação dos medicamentos, é importante saber os
Sangue em hemorragias; plasma ou expansor em queimaduras;
efeitos colaterais.
soluções eletrolíticas balanceadas em caso de perda de água e
eletrólitos.
- Ht < 28% e PT > 5g/dL: repor papa/concentrado de
Vias aéreas
hemácia;
Deve-se fazer a inspeção das vias aéreas para garantir que não
- Ht < 28% e PT < 5g/dL: repor sangue total;
haja corpos estranhos, massas ou fluidos causando obstrução.
- Ht = 28% e PT > 5g/dL: repor sangue total;
- Ht = 28% e PT < 5g/dL: repor sangue total;
→ Ventilar - Ht > 28% e PT > 5g/dL: repor solução salina/ringer com
Manter o animal em decúbito lateral com a cabeça distendida e lactato;
em plano levemente inferior ao restante do corpo, tracionando a - Ht > 28% e PT < 5g/dL: repor plasma ou coloide.
língua para desobstrução das vias aéreas. Prova de carga: 10ml/kg em 3min (cães) ou em 6 min (gatos).
Em respiração fraca, a intubação deve ser realizada e deve-se A reposição de sangue é dada por (20ml/kg/h).
iniciar a ventilação manual imediatamente. As soluções coloidais são indicadas sempre que o nível de
Em animais com parada respiratória, a frequência da ventilação proteínas for inferior a 3,5g/dL.
deve ser de 20 movimentos por minutos, enquanto nos casos Sendo sempre necessária a administração de uma solução
em que haja parada cardíaca concomitante, deve ser de 8 a 10 hidroeletrolítica balanceada junto a uma solução coloidal a fim
ventilações por minuto. de compensar a desidratação que acompanha a hipotensão,
numa proporção de 1:3, de coloidal e solução hidroeletrolítica
Manejo avançado: respectivamente.
Havendo impedimento para intubação, colocar o paciente em
incubadora com oxigênio, ou adotar máscara, cateter intratraqueal
→ Circular
ou traqueostomia.
Para a normalização da pressão arterial após a reposição volêmica
o Cricotireoidostomia: faz-se uso de catecolaminas exógenas por via intravenosa.
Consiste no estabelecimento de uma abertura através da Ex.: dopamina (2,5-15 µg/kg/min para gatos e 10 μg/kg/min
membrana cricotireóidea e a colocação de um tubo de para cães).
traqueostomia ou tubo endotraqueal com balonete na traqueia.
o Ressuscitação cardiopulmonar:
Indicada em caso de lesão cranial à glote.
Na ausência de batimentos cardíacos e de pulso, as compressões
Técnica simples, rápida e eficiente, podendo ser mantida de
torácicas devem ser iniciadas imediatamente.
24 a 72 horas.
Pacientes com menos de 7 kg podem ser posicionados em
Contraindicado em animais muito pequenos.
decúbito dorsal para a realização de compressões cardíacas
o Traqueostomia: externas.
Consiste no estabelecimento de uma abertura frontal na traqueia Durante o período em que se realizam as compressões deve-se
do paciente. palpar pulso periférico para conferir se as mesmas estão
Técnica de eleição na veterinária. surtindo efeito.
- As compressões devem ser realizadas numa frequência de
- As compressões devem ser realizadas numa frequência de Antiinflamatórios:
120/min. Devem ser administrados após a estabilização da volemia, uma vez
Com a realização de compressões há o fornecimento de níveis que entre suas vantagens se encontram o efeito vasodilatador.
razoáveis de oxigênio aos pulmões, suficientes para a Ex.: ibuprofeno, cetoprofeno e flunixin meglumine.
manutenção da oxigenação tecidual. Glicocorticoides podem ser administrados em choque
cardiogênico e no séptico quando em baixas doses:
o Ação antioxidante na prevenção de lesões celulares:
hidrocortisona (150-300 mg/kg IV), prednisolona (15 a 30
Órgãos submetidos a um período de isquemia podem sofrer lesões
mg/kg IV), metilprednisolona (15 a 30 mg/kg IV) e a
no momento da reperfusão sanguínea, que resumem em alterações
dexametasona (4 a 8 mg/kg IV).
funcionais e estruturais.
- São controversos, pois podem diminuir a perfusão renal e
Para a proteção desses tecidos são administrados fármacos
gastrointestinal, sendo associada a risco de infecção,
adjuntos à fluidoterapia como profilaxia à hipóxia isquêmica.
cicatrização retardada e irritação/ulceração gástrica.
Outros meios de tratamento Anticoagulantes:
Devem ser usados apenas na fase inicial de CID para não
Reversão da acidose
desenvolver coagulopatias de consumo.
metabólica Ex.: heparina (250 UI/kg EV e pode ser repetida após 4
A correção pode ocorrer pelo restabelecimento das perfusões horas).
renal e capilar a partir da administração de bicarbonato de sódio.
Diuréticos:
Bicarbonato de sódio:
Em caos de oligúria persistente utiliza-se manitol (1-3 g/Kg) ou
- 1 a 2 mEq/kg para os gatos e 2 a 4 mEq/kg para os cães, via
furosemida (02 mg/kg IV ou 05-10 mg/kg IV em casos de edema
intravenosa, por meio da diluição em 250 mL (gatos) e em
pulmonar).
500 a 1000 mL (cães) de solução salina a 0, 9% ou glicose a
5 % durante 2 a 4 horas.
Reversão da acidose respiratória:
A acidose respiratória é corrigida pela remoção da causa e
incremento da ventilação alveolar.
Terapia medicamentosa
Fármacos vasoativos, vasopressores e ionotrópicos:
Vasoativos: indicados em choque cardiogênico para reduzir a
resistência vascular (captropil, enalapril, adrenalina,
noradrenalina) e facilitar o bombeamento do coração
enfraquecido.
Vasopressoras: aumentam a pressão sanguínea parcial ou total,
devido a vasoconstrição arteriolar direto (norepinefrina,
fenilefrina e vasopressina).
Ionotrópicos: aumentam o débito cardíaco (dobutamina,
dopamina e epinefrina).
Antibióticos:
Deve ser instaurada unicamente nos casos em que haja
diagnóstico ou suspeita de origem infecciosa para o quadro clínico
(choque séptico).
Ex.: cefoxitina, ampicilina (10 a 20mg/kg), enrofloxacina
(5mg/kg) ou metronidazol (15mg/kg).
A utilização de antibióticos de amplo espectro em animais que
não estejam em sepse é controversa já que pode destruir a
flora intestinal normal e permitir o crescimento excessivo de
bactérias patogênicas, promovendo translocação bacteriana.
- Os antibióticos são de grande importância na terapêutica
do choque séptico, e devem ser usados profilaticamente
nos demais choques.