Teorias da Justiça: Rawls e Nozick
Teorias da Justiça: Rawls e Nozick
com
Número de pessoas em situação de rua
cresce em várias cidades brasileiras.
Caxias do Sul, RS, 2018.
FRENTE ÚNICA
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filosofia política
A filosofia está presente nos meios de comunicação de massa, nas redes so-
ciais, nos livros, nas aulas e nas palestras. Isso a torna mais próxima de nós e
mostra que não só os estudiosos, mas também as pessoas comuns se interes-
sam por ela. O contato com a filosofia nos ajuda a argumentar em defesa de
nossas escolhas e a buscar consensos entre pontos de vista distintos.
O mundo mudou, apresenta novos desafios, e temas como genética, tecnolo-
gia e ecologia passaram a ser abordados pela filosofia, sobretudo no que se
refere a questões da existência e da finitude da natureza e do ser humano.
Portanto, a tarefa fundamental da filosofia permanece a mesma: compreender
o mundo em que vivemos e reinventar o pensamento.
sociedade bem-ordenada. Isso só ocorre em um contexto princípio de igualdade equitativa: a diferença. O princípio
de pessoas livres e iguais que escolhem racionalmente os da diferença visa corrigir a meritocracia, impedindo que as
princípios que regularão a estrutura básica da sociedade diferenças de talento ou de condições não determinem a
visando a um sistema equitativo de cooperação social para desigualdade social. A política de cotas nas universidades
vantagem mútua. públicas está de acordo com o princípio da diferença.
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a katz/[Link]
Igualitária: princípio da diferença em Rawls
FRENTE ÚNICA
Tira sobre a falta de consenso, fator que pode motivar atitudes violentas entre as partes, as quais, sem entrar em acordo, levam a sociedade à estagnação.
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Estabelecendo relações
O Conselho Municipal de Saúde de São Paulo (CMS) é um órgão deliberativo para a formulação e a execução da política muni-
cipal de saúde. O funcionamento do CMS prevê reuniões plenárias mensais e extraordinárias, comissão executiva e comissões
permanentes e temáticas. Sua composição é sempre paritária: o número de representantes do segmento de usuários é igual
à soma dos segmentos de profissionais e trabalhadores de saúde, gestores e prestadores de serviços de saúde.
O entendimento, contudo, só se torna possível se as pessoas estiverem abertas para ouvir e entender o outro em um
contexto em que a discussão e o debate possam ocorrer com base na argumentação racional. É necessário estabelecer regras
e modos de conduta para o entendimento, já que é difícil manter a conduta íntegra em detrimento dos interesses pessoais.
O consenso válido para todos os participantes do discurso deve ser fundado na ação e na razão comunicativa. Por
isso, Habermas buscou na filosofia da linguagem, de cunho analítico, os pressupostos de validade do ato de fala e assim
definiu as pretensões ou os fundamentos de uma teoria da ação comunicativa fundada na racionalidade.
Adaptado de VIZEU, Fabio. Uma aproximação entre liderança transformacional e teoria da ação comunicativa. Revista de Administração Mackenzie,
São Paulo, v. 12, n. 1, jan./fev. 2011. p. 66. Disponível em: [Link]/pdf/ram/v12n1/a03v12n1. Acesso em: 3 jun. 2022.
Vejamos, agora, as investigações éticas de Hans Jonas. Filósofo alemão de origem judaica, Hans Jonas elaborou uma
teoria ética com ênfase no risco do avanço tecnológico para o futuro da humanidade e desenvolveu o imperativo da
responsabilidade, no qual destaca-se a ideia de que o ser humano caminha para sua autodestruição caso não assuma um
novo paradigma de princípios, direitos e deveres. Por isso, Jonas declara que, mesmo quando temos o poder tecnológico
e a arrogância política para fazê-lo, não devemos arriscar nossa vida futura, pois não nos cabe estabelecer o fim da vida
humana e planetária.
Uma nova ética é condicionada pelo medo da desfiguração do ser humano, ou seja, seu aniquilamento. Não se trata
apenas de sobrevivência física, mas da própria integridade de sua essência. A ética precisa preservar a sobrevivência e
a integridade humana, tornando-se, assim, uma ética de respeito. Sua novidade é a inclusão da ideia de futuro e da ideia
da abrangência planetária. Apesar da defesa de sua liberdade, o indivíduo deve conservar o mundo e sua essência inal-
terados contra os abusos de seu próprio poder.
Jonas fez um percurso reflexivo demonstrando o poder da consciência do ser humano na transformação da natureza,
desde a Antiguidade até a chegada da Modernidade. Nessa passagem, destacou a importância da construção das cidades,
que, para o ser humano da Antiguidade, eram destinadas a permanecer cercadas, e não a se expandir, o que dava a ideia
de equilíbrio entre a vida humana e a natureza.
Sven Hansche/[Link]
Vista de Atenas com a Acrópole ao fundo. Contraste entre a cidade grega antiga e a contemporânea.
Artush/[Link]
que se garante é o bem entre aqueles que pertencem à
mesma geração, e não se o que é certo para uns e outros
compromete o bem das gerações futuras. Vejamos os
novos imperativos.
Imperativos de Jonas
Aja de tal maneira que a máxima de sua ação permita a
perpetuação dos seres humanos no planeta.
Não coloque em perigo as condições necessárias para a
conservação indefinida da humanidade sobre a Terra.
Desenvolvido no Brasil, o fila brasileiro é uma raça cuja população caiu
Inclua na tua escolha presente a futura integridade do ser para menos da metade nos últimos 30 anos. Qual é a responsabilidade
humano como um dos objetivos do teu querer. do ser humano no processo de renovação das espécies animais?
somente sobre a natureza, e sim sobre si mesmo. Qual fanticídio, a pobreza mundial, o problema dos refugiados, o
deve ser o limite para o prolongamento da vida humana? meio ambiente e a eutanásia. Ele formula uma ética prática
Social e individualmente, o que implicam as modificações a partir da renovação da perspectiva utilitarista.
genéticas que se tornaram cada vez mais viáveis? Modificar Singer defende que todos os seres que são capazes
o ser humano é desejável ou é opcional? de sofrer devem ter seus interesses considerados de forma
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Atenção
Existem diferenças entre inteligência artificial fraca e inteligência artificial forte. A IA fraca parte da tese de que os computado-
res podem nos ajudar na compreensão do ser humano, como no que diz respeito à cognição humana, mas se trata apenas
de simulação, e não de realização propriamente dita. Já para a IA forte, simular uma mente é o mesmo que ter uma mente,
portanto qualquer máquina que passe no teste de Turing teria uma mente semelhante à nossa.
Agora, vejamos o posicionamento do estadunidense John Searle, filósofo analítico, escritor e professor da Uni-
versidade da Califórnia, em Berkeley, nos Estados Unidos. Começou sua carreira na Filosofia com estudos no campo
da linguagem e, mais recentemente, realizou estudos na busca de uma explicação para uma estrutura racional como
base para a existência do livre-arbítrio na Filosofia da Mente e na Filosofia Social. A Filosofia da Mente é uma área de
investigação da Filosofia que trata, entre outros temas, da natureza da mente, da relação entre a mente e o corpo e da
possibilidade da consciência.
Searle afirma que um dos impedimentos para formular questões corretas que poderiam nos direcionar às respostas
para o problema da consciência é a abordagem que vê o cérebro como uma máquina e a mente como um programa
de computador (software). Dessa forma, Searle nega a teoria da inteligência artificial forte, no que diz respeito à afir-
mação de que qualquer sistema é capaz de implementar um programa adequado e suficientemente complexo que
produziria consciência.
O famoso experimento de pensamento do quarto chinês constitui uma crítica à inteligência artificial forte. Conclui-se
que manipular símbolos não é o mesmo que compreender símbolos, isto é, a manipulação de uma sintaxe é condição
necessária, mas não suficiente para a existência de uma semântica. Apesar de um computador poder imitar nosso compor-
tamento, ele não funciona como a nossa mente – aliás, ele nem possui uma mente –, já que apenas manipula formalmente
os símbolos sem ter qualquer conhecimento sobre seu significado.
A definição mais precisa de consciência, segundo Searle, é a de que ela consiste em todos os estados emocionais
e de percepção, existindo durante todos os nossos momentos de vigília. Assim, a filosofia deve abandonar a ideia de
considerar a consciência com base no dualismo mente-corpo. A consciência é real e irredutível, por isso não podemos
nos livrar dela; nunca podemos duvidar de nossa própria consciência.
Por outro lado, os estados de consciência são qualitativos, isto é, não é o mesmo estar consciente ouvindo uma
música ou estar consciente fazendo contas para o imposto de renda ou, ainda, estar se divertindo na presença de ami-
gos. Para cada situação, enfrentamos uma qualidade de consciência distinta. Tais estados da consciência são subjetivos,
no sentido de que só existem quando experienciados.
Finalmente, a consciência influencia nosso comportamento. Os estados mentais não são idênticos aos nossos com-
FRENTE ÚNICA
portamentos. É possível simular um comportamento e pensar ou sentir outra coisa. Por exemplo, quando sentimos dor,
mas estamos diante de uma situação em que é importante parecer estar bem, somos totalmente conscientes de nossa
dor, mas podemos perfeitamente forjar outro comportamento.
Todos esses exemplos sobre o que entende Searle por consciência são também refutações de por que seria impos-
sível uma máquina adquirir consciência.
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1. Enem PPL 2018 O justo e o bem são complementares conflito cultural movido pelas minorias desprezadas con-
no sentido de que uma concepção política deve apoiar- tra a cultura da maioria.
-se em diferentes ideias do bem. Na teoria da justiça HABERMAS, J. A inclusão do outro: estudos de teoria política.
São Paulo: Loyola, 2002.
como equidade, essa condição se expressa pela priori-
dade do justo. Sob sua forma geral, esta quer dizer que A reivindicação dos direitos culturais das minorias, como
as ideias aceitáveis do bem devem respeitar os limites exposto por Habermas, encontra amparo nas democra-
da concepção política de justiça e nela desempenhar um cias contemporâneas, na medida em que se alcança
certo papel. a) a secessão, pela qual a minoria discriminada ob-
RAWLS, J. Justiça e democracia. São Paulo: Martins Fontes, 2000 (adaptado). teria a igualdade de direitos na condição da sua
Segundo Rawls, a concepção de justiça legisla sobre concentração espacial, num tipo de indepen-
ideias do bem, de forma que dência nacional.
a) as ações individuais são definidas como efeitos b) a reunificação da sociedade que se encontra frag-
determinados por fatores naturais ou constrangi- mentada em grupos de diferentes comunidades
mentos sociais. étnicas, confissões religiosas e formas de vida, em
b) o estudo da origem e da história dos valores mo- torno da coesão de uma cultura política nacional.
rais concluem a inexistência de noções absolutas c) a coexistência das diferenças, considerando a pos-
de bem e mal. sibilidade de os discursos de autoentendimento se
c) o próprio estatuto do homem como centro do submeterem ao debate público, cientes de que es-
mundo é abalado, marcando o relativismo da tarão vinculados à coerção do melhor argumento.
época contemporânea. d) a autonomia dos indivíduos que, ao chegarem à
d) as intenções e bens particulares que cada indiví- vida adulta, tenham condições de se libertar das
duo almeja alcançar são regulados na sociedade tradições de suas origens em nome da harmonia
por princípios equilibrados. da política nacional.
e) o homem é compreendido como determinado e e) o desaparecimento de quaisquer limitações, tais
livre ao mesmo tempo, já que a liberdade limita-se como linguagem política ou distintas convenções
a um conjunto de condições objetivas. de comportamento, para compor a arena política
a ser compartilhada.
2. Uema 2015 De acordo com a historiadora Maria Lúcia
de Arruda Aranha, a Revolução Francesa derrubou o an- 4. Unesp 2023
tigo regime, ou seja, o absolutismo real fundamentado no Texto
direito divino dos reis, derivado da concepção teocrática
do poder. O término do antigo regime se consuma quan-
do a teoria política consagra a propriedade privada como
direito natural dos indivíduos.
ARANHA, M. L. de A.; MARTINS, M. H. P. Filosofando:
Introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2003.
O contraste entre esses textos permite retomar, na atualidade, uma clássica questão filosófica, “o que é real?”, pois a
a) análise das relações virtuais ocorre dissociada das relações presenciais.
b) ação individual segue inalterada ao longo do tempo.
c) invenção de novas tecnologias reformula o conceito de realidade.
d) disponibilidade de conexão à internet amplia o conhecimento humano.
e) criação de mídias digitais estimula a imaginação.
5. Enem 2016 Fundamos, como afirmam alguns cientistas, o antropoceno: uma nova era geológica com altíssimo poder de
destruição, fruto dos últimos séculos que significaram um transtorno perverso do equilíbrio do sistema-Terra. Como enfrentar
esta nova situação nunca ocorrida antes de forma globalizada e profunda? Temos pessoalmente trabalhado os paradigmas
da sustentabilidade e do cuidado como relação amigável e cooperativa para com a natureza. Queremos, agora, agregar a
ética da responsabilidade.
BOFF, L. Responsabilidade coletiva. Disponível em: [Link] Acesso em: 14 maio 2013.
A ética da responsabilidade protagonizada pelo filósofo alemão Hans Jonas e reivindicada no texto é expressa pela
máxima:
a) “A tua ação possa valer como norma para todos os homens.”
b) “A norma aceita por todos advenha da ação comunicativa e do discurso.”
c) “A tua ação possa produzir a máxima felicidade para a maioria das pessoas.”
d) “O teu agir almeje alcançar determinados fins que possam justificar os meios.”
e) “O efeito de tuas ações não destrua a possibilidade futura da vida das novas gerações.”
6. Unesp 2023 A ciência avançou tanto que as pessoas acham que não precisam mais morrer. Continuamos usando todos
os artifícios da tecnologia, da ciência, para endossar a fantasia de que todo mundo vai ter comida, todo mundo vai ter ge-
ladeira, todo mundo vai ter leito hospitalar e todo mundo vai morrer mais tarde. Isso é uma falsificação da vida. A ciência
e a tecnologia acham que a humanidade não só pode incidir impunemente sobre o planeta como será a última espécie
sobrevivente e a única a decolar daqui quando tudo for pelo ralo.
(Ailton Krenak. A vida não é útil, 2020. Adaptado.)
A situação criticada pelo filósofo e líder indígena Ailton Krenak é fruto de uma visão de mundo decorrente do pensa-
mento moderno, qual seja,
a) o mecanicismo cartesiano. d) o jusnaturalismo lockiano.
b) o idealismo hegeliano. e) o existencialismo sartriano.
c) o transcendentalismo kantiano.
Exercícios propostos
1. UEPG-PR 2018 Concebido por Adam Smith no século XVIII, o liberalismo é uma doutrina política e econômica que
possui características e princípios bastante peculiares. A respeito deste tema, assinale o que for correto.
A doutrina liberal defende a livre organização dos trabalhadores em associações, sindicatos e partidos que re-
presentem os seus interesses. Para o liberalismo, é a organização dos trabalhadores que gerará salários justos
e direitos sociais garantidos.
No liberalismo há o incentivo ao mérito, ou seja, todo indivíduo terá garantida igualdade de oportunidades e de-
pende apenas do seu esforço pessoal para alcançar seus objetivos e propósitos.
Ideologicamente vinculado à perspectiva capitalista, o liberalismo constrói sua base argumentativa na defesa do
aumento da produção e na ideia de bem-estar material do indivíduo.
No bojo do pensamento liberal, destaca-se o princípio de que, se em uma sociedade as leis fossem cumpridas
por todos, não haveria necessidade de que o Estado cobrasse impostos e investisse, por exemplo, na formação
FRENTE ÚNICA
de quadros militares.
Enquanto doutrina, o liberalismo defende o Estado mínimo, ou seja, um Estado que pouco interfira na economia,
mas, ao mesmo tempo, garanta a propriedade privada, os direitos individuais, a liberdade religiosa e a segurança.
Soma:
187
A teoria da justiça proposta pelo autor, conforme exposto no texto, pressupõe assumir uma posição hipotética
chamada de
a) reino de Deus. c) véu da ignorância. e) cálculo da felicidade.
b) mundo da utopia. d) estado de natureza.
3. UFPR 2015 A liberdade religiosa tem como contrapartida, de fato, uma pacificação do pluralismo das visões de mundo cujos
custos se mostraram desiguais. Até aqui, o Estado liberal só exige dos que são crentes entre seus cidadãos que dividam a sua
identidade, por assim dizer, em seus aspectos públicos e privados. São eles que têm de traduzir as suas convicções religiosas
para uma linguagem secular antes de tentar, com seus argumentos, obter o consentimento das maiorias. É assim que, quando
querem reclamar o estatuto de portador de direitos fundamentais para os óvulos fecundados fora do corpo materno, os católicos
e protestantes procuram hoje (talvez prematuramente) traduzir a imagem e semelhança a Deus da criatura humana para a lingua-
gem secular do direito constitucional. Mas a procura por argumentos voltados à aceitação universal só não levará a religião a ser
injustamente excluída da esfera pública, e a sociedade secular só será privada de importantes recursos para a criação de sentido,
caso o lado secular se mantenha sensível para a força de articulação das linguagens religiosas. Os limites entre os argumentos se-
culares e religiosos são inevitavelmente fluidos. Logo, o estabelecimento da fronteira controversa deve ser compreendido como
uma tarefa cooperativa em que se exija dos dois lados aceitar também a perspectiva do outro. [...] O senso comum democrati-
camente esclarecido não é algo singular, mas algo que descreve a constituição mental de uma esfera pública com muitas vozes.
HABERMAS, Jürgen. Fé e saber. Editora São Paulo: Unesp, 2013, p. 15-16.
Uma vez que “os limites entre os argumentos seculares e religiosos são inevitavelmente fluidos”, qual é, segundo
Habermas, a exigência básica para que ocorra um trabalho cooperativo entre as tradições religiosas e a tradição
secular do Estado liberal? Por quê?
4. UEM-PR 2022 Na contemporaneidade, a bioética especial aparece como reflexão sobre os limites da ciência a partir
de questões ligadas à clonagem, à transgenia, a células-tronco, à inseminação artificial, à manipulação genética, ao
aborto, à eutanásia, à experimentação clínica etc. Sobre a bioética, assinale o que for correto.
A fim de testar novas tecnologias ou novos medicamentos, a utilização de cobaias humanas de forma indiscrimi-
nada se justifica pela possibilidade de benefícios à humanidade.
A bioética pertence ao campo da axiologia, isto é, à ciência dos valores.
A bioética, embora reivindique autonomia, é um ramo da ética que investiga as práticas médicas e científicas do
homem em relação a si próprio e à natureza.
O juramento hipocrático descreve preocupações éticas que estabelecem critérios para as ações médicas.
Doação de órgãos e de sangue fere os princípios da ética, pois o corpo é inviolável e constitui-se em proprie-
dade privada.
Soma:
5. Unesp 2019 Nosso conhecimento científico “está começando a nos capacitar a interferir diretamente nas bases biológicas
ou psicológicas da motivação humana, por meio de drogas ou por seleção ou engenharia genética, ou usando dispositivos
externos que interferem no cérebro ou nos processos de aprendizagem”, escreveram recentemente os filósofos Julian Savu-
lescu e Ingmar Persson. [...] James Hughes, especialista em bioética [...], defendeu o aprimoramento moral, afirmando que
ele deve ser voluntário e não coercitivo. “Com a ajuda da ciência, poderemos descobrir nossos caminhos para a felicidade
e virtude proporcionadas pela tecnologia”.
(Hillary Rosner. “Seria bom viver para sempre?” [Link], outubro de 2016.)
6. Unesp 2023 Leia o trecho da entrevista com Frank B. Wilderson, professor de estudos afro-americanos na Univer-
sidade da Califórnia.
— O que é o afropessimismo?
— É uma lente de interpretação ou uma forma de teoria crítica. A maioria dos estudos raciais faz uma intervenção que
eu chamo de reformista, que é dizer: como as pessoas na Bahia, por exemplo, podem conseguir casas melhores? Estou mui-
to preocupado com essas perguntas. Mas, como um filósofo, um teórico crítico, não é nisso que emprego minha energia.
Texto complementar
Veja os principais assuntos e conceitos trabalhados neste capítulo acessando a seção Resumindo
no livro digital, na Plataforma Poliedro.
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Site
NAÇÕES UNIDAS. Declaração Universal dos Direitos Humanos. Humanos (DUDH). Disponível em: [Link]
human-rights/universal-declaration/translations/english. Acesso em: jun. .
A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) é um documento-marco na história dos direitos humanos. Elaborada
por representantes de diferentes origens jurídicas e culturais de todas as regiões do mundo, a Declaração foi proclamada pela
Assembleia Geral das Nações Unidas em Paris, em de dezembro de , por meio da Resolução A (III) da Assembleia
Geral, como uma norma comum a ser alcançada por todos os povos e nações. É possível ler o documento na íntegra no site do
Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
Filmes
Mar adentro. Direção: Alejandro Amenábar, . Classificação indicativa: anos.
O filme fala sobre a luta pelo direito do suicídio assistido, trazendo uma boa reflexão a partir da filosofia libertária de Nozick.
A.I. – inteligência artificial. Direção: Steven Spielberg, . Classificação indicativa: livre.
O filme é instigante para pensar as questões relativas às críticas de John Searle à inteligência artificial.
Ex_machina: instinto artificial. Direção: Alex Garland, . Classificação indicativa: anos.
O filme pode ser muito útil para uma discussão sobre o teste de Turing, mencionado na trama.
Exercícios complementares
1. Unesp 2021 É relativamente consensual que uma era biotecnológica se aproxima. Em um futuro cenário de desenvolvi-
mento biotecnológico, que será instaurado com o progresso tecnológico no século XXI, alterar-se-á um dos mais tradicionais
dilemas da moralidade. Em vez de enfrentarmos a questão de que atitudes e deveres morais temos para com os seres
compreendidos atualmente como animais não humanos (por exemplo, gato, cachorro, cavalo etc.), a questão será que obri-
gações teremos com outro tipo de não humano, isto é, os chamados pós-humanos. A pós-humanidade seria alcançada por
meio da aplicação de técnicas de manipulação, instrumentalização e artificialização da vida, do patrimônio biológico do
humano. O humano, por iniciativa própria e com vistas ao melhoramento da sua natureza, deixaria de ser humano.
(Murilo Mariano Vilaça e Maria Clara Marques Dias. “Transumanismo e o futuro (pós-)humano”. Physis – Revista de Saúde Coletiva, 2014. Adaptado.)
3. UEM-PR Jürgen Habermas (1929) é um dos principais representantes da chamada segunda geração da Escola de Frankfurt”.
Este filósofo elaborou “uma teoria social baseada no conceito de racionalidade comunicativa, que se contrapõe à razão
instrumental.
(ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à filosofia. 4ª. ed. revista.
São Paulo: Ed. Moderna, 2009. p. 200).
4. UFSJ-MG 2013 O filósofo contemporâneo Peter Singer argumenta que cada indivíduo no mundo tem responsabilida-
de ética diante do sofrimento pela fome dos demais indivíduos. A omissão e a falta de ações efetivas na distribuição
das riquezas por parte dos governos, das empresas, dos indivíduos fazem que aqueles que vivem nos países mais
pobres sofram com a miséria, a doença, a morte. Para ele, permitir que alguém morra não é intrinsecamente diferente
de matar alguém. As diferenças entre essas atitudes são meramente externas e não nos eximem da responsabilidade
ética diante do sofrimento dos demais indivíduos.
Acerca dos conceitos de justiça distributiva e da responsabilidade social no pensamento contemporâneo, assinale
o que for correto.
Segundo a visão liberal clássica, a preocupação com as consequências éticas das atividades econômicas seria
um obstáculo à eficiência dos negócios. A economia não poderia, portanto, ser gerida com base em virtudes morais.
De acordo com Peter Singer, o mundo é capaz de produzir alimento suficiente para todos os seus habitantes,
porém populações sofrem de fome e de desnutrição devido à má distribuição dos recursos.
As posturas éticas adotadas pelas empresas em suas atividades econômicas são baseadas nas decisões
morais livres de seus dirigentes.
O indivíduo tem a responsabilidade ética de calcular as consequências de suas ações e de suas omissões
antes de tomar quaisquer decisões.
Uma das diferenças externas entre “matar” e “deixar morrer” é o fato de que é mais difícil obedecer ao princí-
pio ético de que sempre devemos salvar todas as vidas possíveis do que obedecer ao princípio de que nunca
devemos matar pessoas.
Soma:
dade e mesmo com a eliminação parcial da presente. O sacrifício do futuro em prol do presente não é logicamente mais
refutável do que o sacrifício do presente a favor do futuro.
(JONAS, Hans. O Princípio Responsabilidade: ensaio de uma ética para a civilização tecnológica.
Rio de Janeiro: Contraponto, 2006, p. 47).
191
6. UEM-PR A bioética situa-se no campo da axiologia. É um ramo da ética como disciplina que trata da investigação e
problematização específica das práticas médicas, das ciências biológicas e das relações humanas com o meio am-
biente. Com base na afirmação acima, assinale o que for correto.
Hipócrates, ao declarar, no seu juramento, que jamais daria a um paciente um remédio mortal e às mulheres uma
substância abortiva, age em consonância com a axiologia da bioética.
Emmanuel Levinas considera que a bioética deve preocupar-se com uma análise estrutural da sociedade como
produção da vida e das condições de saúde, mas também dos processos de exclusão social.
Não é atribuição da bioética discutir os princípios morais que orientam a pesquisa científica, pois isso significa
colocar obstáculos ao progresso da ciência.
A bioética está comprometida com a política, pois o cientista tem uma responsabilidade da qual não pode abdicar.
Os resultados das descobertas científicas estiveram sempre a serviço da humanidade, portanto uma reflexão
sobre o sentido moral da prática científica é desnecessária.
Soma:
BNCC em foco
EM13CHS503
1. Estudamos nesse capítulo que a filosofia política de Habermas trabalha com o conceito de diálogo comunicativo,
que procura romper com uma razão instrumentalizada, de acordo com a qual os fins justificam os meios, por uma de
caráter dialógico, o que permitiria a resolução de conflitos de forma pacífica, bem como o avanço de uma agenda
democrática. Cabe lembrar que, para a razão instrumental, a única preocupação é a eficiência. Já para a razão comu-
nicativa ou dialógica, é preciso considerar a intelegibilidade, o consenso e o compromisso de todos. Nesse contexto,
qual é o alcance das teorias de Habermas para o reconhecimento e a proteção dos grupos minoritários?
Discorra a partir de exemplos.
EM13CHS504
2. Quando tratamos de um regime político constitucional democrático, devemos considerar princípios éticos tais como
liberdade, igualdade e acesso equitativo aos meios de inserção e ascensão social. A filosofia política de John Rawls,
por exemplo, procura resolver essa problemática, por meio do uso dos conceitos de pacto social, véu de ignorância,
bem como os princípios de liberdade e igualdade de oprtunidades que, de alguma forma, devem estar equilibrados.
É preciso lembrar, portanto, que, de acordo com essse filósofo, uma constituição justa é aquela concebida por um
sujeito que, sem saber qual posição social irá ocupar, procura pensar em leis que sejam justas para todos. Tendo tais
conceitos em mente, como o Estado democrático pode diminuir a discriminação contra grupos minoritários sem ferir
o princípio da maioria?
Discorra a partir de exemplos.