AULA 5
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Aluno: Bruna Rodrigues Muzzi
PROTEÇÃO INTEGRAL À
INFÂNCIA E À JUVENTUDE –
MARCOS REGULATÓRIOS DO
ECA
Profª Lilian Ianke Leite
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TEMA 1 – FUNDAMENTOS LEGAIS SOBRE AS POLÍTICAS GOVERNAMENTAIS
DE ATENDIMENTO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE
Nesta aula, pretende-se tratar da política de atendimento à criança e ao
adolescente, buscando refletir sobre a atuação de entidades governamentais e
não-governamentais e sua regulamentação estabelecida pelo ECA e leis
complementares.
As instâncias governamentais dividem atribuições que competem à União,
ao Distrito Federal, aos estados e municípios. As Organizações não-
governamentais (ONG’s) são instituições formadas e gerenciadas pela sociedade
civil sem fins lucrativos e que têm como objetivo a resolução de determinado
problema da sociedade, seja ele social, econômico, racial ou ambiental, atuando
também na fiscalização ou reivindicação junto ao poder público do atendimento
aos direitos e às melhorias estabelecidas em lei (Faria, 2019).
A Constituição Federal Brasileira (1988), alinhada à Convenção dos
Direitos da Criança, aprovada pela ONU em 1989, determina que a família, o
Estado e a sociedade são responsáveis por compartilhar a complexa tarefa de
atendimento a criança e ao adolescente, garantindo condições básicas de vida
que promovam o seu pleno desenvolvimento desde 0 até 18 anos de idade. Mas,
para Perez e Passone (2010, p. 650), há um longo caminho a ser percorrido para
que a concepção de criança e adolescente historicamente construída seja
superada.
Neste sentido:
O ECA demanda do Estado brasileiro e da sociedade política e civil
esforços e continuidade nas ações visando, por um lado, à formulação,
implementação, monitoramento e controle social de políticas
constitucionais e estatutárias e por outro, ações mobilizadoras e
societais capazes de ressignificar a concepção arcaica de infância e
juventude presente no imaginário social da população (Perez; Passone,
2010, p.650).
Corroboram com essa análise os estudos de Sauerbronn (s/d. p. 7), ao
observar que as políticas públicas são construídas por um longo processo de
elaboração que envolve “definição de agenda, formação, implementação,
monitoramento e avaliação”. Mas o que desencadeia esse processo de
construção de políticas públicas? O ponto de partida é o reconhecimento de que
existe um problema que precisa ser enfrentado, problema este identificado pela
sociedade que expressa, por meio da mídia, dos movimentos sociais e de
manifestações diversas, o interesse de que seja resolvido. Desse modo, a
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sociedade passa, então, a pressionar os governantes para a implantação de
projetos, programas e ações permanentes que, amparadas jurídica e
administrativamente, sejam efetivadas. Porém, essa é apenas uma etapa, na
continuidade, a sociedade tem a responsabilidade, juntamente com o legislativo e
com o judiciário, de avaliar constantemente a sua eficiência, a correta destinação
dos recursos financeiros, bem como propor ajustes quando necessário.
(Sauerbronn (s/d.).
Convém observar que:
No Estado Democrático, as Políticas Públicas sociais são orientadas
pelos fundamentos deste modelo de Estado, em especial pela dignidade
da pessoa humana e pelo exercício pleno da cidadania, fundamentos
estruturantes do atual paradigma de atendimento da criança e do
adolescente. Assim, o modelo democrático e de direito, impõe ao
Governo que a liberdade de opção de adotar ou não adotar ações
expresse a soberania do povo refletida nas leis e na Constituição
Federal, cujo aparato normativo norteará a prevalência da política, as
ações, as metas, as estratégias e o tipo de política (Sauerbronn, s/d. p.
8).
Diante do que está estabelecido pela legislação brasileira, o conselheiro
tutelar tem amparo para agir em benefício da criança e do adolescente,
intermediando a aproximação da instância familiar, social e estatal na construção
e na efetivação de políticas públicas que atendam, cada vez melhor, esta parcela
da sociedade.
TEMA 2 – POLÍTICAS GOVERNAMENTAIS DE ATENDIMENTO À CRIANÇA E
AO ADOLESCENTE
O ECA está dividido em duas partes, a primeira compreende 85 artigos que
compõem o Livro I, que “trata de questões gerais, ou seja, como a Lei deve ser
entendida e qual é o alcance dos direitos que ela elenca. Esse livro também
destaca os cinco direitos fundamentais da população infanto-adolescente” (ANDI,
s/d., p. 1).
O Livro II, formado pelos artigos 86 ao 267, “trata das providências a serem
tomadas quando há desvios das famílias, da sociedade e do Estado em relação
ao que consta no ECA” (ANDI, s/d., p. 1). Nele, são tratados aspectos da política
de atendimento, das medidas de proteção, da prática do ato infracional, das
medidas socioeducativas, da remissão, das medidas pertinentes aos pais ou ao
responsável, do Conselho Tutelar, do acesso à justiça, dos crimes e das infrações
administrativas.
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Nesta aula, serão abordados aspectos sobre a atuação do Estado e da
sociedade no desenvolvimento de políticas públicas voltadas para a criança e o
adolescente.
Conforme já estudado em aulas anteriores, a Resolução n. 113/2006 define
que o Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente:
[...] constitui-se na articulação e integração das instâncias públicas
governamentais e da sociedade civil na aplicação dos instrumentos
normativos e no funcionamento dos mecanismos de promoção, defesa
e controle para a efetivação dos direitos humanos da criança e do
adolescente, nos níveis federal, estadual, distrital e municipal (Conanda,
2006, p.1).
De modo que seja possível a implementação da Doutrina da Proteção
Integral de atendimento ao público infanto-juvenil, no ECA estão previstos tanto
direitos como também os níveis de responsabilidade por violação ou
descumprimento dos direitos assegurados pela Carta Magna de 1988. Visando
sua efetivação, foram indicadas formas de gerenciamento dos recursos públicos,
destacando-se a descentralização político-administrativa e a participação da
sociedade civil nas diferentes instâncias voltadas para a defesa dos direitos da
criança e do adolescente.
Há que se destacar, neste ponto, a importância atribuída pelo ECA ao
Conselho Tutelar, que deve ser eleito pela comunidade e atuar diretamente na
proteção de crianças e adolescentes em situação de risco ou de violação de
direitos, e ao Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente, que tem a
responsabilidade de participar da formulação, do acompanhamento e da avaliação
de políticas que atendam ao estabelecido na legislação. Por meio dessas
instâncias, o poder político passa a ser compartilhado entre o Estado e a
população.
As orientações sobre a política de atendimento estão descritas no ECA a
partir do Art. 86, capítulo 1, ao estabelecer que o atendimento deve ser efetivado
por meio de um conjunto articulado de ações governamentais e não-
governamentais da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios.
Indica também as linhas de ação que devem nortear a política de atendimento ao
adolescente (Art. 87):
I. políticas sociais básicas;
II. políticas e programas de assistência social, em caráter supletivo, para
aqueles que deles necessitem.
III. serviços, programas, projetos e benefícios de assistência social de
garantia de proteção social e de prevenção e redução de violações de
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direitos, seus agravamentos ou reincidências;(Redação dada pela Lei nº
13.257, de 2016)
IV. serviços especiais de prevenção e atendimento médico e
psicossocial às vítimas de negligência, maus-tratos, exploração, abuso,
crueldade e opressão;
V. serviço de identificação e localização de pais, responsável, crianças
e adolescentes desaparecidos;
VI. proteção jurídico-social por entidades de defesa dos direitos da
criança e do adolescente.
VII. políticas e programas destinados a prevenir ou abreviar o período de
afastamento do convívio familiar e a garantir o efetivo exercício do direito
à convivência familiar de crianças e adolescentes; (Incluído pela Lei nº
12.010, de 2009) Vigência
VIII. campanhas de estímulo ao acolhimento sob forma de guarda de
crianças e adolescentes afastados do convívio familiar e à adoção,
especificamente inter-racial, de crianças maiores ou de adolescentes,
com necessidades específicas de saúde ou com deficiências e de grupos
de irmãos. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009, Vigência. Brasil, 2018).
Em síntese, pode-se dizer que as linhas de ação para a política de
atendimento determinadas pela ECA estão apresentadas em quatro níveis,
segundo Claret (s/d. p. 33):
1. Políticas sociais básicas: são aquelas relativas aos direitos de todos e
dever do Estado como acesso à educação, a saúde, ao lazer, aos esportes
e à profissionalização.
2. Políticas de assistência social: dirigidas aos cidadãos que necessitam de
apoio para garantir a satisfação de suas necessidades básicas, como
alimentação, vestuário, abrigamento ou auxílio financeiro.
3. Políticas de proteção especial: voltadas para crianças e adolescentes que
se encontram em situação de risco social, vítimas de maus tratos, violência
sexual, negligência ou em cumprimento de medida socioeducativa.
4. Política de Garantia de Direitos: criação de órgãos e instâncias em todos
os níveis de governo e com a participação da sociedade para zelar pelo
cumprimento do ECA e da Constituição, como os Centros de Defesa dos
Direitos da Criança e o Ministério Público.
TEMA 3 – DIRETRIZES DA POLÍTICA DE ATENDIMENTO INFANTO-JUVENIL
Para a efetivação das ações de política de atendimento, o ECA estabelece,
no Art. 88, as diretrizes que devem nortear sua efetivação. Elas consistem na
municipalização do atendimento, na criação de conselhos municipais dos direitos
da criança e do adolescente, criação de órgãos deliberativos e controladores das
ações em todos os níveis, assegurada a participação popular paritária por meio
de organizações representativas, em conformidade com as leis federais,
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estaduais e municipais, criação e manutenção de programas específicos,
observada a descentralização político-administrativa, manutenção de fundos
nacional, estaduais e municipais vinculados aos respectivos conselhos dos
direitos da criança e do adolescente.
Convém destacar que a primeira diretriz estabelece a municipalização do
atendimento dos direitos, ou seja, o município passa a ter a responsabilidade de
execução das políticas de atendimento. Tal diretriz esvazia significativamente o
poder da União ao promover a descentralização político-administrativa, limitando
a responsabilidade desta à elaboração e coordenação de normas gerais para a
descentralização. Assim:
A execução de programas bem como sua coordenação ficam para os
Estados e os Municípios (no caso da criança e do adolescente, em face
deste art. 88 do Estatuto, o Município tem o poder de escolher a forma
que melhor lhe convém para essa execução). A formulação de políticas
nessa área bem como o controle das ações delas decorrentes, em todos
os níveis, devem ter a constitucionalmente obrigatória participação da
população, através de entidades (Sêda, s/d., p.1).
Deste modo, “foram ampliadas a competência e as responsabilidades dos
municípios e da comunidade, pelo planejamento e pela manutenção dos serviços
básicos de saúde, educação e assistência social” (Claret, s/d. p. 32). Como
desdobramento da primeira diretriz, a segunda diz respeito a:
II. criação de conselhos municipais, estaduais e nacional dos direitos da
criança e do adolescente, órgãos deliberativos e controladores das
ações em todos os níveis, assegurada a participação popular paritária
por meio de organizações representativas, segundo leis federal,
estaduais e municipais (Brasil, 1990).
Ao criar os Conselhos de Direitos da Criança e do Adolescente e de
Fundos, no âmbito da União, dos estados e dos municípios, o ECA indica como
deve ser utilizada a administração dos recursos destinados a essa política aos
atribuir aos conselhos a responsabilidade de supervisionar a aplicação de tais
recursos, em cada esfera da administração pública, bem como assegurar a
transparência das eleições do Conselho Tutelar, fiscalizando, ainda, o seu
funcionamento.
Como desdobramento desta diretriz, em 1991 foi criado o Conselho
Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA) com a Lei n.
8.242/1991, que, por meio de uma gestão compartilhada entre governo e
sociedade civil, tem a responsabilidade de traçar as diretrizes que orientarão a
Política Nacional de Promoção, Proteção e Defesa dos Direitos de Crianças e
Adolescentes. Dele participam, de forma paritária, dez representantes da
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sociedade civil e dez representantes do governo. De acordo com Teixeira (2010,
p. 5):
Alguns dos representantes governamentais são: Ministérios da Justiça,
do Desenvolvimento Social e Combate à Fome - MDS, da Educação,
Saúde, Trabalho, Cultura, Planejamento, Fazenda, Secretaria de
Direitos Humanos da Presidência da República. - SEDH e Casa Civil da
Presidência da República. Dos não-governamentais, pode-se
mencionar: a Pastoral da Criança, o Movimento Nacional de Meninos e
Meninas de Rua, o Centro de Defesa da Criança (CEDECA), Fóruns,
Associações e Conselhos Comunitários. Estes são alguns dos
componentes que representam a sociedade civil no CONANDA
(Teixeira, 2010, p. 5).
No âmbito dos Estados, a lei prevê a criação de conselhos estaduais
(CEDCA) e municipais (COMDICA) dos direitos da criança e do adolescente.
Apesar de estarem vinculados administrativamente ao governo do estado ou do
município, os conselhos têm autonomia para sua atuação, seja para a formulação
ou para acompanhamento da execução das políticas públicas de atendimento à
infância e à adolescência. Quando necessário, o CEDCA e o COMDICA podem
mobilizar a rede de proteção aos direitos de crianças e adolescentes formada
pelos Conselhos Tutelares, pelas Delegacias de Proteção Especial, pelo
Ministério Público, pelas Defensorias Públicas e pelos Juizados Especiais da
Infância e Juventude.
Em âmbito federal, destaca-se que, a partir de 2019, a Secretaria Nacional
dos Direitos da Criança e do Adolescente (SNDCA) passou a ser vinculada ao
Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Este órgão tem a
responsabilidade de conduzir a política nacional de promoção, proteção e defesa
dos direitos das crianças e adolescentes. Tem como função precípua apoiar ações
intersetoriais, interinstitucionais e Interfederativas, promovendo a articulação de
diversos órgãos e sociedade civil (Brasil, 2019). Dentre as políticas coordenadas
pela SNDCA, destacam-se:
o fortalecimento do sistema de garantia de direitos de crianças e
adolescentes; a política nacional de convivência familiar e comunitária;
o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo - Sinase; o
Programa de Proteção de Adolescentes Ameaçados de Morte e as
ações de prevenção e de enfrentamento do abuso e da exploração
sexual. Também deve propor e incentivar a realização de campanhas de
conscientização pública relacionadas aos direitos da criança e do
adolescente. Coordena ainda a produção, a sistematização e a difusão
das informações relativas à criança e ao adolescente, gerenciando os
sistemas de informações sob sua responsabilidade. O Decreto nº 9.122
de 9 de agosto de 2017 lhe atribui a competência de formular, coordenar
e executar políticas e diretrizes voltadas à promoção dos direitos
humanos de crianças e adolescentes (Brasil, s/p., 2019).
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As proposições do governo federal na gestão 2019-2022 estão alinhadas
ao que estabelece o ECA, sendo de responsabilidade do CONANDA a
fiscalização de sua execução, tendo sempre em vista a defesa dos direitos da
população infanto-juvenil.
TEMA 4 – AS ENTIDADES DE ATENDIMENTO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE
Para viabilizar o atendimento de crianças e adolescentes, o ECA
estabelece, por meio do artigo 90, que entidades governamentais e não-
governamentais podem prestar serviços que compreendem os programas de
proteção, contemplando orientação e apoio sócio familiar, colocação familiar,
acolhimento institucional e abrigo.
No caso de programas socioeducativos direcionados a adolescentes em
conflito com a lei, essas entidades podem, ainda, ofertar apoio socioeducativo em
meio aberto, liberdade assistida, prestação de serviços à comunidade,
semiliberdade e internação.
4.1 Programas de Proteção
As entidades que prestam serviço de acolhimento de crianças e
adolescentes, sejam governamentais ou não governamentais, devem ser
organizadas por meio do ECA e do:
Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças
e Adolescentes a Convivência Familiar e Comunitária, da Política
Nacional de Assistência Social; da Norma Operacional Básica de
Recursos Humanos do SUAS, da Norma Operacional Básica do SUAS
e no Projeto de Diretrizes das Nações Unidas sobre Emprego e
Condições Adequadas de Cuidados Alternativos com Crianças
compõem a rede de Serviços de Alta Complexidade do Sistema Único
de Assistência Social (SUAS) (Brasil, 2009, p. 12).
Os princípios que devem nortear a atuação das entidades de acolhimento
familiar ou institucional são os seguintes, conforme Art. 92 do ECA:
I. preservação dos vínculos familiares;
II. preservação dos vínculos familiares e promoção da reintegração
familiar;
III. integração em família substituta, quando esgotados os recursos de
manutenção na família natural ou extensa;
IV. integração em família substituta, quando esgotados os recursos de
manutenção na família de origem;
V. atendimento personalizado e em pequenos grupos;
VI. desenvolvimento de atividades em regime de coeducação;
VII. não desmembramento de grupos de irmãos;
VIII. evitar, sempre que possível, a transferência para outras entidades
de crianças e adolescentes abrigados;
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IX. participação na vida da comunidade local;
X. preparação gradativa para o desligamento;
XI. participação de pessoas da comunidade no processo educativo
(Brasil, 1990).
De acordo com estes princípios, o afastamento do convívio familiar só deve
acontecer quando todos os esforços para manter este vínculo estiverem
esgotados, tanto em relação à família nuclear quanto à família extensa, e que tal
situação represente risco à integridade física e ou emocional para a criança ou o
adolescente. É importante observar que a pobreza ou a escassez de recursos
financeiros não pode ser utilizada como argumento para encaminhar os filhos para
entidades que prestam serviço de acolhimento e privá-los da convivência familiar.
Isso significa que, ao detectar o problema, é necessário que a rede de proteção
seja mobilizada de modo a fortalecer a família, viabilizando sua inserção em
programas de inclusão social e ações comunitárias, favorecendo o acesso à rede
de serviços públicos que auxiliem na melhoria das condições de vida e de
atendimento às necessidades básicas de atendimento à criança e ao adolescente
pela família. Por outro lado, a família:
[...] é também lugar de conflito e pode até mesmo ser o espaço de
violação de direitos. Nessas situações, medidas de apoio deverão ser
tomadas, bem como outras que se mostrem necessárias, de modo a
assegurar o direito da criança e do adolescente de se desenvolver no
seio de uma família, prioritariamente a de origem e, excepcionalmente,
a substituta (Furtado et al., 2015, p.5).
Conforme observado, a separação da criança e/ou do adolescente do
convívio familiar deve acontecer apenas em condições excepcionais, após o
esgotamento de todas as possibilidades de manutenção dessa situação e da
necessidade de se evitar prejuízos maiores para a pessoa de 0 a 18 anos, que se
encontra em condição peculiar de desenvolvimento.
A decisão sobre o acolhimento institucional deve ser tomada apenas
quando esta for a melhor alternativa para se garantir a proteção da criança ou do
adolescente. Desde o primeiro momento, porém, devem ser criadas condições
para que a família de origem possa receber novamente esse membro afastado
por medida protetiva.
Salvo determinação em contrário da autoridade judiciária competente,
as entidades que desenvolvem programas de acolhimento familiar ou
institucional, se necessário com o auxílio do Conselho Tutelar e dos
órgãos de assistência social, estimularão o contato da criança ou
adolescente com seus pais e parentes, em cumprimento ao disposto nos
incisos I e VIII do caput deste artigo (Brasil, 2009).
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Em situações excepcionais, quando a reinserção familiar for inviável, a
criança e ou adolescente pode ser encaminhado para uma família substituta. Todo
este processo deve ser realizado em um período máximo de dois anos, visando a
reinserção dos acolhidos em entidade de proteção a um ambiente familiar.
4.2 Programas socioeducativos
A oferta de programas socioeducativos é amparada pela Lei n. 12.594, de
2012, que instituiu o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase),
regulamentando a execução das medidas socioeducativas destinadas a
adolescentes que cometeram ato infracional, na faixa etária de 12 a 18 anos.
Convém destacar que, nas situações em que uma criança comete ato infracional,
não se aplica medida socioeducativa, e sim medida protetiva. Isto posto, destaca-
se que o Sinase é:
§ 1º o conjunto ordenado de princípios, regras e critérios que envolvem
a execução de medidas socioeducativas, incluindo-se nele, por adesão,
os sistemas estaduais, distrital e municipais, bem como todos os planos,
políticas e programas específicos de atendimento a adolescente em
conflito com a lei (Brasil, 2012).
O Sinase prevê a articulação dos três níveis de governo para suprir todas
as exigências dos programas de atendimento aos adolescentes em conflito com
a lei, favorecendo a intersetorialidade e a corresponsabilidade da família,
sociedade e Estado.
As medidas socioeducativas são aplicadas por autoridade judicial a
adolescentes que cometeram ato infracional, e podem ser cumpridas em
liberdade, em meio aberto ou com privação de liberdade (internação). As medidas
não têm como fim último a punição do adolescente, objetivam a sua (re)inserção
social e o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários.
Segundo o Artigo n. 112º do ECA, as medidas socioeducativas podem ser
de seis tipos: advertência; obrigação de reparar o dano; prestação de serviços à
comunidade; liberdade assistida; inserção em regime de semiliberdade; e
internação em estabelecimento socioeducativo. A responsabilidade do
atendimento dos adolescentes que cumprem medida socioeducativa em meio
aberto é do município e as de semiliberdade ou de privação de liberdade, do
Estado.
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A execução das medidas socioeducativas em meio aberto ou fechado
devem ser regidas pelos princípios estabelecidos no Art. 35 da Lei n. 12.
594/2012:
I. legalidade, não podendo o adolescente receber tratamento mais
gravoso do que o conferido ao adulto;
II. excepcionalidade da intervenção judicial e da imposição de medidas,
favorecendo-se meios de autocomposição de conflitos;
III. prioridade a práticas ou medidas que sejam restaurativas e, sempre
que possível, atendam às necessidades das vítimas;
IV. proporcionalidade em relação à ofensa cometida;
V. brevidade da medida em resposta ao ato cometido, em especial o
respeito ao que dispõe o art. 122 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990
(Estatuto da Criança e do Adolescente);
VI. individualização, considerando-se a idade, capacidades e
circunstâncias pessoais do adolescente;
VII. mínima intervenção, restrita ao necessário para a realização dos
objetivos da medida;
VIII. não discriminação do adolescente, notadamente em razão de etnia,
gênero, nacionalidade, classe social, orientação religiosa, política ou
sexual, ou associação ou pertencimento a qualquer minoria ou status; e
IX. fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários no processo
socioeducativo.
O cumprimento de tais princípios deve ser observado pelo Conselho
Tutelar, que é instituído como órgão público na esfera municipal com caráter
deliberativo, executivo e fiscalizador, eleito pela sociedade, com o objetivo de
zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente, inclusive das
que cometeram ato infracional.
O adolescente em medida de liberdade assistida deve ser encaminhado a
um Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), onde
receberá orientações sobre as medidas aplicadas pelo juiz. Ele também é
informado e encaminhado, caso seja necessário, a outros serviços da assistência
social e a outras políticas públicas. Ele deve ser acompanhamento por uma equipe
multidisciplinar do CREAS durante um período mínimo de seis meses,
preservando-se o seu convívio familiar e comunitário. Caso a medida seja a de
prestação de serviços à comunidade, durante um período máximo de seis meses,
o adolescente deve realizar atividades em instituições assistenciais, escolas,
hospitais ou em programas governamentais, de modo a contribuir positivamente
para sociedade. Estas atividades terão jornadas de, no máximo, oito horas
semanais, de modo a não comprometer a frequência escolar e o seu
desenvolvimento social, físico e psicossocial. Sobre esta questão, é importante
que o Conselheiro Tutelar observe se as medidas socioeducativas aplicadas têm:
[...] um cunho pedagógico, para que se garanta a observância na escolha
das tarefas a serem desempenhadas pelo adolescente, o respeito às
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suas aptidões, bem como a investigação das causas de seu
envolvimento na prática de atos infracionais, avaliação de sua situação
familiar, garantindo assim um acompanhamento individualizado capaz
de levá-lo à reflexão sobre as vantagens de substituir o rumo da
delinquência pela capacitação para o desenvolvimento de aptidões que
lhe torne um cidadão consciente para condução de sua vida e útil à
sociedade onde está inserido (Brasil, 2015, p. 1).
Como forma de sistematizar o trabalho realizado junto ao adolescente, o
CREAS tem a responsabilidade de encaminhar para a autoridade judicial relatório
sobre o desempenho do adolescente no cumprimento da medida. De acordo com
o teor do relatório, o juiz pode extinguir a medida ou determinar a privação de
liberdade por descumprimento.
Sobre o cumprimento de medida socioeducativa de internação, Stevam
(2009, p.71) afirma
[...] o que predomina nessa prática é um atendimento que desapropria o
adolescente de sua autoestima, restringindo suas alternativas de
reconhecimento social apenas ao papel de delinquente, perpetuando a
mesma inacessibilidade aos direitos mais básicos a que estão
acostumados no seu cotidiano (Stevam, 2009, p.71).
As pesquisas de Alves de Souza e Costa (2013, p. 286) indicam que,
apesar de a internação ser a última medida a ser aplicada ao adolescente infrator,
esta tem sido:
[...] a única medida que consegue garantir minimamente o que o ECA
preconiza, ou seja, escola, profissionalização, lazer, saúde,
acompanhamento psicossocial etc. Ou seja, parece que há um
investimento muito maior na internação do que nas demais medidas, que
são consideradas as que possuem maiores chances de “transformar” o
adolescente e suas condutas, mas que, ao serem pouco valorizadas,
não produzem os resultados almejados (Alves de Souza; Costa, 2013,
p. 286).
Isso ocorre segundo as autoras porque não se investe satisfatoriamente
nas medidas em meio aberto. Isso resulta no não cumprimento da medida ou no
cometimento de outro ato infracional pelo adolescente, e que culminará com a sua
internação. Para acompanhar a realidade de cada município, o Conselheiro
Tutelar pode verificar a atuação do COMDICA, que tem funções deliberativas e
de controle desta política do Sistema Municipal de Atendimento Socioeducativo,
bem como a incumbência de manter o registro das inscrições das entidades que
atuam na prestação deste serviço e de alterações no atendimento por elas
propostas.
A Lei n. 12.594/2012, no Art. 5º, determina que compete aos Municípios:
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I. formular, instituir, coordenar e manter o Sistema Municipal de
Atendimento Socioeducativo, respeitadas as diretrizes fixadas pela
União e pelo respectivo Estado;
II. elaborar o Plano Municipal de Atendimento Socioeducativo, em
conformidade com o Plano Nacional e o respectivo Plano Estadual;
III. criar e manter programas de atendimento para a execução das
medidas socioeducativas em meio aberto;
IV. editar normas complementares para a organização e funcionamento
dos programas do seu Sistema de Atendimento Socioeducativo;
V. cadastrar-se no Sistema Nacional de Informações sobre o
Atendimento Socioeducativo e fornecer regularmente os dados
necessários ao povoamento e à atualização do Sistema; e
VI. cofinanciar, conjuntamente com os demais entes federados, a
execução de programas e ações destinados ao atendimento inicial de
adolescente apreendido para apuração de ato infracional, bem como
aqueles destinados a adolescente a quem foi aplicada medida
socioeducativa em meio aberto.
§ 1º Para garantir a oferta de programa de atendimento socioeducativo
de meio aberto, os Municípios podem instituir os consórcios [...] ou
qualquer outro instrumento jurídico adequado, como forma de
compartilhar responsabilidades (Brasil, 2012).
As medidas socioeducativas de privação de liberdade podem ser aplicadas
a adolescentes autores de atos infracionais por autoridade judicial baseada em:
[...] três princípios básicos: 1) brevidade: sem tempo determinado, sua
manutenção é reavaliada no máximo a cada seis meses e jamais
excederá a três anos; 2) excepcionalidade admitida somente em três
hipóteses: ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência
à pessoa; reiteração no cometimento de outras infrações graves;
descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente
imposta; 3) respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento:
ao Estado compete zelar por sua integridade física e moral, para isso
adotando medidas apropriadas de contenção e segurança (Estevam,
2009, p.65).
As instituições que atendem adolescentes em privação de liberdade são de
responsabilidade dos Estados e do Distrito Federal, conforme determina a Lei n.
12.594/2012, Art. 4º, que terão a incumbência de:
I. formular, instituir, coordenar e manter Sistema Estadual de
Atendimento Socioeducativo, respeitadas as diretrizes fixadas pela
União;
II. elaborar o Plano Estadual de Atendimento Socioeducativo em
conformidade com o Plano Nacional;
III. criar, desenvolver e manter programas para a execução das medidas
socioeducativas de semiliberdade e internação;
IV. editar normas complementares para a organização e funcionamento
do seu sistema de atendimento e dos sistemas municipais;
V. estabelecer com os Municípios formas de colaboração para o
atendimento socioeducativo em meio aberto;
VI. prestar assessoria técnica e suplementação financeira aos
Municípios para a oferta regular de programas de meio aberto;
VII. garantir o pleno funcionamento do plantão interinstitucional, nos
termos previstos no inciso V do art. 88 da Lei no 8.069, de 13 de julho
de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente);
VIII. garantir defesa técnica do adolescente a quem se atribua prática de
ato infracional;
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IX. cadastrar-se no Sistema Nacional de Informações sobre o
Atendimento Socioeducativo e fornecer regularmente os dados
necessários ao povoamento e à atualização do Sistema; e
X. cofinanciar, com os demais entes federados, a execução de
programas e ações destinados ao atendimento inicial de adolescente
apreendido para apuração de ato infracional, bem como aqueles
destinados a adolescente a quem foi aplicada medida socioeducativa
(Brasil, 2012).
No âmbito estadual, compete ao Conselho Estadual dos Direitos da Criança
e do Adolescente as funções deliberativas e de controle do Sistema Estadual de
Atendimento Socioeducativo.
TEMA 5 – A FISCALIZAÇÃO DE ENTIDADES DE ATENDIMENTO À CRIANÇA E
AO ADOLESCENTE
As entidades que ofertam serviços de proteção e socioeducativos são
responsáveis pelo planejamento e execução de programas destinados a crianças
e adolescentes, bem como pela manutenção de suas unidades de funcionamento
(Art. 90, Brasil, 1990).
Os dirigentes das entidades que atuam no acolhimento institucional são
equiparados ao guardião para todos os efeitos de direitos, conforme preconiza a
Lei n. 12.010/2009. Dentre as suas responsabilidades, destaca-se o envio
semestral de relatório circunstanciado de cada criança ou adolescente e de sua
família para a autoridade judiciária reavaliar a condição e tomar as providências
necessárias que melhor atendam aos seus direitos.
É importante destacar que, apenas em caráter excepcional e emergencial,
as entidades de acolhimento podem “abrigar crianças e adolescentes sem prévia
determinação da autoridade competente, fazendo comunicação do fato em até 24
(vinte e quatro) horas ao Juiz da Infância e da Juventude, sob pena de
responsabilidade (Art. 93, redação dada pela Lei n. 12.010, de 2009). Caberá,
então, à autoridade judiciária, a tomada de decisão sobre as providências
necessárias para a reintegração da criança ou do adolescente à família e, na
impossibilidade dessa, o seu encaminhamento para entidades que ofertam
programas de “acolhimento familiar, institucional ou família substituta” (§ 2º do art.
101 do ECA, incluído pela Lei n. 12.010, de 2009).
As entidades, públicas ou privadas, que abriguem ou recepcionem crianças
e adolescentes, ainda que em caráter temporário, devem ter, em seus quadros,
profissionais capacitados a reconhecer e reportar ao Conselho Tutelar suspeitas
ou ocorrências de maus-tratos (Incluído no ECA pela Lei n. 13.046, de 2014).
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O cumprimento de todas as exigências legais pelas entidades que
desenvolvem programas de acolhimento familiar ou institucional viabilizará ao
recebimento de recursos públicos pela instituição (§ 5º, incluído pela Lei n. 12.010,
de 2009).
Para qualificar os profissionais que atuam nesta área, o ECA determina que
os entes federados devem promover, por meio do executivo e do judiciário, a
formação permanente de todos os que direta ou indiretamente atuem em
programas de acolhimento institucional e ou destinados à colocação familiar de
crianças e adolescentes, incluindo membros do Poder Judiciário, Ministério
Público e Conselho Tutelar (§3º). Este é um exemplo de atuação preventiva que
pode ser proposta e desenvolvida pelo Conselho Tutelar junto aos profissionais
que atuam nas entidades existentes no seu município de atuação.
Cada entidade que presta serviço de acolhimento infanto-juvenil tem as
suas especificidades e todas têm a responsabilidade de zelar pelo bem-estar e
pelo desenvolvimento dos seus acolhidos. Além disso, o ECA destaca que:
§ 7º Quando se tratar de criança de 0 (zero) a 3 (três) anos em
acolhimento institucional, dar-se-á especial atenção à atuação de
educadores de referência estáveis e qualitativamente significativos, às
rotinas específicas e ao atendimento das necessidades básicas,
incluindo as de afeto como prioritárias. (Incluído pela Lei n. 13.257, de
2016).
Conforme o parágrafo 6º, caso haja descumprimento das disposições
estabelecidas no ECA pelo dirigente de entidade, este será destituído do cargo,
“sem prejuízo da apuração de sua responsabilidade administrativa, civil e criminal”
(Incluído no ECA pela Lei n. 12.010, de 2009).
Todas as entidades que têm como foco o atendimento de crianças e
adolescentes podem ser fiscalizadas a qualquer tempo, seja pelo Judiciário, pelo
Ministério Público, e esta também é uma das atribuições do Conselheiro Tutelar
(Calixto, s/d., p.1).
As entidades governamentais de atendimento que descumprirem as
normas estabelecidas pelo ECA poderão receber desde uma advertência até a
interdição ou fechamento da unidade. No caso de entidades não-governamentais,
as sanções podem ser advertência, suspensão total ou parcial do repasse de
verbas públicas, interdição de unidades ou suspensão de programa até a
cassação do registro. E em caso de reincidência, podem ser extintas por uma
autoridade judiciária (idem, 2009).
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A temática discutida nesta aula teve como objetivo subsidiar a atuação do
Conselheiro Tutelar na observância da atuação das entidades governamentais e
não-governamentais que prestam serviço de acolhimento de crianças e
adolescentes no município.
A referência para a fiscalização destas entidades é o Estatuto da Criança e
do Adolescente (1990) no denominado Livro II, o qual teve inúmeras inclusões de
normativas complementares para que o texto contemplasse melhor as
especificidades do atendimento nestas instituições.
Após o estudo desta aula, o Conselheiro Tutelar pode refletir sobre a
realidade das entidades de acolhimento existentes em seu município de atuação,
observando quantas e quais são as suas prioridades, suas qualidades e
deficiências, suas necessidades, tendo sempre em vista a defesa dos direitos da
criança e do adolescente.
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