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Metrizabilidade em Espaços Topológicos

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25.

Espaços metrizáveis
Lembremos que um espaço topológico X é metrizável se existe uma métrica
em X que define a topologia de X. É claro que cada subespaço de um espaço
metrizável é metrizável.
25.1. Proposição. Seja {Xi : i ∈ I} uma Q famı́lia não vazia de espaços
topológicos não triviais. Então o produto X = i∈I Xi é metrizável se e só se
cada Xi é metrizável e I é enumerável.
Demonstração. (⇒) Suponhamos que X seja metrizável. Como cada Xi
é homeomorfo a um subespaço de X, segue que cada Xi é metrizável. Como X
satisfaz o primeiro axioma de enumerabilidade, I é enumerável, pela Proposição
20.5.
(⇐) Suponhamos que cada Xi seja metrizável, e que I seja enumerável.
Sem perda de generalidade podemos supor que I = N. Para cada n ∈ N seja
dn uma métrica em Xn que define a topologia de Xn . Pelo Exercı́cio 25.B
podemosQsupor que cada dn é limitada por 1. Dados x = (xn )∞ ∞
n=1 e y = (yn )n=1

em X = n=1 Xn , definamos

X
d(x, y) = 2−n dn (xn , yn ).
n=1

É claro que d é uma métrica em X. Provemos que d define a topologia de X.


Por um lado, dado  > 0, seja N ∈ N tal que

X 
2−n < ,
2
n=N +1

e seja
N ∞
Y  Y
V = Bdn (xn ; )× Xn .
n=1
2N
n=N +1

Então V é uma vizinhança de x em X e é fácil ver que V ⊂ Bd (x; ).


Por outro lado, seja U uma vizinhança aberta básica de x em X, ou seja
N
Y ∞
Y
U= Bdn (xn ; δn ) × Xn .
n=1 n=N +1

Se definimos
δ = min{2−n δn : n = 1, ..., N },
então é fácil verificar que Bd (x; ) ⊂ U .

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25.2. Teorema de metrizabilidade de Urysohn. Para um espaço T1
as seguintes condições são equivalentes:
(a) X é metrizável e separável.
(b) X é regular e satisfaz o segundo axioma de enumerabilidade.
(c) X é homeomorfo a um subespaço do produto [0, 1]N .
Demonstração. As implicações (a) ⇒ (b) e (c) ⇒ (a) são imediatas. A
primeira segue da Proposição 20.4, e a segunda segue das Proposições 25.1 e
20.7.
Para provar que (b) ⇒ (c), seja B uma base enumerável para a topologia de
X, e seja
C = {(U, V ) ∈ B × B : U ⊂ V }.
Pela Proposição 20.3 X é um espaço de Lindelöf. Pelo Teorema 20.8 X é
um espaço normal. Daı́, para cada (U, V ) ∈ C existe uma função contı́nua
fU V : X → [0, 1] tal que

fU V (U ) ⊂ {0} e fU V (X \ V ) ⊂ {1}.

Seja
F = {fU V : (U, V ) ∈ C}.
Afirmamos que F separa pontos de fechados. De fato seja A um fechado em X,
e seja b ∈ X \ A. Seja V ∈ B tal que b ∈ V ⊂ X \ A. Como X é regular, existe
um aberto U1 em X tal que

b ∈ U1 ⊂ U1 ⊂ V ⊂ X \ A.

Seja U ∈ B tal que b ∈ U ⊂ U1 . Segue que

b∈U ⊂U ⊂V ⊂X \A

e portanto (U, V ) ∈ C. Segue que

fU V (b) ∈ fU V (U ) ⊂ {0} e fU V (A) ⊂ fU V (X \ V ) ⊂ {1}.

Pelo Corolário 19.15 a avaliação

 : x ∈ X → (f (x))f ∈F ∈ [0, 1]F

é um mergulho. Como F é enumerável, temos provado (c).


25.3. Corolário. A imagem contı́nua de um espaço métrico compacto em
um espaço de Hausdorff é metrizável.
Demonstração. Seja X um espaço métrico compacto, seja Y um espaço
de Hausdorff, e seja f : X → Y contı́nua e sobrejetiva. Então Y é compacto
e portanto regular. Pelo Teorema 25.2, para provar que Y é metrizável, basta
provar que Y satisfaz o segundo axioma de enumerabilidade.

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Seja B uma base enumerável para a topologia de X. Seja C a famı́lia das
uniões finitas de membros de B, e seja

D = {Y \ f (X \ U )}.

D é uma famı́lia enumerável de abertos de Y . Provaremos que D é uma base para


a topologia de Y . Seja V aberto em Y , e seja y ∈ V . Então f −1 (y) ⊂ f −1 (V ),
f −1 (y) é compacto, e f −1 (V ) é aberto em X. Usando a compacidade de f −1 (y)
podemos achar U1 , ..., Un ∈ B tais que

f −1 (y) ⊂ U1 ∪ ... ∪ Un ⊂ f −1 (V ).

Seja U = U1 ∪ ... ∪ Un . Então U ∈ C e é fácil verificar que

y ∈ Y \ f (X \ U ) ⊂ V.

Logo D é uma base enumerável para a topologia de Y .


O teorema de Urysohn caracteriza os espaços topológicos que são metrizáveis
e separáveis. Há outro teorema, mais geral, que caracteriza os espaços topológicos
que são apenas metrizáveis. Não veremos esse teorema aqui.

Exercı́cios
25.A. Prove que as seguintes funções são crescentes:
(a) f (t) = t/(1 + t) (t ≥ 0).
(b) g(t) = t/(1 − t) (0 ≤ t < 1).

25.B. Seja d uma métrica em um conjunto X, e seja d1 : X × X → R


definida por
d(x, y)
d1 (x, y) = .
1 + d(x, y)
(a) Prove que d1 é uma métrica em X.
(b) Prove que as métricas d e d1 definem os mesmos abertos em X.
Sugestão: Use o exercı́cio anterior.
25.C. Seja X um espaço métrico localmente compacto, e seja X ∗ a
compactificação de Alexandroff de X. Prove que as seguintes condições são
equivalentes:
(a) X é separável.
S∞
(b) X = n=1 Kn , com Kn compacto e Kn ⊂ (Kn+1 )◦ para cada n.
(c) X ∗ é metrizável.

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