Psicologia "[...
] vem do grego psyché, que significa alma, e de logos,
que significa razão. Portanto, etimologicamente, psicologia significa
'estudo da alma'" (Bock; Furtado; Teixeira, 1999, p. 32-33).
O campo psicológico constitui uma ciência com o objetivo de explicar
como o ser humano pode conhecer e interpretar a si mesmo, assim
como interpretar e conhecer o mundo em que vive, incluindo a
interação entre indivíduos, a relação com a natureza, objetos e os
sistemas sociais, econômicos e políticos aos quais estão
inseridos. Seu objeto de estudo está centralizado nos seres vivos que
estabelecem trocas simbólicas com o meio ambiente.
A história da Psicologia abrange cerca de dois milênios, com raízes
filosóficas e fisiológicas. As raízes remontam aos grandes filósofos da
Grécia antiga, como Sócrates, Platão e Aristóteles, que levantaram
questões fundamentais sobre a vida mental, como a natureza da
consciência, se as pessoas são inerentemente racionais ou irracionais
e a existência do livre-arbítrio (Hoeksema et al., 2012, p. 5).
Na filosofia, diversas concepções sobre o conhecimento buscam
explicações apoiando-se em outras ciências, como a Psicologia.
Schultz e Schultz (2014) afirmam que o interesse pela psicologia
remonta aos primeiros pensadores, resultando em obras filosóficas
motivadas pelo fascínio pelo nosso próprio comportamento e
especulações sobre a natureza e conduta humanas (Schultz; Schultz,
2014, p. 15). A filosofia busca o conhecimento racional das coisas e
dos seres humanos, com raízes nos filósofos gregos, especialmente
Platão (400 a.C.), continuando o debate sobre esse conceito com
René Descartes (século XVII), John Locke (século XVII), David Hume
(século XVIII) e Immanuel Kant (século XVIII).
A Psicologia também tem suas raízes nos conhecimentos fisiológicos,
Hipócrates, o "pai da medicina", contemporâneo de Sócrates,
contribuiu significativamente para o desenvolvimento da Psicologia
ao estudar as funções do organismo vivo, especialmente as relações
entre o cérebro e os órgãos. Suas observações fundamentais
lançaram as bases para a perspectiva biológica na Psicologia
(Hoeksema et al., 2012, p. 5).
Observe a figura a seguir:
Figura 1 | Raízes da psicologia moderna. Fonte: Freitas, Pinto e
Ferronato (2016).
Platão e Descartes concebiam a inteligência racional como inata,
sendo para Descartes a "assinatura do Criador na criatura". Essa
visão fundamentou o racionalismo de Descartes, que preconizava que
a verdade só poderia ser conhecida através do uso da razão. Em
contrapartida, Locke e Hume argumentavam que nascemos com a
mente como uma "tábula rasa", defendendo que a experiência molda
nossas mentes, imprimindo nelas um conjunto de conhecimentos
(Chauí, 1995, p. 71).
Descartes (1596-1650) adotava uma perspectiva inatista, o
conhecimento já nasce com o sujeito e irá amadurecer com o tempo.
Ele propunha uma abordagem dualista, distinguindo a mente (mundo
mental) do corpo (mundo material ou físico). Essa visão implicava que
essas entidades têm naturezas distintas, embora interajam entre si
(Schultz; Schultz, 2014).
No cenário britânico, John Locke (1632-1704), alinhado ao empirismo,
defendia que a mente se desenvolve progressivamente pela
acumulação de experiências sensoriais. Ele acreditava que, ao
nascermos, a mente é uma página em branco enriquecida por
experiências sensoriais, fundamentando assim a ideia de que todo
conhecimento tem origem em experiências empíricas (empirismo)
(Schultz; Schultz, 2014, p. 44).
David Hume (1711-1776), também defensor do empirismo, concebia
a mente como um fluxo de ideias e introduziu as leis de associação,
destacando a semelhança ou similaridade e a contiguidade no tempo
e espaço. Ele afirmava que quanto mais semelhantes e próximas no
tempo e espaço, mais prontamente duas ideias se associam (Schultz;
Schultz, 2014, p. 49). Resumidamente, Hume enfatizava a associação
de ideias como a base fundamental para o entendimento humano.
Posteriormente, os pressupostos filosóficos de Kant (1724-1804)
revolucionaram essas concepções. A abordagem epistemológica de
Kant foi um divisor de águas. Ele compreende o conhecimento como
algo derivado da razão, não sendo inato nem adquirido por meio da
experiência. A razão, preexistente à experiência, é uma estrutura
vazia, igual e universal para todos. As experiências fornecem os
conteúdos, e a razão confere a esses conteúdos sua forma.
Esse debate ainda persiste nos dias atuais. Hoeksema et al. (2012)
classifica esse debate como natureza/criação, ou seja, se as
capacidades humanas são inatas ou adquiridas. A visão da natureza
sustenta que o ser humano possui um estoque inato de conhecimento
e compreensão da realidade. Por outro lado, a visão de criação
argumenta que o conhecimento é adquirido por meio de experiências
e interações com o meio.
No século XIX, a ciência torna-se crucial para explicar diversos
fatores, como os sociais, físicos, naturais e comportamentais. Isso se
deve à insuficiência das explicações exclusivamente religiosas e
abstratas. A transformação econômica e social, impulsionada pela
consolidação do capitalismo, também implica o avanço da ciência.
Nesse contexto, a Psicologia emerge como uma disciplina científica,
desvinculando-se progressivamente dos conhecimentos filosóficos. A
psicologia moderna, originária na Alemanha no final do século XIX,
teve um marco importante com a fundação do "Laboratório de
Psicologia Experimental", em Leipzig, por Wilhelm Wundt, em 1879.
Ele é considerado o fundador da psicologia experimental, focando em
processos mentais conscientes por meio de observação sistemática e
introspecção.
Wundt estabeleceu objetivos para a psicologia experimental,
incluindo a análise dos processos conscientes, a determinação de
seus elementos básicos, o estudo de sua síntese e organização e a
descoberta das leis de conexão que governavam sua orientação.
Wundt e outros estudiosos, como Weber, Fechner, Edward B.
Titchener e William James, estabeleceram novos padrões para a
psicologia. Eles buscaram definir o objeto de pesquisa, delimitar o
campo de estudo em relação a outras áreas, formular métodos de
estudo e desenvolver teorias consistentes (Bock; Furtado; Teixeira,
2008, p. 41).
Apesar de ter surgido na Alemanha, os estudos da psicologia
científica crescem nos Estados Unidos, onde surgiram as primeiras
abordagens, existentes até os dias atuais. São elas: o Estruturalismo
(Edward Titchener), o Funcionalismo (William James) e o
Associacionismo (Edward Thorndike). Vamos conhecê-las:
Estruturalismo: formulado por Titchener (psicólogo treinado
por Wundt), possui como ramo de pesquisa a análise das
estruturas mentais. O problema da Psicologia era a análise dos
fenômenos mentais que Titchener dividiu em três classes:
sensações, imagens e sentimentos (Carpigiani, 2010, p. 64).
Funcionalismo: em 1890, Willian James definiu a Psicologia
como “a ciência da vida mental, abrangendo tanto seus
fenômenos como as suas condições”. O Funcionalismo teve
como propósito compreender o comportamento e suas inter-
relações, como também compreender a consciência (Carpigiani,
2010, p. 64).
Associacionismo: traz como principal representante Edward
Thorndike. Essa corrente psicológica traz como concepção a
aprendizagem que acontece por meio de um processo de
associação de ideias, em que o indivíduo deve partir das mais
simples de um determinado tema, indo até as mais complexas.
Você percebeu que a Psicologia, enquanto ciência, vem evoluindo?
Perceba que definir o objeto de pesquisa dessa ciência não é tão
simples, pois a Psicologia estuda o ser humano e há muitas
concepções sobre o assunto.
Na nossa disciplina, vamos adotar um olhar de pesquisador,
conhecendo as diferentes concepções e compreendendo
O homem em todas as suas expressões, as visíveis (nosso
comportamento) e as invisíveis (nossos sentimentos, cognições e
motivações), as singularidades (porque somos o que somos) e as
generalidades (porque somos todos assim) – é o homem-corpo,
homem-pensamento, homem-afeto, homem-ação e tudo isso está
sintetizado no termo subjetividade. (Bock; Furtado; Teixeira, 2008, p.
23)
As primeiras correntes psicológicas que se desenvolveram foram o
estruturalismo e o funcionalismo. Tanto uma quanto a outra fizeram
grandes contribuições para o campo da Psicologia. Atualmente,
psicólogos estudam a estrutura e a função do consciente de forma
conjunta.
Vamos lembrar que o estruturalismo possui como ramo de pesquisa a
análise das estruturas mentais. O problema da Psicologia era a
análise dos fenômenos mentais que Titchener dividiu em três classes:
sensações, imagens e sentimentos. O funcionalismo teve como
propósito compreender o comportamento e suas inter-relações, como
também compreender a consciência.
Agora reflita: qual é a importância do estudo das correntes do
estruturalismo e funcionalismo?
Resolução
As primeiras correntes filosóficas trouxeram grandes contribuições
para o estudo da Psicologia enquanto ciência. Com o avanço dos
estudos no decorrer da história, percebe-se que o homem deve ser
estudado pertencente a um grupo que envolve questões biológicas,
culturais, sociais e históricas.
A aula da professora Valéria deixa claro como o sujeito é complexo e
como suas emoções, seus sentimentos, sua afetividade e sua
resolução de conflitos estão interligados com as demais dimensões do
indivíduo.
Você pode expressar sua reflexão em forma de charge, desenho,
esquemas, texto, utilizando recursos tecnológicos, enfim, resgatando
o conceito de rede de aprendizagens para criar diversas formas de
aprendizagem e compartilhar o conhecimento adquirido.
Faça você mesmo! Lembre-se de um caso real, com você, família,
amigos ou conhecidos que se encaixa no conceito de indivíduo
interligado por várias dimensões.