FACULDADE DA REGIÃO SISALEIRA
Portaria de Credenciamento do MEC nº. 541, de 21 de Junho de 2016.
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TRABALHO DIREITO INTERNACIONAL - UNIDADE II
CURSO: DIREITO SEMESTRE: 8º SEMESTRE LETIVO: 202 4.2
DOCENTE: RAIANNA DE ARAÚJO COSTA DATA: 26/11/24
DISCENTES: Gustavo Henry, Heitor Reis VALOR: 4,0
NOTA:
QUESTÃO 01 (0,75)
Carlos, cidadão brasileiro, casou-se com Anna, cidadã sueca, na Suécia. O casal residiu por 5 anos em
Estocolmo, mas Anna decidiu se mudar para o Brasil e, durante a estadia no país, entrou com pedido de
divórcio alegando que o casamento estava irremediavelmente desgastado. Carlos, no entanto, não concorda
com o divórcio e afirma que as questões relacionadas à dissolução do casamento devem ser tratadas na Suécia,
onde o matrimônio foi celebrado. Com base na Lei de Introdução ao Direito Brasileiro (LINDB) e no contexto
de Direito Internacional Privado, como deve ser resolvido o conflito de jurisdição e qual a lei aplicável para o
caso de divórcio? Justifique.
R: De acordo com o artigo 7º da LINDB, A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre
o começo e o fim da personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família. O Brasil pode ser
considerado competente para julgar o divórcio do casal, vide um dos cônjuges é brasileiro e reside no Brasil.
QUESTÃO 02 (0,75)
Pedro, empresário brasileiro, firmou um contrato de fornecimento de mercadorias com uma empresa norte-
americana, localizada na cidade de Nova York. O contrato foi assinado em Miami, durante uma reunião de
negócios, e não especifica qual jurisdição será competente para resolver eventuais conflitos. Após alguns
meses, Pedro constatou que as mercadorias entregues não atendiam às especificações contratadas e busca uma
resolução de disputa judicial. Considerando os elementos do caso, qual é a lei aplicável ao contrato e qual país
tem competência para resolver o litígio? Justifique.
R: A regra da lex loci celebrationis sugere que a lei do local onde o contrato foi celebrado (neste caso, a
Flórida, EUA) poderia ser aplicada. Contudo, se as partes não especificaram uma lei aplicável no contrato,
essa regra pode não ser suficiente para determinar a legislação que regerá o contrato. Como a entrega das
mercadorias estão sendo cumpridas no Brasil, a lei brasileira (lex loci executionis) pode ser considerada.
Quanto à competência jurisdicional, Pedro pode optar por ajuizar uma ação no Brasil, onde há uma conexão
significativa com o caso (entrega das mercadorias), ou na jurisdição dos Estados Unidos.
QUESTÃO 03 (0,75)
João, brasileiro que vive na Alemanha há 15 anos, sofreu um acidente de trabalho em Berlim. Ele já havia
contribuído para a Previdência Social brasileira antes de emigrar. Agora, João deseja receber benefícios
previdenciários tanto da Alemanha quanto do Brasil, em função das contribuições feitas em ambos os países.
Assinatura do aluno:______________________________________________________
João questiona a possibilidade de acumular os benefícios de ambas as nações. Qual é a solução para
o caso, levando em consideração a Lei de Introdução ao Direito Brasileiro e os acordos internacionais de
seguridade social entre os países? Justifique a competência e a legislação aplicável.
R: João pode solicitar benefícios previdenciários tanto da Alemanha quanto do Brasil, utilizando o tempo de
contribuição acumulado nos dois países. Ele deve seguir os procedimentos estabelecidos por cada órgão
previdenciário e estar ciente de que os valores dos benefícios serão proporcionais ao tempo contribuído em
cada nação. O Acordo Bilateral facilita esse processo e garante que seus direitos sejam respeitados em ambos
os sistemas previdenciários.
QUESTÃO 04 (0,75)
Martim, cidadão português, faleceu em Paris, deixando um testamento em que destinava todos os seus bens
para seu filho, residente no Brasil. Porém, uma sobrinha do falecido, residente em Portugal, também alega ser
herdeira legítima. O patrimônio de Martim está localizado tanto em Portugal quanto no Brasil. A sobrinha
questiona a validade do testamento feito no Brasil e pede que a sucessão seja tratada conforme a legislação
portuguesa. Como a questão deve ser resolvida? Justifique sua resposta.
R: A sucessão de Martim envolve bens no Brasil e em Portugal, o que exige a aplicação de normas de direito
internacional privado. Os bens localizados no Brasil seguem a legislação brasileira, enquanto os bens em
Portugal obedecem à legislação portuguesa.
Martim fez um testamento no Brasil deixando tudo para seu filho, mas sua sobrinha, residente em Portugal,
alega direito à herança com base nas leis portuguesas, que protegem herdeiros legítimos, como ela. Assim, o
testamento será válido para os bens no Brasil, mas a sobrinha pode ter direito a parte dos bens em Portugal,
conforme as normas locais.
A solução divide a sucessão: no Brasil, prevalece o testamento; em Portugal, aplicam-se as regras de herança
legítima.
QUESTÃO 05 (0,5)
Camila, residente no Brasil, deseja adotar um menor de idade, residente na Argentina. O processo de adoção é
iniciado, mas a Argentina questiona a compatibilidade da legislação brasileira com os requisitos legais
argentinos para adoção internacional. Considerando as regras da Lei de Introdução ao Direito Brasileiro e a
Convenção de Haia sobre Adoção Internacional, qual é a competência dos tribunais e a legislação aplicável
para a adoção internacional no caso descrito? Justifique sua resposta.
R: No caso de Camila, que deseja adotar uma criança na Argentina, os tribunais brasileiros são os
responsáveis pelo processo, já que ela reside no Brasil. A legislação brasileira será aplicada para os aspectos
relacionados à adotante, mas também será necessário seguir as regras da Convenção de Haia sobre Adoção
Internacional, que garante a proteção dos direitos da criança e exige a cooperação entre os países. A
Argentina, como país de origem da criança, deve autorizar a adoção, respeitando suas próprias leis, mas
sempre com o foco no melhor interesse do menor.
QUESTÃO 06 (0,5)
Ricardo, brasileiro, foi acusado de fraude fiscal e fugiu para os Estados Unidos. As autoridades brasileiras
solicitaram sua extradição, mas Ricardo argumenta que, como o crime é apenas fiscal, ele não deve ser
extraditado para o Brasil. A extradição é solicitada com base em um tratado bilateral entre os dois países. Com
base na Lei de Introdução ao Direito Brasileiro e nas normas de extradição, qual é a solução para o caso?
Justifique qual país tem competência para julgar Ricardo e qual a legislação aplicável à extradição.
R: O Brasil é o país competente para julgar Ricardo, já que o crime foi cometido em seu território e envolve
violação das leis brasileiras. A extradição dependerá do tratado entre Brasil e Estados Unidos, que define se
crimes fiscais podem justificar a entrega de um fugitivo. Além disso, é necessário que o crime seja
considerado ilegal nos dois países. Se o tratado permitir a extradição, Ricardo será enviado ao Brasil para
ser julgado. Caso contrário, ele permanecerá nos EUA, e o Brasil terá que buscar outras formas legais para
responsabilizá-lo.
Assinatura do aluno:______________________________________________________