**CAPÍTULO 7**
**ONDAS NA SUPERFÍCIE**
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—Em primeiro lugar, em nome da cidade de Pristella, agradeço a todos pelos esforços
extraordinários para proteger nosso lar. Palavras não são suficientes para expressar
nossa gratidão.
Como representante da administração da cidade, Kiritaka Muse curvou-se
profundamente.
Diante dele estavam as candidatas reais e seus seguidores que participaram da defesa
da cidade. No total, cerca de cinquenta pessoas se reuniram para o relatório pós-
batalha.
Claro, cada grupo tinha alguns assentos vazios, assim como Otto e Garfiel estavam
ausentes do lado de Emilia. Mesmo assim, a maioria dos envolvidos havia se reunido.
No meio daquela ilustre assembleia, o primeiro a responder foi Subaru.
—A gratidão é muito bem-vinda, mas você também fez bem em sair em segurança,
Kiritaka. Ouvi dizer que você foi levado quando Sirius atacou a Companhia Muse…
—Eu estava resolvido a morrer ali. Na verdade, se a Arcebispa quisesse me matar, eu já
estaria morto há muito tempo.
—Sirius não queria matá-lo?
Subaru não foi o único pego de surpresa por aquilo. Cerca de metade das pessoas na
sala pareciam igualmente chocadas. Esperando que os murmúrios se acalmassem,
Kiritaka assentiu com uma expressão confusa.
—Minha própria vida é a prova de que ela não tinha intenção de me matar. Claro,
também fui ajudado pela luta corajosa dos meus subordinados e pelos Caninos de
Ferro de Lady Anastasia, mas…
—Mas isso não é o suficiente para escapar de uma Arcebispa.
—De fato.
Kiritaka baixou os olhos, vexado com a conclusão de Subaru.
Subaru entendia bem aquele sentimento de impotência. A autocensura era como um
veneno que corroía o coração.
—Mas por que Sirius o deixou vivo? Se esse fosse o caso, ela poderia simplesmente
não ter atacado…
—É porque ele era o último membro do Conselho dos Dez restante, certo?
—Hã?
Liliana, que por uma vez estava se comportando, respondeu à pergunta de Emilia.
Percebendo que havia atraído a atenção da sala, Liliana acenou com as mãos
desajeitadamente.
—Quero dizer, se todos os membros do conselho morressem, então ninguém saberia a
localização dos remanescentes da Bruxa, certo? Então eles o levaram porque não
podiam deixá-lo morrer… não é, Lady Priscilla?
—Tola. Não me envolva nisso. E não passa de suposição. Eu não poderia começar a
entender as maquinações daqueles que, além de suas tendências imbecis, são
possuídos por tamanha loucura.
—Eeeeeh?! Você vai puxar o tapete agora?!
Priscilla abanou o leque, ignorando o olhar de Liliana enquanto escaneava a sala com
seus olhos vermelhos antes de suspirar languidamente.
—Tentar entender os pensamentos desse tipo é perda de tempo. Se você tem tempo
para desperdiçar com reflexões tão insignificantes, então pense em um meio de extrair
a resposta da própria Arcebispa.
—Não posso dizer que não entendo seu ponto de vista… —Anastasia colocou a mão no
rosto, respondendo à opinião extrema de Priscilla. —Mas, para ser honesta, sou contra
manter essa Arcebispa viva. Ela é um flagelo… Seria melhor acabar com ela o mais
rápido possível.
—Mas então não teremos mais pistas!
Ferris reagiu veementemente à proposta de Anastasia. Era uma objeção natural,
considerando sua posição e os problemas que precisava resolver. Crusch não estava
presente na reunião porque ainda sofria com a maldição do sangue do dragão que
Luxúria havia infligido nela. Sirius era a única pista potencial que restava para reverter
aquela maldição.
—Sinto muito pela Duquesa Karsten, mas não consigo imaginar nenhuma razão pela
qual Ira saberia algo sobre Luxúria. É uma tarefa inútil.
—Isso é só um palpite! Não aja como se fosse um fato!
Ferris ergueu a voz enquanto rejeitava a conclusão de Anastasia. Era apenas um
argumento emocional de Ferris, mas Anastasia reconheceu que era uma proposição
difícil de aceitar, então não tentou discutir.
—Posso?
Enquanto o clima continuava tenso, Subaru levantou a mão.
—Não acho que tentar aprender algo com Ira seja necessariamente condenado ao
fracasso. Mas também entendo a preocupação sobre o que pode acontecer se
tentarmos mantê-la viva.
—Poupe-me do equilíbrio! De que lado você está, Subaru?!
—Não acho que isso precise ser um debate tão acalorado. Se o pior acontecer, não me
importo de absorver toda a sujeira negra que está machucando Lady Crusch.
—…Hah…
Ferris ficou pasmo com a proposta extrema que Subaru acabara de sugerir. Enquanto
isso, várias outras pessoas também olhavam para Subaru com choque…
—Subaru. —Emilia o encarou. —Isso é absolutamente o último recurso. Você precisa
cuidar melhor de si mesmo…
—Não é como se eu quisesse especialmente uma tatuagem de aparência desagradável.
Mas Crusch é uma dama, e sabemos que pelo menos posso aliviar sua dor.
—______
—O que estou tentando dizer é que não precisamos nos apressar para uma conclusão
por causa de Lady Crusch. Posso entender a ansiedade, mas, se for necessário,
podemos usar minhas costas ou nádegas ou qualquer coisa para ajudá-la. Isso é tudo.
Enquanto houvesse algo que ele pudesse fazer, Subaru não queria ficar parado
assistindo. Mais importante, ele respeitava Crusch e devia muito a ela. Se possível,
queria ajudá-la de qualquer maneira possível. Se aliviar seu fardo significasse puxar
aquela estranha contaminação para seu próprio corpo, então seria um pequeno preço
a pagar.
—Ferris, sente-se. Por enquanto, Sir Subaru está correto.
—…Eu sei… Eu sei…
Tocando o ombro de Ferris, Wilhelm pediu que ele se acalmasse. Os olhos de Ferris
estavam úmidos, e ele parecia prestes a dizer algo a Subaru, mas no final, sentou-se
sem outra palavra.
De qualquer forma, a tensão havia diminuído um pouco, mas a situação em si não
havia realmente mudado.
—Ainda não temos nenhum consenso sobre como devemos lidar com a Arcebispa,
embora—e é tudo graças à última pessoa que eu esperaria capturar um cultista viva
voltando com um em seu encalço.
Anastasia voltou seu olhar mais uma vez para Priscilla. Priscilla não lhe deu atenção,
puxando seu leque do decote e usou-o para cobrir seus lábios sorridentes.
—Você acha que sua vida ou morte é minha responsabilidade? Não me faça rir, raposa.
Foi algum plebeu procurando a cantora que a recuperou do canal onde eu a afundei.
Não era da minha conta.
—Nesse caso, por que ela já não está morta?
—Você entendeu tudo errado. Eu balancei minha espada com a intenção de matá-la.
No entanto, se ela mesmo assim não morreu, isso significa que não morrer por minha
mão é para meu benefício, então simplesmente me abstenho de tentar matá-la uma
segunda vez.
—…Haaah, isso quase faz sentido de uma forma distorcida.
Anastasia desistiu de argumentar com a teoria peculiar de Priscilla sobre como o
mundo funcionava. A lógica de Priscilla era difícil para qualquer outra pessoa entender.
Era duvidoso que mesmo aqueles mais próximos a ela, como Al ou Schult, a
entendessem completamente.
Enquanto isso, havia uma diferença de opiniões dentro de outra facção.
—Com sua permissão, sou contra executar Ira. Há, é claro, a questão sobre Lady
Crusch, mas esta também é uma oportunidade única para o reino—uma chance de
interrogá-la e aprender mais sobre o Culto da Bruxa.
—…Eu digo para matá-la logo. Esses caras são uns merdas. Não acho que você possa
conversar com eles, e provavelmente não há nada perdido em matá-los antes que
possam tentar algo.
—Lady Felt…
—Vou ser clara, isso não é a discussão usual só porque não gosto de você me dizendo o
que fazer.
Reinhard e Felt não concordavam sobre como lidar com Ira. Felt tendia a discordar de
Reinhard não importasse o que ele dissesse, mas desta vez, não era simples rebeldia.
Os instintos de Felt a diziam para não deixar Ira viver.
—No entanto, a custódia da Arcebispa deve ser confiada ao reino. Ela deve ser
rapidamente transportada para a capital e entregue aos Cavaleiros da Guarda Real.
—Claro, mas isso é bem perigoso também, certo? Esta é uma Arcebispa. Não temos
ideia do que ela pode tentar fazer.
—Se essa é sua preocupação, então eu pessoalmente escoltarei Ira até a capital. No
improvável caso de a Arcebispa tentar algo, eu devo ser o mais adequado para lidar
com isso.
—Não vou negar isso, mas e Felt? Seu grupo tem algumas pessoas feridas, certo?
Vocês dois se separariam, ou…?
—Se Reinhard for, então eu vou também. Não tem jeito desta vez.
Foi ninguém menos que Reinhard quem pareceu mais surpreso com a declaração de
Felt. Ele provavelmente esperava ser deixado para trás, já que havia discordado de sua
senhora.
Olhando para ele, Felt franziu o rosto completamente.
—Não entenda errado, seu idiota. Não estou concordando com você, mas não posso
deixar você sozinho assim.
—Você não pode… me deixar sozinho?
—Se você não entende, pergunte ao seu coração. Porque o meu certamente não é
gentil o suficiente para responder.
Esticando o peito relativamente subdesenvolvido, Felt mostrou a língua para Reinhard.
Piscando com sua reação, Reinhard acabou acenando nervosamente.
Ninguém além deles dois poderia entender o verdadeiro significado por trás daquele
diálogo, mas para Subaru, parecia que a decisão de Felt foi um alívio para Reinhard.
—…Muito bem. Então, e Lachins, Camberley e Gaston?
—Lachins e Gaston estão feridos, e Camberley está deprimido depois de ser enganado
pelo seu pai, então mande-o voltar para nosso lugar e cuidar dos dois por enquanto.
Reinhard acenou respeitosamente enquanto Felt rapidamente elaborava o plano para
sua equipe.
—Está decidido, então. —Felt bateu as mãos. —Eu e Reinhard arrastaremos a
Arcebispa para a capital. Nenhuma reclamação, certo, orelhas-de-gato? Senhora
vermelha?
Ferris relutantemente concordou, e Priscilla ignorou tranquilamente a confirmação,
não se registrando como "senhora vermelha".
De qualquer forma, ter Reinhard supervisionando a transferência tornou Sirius muito
menos preocupante. Tudo o que restava era ver se um especialista na capital
conseguiria extrair alguma informação útil daquela monstro.
—Como representante da cidade, você tem alguma objeção, Sr. Kiritaka?
—Nenhuma. Posso ser o representante da cidade, mas uma Arcebispa está além do
meu alcance. Se a capital e a guarda real a tirarem de nossas mãos, então parece ser a
solução ideal.
O assunto de Sirius foi resolvido. E com isso, Kiritaka continuou:
—No entanto, ainda temos outros problemas perturbadores em mãos. As vítimas do
Culto da Bruxa pela cidade…
—O povo-mosca e os sem-nome—as vítimas de Luxúria e Gula.
Anastasia completou as palavras melancólicas de Kiritaka. Todos na sala ficaram em
silêncio.
As moscas e os sem-nome—eles eram os problemas mais espinhosos que precisavam
ser resolvidos.
Por simplicidade, todas as vítimas de Luxúria estavam sendo chamadas de "moscas",
mas…
—Não são apenas moscas; muitos foram transformados em outras criaturas também.
Há muitos para listar…
—A mão daquela mulher terrível. Todos foram transformados de maneiras grotescas.
Havia uma realidade hedionda além das palavras embaçadas de Kiritaka.
Todos os sobreviventes dentro do prédio do governo haviam sido transformados pela
malícia de Luxúria. Um em um dragão negro, dezenas em moscas. E não havia como
saber quantos mais ainda estavam por aí pela cidade.
—Ferris, magia de cura não vai fazer nada por aqueles que foram afetados, certo?
—…Sim, está certo. Nem mesmo eu posso curá-los. Não é nem realmente uma questão
de cura. Eles foram reconstruídos em criaturas completamente diferentes. A cura pode
consertar feridas e lidar com doenças. Mas não pode fazer nada sobre transformação…
Desculpe.
Ferris respondeu com pesar à pergunta de Reinhard, uma tristeza terrível enchendo
seus olhos.
Apenas vê-lo assim era de partir o coração. Não era apenas a condição de Crusch que
era a causa. Os eventos em Pristella haviam infligido inúmeras feridas terríveis no
coração de Ferris.
Um sentimento de impotência poderia facilmente levar alguém ao desespero. E o
desespero era uma aflição fatal.
Era o mesmo para aquelas pessoas que haviam perdido a si mesmas—
—Aqueles transformados em insetos repulsivos certamente desejam morrer. Se não
houver plano para retorná-los às suas formas anteriores, então a decisão
misericordiosa é conceder-lhes esse desejo.
—…Priscilla, isso é…
—Silêncio, plebeu. Idealismo apoiado por nada mais que palavras não tem valor algum.
O que é necessário é um plano de ação para realmente resolver a situação. Se isso não
puder ser fornecido, então eu lhes concederei misericórdia com minhas próprias mãos.
Priscilla respondeu à reação reflexiva de Subaru com um olhar feroz e uma opinião
ainda mais feroz. Mas, pela primeira vez, ele não teve um argumento.
Por mais que doísse, ela estava falando a verdade.
Palavras sozinhas não mudariam nada. E a pessoa mais sincera sobre as vítimas do
poder de Luxúria era Priscilla, a pessoa que tinha a determinação de sujar as próprias
mãos por elas.
Então—
—Por favor, espere. Você pode deixar esse problema comigo?
—Lady Emilia?
Todos os olhos se voltaram para Emilia, que levantou a mão enquanto interrompia a
conversa.
—Ha. —Priscilla bufou provocativamente enquanto cruzava os braços sob seu
volumoso busto. —Interessante. E o que uma meio-elfa como você tem a propor? Sua
resposta pode me satisfazer?
—Não sei se vai satisfazê-la. E não tenho um método que possa resolver o problema
imediatamente.
—Hmph, então o que você fará? Algum de seus choramingos patenteados? Você acha
que isso pode salvar aquelas pessoas que estão sofrendo neste exato momento? Você
acha que seus corações podem aguentar o tempo que você precisar para encontrar
alguma resposta?
Priscilla manteve-se firme em sua posição de que era um problema de tempo.
Quão danoso era ser fisicamente transformado em algo estranho e alienígena?
Honestamente, Subaru, que havia experimentado a morte muitas vezes, ainda não
conseguia começar a imaginar o medo e o desespero que aquelas pessoas estavam
sentindo. Mas ele podia entender a lógica de que quanto mais tempo passassem
assim, mais seus espíritos morreriam.
—Portanto, eu lhes concederei misericórdia antes que isso aconteça. Então, qual é sua
proposta?
—Eu acredito que posso comprar o tempo necessário para procurar um método para
restaurá-los.
—O quê?
—Posso colocar as pessoas que foram transformadas para dormir no gelo. Acabei de
fazer isso há pouco, então acredito que posso fazer o mesmo por elas… Não, eu sei que
posso fazer isso! Por favor, deixem-me cuidar disso.
—______
Emilia se levantou, olhando não apenas para Priscilla, mas para toda a sala.
Enquanto todos pareciam atordoados com sua proposta, Subaru estalou os dedos.
—Certo! Armazenamento criogênico! Podemos ganhar algum tempo com isso!
—Colocá-los para dormir? No gelo…? Isso é possível? Eles não vão congelar até a
morte?
—Está tudo bem! Eu dormi por cerca de cem anos no gelo antes!
—Cem anos…?!
A afirmação orgulhosa de Emilia causou um caos desnecessário. Mas no momento em
que ouviu sua sugestão, os méritos do plano surgiram na mente de Subaru quase
instantaneamente. E não apenas isso, mas ela também havia pensado em um meio de
usar seu poder de forma afirmativa, o que era uma feliz coincidência, no que dizia
respeito a Subaru.
Era verdade que não era uma solução verdadeira para o problema subjacente, mas
poderia comprar algum tempo para procurar uma resposta melhor. Se nada mais, não
ter um limite de tempo tão imediato permitiria que eles elaborassem mais planos
possíveis.
—E…
E no pior dos casos, Subaru poderia pensar em uma solução possível. Ele poderia
matar Capella e roubar o Fator da Bruxa de Luxúria.
—______
Subaru atualmente possuía os Fatores da Bruxa de Preguiça e Ganância.
Então, se ele fosse capaz de reproduzir o poder de Luxúria como podia reproduzir o
efeito de Providência Invisível, então ele poderia ser capaz de retornar aquelas pessoas
à sua forma original.
Claro, ainda era hipotético, já que ele nem sequer havia reproduzido os efeitos do Fator
da Bruxa de Ganância ainda. Mas era pelo menos uma possibilidade. A chance remota
valia a pena tentar, se nada mais.
—Do que você está preocupado, Sr. Kiritaka? Está tudo bem, não está? Deixe-a tentar!
—L-Liliana?
Enquanto Subaru estava perdido em seus pensamentos, a discussão continuou.
Kiritaka estava ponderando a proposição de Emilia quando Liliana bateu em suas
costas. Ela dedilhou sua lira ritmicamente enquanto o encorajava.
—Se Lady Emilia está disposta a ir tão longe, então certamente é uma proposta com
chance de sucesso!
—Claro, eu gostaria de acreditar nisso. Mas há muitas vidas em jogo neste tópico. Sem
outros membros do conselho, não posso chegar a uma conclusão tão simplesmente…
—Você não precisa se preocupar! Lady Emilia não falhará! E por quê, você pergunta?!
Porque as grandes pessoas cujos nomes estão destinados a ficar na história são aquelas
que superam esses tipos de desafios! Que obstáculos?! É assim que as histórias que
emocionam e encantam a todos são feitas!
A sala foi preenchida com música enquanto a obcecada por histórias Liliana inflava seu
peito plano com toda a força.
Era verdadeiramente nada além de idealismo sem fundamento, mas havia um tipo
estranho de persuasão em sua teoria favorita. E aparentemente não era apenas Subaru
que sentia isso, porque Priscilla logo sorriu.
—Essa é uma afirmação bastante ousada, cantora— No improvável caso de seu
julgamento estar errado, o que você fará? E se o esboço da história que você ama tanto
estiver errado?
—Então oferecerei meu próprio pescoço. Liliana é tão boa quanto sua palavra!
Liliana respondeu sem hesitação, verdadeiramente destemida diante da pergunta de
Priscilla. Ouvindo aquela resposta quase refrescantemente arrogante, Priscilla acenou.
—Muito bem, então. Perdoarei seu gorjeio e segurarei minha mão misericordiosa. Em
troca…
—Por favor, deixe comigo— Eu cuidarei disso.
Longe de ser autoconfiança ou certeza, mas Emilia cerrou os punhos com forte
determinação.
—Hmph. —Priscilla bufou. —Faça-o se puder— Prove-se digna de ser minha oponente.
Priscilla encerrou o tópico com aquelas palavras poderosas.
### **2**
O problema das vítimas de Luxúria havia sido resolvido. O fato de que isso não era
suficiente para cuidar de tudo, porém, mostrava o quão terrível era a situação que a
cidade enfrentava.
O grande problema restante era tão difícil, se não mais.
—Passando para as vítimas sem nome que foram encontradas até agora… acredita-se
que elas sejam obra de Gula.
Aquela afirmação pateticamente vaga era prova de quão diabólico era o poder de Gula.
Várias vítimas sem nome haviam sido encontradas pela cidade após o término da
batalha.
A razão pela qual elas eram referidas de forma tão vaga era porque não havia ninguém
que pudesse confirmar suas identidades. As vítimas de Gula tiveram seus nomes e suas
próprias existências apagadas das memórias de todos que as conheciam. Além disso,
geralmente elas também não tinham conhecimento de si mesmas, então não havia
uma única pista sobre quem elas realmente eram.
Havia certas condições—uniformes, arredores e coisas do tipo—que poderiam ser
usadas para adivinhar uma identidade básica, mas era tudo o que tinham para
continuar.
—O poder de Gula e a falta geral de informação foram nossa ruína. E por causa disso,
há vítimas por toda a cidade…
Os múltiplos Arcebispos de Gula confirmados—por causa daquela informação faltante,
os grupos que lutaram contra Gula sofreram perdas terríveis, e como resultado, havia
muito mais vítimas do que o esperado.
Um dos piores sendo o grande homem-bestial sentado de pernas cruzadas ao lado de
Anastasia—
—______
—Não me faça essa cara patética, mano. Eu estraguei tudo, mas ainda estou vivo.
Considerando o que aconteceu, é um milagre que só tenha custado um braço.
Notando o olhar fixo de Subaru, Ricardo acenou com o toco de seu braço direito.
O curativo estava encharcado de sangue. Havia sido um dos Gulas que o havia
arrancado. Ricardo havia conseguido desalojar o inimigo da torre de controle de acordo
com o plano, mas havia retornado sem um braço.
Eles não conseguiram recuperar seu braço decepado, e a magia de cura não podia
regenerar um membro perdido.
Ele havia sofrido o ferimento grave protegendo um companheiro no meio da luta, o
que era inegavelmente o tipo de coisa que Ricardo faria. Mesmo que o próprio Ricardo
não conseguisse se lembrar do fato de que havia feito isso.
E Subaru acidentalmente atormentou um certo cavaleiro ao olhar para ele.
—Tenho algo importante para discutir com todos— Há alguém aqui que reconhece o
cara ao meu lado?
—______
O silêncio preencheu a sala.
O silêncio não era por causa da confusão com a pergunta. Era porque todos eles
adivinharam o que ele estava insinuando e olharam para o homem desconhecido ao
lado de Subaru.
E o silêncio predominante era resposta suficiente para a pergunta.
—Não há realmente ninguém? Alguém com pelo menos um lampejo de familiaridade…
—Já chega, Subaru. Deixe para lá.
O próprio cavaleiro impediu Subaru, que não suportava que não houvesse nenhuma
resposta.
O homem bonito vestia um sorriso sombrio e solitário enquanto balançava a cabeça.
Era um rosto familiar para Subaru, mas não havia mais ninguém na sala que se
lembrasse dele. Era algo que o cavaleiro já havia aprendido dolorosamente bem
quando se reuniu com todos pela primeira vez.
A razão pela qual Subaru o havia chamado para aquela reunião de qualquer maneira
era porque sua capacidade de se lembrar de Julius era uma exceção, e ele esperava que
as pessoas mais próximas do cavaleiro pudessem ter uma reação diferente.
Mas—
—______
—o pesado véu de silêncio contou a história dolorosamente bem.
Ninguém se lembrava de Julius Juukulius, o Cavaleiro Supremo.
Sua existência havia sido apagada das memórias de todos no mundo.
—Mas ele também é diferente das outras vítimas de Gula.
Rangendo os dentes, Subaru apontou para Julius enquanto olhava ao redor da sala.
Novamente, Subaru era a exceção à regra e capaz de se lembrar das vítimas de Gula.
No entanto, essa não era a única coisa que tornava Julius diferente.
—Ele é Julius. Julius Juukulius. Tenho certeza de que você pode adivinhar, mas ele é
uma das vítimas sem nome de Gula. Mas ele ainda está consciente.
Anteriormente, todas as vítimas de Gula tinham suas próprias memórias devoradas,
como Crusch, ou seus nomes e memórias devorados, como Rem.
No entanto, Julius apenas teve seu nome devorado, tornando-o um tipo diferente de
vítima.
—Então ele é uma exceção? Esquecido por todos, mas ele pode se lembrar de si
mesmo… Ele estava conectado a algum de nós aqui?
Ferris olhou para Julius com surpresa.
—Parece que sim. —Reinhard acenou. —Pelas aparências, ele… Julius é um cavaleiro
de considerável habilidade. Tenho certeza que Ferris e eu pelo menos éramos
conhecidos dele. Muito possivelmente, éramos mais próximos. Amigos, até.
—…No mínimo, eu considerava vocês dois entre meus amigos.
Reinhard e Ferris pareciam perturbados por serem chamados de amigos por alguém
que não conseguiam reconhecer. E era doloroso olhar para Julius, que aceitava com
triste resignação que sua reação era compreensível.
Subaru não sabia quando os três se conheceram pela primeira vez. Ele nunca havia
ouvido nenhum detalhe sobre como sua amizade havia crescido, como eles haviam se
tornado mais do que meros colegas.
Mas eles certamente haviam sido amigos. Havia um vínculo claro entre eles.
E agora não havia nenhum traço disso para ser visto.
—…Droga…
Quando Rem teve seu nome roubado e ninguém se lembrava dela, Subaru havia
pensado que não havia nada mais triste do que aquilo. Mas Julius estava lá para
experimentá-lo. Ser deixado para trás pelo mundo, completamente sozinho.
O sofrimento não era algo feito para ser comparado. Mas o que Julius estava passando
se qualificava como uma tragédia de partir o coração.
—…Não são apenas dois amigos, também.
Anastasia de repente falou, tendo observado o primeiro encontro comovente dos
amigos.
Havia uma gentil consideração em seu olhar enquanto tocava o lenço em volta de seu
pescoço. Acariciando a pele de raposa branca, ela olhou para Ricardo.
—Foi o Sr. Julius ali que trouxe Ricardo de volta aqui quando ele foi ferido. Eu me
perguntei um pouco quando ele simplesmente desapareceu logo depois, mas… era
isso, certo?
—Lady Anastasia…
A memória de ser tratado como um estranho pela mestra a quem ele havia jurado
servir com sua espada e o impossível segundo primeiro encontro entre senhora e
cavaleiro… Havia uma devoção intensa na voz de Julius.
Ouvindo aquilo, Anastasia prendeu a respiração.
—Todos, eu tenho uma proposição.
Com os olhos de Julius nela, Anastasia voltou seu foco de volta ao assunto geral.
—Uma proposição? —Kiritaka respondeu. —Que tipo de proposição poderia ser, dada
essa situação?
—Todos têm o mesmo problema amplo, certo? As pessoas transformadas por Luxúria e
as pessoas tornadas sem nome por Gula. Mas os Arcebispos desapareceram sem
deixar vestígios, e duvido que eles simplesmente confessem e nos digam como
consertar as coisas. Estamos presos.
—Qual é o ponto de trazer isso agora…? —Ferris estremeceu.
—A razão pela qual ela está trazendo isso é porque pensou em algo, certo?
Emilia inclinou a cabeça em direção a Anastasia.
—Isso mesmo. —Anastasia encolheu os ombros. —Não adianta perguntar àqueles
Arcebispos desagradáveis. Nesse caso, por que não apenas perguntar a alguém que
possa saber a resposta?
—Alguém que possa saber… como alguém que sabe muuuita coisa?
—Sim, exatamente. Há alguém que se encaixa perfeitamente nessa descrição neste
país. Alguém que sabe muuuita coisa.
—…Você não quer dizer…
A afirmação sugestiva de Anastasia extraiu um murmúrio rouco de algum lugar na sala.
No entanto, ao contrário de todos os outros, Subaru não tinha ideia do que ela estava
insinuando.
Se houvesse alguém que soubesse como desfazer os poderes dos Arcebispos—
—Ei, eu não sei do que você está falando, mas pare de enrolar e diga logo.
Felt, que tinha o mesmo nível de entendimento que Subaru, encarou Anastasia.
—Desculpe, desculpe. —Anastasia fez uma careta. —Shaula, a Sábia.
—Hã?
Felt inclinou a cabeça, franzindo o rosto em pensamento. Subaru franziu a testa com a
mesma confusão.
—No Reino de Lugunica —Julius interveio—, houve uma vez três grandes campeões
que realizaram um grande feito. O Santo da Espada, o Senhor Dragão e a Sábia. Eles se
tornaram conhecidos como os três heróis.
—Os três heróis…
—Certo. E um deles é a Sábia, Shaula. A guardiã do conhecimento que prevê tudo o
que acontecerá neste mundo.
Continuando a explicação de Julius, Anastasia suavizou sua expressão em um sorriso.
Anastasia olhou ao redor da sala com seus olhos azul-esverdeados pálidos.
—A Torre de Vigia das Plêiades através das Dunas Auguria no extremo leste de
Lugunica. A lendária Sábia em reclusão lá pode muito bem saber as respostas que
estamos tentando encontrar.
### **3**
—Falando francamente, eu sou contra.
—…Bem, eu tinha um pressentimento de que você diria isso.
Subaru riu com ironia enquanto coçava a bochecha com a rejeição forçada de Otto.
As pernas machucadas de Otto ainda eram dolorosas de se olhar, mas ele havia sido
transferido do abrigo para um hospital adequado, onde estava recebendo tratamento
atencioso digno de alguém que havia trabalhado tão duro para resolver a crise que
assolava a cidade.
Essas foram suas primeiras palavras depois de ouvir o que foi discutido na reunião que
ele havia perdido. E era a reação que Subaru esperava.
Porque Otto Suwen conhecia Subaru Natsuki bem.
A maioria das pessoas parecia superestimá-lo, mas Beatrice, Otto e talvez Patlash eram
os únicos que realmente tinham uma avaliação sólida dele. Possivelmente Ferris
também, embora ele não estivesse realmente em posição de notar muito, dado o
problema com Crusch.
Então Subaru sabia desde o início que Otto seria contra.
—Mas como você me conhece tão bem, você também deve saber minha resposta,
certo?
—…Além de Lady Emilia, Beatrice também não ficou chateada?
—Minha Beako é fofa mesmo quando está irritada.
Otto colocou a mão na testa, exasperado.
Subaru olhou para suas pernas.
—Então suas pernas vão ficar fora de ação por um tempo, né?
—Será difícil, dado o estado das coisas em Pristella. Há muitas vítimas, então os
curandeiros precisam priorizar todos. O Sr. Kiritaka está aparentemente trabalhando
para reunir todos os curandeiros que puder encontrar das cidades vizinhas, mas…
—Mas quando suas pernas ficam tão ruins assim, apenas curandeiros de alto nível
podem realmente fazer alguma coisa?
—E Ferris está ocupado cuidando de Lady Crusch.
Ferris estava totalmente fora de questão, dada a situação precária de Crusch. E todos
os outros curandeiros estavam ocupados tentando tratar uma cidade inteira de
pacientes.
—Enquanto isso, nosso especialista em cura está correndo pela cidade e deixando seu
veterano aqui em um