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Entendendo o Transtorno de Personalidade Borderline

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Iara Sousa

Ana Silva
Luana Lopes

Perturbações de Personalidade Borderline

UNIVERSIDADE FERNANDO PESSOA


Faculdade de Ciências Humanas e Sociais

1
ÍNDICE

1. INTRODUÇÃO​ 3

2. HISTÓRICO DO TRANSTORNO​ 3

3. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS E SINTOMAS DE TPB:​ 4


3.1. INSTABILIDADE EMOCIONAL​ 4
3.2. RELACIONAMENTO INSTÁVEL​ 4
3.3. MEDO DO ABANDONO​ 5
3.4. AUTOIMAGEM INSTÁVEL​ 5
3.5. COMPORTAMENTOS IMPULSIVOS​ 6
3.6. AUTO LESÃO E SUICIDO​ 7
3.7. SENTIMENTO CRÔNICO DE VAZIO​ 7
3.8. RAIVA INTENSA E DESCONTROLADA​ 8

4. CAUSAS E FATORES DE RISCO:​ 8


4.1. FATORES GENÉTICOS​ 8
4.2. FATORES NEUROBIOLÓGICOS​ 9
4.3. FATORES AMBIENTAIS​ 9
4.4 FATORES PSICOLÓGICOS​ 10

5. IMPACTO DO TPB NA VIDA DO INDIVÍDUO E NA SOCIEDADE​ 11

6. DIFERENÇA ENTRE TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE BORDERLINE E


OUTROS TRANSTORNOS​ 11

[Link] CLÍNICO​ 12

8. CONCLUSÃO​ 14

8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS​ 15

2
1. INTRODUÇÃO

O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), envolve uma abordagem multidisciplinar


devido às suas características e sintomas, TPB é considerado uma doença mental complexa.
Ao longo deste trabalho temos como objetivo explorar os principais aspectos do TPB,
incluindo vários aspetos como as suas características, sintomas, impactos na sua vida pessoal
e social, causas e por fim discutiremos a importância do suporte social e psicológicos para
melhorar e equilibrar a vida de vários indivíduos que vivem com este transtorno de modo a
serem entendidos ou até perceberem que realmente podem ser alvos de sintomas que são
diários na sua vida pessoal, podendo assim procurar ajuda e a terapia certa e necessária para
combaterem este transtorno.

2. HISTÓRICO DO TRANSTORNO

Na década de 1930, o psiquiatra e psicanalista americano Adolf Stern cunhou o termo


"limítrofe" (Borderline) para descrever um grupo de pacientes que não se enquadram
perfeitamente nas categorias tradicionais de neurose ou psicose (Stern mais tarde os
classificou como um meio-termo entre os dois). No século XIX (antes do desenvolvimento do
TPB), os pacientes eram diagnosticados com insanidade moral, um conceito que os
psiquiatras usavam para descrever o comportamento impulsivo. Jean-Étienne Esquirol
(1772-1840, um dos primeiros psiquiatras) definiu um diagnóstico denominado "paranoia
afetiva", que descrevia um transtorno caracterizado por humor instável similar a Borderline.
(Esquirol, 1845)
O trabalho de Stern, embora reformulado, foi formalmente reconhecido no DSM II (1980) e
ajudou a fornecer uma base e padrões claros para a compreensão e utilização dos tratamentos
necessários. Nos séculos XVII, XVIII após a queda do pensamento medieval surgiu o
conceito de “Alienistas” que eram descritos de quadros similares aos que hoje chamamos TPB
como também sintomas similares ao Transtorno do Humor Bipolar (THB). (Dornelles &
Alano, 2021)

3
3. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS E SINTOMAS DE TPB:

3.1. INSTABILIDADE EMOCIONAL

A instabilidade emocional, característica do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB),


revela-se por meio de uma variedade de sintomas que impactam o indivíduo
significativamente. Indivíduos com TPB podem sentir oscilações acentuadas do humor,
manifestadas por mudanças rápidas e intensas entre emoções como euforia, tristeza,
irritabilidade e ansiedade, (Jerold, 1989) o que dificulta a regulação de emoções que pode
resultar em reações exageradas afetando assim a recuperação após situações de stress.
Assim, a instabilidade emocional afeta significativamente a vida dos indivíduos, dificultando
o seu relacionamentos com os outros, o seu bem-estar; os sintomas mencionados são fatores
que agravam essa desregulação. (Dalgalarrondo, 2000)

3.2. RELACIONAMENTO INSTÁVEL

Os relacionamentos instáveis, para pessoas com transtorno de personalidade borderline


(TPB), ​são marcadas por uma mistura de emoções, com momentos de profunda conexão que
de um momento para o outro se transformam em conflito e insegurança. (Dalgalarrondo,
2000)
Indivíduos com diagnóstico de transtorno de personalidade limítrofe vivenciam
profundamente os seus sentimentos e maioritariamente lidam impulsivamente com
confrontos, seja com situações que lhes causam medo de serem abandonados ou rejeitados.
Os familiares de pessoas com TPB estão constantemente “walking on eggshells” uma forma
de dizer que estão constantemente com medo de dizer algo errado, evitam confrontos, entre
outros para evitar uma instabilidade emocional e a raiva que o segue, mesmo que a ameaça
não seja concreta. (Mason & Kreger, 2010)
Pequenas desigualdades originam discussões acaloradas, consequentemente separações mas
de seguida reconciliações frequentes.
Um dos grandes desafios neste tipo de relacionamentos, é a comunicação.

4
Por serem tão instáveis, as emoções tornam-se intensas, e a maior parte das vezes, torna-se
difícil preservar um diálogo racional e equilibrado.
A par disso, a insistente validação e a necessidade de segurança levam a comportamentos de
grande impulsividade, tais como mensagens persistentes, ações radicais ou até intimidação
com o término para testar o compromisso do outro.
Essa relação torna-se exaustiva tanto para o indivíduo com o transtorno como para quem tem
do seu lado. Através desta dinâmica, o parceiro pode efetivamente começar a sentir-se
emocionalmente desgastado e inseguro sobre a melhor maneira de lidar com as mudanças de
humor e comportamento frequentes. (Mason & Kreger, 2010)

3.3. MEDO DO ABANDONO

Indivíduos com Transtornos de Personalidade Borderline experimentam um medo intenso de


abandono devido a uma combinação de fatores. Para estes indivíduos as relações são
observadas de forma extremistas e qualquer tipo de afastamento pode ser considerado como
abandono instantâneo.
Este abandono pode ser visto como uma própria ameaça a sua existência tendo em
consideração que indivíduos com TPB sentem que precisam de outros para se sentirem
completos (medo de abandono), assim fazem esforços frenéticos para evitar o abandono como
tentativas suicidas de forma a pedir ajuda levando a que outros tenham que cuidar e
resgatá-los. (American Psychiatric Association, 2013)

3.4. AUTOIMAGEM INSTÁVEL

A autoimagem instável é uma perturbação da identidade da qual é difícil de manter coerente e


estável ao longo do tempo. Num momento, o indivíduo pode sentir-se confiante e, logo
depois, sentir-se inútil e desprezável. Estas alterações não ocorrem de forma aleatória, sendo
fortemente influenciadas pelo contexto e pela convivência com os outros. Além disso, essa
instabilidade na autoimagem está também associada à dificuldade de estabelecer objetivos,
valores, planos de vida e pode levar a alterações súbitas na percepção sobre a carreira,

5
identidade sexual e tipos de amigos, o que pode gerar um sentimento constante de vazio e
falta de propósito (American Psychiatric Association, 2013)
O perfeccionismo que interfere na conclusão de tarefas acentua essa dificuldade, não
permitindo que o indivíduo avance nos seus projetos de vida (Dalgalarrondo, 2000). Por
conseguinte, pode levar a comportamentos impulsivos e de risco na tentativa de preencher
essa ausência de identidade definida. Nos momentos de estresse agravado, pode levar a
episódios de dissociação, pensamentos paranoicos e, às vezes, alucinações aumentando ainda
mais a sensação de confusão e desorientação quanto à sua imagem. Como consequência, o
bem estar psicológico e as relações interpessoais são profundamente afetados.

3.5. COMPORTAMENTOS IMPULSIVOS

Indivíduos com transtorno de personalidade Borderline têm como uma das principais
características, os comportamentos impulsivos.
Este tipo de comportamentos, normalmente, surgem de modo a enfrentar intensas emoções e
com dificuldades de gerir o próprio quotidiano.
Frequentemente, os mesmos são manifestados através de excessivas despesas, consumo de
substâncias, obsessão alimentar ou até mesmo participação em relações sexuais sem
considerar as consequências que isso pode originar. (American Psychiatric Association, 2013)
Neste tipo de pessoas é bastante comum tomadas de decisão repentinas, a título de exemplo,
abandono de profissão, de relações e até mesmo de projetos sem planeamento prévio.
(Dalgalarrondo, 2000)
Com frequência, os impulsos são provocados pelo medo de abandono, falta de confiança em
si próprio ou por uma extrema necessidade de aliviar as emoções negativas. Porém,
posteriormente acabam por se arrepender ou intensificar a sua instabilidade emocional.
(Paris, 1999)

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3.6. AUTO LESÃO E SUICIDO

A automutilação e o suicídio são dois fenômenos em que as pessoas com Transtorno de


Personalidade Borderline evitam emoções, reprimem a dor, as emoções intensas, o vazio
emocional, a raiva intensa ou simplesmente forma de punição. (Kriss, 2024)
De acordo com (American Psychiatric Association, 2013) pessoas com transtorno de
personalidade borderline correm um risco muito alto de suicídio devido a emoções e impulsos
intensos, especialmente em momentos de desespero. Podemos dizer que existe uma linha
clara entre esses dois fenômenos (automutilação e suicídio), mas em alguns casos clínicos
podemos observar que a automutilação piora ao longo do tempo sem qualquer forma de alívio
de seus pensamentos ou sentimentos, levando o indivíduo a acreditar que o suicídio é a única
forma de eliminar verdadeiramente a dor. (Paris, 2000)

3.7. SENTIMENTO CRÔNICO DE VAZIO

O sentimento crônico de vazio transcende de uma simples tristeza, caracterizado como uma
sensação de desconexão com o próprio indivíduo e com o mundo ao seu redor. As pessoas
sentem-se facilmente aborrecidas, como se nada fosse suficientemente satisfatório,
procurando constantemente algo para fazer (American Psychiatric Association, 2013) . Isso
pode gerar uma procura constante por estímulos externos, por exemplo, novas relações,
mudanças radicais no estilo de vida ou até mesmo levar a comportamentos de risco (abuso de
substâncias, compulsão alimentar ou automutilação) que oferecem um alívio momentâneo ao
indivíduo, mas não resolve o problema, agravando a sua instabilidade. Ao sentir esse vazio,
interfere negativamente nas relações interpessoais, pois a pessoa tende a sentir-se isolada, o
que aumenta a dificuldade de criar laços emocionais estáveis. A procura por satisfação
externa pode levar o indivíduo a sentir um forte medo de abandono, o que intensifica ainda
mais a sensação de vazio.

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3.8. RAIVA INTENSA E DESCONTROLADA

Um dos aspectos mais notáveis desta condição é a raiva intensa e descontrolada.


Nestes indivíduos com este tipo de transtorno (TPB) surgem frequentemente respostas a
sentimentos de frustração, rejeição ou medo do abandono. Esta é frequentemente manifestada
por intermédio de gritarias, bastantes ofensas, devastação de material ou, em algumas
situações, ataques físicos a outros. (American Psychiatric Association, 2013)
Frequentemente, os mesmos acham que perdem a monitorização total sobre as suas emoções e
começam a ter ações impulsivas, a título de exemplo, dizem e também fazem certas atitudes
que posteriormente se arrependem. Distintivamente de uma irritação vulgar, a raiva associada
ao TPB tende a ser intensa, duradoura e de difícil manejo, surgindo assim de forma abrupta,
mesmo em situações que, para outros, seriam consideradas comuns. É perfeitamente comum
estes indivíduos experimentarem uma alternância eficaz entre o arrependimento e novos
episódios de raiva, o que compromete bastante as suas relações pessoais. (Dalgalarrondo,
2000)
Contudo, a adversidade em conseguir controlar estes episódios de raiva está frequentemente
interligada com uma sensibilidade acentuada à abstenção e a uma instabilidade emocional
significativa, tornando de tal forma fundamental a promoção de estratégias para saber lidar
com estes momentos e minimizar o seu impacto negativo no quotidiano.
(American Psychiatric Association, 2013)

4. CAUSAS E FATORES DE RISCO:

4.1. FATORES GENÉTICOS

Os fatores Genéticos também desempenham um papel fundamental para o desenvolvimento


de um Transtorno de Personalidade Borderline maioritariamente num adolecente e jovem
adulto. De acordo com o (DSM-5) indivíduos com familiares biológicos em primeiro grau

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com diferentes perturbações como, perturbação antissocial, uso de substâncias, depressiva ou
até bipolar tem 5 vezes mais probabilidade de crescer e herdar uma perturbação ou transtorno
como o TPB. Quando um indivíduo tem pais biológicos em primeiro grau com dificuldade de
regular emoções, a sua impulsividade também se encontra em risco familiar e mais vulnerável
a este diagnóstico. (American Psychiatric Association, 2013)

4.2. FATORES NEUROBIOLÓGICOS

Fatores neurobiológicos estão na base do desenvolvimento do transtorno de personalidade


borderline. Mudanças no sistema límbico e na amígdala estão associadas à regulação
emocional e são respectivamente responsáveis ​pelas respostas emocionais (particularmente
medo e raiva). Por conseguinte, isso pode explicar a hipersensibilidade emocional.
Primeiramente, a desregulação do córtex pré-frontal, responsável pelo controlo emocional e
pela tomada de decisões, pode levar à impulsividade e à dificuldade de regular as emoções
(Dalgalarrondo, 2000). Em segundo lugar, desequilíbrios nos neurotransmissores como a
serotonina e a dopamina podem aumentar os sintomas de comportamentos impulsivos e de
risco, tornando os indivíduos mais suscetíveis a reações emocionais extremas. Finalmente, as
conexões neurais alteradas nos indivíduos diagnosticados com borderline impedem a
comunicação entre áreas cerebrais responsáveis ​pela regulação emocional e pelo controlo
cognitivo, prejudicando a capacidade de integrar emoções e respostas de maneira equilibrada,
levando à instabilidade emocional e à impulsividade, que são características centrais do
transtorno.

4.3. FATORES AMBIENTAIS

Os fatores ambientais são os mais importantes para justificar os comportamentos de pessoas


com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), especialmente os vivenciados durante a
infância e adolescência. Um dos com mais relevância é a exposição a traumas, tais como
abuso físico, emocional ou sexual, bem como falta de cuidado por parte da parentalidade.
(Rangé, 2011)

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O desenvolvimento do jovem fica de certa forma comprometido a partir do momento que não
existe um ambiente onde as emoções são aprovadas ou onde existem críticas constantemente,
podendo assim atrasar e também dificultar a regulação emocional e juntamente a isso a
autoestima. Outro fator ambiental significativo é a instabilidade familiar. O facto de vivermos
num lar onde é frequente existirem bastantes conflitos, separações marcadas pelo
desassossego ou zeladores com transtornos psicológicos ou até mesmo dependências pode
efetivamente originar inseguranças e medos, principalmente de abandono, que é algo muito
característico nas pessoas com TPB. Além disso, as frequentes mudanças de ambiente (trocas
sucessivas de casa ou escola) dificultam a durabilidade e a estabilidade das relações e das
emoções.
Um outro elemento ambiental significativo é a exclusão social. Indivíduos que na infância,
mas maioritariamente na adolescência sofrem de bullying, se isolam ou sentem sérias
dificuldades na interação social desenvolvem crenças negativas sobre a sua própria pessoa e
os outros, e de forma negativa contribuem para relações intensas e instáveis na vida adulta.
(Kreisman & Straus, 2023)

4.4. FATORES PSICOLÓGICOS

Um indivíduo com TPB frequentemente apresenta um histórico de experiências traumáticas


vividas durante a infância. (Paris, 1999)
Os principais fatores que influenciam este transtorno podem ser traumas vividos na infância
como violência doméstica, a separação ou perda de parentes ou ambientes familiares
instáveis. Outro fator poderia ser abuso infantil,tendo este tres tipos de abuso, Em primeiro
lugar temos Abuso Emocional, que pode surgir com a negeligencia parental, experiencias de
rejeicao e abandono, bullying e exclusao social.O segundo tipo de abuso seria o Abuso Fisico
como agressao corporais ou ate punicoes severas. O último abuso seria o sexual sendo este
assédio ou violação sexual durante a infância ou adolescência.(Dalgalarrondo, 2000) Um
indivíduo utiliza as suas defesas neuróticas que se centram no recalcamento para esquecer ou
até ignorar estas experiências traumáticas. (Matos, 1994)
Um indivíduo que cresce num ambiente familiar menos adequado frequentemente encontra-
se com uma instabilidade emocional como também padrões incorretos de como viver perante
a sociedade. (Guia Prática da Psiquiatria, 2005)

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5. IMPACTO DO TPB NA VIDA DO INDIVÍDUO E NA SOCIEDADE:

O Transtorno de personalidade borderline atinge profundamente a vida do indivíduo e da


sociedade. No nível pessoal, os indivíduos afetados encontram-se muitas das vezes num
estado de crise, sendo comum as oscilações de humor. O seu comportamento é altamente
imprevisível e recorrem várias vezes a atos autodestrutivos, como automutilações, para
conseguirem o auxílio de outros, para expressar raiva ou se afastarem de emoções sufocantes,
deixando o indivíduo instável emocionalmente. (American Psychiatric Association, 2013)
Além disso, afeta a sua identidade, gerando-lhe um sentimento de vazio e dificuldade em
traçar objetivos e planos de vida.
Na sociedade, aqueles que convivem com indivíduos com TPB podem sentir-se pressionados
a oferecer apoio mútuo, devido ao intenso medo de abandono que os indivíduos sentem.
Como consequência, podem tornar-se dependentes de quem são íntimos e, quando frustrados,
expressam uma enorme raiva contra essas pessoas. Isso deixa os outros emocionalmente
sobrecarregados devido à intensidade dessas relações. Mudanças de alianças de um indivíduo
ou grupo para outro são frequentes. (American Psychiatric Association, 2013)
Por fim, o Transtorno de borderline tem um grande impacto na vida do indivíduo e na
sociedade, pois gera instabilidade e sobrecarrega aqueles ao seu redor, criando um ciclo de
tensão e desgaste.

6. DIFERENÇA ENTRE TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE BORDERLINE E


OUTROS TRANSTORNOS:

Outros tipos de transtornos, muitas das vezes, são confundidos com o borderline, devido ao
diagnóstico realizado.
Este diagnóstico torna-se de certa maneira complexo e difícil, à custa da sobreposição de
sintomas que o TPB contém. Sintomas estes que incluem: a dificuldade em manter relações, a
impulsividade e por fim mas não menos importante, a instabilidade emocional.
(Dalgalarrondo, 2000)
Este diagnóstico equivocado acontece com a perturbação de bipolaridade, com o transtorno de
personalidade histriônica, narcisista, ansiedade, depressão, personalidade antissocial e TDAH.

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Porém todas estas perturbações têm pontos de aproximação e afastamento.
Enquanto a bipolaridade tem mudanças de humor intensas e duradouras, no TPB essas
variações são rápidas e reativas em relação aos que estão ao seu redor.
Já no caso da personalidade narcisista e histriónica, podem também ser confundidas devido à
necessidade de atenção e em comparação com o borderline existe uma aproximação pois
existe uma auto imagem instável e um medo enorme de abandono que pode ser evitado com a
atenção dada pelos outros.
A ansiedade e a depressão podem também causar dúvidas no diagnóstico, pois o TPB tem um
sentimento de vazio mas com oscilações abruptas.
Por fim, a personalidade antissocial e o TDAH tem como principal característica a
impulsividade, tal como o borderline, mas o TPB está associado a fases difíceis emocionais,
enquanto nas outras acontece por falta de empatia e autocontrolo. (American Psychiatric
Association, 2013)

7. CASO CLÍNICO

“ Case 1: Jeanne was a high school student who requested treatment after the death of her best
friend, Carla, who has also been treated for borderline personality disorder at the same
clinic,and had just jumped off a bridge. Although Jeanne refused to join in a suicide pact
proposed by Carla, she had been suicidal in her own right for several years. She carried out
recurrent wrist slashing and often fantasized about killing herself. Jeanne had an intense
fantasy, bordering on a delusion, that her life was a dream and that she was living on another
planet, where she has another existence and a real family. She thought that if she were dead,
she would wake up and return to her true home. She would hear the voices of individual
characters in this fantasy asking her to join them.
Jeanne has a very traumatic childhood. While the first five years of her life were spent in a
foster home, this proved to be a positive atmosphere that protected her against later negative
experiences. Upon returning to her parents, she has to cope with an alcoholic mother and a
father who incestuously abused her. After attempting suicide by jumping off a balcony, she
was seen in a child psychiatry clinic. Although she later ran away from home and lived with
her older sister, both her parents remained disturbingly present in her life.

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Although Jeanne has not had any relationship with men, she has formed a series of intense
and unstable relationships with women. Her attachment to Carla was based largely on their
shared suicidality and reactive, and she could have been depressed, elated, anxious, or furious
in the course of a single day, depending on the circumstances. Her impulsivity expressed itself
through slashing her wrists every time something happened.” (Paris, 1999)

Ao longo deste caso clínico podemos observar vários sintomas de um indivíduo com TPB.
A infância de Jeanne é representada como complexa e dolorosa a que podemos interligar aos
fatores genéticos, ambientais e psicológicos. Neste caso os fatores genéticos seriam, a mãe
que sofria de uma doença mental (alcoolismo). E o abuso sexual por parte do pai e a
negeligencia parental sofrida durante a sua vida resultou numa instabilidade familiar. Os
fatores ambientais que podemos considerar são as constantes mudanças de residência (lares
adotivos, casa dos pais e por fim a casa da irmã).
Jeanne ao longo da sua vida teve vários casos de automutilação, como também pensamentos e
ações suicidas, reforçados pelos demônios que a atraiam para a morte. Além disso, acreditava
na ilusão que depois da sua morte iria voltar tudo ao normal e finalmente teria uma família
estável. Após a morte da sua amiga Carla, Jeanne sentiu-se completamente abandonada
(devido à sua forte aproximação de pensamentos autodestrutivos e depressivos, visto que elas
criaram um pacto suicida), o que por fim criou um medo de abandono por parte da mesma.
Neste caso, Jeanne é descrita como uma mulher que tinha vários pensamentos impulsivos e
uma instabilidade emocional de grande escala, o que levou a que indivíduos ao seu redor não
soubessem como reagir aos seus humores e comportamentos.
Em suma, este caso clínico tem uma variedade de características e sintomas, que são
frequentemente identificados em indivíduos com transtorno de personalidade Borderline,
como a impulsividade, instabilidade emocional, medo de abandono, automutilação e suicídio
interligados com os fatores genéticos, psicológicos e ambientais. (Paris, 1999)

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8. CONCLUSÃO

Em jeito de conclusão, o TPB é uma perturbação bastante enigmática, marcada pelos


comportamentos impulsivos, pela instabilidade emocional e pelo constante medo de
abandono.
Os fatores que influenciam este transtorno são os psicológicos, os neurobiológicos, os
ambientais e por fim, mas não menos importante, os genéticos, o que torna árduo tanto o
diagnóstico como os próprios tratamentos.
Ainda a acrescentar, temos o impacto que o borderline causa não só no indivíduo, acabando
também por se refletir na sociedade, demonstrado nas relações interpessoais.
Além disso, é significativamente importante diferenciar o transtorno de borderline dos
restantes que poderão conter características idênticas a este, de modo a garantir um tratamento
ou uma terapia eficiente.
Assim sendo, torna-se essencial dar continuidade às pesquisas sobre esta condição e promover
a aceitação do mesmo, de maneira a reduzir o preconceito e melhorar a qualidade de vida
daqueles que com isso sofrem.

8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Paris, J (1999). Borderline Personality Disorder. Im [Link]., P, Blamey & [Link] (Eds.),
Oxford Textbook of Psychopathology (pp.628-652), Oxford University Press

Dalgalarrondo, P(2000). Funções Psíquicas Elementares e as suas Alterações, Psicopatologia


e semiologia dos Transtornos Mentais (pp.61-62), Artmed

Young, J(2003). Transtornos de personalidade e Terapia Cognitiva, Terapia Cognitiva para


Transtornos da Personalidade(pp.12-14), Artmed

Harrison, P., Geddes, Y., & Sharp, M (2005). Perturbações da Personalidade, Guia Prático de
Psiquiatria (pp.307-318), Climepsi

14
Association, A.P (2013). Perturbações da personalidade, Manual de Diagnósticos e
Estatística das Perturbações Mentais (pp.792-797), Climepsi

Kreisman, J., & Straut, H (1989) I hate you don't leave me. Avon Books

Ades,T., & Santos, E.F (2019) Borderline criança interrompida-Adulto Borderline (1ed). Isis

Mason, T.P., & Kreger,R (2020) Stop walking on eggshells (3ed). New Harbinger Publication

Kriss,A. (2025) Borderline: bibliografia de uma perturbação de personalidade (1ed). The


New Yorker

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