FELV – LEUCEMIA FELINA
Doença extremamente grave e infecciosa por um retrovírus (significa que pode ser incorporado ao genoma do animal)
Causa imunodeficiência e pode levar ao desenvolvimento de tumores.
TRANSMISSÃO: Transmitida principalmente por contato com fluidos corporais, como em Caixa de areia, brigas, alimentação no
mesmo pote de outro gato contaminado.e comunidades de gatos de rua .
Curiosidades: 1,0 ml de saliva pode conter 1.000.000 de partículas virais. 20 minutos em meio seco e 30 minutos em meio úmido.
De fácil inativação: desinfetantes e sabão.
SUSCEPTIBILIDADE: Maior em gatos jovens (pouca imunidade). Risco se eleva quando o contato é contínuo (A prevalência em
gatos mais velhos é um pouco mais alta)
SUBTIPOS VIRAIS: FELV-A: causa viremia transitória ou anemia hemolítica e linfoma.
FELV-B: causa Neoplasias, linfoma e leucemia.
FELV – C: causa desordens hematopoiéticas (anemia)
FELV – T: causa imunossupressão.
DIAGNÓSTICO:
Metodologia ELISA: Kits comumente encontrados em clínicas veterinárias; Resultados apresentados são qualitativos
(Positivo/ Negativo); Atenção a limitação de detecção.
Metodologia imunofluorescência: Teste muito sensível, Atenção a interpretação. Infecção regressiva pode apresentar um
resultado negativo. Leucopenia grave : pode apresentar um Falso negativo.
Metodologia PCR: Muito sensível e específico. Amostras : as mais variadas( sangue, tecidos e células ) que contenham
os vírus ou parte deles. DNA viral é detectado em 02 semanas pós exposição.
Resultados discordantes entre PCR, IFI e ELISA, podem ocorrer devido a: Tempo da infecção, sistema imune e Sensibilidade do
teste.
A presença da infecção pode variar individualmente entre gatos de ninhadas, colônias e coabitantes, por este motivo não é
recomendado para reduzir custos , testar apenas um gato e generalizar o resultado.
SINAIS CLÍNICOS: Podem ser variáveis e múltiplos (idade, subtipo viral e resposta imune); Perda de peso (63%) crônica e
progressiva. Febre (42%), Desidratação (35%), Aumento de linfonodos periféricos (13%) – Ganglios
Imunosupressão: linfopenia, neutropenia, trombocitopenia, Redução de CD4 e CD8, Atrofia de timo.
Anemia: Recomenda-se transfusões se hematócrito abaixo de 20%.
Neoplasias: Leucemias; Linfoma (25% dos casos em menos de 02 anos).
Enterite crônica: Degeneração das células epiteliais intestinais e necrose.
Hiperemia conjutival; Miose; Perda da visão; Dor; Hifema (acúmulo de sangue na córnea); Hipópio: Acúmulo de pus na ´córnea
PROGNÓSTICO: Bom: Função normal dos outros órgãos, normorexia e perda de peso mínima.
Ruim: Anemia, trombocitopenia, neutropenia, paralisia, febre , gengivite e renite crônica.
SINAIS NEUROLÓGICOS: Mudanças de comportamento; Alteração na deambulação e marcha; Paralisia ascendente; Paresia dos
membros pélvicos ou tetraparalisia; Alterações na micção; Sindrome da pupila hemidilatada ou em formato de “D”
TRATAMENTO: Longo (porém agressivo).
Antivirais( AZT): Impede a replicação viral, maior tempo de sobrevida , maior qualidade devida, melhora de sinais neurológicos e
estomatite.
Imunomoduladores – Interferon felino
MANEJO DO PACIENTE POSITIVO: Castração; Isolamento em casa; Vacinação
PREVENÇÃO: Vacinação; Testagem.
PARVOVIROSE
A doença é causada pelo parvovírus canino (canine parvovirus, CPV) que surgiu no final dos anos 1970 e disseminou-se rapidamente
por todos os continentes. Após o surgimento a partir do FLPV (vírus da panleucopenia felina), o CPV continuou sofrendo alterações
genéticas, dando origem a novas cepas, designadas como subtipos CPV-2a e CPV-2b. Felizmente as diferenças antigênicas entre
essas cepas são mínimas e as vacinas protegem contra ambas.
EPIDEMIOLOGIA: A gravidade da parvovirose canina é atribuída à falta de imunização natural da população canina. Os filhotes
com idade entre seis semanas e seis meses, quando não vacinados, são altamente susceptíveis ao desenvolvimento da doença
Os filhotes são mais propensos ao desenvolvimento da gastrenterite hemorrágica (GEH) pelo CPV, porém cães de qualquer idade,
sexo, ou raça podem ser acometidos. Animais de algumas raças de porte médio e grande, como doberman, rottweiler, labrador,
pastor alemão e pitbull, parecem apresentar a doença mais severa quando infectados.
CONTÁGIO: O CPV (canine parvovirus)é altamente contagioso, e a infecção geralmente ocorre por exposição: oronasal, fezes,
fômites ou ambientes contaminados .
O vírus pode permanecer por longos períodos (mais de seis meses) no ambiente e nos pêlos dos animais que tiveram contato com
fezes contaminadas. As pessoas, equipamentos veterinários, insetos e roedores podem atuar como veículos para a propagação do
vírus.
CARACTERÍSTICAS DO VÍRUS: O CPV é muito resistente ao ambiente e a maioria dos desinfetantes, com exceção do
hipoclorito de sódio, que é comercializado como água sanitária, em concentrações que variam de 2 à 3%.
Sabe-se que o hipoclorito de sódio a 0,175% é efetivo para inativação do CPV, porém, para assegurar a eficácia da sua utilização, a
solução deve permanecer em contato com o agente por tempo prolongado
PATOGENIA: Após a exposição oronasal, o vírus replica nos tecidos linfóides próximos ao local de entrada (geralmente na
orofaringe) e é disseminado através da corrente sanguínea para uma variedade de órgãos resultando em infecção sistêmica.
O período de incubação varia entre de 2 à 14 dias, mas, na maioria dos casos, é de 4 à 7 dias. A viremia é intensa do primeiro ao
quinto dia da infecção e cessa por volta do quinto ou sexto dia, quando os anticorpos neutralizantes já podem estar presentes no
soro. Os animais com a imunidade parcial apresentam infecção subclínica ou formas clínicas mais brandas.
HEMOGRAMA: O hemograma dos animais infectados demonstra leucopenia, neutropenia e linfopenia (FLORES, 2007).
A leucopenia é atribuída á destruição das células progenitoras hematopoéticas de vários tipos primários de leucócitos na medula
óssea, e também em outros órgãos linfoproliferativos como timo, linfonodos e baço, resultando em produção inadequada na demanda
leucocitária (especialmente neutrófilos) no trato gastrintestinal (PRITTIE, 2004). Na fase de recuperação, pode ocorrer leucocitose.
Anemia pode ocorrer pela perda sanguínea intestinal.
DIAGNÓSTICO: O diagnóstico presuntivo na rotina clínica geralmente é feito pelo histórico, sinais clínicos e hemograma. Porém,
o diagnóstico definitivo de parvovirose exige a identificação do vírus por testes específicos. Testes de ELISA, para detecção de
antígenos virais nas fezes, estão disponíveis no mercado brasileiro. Outros testes, como a identificação do vírus por teste de
hemaglutinação (HA) , sorologia pareada por teste de inibição da hemaglutinação (HI) e soroneutralização (SN), testes de ELISA,
para a detecção de IgM, detecção dos virions por microscopia eletrônica (ME) podem ser utilizados para diagnóstico definitivo.
CONTROLE E PROFILAXIA: O tratamento da gastrenterite pelo CPV é de suporte baseiando-se na reposição de fluidos e
eletrólitos, na antibioticoterapia de amplo espectro e no controle de vômitos, para minimizar as perdas líquidas e eletrolíticas.
VACINAÇÃO: A maneira mais efetiva de prevenção da parvovirose é a vacinação sistemática de filhotes, que devem receber a
primeira dose da vacina com seis a oito semanas de idade, recebendo duas doses de reforço a cada quatro semanas. Vacinas com
cepas pouco atenuadas podem diminuir a janela de susceptibilidade, pois o vírus replica e estimula uma imunização ativa nos
filhotes, mesmo com a presença de imunidade passiva. Nesses casos, alguns animais podem apresentar uma forma branda da
enfermidade
CINOMOSE
HISTÓRICO: Há relatos bem descritos no ano de 1746 na América do Sul; Em 1760 foi descrita na Espanha, Inglaterra, Itália e
Rússia.; Em 1763 em um único dia em Madri , morreram 900 cães.
AGENTE ETIOLÓGICO: A cinomose é uma enfermidade multissistêmica causada por um Morbilivirus, da família
Paramyxoviridae.
Doença infecciosa mundialmente importante para cães domésticos e apresenta alta morbidade. No Brasil em determinadas regiões
é considerada endêmica. Em alguns países há a presença de surtos esporádicos (Europa).
ANIMAIS AFETADOS: Cães, Raposas, Leões , Tigres e Guepardos, Coatis, Minks, Gambás, Lontras, Lobos e raposas
CURIOSIDADES: Países como a Finlândia tem grande preocupação devida a sua alta exploração na produção de peles.
Também é indispensável citar que a cinomose pode ser um dos fatores colaboradores da possível extinção de alguns animais
selvagens, já que o vírus é altamente fatal para tais espécies, como ocorre em alguns parques africanos.
MEIOS DE CONTAMINAÇÃO: Os animais expelem o agente nas excreções corporais, como urina, fezes, saliva, placenta e
secreção respiratória, podendo ou não apresentar sinais clínicos, tornando-se importantes na cadeia epidemiológica da doença como
fonte de contaminação para animais saudáveis. Sinais clínicos aparecem após 7 dias após a contaminação inicial.
SINTOMAS: Febre Alta, Secreção Nasal e Ocular, Apatia, Anorexia , vômito , diarréia e desidratação. Dificuldade respiratória,
Mioclonia (Contrações , tremores ou espasmos involuntários do musculo).
Os sinais sistêmicos podem incluir diarreia, febre, emese (vômitos), hiporexia (perda de apetite), anorexia, tenesmo (espasmo do
esfíncter com muita dor), secreção nasal, tosse, dispneia, apatia e ceratoconjuntivite seca.
Dentre os sinais neurológicos, incluem-se mioclonia, convulsão, rigidez cervical, hiperestesia, tremores musculares, paresia,
paralisia, ataxia (dificuldade motoras), mudanças comportamentais, depressão e desorientação
VACINAÇÃO: A doença tem sido controlada com o uso de vacinas com vírus atenuado, porém alguns cães têm apresentado sinais
típicos da doença dentro de uma população canina já vacinada, em vários lugares do mundo.
A vacina contra a cinomose canina ainda é o melhor método para redução do risco de aparecimento da enfermidade. A ausência de
vacinação pode aumentar em torno de 100 vezes a ocorrência da doença numa população canina.
DADOS EPIDEMIOLÓGICOS: Estima-se que o grau de infecção seja significativamente maior que o grau de doença, e que
acima de 50% das infecções em cães domésticos possam ser subclínicas.
Filhotes e cães jovens são mais acometidos pela cinomose canina, contudo a faixa etária entre os três a seis meses apresenta maior
número de casos.
MÉTODOS DE DIAGNÓSTICO: O diagnóstico clínico É Realizado com base no exame físico, anamnese e exames
complementares, às vezes, é inconclusivo. Entretanto, diversos testes mais específicos podem ser usados para o diagnóstico da
doença. Cães que se recuperam da infecção são provavelmente imunes por toda sua vida, e resistem à exposição ao vírus após sete
anos em isolamento.
A demonstração por testes sorológicos de anticorpos anti-VCC indica infecção recente.
Dentre os testes para se pesquisar a enfermidade é possível citar: Histopatológico; A soroneutralização (teste que detecta anticorpos
capazes de neutralizar a infectidade viral), Utilizado tanto para diagnóstico, como para estudos epidemiológicos. A imuno-
histoquímica A reação em cadeia de polimerase da transcriptase reversa (RT-PCR). A imunofluorescência e o isolamento viral a
partir de cultura celular. Outro método passível de ser utilizado é a pesquisa de corpúsculos de Lentz , presentes em células como
hemácias e leucócitos. Por ser encontrada na fase de viremia da cinomose, apesar da baixa freqüência, esta inclusão é considerada
uma ferramenta de diagnóstico precoce.
É UMA ZOONOSE? Não há evidência definitiva da infecção obtida naturalmente pelo VCC em seres humanos, apesar da infecção
experimental assintomática já ter sido descrita. Também já foi relatada a presença de encefalite causada por este agente em primatas
não-humanos, de forma experimental ou natural.
OBSERVAÇÕES: A cinomose canina é uma doença endêmica no Brasil. No entanto, tem se tornado emergente em países que por
anos controlaram o aparecimento da doença. Isto se deve em parte, a grande variabilidade genética do vírus, que faz com que este
alcance um vasto número de novos hospedeiros. Este fato, também coloca em dúvida a eficiência de vacinas desenvolvidas com
cepas que com o passar do tempo não se encontram mais circulantes no ambiente.