FIBROMIALGIA na fisioterapia
DEFINIÇÃO DE FIBROMIALGIA PAULO VINÍCIUS – FISIO 104
- Alterações em vários sistemas: endócrino, imunológico,
musculoesquelético e do Sistema Nervoso Autônomo (SNA).
TEORIA DA SENSIBILIZAÇÃO CENTRAL E DA
DEFICIÊNCIA DE MECANISMOS INIBITÓRIOS
ENDÓGENOS DA DOR
- Ocorre uma relação desproporcional entre o estímulo provocado e a
percepção da dor no indivíduo.
Inibição da liberação
DIMINUIÇÃO DOS NÍVEIS de substância P pelos
DE SEROTONINA neurônios aferentes
após estímulos
nociceptivos.
- É uma doença crônica de caráter doloroso, não autoimune e não
inflamatória no sistema musculoesquelética generalizada (difusa) e
persistente.
- Caracterizada como uma síndrome altamente prevalente e
SENSAÇÃO
incapacitante→ seu diagnóstico e tratamento tornar-se um desafio DOLOROSA
para os profissionais de saúde.
SENSIBILIZAÇÃO
EPIDEMIOLOGIA CENTRAL
- Essa patologia apresenta uma prevalência média de 0,66% a 4,40%
na população mundial, o que corresponde a 15% das consultas em
clínicas de reumatologia e 5% a 10% em clínicas gerais.
Gradiente de limiar de dor
Rebaixamento do Limiar de dor normal
- É a terceira doença reumática mais comum depois da lombalgia e da Estímulos acima do
limiar de dor nas limiar são percebidos
osteoartrite. como dor.
fibras nervosas
- Doença sem diferenças entre nacionalidades ou condições nociceptivas Limiar de dor
rebaixado
socioeconômicas. Estímulos acima do
limiar não são
percebidos como dor.
- No Brasil, a síndrome acomete cerca de 2,5% da população.
Tipo de fibra nervosa
- Essa síndrome apresenta-se predominantemente em pacientes
do sexo feminino, raça branca e a idade de início varia dos 30 aos
50 anos→ proporção 8:1. DISFUNÇÃO DO
SISTEMA
Distúrbios do sono e
NEUROENDÓCRINO
psicológicos.
EIXO HIPOTALÂMICO -
OBSERVAÇÃO!!!
HIPÓFISE - ADRENAL
Existem pacientes mais jovens e mais velhos com FM do que a
faixa predita de 30 – 50 anos.
DIAGNÓSTICO
ETIOLOGIA E FISIOPATOLOGIA
- O diagnóstico é essencialmente clínico, com a história, exame físico e
- Sua etiopatogenia ainda é desconhecida, sendo motivo de exames laboratoriais auxiliando a afastar outras condições que podem
inúmeros estudos, principalmente com o intuito de maior causar sintomas semelhantes.
entendimento dos mecanismos de percepção e controle da dor
crônica→ MULTIFATORIAL. IMPORTANTE!
- Associado a regiões de hipersensibilidade à palpação em locais 1- Não há alteração dos exames que indicam inflamação, como a
anatômicos definidos, denominados pontos dolorosos (tender points) velocidade de hemossedimentação (VHS) e a proteína C reativa.
em tecidos moles, estando geralmente acompanhada de diversos 2- Exames de imagem devem ser interpretados com muito cuidado,
sintomas não relacionados ao aparelho locomotor (distúrbios
pois nem sempre os achados da radiologia são a causa da dor do
depressivos, agressão física, abuso sexual, polimorfismo genético,
paciente.
além do estilo de vida de cada pessoa).
3- A FM pode aparecer em pacientes que apresentam outras o IDG > 7 e EGS ≥ 5;
doenças reumáticas, como artrite reumatoide e lúpus eritematoso o IDG de 3 a 6 com EGS ≥ 9.
sistêmico, e muitas vezes dificulta uma completa melhora destes
pacientes.
OBSERVAÇÃO!!!
- Para efeitos de classificação, segundo o American College of
Rheumatology (ACR) em 1990: SÍNDROMES MIOFASCIAIS X FIBROMIALGIA
A Síndrome dolorosa
miofascial é definida pela
Associação Internacional de
Estudo da Dor como uma
síndrome dolorosa regional
relacionada a PONTOS-
GATILHO→ pequenas áreas
dolorosas que espontaneamente
ou sob estímulo mecânico
desencadeiam dor irradiada num
padrão específico próprio de cada
ponto nas suas proximidades ou
distância.
Os pontos de gatilho diferem dos pontos dolorosos da FM, uma
vez que apresentam localização mais profunda na massa
muscular, resultando em decréscimo da distensibilidade
muscular→ dor provocada pela contração destes músculos, sendo
característica a observação de fasciculação à rápida percussão de
uma faixa muscular retesada.
o Dor muscular difusa por mais de 3 meses: presentes em todas as
Por outro lado, os pontos dolorosos observados na FM são positivos
regiões do aparelho locomotor, incluindo o componente axial.
à pressão com intensidade inferior a 4 kgf/cm 2, apresentando
gradiente de dor com as áreas vizinhas.
o Dor à palpação de pelo menos 11 dos 18 tender points.
QUADRO CLÍNICO
- Em 2010, o ACR apresentou novos critérios (uma atualização no ano SINAIS E SINTOMAS:
de 2016), onde são avaliados os seguintes instrumentos:
o Dor difusa e crônica;
o Índice de dor generalizada→ contagem de áreas corporais o Fadiga;
dolorosas. o Distúrbios do sono→ sono não reparador > 8 -10h.
o Distúrbios cognitivos (memória, atenção, humor, etc).
OBSERVAÇÃO!!!
o Escala de gravidade dos sintomas e presença de sintomas
somáticos.
Grande parte dos pacientes podem apresentar ALODINIA, ou
seja, a dor que ocorre como resposta a um estímulo que,
normalmente, não provocaria dor.
- Para ser diagnosticado com Fibromialgia, o paciente precisa
apresentar: MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS ASSOCIADAS:
o Artralgia;
o Rigidez (muscular e/ou articular);
o Parestesias→ principalmente nos braços e nas pernas);
o Cãibras;
o Edema;
o Sintomas gástricos;
o Síndromes gástricos;
o Síndrome do cólon irritável;
o Dismenorreia;
o Cefaleia crônica (do tipo tensional) →
relatada por 50% dos pacientes;
o Sintomas psicológicos (ansiedade,
depressão, irritabilidade)→ cerca de 30 –
50% dos pacientes.
AVALIAÇÃO DA FIBROMIALGIA BASEADA NOS
COMPONENTES DA CIF Escala de dor (EVA);
1) ANAMNESE DETALHADA:
HDA;
Mapa corporal da dor;
Fatores pessoais e ambientais que impactam na funcionalidade
(barreiras e facilitadores);
Queixa relacionada à função / estrutura → QUEIXA PRINCIPAL;
Queixa relacionada à atividade / participação → QUEIXA
FUNCIONAL;
Antecedentes pessoais e familiares;
Inquérito sobre a dor=
o Localização;
o Frequência;
o Intensidade;
o Fatores de alívio e exacerbação. Questionário McGill – Melzack.
2) EXAME FÍSICO MUSCULOESQUELÉTICO:
Avaliação da postura global;
Palpação muscular e fascial;
Algometria;
Flexibilidade;
Força: avaliação de grupos
musculares relacionados às
queixas do paciente;
Se houver queixas articulares,
avaliar a articulação envolvida;
Capacidade aeróbica.
3) TESTE FUNCIONAL:
Testes que visam quantificar e qualificar o perfil funcional do indivíduo
frente às suas queixas.
4) ESCALAS E QUESTIONÁRIOS:
QIF – Questionário de Impacto da fibromialgia; Inventário do sono;
- Atualmente não há cura para FM, portanto seu tratamento visa
reduzir a sintomatologia e melhorar a qualidade de vida do
indivíduo através de tratamento farmacológico e terapias
alternativas→ pesquisas apontam relevância clínica sobre os
exercícios terapêuticos como uma abordagem de tratamento mais
segura e com menos efeitos colaterais.
RECOMENDAÇÕES:
- Educação do paciente sobre a doença=
o Prevenir catastrofização;
o Mudanças no estilo de vida (GESTÃO DE ATIVIDADES).
OUTROS QUESTIONÁRIOS:
Inventário de Ansiedade Traço – Estado (IDATE); 1) O principal tratamento da fibromialgia é o exercício aeróbico
Escala de Depressão de Beck; (FORTE EVIDÊNCIA):
Escala de Fadiga de Chalder.
FUNCIONALIDADE E INCAPACIDADE NA FIBROMIALGIA o Exercícios que mexem o corpo de forma global e acelera os
batimentos cardíacos;
- Na perspectiva de pacientes com fibromialgia, foram identificados mais
o Liberam no SNC e SNP
de 1000 categorias da CIF que têm impacto na saúde:
neurotransmissores com ação
analgésica (serotonina e noradrenalina);
FUNÇÕES / ESTRUTURAS FATORES AMBIENTAIS
DO CORPO o Melhor a maneira de reverter a
o Família próxima;
sensibilidade aumentada à dor na FM;
o Sensação de dor; o Profissionais de saúde;
o Estrutura musculoesquelética o Medicamentos; o Melhoram o estado de humor,
relacionado ao movimento; ansiedade e a depressão;
o Atitudes individuais de:
o Tolerância ao exercício; família, amigos, sociedade;
o Melhor função física;
o Tônus muscular; o Serviços, sistemas, políticas
o Mobilização das articulações; de saúde. o Menor rigidez;
o Força muscular; o Serviços de segurança social
(auxílios, aposentadorias...). o Aumento da mobilidade articular;
o Sono;
o Memória; o Melhor autoeficácia;
ATIVIDADES
o Atenção / concentração. o Melhor capacidade funcional / Qualidade de vida.
o Mudar a posição básica do
corpo; IMPORTANTE!
FATORES PESSOAIS o Andar;
o Executar rotina diária; As medicações são úteis para diminuir a dor, melhorar o sono e a
o Ansiedade; o Lavar-se; disposição do paciente com fibromialgia, para permitir a prática de
o Depressão; o Vestir-se; exercícios físicos→ antidepressivos, relaxantes musculares e neuro
o Crenças; o Utilização de transportes; moduladores.
o Sedentarismo; o Trabalho renumerado;
o Cinesiofobia; o Recreação e lazer. 2) Exercícios de fortalecimento muscular e alongamentos (FORTE
o Catastrofização. EVIDÊNCIA):
TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO PARA A
FIBROMIALGIA
- O tratamento deve ser:
o Melhora da força muscular; o Acupuntura → alívio da dor (evidência
fraca);
o Redução da fadiga e dor (evidenciada pela diminuição do número de
pontos-gatilho, limiar do ponto de pressão e escala geral de dor); o Yoga, Qi Gong, Tai Chi, meditação
(mindfulness)→ Evidências insuficientes
o Aumento da ADM de uma articulação ou de uma série de articulações. para serem recomendadas sozinhas para o
tratamento da fibromialgia, mas podem ser
utilizadas para o tratamento do sono e fadiga.
3) Hidroterapia:
6) Terapia Manual:
o Podem auxiliar no alívio da dor e diminuir o disparo de dor aferente,
que sustenta o processo de sensibilização central.
o São recomendados (Evidência moderada a fraca)→ Manipulação
articular e vertebral, Mobilização articular, Liberação Miofascial e
Massoterapia.
7) Biofeedback:
o Evidência fraca;
o Pode ser usado para manejo do estresse mental da FM.
o Pode ajudar no alívio da carga mecânica (diminuição do impacto);
8) Estimulação nervosa elétrica transcutânea (TENS):
o A temperatura terapêutica da água que por sua vez age de forma o Nos estados de dor crônica generalizada da FM não é recomendada.
rápida no alívio da dor muscular, por possuir um efeito de
vasodilatação, desta forma aumenta a quantidade de sangue e assim
diminui a resposta álgica. 9) Demais recursos eletrotermofototerapêuticos:
o Não são recomendados por falta de evidência na melhora da dor,
qualidade de vida ou funcionalidade da FM.
OBSERVAÇÃO!!!
A. Deve-se ter cuidado na prescrição de exercícios: Intensidade,
Duração e Frequência. MITOS E VERDADES SOBRE A FIBROMIALGIA
B. Considerar a queixa funcional deste paciente.
MITOS:
A fibromialgia não é uma condição médica real;
IMPORTANTE!
Não se pode fazer exercícios em pacientes com FM, pois pode
Recomendações de exercício físico do Colégio Americano de aumentar a dor;
Medicina Esportiva (ACMS) para pessoas com fibromialgia:
Pacientes com fibromialgia podem ficar incapacitados de andar
ao longo do tempo e [Link] deformidades articulares;
Os medicamentos usados em Fibromialgia “viciam"→ A
estratégia medicamentosa para a fibromialgia envolve especialmente
miorrelaxantes, antidepressivos (duais, inibidores da recaptação da
noraderalina e da serotonina em maiores doses), anticonvulsivantes,
indutores de sono e opióides fracos. Com excessão do último,
nenhum dos demais traz dependência física. Para os opióides fracos,
em baixas doses, não é comum a dependência física (tolerância e
abstinência).
4) Terapia multimodal: A fibromialgia é um problema psicológico;
o Medicamento + educação do paciente + terapia psicológica + A fibromialgia é um tipo de artrite;
exercícios.
O único sintoma é a dor;
o Devem ser considerados para aqueles com deficiência grave.
A fibromialgia só atinge pessoas mais velhas.
o Gerenciamento do estresse / relaxamento:
Terapia Cognitivo Comportamental; VERDADES:
Identificar fatores estressores.
A fibromialgia não tem cura;
5) Terapias alternativas complementares: Fibromialgia e depressão estão frequentemente associadas;
Não existem exames específicos que confirmem o diagnóstico da
fibromialgia;
Não se sabe, ainda, por que a fibromialgia acontece;
A doença ataca mais as mulheres;
O tratamento da doença deve ser multidisciplinar.