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Limiar Altimétrico em Modelos Digitais de Elevação

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Anais XVI Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto - SBSR, Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 13 a 18 de abril de 2013, INPE

Avaliação do uso de diferentes limiares de variação altimétrica para o pré-


processamento do Modelo Digital de Elevação de uma bacia experimental do
Cerrado

Felippe Damião Mello di Silva1,2


Jorge Enoch Furquim Werneck Lima 2
Antonio Felipe Couto Junior 1
Pedro Ribeiro Martins 1,2
Thiago Avelar Chaves 3

Universidade de Brasília – UnB - Campus Planaltina


1

CEP: 73300-000 Planaltina, DF


felippedamiao@[Link]; afcj@[Link]; peedrorm@[Link]

2
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa
BR-020 km 18 Caixa Postal 08223 CEP: 73301-970 Planaltina, DF
[Link]-lima@[Link]

Universidade de Brasília – UnB


3

Campus Universitário Darcy Ribeiro – Asa Norte CEP: 70910-900 Brasília, DF


thiagochvs@[Link]

Abstract. The numerical representation of the relief in a limited region of the surface results in the
Digital Elevation Model or Digital Terrain Model (DEM or DTM). This information is critical for many
hydrological studies, such as characterization of the drainage network; flow direction; delineation of
watersheds; estimate of erosion, and others. The objective of this study was to compare the impact of
using different thresholds in the MDE filtering process in the Upper Jardim Experimental River Basin
(BEARJ). An ASTER GDEM image was used as the base for this study. For generating the DTMs it was
applied the median filter with 7x7 window and the extraction of three different variation thresholds, of 3,
5 and 10 meters. It was compared the basin drainage area generated by the four models. For comparing
the impact of the three thresholds on the original DEM, the altitude variation of each pixel was
standardized in relation to the altitude average and the standard deviation values of each model. The
results indicated that, in relation to the original data, the threshold of 3m was the one that most changed
the original DEM, followed by 5m and 10m. Smoothing relief stood out as the main result generated
using this process. For better understanding the process of generating consistent digital elevation models,
the next step of this study is to compare the obtained results with field data acquired with differential
GPS.

Palavras-chave: relief, image processing, hydrology, relevo, processamento de imagem, hidrologia

1. Introdução

A adequada representação de dados altimétricos é fundamental na realização de


diversos estudos ambientais e de engenharia, destacando-se aqueles relacionados aos
recursos hídricos. Dentre as principais utilizações nessa área do conhecimento,
destacam-se a caracterização da rede de drenagem, a identificação da direção do fluxo, a
delimitação de bacias hidrográficas, a estimativa do potencial de erosão hídrica e a
definição de zonas passíveis de inundação.
A representação numérica do relevo de forma espacialmente distribuída numa
região limitada da superfície terrestre resulta no Modelo Digital de Elevação ou Terreno
(MDE ou MDT). O processo para a geração do modelo consiste, basicamente, em três
etapas: aquisição de dados; edição dos dados; e geração do modelo. A aquisição de

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dados pode ocorrer por digitalização, restituição fotogramétrica, sensoriamento remoto


ou levantamento direto em campo (INPE, 2004).
No caso da aquisição de dados de sensores orbitais, estes trazem consigo as
limitações intrínsecas do sistema e estão sujeitos a uma série de fatores que alteram a
relação de veracidade para com a paisagem existente. Seu uso, portanto, requer o
desenvolvimento de processos de tratamento e correção, para que atendam às demandas
técnicas da modelagem do relevo por SIG e sua integração com outras informações
(Valeriano, 2004).
A aplicação de métodos de filtragem do Modelo Digital de Elevação obtido por
meio de sensor orbital tem como objetivo a eliminação de elementos presentes na
imagem e que não representam a elevação do terreno, como árvores, edifícios, nuvens e
outros. Dependendo do tipo de elementos presentes na área de estudo, pode ser
necessária a utilização de diferentes limiares que definirão a partir de qual amplitude de
variação do modelo entre células vizinhas o processo de filtragem deverá ser aplicado.
Nesse contexto, o objetivo deste trabalho foi comparar o impacto do uso de
diferentes limiares de variação altimétrica no processo de filtragem do Modelo Digital
de Elevação (MDE) na Bacia Experimental do Alto Rio Jardim (BEARJ).

2. Área de Estudo

A BEARJ localiza-se na porção leste do Distrito Federal, entre as latitudes


15,71º e 15,86º S e as longitudes 47,55º e 47,64º W. Abrange uma área de drenagem de
105 km² composta por dois rios principais, o Estanislau e o próprio Jardim. Possui
variação altimétrica de 904 a 1201 metros (Figura1).

Figura 1 - Localização e altimetria da Bacia Experimental do Alto Rio Jardim.

A área de estudo faz parte da região hidrográfica do São Francisco, sendo o rio
Jardim afluente do rio Preto, que deságua no Rio Paracatu, importante tributário do rio
São Francisco.

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Esta área está inserida em clima predominante “Tropical de Savana”, típico da


região de Cerrado, caracterizado por duas estações bem definidas: verão chuvoso e
inverno seco.
A hidrogeologia da bacia é constituída, em seu domínio poroso, pelos sistemas
P1, P2 e P4. O domínio fraturado é composto pelos sistemas Paranoá (subsistemas Q 3/R3
e R4), Canastra (subsistema F) e Bambuí (Lima, 2010).
O solo da área de drenagem da bacia é composto em sua maioria por Latossolos,
seguido por Cambissolos, sendo o restante representado por outras classes com menor
significância.

3. Materiais e métodos
3.1 Aquisição e tratamento do Modelo Digital de Elevação ASTER GDEM

A primeira etapa deste trabalho foi a aquisição do Modelo Digital de Elevação


(MDE) do sensor Advanced Spaceborne Thermal Emission and Reflection Radiometer
Global Digital Elevation Model (ASTER GDEM). Estes dados foram gerados por meio
de operação conjunta entre a NASA e o Ministério japonês de Economia, Comércio e
Indústria (METI). Esses dados possuem resolução espacial de 30 metros,
disponibilizados pela página eletrônica: [Link]
gratuitamente. A folha/cena que corresponde à área de estudo é a
ASTGTM2_S16W048.
O tratamento do MDE seguiu as seguintes etapas: a) filtragem das imagens
originais com filtro de mediana com janela 7x7; b) subtração entre os dados originais e
filtrados; c) identificação das variações superiores a 3, 5 e 10 metros; d) conversão
desses valores matriciais em formato vetoriais de ponto; e) geração dos três Modelos
Digitais do Terreno referentes a cada um dos limiares de variação altimétrica avaliados
(MDT3, MDT5 e MDT10), com a interpolação efetuada por meio do algoritmo
TOPOGRID (Hutchinson, 1989).

3.2. Delimitação automática da bacia e análise dos dados

Ao final da primeira etapa foram obtidos quatro modelos digitais, sendo eles:
MDE (original), MDT3, MDT5 e MDT10. Todos esses modelos foram submetidos às
seguinte etapas para a delimitação da área de drenagem: 1) preenchimento de
depressões, com o intuito de minimizar as falhas que comprometem o fluxo da
drenagem; 2) definição da direção do fluxo, através do método D8 o qual determina
uma direção entre oito de acordo com a altimetria (O’Callaghan & Mark, 1984); 3)
cálculo do fluxo acumulado a partir da direção do fluxo, determinado com base no
número de pixels que estão contribuindo para a geração da drenagem a montante de um
determinado ponto; 4) conversão da drenagem para o formato matricial; 5) definição do
exutório da bacia que, no caso, está cerca de 50 metros a jusante da confluência entre os
rios Jardim e Estanislau; 6) geração automática dos limites da bacia.
Foi realizada análise da estatística descritiva da altimetria de cada modelo por
meio de histogramas de frequência referente às diferenças altimétricas. No intuito de
proceder a avaliação dos modelos, os dados obtidos (MDT, MDT3, MDT5 e MDT10)
foram padronizados pela média e o desvio padrão, de acordo com a seguinte equação:

(Eq. 1)

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em que:
= padronização das diferenças entre cotas altimétrica em relação à cota média;
hi = cota altimétrica em cada pixel i;
= cota altimétrica média de todos os pixels do modelo;
dp = desvio padrão das cotas altimétricas de todos os pixels do modelo.

Em seguida foi feita a espacialização dos dados padronizados.

4. Resultados e Discussão

Com base no MDE, através de diferentes tratamentos, foram gerados três


MDT’s, assim, a partir de cada modelo foi delimitado a área de drenagem da BEARJ
(Figura 2).

Figura 2 – Modelo Digital de Elevação original da imagem ASTER GDEM e os


respectivos Modelos Digitais do Terreno obtidos por meio de diferentes tratamentos.

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Como se pode observar na figura acima, ocorreram diferenças entre os modelos


gerados, representando o limiar empregado para a interpolação. O MDE apresentou uma
área de drenagem de 105,23 km² e variação altimétrica de 904 a 1.201 m, enquanto os
demais modelos apresentaram os seguintes valores:
 MDT3 - área de drenagem de 106,08 km² e variação altimétrica de
904,74 a 1.185,24 m.
 MDT5 - área de drenagem de 105,86 km² e variação altimétrica de
905,82 a 1.187,78 m.
 MDT10 - área de drenagem de 106,30 km² e variação altimétrica de
905,85 a 1190,35 m.

Os histogramas de frequência dos valores padronizados indicaram que a maior


diferença foi observada no MDE, com os dados variando entre 3,031781 e -1,696138
(Figura 3). Os dados dos MDT’s variaram menos em relação ao MDE, ficando evidente
o efeito da suavização obtida por meio do filtro de mediana e dos diferentes limiares
avaliados.

Figura 3 – Histogramas de distribuição da frequência das diferenças altimétricas


padronizadas.

As diferenças padronizadas foram espacializadas para a avaliação visual das


principais diferenças, onde foi feito um zoom em uma área com grandes variações para
facilitar a visualização (Figura 4).

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Figura 4. Amostra da distribuição espacial das diferenças altimétricas padronizadas


geradas pelos quatro modelos de elevação (MDE, MDT3, MDT5 e MDT10).

Foi possível observar que todos os modelos apresentaram variações entre si:
 MDE – observou-se a ocorrência de maior variação, ficando assim uma imagem
mais heterogênea, sendo este modelo o que não recebeu tratamento.
 MDT3 – foi observada a maior alteração em relação ao o MDE, pelo fato da
variação de 3m ser facilmente encontrada, por conta da fitofisionomia típica do
cerrado, o que aumentou a quantidade de pixels a serem interpolados com os
vizinhos. Pode-se observar que nas áreas onde tinham maiores variações os
pixels que correspondem ao centro, geralmente não sofreram alterações, pelo
fato da interpolação ser com as médias dos pixels vizinhos.
 MDT5 - em questão de alterações do MDE, ficou entre o MDT3 e o MDT10.
 MDT10 - foi o que menos alterou o MDE, pelo fato de ter recebido o tratamento
referente ao limiar de variação de 10m, sendo menos ocorrente e por assim
menos pixels fora interpolados de acordo com a média dos vizinhos.

5. Conclusão

 Os procedimentos utilizados visam à atenuação dos valores espúrios encontrados


nos dados obtidos por sensores orbitais.
 A suavização do relevo destaca-se como o principal benefício gerado por esse
processo.
 O estudo permitiu comparar o impacto do uso de diferentes limiares de variação
altimétrica no processo de filtragem do Modelo Digital de Elevação (MDE).
 A padronização mostrou-se importante ferramenta na espacialização e análise
dos dados, permitindo melhor comparação entre os modelos.
 Na continuidade do trabalho, os resultados obtidos serão comparados com dados
de campo levantados com GPS diferencial, buscando melhores procedimentos
na geração do MDT.

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Referências Bibliográficas
Advanced Spaceborne Thermal and Reflection Radiometer (ASTER). Disponível em:
<[Link] Acesso em: 24 jun.2012.
Hutchinson, M.F. A new method for gridding elevation and streamline data with automatic removal of
[Link] of Hydrology.106, p. 211-232, 1989.
Lima, J.E.F.W., 2010. Modelagem numérica do fluxo da água no solo e do escoamento de base em
uma bacia experimental em área agrícola no Cerrado. Tese de Doutorado, Publicação [Link] –
08/10, Departamento de Engenharia Civil e Ambiental, Universidade de Brasília, Brasília, DF, 312p.
O’Callaghan, J.F. & Mark, D.M. The extraction of drainage networks from digital elevation data.
Computer Vision, Graphics, and Image Processing. 28, 323-344. 1984.
Oliveira, S.N. et al. Delimitação automática de bacias de drenagens e análise multivariada de
atributos morfométricos usando modelo digital de elevação hidrologicamente corrigido. Revista
Brasileira de Geomorfologia, v.8, n.1, p.3-21, 2007.
Valeriano, M.M. Curvatura vertical de vertentes em microbacias pela análise de modelos digitais de
elevação. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, Campina Grande/ PB, v.7, n.3, p. 539-
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Valeriano, M.M. Modelo digital de elevação com dados SRTM disponíveis para a América do Sul.
INPE: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, São José dos Campos/SP, 72p, 2004.

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