[28/07, 21:42] MDB: Helmut Raiser, em sua obra "Der Schutzhund
(The Protection Dog)", apresenta uma **tese central** que busca
desmistificar e fundamentar cientificamente o treinamento de cães de
proteção. A sua argumentação principal é que o **treinamento eficaz
de cães de proteção, especialmente para provas de Schutzhund,
depende de uma profunda compreensão e utilização precisa dos
impulsos inatos do cão (impulso de caça, impulso de defesa, impulso
de agressão e comportamento de evitação), sendo o conhecimento
teórico e a habilidade prática do figurante (helper) de suma
importância na gestão desses impulsos**. O livro se propõe a ser um
"alicerce de trabalho para seminários de figurantes", oferecendo uma
sequência de treinamento direcionada e baseada em leis de
aprendizagem e etologia.
Para elaborar essa tese, Raiser detalha diversos aspectos:
* **A Necessidade de uma Metodologia Clara no Treinamento de
Proteção**
* O autor observa uma carência de literatura que forneça "insight
sobre como treinar um cão no trabalho de proteção", havendo pouca
informação sobre a "sequência direcionada de treinamento" e os
"segredos" por trás dele.
* Seu livro surge como uma tentativa de "lançar luz sobre esta
área de escuridão", sendo o resultado de "muitos anos de trabalho
prático e teorização" que levaram à compreensão de "certas leis e
teorias de aprendizagem que existem para o treinamento de cães".
* **O Papel Fundamental dos Impulsos Inatos**
* Raiser cita V. Stephanitz, pai da raça Pastor Alemão, que afirma
que "o segredo da educação e do treinamento reside no
reconhecimento e utilização adequados dos impulsos já presentes".
* Ele argumenta que a questão do cão de serviço – ou seja, o uso
bem-sucedido de cães no serviço do homem – é "mais uma questão
da qualidade do condutor do que da qualidade do cão".
* Ainda, Raiser adiciona que "menos pessoas ainda têm o que é
preciso para ser um figurante (agitador) do que para ser um
treinador", e que o figurante é "a pessoa principal responsável pelo
desenvolvimento do cão no trabalho de proteção".
* **Principais Impulsos Inatos para o Trabalho de Proteção**
Raiser identifica e explica os impulsos mais importantes que podem
ser utilizados no treinamento de proteção:
* **Impulso de Caça (Prey Drive):**
* Pertence ao domínio funcional do comportamento de
aquisição de alimentos.
* Inclui ações como perseguir, táticas de susto, apontar,
carregar, buscar, rastrear, e o típico "sacudir para matar" que os cães
fazem ao brincar com um pano.
* É inato no filhote e se intensifica com a maturação do cão.
* Pode ser alterado por processos de aprendizagem e está
sujeito à exaustão específica de estímulo e específica de ação.
* É utilizado para fazer o cão perseguir o figurante, pular e
agarrá-lo, e sacudir o braço (manga) do figurante.
* **Impulso de Defesa (Defense Drive) e Comportamento de
Evitação (Avoidance Behaviour):**
* O impulso de defesa pertence ao domínio do comportamento
de agressão, desencadeado por ameaça física ou psicológica ou
agressão aberta.
* Seu objetivo é o **comportamento de evitação no atacante**.
Pode ser motivado pela guarda de presas, filhotes, território ou
autodefesa.
* Não está sujeito à exaustão específica de estímulo ou de
ação, podendo ser ativado à vontade e deve fazer parte do
comportamento combativo do cão de proteção.
* Existe uma **relação antagônica entre o impulso de defesa e
o comportamento de evitação**, ambos desencadeados pelo mesmo
estímulo. Ameaças devem ser usadas em "doses cuidadosamente
medidas" para produzir defesa em vez de evitação.
* O comportamento de evitação visa a segurança pessoal,
evitando inimigos, danos e ameaças, manifestando-se como fuga,
desviar-se, abaixar-se ou esconder-se.
* **Impulso de Agressão (Aggression Drive):**
* Um termo mais abrangente que inclui a forma reativa
(impulso de defesa) e a forma ativa (agressão social) do
comportamento agressivo.
* Existem teorias sobre sua origem: aprendizagem, frustração-
agressão e impulso inato.
* Agressão intraespecífica (social) é ativada por rivais em
competição por recursos (território, comida, acasalamento).
* O objetivo da agressão social é causar a fuga, evitação,
submissão e, ocasionalmente, lesão física ou morte do rival,
garantindo a distribuição de território e a seleção dos indivíduos mais
fortes.
* É treinável; o sucesso em combate aumenta a agressão.
Condições estressantes, como isolamento ou privação de comida,
podem aumentar a agressividade.
* Níveis de hormônios, segurança do ambiente e familiaridade
pessoal influenciam a agressão. Agressão e medo, quando
provocados juntos, podem levar a estresse extremo e prejudicar a
capacidade de aprendizagem do cão.
* **Impulso de Luta (Fighting Drive):**
* Para Raiser, o conceito de impulso de luta é um oximoro
(impulso de luta implica causar dano a si e ao adversário, o que
contraria o propósito de preservação da vida e da espécie).
* No entanto, ele considera o termo "impulso de luta" útil para
descrever um comportamento desejável: o cão que "se diverte
lutando com o figurante" e não se sente constantemente lutando por
sua vida.
* Raiser o vê como uma **extensão do impulso de caça**.
* Um forte impulso de luta inclui um impulso de caça
pronunciado, a utilização bem-sucedida do comportamento de defesa
e a agressividade social.
* Para promovê-lo, é necessário fortalecer o impulso de caça,
construir o impulso de defesa e permitir que o cão experimente
dominar e intimidar o figurante. O impulso de defesa e a agressão
espontânea amadurecem mais tarde, exigindo autoconfiança.
* **O Figurando (Helper) como Arquiteto do Comportamento**
* O figurante não deve apenas "saber lutar", mas "ser derrotado"
e "saber quais impulsos inatos pode utilizar para transformar o cão
em um cão de proteção".
* Conhecimento teórico e experiência prática são "absolutamente
necessários" para um bom figurante.
* O figurante deve atuar com uma "mistura de emoções
consistindo de medo e agressão", nunca ameaçando de forma
autoconfiante, para que o cão exiba seu comportamento de defesa
com confiança.
* O figurante deve assegurar que o cão seja o "agitador" e não o
"agitado".
* As influências coercitivas do figurante e/ou condutor em
conjunto com o comportamento de defesa (promoção do impulso de
defesa) causam "estresse nervoso extremo" no cão, que pode ser
prejudicial.
* **Leis da Etologia e Aprendizagem Aplicadas ao Treinamento**
Raiser dedica uma parte teórica substancial para explicar conceitos
cruciais:
* **Comportamento Instintivo:** Ações sem experiência prévia
que requerem um "apetite específico" (disposição, motivação) e um
"estímulo desencadeador". A aprendizagem só é possível na fase de
apetite.
* **Exaustão Específica de Ação e de Estímulo:** A exaustão
específica de ação refere-se à necessidade de um período de
descanso para repetir uma ação (ex: impulso de caça). A exaustão
específica de estímulo é a diminuição da capacidade de responder a
um estímulo específico, mesmo que a ação não tenha ocorrido (ex: o
cão se habitua ao figurante como estímulo se não houver trabalho
efetivo).
* **Soma de Estímulos (Stimulus Summation):** Vários estímulos
podem se apoiar mutuamente para desencadear uma ação. No
treinamento de proteção, isso implica que todos os impulsos que
levam o cão a morder (caça, defesa, agressão) devem ser
promovidos, de modo que a mera aparição do figurante desencadeie
todos eles.
* **Condicionamento Clássico:** Aprendizagem de emoções e
reações involuntárias, onde um estímulo neutro (comando de voz)
adquire a qualidade de um estímulo significativo (afeto, medo). O
figurante pode se tornar o estímulo desencadeador para o
comportamento de caça, defesa ou agressão do cão.
* **Condicionamento Instrumental:** Aprendizagem de
habilidades simples (como "segurar e latir" ou o exercício "largar").
Comportamentos são aprendidos se forem reforçados (aprovação,
satisfação do impulso) e desaparecem se não forem. O reforço pode
vir da satisfação de diversos impulsos.
* **Consequências do Estresse e Conflito de Impulsos**
* Situações de conflito de impulsos, onde duas tendências
incompatíveis são igualmente ativadas, podem levar a
comportamentos ambivalentes, redirecionados ou de deslocamento
(ex: bocejar, tremer, arranhar).
* Essas situações geram "estresse nervoso elevado" no cão,
podendo causar "danos ao sistema nervoso e/ou distúrbios orgânicos"
como neuroses, medo, problemas sociais, comportamentos
estereotipados, e até disfunções orgânicas (problemas digestivos,
circulatórios, renais).
* Raiser enfatiza que a promoção do impulso de defesa, se feita
de maneira coercitiva, pode ser "fatal para cães de muitos
participantes excessivamente ambiciosos em esportes caninos". Ele
defende que a promoção do impulso de defesa deve ser administrada
"em doses individuais e não muito pesadamente" para evitar
sobrecarga.
* **Princípios de Treinamento e suas Aplicações**
Raiser detalha os métodos de treinamento para cada fase e
impulso, sempre alinhados com as leis de aprendizagem:
* **Promoção do Impulso de Caça:** Começa com filhotes de três
meses, usando panos/sacos, progredindo para a manga de mordida.
Deve ser feito de forma lúdica, com tensão e excitação, mas **sem
ameaça**. A presa sempre se move *para longe* do cão.
* **A Primeira Mordida:** Ensina o cão a morder com força,
liberando a presa apenas após uma mordida firme.
* **Ensinando a Lutar ("Sacudir a Presa até a Morte"):** O cão
aprende a "matar a presa" sacudindo-a, o que é reforçado permitindo-
lhe alcançar seu objetivo de impulso.
* **Promoção do Impulso de Defesa (Aumentando a Agressão
contra o Figurando):** É mais difícil que a promoção do impulso de
caça devido à relação antagônica com o comportamento de evitação.
O figurante deve aprender a "aumentar o estresse psicológico"
desafiando o cão pela presa ou explorando suas inseguranças (ex:
esfregar o bastão nas pernas, soprar no rosto), levando o cão a reagir
com defesa.
* **Defesa Contra o Figurando:** Eliminando inibições, o cão
aprende a se defender atacando e mordendo o figurante. Isso
progride do figurante ameaçando o cão e o condutor, para ameaçar o
cão preso sozinho, e finalmente para o ataque real do figurante. Esta
última fase só deve ser feita com cães maduros e confiantes (15-18
meses no mínimo).
* **Canalização do Comportamento de Defesa para o Impulso de
Caça:** A energia do impulso de defesa é acumulada e direcionada
para uma ação de caça (morder e obter a presa).
* **O Exercício de "Segurar e Latir" (Hold and Bark):** A forma
mais eficaz é usar o trabalho de caça como base. O cão aprende que
pode "expulsar" o figurante de um esconderijo latindo e,
consequentemente, fazer presa. Métodos incluem bloquear o acesso
com a guia ou com o corpo do figurante, e permitir que o cão "rompa"
para morder ocasionalmente.
* **O Exercício de "Largar" (Out):** Ensina o cão a soltar a presa.
Muitos cães se recusam por medo do que acontece depois de soltar.
Métodos incluem soltar a "presa morta" (guia) e soltar a presa no
esconderijo (com e sem guia).
* **A Busca de Esconderijos (Blind Search):** Ensinada após o
nível Schutzhund I. O cão aprende a encontrar o figurante em um
esconderijo e a latir para ele. Inclui direcionar o foco para os
esconderijos, incutir confiança na busca, e treinar o retorno (call-back)
de esconderijos vazios. Finalmente, a "busca forçada de esconderijo"
ensina o cão a obedecer aos sinais do condutor para qual esconderijo
ir, mesmo que esteja vazio.
* **Justificativa e Filosofia do Esporte Canino**
* Raiser defende o esporte canino, especialmente o trabalho de
proteção, como uma atividade com "consciência limpa". Ele
argumenta que cães predadores, como o Pastor Alemão, têm uma
"existência bastante miserável" se não tiverem a oportunidade de
expressar seus impulsos inatos.
* O treinamento oferece uma oportunidade para o cão "aliviar a
tensão" canalizando suas energias de impulso acumuladas em ações,
mesmo que por "transferência artificial (deslocamento)".
[28/07, 21:46] MDB: Brifing detalhado
Claro, aqui está um briefing detalhado revisando os temas principais
e as ideias ou fatos mais importantes das fontes fornecidas, com
citações apropriadas, em português:
Briefing Detalhado: "O Cão de Proteção" por Helmut Raiser
Este briefing resume os pontos-chave do livro "Der Schutzhund (The
Protection Dog)" de Helmut Raiser, traduzido para o inglês por Armin
Winkler. O livro foca no treinamento de cães de trabalho para
proteção, com uma ênfase profunda nos impulsos inatos do cão e nas
leis da etologia e aprendizagem.
Tema Principal: Reconhecimento e Utilização de Impulsos Inatos para
o Treinamento de Proteção
A premissa fundamental do livro, citando V. Stephanitz, pai da raça
Pastor Alemão, é que "O segredo da educação e do treinamento
reside no reconhecimento e utilização adequados dos impulsos já
presentes." Raiser expande isso, argumentando que a qualidade do
treinador e, crucialmente, do "ajudante" (agitador), é mais
determinante para o sucesso no treinamento de cães de serviço do
que a qualidade inata do cão.
Citação Chave: "O segredo da educação e do treinamento reside no
reconhecimento e utilização adequados dos impulsos já presentes." -
V. Stephanitz.
Impulsos Inatos Essenciais para o Trabalho de Proteção:
Raiser identifica quatro impulsos inatos principais que podem ser
utilizados no treinamento de proteção, culminando no que ele chama
de "impulso de luta" em uma prova de Schutzhund:
Impulso de Caça (Prey Drive):
Relacionado ao comportamento de aquisição de alimentos. Inclui
ações como perseguir, atacar, morder, sacudir a presa até a morte e
carregar.
É inato em filhotes e se intensifica com a maturidade.
Sujeito a exaustão específica do estímulo e da ação, o que significa
que não deve ser trabalhado com muita frequência.
No treinamento de proteção, isso se manifesta em ações como
"desalojar o ajudante da guarita, persegui-lo, atacá-lo e pegá-lo, e,
finalmente, sacudir com força o braço (manga) do ajudante."
O objetivo da promoção do impulso de caça é que o cão veja a manga
como sua presa e a morda vigorosamente.
Citação Chave: "O impulso de caça é inato e já está presente no
filhote e se intensifica à medida que o cão amadurece."
Impulso de Defesa (Defense Drive) e Comportamento de Esquiva
(Avoidance Behaviour):
Parte do reino funcional do comportamento de agressão.
É ativado por uma ameaça física ou psicológica ou agressão aberta.
O objetivo da defesa é que o atacante exiba comportamento de
esquiva.
Pode ser motivado em vários contextos: guarda de presas, proteção
de filhotes ou espaço pessoal/território, e autodefesa (mordida por
medo).
Não está sujeito a exaustão específica do estímulo ou da ação, o que
o torna crucial para um cão de proteção.
O relacionamento entre o impulso de defesa e o comportamento de
esquiva é antagônico, ambos desencadeados pelos mesmos
estímulos (ameaça/agressão).
Citação Chave: "O impulso de defesa não está sujeito a exaustão
específica do estímulo ou da ação. Pode, portanto, ser ativado à
vontade e deve fazer parte do comportamento combativo do cão de
proteção."
Distância Crítica e Distância de Fuga: Conceitos importantes aqui. Um
cão fugirá se um oponente se aproximar da "distância de fuga". Se o
oponente cruzar a "distância crítica", o cão estará pronto para lutar,
muitas vezes por "coragem de desespero".
A promoção do impulso de defesa deve ser feita com doses
cuidadosamente medidas de ameaça para evitar o comportamento de
esquiva. O ajudante deve agir com uma "mistura de emoções
consistindo em medo e agressão" para não parecer excessivamente
confiante, o que inibiria a defesa do cão.
O comportamento de defesa é mais propenso a ocorrer em território
familiar do cão, onde ele se sente mais seguro.
Impulso de Agressão (Aggression Drive):
Termo mais completo que inclui a forma reativa (impulso de defesa) e
a forma ativa (agressão social).
Discussão de teorias sobre a agressão (aprendizagem, frustração,
inato/LORENZ-FREUD), com Raiser sugerindo que a agressão
provavelmente resulta de todos os três processos.
A agressão social (intraespecífica) é resultado da competição direta
por recursos ou membros da espécie.
O objetivo da agressão social é fazer com que o rival fuja, evite, se
submeta, ou ocasionalmente, sofra lesões físicas/morte. Tem valor
biológico para a distribuição de território e seleção sexual.
A prontidão para a agressão é influenciada por hormônios e pelo
ambiente (mais forte onde o animal se sente seguro).
Dois fatores importantes: 1) Conhecimento pessoal bloqueia a
agressão; 2) A aceitação passiva da agressão do cão pelo ajudante
causa incerteza no cão.
Aviso Crítico: "Se o cão deve passar por processos de aprendizagem
nos quais o comportamento de esquiva desempenha um papel, o
impulso de agressão é, concebivelmente, uma motivação bastante
ruim. Em primeiro lugar, reduz muito a capacidade de aprendizagem;
e em segundo lugar, a autoconfiança do cão certamente será
adversamente afetada."
Impulso de Luta (Fighting Drive):
Raiser argumenta que o "impulso de luta" não é um impulso inato no
sentido biológico, mas uma "descrição muito útil de um
comportamento desejável no cão". Ele o vê como uma extensão do
impulso de brincadeira, onde o cão "se diverte lutando com o
ajudante".
Um cão com um bom impulso de luta é "relativamente pouco
estressado ao lutar com o ajudante e não sente que está
constantemente lutando pela sua vida".
Componentes do impulso de luta:
Impulso de Caça pronunciado: "Fazer uma presa é um ato instintivo
apaixonado que não ameaça a existência do cão e,
consequentemente, não o estressa de uma forma que poderia
desencadear o comportamento de esquiva."
Utilização bem-sucedida do comportamento de defesa: O cão aprende
a vencer e a se defender.
Agressão social (o componente fundamental): O cão deve ver o
ajudante como um rival.
Para promover o impulso de luta, o impulso de caça e o impulso de
defesa do cão devem ser fortalecidos.
Conceitos Básicos e Leis da Etologia:
Apetência, Estímulo Desencadeador, Ação Instintiva, Ação Final e
Objetivo do Impulso: Descreve a cadeia de eventos no
comportamento instintivo. Apetência é a prontidão para o
comportamento; o estímulo desencadeador o inicia; a ação final é o
comportamento que satisfaz o impulso. A aprendizagem só é possível
durante a fase de apetência.
Reação de Leerlauf (Movimento Ocioso) e Gesto de Intenção: Leerlauf
é a ocorrência espontânea de uma ação instintiva na ausência de um
estímulo específico (devido a um acúmulo excessivo de estímulo
interno). Gesto de intenção é um início incompleto de uma ação
quando o humor do impulso não é forte o suficiente.
Comportamento de Conflito: Ocorre quando duas tendências
comportamentais incompatíveis são ativadas simultaneamente.
Expressa-se como:
Comportamento ambivalente: Combinação de elementos de
comportamentos incompatíveis (ex: ameaça que é uma mistura de
ataque e fuga).
Comportamento redirecionado: Ação direcionada a um objeto
substituto (ex: cão mordendo as pranchas da guarita após ser
espancado).
Comportamento de deslocamento: Comportamento totalmente ilógico
aparece (ex: bocejar, tremer, salivar, coçar sem motivo) para aliviar o
estresse.
Citação Chave: "Toda situação de conflito resulta em alto estresse
nervoso para o cão. Alguns cães podem suportar maior pressão,
enquanto outros experimentarão danos ao seu sistema nervoso e/ou
distúrbios orgânicos." Raiser adverte contra o uso exclusivo do
impulso de defesa no treinamento devido ao alto estresse e aos
potenciais problemas de saúde e comportamentais (neuroses,
problemas orgânicos).
Soma de Estímulos (Stimulus Summation): Múltiplos estímulos podem
apoiar e fortalecer mutuamente seus efeitos, levando a uma ativação
mais intensa de um impulso.
Implicação para o treinamento: Promover todos os impulsos (caça,
defesa, agressão) que levam o cão a morder é necessário para o
máximo potencial. O ajudante sozinho deve ser capaz de
desencadear esses impulsos no cão treinado.
Exaustão Específica da Ação e Específica do Estímulo: A exaustão
específica da ação refere-se ao tempo de recuperação necessário
para uma ação específica. A exaustão específica do estímulo é a
diminuição da capacidade de resposta a um estímulo específico (ex:
um predador para de matar a mesma presa após repetições).
Implicação para o treinamento: Não deixar o cão "perambular" ou ver
o ajudante e a manga sem que o trabalho de mordida ocorra, para
manter a apetência alta e evitar a exaustão do estímulo.
Leis de Aprendizagem para Cães:
O cão é capaz de dois tipos básicos de aprendizagem:
Condicionamento Clássico:
Aprendizagem de emoções e reações involuntárias. Um estímulo
neutro (comando de voz) é combinado com um estímulo significativo
(carinho, comida), e o neutro adquire a mesma qualidade do
significativo.
Exemplo de Pavlov: Cão saliva ao ouvir um sino após ser associado à
comida.
Aplicação: O ajudante pode se tornar o estímulo desencadeador para
o comportamento de caça, defesa ou agressão por meio dessa
associação.
Condicionamento Instrumental:
Aprendizagem de habilidades simples (ex: segurar e latir, comando
"Solta").
Leis:Reforço: A aprovação (ou a realização do objetivo do impulso)
leva à aparição mais frequente de comportamentos desejados.
Extinção: Comportamentos não reforçados desaparecem.
Exemplo de Thorndike: Gato aprende a abrir a gaiola para obter
comida.
Aplicação: O cão aprende a latir por um objeto porque é reforçado ao
alcançá-lo. O reforço deve ser a realização do objetivo do impulso do
cão (caça, comida, sexual/maternal, social, esquiva, defesa/agressão).
Citação Chave sobre Compulsão: "Acredito que é impossível ensinar o
cão um exercício de forma confiável, se, em algum momento, o
comportamento de esquiva não for usado como reforço, ou seja, o
treinamento completo não é possível – sem qualquer uso de
compulsão." No entanto, o treinador hábil deve usar a compulsão na
dosagem e direção corretas para evitar medo e estresse crônicos.
Progressão do Treinamento no Trabalho de Proteção:
Raiser detalha a sequência ideal de treinamento, enfatizando a
adaptabilidade à individualidade de cada cão.
Promoção do Impulso de Caça (Prey Drive Promotion):
Inicia-se por volta dos 3 meses de idade, com foco na manga como
presa.
Começa com um pano ou saco para permitir a mordida e o
transporte, depois transição para a manga.
Objetivos: Morder, puxar, carregar, ter uma mordida inicial firme.
O ajudante deve simular uma presa fugindo, e o cão deve ser o
"agitador", não o ajudante.
O "desafio" (provocar o cão pela presa) é crucial e já ativa o
comportamento de defesa de forma leve.
Ensina-se o ataque direcionado com saltos e, crucialmente, "sacudir a
presa até a morte" (shaking prey to death), reforçando essa ação. Isso
pode exigir a exploração de inseguranças do cão para provocar uma
"contra-reação" defensiva.
Objetivo final: O cão exige a presa ao ver o ajudante com a manga,
ataca rápido e morde forte, e sacode a manga quando desafiado.
Promoção do Impulso de Defesa (Defense Drive Promotion):
Consideravelmente mais difícil devido à relação antagônica com o
comportamento de esquiva.
O ajudante deve sempre agir "impressionado" quando o cão exibe
defesa para evitar frustração e insegurança.
O cão deve primeiro dominar o exercício de "segurar e latir" antes de
uma promoção significativa do impulso de defesa.
Níveis de promoção do impulso de defesa:Desafio psicológico/físico
pela presa: Explorar inseguranças do cão (esfregar o bastão nas
pernas, soprar no rosto) para que ele contra-ataque e se defenda
para ganhar a presa. Isso o ajuda a superar inseguranças e lidar com
o estresse.
Defesa contra o ajudante:Ameaçando cão e condutor: O ajudante se
aproxima ameaçadoramente, mas com medo, e foge se o cão mostrar
qualquer defesa.
Ameaçando o cão amarrado: O cão deve se defender sozinho.
Contra-ataque ou ataque ao cão: O ajudante simula ou realmente
ataca o cão (para cães maduros e confiantes, 15-18 meses), infligindo
dor leve, e depois foge em pânico se o cão morder.
O trabalho de defesa faz com que o ajudante se torne uma "ameaça
constante" para o cão, criando estresse psicológico. O condutor deve
ensinar o cão a diferenciar quando a defesa é permitida.
Encaminhamento do Comportamento de Defesa para o Impulso de
Caça (Channelling Defense Behaviour into Prey Drive):
Essencial para evitar que o cão seja desqualificado por agressão não
direcionada.
A energia acumulada do impulso de defesa é canalizada para a ação
de caça.
O cão é estimulado em defesa (ameaças, ataques), e quando contra-
ataca, é reforçado com a presa (mordendo e ganhando a manga). O
ajudante deve relaxar o braço ("presa morta") quando o cão contra-
ataca, reforçando o sucesso do cão.
Treinamento (Habilidades Específicas da Prova):
O Segurar e Latir (The Hold and Bark):Ensinado usando o trabalho de
caça como base. O cão aprende que pode desalojar o ajudante da
guarita latindo para ganhar a presa.
O latido deve ser uma ação direta para o objetivo do impulso,
resultando em um tom exigente.
Advertência: Se treinado exclusivamente com o impulso de defesa,
pode causar conflito de impulsos e estresse extremo, prejudicando a
aprendizagem.
Métodos: Bloqueio de acesso com guia, bloqueio de acesso pelo
ajudante, permitir que o cão "rompa" ocasionalmente (não latir
rigidamente), repelir (helper bate no cão), redução de ajudas e
aumento de dificuldades.
O cão deve adotar o segurar e latir como uma "técnica de luta" para
desafiar o ajudante.
O Exercício "Solta" (The "OUT"-Exercise):Muitos cães se recusam a
soltar por medo do que acontece depois.
O "solta" é ensinado no "alvo morto" (manga conquistada),
inicialmente com reforço positivo, depois com compulsão suave
(tranco na guia).
Após soltar, o cão deve ser imediatamente levado à situação de
segurar e latir, liberando a agressão acumulada e evitando a quebra.
A Busca de Guarita (The Blind Search):Ensinada após o nível
Schutzhund I ser alcançado.
Fases: Direcionar o foco para as guaritas (o ajudante sempre se
esconde na guarita indicada pelo condutor), instilar confiança (o cão
aprende que a busca sempre é bem-sucedida), treinar o "chamar de
volta" (o cão deve retornar do blind vazio), e a busca forçada de
guarita (o cão é direcionado para guaritas específicas, mesmo as
vazias, com compulsão se necessário, antes de ser enviado para a
guarita com o ajudante).
O objetivo é que o cão entenda que precisa obedecer aos sinais do
condutor para encontrar o ajudante, mesmo que isso signifique
"desviar" para um blind vazio primeiro.
Conclusão e Filosofia do Treinamento:
Raiser defende o treinamento de cães de proteção como uma forma
de permitir que cães predadores, como o Pastor Alemão, expressem
seus impulsos inatos e evitem a degeneração espiritual. Ele vê o
esporte canino como uma forma de "canalizar suas energias
impulsivas específicas reprimidas em uma ação, que pode não ser
necessariamente 'natural' na situação particular, como uma reação
de alívio; em outras palavras, uma transferência artificial
(deslocamento)."
Ele conclui que o livro oferece as bases metodológicas, mas a
verdadeira habilidade vem da "diligência no treinamento prático e
experiência", especialmente na descoberta da relação adequada
entre a promoção de impulsos individuais e as técnicas de
treinamento para cada cão.
Citação Chave: "Um cão que não tem a oportunidade de aprender e
usar suas habilidades inatas, degenera em espírito e é uma criatura
lamentável." - E. Trumler