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Entendendo o Operador Gradiente Vetor

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O Operador Gradiente Vetor Página 1 de 10

O Operador Gradiente Vetor

André Gonçalves Antunha


(DEQ- EPUSP)

Consideremos, no espaço, um sistema de referencia de três eixos, que se cruzam


em um ponto origem O, caracterizados pelos vetores ortogonais e
sobre os quais são definidas respectivamente as coordenadas de posição
x1 ,x2 ,x3 , como na figura:

Fig. 1 – Sistema de referência

A posição de um ponto P observado é definida pelo vetor:

[1]

Fig. 2 Posição do Ponto P

Consideremos uma propriedade genérica j função do tempo t e da posição:

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a derivada da propriedade j, em um ponto P, na posicao , e em relação a o
tempo é dada por:

o símbolo ¶ e utilizado para explicitar que a derivada é parcial, isto é, que a


derivada é realizada com variação apenas na variável considerada e mantendo-se
todas as outras invariantes. No caso a derivada é apenas temporal mantendo-se
constante a posição do ponto observado no espaço.

A derivada parcial da propriedade j, em um instante t, em relação aa posição é um vetor


denominado gradiente de j , representado por e definida por:

[2]

novamente o símbolo ¶ explicita que a derivada é parcial e realizada com


variação apenas na posição mas mantendo-se o tempo constante. É como se fosse
um deslocamento do ponto observado no espaço sem que o tempo decorresse. É
portanto um deslocamento virtual. A posição do ponto observado varia mas o
tempo permanece “congelado”.

Figura 3 Deslocamento do ponto observado

A idéia de tempo congelado corresponde a de um instantâneo tal como aquele


que se obtém de uma fotografia. Se imaginarmos que possamos fotografar uma
propriedade j genérica no espaço tridimensional e que possamos apresenta-la na
forma de superfícies que reunam os pontos que apresentam o mesmo valor dessa
propriedade j. A cada uma dessas superfícies corresponde um determinado valor
e denominam-se iso-superfícies de j.

Consideremos, apenas para facilidade de representação que a propriedade j esteja


normalizada e assuma portanto apenas valores entre 0 e 1.

Nas próximas figuras apresentaremos apenas as iso-superfícies correspondentes


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aos valores j = 0 ; 0,25 ; 0,5 ; 0,75 e 1 sempre com a seguinte convenção de
tracejados:

Na figura abaixo esta apresentado o campo de uma propriedade j através de suas iso-
superfícies [jconstante]. Esta figura sugere uma ”fotografia“ espacial do campo em
um instante no qual o tempo foi congelado, o vetor posição aponta para um
ponto P cujo valor da propriedade j corresponde, segundo a convenção, a um valor j = 0,75:

De forma a se determinar o vetor gradiente de j num ponto P qualquer devemos


aplicar a definição [2] que é, por sua vez, equivalente a:

[3]

Fig. 4 Iso-superfícies do campo j com tempo congelado

onde a diferencial da propriedade j equivale ao produto escalar do seu


gradiente pela variação da posição observada correspondente. Para a
determinação do gradiente em P efetuaremos três variações “virtuais” da
posição (mantendo-se sempre o tempo congelado). Na primeira
observaremos um ponto Q, distante de P de um deslocamento elementar
que se efetua sobre a mesma iso-superfície de P, como na figura
abaixo.
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Como P e Q estão na mesma iso-superfície a propriedade j não varia e portanto:

como nem nem o gradiente são nulos eles devem ser


perpendiculares entre si para o que produto escalar nulo seja satisfeito.
Dessa forma o vetor gradiente que tem origem no ponto P deve estar no
plano perpendicular a :

Fig. 5 Um deslocamento vetorial sobre a isso-superfície com tempo congelado

Repetindo o procedimento para um novo deslocamento virtual elementar


ainda sobre a mesma iso-superfície mas numa direção diferente da
de chega-se também a conclusão que:

e portanto que o vetor gradiente que tem origem no ponto P deve estar também
no plano perpendicular a :

Fig. 6 Outro deslocamento vetorial e a intersecção de planos

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Fig. 6 Outro deslocamento vetorial e a intersecção de planos

finalmente o vetor gradiente que tem origem no ponto P deve estar na interseção
dos dois planos se orientando portanto segundo a perpendicular a superfície da
iso-superfície de j:

Fig. 7

– Direção do gradiente é a mesma da intersecção dos planos

para o cálculo do módulo do vetor gradiente que tem origem no ponto P


consideremos mais um deslocamento virtual agora segundo a
perpendicular aa iso-superfície de j, com origem nela e terminando num ponto S na iso-
superfície j + Dj:

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Fig. 8 Um deslocamento vetorial entre duas isso-superfícies na direção do


gradiente

aplicando a definição [2]:

mas como esta na direção de eles são paralelos e o angulo


entre eles é nulo e o seu coseno unitário:

assim o módulo de é:

Resumindo: o vetor gradiente de uma função de estado genérica j, que tem origem num
ponto P qualquer, aponta sempre na direção perpendicular aa iso-superfície de j que passa pelo ponto P
considerado. Ele indica a direção de maior variação de j com a posição. Ele tem modulo igual a divisão entre
a diferença do valor da função j de duas iso-superfícies próximas pela distancia entre
elas, para um limite de duas iso-superfícies muito próximas [a distancia
considerada sobre a perpendicular às iso-superfícies e que passa pelo ponto P
deve “tender a zero”]. O seu sentido é arbitrado de forma a apontar sempre para
valores de j crescentes:

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Fig. 9 Módulo do gradiente

Dessa forma fica evidente que quanto mais próximas forem duas iso-superfícies
o gradiente será sempre maior nos pontos onde a distância entre elas for menor.

Fig. 10 Variação do gradiente no espaço

Admitindo que o sistema de referencia é cartesiano, com coordenadas x, y e z, o


estado estático da função j genérica é definido por:

a sua diferencial é portanto por definição:

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Já o vetor posição que escreve-se:

tem sua derivada:

por sua vez o gradiente em coordenadas cartesianas:

aplicando a definição de gradiente [2]:

então:

como dx, dy e dz são linearmente independentes:

introduzindo no gradiente:

que é equivalente aa aplicação direta do “operador gradiente em coordenadas


cartesianas” comumente apresentado nos livros de matemática e representado
por:

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Exercício 1) Como o vetor posição em coordenadas cilíndricas ( r, f, z) escreve-


se como:

e sua derivada:

demonstrar que o gradiente em coordenadas cilíndricas é:

Exercício 2) O vetor posição em coordenadas esféricas ( r, q, f) escreve-se como:

e sua derivada:

demonstrar que o gradiente em coordenadas cilíndricas é:

Exercício 3) Para um campo de temperaturas bidimensional em uma placa plana


de 10 x 18 cm descrito na figura abaixo esboçar (na escala apresentada) os
vetores do gradiente de temperatura para os pontos assinalados:

Fig. 11 Um campo de temperatura

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Bibliografia:

Sales Luis, A C. Introdução à Termofísica, apostila, UNICAMP, 1977

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