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Peça Teatral: Sítio do Pica-Pau Amarelo

A peça 'Sítio do Pica-Pau Amarelo' apresenta Emília, uma boneca de pano que convida trovadores para compartilhar histórias sobre a literatura, especialmente o Trovadorismo. Durante a narrativa, surgem figuras femininas como Giovanna e Cecília Meireles, que reivindicam o reconhecimento das vozes das mulheres na poesia, enquanto Cuca, uma personagem mística, busca seu espaço na literatura como guardiã da floresta. A peça termina com a celebração da diversidade de vozes e a importância de incluir todas as histórias na narrativa cultural.

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Peça Teatral: Sítio do Pica-Pau Amarelo

A peça 'Sítio do Pica-Pau Amarelo' apresenta Emília, uma boneca de pano que convida trovadores para compartilhar histórias sobre a literatura, especialmente o Trovadorismo. Durante a narrativa, surgem figuras femininas como Giovanna e Cecília Meireles, que reivindicam o reconhecimento das vozes das mulheres na poesia, enquanto Cuca, uma personagem mística, busca seu espaço na literatura como guardiã da floresta. A peça termina com a celebração da diversidade de vozes e a importância de incluir todas as histórias na narrativa cultural.

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PEÇA SÍTIO DO PICA-PAU

AMARELO
1° MÉDIO
INTRODUÇÃO
A cena começa com a música do Sítio do pica-pau amarelo tocando, mas sem
ninguém na cena ainda. A partir do momento em que a música citar: “ boneca de
pano é gente ”, Emília entra pela direita e fica saltitando indo até a cadeira para se
sentar e ficar lá até a música parar. ( música para no minuto 1:14 )

( o cenário da cozinha é: uma mesa, junto com uma cadeira, no centro com
um prato, o qual está com bolinhos de chuva, e outra mesa, um pouco
afastada, com livros em cima )

Emília: — Olá minha gente, vou aproveitar que vocês estão aí e conversar um pouquinho,
já que todo mundo desse sítio vive me deixando de lado porque sou “tagarela”. Aff, eu não
falo demais, só digo o que é importante! Não tenho culpa se guardo um monte de coisa na
minha memória. Vocês devem imaginar que uma boneca de pano não tem muita coisa na
cabeça, não é? Pois estão muito enganados, porque a linha que me fez está cheia de
contos, poesia, inúmeras histórias antigas e não contadas. Falando nisso, já que não estão
fazendo nada acho que hoje posso compartilhar elas com vocês. —

A boneca levanta da cadeira e anda até a outra mesa (de livros), com semblante
pensativo.

Emília: — Bem, vamos ver quais das minhas lembranças eu posso falar primeiro. —

Ela vai mexendo os livros, quando acha um o folheia e diz:

Emília; Alegre: — Ahá! Tenho aqui uma memória grandiosa, magnífica, estupenda,
maravilhosa, deslumbrante… — Ela limpa a garganta — Desculpa, às vezes me
descontrolo. Porém, contudo, entretanto, todavia, contar-vos-ei a história da literatura,
minha memória não contada mais antiga! Vou falar de um movimento literário muito
importante e sentimental: o Trovadorismo. Vou usar o livro para trazer trovadores até aqui,
assim, iremos passear pelo o universo divino que essa arte pode nos trazer! —
FIM DE ATO
NÃO FECHA CORTINA

ATO 1
Os trovadores (Francisco, Miguel, Matheus, Leonardo, Rafael e Marcolino) entram (pela
esquerda) e Emília os recebe calorosamente.

Emília: — Bem-vindos à cozinha da tia Anastácia, no futuro. Aproveitem que ela não está
aqui e comam um bolinho de chuva. —

Todos os trovadores se assustam com a boneca. Francisco faz uma cruz com os dedos e
aponta para a boneca.

Francisco; com medo: — Quem és tu boneca endiabrada?! —

Marcolino; Também com medo: — Ela tá possuída! Vamos queimar agora! —

Emília; Raivosa: — Ei ei, alto lá! Muito cuidado ao falar de mim! Sou Emília, mais gente do
que muita gente de carne e osso. Chamei vocês aqui para contar um pouco a história dos
trovadores. Mas não é para mim…eu já sei de tudo. É para eles. — Aponta para o público.

Miguel: — Nos dê um minuto! —

Os trovadores cochicham entre si.

Francisco; Ainda com medo: — Pois bem, eu aceito contar, porém não quero dividir o
momento da minha história com uma boneca que fala pelos cotovelos. Saia! —

Rafael e Marcolino expulsam a boneca do centro do palco.

Emília; Bufando, olha para o público com cara de brava: — O que não faço por vocês?
Perder o meu lugar de fala! —

Emília sai do centro do palco e vai para o canto direito resmungando.

Matheus: — Venham rapazes, falaremos sobre nossa era. —

Marcolino e Rafael voltam para perto dos outros. Francisco olha para o público e anda pelo
palco.
Francisco: — Muito bem, senhoras e senhores, nós somos trovadores, poetas e músicos
da idade média que encantam a todos com belas canções! —

Miguel: — Isso mesmo! Criamos belas cantigas para louvar paixões, ou sofrer por elas,
narrar grandes aventuras e até mesmo zombar dos poderosos! —

Leonardo: — E nossas canções falam sobre diversos assuntos, como: amor, escárnio e
maldizer. —

Emília fala da lateral do palco.

Emília: — Muito bem, muito bem! Se vocês são tudo isso mesmo, por que não recitam algo
para nós? —

Matheus; Bravo: — Claro, nós vamos, mas primeiro saia! Ainda não queremos dividir palco
com uma tagarela igual você! —

Arrasta Emília para mais longe.

Francisco: — Já que é assim, eu irei começar recitando uma cantiga de amigo para vocês:
Ondas do mar de Vigo, se vistes meu amado, e ai meu Deus, eu o verei cedo?

Ondas do mar levado, se vistes meu amado, e ai Deus, eu o verei cedo?

Se vistes meu amigo, por que eu suspiro? e ai meu Deus, eu o verei cedo?

Se vistes meu amado, por que sinto-me desolado? e ai meu Deus, eu o verei cedo?

Miguel: — Agora eu irei recitar uma cantiga de maldizer: Ai, dona feia, foste-vos queixar
de que nunca te louvo em meu trovar, e umas trovas quero dedicar-te para que
louvada de toda maneira seja; Tal é o meu louvar: dona feia, velha e gaiteira.
Ai, dona feia, se com tanto ardor queres que eu te louve, como trovador, trovas farei
para que louvada de toda maneira seja; Tal é o meu louvor: dona feia, velha e gaiteira.

Marcolino e Rafael limpam as lágrimas, emocionados.

Rafael: — Eu irei recitar uma de amor: A dona que eu amo e tenho por adorar,
Mostra-me, Deus, se com ela feliz eu serei, se não, leve-me para morte.

Por ela meus olhos brilham e por ela —

De repente uma voz feminina ecoa, e uma mulher entra pelo lado direito do palco. Uma
trovadora.

Giovanna; com raiva: — Essa cantiga é minha! —

Todos se viraram para ela, confusos.


Rafael; Desconcertado: — O quê?! Não..isso é um clássico da tradição! —

Giovanna: — Um clássico que tu roubaste de mim! Como muitos homens fizeram com
mulheres ao longo dos séculos! E essa “tradição” é feita do silêncio das mulheres! Quantas
vezes vocês apagaram nossos nomes da história?! Roubaram nossos versos e assinaram
como se os escritos por homens fossem os únicos possíveis de sentir ,escrever e cantar! Eu
cantei antes de ti! E cantei com muito mais sentimento, mas quem foi lembrado? Somente
tu. —

Os trovadores estão pasmos.

Francisco; Envergonhado: — Mas…nós não sabíamos… —

Giovanna: — Pois agora sabem! E já passou da hora de lembrar que a poesia também tem
a voz da mulher! —

As luzes se viram para uma nova figura que surge e entra pelo lado direito do palco. É
Cecília Meireles (Vitória), ela anda com firmeza e para ao lado de Giovanna.

Cecília Meireles: — Vocês tentaram silenciar nossas vozes por tempo demais, mas nunca
calaram nossa essência. Nós nunca tivemos estes rostos de hoje, assim calmos, assim
tristes, assim magros, nem os olhos vazios e os lábios amargos. Disseram que mulher não
sabia versar, que era musa, jamais autora. Mas eu, Cecília Meireles, vos digo: há séculos a
mulher escreve, mesmo quando o mundo insiste em arrancar-lhe a pena da mão e tirar do
peito o coração. —

Leonardo: — Nunca ouvimos vossos nomes…—

Cecília Meireles: — Porque não quiseram que ouvissem. Vocês nos deixaram em mudo,
mas em nosso sangue eterno sempre correu a poesia. Eu sim escrevi, assim como todas as
outras, mas nossos versos foram varridos da história, foi dito que nós sonhávamos demais.
Entendam: não estamos aqui para tomar o lugar de ninguém, estamos aqui para mostrar
que ele sempre nos pertenceu! —

Cecília e Giovana dão as mãos. Emília começa à aplaudir.

Emília: — Não tenho palavras para descrever a força que vocês têm por lutar durante todos
esses anos. Muito obrigada por compartilharem suas dores com a gente. — Emília abraça
as escritoras, depois se solta e diz: — Bem, depois desse discurso fantástico, sejam muito
bem-vindas! Fiquem com a gente e, bom, comam um bolinho, é o mínimo depois de colocar
pra fora tudo isso que estava preso há séculos. —

Giovanna: — Obrigada, Emília. — Ela cruza os braços e olha para os trovadores — E


vocês espero que tenham entendido! —

Os trovadores, envergonhados, assentem.

Rafael: — Peço sinceras desculpas a vocês, em nome de todos nós. —


Matheus: — É…será que podemos dividir os bolinhos e o palco juntos? —

A trovadora e Cecília Meireles assentem,contentes.

Emília: Sorrindo alegremente: — Agora sim estamos começando a acertar. Venham,


Aproveitem enquanto estão quentes! —

Todos vão até a mesa para comer os bolinhos.

FIM DE ATO
FECHAR CORTINAS

ATO 2
ABRE CORTINAS

Quando todos conversavam e comiam bolinhos, um súbito apagão acontece (colocar um


som de energia desligando no aúdio; Todas as luzes são desligadas).Todos gritam de
medo e se abraçam.

Giovana; Gaguejando: — Ca-calma gente, deve ter sido só o vento. —

Surge então uma fumaça (o aparelho de fumaça deve estar não muito longe do palco,
mas também não tão perto da plateia, também deve estar virado para a direita.) e se
escuta uma risada longa e ecoante (vinda da plateia). A Cuca (Eduardo) se levanta de
onde estiver escondida na arquibancada e vai descendo até chegar ao palco (durante a
descida, sons de trovão devem ser colocados no áudio), com sua aparência imponente
e mística acentuada pela capa longa e passos lentos.

Cuca: — Ora, ora... Ouvi que estavam falando de literatura por aqui, hein? E esqueceram
de mim?! —

Emília; Se soltando dos outros: — Mas é bem a tua cara chegar assim, né! O que você
quer, Cuca?—

Cuca; Andando lentamente: — Quero o que todos aqui têm: um lugar nas histórias, nas
páginas, nos palcos. Eu vi a militância que vocês mulheres fizeram agorinha, estamos no
mesmo barco afinal, então por que não me ajudam com isso deixando eu contar a minha
versão de uma das histórias mais famosas do Brasil? Já cansei de ser temida, esquecida,
distorcida… —

A Cuca se vira e fala diretamente ao público.

Cuca: — Sabem, dizem por aí que sou um pesadelo. Que apareço à noite para assustar
crianças, levo os desobedientes pra dentro da mata escura. Mas será que alguém parou pra
escutar a verdade escondida por anos e anos? —

Surgem duas entidades: Rhanna e Mariana Cunha (vindas também da plateia) durante
suas falas, vão andando, rondando o palco e interagindo com os personagens, os quais vão
reagindo com medo. Cuca estará mais voltada para o público.

Rhanna: — Muito antes das histórias pintarem nós, espíritos da floresta, como monstros,
Cuca já era uma guardiã. Sim... uma protetora dos pequenos. —

Cuca: — Exatamente! Eu vivia entre os galhos das árvores mais antigas, entre as raízes
que conversam com o tempo. Visitava as crianças em sonhos e ensinava com sabedoria e
doçura as leis da natureza e do coração. —

Mariana: — Mas um dia, os homens esqueceram de ouvir a floresta. Passaram a temer


aquilo que não compreendiam e taxaram nossa protetora de bruxa, de criatura maldita.
Seus sussurros viraram gritos e seus conselhos viraram ameaças. —

Cuca; Triste: — E desde então eu me transformei no reflexo do medo que lançaram sobre
mim. Eles disseram que eu era vilã...Mas eu só queria proteger os segredos da mata. Eu só
queria ensinar. E talvez, sim, assustar um pouco. Porque o medo também é um mestre. O
medo protege. O medo alerta. Mas o medo não deve apagar a verdade. —

Ela volta a olhar para Emília. (o aparelho de fumaça é desligado)

Cuca; Destemida: — Hoje, venho aqui para reclamar meu espaço! Não como lenda
esquecida, mas como memória viva do nosso povo. Como símbolo de uma sabedoria que
foi silenciada. Como personagem de uma história que ainda não terminou! —

Rhanna: — E essa história será contada pela floresta, pelas crianças e por nós! —

Mariana: — Não há livro completo sem todas as falas, até as que um dia foram caladas! —

Emília; Com respeito: — Cuca... eu devo reconhecer que você não é só um capítulo, é
uma das fundações da nossa literatura. —

Emília sorri para Cuca e a abraça, depois olha para os outros e os chama para também
fazer o mesmo. Todos se abraçam.

Marcolino; Se soltando do abraço: — Não é querendo atrapalhar o momento, mas tem


como a senhora ligar a luz novamente? É que estávamos no meio de um lanche. —
Todos se soltam do abraço e concordam, balançando a cabeça (no áudio pode colocar as
vozes dos personagens concordando ao mesmo tempo).

Cuca: — Há, mas é claro! —

Ela bate duas palmas e a luz volta. Todos comemoram.

Emília; Animada: — Agora vamos comer pessoal, essa faladeira toda me deu uma
foooome! —

Todos se animam e voltam a comer bolinhos e conversar.

Nessa hora a música do Sítio do Pica-pau Amarelo volta a tocar de onde parou
(minuto 1:14 adiante). Passa uns 10 segundos e todos os atores saem do
personagem, dão as mãos e vão para frente da plateia fazer a reverência.

FIM DA PEÇA

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