TEORIA MACROECONÔMICA I – 2023.
2 – TUTORIAL 5
PROFESSOR FERNANDO MOTTA CORREIA
(Aula 5): Moeda
Leitura: Mankiw (2014), Capítulo 4 e Froyen (2013),
Capítulo 16.
FROYEN, Richard T. Macroeconomia: teorias e
Leitura básica: aplicações. [Link]. São Paulo: Saraiva, 2013.
MANKIW, N. Gregory. Macroeconomia. 8ª. ed. Rio de
Janeiro: LTC, 2014.
Disponível em:
[Link]
Vídeos Moeda
[Link]
Após a leitura básica e assistir a vídeo-aula, faça uma
Roteiros leitura do roteiro da aula a seguir como forma de
assimilar as discussões apresentadas.
Com base no conteúdo apresentado é possível
Lista de Exercício resolver as “QUESTÕES 9, 10 e 11” da lista de
exercício.
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Roteiro (Moeda)
Segundo Froyen (2013) pela definição padrão, moeda é tudo aquilo que realiza funções
monetárias. Há três funções amplamente aceitas para a moeda: Meio de Troca. A moeda serve
como um meio de transação. Você pode comprar bens e serviços com moeda, e recebe moeda
pela venda de bens ou serviços. Não pensamos nisso com muita frequência, mas essa função da
moeda contribui bastante para a eficiência econômica. Realizar trocas sem moeda seria trocar
bens por bens - o que é chamado de escambo ou simples troca. Estoque de Valor. A moeda
funciona como um estoque de riqueza, um modo de poupar para gastos futuros. A moeda é um
tipo de ativo financeiro. Outros estoques de valor (por exemplo, um título empresarial ·ou
governamental) não são moeda, porque não podem realizar as demais funções monetárias. Eles
não podem ser usados como meio de troca ou como unidade de medida. Unidade de Medida.
Os preços são medidos em moeda. No Brasil, os preços (e dívidas) são medidos em reais; na
Polônia, em zlotis; na Grã-Bretanha, em libras; e nos Estados Unidos, em dólares. Como no caso
da função meio de troca, a moeda é muito conveniente como unidade de medida. Comerciantes,
por exemplo, simplesmente fixam um preço em reais, ou em dólares, e não em termos de cada
mercadoria existente que poderia ser trocada por seus bens.
A oferta de moeda é composta dos ativos financeiros que servem às funções descritas
acima. Que ativos são esses no Brasil, por exemplo? Na verdade, há várias medidas diferentes da
oferta de moeda. Todas são compostas de moeda corrente e depósitos em instituições
financeiras.
O Banco Central do Brasil (instituição responsável pelo controle da oferta de moeda)
classifica os níveis de liquidez de acordo com os chamados "agregados monetários". Liquidez se
refere à agilidade com que um indivíduo consegue fazer uso da moeda para efetuar suas trocas.
Antes de apresentar a ordem de liquidez de acordo com o agregado monetário, vamos
apresentar um conceito fundamental, a chamada Base Monetária. A Base Monetária é o total de
dinheiro que um país tem na sua economia, considerando tanto a moeda que está em circulação
quanto as reservas que os bancos comerciais mantêm junto ao Banco Central. Em outras
palavras, pode ser definida como o "suprimento de dinheiro" que um país tem em determinado
momento. Esse conceito de Base Monetária será importante para entendermos a lógica de
criação de moeda. Veja agora quais são os agregados monetários, em ordem de maior para
menor liquidez:
M0: a própria base monetária (moeda emitida + depósitos bancários). Também conhecido
como "Papel-moeda em poder do público";
M1: inclui a base monetária, mais os depósitos à vista. Também conhecido como "Meios
de Pagamento Restritos";
M2: inclui o M1 (base monetária e os depósitos à vista), mais as aplicações financeiras de
curto prazo (depósitos especiais remunerados + depósitos de poupança + títulos emitidos por
instituições depositárias). Também conhecido como "Meios de Pagamento Ampliados";
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M3: inclui o M2 (base monetária, os depósitos à vista e as aplicações financeiras de curto
prazo), mais as cotas de fundos de renda fixa e as operações compromissadas registradas no
Selic. Também faz parte dos "Meios de Pagamento Ampliados";
M4: inclui o M3 (base monetária, os depósitos à vista, as aplicações financeiras de curto
prazo e as cotas de fundos de renda fixa e operações compromissadas), mais títulos públicos de
alta liquidez. Também é conhecido como "Poupança Financeira".
Uma característica essencial da Base Monetária é que ela representa a oferta de moeda
com mais alta liquidez, ou seja, o papel-moeda em si (cédulas de dinheiro e moedas metálicas) e
mais as reservas bancárias (no Banco Central e em posse das instituições financeiras). Isso
significa que esse é o "dinheiro" disponível na economia do país que pode ser mais rapidamente
resgatado.
Banco Central e instrumentos de controle da Oferta de Moeda
São três os instrumentos a disposição do Banco Central para o controle da oferta de
Moeda: taxa de redesconto, taxa de compulsório e compra e venda de títulos públicos (Open
Market)
(i) Taxa de redesconto
A taxa de redesconto é uma estratégia de política econômica sob a responsabilidade da
autoridade monetária (Banco Central). A taxa de redesconto é o valor cobrado pelo Banco Central
pelos empréstimos aos bancos comerciais. Uma das formas de atuação dos bancos comerciais
na economia é emprestando e tomando empréstimos. Em momentos em que a demanda por
resgates superior à estimada, os bancos acabam por ter insuficiência de liquidez para atender a
possíveis demandantes por saques. Os bancos comerciais recorrem ao empréstimo do Banco
Central como última alternativa de liquidez. Isto se dá, pois, esses empréstimos geralmente
apresentam uma taxa maior do que outras fontes de recursos na economia. Assim, antes de
procurar o Banco Central para acessar a taxa de redesconto os bancos tendem a buscar
empréstimos de outros bancos.
(ii) Open Market
No mercado financeiro, as operações de Open Market (mercado aberto), ocorrem quando
o Banco Central compra ou vende títulos de dívida pública a bancos comerciais. Este processo faz
parte da política monetária no país, onde o objetivo é expandir ou contrair a quantidade de
moeda no sistema bancário.
Nas operações de mercado aberto o Banco Central oferta ou demanda títulos públicos,
impulsionando os depósitos dos bancos comerciais ou, do contrário, liberando mais dinheiro.
Caso o Banco Central queira expandir a quantidade de moeda (política monetária
expansionista) ele compra títulos públicos no mercado em troca de papel moeda (ou seja, injeta
mais moeda na economia). Ao contrário, se o Banco Central deseja contrair a quantidade de
moeda (política monetária contracionista) na economia ele vende títulos públicos que está em
seu poder.
3
A compra ou venda realizada pelo BCB dá-se por meio dos leilões informais, restritos aos
dealers, ou dos leilões formais (ofertas públicas), dos quais podem participar todas as instituições
financeiras com conta no Selic.
O Banco Central atua nos leilões formais com títulos do Tesouro que fazem parte de sua
carteira e, portanto, já têm prazo decorrido. Dealer são as instituições financeiras, sejam elas
bancos ou corretoras, que exercem o papel de intermediários do Banco Central no mercado
aberto. Essas instituições dão apoio ao Banco Central na condução das operações de mercado
aberto, assumindo responsabilidades na manutenção da liquidez e na canalização das novas
emissões de títulos para os investidores.
(iii) Taxa de Compulsório
A taxa de compulsório é mais um instrumento a disposição da autoridade monetária para
o controle da oferta de moeda. O depósito compulsório, ou recolhimento compulsório, é uma
prática adotada pela política monetária, onde o Banco Central retém parte do dinheiro da
economia através dos bancos comerciais. Esta medida é utilizada com o objetivo de diminuir a
quantidade de dinheiro em circulação, reduzindo os recursos disponíveis para empréstimos
bancários no país. Pelo recolhimento compulsório, parte do dinheiro depositado nos bancos
comerciais são obrigatoriamente destinados ao Banco Central. A quantidade obrigatória é
definida por uma taxa proporcional à quantidade de depósitos. Essa taxa (taxa de compulsório)
é definida compulsoriamente pelo Banco Central. Quando a economia tem a necessidade de
diminuir a quantidade de moeda em circulação, o Banco Central aumenta essa taxa, reduzindo
ainda mais a quantidade de moeda (política monetária contracionista). Sendo necessário que se
tenha mais moeda em circulação, o Banco Central reduz essa taxa, deixando os bancos
comerciais com mais recursos para o oferecimento de crédito (política monetária expansionista).
Depósito compulsório e multiplicador monetário
O instrumento de política monetária taxa de compulsório permite que o Banco Central
controle a quantidade de moeda na economia de acordo com a quantidade de depósitos à vista
que os Bancos Comerciais. O multiplicador bancário ou multiplicador monetário ou, ainda,
"efeito multiplicador do crédito" corresponde à relação entre oferta de moeda e base monetária
existente em determinado momento. Assim, os Bancos Comerciais têm a capacidade de ampliar
a base monetária através do crédito.
Para entender o multiplicador monetário, considere os seguintes conceitos:
Base Monetária, “B”, montante total em unidades monetárias mantidas pelo público
como moeda manual (Cash), C, e pelos bancos comerciais como reservas, R;
Razão Reservas/Depósitos, “rr”, é a fração de depósitos que os bancos comerciais
mantêm como reservas (determinado compulsoriamente pelas leis que regulamentam o sistema
bancário);
Razão moeda manual/depósitos, “cr”, expressa as preferências do público quanto ao
montante de moeda a ser mantido em cash, C, ou em depósitos, D.
Seja
M=C+D (1)
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Onde na equação (1) temos a quantidade de moeda (M) dada pela soma da moeda manual, C,
mais os depósitos à vista, D.
Agora considere
B=C+R (2)
Na equação (2) a base monetária, B, é dada pela soma da moeda manual (Papel moeda
emitido), C, mais as reservas dos bancos comerciais junto ao Banco Central, R.
Dividindo a equação (1) pela equação (2):
𝑀 𝐶+𝐷
= 𝐶+𝑅 (3)
𝐵
Na equação (3) podemos dividir o numerador e o denominador do lado direito da equação
por D, assim obtemos:
𝐶+𝐷
𝑀 𝐷
= 𝐶+𝑅 (4)
𝐵
𝐷
De acordo com a equação (4)
𝐶 𝐷
𝑀 + 𝑐𝑟+1
= 𝐷𝐶 𝐷
𝑅 = 𝑐𝑟+𝑟𝑟 (5)
𝐵 +
𝐷 𝐷
A partir da equação (5) lembre-se:
(i) “cr”, expressa as preferências do público quanto ao montante de moeda a ser
mantido em cash, C, ou em depósitos, D;
(ii) “rr”, é a fração de depósitos que os bancos comerciais mantêm como reservas
(determinado compulsoriamente pelas leis que regulamentam o sistema
bancário);
A equação (5) pode ser reescrita da seguinte forma:
𝑐𝑟+1
𝑀 = 𝑐𝑟+𝑟𝑟 . 𝐵 (6)
𝑐𝑟+1
Onde é o multiplicador monetário, ou multiplicador da Base Monetária.
𝑐𝑟+𝑟𝑟
Pela equação (6), observe que quanto maior a taxa de compulsório, rr, menor o
multiplicador monetário, ou seja, menor a capacidade dos bancos comerciais expandirem crédito
e ampliar a quantidade de moeda na economia.