A REVOLUÇÃO RUSSA
A Rússia Imperial às vésperas das revoluções:
progresso e atraso
• O nexo rural
- Um país esmagadoramente rural.
- Organização social baseada na posse de terras;
- Latifúndios ( pertenciam aos boiardos – nobres proprietários):os
proprietários estavam endividados, parasitando a sociedade, cultivando as
glórias do passado;
- Grande massa camponesa – os mujiques: baixa produtividade, altas taxas
de exploração, miséria, fomes periódicas etc.;
A Rússia Imperial às vésperas das revoluções:
progresso e atraso
• O czarismo russo
- O Tzar/Czar era venerado como representante de Deus
na Terra. Era considerado como chefe todo-poderoso,
como um “paizinho”, a quem se devia cega obediência;
- A dinastia Romanov e o Antigo Regime;
- O poder estava assentado em poderosas tradições e
estruturas políticas e sociais ( aliança com a nobreza,
com os oficiais do exército e do clero);
Czar Nicolau II
- “Uma fé, uma nação, um tzar”;
A Rússia Imperial às vésperas das revoluções:
progresso e atraso
• Políticas de modernização:
a) Abolição da servidão ( 1861) e a eliminação das dívidas dos mujiques;
b) Reformas: forças armadas, educação, justiça, administração central etc.;
c) Modernização industrial de tipo capitalista: investimentos estrangeiros
(alemães, belgas, franceses e ingleses) e do Estado em diversos setores –
ferroviário, metalúrgico, siderúrgico, petrolífero, etc.;
OBS: Capitalismo Específico Russo: combinou a ativa participação e
controle estatal com forte presença do capital estrangeiro – burguesia
nacional pouco expressiva.
A Rússia Imperial às vésperas das revoluções:
progresso e atraso
• Império multinacional
- Expansão político-militar em todas as direções;
- Abrangeu múltiplos grupos linguísticos, religiões, costumes e tradições;
- Cristãos ortodoxos, protestantes e católicos, muçulmanos xiitas e sunitas,
judeus, animistas, eslavos e não-eslavos, europeus e asiáticos;
- Política de dominação russa em meio à diversidade de povos: submissão
político-militar e autonomia cultural;
- Resistência dos povos insubmissos e tentativas de russificação;
A Intelligentsia revolucionária russa
• Insatisfações e ressentimentos de determinados grupos sociais contra o
czarismo
- Quadro social às vésperas das revoluções: revoltas rurais e movimentos grevistas
nas cidades → formação da Intelligentsia russa;
❑ Propostas do socialismo rural (populistas): nacionalização e distribuição
equitativa da terra sob controle dos camponeses ( o Estado seria formado por uma
federação de comunas agrárias).
❑Propostas da social-democracia (POSDR): defensores dos princípios marxistas.
Apostavam nos operários como principal revolucionária. Dividiam-se em 1903,
em duas correntes: bolcheviques ( majoritários) e mencheviques (minoritários).
❑Niilistas: partidários do anarquismo de Bakunin;
A Revolução de 1905
• A Guerra Russo-Japonesa (1904-1905): o aumento
do desgaste do czarismo
- Ameaça japonesa a área de influência da Rússia: Port
Arthur;
- Os russos subestimaram a capacidade militar e
industrial japonesa;
- Acúmulo de derrotas e desastres russos na guerra:
aumento das forças de oposição.
- O Estopim: Domingo Sangrento Protesto pacífico x
hostilidade do governo.
Cartaz japonês de propaganda Guerra russo-japonesa.
Domingo Sangrento (9 de janeiro) na capital cultural e política do Império ( São Petesburgo)
A Revolução de 1905
• A insatisfação de amplos setores:
- Camadas médias urbanas: defesa de um projeto liberal-democrático;
- Nações não-russas: defesa de programas de autonomia política;
- Soldados e marinheiros, principalmente, das bases navais:
reformas políticas. O levante do Encouraçado Potemkin ( Mar
Negro);
- Camponeses: invasão de terras → exigência da nacionalização da
terra e da eleição de uma Assembleia Constituinte
A Revolução de 1905
• Insatisfação dos operários: três grandes ondas de greves:
- Janeiro: protesto contra a brutal repressão à passeata;
- Maio e Junho: centrada em reivindicações sindicais e políticas;
- Setembro e Outubro: organizações populares pretenderam, sem
êxito, confrontar-se com o governo;
Obs: Os operários queriam: liberdade de organização sindical, direito de
greve, jornada de trabalho de 8 horas, férias, previdência social, etc.
A Revolução de 1905
• Recuo do czarismo
- Tratado de Portsmouth (5 de setembro de 1905): fim da guerra
e a perda da parte setentrional da ilha de Sacalina para o Japão e
da península de Liandong ( Porto Arthur)
- Nicolau II ( czar) e as concessões: Manifesto de Outubro
✓ Convocação de eleições para o Parlamento (Duma);
✓Monarquia constitucional e parlamentar;
✓Surgimento dos sovietes ( conselhos de trabalhadores)
OBS: Na prática, a Duma ficou submetida ao czar que aumentou
seus próprios poderes por meio de decretos. As críticas dos
parlamentares levaram-no a dissolver a Duma em 1906.
A Primeira Guerra e a Revolução de Fevereiro de
1917
• A Rússia na 1º Guerra
- O apoio da Rússia ao Pan-eslavismo;
- O embate com a Alemanha: sucessivas derrotas
- Efeitos desastrosos da guerra: perdas militares e humanas,
desorganização econômica, desabastecimento, escassez de alimentos e
convulsões sociais;
- Todos contra a dinastia – (Fevereiro)* Março de 1917: Nicolau II é
derrubado do poder, instalando-se a República da Duma.
A República da Duma
• A ascensão dos Mencheviques ( Fev/Março a Outubro de 1917): governo
provisório
- Chefia de Alexandre Kerensky;
- Manutenção da Rússia na Guerra – fortalecimento da oposição bolchevique;
- Crescimento e organização de movimentos sociais ( camponeses, nações não-russas,
proletariados);
- Teses de abril ( Liderança bolchevique de Lênin e Trótski): paz, terra e pão
- “Todo poder aos sovietes”: união dos sovietes de operários, soldados e comitês
agrários;
- A emergência da Guarda Vermelha: Milícia revolucionária de Petrogrado;
- Quadro de extrema desagregação – insurreição de outubro.
A Revolução de outubro/novembro de 1917
• A emergência dos bolcheviques
- Destituição do governo provisório –
criação do Conselho de Comissário do
Povo;
- Liderança do Partido bolchevique e do
soviete de Petrogrado sob chefia de
Lênin;
- “Apelo aos trabalhadores, soldados e
camponeses”
Governo de Vladimir Lênin (1917-1924)
• Primeiras ações:
- Nacionalização de indústrias e bancos estrangeiros;
- Decreto sobre a Terra: redistribuição de terras;
- Decreto sobre a Paz: armistício com a Alemanha – Tratado de Brest-
Litovski ( abriu mão de alguns territórios ( Estônia, Letônia Lituânia,
Finlândia, Ucrânia e Polônia)
- Decreto dos Povos da Rússia – igualdades das nações e o direito de cada
uma delas de construir um Estado nacional próprio.
Governo de Vladimir Lênin (1917-1924)
• Guerra civil
- Oposição dos mencheviques e dos czaristas: Russos brancos;
- Potências aliadas ( que não aceitavam a saída da Rússia da Guerra) +
russos brancos x russos vermelhos – Guerra Civil;
- A Guerra civil radicalizou o atraso econômico;
- “Comunismo de Guerra”: centralização da produção e eliminação da
economia de mercado – confisco da produção agrícola pelo Estado.
- Vitória dos Russos vermelhos em 1921;
Governo de Vladimir Lênin (1917-1924)
• Recuperação da economia:
- Nova Política Econômica (NEP): combinava princípios capitalistas e socialistas;
- Estimulo a pequena manufatura privada, o pequeno comércio e a venda livre de
produtos pelos camponeses no mercado;
- Recuperação parcial da economia, reativando setores fundamentais, como a indústria,
a agricultura e o comércio;
- Criação do Partido Comunista Russo em 1918 ( posteriormente, em 1925, Partido
Comunista da União Soviética ( PUCS);
- Criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) em 1922;
- Morte de Lênin em 1924: disputas no interior do Partido entre Stálin ( Socialismo em
um só país) x Trótski ( revolução permanente) – Vitória de Stálin.
Crise de 1929
Os frenéticos anos 20: prosperidade material,
liberalismo e intolerância
• Os Estados Unidos no mundo pós-1º Guerra
- De devedores a credores: os EUA assumem a hegemonia econômica do mundo;
- A “nova era da América: os republicanos no poder (1921-1932)
- Características gerais:
Liberalismo econômico;
Sociedade de consumo;
Conservadorismo moral;
Isolacionismo;
Os frenéticos anos 20: prosperidade material,
liberalismo e intolerância
• Liberalismo e sociedade de consumo: American way of life
- Livre mercado;
- A euforia e a vitalidade da economia americana: produção industrial cresceu 60%, renda per
capita aumentou em um terço e queda na inflação e desemprego;
- Isolacionismo e a confiança exacerbada no mercado interno;
- Avanços tecnológicos nos processos de produção na indústria automobilística ( linha de
montagem e mecanização), eletrônicos e plásticos (eletrodomésticos e outros bens de
consumo) criação de produtos inovadores preços acessíveis;
- Sociedade de consumo – o consumismo como estilo de vida ( elemento essencial de felicidade
e cidadania). Obs: o rádio e a propaganda tiveram um papel decisivo na vulgarização
dessa sociedade;
- Liberalização dos costumes e escapismo: cinema, jazz e esporte ( Boxe)
Os frenéticos anos 20: prosperidade material,
liberalismo e intolerância
• O conservadorismo:
- O conservadorismo como uma resposta aos “avanços da sociedade moderna” e da
liberalização dos costumes;
- A Lei Seca de 1920 – proibição da produção e comercialização de bebidas alcoólicas;
- O crime compensa: surgimento do contrabando e do crime organizado nas grandes
cidades, sobretudo, Chicago ( capital do crime) os gângsters;
- Lei de imigração de 1924: restrição de imigrantes preconceito e discriminação;
- Proibição do ensino da Teoria da Evolução de Charles Darwin;
- Execução dos anarquistas ítalo-americanos Sacco e Vanzetti;
- Ressurgimento da Ku Klux Klan (KKK), falida desde 1870;
Senador Morris Sheppard, autor da lei.
Os frenéticos anos 20: prosperidade material,
liberalismo e intolerância
• Nos subterrâneos da prosperidade: desequilíbrio entre produção e consumo
- Crescimento econômico acompanhado de desigualdade na distribuição da riqueza:
Salário reais aumentavam 1,4% ao ano, os lucros de acionistas tendiam 16,4% ano;
6 milhões de famílias pobres ou 42 % total da população viviam com menos de mil dólares
por ano;
Condições de trabalho e moradia eram precárias;
5% da população detinham detinha um terço da renda do país;
- O avesso da indústria: a crise no setor agrícola – preços encolheram produção de
excedentes rurais;
Os anos 30: a Grande Depressão
• As razões imediatas da crise de 1929
- Desiquilíbrio entre o ritmo da produção industrial e o consumo (interno e externo);
- Distribuição da riqueza na sociedade era desequilibrada: nem todos podiam consumir na
mesma promoção da expansão produtiva;
- Falta de diversificação econômica o crescimento econômico dependia
desproporcionalmente de poucos indústrias ( automobilística e construção civil) –
quando as vendas nesses setores diminuíram, o resto da economia não conseguiu
compensar;
- A estrutura bancária americana contribuía para ampliar a especulação ( os bancos
dependiam de muitos empréstimos feitos por fazendeiros, negociantes e países
estrangeiros e quando a economia tomou, os devedores não conseguiram pagar,
causando uma reação em cadeia.
Os anos 30: a Grande Depressão
• A crise em marcha
- Retomada da produção europeia e competição no mercado internacional
diminuição das exportações americanas;
- Excedente agrícola acumulado redução brusca dos produtos agrícolas
endividamento dos fazendeiros;
- Excedente do consumo industrial diminuição do ritmo de produção
desemprego falta de consumo;
- Muitos acionistas procuraram vender suas ações redução drástica dos
preços;
- Quinta feira negra ( 24 de outubro de 1929): crack da Bolsa de Nova York
efeito cascata;
Os anos 30: a Grande Depressão
• O Impacto mundial da crise
- As repercussões da crise prolongaram-se até 1933;
- EUA:
4 mil bancos e 85 mil empresas americanas faliram em três anos;
Repatriamento do capital americano e redução de importações;
Desemprego e miséria;
Achatamento salarial;
Queda da produção industrial e agrícola;
Os anos 30: a Grande Depressão
• O Impacto mundial da crise
- Falência de vários bancos e empresas ao redor do mundo;
- Crise do capitalismo liberal;
- Partidos socialistas viram crescer rapidamente suas fileiras;
- Surgimento de partidos – antiliberais e antidemocráticos – que defendiam a
formação de governos autoritários ( Nazismo e Fascismo);
- A exceção da crise: A URSS.
- O Brasil não ficou imune: queda acentuada nas exportações de café.
O combate à crise nos EUA
• A mudança política americana: os democratas
chegam ao poder
- A eleição de Franklin Delano Roosevelt em 1932;
- O New Deal
Influência do keynesianismo;
Intervenção do Estado na economia;
Regulação do sistema financeiro;
Combate ao desemprego: aumento salarial, a criação do
seguro-desemprego e a redução da jornada de trabalho;
Franklin Delano Roosevelt
O combate à crise nos EUA
Criação do sistema previdenciário e legalização das organizações sindicais
Política agrícola – concessão de linha de crédito aos fazendeiros;
Construção de obras públicas;
Estabilização dos preços pelo governo;
• Resultado: O New Deal teve um resultado modesto. “Não recuperou a
economia, nem distribuiu renda, mas trouxe, em alguma medida, segurança
econômica para muita gente, transformando as relações entre cidadãos e o
Estado por meio da garantia de uma mínima qualidade de vida e proteção
social contra adversidades.” (Sean Purdy)
Regimes Totalitários: fascismo, nazismo e
stalinismo
Condições históricas do fascismo
Europa pós-Guerra;
Crise do capitalismo liberal;
Aumento dos conflitos sociais;
Avanço de movimentos de esquerdas;
O antiparlamentarismo;
Avanço de grupos paramilitares e defensores do nacionalismo
exarcebado;
Os elementos constitutivos do fascismo
1-O antiliberalismo e antiparlamentarismo fascista
- O fascismo acusa as formas liberais de organização e de representação, em
especial o parlamentarismo liberal, de originarem a crise contemporânea;
- Propõe uma relação direta entre Estado e o povo, excluindo os partidos e o
Parlamento;
- Considera os princípios de representação nocivos:
A) Os partidos políticos agrupariam interesses setoriais e de classe e, por isso
mesmo parciais, portanto não-nacionais;
B) Diferenciação da esfera do público e do privado – ordem social burguesa
Os elementos constitutivos do fascismo
2-O Estado orgânico e liderança carismática
- A pedra angular do fascismo: o Estado como produtor da coesão nacional – o
liberalismo pensado como um sistema desagregador;
- Eliminação do parlamentarismo e da vida partidária ( Estado de direito –
Liberal) e substituindo-as pelo Estado autoritário e Total;
- União entre Estado e um único Partido. Ex: Alemanha ( Partido Nazista);
- A junção do líder, chefe + Estado: Estado conduzido por um líder. Ex: Itália (
Duce), Alemanha ( Führer);
- Policracia – a administração pública é assentada numa hierarquia de obediência
pessoal, onde um líder de hierarquia mais baixa obedecia a um líder superior;
Bandeira do Partido Fascista Bandeira do Partido Nazista
Os elementos constitutivos do fascismo
2-O Estado orgânico e liderança carismática
- Estado total (“Nada deve existir acima do Estado, fora do Estado, contra o
Estado”) x individualismo liberal – exclusão das liberdades individuais ( o
indivíduo pertence ao corpo, a comunidade, a nação).
- Crítica aos elementos causadores da “desagregação”: liberalismo e ao
bolchevismo;
- Objetivo do Estado fascista: garantir a própria existência da comunidade
nacional ( nacionalismo exarcebado);
- Estado fascista é expansivo. Ex: O uso do conceito de espaço vital pelo Estado
nazista.
Os elementos constitutivos do fascismo
3- Comunidade do povo e a sociedade corporativa
- O Estado corporativo: resposta à crise de identidade atribuída a imposição
dos valores liberais;
- Intervenção do Estado na vida privada ( política de casamentos puros,
controle sexual, cultos cívicos públicos, perseguições religiosas etc.)
- O Fascismo propunha um quadro social no qual capital e trabalho, a família,
a comunidade profissional e local estariam harmoniosamente unidos a bem
dos supremos interesses da nação, com caráter fortemente popular;
- O Estado como uma corporação do trabalho, supraclassista e acima dos
interesses privados;
Os elementos constitutivos do fascismo
4- O Estado potência: a fascismo como terceira via
- Submissão a economia ao dirigismo Estatal;
- Um Estado “socialista” não no sentido marxista:
A) O uso retórico do termo socialista em virtude do movimento operário e sindical;
B) Criação de formas alternativas de mobilização operária: substituição de sindicatos
por frentes de trabalho criados pelo próprio Estado;
C) O Estado caracterizado como regime de produtores. Crítica o não-produtor, em
especial aos senhores do dinheiro e da mercadoria, considerados parasitas e
antinacionalismo ou internacionalismo do bolchevismo;
D) Socialismo corporativo ( Fascista) x Socialismo bolchevista;
“ O Estado nacional-socialista trabalhará ainda mais energicamente no futuro a fim de realizar um programa que, nas
suas últimas consequências, deve conduzir à eliminação completa das diferenças de classes e ao estabelecimento
duma verdadeira comunidade socialista.” ( Hitler, discurso em 21/03/1943. In: SILVA, Francisco Carlos Teixeira da. Fascismos. In: REIS FILHO, Daniel Aarão;
FERREIRA, Jorge. O século XX. O tempo das crises: revoluções, fascismos e guerras. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.)
“ 1. Da mesma forma que os partidos marxistas, devemos utilizar cartazes políticos em vermelho gritante; 2. devemos
ter caminhões com alto-falantes, e saturados de cartazes e com muitas bandeiras vermelhas; 3. devemos cuidar para
que os membros do partido não compareçam às reuniões de terno e gravata e também não muito bem-vestidos, para
evitar a desconfiança dos trabalhadores [...].” ( Hitler. “Truques na luta pelos trabalhadores” ( Tricks in Kampf um den Wähler). In: SILVA, Francisco Carlos
Teixeira da. Fascismos. In: REIS FILHO, Daniel Aarão; FERREIRA, Jorge. O século XX. O tempo das crises: revoluções, fascismos e guerras. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.)
“ Somos socialistas porque vemos no socialismo, quer dizer, na interdependência vital de todos os membros da
comunidade, uns diante dos outros, a única possibilidade de manter nosso patrimônio étnico e, por conseguinte, de
reconquistar nossa liberdade e renovar o Estado alemão.” ( Joseph Goebbels. Der Angriff, 16/7/1928). In: SILVA, Francisco Carlos Teixeira da. Fascismos.
In: REIS FILHO, Daniel Aarão; FERREIRA, Jorge. O século XX. O tempo das crises: revoluções, fascismos e guerras. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.)
Os elementos constitutivos do fascismo
5- A destruição do eu e a negação do outro
- A substituição do indivíduo pela comunidade nacional. A diversidade étnica,
partidária, as classes sociais – devem desaparecer em face das instituições
homogeneizadoras, únicas,: nação, raça, corporação;
- Holocausto: negação das figuras não-nacionais: judeus, não-arianos,
comunistas, ciganos, negros, estrangeiros e aqueles que afrontavam a
perfeição nacional/racial – os considerados mental ou fisicamente doentes;
- No fascismo não há lugar para o outro, tampouco para conversão de um
homem novo. Ex: Gays.
- O culto falocrata ao homem superior ( Ariano) em detrimento aos outros
grupos étnicos;
Os elementos constitutivos do fascismo
6- O uso da propaganda política e dos meios de comunicação
- O discurso propagandístico se tornou, até certo ponto, referência para
conduta e para as opiniões políticas de uma parcela significativa de alemães;
- No caso da Alemanha, o Estado nazista usou um grandioso aparato de
propaganda através do Ministério da Propaganda e Esclarecimento Popular,
chefiada por Joseph Goebbels.
- Formas de propaganda: cartazes, cinema, rádio, jornais...
- Os pronunciamentos e notícias que exaltassem o partido nazista ou o
desempenho das tropas nos fronts, o culto ao líder, o nacionalismo, o
antibolchevismo, o antissemitismo foram alguns dos principais temas
disseminadas pela propaganda fascista.
“O bolchevismo – grande exposição “Vitória da Alemanha – “Ele é culpado pela guerra!”
anti-bolchevista em Karlsruhe.” Liberdade da Europa.” (1944?)
(1936) (1943?)
“O eterno judeu – um filme “O eterno judeu.” (1937) “Por trás das potências inimigas: o
documentário sobre a judiaria judeu.” (1942)
mundial.” (1940)
A emergência do fascismo na Itália
• A Itália depois da 1º Guerra
- Perdas financeiras e humanas;
- Caos econômico: inflação, alto índice de desemprego e paralisação de diversos setores
produtivos;
- Impotência do governo italiano em meio à agitação política e social revolucionárias das
esquerdas, com sucessivas greves e ocupações de fábricas e terras;
- Impasse político parlamentar diante da crise as elites econômica do país apoiam a
atuação das squadre d’azione ( comandos de ação – milícias armadas formadas pelos
camisas negras, membros do Partido Fascista, criado por Mussolini em 1919)
- 1922: Emergência de representantes fascistas no Parlamento italiano;
A emergência do fascismo na Itália
• O Assalto ao poder
- Em 1922, o golpe: a Marcha sobre Roma Mussolini assumiu o cargo de primeiro-
ministro;
- Em 1924, eleições fraudulentos os fascistas ganharam maioria parlamentar. Ex:
Denúncia do deputado socialista Giacomo Matteoti. Repressão ao deputado. Foi
executado;
- Apoio da Confederação Geral da Indústria e da Igreja Católica – Tratado de Latrão
(1929 – resolução da Questão romana);
- Em 1925, Mussolini torna-se Duce (guia) e instala-se o Estado Totalitário.
- Incentivo à produção armamentista e as conquistas territoriais. A Itália invade a
Abíssinia ( atual Etiópia).
O nazismo alemão
• A Alemanha depois da 1º Guerra
- Crise econômica: inflação, desemprego, fome, ...;
- As duras imposições do Tratado de Versalhes:
desmilitarização, perdas territoriais, indenizações;
• A República Weimar (1918-1933)
- Substituição da monarquia;
- Agravamento da crise econômica e política;
- Em 1923, tentativa de cancelamento das imposições
do Tratado de Versalhes represália francesa Retirado do livro: VICENTINO, Cláudio; VICENTINO,
Bruno. Olhares da História: Brasil e mundo. 1 ª edição.
invasão do Vale de Ruhr, importante região São Paulo: Scipione. p.105
mineradora e siderúrgica da Alemanha;
O nazismo alemão
• A República Weimar (1918-1933)
- Em 1919, é fundado, em Munique, o Partido Nacional-Socialista
dos Trabalhadores Alemães.
A)Fundado por Adolf Hitler e por um pequeno grupo ultranacionalista;
B) Atuavam como uma política paramilitar, as Seções de Assalto (SA)
– os camisas-pardas;
C) Em 1923, o grupo tentou dar um golpe, proclamando o fim da
República em uma cervejaria em Munique ( Putsch de Munique).
Foram presos, inclusive Hitler, mas ganharam ampla publicidade no
país;
O nazismo alemão
D)Na prisão, Hitler escreveu Mein Kampf
(Minha luta), obra em que desenvolveu os
fundamentos do nazismo:
Arianismo;
Nacionalismo exacerbado;
Totalitarismo;
Anticomunismo;
Antissemitismo;
Espaço vital;
O nazismo alemão
A República Weimar (1918-1933)
- Agravamento da crise política e econômica da Alemanha crise de 1929;
- O Partido Nazista ganha impulso com a crise: jovens, desempregados, ex-
soldados e agricultores engrossavam as fileiras do partido;
- Avanço dos movimentos de esquerda temor da classe média e da elite
econômica do país;
- Nas eleições de 1932, os nazistas conquistaram um amplo espaço no
parlamento alemão;
- O governo do presidente Hindenburg não conseguiu a maioria no
Parlamento ofereceu a Hitler o cargo de chanceler;
O nazismo alemão
• O fim da República Weimar (1918-1933)
- A partir da ascensão de Hitler como Chanceler, começou a nazificação da Alemanha,
acelerada após a morte de Hindenburg em 1934;
- Hitler assume o poder presidencial em 1934, adotando o título de Füher (líder, chefe),
iniciando o Terceiro Reich (O 1º Reich – Sacro Império Romano Germânico –
século X – XIX; o 2º Reich – Império dos Kaiser Hohenzollern (1871-1919);
- Combate a oposição: a farsa do incêndio no Parlamento ( Reichstag), censura e
extermínio dos opositores, sobretudo, comunistas. Campos de concentração;
- Formas de controle: Gestapo ( polícia secreta do Estado); Seções de Segurança (SS)
( polícia política do partido); Propaganda política;
- Nazificação: militarização, nacionalismo e a construção do espaço vital cenário
para a 2º Guerra Mundial.
Stalinismo
• O governo de Stálin (1924-1953)
- Economia soviética viveu a socialização total;
- Abolição da NEP e instauração dos planos quinquenais: modernizar e
industrializar a URSS;
- No campo:
A) Coletivização agrícola forçada;
B) Acirramento das tensões com a população rural;
C) Formas de estabelecimento rural: os sovkhozes ( fazendas estatais) e os
kolkhozes (cooperativas)
D) Os camponeses foram reduzidos a um novo tipo de servidão: a estatal;
Stalinismo
• O governo de Stálin (1924-1953)
- Na indústria:
A) Esforços voltaram-se para a indústria pesada, matérias-primas e fontes de
energia ( construção de grandes unidades metalúrgicas, imensas fábricas
de tratores e automóveis, usinas hidrelétricas, ferrovias e canais, além de
obras imponentes, como o metrô de Moscou;
B) Imposição de metas e trabalhos duros aos trabalhadores;
C) Produção de bens de consumo era inócua, o setor de distribuição, ruim, e
o de serviços praticamente inexistia;
Stalinismo
• O governo de Stálin (1924-1953)
- Stálin assumiu integralmente o controle do Partido Comunista;
- Subordinava ao partido estava a polícia política ( GPU);
- Expurgos de Moscou: censura, prisão execução e perseguição da
oposição. Ex: a execução de Trótski em 1929;
- Os gulags: campos de concentração da URSS: “administração estatal
dos campos” milhões de seres humanos foram reduzidos à condição
de escravos;
- Uso da propaganda política.
Elementos comparativos: fascismo, nazismo,
stalinismo
SEMELHANÇAS DIFERENÇAS
Unipartidarismo Totalitarismo de Direita Totalitarismo de Esquerda
Culto ao líder Apoio da burguesia industrial Abolição da propriedade
privada
Repressão a dissidentes políticos e a ideologias
contrárias
Estado corporativo Estado socialista
Uso de propaganda e dos meios de comunicação Apoio da religião Supressão da religião do
para a legitimação do regime domínio político
Censura aos meio de comunicação Capitalismo controlado pelo Socialismo
Estado
Crítica ao capitalismo liberal
A Segunda Guerra Mundial
(1939-1945)
A Expansão territorial e o início da guerra
• Conquistas: desrespeito ao Tratado de
Versalhes
- Japão invadiu a Manchúria em 1931 (
interessado pelas riquezas minerais);
- Itália invadiu a Etiópia em 1935
- Alemanha reincorporou o Sarre em 1935 e em
1936 ocupou militarmente a Renânia;
- A partir de 1935 a Alemanha começou a
reconstruir seu exército, a frota de guerra, a
aviação de guerra etc.;
- Muitas nações europeias assistiam a esses fatos
resignadamente evitar um novo conflito
mundial.
A Expansão territorial e o início da guerra
• A Guerra Civil Espanhola ( 1936-1939)
- Alemanha e Itália intervieram na Guerra Civil Espanhola ao lado das tropas
franquistas;
- Republicanos ( socialistas) x Nacionalistas ( franquistas)
- A URSS forneceu ajuda aos republicanos espanhóis;
- Uso de novos armamentos para acabar com a nova República Socialista
Espanhola;
- 1 milhão de mortos;
- O conflito consolidou a aliança Hitler-Mussolini, chamada Eixo Berlim-
Roma.
Pablo Picasso. Guernica. Pintura a óleo sobre tela de grandes dimensões, com 7.76 metros de comprimento e 3.49 metros de
altura. 1937
A Expansão territorial e o início da guerra
• A formação do eixo
Berlim-Roma-Tóquio
(1936)
- Pacto Anti-Komintern (
pacto contra a URSS, com o
objetivo de combater o
comunismo internacional);
A Expansão territorial e o início da guerra
• Expansão territorial nazista
- Anexação da Áustria em 1938 (
Anschluss – união alemã-austríaca);
- Conquista da Tchecoslováquia (
região dos Sudetos – norte da
Boêmia);
- Reação da Inglaterra e França:
Conferência de Munique (1938) ( A Chamberlain ( Grã-Bretanha), Daladier ( França),
Hitler ( Alemanha), Mussolini ( Itália)
entrega dos Sudetos em troco de um
compromisso de não-expansão);
A Expansão territorial e o início da guerra
• Expansão territorial nazista
- O desrespeito ítalo-germânico a “paz para
a nossa época” ( Conferência de
Munique);
- O interesse de Hitler pelo corredor
polonês ( pertenceu a Alemanha até o final
da 1º Guerra Mundial; interesse pelo porto
de Dantzig – área que dava à Polônia saída
para o Mar Báltico);
- Inglaterra e França apoiavam o governo
polonês contra possíveis agressões (
Nazistas e soviéticas)
A Expansão territorial e o início da guerra
• Expansão territorial nazista
- A Polônia: interesse comum entre URSS e Alemanha Pacto Germano-Soviético
(1939) de não-agressão:
Neutralidade por dez anos;
Permitia aos soviéticos a anexação dos estados bálticos (Finlândia) e de parte da Polônia
Oriental)
Em troca Hitler poderia anexar Dantzig;
O Pacto priorizou interesses expansionistas, relegando a segundo plano diferenças
ideológicas entre o nazismo e o socialismo soviético;
- Em 1º de setembro de 1939, Hitler deu continuidade ao expansionismo, invadindo a
Polônia Inglaterra e França reagiram, iniciando-se a Segunda Guerra Mundial.
A eclosão da guerra
- 1939: a “guerra de mentira” – não ocorreram grandes batalhas ( preparo
para a Guerra);
• 1º Fase ( setembro de 1939 a junho de 1942)
- Marcada pela expansão vitoriosa do Eixo;
- 1940: Hitler inicia a Blitzkrieg ( “Guerra relâmpago) – ataques maciços com
o uso de carros blindados ( divisões panzer), da aviação ( Luftwafe) e de
navios de guerra);
- Ocupação da Bélgica, Holanda, Noruega, Dinamarca e parte da França
(Marechal Pétain – França de Vichy x França Livre – resistência ao sul)
A eclosão da guerra
• 1º Fase ( setembro de 1939 a junho de 1942)
- Alemanha x Inglaterra: ataques da aviação – duelo aéreo ( Royal Air Force x
Luftwafe). A RAF conseguiu impedir a invasão à Inglaterra;
- A dupla ofensiva italiana ao Norte da África canal de Suez e nos Bálcãs
contra a Grécia ( fracasso italiano e avanço alemão);
- Avanço nazista na Iugoslávia e Grécia (região balcânica);
- No Extremo Oriente, avanço japonês no Norte da China e na Indochina;
- Em 1941, a Alemanha invadiu a URSS e o Japão atacou à base norte-
americana de Pearl Harbour ( Havaí) entrada dos EUA na Guerra;
- Entrada do Brasil na Guerra;
A eclosão da guerra
• 2º Fase ( junho de 1942 e fevereiro de
1943)
- Marcada pela contenção do Eixo e início
da contra-ofensiva dos aliados;
- A Batalha de Midway – os americanos
paralisam a ofensiva japonesa no Havaí.
- Em 1942, os soviéticos cercaram o
exército alemão que atacava Stalingrado:
pôs fim ao mito da invencibilidade alemã
início da derrocada alemã;
- Ingleses derrotaram o “África Korps”;
A eclosão da guerra
• 3º Fase ( março de 1943 e setembro de 1945)
- Caracterizada pela derrota do Eixo;
- Depois de sucessivas derrotas do Eixo, os países aliados passaram à ofensiva;
- Em 1943, rendição da Itália deposição de Mussolini declaração de guerra à
Alemanha;
- Frente de luta dos aliados marcha em direção a Berlim;
- O desembarque a Normandia, norte da França, no dia 6 de junho de 1944 ( Dia D).
- Invasão do exército soviético em Berlim em 1º de maio de 1945;
- Rendição alemã: 8 de maio de 1945
- Rendição japonesa: o bombardeio atômico de Hiroshima e Nagasaki (1945);
Balanço da guerra
Custo material de 1 bilhão
e 300 milhões de dólares;
Mais de 30 milhões de
feridos;
Mais de 50 milhões de
mortos;
Mundo bipolarizado:
capitalistas x socialistas;
Acordos
• Conferência de Teerã (Irã, 1943)
- Intervenção na França cercar a
Alemanha ( Desembarque dos
Aliados na Normandia);
- EUA e Inglaterra reconheceram a
fronteira soviética no Ocidente, com
a anexação da Lituânia, da Letônia,
da Estônia e do Leste da Polônia.
Stálin, Roosevelt e Churchill encontraram-se em Teerã, em
novembro de 1943
Acordos
• Conferência de Yalta (Criméia Russa,
fevereiro de 1945)
- Criação da Organizações das Nações
Unidas;
-Definição da partilha mundial ( URSS –
predomínio sobre a Europa Oriental,
incorporando os territórios alemães a leste);
- Divisão da Coréia em áreas de influência
soviética e norte-americana. Churchill, Roosevelt e Stálin encontraram-se
em Yalta, em fevereiro de 1945
Acordos
• Conferência de Postdam (Berlim, agosto de 1945)
- Desnazificação da Alemanha;
- Criação do Tribunal de Nuremberg ( julgar os criminosos de guerra);
- Desmilitarização da Alemanhã;
- Divisão da Alemanha em 4 zonas de ocupação: inglesa, francesa, norte-
americana e soviética;
- Fixou-se em 20 bilhões de dólares a quantia de indenização de guerra
devida pelos alemães aos Aliados;
- Cessão de Dantzig à Polônia.