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Quintela, Trad.). Lisboa: Edições 70.
Reale, G. (1994). História da filosofia: Do humanismo a Kant. São
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Tugendhat, E. (1989). Lições sobre ética. Petrópolis: Vozes.
Tugendhat, E. (1993). Problemas de ética. Petrópolis: Vozes.
Tugendhat, E. (1997). Ética e política. Petrópolis: Vozes.
Segundo Reale (1994), a leitura de Tugendhat marca uma passagem
de uma ética centrada no sujeito individual kantiano para uma ética
dialogal, que “procura fundar a moral na comunicação intersubjetiva,
em um horizonte democrático e plural” (p. 327). Essa interpretação
aproxima Tugendhat da filosofia da linguagem e de uma ética da
responsabilidade.
Introdução
A ética constitui um dos pilares fundamentais da reflexão filosófica,
sendo objeto de debate desde a Antiguidade até à
contemporaneidade. No pensamento moderno, Immanuel Kant
destacou-se ao propor uma ética deontológica, fundada na autonomia
da razão prática e na centralidade do dever, onde a moralidade não
depende das consequências da ação, mas do respeito à lei moral
universal. No entanto, essa formulação kantiana, embora
revolucionária e de enorme influência, foi alvo de diversas
reformulações e críticas no século XX. Entre os filósofos
contemporâneos que se dedicaram a revisitar a tradição kantiana,
Ernst Tugendhat ocupa lugar de destaque, sobretudo ao propor uma
leitura ética que desloca o foco do formalismo abstrato para a prática
comunicativa, o diálogo intersubjetivo e a responsabilidade pessoal.
Objetivo Geral
Analisar a reformulação da ética kantiana proposta por Ernst
Tugendhat, destacando sua relevância filosófica e sua aplicação
prática na vida moral contemporânea.
Objetivos Específicos
1. Examinar os fundamentos da ética kantiana, com ênfase na boa
vontade, no dever e no imperativo categórico.
2. Identificar as principais críticas e reformulações apresentadas
por Tugendhat, especialmente no que se refere à moralidade
como prática comunicativa e à ênfase na responsabilidade.
3. Avaliar a pertinência da proposta de Tugendhat como
atualização da ética kantiana para o contexto da modernidade e
da vida social contemporânea.
A análise realizada permite perceber que a ética kantiana, apesar
de sua força conceitual e sistemática, encontra limites quando
aplicada diretamente às realidades plurais e comunicativas da
contemporaneidade. Tugendhat, ao reformular a proposta
kantiana, não a rejeita, mas a enriquece, deslocando-a do campo
do formalismo abstrato para uma ética fundamentada na
intersubjetividade e na prática comunicativa. Nessa perspectiva, a
moralidade não se reduz a uma obediência cega a princípios
universais, mas torna-se um processo de justificação racional
perante outros sujeitos, em que a responsabilidade, a autonomia e
a autodeterminação assumem papel central. Assim, a
reformulação de Tugendhat representa não apenas uma crítica,
mas sobretudo uma continuidade criativa da tradição kantiana,
oferecendo bases mais concretas para pensar a ética em
sociedades democráticas e pluralistas.