Comunicação, expressão e
diversidade linguística
Apresentação
A diversidade linguística é uma característica inerente a todas as línguas naturais, manifestando-se
em diferentes formas de expressão entre seus falantes. Tal variação é influenciada por fatores
regionais, sociais e contextuais, refletindo a riqueza cultural e histórica das comunidades. No caso
do português brasileiro, essa diversidade é especialmente evidente, devido à vasta extensão
territorial e às diferenças socioculturais presentes no país. Estudos recentes, como o de Gomes e
Luquetti (2023), destacam a importância de se reconhecer e valorizar essas variações, promovendo
uma compreensão mais inclusiva e representativa da língua.
É comum ouvir afirmações como "Os brasileiros não sabem direito o português", que
desconsideram a complexidade e a legitimidade das diferentes formas de falar presentes no país.
Todas as línguas apresentam variações, e o português não é exceção. Essas variações não indicam
desconhecimento ou erro, mas sim a natural evolução e a adaptação da língua aos diversos
contextos em que é utilizada. A compreensão e o respeito por essa diversidade são fundamentais
para combater preconceitos linguísticos e valorizar a identidade cultural dos falantes.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar as variações linguísticas e suas características.
Serão exploradas as origens sociais dessas variações e como elas se manifestam em diferentes
modalidades da expressão humana. Ao compreender esses aspectos, você vai estar mais preparado
para analisar e interpretar a língua portuguesa em sua riqueza e diversidade, reconhecendo a
legitimidade de suas múltiplas formas de expressão.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
• Reconhecer as variações da expressão linguística.
• Identificar os aspectos que diferenciam os modos de utilizar a língua.
• Comparar os contextos de produção e circulação dos textos.
Desafio
A variação linguística é um fenômeno inerente às línguas naturais, manifestando-se em diferentes
níveis e contextos sociais. Estudos recentes, como o de Costa et al. (2023), evidenciam que o
ensino de língua portuguesa, alinhado aos pressupostos da sociolinguística, deve abordar essas
variações para promover uma compreensão mais ampla e inclusiva da linguagem.
A análise de livros didáticos do novo ensino médio revela a necessidade de ampliar a abordagem
sobre variações linguísticas, conforme enfatizado pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Com base nisso, acompanhe a situação a seguir.
Diante do exposto, elabore um plano de aula com os seguintes elementos:
• Tema da aula
• Objetivos de aprendizagem
• Conteúdo abordado
• Estratégias/metodologia
• Atividades
• Recursos utilizados
• Avaliação
• Duração da aula
• Considerações finais explicando como as variações linguísticas interferem na escrita da
redação para vestibulares.
Infográfico
A linguagem é uma prática social que vai muito além da simples transmissão de informações. Ela se
constitui como instrumento de interação, construção de sentidos e expressão de identidades
culturais e sociais. Por isso, a língua não é um sistema rígido e homogêneo, mas sim um organismo
vivo e dinâmico, sujeito a transformações históricas, culturais, regionais e situacionais. A maneira de
se falar e escrever reflete a realidade multifacetada em que se está inserido, revelando nuances de
pertencimento, contexto social e intencionalidade comunicativa.
Ao se analisar a variação linguística, reconhece-se que há múltiplas formas legítimas de utilizar a
língua. Essa variação se manifesta em diferentes dimensões — geográfica, histórica, sociocultural e
situacional — e está presente em todos os níveis linguísticos, desde a pronúncia até a escolha
vocabular e a construção sintática. A compreensão dessas diferenças auxilia na promoção do
respeito à diversidade linguística e no combate de preconceitos, sobretudo no ambiente escolar.
Segundo Gomes, Brito e Silva (2024), a oralidade influencia de forma direta a escrita,
principalmente nos primeiros anos de escolarização, sendo papel da escola ensinar o
reconhecimento e a valorização dessas manifestações linguísticas diversas como parte legítima do
processo comunicativo.
Neste Infográfico, você vai ver como a comunicação cotidiana apresenta uma diversidade de
formas linguísticas que variam conforme o contexto, o público e a intenção da mensagem. Você vai
conhecer os diferentes registros da língua — formal, coloquial e com marcas de oralidade —, suas
principais características e exemplos práticos de uso.
Aponte a câmera para o
código e acesse o link do
conteúdo ou clique no
código para acessar.
Conteúdo do livro
A linguagem é um fenômeno social e histórico que se manifesta de maneiras diversas, conforme os
contextos de uso, os interlocutores envolvidos e os propósitos comunicativos. Por isso,
compreender a língua exige mais do que conhecer regras gramaticais: é necessário perceber como
os textos se organizam, circulam e produzem sentidos nas mais variadas situações comunicativas.
Nesse cenário, a variedade linguística surge como uma característica natural das línguas, refletindo
diferentes realidades socioculturais. A forma como se fala e se escreve está diretamente
relacionada a fatores como região, idade, grupo social, grau de formalidade e intenção. Assim,
analisar os textos a partir do contexto de produção e circulação permite uma leitura mais crítica e
abrangente, valorizando a diversidade e combatendo preconceitos linguísticos.
No capítulo Comunicação, expressão e diversidade linguística, base teórica desta Unidade de
Aprendizagem, você vai ver como a perspectiva sociodiscursiva contribui para compreender a
comunicação e a expressão nos mais diversos contextos. Além disso, este capítulo apresenta os
elementos fundamentais dessa abordagem e discute aspectos importantes da leitura e da escrita de
textos que circulam especialmente no meio científico e acadêmico.
Bons estudos.
EXPRESSÃO E
COMUNICAÇÃO
Daysi Batista Pail
Comunicação, expressão
e diversidade linguística
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Reconhecer as variações da expressão linguística.
Identificar os aspectos que diferenciam os modos de utilizar a língua.
Comparar os contextos de produção e circulação dos textos.
Introdução
Neste capítulo, você estudará como as línguas apresentam variações,
isto é, diferentes formas de falar, de utilizá-las, e verá que o passar do
tempo provoca mudanças nestas, mas não sozinho, uma vez que o
contato com outras línguas também influenciará essas variações. Esse
princípio está relacionado à existência de diferentes línguas, mas é não
restrito a isso. Uma mesma língua terá diferentes grupos, os quais terão
variadas características linguísticas que os ligam e os separam, como o
dialeto paulista, carioca, mineiro, gaúcho, entre outro. Além disso, haverá
grupos dentro de grupos, como os formados de acordo com a idade, o
gênero, a profissão.
Você também estudará que uma língua, como o português, tem duas
modalidades, isto é, duas formas de realização: por meio da oralidade (fala)
ou da escrita. Estas funcionam como um conjunto, às vezes até mesmo
sendo amalgamadas no uso.
Entre variação linguística, modalidade e níveis de fala (variação de registro),
é importante a adequação linguística, em que se escolhe qual norma
(variedade linguística), qual modalidade (e se é preciso uma apenas)
e qual nível de fala melhor atende aos objetivos da comunicação e ao
contexto comunicativo.
2 Comunicação, expressão e diversidade linguística
Variação linguística
Uma língua viva sempre apresenta variações. Isso signifi ca que, enquanto
uma língua tiver falantes nativos, ela será dinâmica e heterogênea (FARACO,
2008). Com o passar do tempo, ela passará por mudanças e, se estas forem
grandes demais, pode até se tornar uma outra língua, ou outras, como aconte-
ceu, por exemplo, com o Latim e as línguas românicas que dele se
originaram. Se você ler um texto de épocas passadas, poderá encontrar
diferenças, tais como aquelas encontradas em palavras, expressões, até
mesmo na estrutura (para exemplos ver textos de romances do período
Realista ou Naturalista, como os de Machado de Assis e Aluísio de
Azevedo). Essa diferença pode ser observada também entre falantes de
diferentes gerações.
A língua também é influenciada pelo espaço. Pense em um lago e em
atingir sua superfície atirando várias pedras. Cada uma delas gerará
ondulações e, em alguns pontos, irão se encontrar e se afetar umas às outras.
Com a língua ocorre um fenômeno análogo, zonas próximas apresentam maior
similaridade e são reconhecidas e diferenciadas, porém, conforme se afastam,
as diferenças vão se tornando maiores, devido à experiência dos falantes,
assim como a influência de outras comunidades linguísticas, de outras
línguas. Nesse aspecto, o processo de colonização, imigração e migração,
assim como a presença de diferentes tribos autóctones, tem fortes
consequências. É possível observar a distância entre as diferentes regiões do
país, e, até mesmo, dentro dos estados. Outra grande variável que se pode
elencar é quanto ao indivíduo. Nesta, é possível identificar a influência do
lugar onde o indivíduo cresceu, seu grau de contato com a cultura letrada,
seu círculo social (mais informal, menos informal, entre outros). Esse âmbito
é o que permite a identificação de estilo de um indivíduo inserido em uma
comunidade linguística, ou seja, o que o distingue linguisticamente (ainda
que não exclusivamente).
Comunicação, expressão e diversidade linguística 3
Comunidade linguística é um agrupamento de falantes que têm características
linguísticas em comum (BELINE, 2014).
Qualquer língua que ainda seja natural (diferentemente de línguas arti-
ficiais, como Klingon e Dothraki) tem variação, isto é, varia no tempo e no
espaço (objeto de estudo da sociolinguística variacionista) e também de um
indivíduo para outro, modificando-se até quando utilizada por um mesmo
indivíduo em diferentes situações (objeto de estudo da sociolinguística inte-
racional). Linguisticamente, não há uma variedade linguística melhor, mais
bonita ou mais desenvolvida do que outra. Qualquer que seja a variedade,
ela será igualmente válida, rica e desenvolvida. A valorização de uma em
detrimento de outra é social, isto é, a sociedade (ou parte dela) que classifica
uma variedade positiva ou negativamente.
Algumas variedades são estigmatizadas, como, por exemplo, as do interior
dos estados em relação às das regiões metropolitanas, as de classes sociais
menos prestigiadas e menos escolarizadas em relação às mais prestigiadas e
mais escolarizadas (BAGNO, 1999; FARACO, 2008; GÖRSKI; COELHO,
2009). É comum, com essa postura, encontrar afirmações como: “eu não sei
português”, “fala feio”, “antes de aprender inglês, francês, tinha que aprender
português”, “matou a língua portuguesa”; todas com relação a falantes nativos.
Ao dizer isso, a pessoa expõe desconhecimento sobre a realidade linguística
e também sobre o preconceito linguístico. De acordo com Görski e Coelho
(2009, p. 82), “[...] muitas pessoas acham que falar uma variedade diferente da
variedade padrão é um problema sério para a sociedade, uma manifestação
de inferioridade. Sempre que isso acontece, a língua se torna um veículo de
preconceitos e exclusões.”
Segundo Faraco (2008), todas as variedades linguísticas têm uma própria
norma, isto é, um conjunto de características que lhes são normais, envolvendo
aspectos fonéticos (identificados no sotaque), lexicais, semânticos, sintáticos
4 Comunicação, expressão e diversidade linguística
e, às vezes, até pragmáticos. Contudo, saindo do âmbito linguístico, norma
é entendida como um conjunto de regras que normatizam a forma como os
falantes deveriam utilizar a língua. Esse tipo é chamado pelo autor de norma
padrão, um “ideal” artificial que, apesar de defendido, nenhum falante utiliza
de fato (é aquela encontrada nas gramáticas mais tradicionais, normativas e
não linguísticas). Para ele, a norma associada aos grupos mais escolarizados é
a norma culta. Essa seria comum aos falantes de áreas urbanas em situações
mais formais, principalmente na escrita, e seria balizada pela linguagem
urbana comum.
Modalidades da língua
Além da variação que as línguas apresentam, elas também podem ter mais de
uma modalidade. A língua portuguesa, por exemplo, apresenta as modalidades
oral e escrita, mas nem todas as línguas são assim. Algumas apresentam
apenas a modalidade oral, sendo denominadas ágrafas.
A modalidade oral, sempre primeira com relação à escrita, sofre e aceita
mudanças muito mais rapidamente. Ela é mais dinâmica, seja por ser mais
propensa à variação e à mudança, seja por causa do “jogo” comunicativo
como palco e fonte. Ela influencia as mudanças na modalidade escrita, que,
por sua vez, tem o poder de “frear” a modalidade oral. Com o advento da
imprensa, esse poder foi intensificado. Entretanto, a modalidade escrita
continua sendo uma representação da oral, dependendo de convenções para
sua inteligibilidade (como ortografia e uso do mesmo alfabeto), bem como
para questões políticas.
A Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) é, como o nome diz, uma língua, e não uma
modalidade da língua portuguesa. A LIBRAS apresenta, como qualquer outra língua, os
sistemas fonológico (em sentido um pouco diferente), morfológico, sintático e semântico.
Além disso, ela é uma língua natural e, consequentemente, também apresenta variação.
Comunicação, expressão e diversidade linguística 5
Apesar de a modalidade oral ser mais identificada em registros mais informais,
ela também ocorre em situações mais formais. Da mesma forma, a modalidade
escrita, que é mais identificada em registros formais, ocorre em situações mais
informais. Assim, uma conversa de texto por aplicativos e redes sociais irá se
aproximar mais da oralidade, ao passo que uma palestra acadêmica, da escrita.
Essa identificação advém de a oralidade permitir a realização da comunicação
linguística de modo mais natural, menos rígido e menos regrada quando comparada
com a escrita, principalmente quando se desconsidera a mudança que a cultura
digital trouxe. Antes, por exemplo, não era considerado diálogo uma conversa
que não fosse feita pessoalmente ou por telefone, entretanto, com a mudança
de paradigma causada pela cultura digital, é contrassenso não considerar como
diálogo as conversas por aplicativos, como Whatsapp, Messenger, entre outros.
Desconsiderando-se um pouco o paradigma da cultura digital, qualquer produ-
ção, seja oral ou escrita, tem uma audiência (um destinatário) real ou imaginário.
Algumas manifestações permitem uma interação maior entre os envolvidos, que,
então, intercalam-se no papel de locutor e interlocutor. Na modalidade oral, quanto
mais informal for a situação, mais interrupções e sobreposições serão possíveis.
Além disso, é comum mudanças de estilo estrutural, sentenças incompletas na
oralidade, que, na escrita, tornam-se difíceis de compreender. A escrita, enquanto
representação da fala, apresenta menor possibilidade de interferência, mas permite
que se pense, planeje e revise o texto antes de liberá-lo.
Adequação linguística
No âmbito acadêmico e profissional, você terá de lidar com situações que exigirão
uma ou outra modalidade (ou até as duas, em conjunto). Seja qual for a modalidade
a ser usada e em qual situação, a adequação linguística será fundamental. O uso
da língua por um falante é sempre influenciado por uma série de fatores, alguns
dos quais foram mencionados anteriormente. Em certas situações, é esperado o
uso de um nível de fala mais formal, assim como uma determinada norma, como
a culta, ao passo que, em outras, ocorre o oposto. Essas escolhas seriam feitas
tendo em vista um fim comunicativo, em outras palavras, como atingir da melhor
forma um objetivo (ou uma série deles). Quanto a isso, até mesmo a escolha por
não seguir o que se esperaria pode ser um meio de conseguir sucesso.
6 Comunicação, expressão e diversidade linguística
Tipos de variação
Variação diatópica é aquela que ocorre em decorrência da região, por exemplo:
jerimum versus abóbora, mexerica versus bergamota, rótico velar (“erre” forte —
comum no Rio Grande do Sul) versus rótico uvular (“erre” forte, caipira — comum
no interior paulista), etc.
Variação diastrática é aquela comum a estratos sociais, por exemplo: classes
mais ou menos prestigiadas, advogados, influenciadores digitais (que ainda varia
de acordo com o campo de interesse), etc.
Variação diafásica é aquela que ocorre em função do contexto comunicativo, por
exemplo: mais ou menos informal, mais ou menos afetiva, mais ou menos técnica, etc.
Variação de registro é um tipo de variação diafásica e diz respeito ao nível de
formalidade ou de informalidade.
Para ler mais sobre alguns exemplos de variação linguística, acesse o link a seguir.
[Link]
A experiência permite que o falante force os limites entre normas e entre
níveis de fala, do mais formal ao mais coloquial. Entretanto, quando ainda não
se tem essa experiência, algumas orientações se tornam úteis. Algumas são
mais ou menos assumidas como instintivas, outras já seguem certos padrões
estabelecidos (por exemplo, por gêneros textuais ou por contexto comunicativo).
O meio acadêmico apresenta uma grande variação de contextos comu-
nicativos, de conversas informais com amigos a produções formais, como
tese de doutorado e respectiva defesa oral. Considerando-se os textos e
discursos comuns a esse meio, alguns permitirão uma linguagem coloquial,
enquanto outros, não, de uma linguagem urbana comum à norma culta. No
Quadro 1, são apresentados alguns gêneros textuais, uma breve definição
e a linguagem esperada.
Comunicação, expressão e diversidade linguística 7
Quadro 1. Gênero textuais e níveis de linguagem
Gênero
textual Caracterização Linguagem
Memorial Do tipo acadêmico, é uma Norma culta.
apresentação textual da
trajetória acadêmica de
uma pessoa de modo
mais detalhado do que o
currículo (que apresenta os
dados através de tópicos).
Resumo Apresenta as principais A linguagem tende a
ideias de um outro texto ou seguir o estilo do original,
trabalho, de modo conciso, porém, do acadêmico,
objetivo, coeso e coerente. espera-se a norma culta.
Entrevista É um diálogo a princípio A linguagem será determinada
planejado, pois pelo menos pelo contexto, mais informal
uma das partes terá se ou mais formal. Em contexto
preparado. Consiste em acadêmico, é comum a
perguntas feitas a um entrevista de teóricos e
entrevistado. Ela pode ser feita pesquisadores, e, nesse caso,
inteiramente de forma oral, a linguagem será mais formal.
mista (quando as perguntas
são passadas por escrito para
que o entrevistado possa
se preparar, ou quando
é transcrita) ou escrita.
Manifesto É um texto em que um grupo A linguagem pode
de pessoas ou entidades apresentar uma formalidade
expressam sua opinião sobre maior, por meio do uso da
uma situação-problema. norma culta, ou um pouco
menos formal, por meio da
linguagem urbana comum.
(Continua)
8 Comunicação, expressão e diversidade linguística
(Continuação)
Quadro 1. Gênero textuais e níveis de linguagem
Gênero
textual Caracterização Linguagem
Ensaio Consiste em um texto Norma culta.
argumentativo acerca
de um assunto.
Procuração É um documento legal em Linguagem mais formal,
que uma pessoa dá à outra o preferência da norma culta.
poder para tomar decisões,
cuidar de propriedades ou
negócios no seu lugar.
Editorial É um texto argumentativo Linguagem mais formal,
que expressa a posição podendo apresentar
de um jornal ou revista elementos coloquiais,
sobre um assunto. bem como se manter
na norma culta.
Edital É um documento público que Norma culta.
visa a comunicar, informar,
convocar sobre determinado
assunto. É comum em
concursos, informando
regras, requisitos, datas.
Certificado É um documento Norma culta.
comprobatório acerca da
participação de alguém em
algum evento ou acerca
da verdade sobre algo.
Ata É um registro resumido Linguagem mais formal,
do que foi discutido ou preferência da norma culta.
tratado em uma reunião,
assembleia, sessão.
Comunicação, expressão e diversidade linguística 9
BAGNO, M. Preconceito lingüístico: o que é, como se faz. São Paulo: Edições Loyola, 1999.
BELINE, R. A variação linguística. In: FIORIN, J. L. (Org.). Introdução à linguística: objetos
teóricos. 6. ed. São Paulo: Contexto, 2014. v. 1.
FARACO, C. A. Norma culta brasileira: desatando alguns nós. São Paulo: Parábola Edi-
torial, 2008.
GÖRSKI, E. M.; COELHO, I. L. Variação linguística e ensino de gramática. Working Papers
em Linguística, v. 10, n. 1, p. 73-91, fev. 2010. Disponível em: <[Link]
br/[Link]/workingpapers/article/view/1984-8420.2009v10n1p73/12022>. Acesso
em: 2 dez. 2018.
Leituras recomendadas
FIORAVANTI, C. "R" caipira é invenção dos brasileiros, conclui estudo linguístico. Re-
vista Pesquisa Fapesp, abr. 2015. Disponível em: <[Link]
ultimas-noticias/redacao/2015/04/12/em-200-anos-teremos-dificuldades-para-nos-
-[Link]>. Acesso em: 2 dez. 2018.
MESAN, L. Jornal Hoje — Sotaques do Brasil mostra os jeitos diferentes de falar brasileiro.
Youtube, jul. 2015. Disponível em: <[Link]
c&feature=[Link]>. Acesso em: 2 dez. 2018.
Dica do professor
A linguagem é um instrumento fundamental de interação social, adaptando-se às diversas situações
comunicativas do cotidiano. As escolhas linguísticas são influenciadas por fatores como o grau de
formalidade, a relação entre os interlocutores e o contexto em que a comunicação ocorre.
Compreender essas variações é essencial para uma comunicação eficaz e para evitar mal-
entendidos.
Essa diversidade linguística manifesta-se em distintos níveis de fala, como os registros formal e
informal, cada um adequado a contextos específicos. Dominar a transição entre esses registros é
importante para interagir de maneira apropriada em diferentes ambientes, seja em um contexto
profissional ou em uma conversa casual. Essa habilidade não apenas facilita a comunicação, mas
também demonstra sensibilidade e respeito pelas normas sociais e culturais que regem as
interações humanas. Paulino, Miranda e Campos (2022) destacam a importância de se valorizar
essas variações para promover uma comunicação mais democrática e inclusiva.
Nesta Dica do Professor, você vai ver como a intimidade e a formalidade influenciam as formas de
comunicação cotidiana. Além disso, você vai ter uma explicação detalhada sobre os diferentes tipos
de variações linguísticas e os níveis de fala, com apresentação de exemplos práticos para auxiliá-lo
a compreender melhor essas diferenças e aplicá-las adequadamente em suas interações diárias.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Exercícios
Um ensino de língua pautado no respeito às diferenças linguísticas, no que se compreende
1) por uso real da língua, deve possibilitar um estudo reflexivo da utilização da linguagem.
Metodologicamente, o professor deverá integrar — sempre que possível — a reflexão
linguística aos outros objetivos escolares, quanto ao plano textual e à complexidade da
variação linguística. No entanto, ainda há muitos entraves para que uma reflexão efetiva em
torno da variação linguística ocorra (Ferreira; Santos, 2024).
As variações linguísticas e os níveis de fala são manifestações da complexidade e da
dinamicidade da linguagem humana. A respeito desses conceitos, analise as proposições a
seguir e assinale a alternativa correta.
A) A fala formal, por ser associada ao domínio da norma-padrão, constitui uma forma linguística
neutra e universal, desvinculada de marcas regionais ou socioculturais, sendo, portanto, a
mais adequada a qualquer situação comunicativa.
B) O uso de determinadas variantes linguísticas — como gírias, expressões idiomáticas e
regionalismos — compromete a eficácia comunicativa, sendo necessário evitá-las em
situações formais e informais.
C) Os níveis de fala são ativados conforme o grau de formalidade das situações comunicativas,
estando mais ligados ao contexto de uso da língua do que às características individuais dos
falantes, como classe social ou escolaridade.
D) Os jargões, por se restringirem a comunidades profissionais específicas, são frequentemente
classificados como desvios da norma-padrão.
E) A sociolinguística comprova que os fatores de variação linguística operam exclusivamente no
eixo regional, o que justifica a predominância do dialeto-padrão em contextos de alta
formalidade.
A variação linguística, observada na fala cotidiana como diferentes formas de dizer o mesmo,
2) correlaciona-se a fatores sociais e linguísticos (posição da sílaba na palavra e no enunciado,
tonicidade, fones precedentes e seguintes e assim por diante). Usar certas variantes nas
práticas sociais cotidianas, em atividades profissionais ou não profissionais, contribui para a
construção de estilos de persona e para a projeção de identidades em falares percebidos,
como, por exemplo, jovem, masculino, folclórico, técnico, etc. (Barbosa; Battisti, 2023).
Sobre as diferenças entre as modalidades oral e escrita da linguagem, assinale a alternativa
correta.
A) A modalidade escrita se desenvolve em tempo real e depende do contexto situacional
imediato, o que permite ao autor ajustar seu texto conforme a reação do leitor.
B) A linguagem falada, diferentemente da escrita, é desvinculada de elementos extralinguísticos,
como entonação, gestos e pausas, sendo, portanto, mais objetiva.
C) A escrita é marcada pela espontaneidade e pela fluidez interativa entre os participantes,
enquanto a fala exige maior planejamento e distanciamento entre os interlocutores.
D) A modalidade oral caracteriza-se pela alternância entre os papéis de falante e ouvinte e pela
forte presença do contexto situacional, já a escrita exige maior planejamento e autonomia
textual, pois ocorre fora do momento de interação.
E) A linguagem escrita apresenta estrutura sintática menos elaborada que a oralidade,
justamente por não depender de contexto e por prescindir de estratégias de coesão e
coerência.
Apesar de a sociolinguística derivar da linguística estrutural, os sociolinguistas romperam
3) com a tendência linguística de tratar as línguas como unicamente uniformes, homogêneas ou
monolíticas em sua estrutura. Dessa forma, passaria a ser uma das tarefas dos
sociolinguistas mostrar que a variação ou diversidade não é livre, mas correlacionada a
diferenças sociais sistemáticas. O objeto de estudo da sociolinguística é a língua falada,
observada, descrita e analisada dentro de seu contexto social — em outras palavras, nas
situações reais de uso (Ferreira; Santos, 2024).
Analise as afirmações a seguir relacionadas à variação linguística.
(A) A variação linguística constitui um fenômeno natural das línguas vivas e reflete a
diversidade de contextos socioculturais dos falantes.
(R) Por isso, é função da escola combater tais variações, ensinando apenas a norma culta da
língua, como forma de garantir a unidade linguística nacional.
Considerando a relação entre a asserção e a razão, assinale a alternativa correta.
A) Asserção (A) e razão (R) estão corretas, e a razão justifica a asserção.
B) Asserção (A) e razão (R) estão corretas, mas a razão não justifica a asserção.
C) A asserção (A) está correta, e a razão (R) está incorreta.
D) A asserção (A) está incorreta, e a razão (R) está correta.
E) Asserção (A) e razão (R) estão incorretas.
O relevante papel das realizações variáveis na construção da identidade do locutor está na
4) adequação do padrão de fala às atividades específicas. Compreende-se que categorizar uma
forma de falar como certa ou errada e, a partir daí, treinar um único estilo de fala no rádio dá
corpo a modelos de comunicação centralizadores e já em desuso nas diferentes mídias.
Nesse sentido, a variação linguística na locução de rádio oferece recursos para atualizar a
comunicação nesse veículo e em outras mídias, dando um lugar possível a diferentes
identidades e padrões culturais (Barbosa; Battisti, 2023).
Alguns gêneros textuais exigem tradicionalmente o uso exclusivo da norma culta e de um
padrão formal de linguagem. Outros, por sua vez, admitem marcas de oralidade e expressões
mais informais. No entanto, há gêneros que transitam entre esses polos.
Com base nessas considerações, assinale a alternativa que apresenta um gênero textual cuja
estrutura admite, de forma contextualizada, tanto marcas da linguagem formal quanto da
linguagem coloquial.
A) A procuração, por ser um documento jurídico, exige o uso exclusivo de linguagem técnica e
formal, impossibilitando registros coloquiais.
B) O editorial, embora estruturado de forma argumentativa, pode apresentar traços de
formalidade e coloquialidade, adequando-se ao perfil do veículo e do público.
C) O edital, por sua função oficial de convocação ou comunicação pública, exige linguagem
impessoal e normativa, sem espaço para informalidade.
D) O certificado, como documento validado por uma autoridade, deve manter um padrão rígido
e formal, sem marcas da oralidade.
E) A ata, por registrar atos oficiais de uma reunião, deve ser redigida com alto grau de
formalidade e objetividade, vedando o uso de expressões informais.
A variação linguística oferece recursos para a construção de estilos de persona
5) contextualizados conforme as identidades dos interlocutores. É necessário abordar, na
formação dos locutores, tanto a linguagem padrão da fala neutralizada como a fala com
variação, centrada no tipo de atividade e nos diferentes propósitos da comunicação
(Barbosa; Battisti, 2023).
Leia as afirmativas a seguir, que tratam de variações linguísticas, e classifique-as como
verdadeiras (V) ou falsas (F).
( ) Quando diferentes palavras são utilizadas em regiões distintas para se referir a um
mesmo objeto, como “pipa”, “pandorga” ou “arraia”, trata-se de uma variação diastrática,
pois envolve diferentes grupos sociais.
( ) A variação diafásica ocorre quando um falante alterna seu modo de falar conforme a
situação comunicativa, adotando um estilo mais formal ou informal.
( ) A variação diatópica, também chamada de geográfica, explica por que determinados
termos, construções ou pronúncias se diferenciam em função da região onde se fala a língua.
( ) A norma culta é uma forma de variação linguística que inclui todas as formas faladas
regionalmente, pois considera a variedade da fala como padrão.
( ) A variação de registro se refere à mudança de vocabulário e estrutura sintática
dependendo do grau de formalidade da situação, do interlocutor e do canal de comunicação.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
A) F, V, V, F, V.
B) F, V, V, F, F.
C) V, V, V, F, V.
D) F, F, V, F, V.
E) F, V, F, F, V.
Na prática
A linguagem é um fenômeno social dinâmico, sujeito a constantes transformações e variações que
refletem a diversidade dos falantes e os contextos em que se inserem. Essas variações podem ser
percebidas em diferentes níveis, como o regional, o social e o situacional, e são influenciadas por
fatores como idade, escolaridade, gênero, profissão e localidade geográfica. Conforme apontam os
estudos de Oliveira e Santos (2021), compreender essa multiplicidade é essencial para valorizar a
pluralidade cultural e combater preconceitos linguísticos.
No campo educacional, o estudo das variações linguísticas promove o reconhecimento de
diferentes formas legítimas de falar e escrever, sem hierarquizações excludentes. Essa perspectiva
contribui para a construção de uma educação mais inclusiva e crítica, ao passo que convida
professores e alunos a refletirem sobre os usos reais da língua nas práticas cotidianas. O ensino das
variações linguísticas, portanto, deve ser pautado por uma abordagem reflexiva, que articule teoria
e prática, levando em consideração os diversos contextos de comunicação.
Neste Na Prática, você vai ver como um professor, durante uma palestra sobre variações
linguísticas, precisou adaptar sua fala e utilizar exemplos do cotidiano para esclarecer os diferentes
usos da língua. A situação ilustra a importância de uma postura flexível e contextualizada no ensino
da língua, tornando o conteúdo mais acessível e significativo aos estudantes.
Aponte a câmera para o
código e acesse o link do
conteúdo ou clique no
código para acessar.
Saiba mais
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja a seguir as sugestões do professor:
Estrutura e variação linguística na comunicação digital
Este artigo explora como a comunicação digital influencia a estrutura e a variação linguística no
português brasileiro. Analisa as características específicas da linguagem utilizada em meios digitais e
discute as implicações dessas variações para a compreensão da língua portuguesa contemporânea.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
A pedagogia da variação linguística e a sociolinguística
educacional trasladadas ao âmbito do português como língua
adicional
Este estudo aborda a aplicação da pedagogia da variação linguística e da sociolinguística
educacional no ensino de português como língua adicional. Discute estratégias pedagógicas que
consideram a diversidade linguística dos aprendizes, visando a uma educação mais inclusiva e
eficaz.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
O ensino de português e a problemática abordagem da variação
linguística em livros didáticos
Este artigo analisa como a variação linguística é abordada em livros didáticos de português. Os
autores identificam desafios e propõem reflexões sobre a necessidade de materiais didáticos que
representem de forma adequada a diversidade linguística do português brasileiro.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.