Abel Alberto
Chabane Sofiano
Chimela Eduardo
Cosme Diamante Mateus
Socelina Damião Maisha Fundy
Sistema Jurídico Commum Law (Estados Unidos America)
Universidade Rovuma
Niassa 2025
Abel Alberto
Chabane Sofiano
Chimela Eduardo
Cosme Diamante Mateus
Socelina Damião Maisha Fundy
Sistema Jurídico Commum Law (Estados Unidos America)
(Licenciatura em Direito 5º ano)
Trabalho cientifico da cadeira de SJDC, a
ser entregue no departamento de Direito
para fins avaliativos sob orientação da
Msc. Stella Manda
Instituto de Desenvolvimento Rural e Biociências
Universidade Rovuma
Niassa 2025
Índice
Introdução ......................................................................................................................... 4
1. Objectivos Gerai ........................................................................................................... 4
1.1. Objectivos Específicos .............................................................................................. 4
2. Sistema Juridico Commum Law (Estados Unidos America) ........................................ 5
2.1. Noção ......................................................................................................................... 5
2.2. Direito dos Estados Unidos ....................................................................................... 5
2.3. Estrutura do Direito dos Estados Unidos................................................................... 7
3. Direito Federal e Direito dos Estados ........................................................................... 8
4. Fontes do Direito dos Estados Unidos........................................................................ 10
4.1. A Constituição ......................................................................................................... 10
4.2. Legislação ................................................................................................................ 10
4.3. Jurisprudência .......................................................................................................... 11
4.4. Regulamentos Administrativos ............................................................................... 11
4.5. Doutrina ................................................................................................................... 11
4.6. Costumes Jurídicos .................................................................................................. 12
5. Organização Judiciária dos Estados Unidos ............................................................... 12
Conclusão ....................................................................................................................... 15
Referencias Bibliográficas .............................................................................................. 16
4
Introdução
O sistema jurídico Common Law constitui uma das principais famílias jurídicas do
mundo contemporâneo, distinguindo-se profundamente da tradição romano germânica
(civil law), que domina grande parte da Europa Continental e da América Latina.
Originário da Inglaterra medieval, o Common Law desenvolveu-se através de decisões
judiciais acumuladas ao longo do tempo, formando um corpo de jurisprudência que
orienta a aplicação e a interpretação das normas jurídicas. A sua natureza
consuetudinária, a valorização dos precedentes e a centralidade do papel dos tribunais
são características estruturais que marcam profundamente este sistema.
A influência do Common Law estende-se hoje por diversos países, entre os quais se
destacam os Estados Unidos da América, o Canadá, a Austrália e outras nações do
antigo Império Britânico. Apesar das variações locais e adaptações aos contextos sociais
e políticos específicos, estes ordenamentos jurídicos partilham uma base comum
alicerçada na doutrina do stare decisis, isto é, na obrigação dos tribunais inferiores
seguirem as decisões dos tribunais superiores. Este princípio contribui para a
estabilidade, previsibilidade e coerência na aplicação do direito.
Este trabalho propõe-se, pois, a explorar de forma aprofundada o sistema jurídico
Common Law, com destaque para o direito dos Estados Unidos, a divisão entre direito
federal e estadual, as principais fontes jurídicas e a organização judiciária. Através desta
abordagem, pretende-se oferecer uma visão clara e estruturada sobre os fundamentos e
dinâmicas deste sistema, sublinhando as suas especificidades, evolução histórica e
implicações práticas no mundo jurídico actual.
1. Objectivos Gerai
Analisar o sistema jurídico commum law concretamente o Direito dos Estados
Unidos;
1.1. Objectivos Específicos
Compreender a historia do Direito dos Estados Unidos
Analisar as fontes do Direito dos Estados Unidos
Compreender a estrutura Judiciaria do Direito dos Estados Unidos
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2. Sistema Juridico Commum Law (Estados Unidos America)
2.1. Noção
Segundo Mendes (2012), O sistema jurídico Common Law, também conhecido como
direito comum, é uma tradição jurídica oriunda da Inglaterra medieval, que se
consolidou a partir do século XII com a criação dos tribunais reais pelo rei Henrique II.
Este sistema distingue-se pela ênfase na jurisprudência ou seja, nas decisões dos
tribunais como principal fonte do direito. Ao contrário do sistema romano-germânico,
que privilegia os códigos e as leis escritas, o Common Law valoriza os precedentes
judiciais, que passam a ter força vinculativa para casos futuros.
A característica central do Common Law é o princípio do stare decisis, que significa
“manter o decidido”. Tal princípio obriga os tribunais inferiores a seguirem as decisões
previamente tomadas por tribunais superiores em casos semelhantes. Esta prática
assegura a uniformidade e a previsibilidade na aplicação da lei, sendo, por isso,
fundamental para a estabilidade jurídica (Rodrigues, 2015).
Contudo, isso não significa que os juízes estejam totalmente presos aos precedentes; há
margem para interpretação, distinção de casos (distinguishing) e até, em certos
contextos, para a sua superação (overruling), especialmente quando os tribunais
superiores entendem que o entendimento anterior se tornou obsoleto.
2.2. Direito dos Estados Unidos
O direito dos Estados Unidos da América constitui um dos exemplos mais
desenvolvidos e influentes do sistema jurídico Common Law. Contudo, apesar de
compartilhar a mesma base histórica da tradição inglesa, o sistema jurídico norte
americano apresenta características próprias, moldadas pelo contexto histórico, político
e constitucional específico do país. A Constituição dos Estados Unidos, adotada em
1787, é o documento fundamental que organiza e orienta todo o ordenamento jurídico
norte-americano, estabelecendo uma estrutura federal, a separação dos poderes e os
princípios básicos do Estado de Direito.
A Constituição dos EUA é considerada um marco na história do constitucionalismo
moderno. Ela consagra os direitos fundamentais dos cidadãos (com especial destaque
para a Bill of Rights, as dez primeiras emendas constitucionais), define os poderes e
competências dos três ramos do governo (executivo, legislativo e judiciário) e
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estabelece os limites da atuação do Estado. A sua rigidez e supremacia fazem com que
qualquer lei ou ato que lhe seja contrário seja considerado inconstitucional, sendo o
Supremo Tribunal dos Estados Unidos o principal guardião dessa supremacia. (Bickel,
2002).
Uma das marcas distintivas do direito norte-americano é o papel central do Poder
Judiciário. O sistema jurídico americano permite o chamado judicial review, ou controlo
jurisdicional de constitucionalidade, que foi consagrado desde o célebre caso Marbury
v. Madison (1803).
Neste caso, o Supremo Tribunal dos EUA, sob a liderança do juiz John Marshall,
declarou pela primeira vez uma lei como sendo inconstitucional, afirmando o princípio
de que “é dever do Poder Judiciário dizer o que é o direito”. Esta decisão tornou-se um
pilar do direito constitucional norte americano e uma referência internacional
(Friedman, 2005).
O direito dos EUA caracteriza-se ainda por uma dualidade que reflete a estrutura federal
do Estado: há um conjunto de normas e instituições jurídicas federais e,
simultaneamente, sistemas jurídicos próprios em cada um dos cinquenta estados.
Embora todos sigam a lógica do Common Law, existe uma grande diversidade entre os
estados, o que confere ao direito norte-americano uma complexidade acrescida.
O autor Chemerinsky (2011). Traz o Por exemplo, enquanto a Califórnia pode adoptar
certas tendências mais progressistas na interpretação de direitos fundamentais, o Texas
pode apresentar entendimentos mais conservadores e ambas as posições podem coexistir
dentro do mesmo país.
Para Sunstein (2003), Nos Estados Unidos, os juízes têm um papel proactivo na
formação do direito. As decisões judiciais, especialmente dos tribunais superiores, são
amplamente citadas e seguidas como precedentes. Além disso, os tribunais podem
interpretar e aplicar normas com base em princípios constitucionais, de equidade e de
justiça, alargando ou restringindo o sentido das leis conforme o contexto e a evolução
social. Isto confere uma certa flexibilidade ao direito americano, mas também gera
debates sobre o ativismo judicial e os limites da interpretação judicial.
Outra particularidade relevante é a importância das faculdades de Direito e da formação
jurídica nos EUA. O acesso à profissão jurídica exige, geralmente, um curso superior
7
(não necessariamente em Direito), seguido por três anos de estudo na Law School e a
aprovação no exame da Ordem dos Advogados (Bar Exam). A tradição académica, a
pesquisa doutrinária e a prática jurídica estão fortemente interligadas, sendo as
universidades um espaço privilegiado de produção jurídica e de reflexão crítica.
2.3. Estrutura do Direito dos Estados Unidos
A estrutura do direito nos Estados Unidos é organizada de forma complexa e única,
refletindo a sua natureza federativa e o modelo jurídico do Common Law. Este sistema
combina normas e instituições federais com ordenamentos jurídicos estaduais
autónomos, criando uma rede legal diversificada, mas interligada, em que coexistem
múltiplos centros de produção normativa e judiciária.
A Constituição dos Estados Unidos, de 1787, é o documento fundador da ordem jurídica
americana. Ela estabelece a separação dos poderes, legislativo, executivo e judiciário e
delimita as competências da União e dos Estados. A Constituição é a norma suprema do
país, prevalecendo sobre qualquer lei ou ato normativo que lhe seja contrário, tanto no
plano federal quanto estadual. Qualquer interpretação ou aplicação do direito nos EUA
parte, obrigatoriamente, da Constituição como parâmetro fundamental (Amar, 2005).
A nível federal, existem três ramos principais do poder:
Poder Legislativo (Congresso) – Composto pelo Senado e pela Câmara dos
Representantes, ambos com competências para legislar sobre matérias de interesse
nacional, como defesa, comércio interestadual e internacional, imigração, impostos
federais, entre outros. As leis federais aprovadas pelo Congresso aplicam-se em todo o
território nacional.
Poder Executivo (Presidente) – O Presidente dos Estados Unidos exerce a chefia do
Executivo, sendo também o Comandante Supremo das Forças Armadas e responsável
por implementar as leis federais, assinar tratados (com aprovação do Senado) e nomear
juízes federais, entre outras funções.
Poder Judiciário (Supremo Tribunal e tribunais inferiores) – A estrutura judicial
federal é composta pelo Supremo Tribunal dos Estados Unidos (Supreme Court),
Tribunais de Apelação (Circuit Courts) e Tribunais Distritais (District Courts). O
Supremo Tribunal tem a palavra final em matéria constitucional e interpretações do
direito federal, sendo o mais alto órgão do sistema judiciário americano.
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A nível estadual, cada um dos 50 estados possui a sua própria constituição, poder
legislativo (geralmente uma Assembleia Legislativa ou Parlamento), poder executivo
(governador) e sistema judicial. Os estados podem legislar sobre todas as matérias que
não estejam expressamente reservadas ao Congresso pela Constituição federal. Isto
significa que há uma ampla autonomia estadual, o que permite diferenças substanciais
entre os sistemas jurídicos dos estados, sobretudo em áreas como direito penal, direito
civil, direito da família e direito comercial.
Por exemplo, em questões como a pena de morte, o direito ao aborto ou a regulação das
armas, os estados podem ter posições profundamente divergentes, dentro dos limites
estabelecidos pela Constituição federal e pelas decisões do Supremo Tribunal. Esta
diversidade contribui para a riqueza e complexidade do direito americano, mas também
exige uma articulação constante entre os níveis federal e estadual.
A jurisprudência dos tribunais estaduais tem valor vinculativo apenas dentro do
respetivo estado, ao passo que as decisões do Supremo Tribunal dos EUA vinculam
todos os estados e tribunais inferiores, quando interpretam a Constituição ou o direito
federal. No entanto, existe diálogo entre os sistemas: tribunais estaduais podem recorrer
à jurisprudência federal e vice-versa, principalmente em áreas de sobreposição
normativa.
Além disso, os Estados Unidos têm várias agências administrativas (federais e
estaduais) com competências regulatórias específicas, como a Securities and Exchange
Commission (SEC), na área financeira, ou a Environmental Protection Agency (EPA),
na área ambiental. Estas entidades produzem normas secundárias e decisões
administrativas que também fazem parte do ordenamento jurídico.
3. Direito Federal e Direito dos Estados
A distinção entre direito federal e direito dos estados é um dos elementos centrais do
sistema jurídico dos Estados Unidos da América. Este modelo resulta da estrutura
federativa consagrada pela Constituição de 1787, que distribui competências
legislativas, executivas e judiciais entre o governo federal e os governos estaduais. Esta
divisão de poderes visa equilibrar a autoridade central com a autonomia das unidades
federadas, garantindo a descentralização e respeitando a diversidade política, social e
cultural dos diferentes estados.
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O direito federal compreende o conjunto de normas jurídicas produzidas pelas
instituições federais: Congresso (poder legislativo), Presidente (poder executivo) e
tribunais federais (poder judiciário). A sua aplicação é obrigatória em todo o território
nacional, devendo prevalecer sobre qualquer norma estadual que lhe seja contrária, de
acordo com a chamada Supremacy Clause da Constituição (artigo VI, cláusula 2). Esta
cláusula estabelece que a Constituição, as leis federais e os tratados celebrados pelos
Estados Unidos constituem a “lei suprema do país”.
As matérias de competência exclusiva ou prioritária da União incluem relações
internacionais, defesa nacional, imigração, comércio interestadual, sistema monetário,
direitos de autor, entre outras. Além disso, o Congresso pode legislar em matérias que,
embora de competência concorrente com os estados, exijam uniformidade ou
coordenação nacional. A interpretação destas competências tem evoluído ao longo do
tempo, sendo frequentemente objeto de decisões do Supremo Tribunal dos Estados
Unidos (Chemerinsky, 2011).
Por outro lado, o Direito dos Estados corresponde ao conjunto de normas jurídicas
produzidas pelas instituições de cada um dos cinquenta estados: assembleias legislativas
estaduais, governadores e sistemas judiciários estaduais. Cada estado possui a sua
própria constituição, que organiza os poderes públicos locais e define os direitos
fundamentais dos seus cidadãos, desde que em consonância com a Constituição federal.
Os estados exercem amplos poderes legislativos, podendo legislar sobre educação,
saúde, segurança pública, direito penal, direito civil, família, propriedade, contratos,
entre outros temas.
Um exemplo claro desta autonomia pode ser encontrado na legislação sobre o
casamento. Enquanto o governo federal reconhece o direito ao casamento entre pessoas
do mesmo sexo desde a decisão Obergefell v. Hodges (2015), os estados são
responsáveis por regulamentar os procedimentos e requisitos legais para o casamento,
como idade mínima, regime de bens e exigências formais.
Apesar dessa separação formal, na prática existe uma significativa interseção entre as
competências federais e estaduais, o que pode gerar conflitos. Nesses casos, cabe ao
Supremo Tribunal arbitrar e decidir com base no princípio da supremacia constitucional.
Outro princípio relevante é o da preempção (preemption), segundo o qual uma lei
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federal pode invalidar uma lei estadual se ambas tratarem do mesmo tema e forem
incompatíveis.
4. Fontes do Direito dos Estados Unidos
O sistema jurídico dos Estados Unidos caracteriza-se pela pluralidade e complexidade
das suas fontes de direito, refletindo tanto a tradição do Common Law quanto a
estrutura federal do país. As fontes do direito norte-americano podem ser divididas em
cinco categorias principais:
A Constituição,
A legislação (leis federais e estaduais),
A jurisprudência,
Os regulamentos administrativos
e a doutrina.
Cada uma desempenha um papel específico na construção e aplicação do ordenamento
jurídico, sendo aplicadas em articulação conforme o caso concreto.
4.1. A Constituição
A Constituição dos Estados Unidos é a fonte suprema do direito. Aprovada em 1787, é
o documento fundacional que estabelece a organização dos poderes, a divisão de
competências entre a União e os estados, e os direitos fundamentais dos cidadãos.
Qualquer norma seja federal ou estadual que entre em conflito com a Constituição é
considerada inconstitucional e, portanto, inválida. Esta supremacia constitucional foi
consagrada pelo Supremo Tribunal dos EUA no caso Marbury v. Madison (1803), que
introduziu o princípio do controlo jurisdicional de constitucionalidade (judicial review).
4.2. Legislação
A legislação é outra fonte essencial. No plano federal, as leis são elaboradas pelo
Congresso (Senado e Câmara dos Representantes) e sancionadas pelo Presidente. Estas
leis regulam matérias de competência nacional, como imigração, comércio
interestadual, segurança nacional e direitos civis. A nível estadual, cada estado possui o
seu próprio corpo legislativo responsável pela produção normativa local, com
competência para legislar sobre educação, saúde, direito civil, direito penal, entre
outros. A diversidade legislativa entre os estados pode ser significativa, o que obriga os
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profissionais do direito a um conhecimento aprofundado da legislação aplicável em
cada jurisdição.
4.3. Jurisprudência
A jurisprudência é talvez a mais característica fonte do sistema Common Law. As
decisões dos tribunais, especialmente dos tribunais superiores, constituem precedentes
obrigatórios para casos futuros de natureza semelhante. Este princípio, conhecido como
stare decisis, assegura a estabilidade e a coerência do sistema jurídico. As decisões do
Supremo Tribunal dos Estados Unidos têm autoridade máxima e vinculam todos os
tribunais do país, enquanto os tribunais estaduais seguem os precedentes dos respetivos
tribunais superiores locais, salvo em matéria federal. A jurisprudência é uma fonte
dinâmica, que permite a evolução do direito em resposta às mudanças sociais e
culturais.
4.4. Regulamentos Administrativos
Outra fonte importante é o direito administrativo, composto por regulamentos e
decisões das agências governamentais. Estas entidades, como a Food and Drug
Administration (FDA) ou a Environmental Protection Agency (EPA), têm poderes para
regulamentar matérias específicas e aplicar sanções, funcionando como órgãos quase
judiciais. Os regulamentos administrativos têm força de lei dentro da sua área de
competência, desde que estejam em conformidade com as leis aprovadas pelo
Congresso ou pelas assembleias estaduais.
4.5. Doutrina
A doutrina, embora não seja vinculativa, exerce influência considerável no sistema
jurídico americano. Juristas, académicos e escolas de Direito produzem uma vasta
literatura jurídica que é frequentemente citada em decisões judiciais, especialmente
quando se trata de áreas novas, controversas ou em transformação. Algumas obras
doutrinárias, como as Restatements of the Law produzidas pelo American Law Institute,
são altamente respeitadas e utilizadas como referência por tribunais e advogados. Estas
obras procuram sintetizar os princípios gerais do direito em várias áreas, como
contratos, responsabilidade civil, propriedade, entre outras.
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4.6. Costumes Jurídicos
Importa ainda referir os costumes jurídicos, que, embora menos proeminentes do que
noutras tradições jurídicas, podem ser relevantes em áreas específicas do direito
consuetudinário, como em práticas comerciais locais ou tradições jurídicas herdadas,
como no caso do Estado da Luisiana, que conserva traços da tradição civilista francesa.
5. Organização Judiciária dos Estados Unidos
A organização judiciária dos Estados Unidos reflete os princípios do federalismo e da
separação de poderes, sendo composta por dois sistemas paralelos de tribunais: o
sistema judiciário federal e os sistemas judiciários estaduais. Ambos operam de forma
autónoma, embora coexistam dentro do mesmo território e possam, em determinadas
situações, tratar de matérias sobrepostas. A estrutura é desenhada para garantir a
independência judicial, a proteção dos direitos fundamentais e a eficácia na
administração da justiça.
No topo da estrutura encontra-se o Supremo Tribunal dos Estados Unidos (Supreme
Court), a mais alta instância judicial do país. Composto por nove juízes (um presidente
e oito juízes associados), o Supremo Tribunal tem competência para decidir sobre
questões constitucionais, interpretar leis federais e resolver conflitos entre estados ou
entre um estado e o governo federal. As suas decisões têm força vinculativa para todos
os tribunais inferiores, tanto federais como estaduais, e são frequentemente citadas
como precedentes dentro e fora dos EUA (Chemerinsky, 2011)
Abaixo do Supremo Tribunal, o sistema judiciário federal está estruturado em três
níveis:
Tribunais Distritais (District Courts) – São os tribunais de primeira instância
da justiça federal. Cada estado possui pelo menos um tribunal distrital,
responsável por julgar casos que envolvam a Constituição federal, leis federais,
tratados internacionais, litígios entre cidadãos de diferentes estados e questões
que envolvam o governo federal. Estes tribunais realizam julgamentos com ou
sem júri, consoante a natureza do processo.
Tribunais de Apelação (Courts of Appeals) – Conhecidos também como
Circuit Courts, são tribunais de segunda instância que analisam recursos
interpostos contra decisões dos tribunais distritais. Os Estados Unidos estão
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divididos em 13 circuitos de apelação, cada um abrangendo um determinado
número de estados. Estes tribunais não reavaliam provas, mas sim questões de
direito, interpretando a legislação e verificando eventuais erros jurídicos
cometidos na instância inferior.
Supremo Tribunal dos EUA (Supreme Court) – Embora já mencionado,
importa destacar que o acesso ao Supremo Tribunal é altamente seletivo. A
maior parte dos casos chega por meio de pedidos de certiorari, que o tribunal
pode aceitar ou recusar. Em média, o Supremo aceita apenas uma pequena
fração dos milhares de pedidos que recebe anualmente, focando se em casos de
grande relevância constitucional ou de divergência entre tribunais inferiores.
No plano estadual, cada estado organiza o seu próprio sistema judiciário de acordo com
a sua constituição e legislação local. Apesar das variações entre os estados, a estrutura
típica também inclui três níveis:
Tribunais de Primeira Instância – Responsáveis por julgar a maioria dos
litígios civis e criminais de menor complexidade, bem como questões de família,
pequenas causas, propriedade.
Tribunais Intermédios de Apelação – Presentes na maioria dos estados,
recebem recursos das decisões dos tribunais de primeira instância e funcionam
de forma semelhante aos circuitos federais.
Supremo Tribunal Estadual (State Supreme Court) – É o tribunal de última
instância a nível estadual. As suas decisões vinculam os tribunais daquele
estado, e em algumas situações, os casos podem ser levados ao Supremo
Tribunal dos EUA, especialmente quando envolvem interpretação da
Constituição federal.
Importante destacar que os juízes federais são nomeados pelo Presidente dos Estados
Unidos, com confirmação do Senado, e exercem os seus cargos vitaliciamente, salvo em
casos de reforma ou impeachment. Nos estados, o processo de nomeação ou eleição dos
juízes varia: alguns são eleitos por voto popular, outros são nomeados por governadores
ou comissões judiciais. Este modelo híbrido tem gerado debates sobre a influência
política no sistema judiciário estadual.
Outra figura de destaque na organização judicial norte-americana é a dos júris. O
sistema jurídico dos EUA valoriza o julgamento por júri como uma garantia de justiça e
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participação cívica, sendo frequentemente utilizado tanto em processos civis como
criminais. Os jurados são selecionados aleatoriamente entre os cidadãos, e a sua decisão
é vinculativa, salvo nos casos em que haja recurso.
Além disso, existem tribunais especializados, tanto a nível federal como estadual,
dedicados a matérias específicas, como falências (Bankruptcy Courts), direito fiscal
(Tax Courts), propriedade intelectual, família, entre outros. Estes tribunais garantem
maior especialização e celeridade nos julgamentos.
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Conclusão
A análise do Sistema Jurídico Common Law, com especial destaque para o modelo
vigente nos Estados Unidos da América, permitiu compreender a riqueza, a
complexidade e a singularidade de um ordenamento jurídico que se desenvolveu com
base na experiência judicial, na valorização dos precedentes e na autonomia das
entidades federativas. Ao longo do trabalho, foram abordados aspetos fundamentais
deste sistema, desde o seu conceito e características gerais até à sua estrutura normativa
e organizacional, passando por temas como o direito federal, o direito estadual, as fontes
de direito e a organização judiciária.
Ficou evidente que o sistema Common Law, embora tenha origem na tradição jurídica
inglesa, evoluiu de forma distinta no contexto norte-americano. O direito dos Estados
Unidos distingue-se pelo federalismo jurídico, que implica a coexistência e interação
entre dois níveis normativos – o federal e o estadual – e exige um equilíbrio constante
entre a unidade nacional e a diversidade local. Esta estrutura confere ao sistema uma
notável flexibilidade, mas também complexidade, exigindo do operador jurídico um
profundo conhecimento das diferentes jurisdições.
Pode-se concluir que o sistema jurídico norte-americano, apesar dos desafios que
apresenta, é marcado por um elevado grau de estabilidade, adaptabilidade e respeito
pelas liberdades individuais. A sua influência ultrapassa fronteiras, sendo
frequentemente citado como referência em debates internacionais sobre direitos
fundamentais, justiça constitucional e organização judiciária.
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Referencias Bibliográficas
Chemerinsky, E. (2011). Constitutional law: Principles and policies (4th ed.). Wolters
Kluwer.
Dainow, J. (1967). The civil law and the common law: Some points of comparison. The
American Journal of Comparative Law, 15(3), 419–435. Disponivel em:
[Link]
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Scalia, A., & Garner, B. A. (2012). Reading law: The interpretation of legal texts.
Thomson/West.
United States Constitution. (1787). [Link] docs/constitution
Zweigert, K., & Kötz, H. (1998). Introduction to comparative law (T. Weir, Trans., 3rd
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