D) exemplificar que o julgamento da própria
beleza independe da aparência física.
E) ir de encontro aos padrões de beleza
propagados pelas redes sociais.
Disciplina: Língua Portuguesa Questão 02
Aluno:
Data:__/__/___ A Academia Brasileira de Letras (ABL), que
incluiu mais de uma centena de palavras ao
Questão 01 dicionário oficial nos últimos
tempos,atualizou novamente o'Vocabulário
Algumas mulheres descobrem que são bonitas Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp)com
na infância. Outras, na adolescência. Outras, termos que estão em uso, mas não eram até
na idade adulta. Outras descobrem só aos 70 osdias de hoje considerados oficiais, como é o
anos. Algumas morrem sem descobrir. E, por caso de“deletar”. "Coworking” foi outra
incrível que pareça, tudo isso independe da palavra adicionada ao vocabulário e descreve
aparência física. a modalidade de trabalho estabelecida em um
ambiente compartilhado por empresas,
É só olhar a sua volta. Há mulheres que estão geralmente startups de [Link]ém
fora do padrão de beleza fazendo selfies, foram incluídos termos como
mostrando o corpo, se achando o máximo. “internet”,“scanner” e “mouse”, entre outros
Outras, com biotipo demo deles, estão da informática.
neuróticas com a balança, se escondendo atrás
de filtros e roupas soltas, sempre infelizes Eles se somam às 400 mil palavras
com a aparência. catalogadas na primeira edição do
vocabulário, de 1982. Diferente de um
Não é nossa culpa: fomos criadas para odiar o dicionário, que se preocupa em explicar o
nosso corpo. Para viver em conflito constante significado de uma palavra, um vocabulário
com o que temos de mais valioso. Mesmo apenas lista as palavras. Seu objetivo é
quando somos elogiadas, somos criticadas. consolidar a grafia delas (o modo como são
Metade das brasileiras já ouviu que é “bonita escritas), classificá-las segundo o gênero
de rosto”, uma forma sutil de desqualificar o (masculino ou feminino) e categoria
corpo. A outra metade já ouviu que é “bonita morfológica (substantivo, adjetivo etc.). É
de corpo”, um jeito maldoso de chamar também um instrumento normatizador oficial,
alguém de baranga — adjetivo que, por ter sido feito pela Academia.
Disponívelem:[Link]
obviamente, só existe no feminino.
gumas-novas-palavras-que-se-tornaram-oficiais-naling
ua-portuguesa. Acesso em 05 fev. 2024 (adaptado).
MADALOSSO, G. “Amar o corpo é a maior
transgressão”.In: Folha de [Link]. 04 fev. 2024.
O texto informa que novas palavras, já em
O processo de construção de sentido de um uso corrente, foram adicionadas oficialmente
texto ocorre por meio de variadas ferramentas à língua portuguesa. Esse fato confirma a
linguísticas. O segundo parágrafo do texto de noção de que
Giovana Madalosso, por exemplo, tem como a)o português tem sofrido com a influência da
objetivo língua inglesa, que se impõe mundialmente
A)contrapor-se à ideia de que a beleza física é sobretudo a partir da tecnologia.
uma construção social. b)novas palavras só são utilizadas
B) reiterar o fato de que a autoestima deve ser corriqueiramente em um idioma quando
conquistada por mulheres de todas as idades. passam a ser reconhecidas oficialmente.
C)alertar as mulheres para atitudes que podem
reafirmar preconceitos.
1
c)o português brasileiro tem sido moda” e “lá pelas tantas desconfiava até de
descaracterizado pela introdução de palavras seus familiares”, o vocábulo destacado
de raiz anglófona,como é o caso de “deletar”.
D)as línguas são mecanismos que se A)corrobora o medo sentido pela personagem
transformam com o tempo, adaptando-se às com a inclusão de atitudes aparentemente
necessidades comunicativas dos falantes. exageradas.
E)instituições como a ABL têm o poder de B)retifica as atitudes da personagem,
promover alterações na língua evidenciando um comportamento compulsivo
independentemente das escolhas coletivas dos e persecutório.
falantes. C)impede que as ações da personagem sejam
percebidas como reflexos exagerados de um
Questão 03 cotidiano violento.
Vício secreto D)sugere a exclusão de medidas de segurança
que validem o medo sentido pela personagem.
Depois de ser assaltada várias vezes, ela E)confere à crônica um artifício característico
decidiu que estava na hora de mudar de vida. da linguagem urbana coloquial presente nas
De nada adianta, dizia, andar de carro de luxo atitudes da personagem.
e morar num palacete se isso serve apenas
para atrair [Link] modo que comprou Questão 04
um automóvel usado, mudou-se para um
apartamento menor e até começou a evitar os Internet, desinformação e o desafio da era
restaurantes da moda. digital
Tudo isso resultou numa inesperada economia (Texto adaptado de reportagem da BBC
e criou um problema: o que fazer com o Brasil, 2024)
dinheiro que já não gastava? Aplicar na Bolsa
de Valores parecia-lhe uma solução temerária; Nos últimos anos, a discussão sobre a
não poucos tinham perdido muito dinheiro de qualidade da informação disseminada na
uma hora para outra – quase como se fosse internet ganhou força. Plataformas digitais
um assalto. Outras aplicações também não permitem que qualquer pessoa publique
atraíam. De modo que passou a comprar conteúdo, e isso ampliou o acesso a múltiplas
aquilo de que mais gostava: joias. Sobretudo vozes e perspectivas. Entretanto, também
relógios caros. abriu espaço para a proliferação de
notícias falsas, e tal fenômeno pode
E aí veio a questão: onde usar todas essas influenciar eleições, comprometer
joias?Na rua, nem pensar. Em festas? Tanta campanhas de saúde pública e criar divisões
gente des - sociais profundas.
conhecida vai a festas, não seria impossível
que ali também houvesse um assaltante, ou Alguns especialistas defendem que a solução
pelo menos alguém capaz de ser tentado a um está na educação midiática, e acreditam que
roubo ao ter a visão de um Rolex. Sua escolas e universidades devem ensinar os
paranoia cresceu, e lá pelas jovens a identificar fontes confiáveis. Outros
tantas desconfiava até de seus familiares. De sugerem que a responsabilidade seja
modo que decidiu: só usa as joias quando está compartilhada com as empresas de
absolutamente só. tecnologia, mas há quem argumente que a
regulamentação excessiva possa ameaçar a
SCLIAR, M. O imaginário cotidiano. São liberdade de expressão.
Paulo.3.a ed. Global, 2002 (adaptado).
O fato é que a sociedade enfrenta um dilema:
Nos trechos “mudou-se para um apartamento garantir um espaço digital aberto e plural ou
menor até começou a evitar os restaurantes da proteger-se contra a desinformação, e
nenhuma das opções parece simples
2
No trecho “Plataformas digitais permitem que No início do texto, a frase “As palavras têm
qualquer pessoa publique conteúdo, e isso cheiro, cor e textura” é um exemplo de:
ampliou o acesso a múltiplas vozes e
perspectivas”, a conjunção e expressa a) Metáfora, pois atribui características
principalmente: concretas a um elemento abstrato.
b) Prosopopeia, pois dá voz às palavras.
a) Soma de ideias (adição) c) Hipérbole, por exagerar as qualidades das
b) Oposição de ideias (adversidade) palavras.
c) Causa e consequência d) Eufemismo, por suavizar o impacto do
d) Alternância sentido literal.
e) Explicação e)Metonímia, por usar um termo relacionado
para representar outro.
Questão 05
Questão 07
No fragmento “também abriu espaço para a
proliferação de notícias falsas, e tal fenômeno A expressão “com palavras, se constroem
pode influenciar eleições”, a oração pontes ou se erguem muros” é um recurso de
introduzida por e é classificada como: linguagem que:
a) Coordenada sindética conclusiva
a) Utiliza a antítese para expressar ideias
b) Coordenada sindética adversativa opostas.
c) Coordenada sindética aditiva b) Personifica objetos inanimados.
d) Coordenada assindética c) Exagera a capacidade das palavras para
causar impacto.
e) Coordenada sindética explicativa d) Substitui um termo pelo outro em sentido
figurado.
e) Apresenta uma contradição insolúvel
(paradoxo).
O peso das palavras
Questão 08
(Crônica adaptada de Martha Medeiros)
A escrava — Admira-me —, disse uma
As palavras têm cheiro, cor e textura. senhora de sentimentos sinceramente
Algumas são doces como mel; outras, afiadas abolicionistas —faz-me até pasmar como se
como lâmina. Há palavras que chegam como possa sentir, e expressar sentimentos
abraço, e há as que deixam cicatriz. Quando escravocratas, no presente século, no século
ditas no momento certo, transformam o dia de dezenove! A moral religiosa e a moral cívica
alguém; quando mal escolhidas, podem aí se erguem, e falam bem alto esmagando a
arruinar anos de afeto. Não é exagero dizer hidra que envenena a família no mais sagrado
que, com palavras, se constroem pontes ou se santuário seu, e desmoraliza, e avilta a nação
erguem muros. inteira! Levantai os olhos ao Gólgota, ou
percorrei-os em torno da sociedade, e
A autora, por meio do uso de imagens dizei-me:
sensoriais e contrastes, convida o leitor a
refletir sobre o poder da linguagem no Para que se deu em sacrifício o Homem Deus,
cotidiano, ressaltando que as palavras são que ali exalou seu derradeiro alento? Ah!
capazes tanto de unir quanto de afastar as Então não é verdade que seu sangue era o
pessoas. resgate do homem! É então uma mentira
abominável ter esse sangue comprado a
Questão 06 liberdade!? E depois, olhai a sociedade... Não
vedes o abutre que a corrói
constantemente!…Não sentis a
3
desmoralização que a enerva, o cancro que a O dicionário a que ele se refere é o Aurélia, a
destrói? dicionária da língua afiada, lançado no ano de
2006 e escrito pelo jornalista Angelo Vip e
Por qualquer modo que encaremos a por Fred Libi. Na obra, há mais de 1 300
escravidão, ela é, e será sempre um grande verbetes revelando o significado das palavras
mal. Dela a decadência do comércio; porque o do pajubá.
comércio e a lavoura caminham de mãos
dadas, e o escravo não pode fazer florescer a Não se sabe ao certo quando essa linguagem
lavoura; porque o seu trabalho é forçado. surgiu, mas sabe-se que há claramente uma
relação entre o pajubá e a cultura africana,
Inscrito na estética romântica da literatura numa costura iniciada ainda na época do
brasileira, o conto descortina aspectos da Brasil colonial.
realidade nacional no século XIX ao
Disponível em: [Link]. Acesso em: 4
a) revelar a imposição de crenças religiosas a abr. 2017 (adaptado).
pessoas escravizadas.
b) apontar a hipocrisia do discurso Da perspectiva do usuário, o pajubá ganha
conservador na defesa da escravidão.
status de dialeto, caracterizando-se como
c) sugerir práticas de violência física e moral elemento de patrimônio linguístico,
em nome do progresso material. especialmente por
d) relacionar o declínio da produção agrícola a) ter mais de mil palavras conhecidas.
e comercial a questões raciais.
b) ter palavras diferentes de uma linguagem
e) ironizar o comportamento dos proprietários secreta.
de terra na exploração do trabalho. c) ser consolidado por objetos formais de
registro.
Questão 09
d) ser utilizado por advogados em situações
formais.
“Acuenda o Pajubá”: conheça o “dialeto
secreto” utilizado por gays e travestis e) ser comum em conversas no ambiente de
trabalho.
com origem no iorubá, linguagem foi adotada
por travestis e ganhou a comunidade Questão 10
“Nhaí, amapô! Não faça a loka e pague meu Certa vez minha mãe surrou-me com uma
acué, deixe de quê se não eu puxo teu corda nodosa que me pintou as costas de
picumã!” Entendeu as palavras dessa frase? manchas sangrentas. Moído, virando a cabeça
Se sim, é porque você manja alguma coisa de com dificuldade, eu distinguia nas costelas
pajubá, o “dialeto secreto” dos gays e grandes lanhos vermelhos. Deitaram-me,
travestis. enrolaram-me em panos molhados com água
de sal – e houve uma discussão na família.
Adepto do uso das expressões, mesmo nos Minha avó, que nos visitava, condenou o
ambientes mais formais, um advogado afirma: procedimento da filha e esta afligiu-se.
“É claro que eu não vou falar durante uma Irritada, ferira-me à toa, sem querer. Não
audiência ou uma reunião, mas na firma, com guardei ódio a minha mãe: o culpado era o nó.
meus colegas de trabalho, eu falo de ‘acué’ o
RAMOS, G. Infância. Rio de Janeiro. Record,
tempo inteiro”, brinca. “A gente tem que ter 1998.
cuidado de falar outras palavras porque hoje o
pessoal já entende, né? Tá na internet, tem até Num texto narrativo, a sequência dos fatos
dicionário...”, comenta. contribui para a progressão temática. No
fragmento, esse processo é indicado pela
4
a) alternância das pessoas do discurso que Questão 12
determinam o foco narrativo.
b) utilização de formas verbais que marcam Leia o texto a seguir.
tempos narrativos variados.
Escrever
c) indeterminação dos sujeitos de ações que
caracterizam os eventos narrados.
A estudante perguntou como era essa coisa de
d) justaposição de frases que relacionam escrever. Eu fiz o gênero fofo. Moleza, disse.
semanticamente os acontecimentos narrados.
Primeiro evite esses coloquialismos de “fofo”
e) recorrência de expressões adverbiais que e “moleza”, passe longe das gírias ainda não
organizam temporalmente a narrativa.
dicionarizadas e de tudo mais que soe mais
Questão 11 falado do que escrito. Isto aqui não é rádio
FM. De vez em quando, aplique uma gíria
Entrei numa lida muito dificultosa. Martírio como se fosse um piparote de leve no cangote
sem fim o de não entender nadinha do que do texto, mas, em geral, evite. Fuja dessas
vinha nos livros e do que o mestre Frederico rimas bobinhas, desses motes sonoros. O
falava. Estranheza colosso me cegava e me leitor pode se achar diante de um rapper
punha tonto. Acho bem que foi desse tempo o frustrado e dar cambalhotas. Mas, atenção, se
mal que me acompanha até hoje de ser soar muito estranho, reescreva.
recanteado e meio mocorongo. Com os meus,
em casa, conversava por trinta, tinha ladineza Quando quiser aplicar um “mas”, tome
e entendimento. Na rua e na escola — nada; fôlego, ligue para o 0800 do Instituto
era completamente afrásico. As pessoas eram Fernando Pessoa, peça autorização ao sábio
bichos do outro mundo que temperavam um de plantão, e, por favor, volte atrás. É um
palavreado grego de tudo. cacoete facilitador. Dele deve ter vindo a
expressão “cheio de mas-mas”, ou seja, uma
Já sabia ajuntar as sílabas e ler por cima toda pessoa cheia de “não é bem assim”, uma
coisa, mas descrencei e perdi a influência de chata que usa o truque para afirmar e depois,
ir à escola, porque diante dos escritos que o como se fosse estilo, obtemperar.
mestre me passava e das lições marcadas nos
livros, fiquei sendo um quarta-feira de marca SANTOS, J. F. O Globo, 10 jan. 2011
maior. Alívio bom era quando chegava em (adaptado)
casa.
A língua varia em função de diferentes
BERNARDES, C. Rememórias dois. Goiânia: Leal, fatores. Um deles é a situação em que se dá a
1969. comunicação. Na crônica, ao ser interrogado
sobre a arte de escrever, o autor utiliza, em
O narrador relata suas experiências na meio à linguagem escrita padrão, condizente
primeira escola que frequentou e utiliza com o contexto.
construções linguísticas próprias de
determinada região, constatadas pelo A) definições teóricas, para permitir que seus
A) registro de palavras como “estranheza” e conselhos sejam úteis aos futuros jornalistas.
“cegava”. B) gírias não dicionarizadas, para imitar a
B) emprego de regência não padrão em linguagem de jovens de baixa escolaridade.
“chegar em casa”. C) palavras de uso coloquial, para estabelecer
C) uso de dupla negação em “não entender uma interação satisfatória com a interlocutora.
nadinha”. D) termos da linguagem jornalística, para
D) emprego de palavras como “descrencei” e causar boa impressão na jovem
“ladineza”. entrevistadora.
E) uso do substantivo “bichos” para retomar E)vocabulário técnico, para ampliar o
“pessoas”
5
repertório linguístico dos jovens leitores do E) o rigor quanto aos aspectos formais do
jornal. texto e a profissão do remetente.
Questão 13
Prezada senhorita,
Tenho a honra de comunicar a V. S. que
resolvi, de acordo com o que foi conversado
com seu ilustre progenitor, o tabelião
juramentado Francisco Guedes, estabelecido à
Rua da Praia, número 632, dar por encerrados
nossos entendimentos de noivado. Como
passei a ser o contabilista-chefe dos
Armazéns Penalva, conceituada firma desta
praça, não me restará, em face dos novos e
pesados encargos, tempo útil para os deveres
conjugais.
Outrossim, participo que vou continuar
trabalhando no varejo da mancebia, como
vinha fazendo desde que me formei em
contabilidade em 17 de maio de 1932, em
solenidade presidida pelo Exmo. Sr.
Presidente do Estado e outras autoridades
civis e militares, bem assim como
representantes da Associação dos Varejistas e
da Sociedade Cultural e Recreativa José de
Alencar.
Sem mais, creia-me de V. S. patrício e
admirador, Sabugosa de Castro
CARVALHO,J. C. Amor de contabilista. In: Porque
Lulu Bergatim não atravessou o Rubicon. Rio de
Janeiro: José Olympio, 1971.
A exploração da variação linguística é um
elemento que pode provocar situações
cômicas. Nesse texto, o tom de humor decorre
da incompatibilidade entre
A) o objetivo de informar e a escolha do
gênero textual.
B) a linguagem empregada e os papéis sociais
dos interlocutores.
C) o emprego de expressões antigas e a
temática desenvolvida no texto.
D) as formas de tratamento utilizadas e as
exigências estruturais da carta.