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Prototipagem e Teste no Design Thinking

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Fases 4 e 5 do DT: prototipagem/teste

da solução

Na infância, quase sempre somos apresentados a um mundo repleto de imaginação! A


ideia é brincar e, por meio da brincadeira, inventar cenários que ainda não existem,
personas que gostaríamos de ser e situações que possivelmente vamos viver! A
maioria das empresas está cheia de pessoas que deixaram de lado essas atividades
infantis e passaram a executar atividades técnicas, quando o instrumento principal não
é a ideia, mas sim formulários, planilhas e relatórios.

Em organizações mais modernas, que usam o Design Thinking como base para o
desenvolvimento de produtos e serviços, protótipos são vistos por toda parte! Blocos
de madeira, Post-it, bloquinhos de papel, peças plásticas compõem o arsenal dos
colaboradores na organização. Independentemente do orçamento e das instalações, a
prototipagem se torna, nesse cenário, a essência do local.

Afinal, o que é prototipagem?

Esse é o tema da unidade, e, para a nossa construção ser bem-sucedida, vamos


trabalhar os conceitos e características das fases que envolvem tal técnica. Em
seguida, vamos ver as técnicas mais utilizadas e o teste de experiência com o usuário.
Ao término, apresentação e discussão de casos que irão lhe ajudar a conhecer o
assunto envolvendo a aplicação prática.

Objetivo
Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de:

• Conceber elementos da fase de prototipagem e teste de


solução para identificação de aspectos chave da proposta de
solução do problema.

Conteúdo Programático
Esta unidade está organizada de acordo com os seguintes temas:

• Tema 1 - Conceito e características das fases


• Tema 2 - Técnicas de prototipação e teste de experiência
com o usuário
• Tema 3 - Apresentação e discussão de exemplo/caso
Por falar em brincar, uma das brincadeiras favoritas da criançada (e dos adultos
também) é montar “a vida real” com blocos de encaixe. No entanto, depois dessa fase
nós crescemos e “esquecemos” de brincar, de criar. Passamos a fazer relatórios,
planilhas, cálculos.

Porém, nas organizações que trabalham com Design Thinking, a brincadeira está no
ar e os protótipos fazem parte do dia a dia, do ato de criar. Ato este que requer tempo
(para montar e desmontar) e criatividade (para dar asas à imaginação).

Peças de um LEGO, que antes eram usadas apenas por crianças agora ganham vida,
um cenário diferente e novos protagonistas. Essas peças, assim como outra série de
materiais criativos, são usadas para representar visualmente ideias, conceitos e
projetos. Tais materiais são utilizados para “antecipar o futuro”, seja do ponto de vista
da experimentação do cliente ou do direcionamento que uma organização deve tomar
em seu processo de concepção de novos produtos e serviços.
Tema 1
Conceito e características das fases

Quais são os principais benefícios da prototipagem?

Prototipagem é a técnica que torna


tangível aquilo que era apenas
imaginável. Esse é um estágio no
método do Design Thinking, quando se
comunica claramente a ideia, e, a partir
dessa comunicação, se identificam
erros e lacunas, com o objetivo de
aperfeiçoar todo o processo. A partir
dessa amostra, as soluções serão
entregues em definitivo ao mercado.

Uma vez com o protótipo na mão, é hora de ir para a rua e testá-lo!

O teste é a próxima etapa do método. Ele é o fim e o começo do Design Thinking. A


ideia do teste é entender como a pessoa se sente do início ao fim de um processo,
mapeando a jornada do usuário a partir de uma espécie de passeios por sua rotina.
Desse ponto em diante é mais fácil descobrir quais benefícios ou problemas existem,
bem como reconhecer como o usuário acredita que isso impacta sua vida. O teste
revela muito mais sobre as pessoas que estão envolvidas no processo do que
sobre a solução!

O teste utiliza o protótipo para fazer a sua tarefa, em um processo de duplo “iterar”,
ou seja, é a oportunidade perfeita para ouvir feedback sobre o protótipo construído e, a
partir de então, fazer evoluírem soluções.

Além disso, validar e desapegar são, aqui, palavras de ordem! É necessário


estar aberto a estar errado, agir rapidamente para solucionar a questão e
aprender com a experiência.

Para praticar a prototipação, dois elementos são peças-chave: o “tempo” para


idealizar e a “criatividade” para conceber algo que se aproxime do que é esperado
pelo cliente final. Os dois elementos são sempre julgados como escassos para quem
está envolvido nessa etapa do design, mas, mesmo assim, são altamente
recomendáveis porque fazem toda diferença na construção da solução final.
Trazendo aqui as ideias de alguns autores que tratam do assunto (LEWRICK et al.,
2019), podemos dizer que na fase de prototipagem o trabalho se inicia pela seleção
dos requisitos mínimos de uma solução, de modo a construir um protótipo de forma
rápida e pouco custosa. Seu objetivo é revelar problemas ou oportunidades de
melhoria nos quesitos de usabilidade, adequação e design da primeira versão da
solução.

Saiba Mais

LEWRICK, Michael; LINK, Michael; LEIFER, Patrick. A Jornada do


Design Thinking: transformação digital prática de equipes, produtos,
serviços, negócios e ecossistemas. Rio de Janeiro: Alta Books, 2019.

O uso de protótipos em projetos, além de acelerar a construção da solução,


permite também a exploração de muitas ideias paralelamente. Os primeiros
protótipos tendem (e devem) ser mais rápidos, simples e de baixo custo. Esse custo
baixo gera um desapego saudável à solução por parte de seu criador, o que é
entendido como postura crucial para alavancar a ideia.

Segundo Brown (2020, p. 95):


O investimento excessivo em um protótipo refinado tem duas consequências
indesejáveis: em primeiro lugar, uma ideia pode se aproximar demais da
concretização — ou até, na pior das hipóteses, ser levada até o fim. Em segundo
lugar, o próprio processo de prototipagem cria a oportunidade de descobrir novas e
melhores ideias a custo mínimo. Os designers de produto podem utilizar materiais
baratos e de fácil manipulação: cartolina, espuma, madeira e até objetos e materiais
que encontram por aí — qualquer coisa que possam colar, grampear ou unir com
fita adesiva para criar uma aproximação concreta das ideias.

Saiba Mais

BROWN, Tim. Design Thinking – Uma metodologia poderosa para


decretar o fim das velhas ideias. Rio de Janeiro: Atlas Books, 2020.
Neste ponto você pode estar se perguntando: “Por que criar um protótipo? Isso
vai me tomar exatamente o que eu tenho de mais escasso: tempo!”

Pois saiba que, na realidade, ideias são como sementes que precisam ser
germinadas, ou seja, ainda precisam de muito trabalho e validação pela frente! A
prototipagem faz isso de forma criativa, empática e real.

A partir de um protótipo que deve preservar as ideias do usuário, você já consegue


uma boa noção da qualidade e do engajamento gerado pela sua ideia.

Conheça algumas vantagens de fazer um protótipo, de acordo com uma


releitura de Brown (2020):

• Proporciona a identificação de problemas desde cedo, permitindo atuar


de forma corretiva e encontrar novos caminhos para se chegar a uma
versão da solução com alto valor agregado ao cliente.
• Garante que os requisitos da solução atendam às necessidades do
público-alvo.
• Ajuda na interação com o cliente, facilitando o movimento de empatia.
• Permite melhor acompanhamento do progresso do projeto de inovação,
na medida em que coleta feedback de forma assertiva, sob vários
aspectos da solução (conceito, design e engenharia).
• O feedback do cliente é mais assertivo.
• Por trazer feedbacks mais assertivos, o uso de protótipos, tende a
diminuir riscos e custos do desenvolvimento da solução.

Criar protótipos físicos ajuda a “tirar ideias do papel”, levando o que está no campo
das ideias para o concreto, mas depende da situação e do que se deseja. Por
exemplo, até mesmo um protótipo simples pode ajudar na identificação de ajustes e
novas funcionalidades.

Segundo Brown (2020), um bom protótipo, é avaliado de acordo com o quanto se


deseja alcançar com o produto finalizado — o mundo real:

• Alta fidelidade: quando a representação física (mock-up) é muito semelhante


à realidade.
• Média fidelidade: quando se representa parcialmente a realidade.
• Baixa fidelidade: quando se representa um conceito.

E como são feitos os testes em protótipos? Quem os faz?

O que podemos dizer é que tanto os ambientes (ex.: laboratório) quanto as pessoas
ou elementos (ex.: usuários finais) variam.
Nesse caso, há diferentes contextualidades em que esses testes ocorrem, podendo
ser:

Teste parcial

Interação com o usuário final da solução em seu ambiente final ou não (exemplo:
testar a solução de um tênis novo com um cliente em um dia de sua rotina ou em
uma loja de sapatos).

Teste total

Interação com o usuário final da solução em seu ambiente final (ex.: testar a
solução de um tênis novo com um cliente em um dia da sua rotina).

Teste geral

Interação com qualquer usuário, em qualquer ambiente (ex.: testar a solução de


um tênis novo com qualquer passante na rua).

Teste restrito

Interação com o usuário final em um ambiente controlado (ex.: testar a solução


de um tênis novo com um atleta em uma pista de corrida).

Você consegue visualizar quantas etapas temos nas fases de prototipagem e


de teste?

Todas são importantes, pois ajudam a entender as reais necessidades do cliente final.
A partir daí, geram-se ajustes na solução a fim de que causem maior impacto ao
usuário.

Vale destacar uma frase clássica do ambiente de prototipagem: “A pressa é inimiga


da perfeição!” Sim, as pessoas têm pressa, porque desaprenderam a esperar! Esse
passo acelerado também é fruto de um mundo em que a informação está disponível
24 horas por dia. Nós também passamos a enxergar o que está ao nosso redor dessa
forma. Entender isso é crucial para entregar valor à sociedade.
Junto com esse cenário mudou também a forma de se fazer negócios. Hoje, o
ambiente organizacional moderno e minimamente inovador exige interação com o
cliente, cocriação (colocar a mão na massa juntos) e muita validação por meio da
experiência do usuário. Tudo isso para entender suas necessidades e saber chegar
até eles, agradando-os e conquistando-os em definitivo (MADRUGA, 2021).

Saiba Mais

MADRUGA, Roberto. Gestão do Relacionamento e Customer


Experience: a revolução na experiência do cliente. 2. ed. Barueri/SP:
Atlas, 2021.

Envolver os clientes é uma forma de alcançar resultados não só efetivos, mas


incríveis! Então, não se esqueça de “ser criança” outra vez e de brincar com o mundo
do seu usuário. Prototipe!
Tema 2
Técnicas de prototipação e teste de experiência
com o usuário

Quais são os elementos-chave a serem levados em


conta no momento do teste de um protótipo, a fim de
que gerem resultados significativos de melhoria da
solução?


Se brincar com LEGO é um jeito infantil de ‘aprender com as mãos’, e estruturas de
isopor e equipamentos de corte de precisão orientados por computadores são seu
equivalente para designers adultos, qual seria a contraparte no caso da inovação
em serviços — a experiência que uma pessoa pode ter em um banco, uma clínica
ou no Departamento de Trânsito? Nossos consultores mais confiáveis são crianças.
Assim que duas ou três crianças se veem juntas, começam a representar: elas se
tornam médicos e enfermeiras, piratas, alienígenas ou personagens da Disney. Sem
precisar receber instruções, envolvem-se em longas representações repletas de
enredos, com subtópicos complexos. Pesquisas sugerem que essa forma de brincar
não apenas é divertida, como também ajuda a instituir roteiros internos que nos
orientam quando atingimos a idade adulta. (BROWN, 2020, p. 102)

Saiba mais

BROWN, Tim. Design Thinking – Uma metodologia poderosa para


decretar o fim das velhas ideias. Rio de Janeiro: Atlas Books, 2020.
Técnicas de prototipação e testes de experiência com o usuário representam um
momento criativo e, talvez, o mais interativo com o cliente. Pensar em formas
diferentes de materializar o protótipo é um desafio que deve levar em conta:

Este tripé garante que se crie algo simples e eficaz para ajudar a conceber e entregar
soluções de alto valor agregado para o cliente.

Os protótipos mais comumente utilizados são:

• Papel: representações de interfaces gráficas desenhadas à mão ou


embalagens com detalhes finais de texto e cores. Esse tipo de protótipo avalia
o fluxo de informações, explorando diferentes formas de comunicação do
produto.
• Modelo de volume: protótipos que tentam aproximar sua aparência ao produto
finalizado. O protótipo ainda não é a versão final, mas apresenta detalhes e
características que se aproximam muito do que é real.
• Encenação: trata-se de uma simulação de uso do produto ou serviço pelo
usuário, podendo usar para isso uma máquina ou diálogos interativos.
• Protótipo de serviços: simula artefatos materiais, espaços ou relacionamentos
entre indivíduos que representem a experimentação de um serviço.
• Storyboard: representação visual de uma história usando desenhos, imagens
ou colagens. O objetivo é facilitar a visualização lúdica de histórias.

Por que utilizar um MVP?

Parece até sigla matemática, não é? Porém, um protótipo também pode ser chamado
de MVP, ou seja, o Mínimo Produto Viável — em inglês, Minimum Viable Product —,
uma versão simples de uma solução que contém apenas suas funcionalidades
básicas, com a proposta de reduzir custos e ganhar agilidade.
O MVP pode ser um serviço, um produto físico ou digital ou até mesmo um software.
Vamos contar um pouco como começou! O conceito foi criado em 2001, por Frank
Robinson, CEO de uma empresa norte-americana de desenvolvimento de novos
produtos e mercados chamada SyncDev Inc., que se tornou famosa alguns anos
depois por intermédio do livro The Lean Startup, de Eric Ries, que explana como usar
essa metodologia de forma simples e aplicada a startups (empresas inovadoras e de
rápida mobilidade no mercado).

O objetivo de um MVP é testar a viabilidade de uma ideia, enquanto se reduzem


os investimentos para lançar os produtos ou serviços desejados. Ao lançar uma
nova solução, toda empresa corre alguns riscos por causa de contingências do
ambiente geral (aspectos políticos, econômicos, sociais, tecnológicos, ambientais e
legais) e do ambiente de tarefa (fornecedores, clientes, concorrentes, substitutos e
novos entrantes no mercado).

As principais características de um MVP são:

• Aceleração do processo de lançamento de um produto, serviço ou alguma


nova necessidade de mercado.
• Agregação de valor à solução, o que transcende o preço.
• Garantia de um ciclo dinâmico de feedback.

Alguns tipos de MVP para você experimentar (RIES, 2012):

Saiba mais

RIES, E. A startup enxuta: como os empreendedores atuais utilizam a


inovação contínua para criar empresas extremamente bem-sucedidas /
Eric Ries; [tradução Texto Editores]. – São Paulo : Lua de Papel, 2012.

MVP Protótipo

Esse é um exemplar funcional da solução, que deve ser aplicado a um público


seleto para colher informações sobre pontos de melhoria. Ideal para softwares e
funcionalidades complexas, é mais completo, porém mais custoso.

Ex.: um aplicativo específico.


MVP Duplo

Modalidade baseada nos testes A/B, em que duas versões de uma solução são
oferecidas simultaneamente para comparar qual delas tem maior aceitação.

Ex.: assim que o público acessa o site ou plataforma correspondente, é


direcionado, de modo automático, para uma das duas versões.

MVP Mágico de Oz

A entrega da solução é feita, inicialmente, por pessoas atuando por trás das
cortinas. O MVP Mágico de Oz é recomendado para serviços que envolvem
automatização, pois permite seu teste sem a contratação dos softwares
necessários.

Ex.: um serviço que automatiza a transcrição de documentos impressos,


agilizando sua digitalização de forma simples, e que no MVP seria feita de forma
manual.

MVP Concierge

Tem esse nome por oferecer uma solução altamente personalizada para um
pequeno grupo de consumidores. Serve para reforçar a ideia de atendimento
exclusivo, que, mais tarde, também deverá ser reforçado pela automatização.

Ex.: usar pessoas para simular processos enquanto o produto não escala —
venda de roupas de porta em porta até ter público suficiente para montar loja
física ou virtual com grandes encomendas.

Como sugestão, reunimos dicas de vídeos e sites que falam sobre diferentes
tipos de MVP e respectivos estudos de caso:

• MVP Mágico de Oz: trecho de um webinar sobre MVP, realizado em


28/08/2020 pela empresa QUICKUP. Palestrante: André Argolo.
• MVP Mágico de Oz e MVP Concierge: publicação realizada na
página da empresa Booming. Hub de Análise e Investimento em
startup.
• Estudos de caso de MVP reunidos pela empresa Syhus, por
Leandro Tortella.
Para finalizar o tema, algumas dicas para potencializar o uso desses protótipos:

Inspiração

As pessoas precisam se sentir incitadas a testar o seu protótipo. Elas é que


serão seu grande motivador para usar a solução.

Testes fracionados

É importante ter bastante cautela ao testar o protótipo. Levar tudo ao mesmo


tempo não adianta. Pode ser que assim o designer não perceba o que precisa
melhorar pontualmente e de forma específica na solução. As pessoas têm
dificuldade em criticar ideias, mas não se sentem tão inibidas quando o assunto
é pedir mais do que a solução oferece. Esse pode ser um bom caminho para
coletas mais reais e de impacto.

O silêncio vale ouro

A ideia aqui é não explicar muito sobre a solução no começo do seu teste. É
importante deixar a experimentação fluir naturalmente e permitir que o cliente tire
suas próprias conclusões.

Ouvir e analisar é crucial

A palavra de ordem aqui é feedback. Coletar dados a partir da experimentação,


confrontar indicadores, analisar e corrigir rotas e características a partir dos
resultados são ações de um ciclo essencial para o bom uso e teste de um
protótipo.
Vídeo

Para saber mais sobre as fases 4 e 5, assista agora ao vídeo: Fases 4 e


5 do Design Thinking: Prototipagem e Teste da Solução, publicado
na unidade da disciplina no Ambiente Virtual de Aprendizagem.
Tema 3
Apresentação e discussão de exemplo/caso

Como o estudo de casos de Design Thinking pode


ajudar nas etapas de PROTOTIPAGEM e TESTE?
A prototipagem não é simplesmente uma forma de validar a sua ideia, é uma
parte integrante no processo de aprendizagem e inovação. É a arte de lidar com
expectativas!

A prototipagem é uma ação viva de experimentação da solução, ainda que de forma


inacabada. O seu principal insumo é a ideia, seu melhor instrumento é a criatividade, e
sua maior habilidade é saber lidar com expectativas.

Quando se fala em expectativa, se fala em cliente ansioso pela solução, que venha a
lhe entregar valor, ou seja, que lhe traga benefícios, atenda a suas necessidades e, se
possível, lhe surpreenda para além daquilo que ele estava esperando.

Por mais que se tente entender a cabeça do usuário da solução, seja pela
observação do que ele faz ou pela interação para coleta de dados e
informações, nada é tão eficiente quanto viver a experimentação, e é aí
que o protótipo e o teste cumprem papel essencial.

A prototipagem e o posterior teste possibilitam uma aproximação com o usuário final,


entendendo, a partir do contato o mais próximo possível com a solução, quais as reais
necessidades do cliente.

Os estudos de caso a seguir mostram como a prototipagem e o teste fazem diferença


para gerar soluções de alto valor agregado.

TOTVS

A Totvs é uma empresa que produz softwares e aplicativos para outras empresas. Ao
perceber o rápido avanço da tecnologia e a proliferação dos dispositivos móveis
(tablets e smartphones, especificamente), a Totvs recorreu ao método de Design
Thinking para tornar os seus produtos mais “amigáveis” a esses dispositivos.

Em um primeiro momento, a empresa fez uma pesquisa e procurou ouvir e conhecer


melhor os seus clientes com o objetivo de compreender seus atuais problemas e
necessidades.
No caso dos clientes varejistas, por exemplo, a Totvs identificou que essas empresas
precisavam de um software simples, capaz de permitir que o vendedor acompanhe o
consumidor pela loja para efetuar a compra e agilizar o pagamento, sem precisar que
o consumidor enfrente a fila do caixa.

Depois de mapear as necessidades, chegou a hora de organizar as ideias. Para isso,


a empresa utilizou Post-it coloridos e montou um mural. Funcionários de diferentes
setores da Totvs também foram convocados para contribuir com ideias e sugestões.

Essa multidisciplinaridade e o espírito colaborativo também são aspectos do Design


Thinking.

Organizadas as ideias, a Totvs deu início à etapa de Prototipagem, que consiste em


criar um protótipo do produto, apresentar ao cliente e ouvir as sugestões dele. Depois,
são feitas as devidas alterações e um protótipo do produto final é apresentado ao
cliente.

Após aprovar essa última versão, a Totvs entrega o produto pronto para ser usado,
mas não totalmente acabado. Isso é feito para que se possa observar a experiência do
cliente e fazer as atualizações que forem necessárias, promovendo a melhoria
contínua.

No final de tudo, a Totvs conseguiu, por meio do Design Thinking, evitar retrabalhos e
otimizar o tempo de produção do software.

Fazer pré-testes e pós-testes com produtos, por meio de uma plataforma de pesquisa
automatizada, é uma maneira muito eficiente de testar produtos e receber feedback
antes e depois do lançamento. (MATHIAS, 2018)

Saiba Mais

MATHIAS, Lucas. 5 exemplos de Design Thinking para se inspirar na


busca por inovação. 1 set. 2018.

NETFLIX

É claro que a Netflix não poderia ficar de fora da nossa lista de exemplos de Design
Thinking. A personalização da experiência dos usuários é, talvez, um dos maiores
desafios da bilionária plataforma de streaming.

A empresa entende que o comportamento dos assinantes evolui com o passar do


tempo, assim como suas necessidades. Nesse sentido, para oferecer a melhor
experiência e as melhores soluções possíveis, a Netflix precisa entender os hábitos e
padrões de consumo dos seus consumidores, princípio básico do Design Thinking.

Para isso, ela conta com milhares de algoritmos complexos que norteiam a aquisição
de conteúdos e os lançamentos de produções próprias. Assim, os filmes, séries e
documentários são lançados na plataforma somente depois de feita as devidas
análises sobre os temas pelos quais os assinantes mais têm demonstrado interesse.
(MATHIAS, 2018)
Encerramento

Quais são os principais benefícios da prototipagem?


Principais benefícios:

• Proporciona a identificação de problemas desde cedo, permitindo atuar de


forma corretiva e encontrar novos caminhos para se chegar a uma versão da
solução com alto valor agregado ao cliente.
• Garante que os requisitos da solução atendam às necessidades do público-
alvo.
• Ajuda na interação com o cliente, facilitando o movimento de empatia.
• Permite melhor acompanhamento do progresso do projeto de inovação, na
medida em que coleta, de forma assertiva, feedback sob vários aspectos da
solução (conceito, design e engenharia).
• O feedback do cliente é mais assertivo.
• O uso de protótipos, por trazer feedbacks mais assertivos, tende a diminuir
riscos e custos do desenvolvimento da solução.

Quais são os elementos-chave a serem levados em


conta no momento do teste de um protótipo, a fim de
que ele gere resultados significativos de melhoria da
solução?
A seguir 4 dicas chave:

• Inspiração: as pessoas precisam se sentir incitadas a testar o seu protótipo.


Elas é que serão seu grande motivador para usar a solução.
• Testes fracionados: é importante ter bastante cautela ao testar o protótipo.
Levar tudo ao mesmo tempo não adianta, porque pode ser que assim o
designer não perceba o que precisa melhorar pontualmente e de forma
específica para chegar à solução. As pessoas têm dificuldade de criticar ideias,
mas não se sentem tão inibidas quando o assunto é pedir mais do que a
solução ofereceu. Esse pode ser um bom caminho para coletas mais reais e de
impacto.
• O silêncio vale ouro: a ideia aqui é não explicar muito sobre a solução no
começo do seu teste. É importante deixar a experimentação fluir naturalmente
e permitir que o cliente tire suas próprias conclusões.
• Ouvir e analisar é crucial: a palavra de ordem aqui é feedback. Coletar dados
a partir da experimentação, confrontar indicadores, analisar e corrigir rotas e
características a partir dos resultados são ações de um ciclo essencial para o
bom uso e teste de um protótipo.
Como o estudo de casos de Design Thinking pode
ajudar no entendimento das etapas da prototipagem e
teste?
“Prototipagem” é um termo utilizado para representar o ato de materializar algo (uma
solução) que se almeja produzir futuramente. O protótipo funciona como uma
representação da ideia por meio de um produto ou serviço ainda inacabado, porém já
com suas características e elementos essenciais harmonicamente dispostos e
disponíveis para teste. Por se tratar de algo tão próximo do que é real, ou seja, daquilo
que muito provavelmente será utilizado pelo cliente final, é importante que se entenda
o protótipo a partir de um caso real. Os estudos de caso aproximam esse
conhecimento em prototipagem e teste a partir da representação não só do protótipo
em ação, como também do que foi feito antes e depois de sua utilização pelo potencial
cliente, o que facilita o entendimento de seu impacto e das formas de aplicação e
análise.

Resumo da Unidade

A prototipagem é uma etapa do Design Thinking que aproxima a solução do


cliente, na medida em que a torna tangível pela sua materialização usando
recursos diversos, que vão desde um pedaço de papel até tecnologias avançadas.
É uma forma concreta de validar a solução e saber se o caminho de entrega da
ideia com alto valor agregado ao cliente está correta.

De forma igualmente importante, técnicas de prototipação e teste de


experiência com o usuário devem ser realizadas em todas as etapas do método,
sob diferentes formas e níveis de profundidade, a fim de verificar, durante todo o
processo e de forma preventiva (e, portanto, menos custosa), necessidades de
ajustes alinhados ao potencial segmento de clientes.

Para aprofundar e aprimorar os seus conhecimentos sobre os assuntos


abordados nessa unidade, não deixe de consultar as referências
bibliográficas básicas e complementares disponíveis no plano de
ensino publicado na página inicial da disciplina.

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