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Arte Moderna e Transformações no Brasil

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Século XX: o século da Arte Moderna

A modernidade trouxe consigo diversas mudanças nos padrões de comportamento e


pensamentos. De algum modo, o tradicional foi aos poucos sendo substituído pelos
desejos reprimidos, e isso aconteceu não só no âmbito da vida (modo de viver), mas
também na arte.

O homem melancólico, dramático e alienado do século passado dá espaço ao homem


que busca cada vez mais a liberdade de exprimir seus sentimentos e emoções,
influindo nas possibilidades de consumo, inclusive da arte.

É durante o desenvolvimento da Arte Moderna, em meados do século XX, que o


centro cultural-artístico começa a ser deslocado da Europa para os Estados Unidos. O
Brasil sempre esteve em posição de atraso em relação aos estilos artísticos, portanto
é no início da segunda década do século que reconhece a arte moderna, o que já
vinha ocorrendo na literatura desde o final do século XIX.

É no ano de 1922 que acontece a Semana de Arte Moderna, que podemos considerar
o pontapé da Arte Moderna no Brasil, reunindo artistas de inúmeras áreas, como
pintores, músicos, escritores, arquitetos, escultores, além de simpatizantes. Foi a partir
desse ano que a arte no Brasil começou a assumir outros sentidos.

Graças a esse movimento ocorrido no início do século passado é que os artistas pós-
modernos ou contemporâneos conquistaram mais liberdade para produzir arte. A
quebra com os padrões estilísticos e a possibilidade de questionamento trouxe à luz a
oportunidade da produção de um estilo de arte pós-moderno, muito importante para o
questionamento do estilo de vida e do consumo capitalista, sobre o qual vamos nos
referir no último tema deste estudo: o Pop Art.

A partir de agora, convidamos você a descobrir a arte do período moderno!

Objetivo

Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de:

• Estimar a produção artística moderna e seus significados no entorno do


mundo.

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Conteúdo Programático

Esta unidade está organizada de acordo com os seguintes temas:

• Tema 1 - O moderno
• Tema 2 - O Brasil e a Semana de Arte Moderna de 1922
• Tema 3 - O pós-moderno

Vamos ler um trecho do poema Poética, de Manuel Bandeira:

“Estou farto do lirismo comedido


Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente, protocolo e
manifestações de apreço ao sr. diretor.

Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um
vocábulo.

Abaixo os puristas.
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis [...]”

Manuel Bandeira

Poética foi um dos poemas lidos por Manuel Bandeira, juntamente com Os
sapos (1918), durante a Semana de Arte Moderna de 1922. O texto expressa os
motivos estéticos que deram impulso ao descontentamento dos artistas com as duras
regras impostas pelo academicismo. Manuel busca, então, a liberdade.

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Tema 1
O moderno

O que define o moderno?


Para lidarmos com o tema, é preciso dizer que inicialmente traremos uma abordagem
um pouco mais filosófica, ligada à reflexão individual sobre o que é ser moderno.
Teoricamente, ser moderno teria um significado ligado ao movimento da vida,
sobretudo a respeito do esforço do homem para facilitá-la e mantê-la. O moderno,
porém, está quase que em sua totalidade ligado estritamente à tecnologia.

Para os que têm mais idade, a TV pode ser sinônimo de modernidade, mas para quem
é mais jovem, basta um simples smartphone.

Podemos listar as inúmeras possibilidades ao moderno, que vai do cotidiano até as


artes, a qual é o objeto primário proposto neste estudo.

A Arte Moderna teve suas características ligadas à quebra de padrões, ora


estabelecidos pela religião vigente ora por academias que davam ao artista a
possibilidade de realizar a arte como uma receita de bolo, cercado de exigências
técnicas, estéticas e morais. Neste sentido, a arte pode ter sido um meio, que, unida à
tecnologia, nos levou à composição do ser moderno que hoje habita o planeta Terra.

Poderíamos dizer que o moderno está ligado à consciência humana em se


compreender enquanto humano, ser pensante.

Homo sapiens é um termo derivado do latim, que significa “homem sábio”, classificado
como o animal bípede mais abundante no planeta. Sua capacidade de raciocínio, ou
seja, de pensar, possibilitou a formação de culturas e linguagens, além do
desenvolvimento de ferramentas para manutenção de suas necessidades.

A filosofia acredita que o ser moderno é aquele voltado aos conceitos humanistas —
conceitos estes que estão presentes na sociedade desde o início do Renascimento —,
buscando sempre a razão e o ceticismo. Trata-se de um ser que se basta por si só, e
que, apesar das circunstâncias, não prioriza as condições metafísicas.

O homem que levava meses para atravessar de um continente a outro, hoje leva
horas. Os pequenos centros urbanos começaram a se transformar em metrópoles e
megalópoles. O moderno, no entanto, vai além disso. A ele é dado um sentido sempre
relacionado ao inédito, ao nunca visto. Embora o movimento modernista tenha tido seu
fim no período referente ao fim da Segunda Guerra Mundial (1945), ainda assim
podemos ser considerados seres modernos.

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Hoje, somos seres modernos vivendo em um mundo contemporâneo.

Vamos fazer uma breve análise ligada à tecnologia e à automação?

Imagine estar em uma cozinha sem geladeira, batedeira ou liquidificador, ou em uma


sala sem televisão, em um escritório sem computador... Com certeza, a partir destes
exemplos conseguimos compreender o sentido da tecnologia dentro da modernidade.
Porém, não nos esqueçamos de que modernidade não é somente sinônimo de
tecnologia, mas também de mudança de pensamentos e comportamentos.

Analisando o Brasil, por exemplo, quebramos padrões na arte, na moda, na literatura,


na educação e seguimos com algumas mudanças, embora ainda haja uma parcela
conservadora que insiste na volta de antigos padrões de vida. Contudo, a vida sempre
foi dessa maneira, um vai e vem em relação à liberdade humana.

Cozinha equipada com utensílios modernos.

As dinâmicas familiares também começaram a quebrar padrões

No início do século XX, o humano moderno começou a se desvencilhar do padrão


macho e fêmea estabelecido muito tempo atrás. O homem, como humano do sexo
masculino, começou a deixar um pouco de lado o machismo impregnado na sociedade
para dividir algumas vezes as tarefas domésticas com a mulher. E ela, a mulher,
mesmo que em condições de trabalho desiguais, começou a ter a possibilidade de
trabalhar fora de casa. Se a arte é a imagem de sua época, estão explicados os
motivos de estarmos tratando de assuntos como esses.

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Saiba mais
A mulher moderna

A partir da segunda década do século passado


muitas mulheres decidiram romper com os
padrões tradicionais estabelecidos pela sociedade,
mas a mulher ainda hoje ocupa um papel “inferior”
em diversas situações, como é no caso do
mercado de trabalho. A luta foi e é árdua para que
se conquiste equidade nos direitos e sobretudo
nos deveres, pois muitas vezes as mulheres
conciliam a jornada de trabalho com as atividades
domésticas. Um fato curioso é que as mulheres só
conquistaram o direito ao sufrágio (voto) em 1932.

Saiba mais
Os direitos femininos

Simone de Beauvoir (1908-1986), em seu livro, O segundo sexo, retrata a trajetória


da mulher desde a era antiga até tempos atrás. De forma clara e simples, ela nos
mostra como o sexo feminino sempre foi colocado em um local fora da sociedade. A
modernidade veio quebrando padrões aos quais Simone se refere em sua obra, porém
a luta pela equidade ainda não acabou.

Dica de leitura complementar: BEAUVOIR, S. O segundo Sexo 1 – Fatos e Mitos.


Tradução de 1980. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980.

É impossível trabalhar arte sem que se compreenda a história. É totalmente incoerente


e de certo modo antididático separá-las. Portanto, continuaremos neste tema a
entrelaçá-las para que fiquem claros os motivos que culminaram na Semana da Arte
Moderna, como diz a canção de Chico Buarque de Hollanda (1944) e Pablo Milanés
(1943), Canción por la unidad de Latino América. Confira um trecho:

“A História é um carro alegre


Cheio de um povo contente
Que atropela indiferente
Todo aquele que a negue.”

Globalização

O carro, os trens de alta velocidade (urbanos ou não), os aviões e os meios de


comunicação fizeram do homem um ser global, de modo que podemos denominar
esse processo de globalização.

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A globalização nada mais é que a integração das sociedades nas esferas econômicas,
sociais e políticas, quando toda essa movimentação acarreta a criação de um estilo de
vida pós-industrial, almejado pela maioria dos cidadãos. Porém, essa concepção de
modo de vida está a cada dia mais defasada. Contribui para isso a questão da
sustentabilidade, a percepção da forma como estamos degradando o planeta com
ganância; o dia a dia e rotina que nos apressa, o trabalho competitivo e exaustivo
dentro das grandes cidades, as questões que envolvem a produção agrícola e a
pecuária, além das emissões de poluentes e gases, como o carbono.

Na atualidade, ser moderno é ser o mais simples possível; utilizando apenas o que é
necessário. Por exemplo: no dia a dia, ao transitar pela cidade, substituir o carro,
provavelmente um dos símbolos da modernidade, pela bicicleta. Há alguns anos, se
escutássemos isso, seria um grande desaforo. No entanto, estamos nos tornando
mais conscientes.

Será que toda essa modernidade é benéfica ao planeta?

Será que conseguiremos lidar com as situações decorrentes dela?

Vídeo
Para nos aprofundarmos um pouco mais sobre o assunto, assista ao documentário no
YouTube, canal Bertioga Z: Cowspiracy: o Segredo da Sustentabilidade.
Agora, vamos refletir...

Será que o agro é tão pop assim?

Nem pop, nem tech, nem nada! O agronegócio no mundo hoje é tóxico. No Brasil, por
exemplo, a maioria dos grãos é produzido para commodities e não para alimentação.
O capitalismo ferrenho fez com que a comida de verdade se tornasse um movimento
de destruição de si mesma. A agricultura venenosa e a pecuária do massacre
acabaram se acomodando no mundo moderno.

Até onde vai essa modernidade?

Encontraremos algumas respostas nesse documentário, que se concentra em mostrar


como as ações humanas podem gerar consequências nefastas ao planeta em que
habitamos. A modernidade e as formas de produção de alimentos podem não ser
compatíveis com a evolução nem com o que chamamos de modernidade. Fique
atento!

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Tema 2
O Brasil e a Semana de Arte Moderna de 1922

O que foi a Semana de Arte Moderna de 1922?

A Semana de Arte Moderna ocorreu entre os dias


11 e 18 de fevereiro de 1922, em São Paulo, no
Teatro Municipal. O evento obteve, na época, o
apoio do então governador do estado, Washington
Luís (1869-1957). O evento foi responsável por
difundir o modernismo no Brasil, o que acabou
remodelando a forma como se produziam as artes
plásticas, música e literatura.

Liderados pelo escritor e advogado Graça Aranha (1868-1931), os principais


incentivadores da Semana de Arte Moderna foram os pintores Anita Malfatti (1889-
1964) e Di Cavalcanti (1897-1976); os escritores Mário de Andrade(1893-1945),
Oswald de Andrade (1890-1954), Menotti del Picchia (1887-1959), e o compositor
Heitor Villa-Lobos (1887-1959), que instauraram a convenção “ Emoção estética na
arte moderna”, na qual afirmavam:

“O que hoje fixamos não é a renascença de uma arte que não existe. É o próprio
comovente nascimento da arte no Brasil.”

Antecedentes

Ainda no começo do século XX, a produção artística no Brasil estava baseada no


neoclássico instaurado pelas academias e trazido pela Missão Francesa um século
antes. Somente em 1913 ocorreu a primeira exposição de Arte Moderna, do pintor
Lasar Segall (1889-1957), em São Paulo, que, embora já tivesse ares modernos, não
causou reações substanciais, mas deu espaço e forma ao que estava por vir, em
1922.

Por outro lado e além das manifestações plásticas, a esfera literária de São Paulo
estava totalmente inquieta. Uma de suas figuras mais polêmicas, o escritor Oswald de
Andrade, havia voltado da Europa inspirado com o manifesto futurista de Filippo
Marinetti (1876-1944), tentando buscar uma regeneração que fosse harmônica com a
produção literária em volta do mundo.

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Foi em 1917 que a cena artística começou a mudar de fato. Como vimos
anteriormente, a literatura já dava sinais de rompimento com o clássico, e foi então
que, naquele ano, foram publicados livros como: A cinza das horas (Manuel
Bandeira), Há uma gota de sangue em cada poema (Mário de Andrade), Juca
Mulato (Menotti del Picchia), Carrilhões (Murilo Araújo) e Nós (Guilherme de
Almeida). Neste mesmo ano a pintora Anita Malfatti, recém-chegada dos Estados
Unidos, realiza sua exposição com ares expressionistas, mas os trabalhos da artista
foram recebidos com desdém.

Os conflitos da Arte Moderna

Essa primeira exposição de Malfatti, rodeada por Cubismo, Expressionismo e


Futurismo, fez com que Monteiro Lobato (1982-1948), uma semana após a
inauguração da exposição, publicasse um severo artigo intitulado Mistificação ou
paranoia, por meio do qual apontava insanidade e desequilíbrio mental na jovem
pintora, o que a fez regredir em seu posicionamento plástico-artístico.

Essa regressão não adiantou muita coisa, pois o movimento modernista já havia sido
instaurado. Logo em seguida, Oswald de Andrade e Menotti del Picchia, entre outros
intelectuais, contestaram Lobato, dando início ao primeiro conflito entre a Arte
Moderna e a Arte Acadêmica no Brasil.

Com o retorno do escultor Victor Brecheret (1894-1955) ao Brasil, em 1919, e sua


respectiva aderência ao grupo de modernistas, foi confeccionando o Monumento às
bandeiras (1920), em São Paulo, o que trouxe combustível a mais e ânimo aos
artistas, fazendo com que, em 1921, Mário de Andrade publicasse um artigo
intitulado Mestres do passado.

Ainda em 1921, Di Cavalcanti, entusiasmado com sua exposição individual, buscou


meios junto ao escritor e advogado Graça Aranha para que pudessem realizar uma
exposição coletiva. Com essa ideia em mente, chegaram ao Historiador Paulo Prado
(1869-1943), intelectual de família abastada que viria a ser o principal e grande
mecenas da Semana de Arte moderna que ocorreu no ano seguinte.

O monumento às Bandeiras, São Paulo (1920).


Geff Filho / [Link]

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A semana de fevereiro de 1922

A celebração que contou com artistas plásticos, músicos, escritores e poetas,


preencheu todo o Teatro Municipal de São Paulo, onde no saguão foram dispostos ao
público as obras dos artistas Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Brecheret, Rego monteiro
(1899-1970), Zina Aita (1900-1967), John Graz (1981-1980), entre outros.

O propósito principal era o antiacademicismo, porém a exibição era constituída por


múltiplas tendências, voltando-se principalmente para o Expressionismo, o art
nouveau e o Pós-impressionismo; sendo denominadas pelos apreciadores e pela
imprensa como futuristas.

Entre os dias 13 e 17 de fevereiro daquele ano, foi apresentado no palco do teatro a


música moderna, por Ernani Braga (1888-1948). Oswald de Andrade, Sergio Milliet
(1898-1966), Ronald de Carvalho (1893-1935) e Guilherme de Almeida (1890-1969)
apresentaram e declamaram seus poemas. Guiomar Novaes (1895-1979) tocou piano
e Yvonne Daumerie dançou. Villa-Lobos conduziu três peças, vestido de casaca e
calçado com chinelos sob vaias ecoantes.

Chocar! Foi esse o desejo dos modernistas. E, pelo que vimos até agora,
conseguiram. E conseguiram também apresentar a verdadeira realidade brasileira com
as “ousadas novidades”. Necessária, porém ainda imatura, a Semana de 1922
apresentou seus melhores resultados ao longo da década de 1920, quando os artistas
puderam absorver com mais propriedade, e de forma mais madura, as tendências
vindas da Europa.

Manifestos Modernistas

Foi Oswald de Andrade o responsável pela redação dos dois principais textos
norteadores da Semana de Arte Moderna e dos posicionamentos que deveriam ser
adotados pelos artistas que os criaram. Foram eles: Poesia do Pau Brasil (1924)
e Antropófago (1928). Conforme o autor, o primeiro manifesto veio para desprender a
arte das regras impostas pelas academias. O texto sustenta os direitos do artista à
contemporaneidade, a poder ser um artista de sua época, definindo-o como prático e
experimental.

A pintora Tarsila do Amaral (1886-1973), que veio para


o Brasil logo após a Semana de 22 e casou-se com
Oswald em 1926, presenteou-o com uma obra que viria
inspirar o segundo manifesto, batizada por ela
de Abaporu, que em tupi significa “antropófago”.

Juntamente com esse manifesto e com o surgimento


da Revista de Antropofagia, a tela deu início ao clube
de Antropofagia. O manifesto Antropófago, de
Oswald, é lembrado pela famosa frase: “Tupi or not
Fonte: Wikimedia tupi, that is the question.”

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O que é a Antropofagia?

Antropofagia é o ato de ingerir partes humanas em rituais. Antropófago é aquele que


se alimenta de carne humana em uma forma similar ao canibalismo. A antropofagia
cultural proposta por Oswald de Andrade nada mais era do que promover a ingestão
da cultura estrangeira de modo que o brasileiro pudesse tomar posse de si e de sua
história. Uma frase bem interessante do Oswald e que pode nos demonstrar isso com
clareza é:

“Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade.”

O movimento antropofágico

Como visto há pouco, o termo


“antropofagia” foi utilizado como uma
metáfora que designava o processo de
formação da identidade brasileira. Tal
processo se deu a partir de todas as
influências possíveis dentro do território
brasileiro, sendo elas a cultura popular
(já formada pela mistura de povos), as
tradições africanas e indígenas, de
algum modo a cultura europeia; e a nova
proposta de vida nas cidades
industrializadas, sem recusar ou acusar
"Canibalismo"
nenhuma destas.

As correntes modernistas

Com o objetivo da Semana de 22 atingido pelo grupo de artistas que iniciou esse
movimento, ocorreu um processo de segregação, a princípio unido por um único
propósito: repudiar o academicismo ferrenho. Eles passaram a se empenhar em
objetivos e identidades mais individuais, o que os dividiu em correntes, que ora ou
outra entravam em alguns conflitos.

Oswald publicou seus primeiros livros modernos rodeados de escândalos e polêmicas,


foram eles: Pauliceia Desvairada (1922), Memórias sentimentais de João
Miramar (1924) e Serafim ponte grande (1933). E em 1928, Mário de Andrade
publica Macunaíma.

De 1922 até a Revolução de 1930 surgiram grupos e revistas cujas próprias


nomenclaturas já serviriam como manifesto: a Revista Antropofagia, Pau-
Brasil, Terra Roxa e Outras Terras, Bandeira, Verde e Anta. É então que, em 1924,

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pelas mãos do historiador e sociólogo Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982) e do
jornalista Prudente de Morais Neto (1904-1977), surge a Revista Estética.

Na literatura surgiram correntes como a Desvairista, comandada por Mário de


Andrade, que buscava uma linguagem nacional. Oswald de Andrade e Tarsila do
Amaral criaram as correntes primitivista e anarcoprimitivista buscando as origens do
Brasil antes da colonização europeia.

A reação ao primitivismo e anarcoprimitivismo ficou por conta do poeta Menotti del


Picchia, do escritor Plínio Salgado (1895-1975) e do jornalista Cassiano Ricardo
(1985-1974), que originaram uma corrente com ares nazifascistas denominada de
verde-amarelismo. Logo após surge o Movimento da Bandeira, com um discurso
filosófico autoritário que acaba coincidindo com o Estado Novo.

Todas as correntes citadas surgiram no estado de São Paulo. No Rio de Janeiro, o


poeta Ronald de Carvalho, o escritor e advogado Graça Aranha e o compositor Villa-
Lobos, valorizando a ideia do progresso e da velocidade, desenvolveram a
corrente Dinamista. A jornalista e escritora Cecília Meireles (1901-1964), o poeta
Augusto Frederico Schmidt (1906-1965) e o também escritor e poeta Tasso da Silveira
(1895-1968) desenvolveram a corrente espiritualista, segundo a qual defendiam a
mútua convivência entre passado e futuro em busca da herança cultural.

Ainda assim, nesse primeiro momento modernista é possível destacar nomes como os
músicos Camargo Guarnieri (1907-1993) e Francisco Mignone (1897-1986), os
escultores Bruno Giorgi (1905-1993) e Mário Cravo (1923-2018), o arquiteto Gregori
Warchavchik (1896-1972), e os pintores Alberto da Veiga Guignard (1895-1968),
Alfredo Volpi (1896-1988), Joaquim do Rego Monteiro (1899-1970), Ismael Nery
(1900-1934), Antônio Gomide (1895-1967) e Cícero Dias (1907-2003).

Imigrantes e artistas mais pobres formaram uma segunda geração de artistas


modernistas, que se dispunham normalmente em capitais como Rio de Janeiro, São
Paulo, Salvador, Recife, Porto Alegre e Belo Horizonte, sem muito alarde e de forma
mais silenciosa, sem polêmicas ou manifestos, tomando uma forma menos
revolucionária, porém mais combativa ao academicismo e suas rigorosas regras.
.

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Tema 3
O Pós-moderno

O que podemos denominar como arte pós-moderna?


Alguns historiadores afirmam que o Modernismo teve seu fim juntamente com a
Segunda Guerra Mundial, em 1945. Outros defendem que ele pode ser dividido em
três gerações:

I. De 1922 até 1930.


II. De 1930 até 1945.
III. De 1945 até meados da década de 1970.

Então, vamos entender a Arte Moderna como o período que vai desde a
primeira década do século XX até os anos 1980, variando o recorte
cronológico entre distintas regiões.

O início da Arte Moderna no Brasil não teve muitos nomes ligados às artes plásticas,
pois seu foco principal era literatura e poesia. O ponto crucial para os modernistas era
romper com todo o passado dominado por instituições que definiam com rigor a forma
de se produzir arte. Os artistas nacionais tentavam trazer à tona a cultura brasileira de
fato. A urbanização cada vez mais acelerada, unida à industrialização pesada, fizeram
da atmosfera social um ambiente de inquietação em que todas essas questões ligadas
às novas cidades impuseram pontos de vista distintos daqueles existentes, novos
comportamentos e, claro, uma forma de se expressar condizente com tudo isso.

Algo interessante de descrever é um


desfalque bastante considerável ao
academicismo. Cândido Portinari
(1903-1962), de formação acadêmica e
com algumas premiações da escola de
Belas Artes, deixou a academia
chocada ao pintar Retirantes.

Criança morta (1944), da série Retirantes, de


Cândido Portinari. Fonte: Wikipedia

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Com o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945, a arte brasileira voltou a sofrer
influências do exterior. Os pintores, agora absorvendo alguns conceitos internacionais,
começaram a se interessar pelo abstrato, abraçando de fato a arte concreta e
geométrica, abandonando os antigos requisitos (ou modos de fazer) dos modernistas.
Porém, algumas situações como a industrialização tardia fizeram do concretismo no
Brasil algo um pouco sem sentido e até mesmo vazio, já que seu formato estava
intimamente ligado ao desenho industrial.

Após a guerra, o panorama mundial estava de cabeça para baixo. A Europa


totalmente destruída (política e economicamente) fez com que um dos grandes
detentores do capital mundial, os Estados Unidos, ascendessem como novo centro
mundial. Pela primeira vez na história da América, o Velho Mundo importava arte,
artistas e estilo de vida.

No Brasil, com o golpe militar de 1964, surge uma inquietação significativa em todas
as áreas das artes e nas artes plásticas, o Pop Art, que se espalhou no meio artístico.

O Pop Art

Pop Art é a imagem de uma sociedade consumista, que utiliza a mídia de massas da
publicidade e das HQs. Ela surge concomitantemente no Reino Unido e nos Estados
Unidos, na década de 1950. O pop art americano é muito mais conhecido por suas
críticas ao estilo de vida, ao consumo exacerbado, e ao estilo de vida americano como
um todo.

Pop art

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Quem foi Andy Warhol?

Sopa Campbell’s Andy Warhol


Crédito: Luke W. Choi / [Link] Crédito: spatuletail / [Link]

Andy Warhol (1928-1987), nome maior da Pop Art, é um dos artistas mais
influentes do século XX. Warhol se dedicava às artes plásticas, ilustrações,
pinturas e cinematografia, além de atuar como empresário. O artista
quebrou padrões estéticos e fez duras críticas ao consumo e estilo de vida
norte-americano.

A arte, então, começa a desenvolver um papel mercadológico muito forte e acirrado,


podendo ser adquiridos bens de arte como meios de investimento ou para coleções e
apreciação, dessa maneira podendo se apresentar de forma a exaltar a luxúria
humana e suas ganâncias.

Você não acha que o mercado de arte pode ser um tanto quanto perverso com
a própria arte e com o artista?

Dica de filme: Velvet Buzzsaw (2019). “Toda arte é perigosa” é a tradução livre do
título para o português, um filme escrito e dirigido por Dan Gilroy e protagonizado por
Jake Gyllenhaal. O filme conta a história de um crítico de arte, uma figura clichê e
exagerada, Mark. A ganância dentro do mercado de arte pode acabar em algo nada
agradável. Que tal assistir a esse filme?!

Arte Cinética, arte, performance e expressão

A Arte Cinética, a partir da qual a busca pelo movimento é constante, começa a se


espalhar, inserindo uma nova forma de se fazer arte: a Op Art, que busca criar a ilusão
de movimento a partir de efeitos ópticos.

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Op Art / Arte cinética.

A interatividade entre a matéria artística e o observador já era desejada desde então.


Assim, a arte passa a tomar não só o movimento, mas também a ação a seu favor. A
performance, o happening e as estações começam a ser considerados um produto de
grande valia para a expressão. Depois destes, alguns movimentos vieram, como é o
caso da minimal art (arte minimalista), a arte conceitual e o hiper-realismo.

Arte Popular

Arte popular. Artista alagoano (AL).


Crédito: Gustavo Mata / [Link]

A Arte Popular eleva o coletivo e a coletividade, muitas vezes de origem anônima e


carregada de sentimentos, emoções e pensamentos, não dando privilégio a eles, os
artistas. Os meios para produzi-las muitas vezes são precários, e a matéria ou é
advinda da natureza, ou escassa. Nesse tipo de arte não há uma preocupação tão
grande quanto à sua originalidade e o que valoriza o artista é justamente o seu poder
de análise, de julgamento. Divididos entre esculturas, pinturas, desenhos, gravuras e
elementos de decoração, esses trabalhos também demandam custos para serem
adquiridos e normalmente trabalha-se sob encomenda. Grande parte de sua produção
é destinada ao pequeno comércio e feiras, entre outros.

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Vídeo

Para saber mais, assista ao vídeo publicado na unidade da disciplina no


Ambiente Virtual de Aprendizagem.

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Encerramento

O que define o moderno?


O moderno pode ser definido pela sociedade atual como a tecnologia e o processo
tecnológico. Além de a modernidade estar ligada ao processo de industrialização, ela
também pode ser compreendida como processo de retrocesso do nosso modo de
tratar a natureza e a vida. O moderno é, sim, evolução, às vezes tecnologia, mas até
que ponto podemos nos definir seres modernos é uma questão sobre a qual o tempo é
o único agente detentor de tais respostas.

O que foi a Semana de Arte Moderna de 1922?


Foi uma semana de mostra de arte, que aconteceu em São Paulo entre os dias 11 e
18 de fevereiro de 1922. Esse evento objetivava a quebra de rígidos padrões estéticos
estabelecidos por academias, reunindo escritores, poetas, jornalistas, escultores,
pintores e músicos, que apresentaram sua arte sob vaias e aplausos. A Semana de
Arte Moderna de 22 foi responsável, de fato, pelo início da produção da Arte Moderna
no Brasil.

O que podemos denominar como Arte Pós-moderna?


Muitos historiadores da arte afirmam que o processo da Arte Moderna tem seu fim de
ciclo junto com o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Outros defendem que ela
resistiu até mais ou menos os anos 1980. A Arte Pós-moderna pode ser considerada a
arte produzida durante esse período (1945-1980), compreendendo diversas técnicas
como a Pop Art, a Op Art, a Arte Cinética, a Performance, a Arte Conceitual, o Hiper-
realismo, entre outras.

Resumo da Unidade

Neste estudo analisamos como o homem moderno se comporta, a sua relação com
a tecnologia e com a natureza e como o processo de globalização ajudou a nos
tornarmos o povo que somos hoje. Em seguida, estudamos a Semana de Arte
Moderna de 1922, evento que ocorreu em São Paulo, no Brasil, e reuniu inúmeros
artistas, entre eles artistas plásticos, escritores, poetas e músicos.

Conhecemos nomes importantes para a produção da Arte Moderna e também seus


manifestos, desejos e inclinações. Por fim, conceituamos a arte produzida a partir
de 1945, no período que coincide com o fim da Segunda Guerra Mundial e o
momento de declínio dos movimentos nazifascistas.

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Referências da Unidade

• BAZIN, G. História da história da arte. São Paulo: Martins Fontes, 1989.


• BELTING, H. O fim da história da arte: uma revisão dez anos depois. São
Paulo: Cosac Naify, 2006.
• BEAUVOIR, S. O segundo Sexo, 1 – Fatos e Mitos. Tradução de 1980. Rio
de Janeiro: Nova Fronteira, 1980.
• CHILVERS, I. História Ilustrada da arte. São Paulo: Publifolha, 2014.
• FREELAND, C. Teoria da Arte: uma breve introdução. Porto Alegre: L&PM,
2019.
• GOMPERTZ, W. Isso é Arte?: 150 anos de arte moderna, do impressionismo
até hoje. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.
• HOLANDA, S. B. de. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das letras,
1995.
• NUNES, B. Introdução à filosofia da arte. São Paulo: Ática, 2018.

Para aprofundar e aprimorar os seus conhecimentos sobre os assuntos


abordados nessa unidade, não deixe de consultar as referências
bibliográficas básicas e complementares disponíveis no plano de ensino
publicado na página inicial da disciplina.

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