ChatGPT na Educação e Produção Acadêmica
ChatGPT na Educação e Produção Acadêmica
DOI 10.20396/etd.v26i00.8673464
RESUMO
Este artigo explora a aplicabilidade, os benefícios e as implicações do ChatGPT — uma ferramenta de
Inteligência Artificial (IA) — nas áreas da educação e da produção acadêmica. Foram realizados testes prático-
observacionais e uma revisão integrativa da literatura mais recente (2023). A literatura aponta que o ChatGPT
pode ser aplicado em diversos contextos de ensino e de aprendizagem, estimulando o desenvolvimento
autônomo dos alunos e auxiliando os docentes em suas práticas. Na área médica, a interatividade da
ferramenta contribui para a tutoria e para a educação de pequenos grupos; na área odontológica, é sugerida
a atualização do currículo para contemplar o uso de ferramentas de IA. Na produção acadêmica, existem
preocupações éticas relacionadas à autoria e ao plágio, referentes ao conteúdo gerado pela ferramenta. Os
testes práticos confirmaram que o conteúdo informacional do ChatGPT não é adequado como referência
acadêmica. Contudo, seu conteúdo instrucional é útil para práticas educativas e científicas. Faz-se necessária
uma reflexão crítica entre a academia, as instituições e os alunos, a fim de discutir sua utilização de forma
íntegra.
1
Doutorando em Mídia e Tecnologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. E-mail:
[Link]@[Link]
2
Doutora em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Professora Associada da
Universidade Estadual Paulista. Bauru, SP - Brasil. E-mail: [Link]@[Link]
[1]
ARTIGO
DOI 10.20396/etd.v26i00.8673464
ABSTRACT
This article explores the applicability, benefits, and implications of ChatGPT — an Artificial Intelligence (AI) tool
— in the fields of education and academic production. Practical-observational tests and an integrative review
of the most recent literature (2023) were conducted. The literature suggests that ChatGPT can be applied in a
variety of teaching and learning contexts, stimulating the autonomous development of students and
supporting teachers in their practices. In the medical field, the tool's interactivity aids in tutoring and small
group education; in the dental field, an update to the curriculum is suggested to encompass the use of AI tools.
In academic production, ethical concerns related to authorship and plagiarism are raised with respect to the
content generated by the tool. Practical tests confirmed that ChatGPT's informational content is not suitable
as an academic reference. However, its instructional content is useful for educational and scientific practices.
A critical reflection among academia, institutions, and students is necessary to discuss its use in a
comprehensive and ethical manner.
RESUMEN
Este artículo explora la aplicabilidad, los beneficios y las implicaciones de ChatGPT, una herramienta de
inteligencia artificial (IA), en las áreas de educación y producción académica. Se realizaron pruebas práctico-
observacionales y una revisión integradora de la literatura más reciente (2023). La literatura señala que
ChatGPT puede ser aplicado en diferentes contextos de enseñanza y aprendizaje, estimulando el desarrollo
autónomo de los estudiantes y ayudando a los docentes en sus prácticas. En el área médica, la interactividad
de la herramienta contribuye a la tutoría y educación de pequeños grupos; en el área dental se sugiere
actualizar el plan de estudios para incluir el uso de herramientas de IA. En la producción académica existen
preocupaciones éticas relacionadas con la autoría y el plagio, referentes al contenido generado por la
herramienta. Las pruebas prácticas confirmaron que el contenido informativo de ChatGPT no es adecuado
como referencia académica. Sin embargo, su contenido instructivo es útil para las prácticas educativas y
científicas. Es necesaria una reflexión crítica entre la academia, las instituciones y los estudiantes, para discutir
su uso de manera integral.
***
1 INTRODUÇÃO
[2]
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al., 2023), a tradução de textos e a redação de conteúdo (LUND et al., 2023), estão
provocando uma verdadeira revolução no campo do ensino, praticamente pondo fim aos
métodos tradicionais (STOKEL-WALKER, 2022). No entanto, existe uma preocupação com a
dependência excessiva da ferramenta (ISKENDER, 2023), visto que poderia comprometer a
expressão da criatividade e do raciocínio lógico do usuário (ARIF; MUNAF; UL-HAQUE, 2023).
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profissional na atualidade. O trabalho fomenta uma discussão sobre as oportunidades e
desafios que a ferramenta traz para o mundo acadêmico e aponta a importância de utilizá-
la de forma consciente e ética, respeitando os princípios de integridade acadêmica e
responsabilidade social.
O aprendizado profundo (deep learning, DL) é uma subárea da ML que tem como
objetivo processar dados inspirada no funcionamento do cérebro humano. Ele se baseia em
redes neurais profundas, compostas por neurônios matemáticos interconectados, e utiliza
um sistema de camadas. Cada camada corresponde a um algoritmo, que transforma seus
dados de entrada em valores de saída, refinando o aprendizado a cada nova camada. Isso
possibilita a construção de conceitos complexos a partir de conceitos mais simples,
permitindo uma maior capacidade de processamento e compreensão de informações
(GOODFELLOW; BENGIO; COURVILLE, 2016).
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O GPT-2, anunciado em fevereiro de 2019, foi treinado com 1,5 bilhão de
parâmetros3 e 40GB de texto (DALE, 2021). Por sua vez, o GPT-3 (Generative Pre-Trained
Transformer 3), lançado em junho de 2020, é considerado o maior modelo de linguagem já
criado, com 175 bilhões de parâmetros e 96 camadas treinadas, utilizando um conjunto de
dados que inclui fontes como: Common Crawl, WebText, Books1, Books2 e Wikipedia
(BROWN et al., 2020).
O GPT-3 foi treinado para prever as próximas palavras e não estava alinhado com a
expectativa dos usuários, além de fornecer respostas imprecisas. Para corrigir isso, a OpenAI
melhorou o GPT-3 por meio do uso de “Aprendizado por Reforço com Feedback Humano”
(Reinforcement Learning from Human Feedback, RLHF) e desenvolveu o InstructGPT, um
modelo que segue melhor as instruções e inventa fatos com menos frequência. Essa mesma
técnica foi utilizada para treinar seu modelo irmão, o ChatGPT, um modelo interativo que
fornece respostas para os usuários (OPENAI, 2015-2023b).
2 METODOLOGIA
A pesquisa foi norteada pela pergunta “Quais os benefícios do uso do ChatGPT para
a educação e para a produção ou pesquisa acadêmica?”, feita ao próprio ChatGPT, que
apresentou vários benefícios, como auxílio na escrita de trabalhos acadêmicos, aceleração
na pesquisa, gestão da produtividade do estudante, ferramenta de aprendizagem, acesso à
informação, personalização do aprendizado, redução do estresse na produção acadêmica,
3
Os parâmetros são configurações que podem ser ajustadas para controlar um modelo de linguagem, como
temperature, relacionado à criatividade ou aleatoriedade das respostas, e o max_tokens, relacionado limite de
conteúdo utilizado na resposta (OPENAI, [202-]).
4
O aprendizado supervisionado é uma técnica de ML em que o algoritmo é direcionado a aprender a
correlacionar padrões em dados rotulados. Seria como indicar que determinado dado é uma “maçã”, e atribuir
o nome de “maçã” a esse dado. Ao final de um processo de treinamento com inúmeros dados, o modelo de
linguagem passa a identificar o padrão de dados que poderiam ser considerados “maçãs”.
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identificação de plágio, melhora na qualidade do trabalho e implicações éticas.
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produção acadêmica e as implicações éticas.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
O Quadro 1 apresenta os artigos selecionados para análise. Com base nos resumos e
nas leituras dos trabalhos, são sintetizados, de cada artigo, de forma enumerada: 1.
Objetivos; 2. Tipo de estudo; 3. Resultados; 4. Conclusões.
Dwivedi et al. (2023): 1. Trazer insights multidisciplinares sobre as oportunidades, desafios éticos
e legais e os impactos positivos e negativos do uso do ChatGPT. 2. Revisão de perspectiva,
trazendo contribuições de 43 especialistas em múltiplas áreas. 3. Ele pode ser utilizado em
múltiplas áreas e contextos, mas requer atenção para suas limitações. Potencial para redação de
texto praticamente indistinguíveis daqueles criados por humanos, cuja produção pode incorrer
em questões éticas e conteúdo textual falso. 4. Sugestão para ampliação das pesquisas em
conhecimento, transparência e ética; transformação digital de organizações e sociedades; e
ensino, aprendizagem e pesquisa acadêmica.
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de fornecer insights valiosos para o ramo de negócios.
Tlili et al. (2023): 1. Analisar o uso do ChatGPT no contexto da educação. 2. Estudo de caso
instrumental qualitativo. O ChatGPT tem potencial para revolucionar a educação de várias
maneiras, porém, várias questões precisam ser discutidas, como a ética, a honestidade e a
privacidade, além de questões relacionadas à qualidade das respostas geradas pelo ChatGPT e à
possibilidade de manipulação. 4. É necessário usar o ChatGPT com mais cautela e estabelecer mais
diretrizes sobre como usá-lo com segurança e responsabilidade.
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à tona as implicações éticas do uso da ferramenta sobre autoria e qualidade da informação
gerada.
De acordo com Thorp (2023), é preciso que seja esclarecido que, do ponto de vista
acadêmico, o ChatGPT não pode ser considerado um autor. Porém, para conceituar o
ChatGPT, nada como uma definição fornecida pela própria ferramenta, por meio da
pergunta “O que é o ChatGPT?”. A resposta indica que o ChatGPT é um modelo de
linguagem de IA baseado na arquitetura GPT, que foi treinado com uma grande quantidade
de informações textuais. Essa informação corroborra com a definição apresentada no
primeiro parágrafo da introdução do presente artigo e, portanto, é considerada válida para
fins de ilustração. No entanto, é preciso cautela, porque testes práticos mostraram que as
respostas não são consistentes para uma mesma pergunta, além de poderem estar
incompletas e fora do contexto desejado, o que reafirma os achados de Iskender (2023).
Antes de estruturar este artigo, ainda quando se tinha um esboço da ideia de como
seria conduzido, solicitou-se ao ChatGPT a indicação de um título de pesquisa sobre seu uso
na educação e na produção acadêmica. Em seguida, foi inserido um prompt para que
apresentasse uma estrutura de seções para um artigo científico, baseado no título da
pesquisa fornecido por ele, cuja resposta apresentou uma estrutura de artigo completa, com
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numeração das seções em: I. Introdução; II. Revisão de literatura; III. Metodologia; IV.
Resultados e Discussão; V. Conclusão; VI. Referências Bibliográficas. Em cada seção, foram
detalhadas tarefas que indicavam uma estrutura textual, abordando aspectos como
contextualização, descrição da metodologia, apresentação e análise dos resultados obtidos
na revisão e abordagem utilizada para tal análise.
Isso converge com o que pressupõe Iskender (2023) sobre o potencial do ChatGPT
para gerar um artigo e o que dizem Thurzo et al. (2023) a respeito da capacidade da
ferramenta de reescrever títulos em revisões científicas. Corrobora, ainda, o que afirmam
Cascella et al. (2023), quando dizem que modelos de PLN aceleram a ciência e promovem a
literacia científica em diferentes etapas da pesquisa. Além disso, a ferramenta forneceu
quatro referências, entre as quais uma não foi localizada. Ademais, a indicação de que os
trabalhos foram “publicados em periódicos renomados” não confere, já que havia trabalhos
publicados em Conferências ou sites colaborativos de estudos, em mídias sociais e de
comportamento on-line.
Apesar das sugestões, decidiu-se conduzir o presente artigo de acordo com o próprio
entendimento destes autores, mas certamente as respostas fornecidas pela ferramenta
poderiam contribuir para o direcionamento da pesquisa de um aluno de graduação, iniciação
científica ou interessado em trabalhos dessa natureza, assim como também um pesquisador
avançado, a fim de apontar possíveis alternativas metodológicas no escopo da pesquisa e
identificar novas oportunidades. Essa perspectiva coincide com o que aponta Dwivedi et al.
(2023) sobre utilizar o ChatGPT para fins de feedback e orientação. Alguns testes realizados
e suas observações são apresentados no Quadro 2.
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Quadro 2. Testes realizados
(Continua)
Testes Observações
O resultado foi satisfatório, apresentando conteúdo capaz de
ser utilizado na realização de uma atividade voltada para a área
Crie um paciente e um caso
técnica e de tecnologia em Radiologia. Isso que se alinha com o
simulado com a indicação da
que pressupõem Gilson et al. (2023) sobre a criação de um
realização de um exame de
paciente simulado, e com Thurzo et al. (2023) sobre o potencial
Tomografia Computadorizada.
de ferramentas de IA na prática simulada e suporte à decisão na
educação clínica em odontologia.
O texto de saída foi um passo a passo detalhado, explicativo e
funcional, reafirmando os estudos de pesquisadores como
Crie um passo a passo explicativo
Iskender (2023) e Tlili et al. (2023) a respeito da produção de
para criação de uma tabela no
materiais. É importante considerar que podem haver variações
Excel.
de versões de software que dificultem a aplicação das
sugestões.
Crie um roteiro personalizado de O texto de saída apresentou uma sistematização coerente e
estudos e estratégias para leitura lógica; no entanto, são necessários estudos aprofundados para
de textos em inglês. atestar sua validade.
Ajuste as referências
bibliográficas a seguir nos estilos As respostas foram oscilantes, ora corretas, ora incorretas.
APA, ABNT e Vancouver.
1. Relacione os dados entre textos
Todos os resultados foram satisfatórios. As habilidades
a seguir, indique as palavras-
linguísticas da ferramenta se relacionam com o que dizem
chave de maior frequência e a
Cascella et al. (2023), indicando sua capacidade para fornecer
quantidade de vezes que
definições, criar exemplos de estudos clínicos e extrair dados e
apareceram. 2. Ajuste o texto
registros eletrônicos.
conforme a norma culta.
(Conclusão)
Extraia os dados PICO O texto de saída foi uma síntese dos dados de forma
(Population/Problem, Intervention, organizada e sistematizada, também corroborando o que
Comparison e Outcome, em afirmam Cascella et al. (2023). Isso é útil para um
Português População/Problema, compreensão global sobre o texto, mas ressalta-se que, para
Intervenção, Comparação e estudos estatísticos, sejam utilizado programas e linguagens
Resultado) do seguinte artigo da específicas, como R, Python ou, ainda, a biblioteca de ML
área da saúde. GROBID.
Apresente um script em linguagem
R, para um estudo fictício sobre a Os resultados foram satisfatórios, com comandos funcionais.
produção de energia renovável em Em alguns casos, a ferramenta perdeu o contexto e foi
diferentes países, em ordem necessário reiniciar a sessão do chat.
decrescente.
O ChatGPT apresentou resultados oscilantes, com respostas
Responda às seguintes questões de incorretas, o que vai ao encontro do que discute Iskender
múltipla escolha. (Foram (2023). Isso corrobora o que afirmam Thurzo et al. (2023)
apresentados tópicos diversos e sobre a dificuldade da ferramenta em compreender termos
aleatórios) técnicos.
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O texto de saída foi uma síntese das principais ideias,
Extraia as ideias textuais do resumo
confirmando os dados de Cascella et al. (2023) sobre as
científico a seguir (o texto foi
habilidades que a ferramenta tem para sumarizar
colado junto ao prompt).
informações.
Fonte: Elaborado pelos autores (2023).
De modo geral, os testes indicaram que é importante que os comandos sejam claros
e objetivos, evitando informações que se oponham entre si, pois podem atrapalhar a
compreensão e a especificidade do contexto pela ferramenta. Embora o ChatGPT tenha
apresentado respostas incorretas por diversas vezes, deve-se considerar que, para Gilson et
al. (2023), a ferramenta tem um desempenho comparável a um estudante de medicina do
terceiro ano em avaliações de conhecimento médico, o que indica seu potencial como tutor,
e para a educação em pequenos grupos. Os testes demonstraram o potencial da ferramenta
na instrução autônoma personalizada, o que coincide com as observações de Iskender
(2023), Dwivedi et al. (2023) e Kasneci et al. (2023). Tais autores ressaltam a necessidade de
ajustes pedagógicos ao incorporar o uso da ferramenta para fins educacionais.
A análise dos artigos científicos revela uma relação estreita entre o ChatGPT e a
educação em diferentes níveis e tipos de ensino, como fundamental, médio, superior,
remoto, profissional e especial, incluindo os indivíduos com deficiência, acompanhados por
profissionais (KASNECI et al., 2023). Relaciona-se também com a educação em saúde, como
medicina (CASCELLA et al., 2023; GILSON et al., 2023) e odontologia, além de turismo e
hotelaria (ISKENDER, 2023). Entretanto, o potencial e a aplicabilidade da ferramenta ainda
estão em um processo de descoberta e necessitam de validações científicas para identificar,
de maneira mais aprofundada, os reais impactos dessa tecnologia no âmbito da educação,
bem como estratégias capazes de explorar seu potencial.
Pode-se afirmar que o ChatGPT tem potencial para atuar como ferramenta de
suporte para docentes, pesquisadores e alunos, de modo geral, sobretudo os de perfil
autônomo, frente à sua capacidade de gerar uma experiência individual, personalizada e
fornecer instruções e feedback, o que se aproxima das observações de Thurzo et al. (2023),
Tlili et al. (2023), Dwivedi et al. (2023), Kasneci et al. (2023) e de Iskender (2023). Este último
afirma que o professor poderia se concentrar em assuntos intelectuais de ordem superior,
enquanto o ChatGPT teria um papel de “assistente”. No entanto, é preciso considerar cada
caso especificamente, já que, para estudantes com perfil autônomo, na opinião dos autores
deste artigo, o uso desmedido da ferramenta poderá criar um “senso de independência, que
pode vir a comprometer o interesse por práticas colaborativas e de aprendizagem em
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grupo”.
De acordo com Dewey (1997), a proximidade da vida que ocorre fora e dentro da sala
de aula contribui para uma aprendizagem mais relevante e preparatória. Assim, ficou
evidente a necessidade dos educadores e instituições de ensino de se preparar para lidar
com a presença do ChatGPT e de outras ferramentas de IA em sala de aula, já que a presença
de tais tecnologias nos processos educativos parece uma tendência inevitável. Um estudo
comparativo entre alunos de diferentes níveis e áreas de ensino, idade ou gênero ajudaria a
entender como a ferramenta é usada e como os indivíduos se apropriam ou se beneficiam
dela.
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social (e temporal), com vistas a otimizar o trabalho dos seres humanos, contribuindo para
a celeridade do seu desenvolvimento. Neste ponto, concorda-se com Iskender (2023, p. 9),
para quem “[...] proibir ferramentas de IA nesta era deveria soar tão estranho quanto proibir
caneta e papel na Idade Média para todos, ou ser contra a utilização da internet na história
moderna” (tradução nossa).
Os testes aqui realizados confirmam a visão de Kasneci et al. (2023) e Cascella et al.
(2023) sobre o potencial da ferramenta para otimizar e acelerar a pesquisa. Os resultados
indicam que a pesquisa acadêmica pode explorar diversas abordagens para aprimorar sua
utilização, testando respostas do ChatGPT em áreas como planejamento, metodologia,
estratégia de pesquisa, plano de ensino, concepção e desenho metodológico, estratégia de
mediação de conteúdo, assim como contribuir individualmente com diversas tarefas dos
autores. Porém, faz-se necessário considerar alguns pontos a respeito das implicações de
seu uso na produção acadêmica, os quais são apresentados a seguir:
Apesar de todo o conteúdo gerado pelo ChatGPT ser exclusivo para cada interação,
na perspectiva dos autores deste artigo, subscrevendo as afirmações de Thorp (2023) e
Rahimi e Abadi (2023), o ChatGPT não deve ser incluído como autor de trabalhos
acadêmicos. Por outro lado, considera-se a ferramenta um recurso potente capaz de
contribuir para a celeridade e qualidade da pesquisa científica, novamente em concordância
com Kasneci et al. (2023) e Cascella et al. (2023). Sendo assim, não é possível concordar
integralmente com a posição de Rahimi e Abadi (2023) em relação à rejeição de qualquer
trabalho que envolva a contribuição do ChatGPT. Se assim fosse, não seria adequado utilizar
ferramentas de correção textual, como o Word, ou programas para a mineração e a análise
de dados, como a linguagem R ou Python, entre outros, amplamente empregados no meio
acadêmico e científico.
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escrita. Ao ser questionada se um determinado conteúdo era original e/ou livre de plágio, a
própria ferramenta afirma que não pode garantir que a resposta gerada seja livre de plágio,
e que não tem acesso às fontes utilizadas para construir as respostas, sendo a
responsabilidade do usuário referenciar o texto corretamente.
Para ilustrar isso, foi solicitado ao ChatGPT que explicasse o que é fotossíntese,
apresentando as referências utilizadas para a construção da resposta. A resposta foi uma
definição geral da fotossíntese, mas não se aproxima da complexidade do processo, como
descrito por Raven, Evert e Eichhorn (1992). Após isso, ele foi questionado sobre as
referências apresentadas, se eram exatamente aquelas utilizadas na construção da resposta,
e a ferramenta respondeu com um pedido de desculpas, alegando que não teria acesso
direto às fontes e que aquilo se tratava de um exemplo de referências.
3) O viés algorítmico: Iskender (2023) e Lund et al. (2023) ressaltam riscos de viés e
privacidade. O viés algorítmico e a falta de imparcialidade são questões que devem ser
consideradas no uso da ferramenta, já que suas respostas refletem nos dados utilizados em
seu treinamento e, indiretamente, as possíveis tendências, intencionais ou não, criadas por
seus desenvolvedores (NOBLE, 2018). Torna-se um desafio complexo quantificar os
impactos do viés algorítmico ao longo do tempo, sendo essa mais uma razão para
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desconsiderar o conteúdo informacional gerado pelo ChatGPT, da versão investigada, como
uma fonte confiável de literatura. Isso indica um tópico necessário para pesquisas futuras.
No que diz respeito aos trabalhos analisados, a primeira limitação é que foi utilizada
apenas uma base de dados para a pesquisa, e a segunda limitação é que a amostra é
composta em grande parte por estudos exploratórios e opinativos. Isso ocorre devido à
natureza emergente do tema, que ainda necessita de maior amadurecimento, pesquisas e
discussões acadêmicas. Nos testes práticos, considera-se uma limitação o fato de os testes
não terem sido conduzidos de forma quantitativa.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
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ou tradutores de texto, ou qualquer aplicativo ou site utilizado para fins de extração de
dados, organização, gestão ou automação de tarefas. Portanto, é pertinente considerar seu
uso no suporte instrucional para os fins citados e outros possíveis, desde que observadas as
questões éticas relacionadas ao seu uso.
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APOIO
O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001.
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