Das lânguidas Frinés!
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Esquecimento! – mortalha para as dores –
Aqui na terra é a embriaguez do gozo,
A febre do prazer:
A dor se afoga no fervor dos vinhos,
E no regaço das Margôs15 modernas
É doce então morrer!
Depois o mundo diz: – Que libertino!
A folgar no delírio dos alcouces16
As asas empanou! –
Como se ele, algoz das esperanças,
As crenças infantis e a vida d’alma
Não fosse quem matou!...
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Oh! há dores tão fundas como o abismo,
Dramas pungentes que ninguém consola
Ou suspeita sequer!
Dores na sombra, sem carícias d’anjo,
Sem voz de amigo, sem palavras doces,
Sem beijos de mulher!...
Rio – 1858.
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III.
Pobre criança que te afliges tanto
Porque sou triste e se chorar me vês,
E que borrifas com teu doce pranto
Meus pobres hinos sem calor, talvez;
Deus te abençoe, querubim formoso,
Branca açucena que o paul brotou!
Teu pranto é gota de celeste gozo
Na úlcera funda que ninguém curou.
Pálido e mudo e do caminho em meio
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Friné (Phryné) – cortesã grega. Praxíteles tomou-a como modelo para as suas estátuas de Vênus.
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Outra referência a prostitutas.
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Prostíbulo.
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Sentei-me à sombra sofredor e só!
Do choro a baga umedeceu-me o seio,
Da estrada a gente me cobriu de pó!
Meus tristes cantos comecei chorando,
Santas endechas, doloridos ais...
E a turba andava! Só de vez em quando
Lânguido rosto se volvia atrás!
E louca a turba que passou sorrindo
Julgava um hino o que eu chamava um ai!
Alguém murmura: – Como o canto é lindo! –
Sorri-se um pouco e caminhando vai!
Bendito sejas, querubim de amores,
Branca açucena que o paul brotou!
Teu pranto é gota que mitiga as dores
Da úlcera funda que ninguém curou!
Há na minh’alma alguma cousa vago,
Desejos, ânsias, que explicar não sei:
Talvez – desejos – dalgum lindo lago,
– Ânsias– dum mundo com que já sonhei!...
E eu sofro, oh anjo; na cruel vigília
O pensamento inda redobra a dor,
E passa linda do meu sonho a filha
Soltas as tranças a morrer de amor!
E louco a sigo por desertos mares,
Por doces veigas, por um céu de azul;
Pouso com dia nos gentis palmares
À beira d’água, nos vergéis do sul!...
E a virgem foge... e a visão se perde
Por outros climas, noutro céu de luz;
E eu – desperto do meu sonho verde –
Acordo e choro carregando a cruz!
Pobre poeta! na manhã da vida
Nem flores tenho, nem prazer também!
– Roto mendigo que não tem guarida –
Tímido espreito quando a noite vem!
Bendito sejas, querubim de amores,
Branca açucena que o paul brotou!
Teu doce pranto me acalenta as dores
Da úlcera funda que ninguém curou!
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A minha vida era areal despido
De relva e flor e na estação louçã!
Tu foste o lírio que nasceu, querido,
Entre a neblina de gentil manhã.
Em ondas mortas meu batel dormia,
Chorava o pano a viração sutil,
Mas veio o vento no correr do dia
E, leve, o bote resvalou no anil.
Eu era a flor do escalavrado galho
Que a tempestade no passar quebrou;
Tu foste a gota de bendito orvalho
E a flor pendida a reviver tornou.
Teu rosto puro restitui-me a calma,
Ergue-me as crenças, que já vejo em pé;
E teus olhares me derramam n’alma
Doces consolos e orações de fé.
Não serei triste; se te ouvir a fala
Tremo e palpito como treme o mar,
E a nota doce que teu lábio exala
Virá sentida ao coração parar.
Suspenso e mudo no mais casto enlevo
Direi meus hinos c’os suspiros teus,
E a ti, meu anjo, a quem a vida devo
Hei de adorar-te como adoro a Deus!
... – 1858.
FRAGMENTO.
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IV.
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O mundo é uma mentira, a glória – fumo,
A morte – um beijo, e esta vida um sonho
Pesado ou doce, que s’esvai na campa!
O homem nasce, cresce, alegre e crente
Entra no mundo c’o sorrir nos lábios,
Traz os perfumes que lhe dera o berço,
Veste-se belo d’ilusões douradas,
Canta, suspira, crê, sente esperanças,
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E um dia o vendaval do desengano
Varre-lhe as flores do jardim da vida
E nu das vestes que lhe dera o berço
Treme de frio ao vento do infortúnio!
Depois – louco sublime – ele se engana,
Tenta enganar-se p’ra curar as mágoas,
Cria fantasmas na cabeça em fogo,
De novo atira o seu batel nas ondas,
Trabalha, luta e se afadiga embalde
Até que a morte lhe desmancha os sonhos.
Pobre insensato – quer achar por força
Pérola fina em lodaçal imundo!
– Menino louro que se cansa e mata
Atrás da borboleta que travessa
Nas moitas do mangal17 voa e se perde!...
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Dezembro – 1858.
ANJO!
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M.
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Sub umbra alarum tuarum.
V.
Eu era a flor desfolhada
Dos vendavais ao correr;
Tu foste a gota dourada
E o lírio pôde viver.
Poeta, dormia pálido
No meu sepulcro, bem só;
Tu disseste – Ergue-te Lázaro! –
E o morto surgiu do pó!
Eu era sombrio e triste...
Contente minh’alma é;
Eu duvidava... sorriste,
Já no amar tenho fé.
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Mangue.
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