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Entendendo Regência Verbal e Nominal

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Elí Araújo7
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Sequenciando o nosso trabalho, vamos estudar um pouco de Regência. Essa matéria é simples e intuitiva.

Para que você


consiga entendê-la, deverá fazer um pequeno esforço no sentido de reconhecer as relações entre as palavras em uma sentença.
Basicamente, a Regência costuma servir como a base para compreender os casos de crase. Além disso, há diversas questões
que estão baseadas no emprego (ou não) das preposições em relações dentro das frases.
É evidente que existem regras, as quais devem ser respeitadas, nesse caso, elas aparecerão discriminadas em nosso capítulo.
Iniciemos com algumas definições e, posteriormente, passemos aos casos.

17.1. DEFINIÇÃO
Regência é a parte da sintaxe que se preocupa com a relação entre as palavras e seus possíveis complementos. Pode-se
dividi-la em duas partes fundamentais:

• Regência verbal: relação entre o verbo e seus possíveis complementos.

O menino assistia ao jogo de seus amigos. (O verbo assistir foi empregado no sentido de ver e, nesse sentido, ele deve
ser empregado com a preposição a para introduzir o complemento.)
Eu duvido de que haja pessoas naquela sala. (O verbo duvidar evoca a preposição de para introduzir seu complemento
verbal. Dessa maneira, poderemos compreender que se trata de um verbo com transitividade indireta.)

• Regência nominal: relação entre substantivo, adjetivo ou advérbio e seus possíveis complementos. Veja alguns exemplos:
» Substantivo:

Não havia acesso aos documentos naquele estabelecimento.

» Adjetivo:

Maria é orgulhosa de seus filhos.

» Advérbio:

O candidato reagiu favoravelmente a seus inimigos.

Para facilitar a vida do estudante, vou propor uma analogia mais didática: imagine que uma oração seja um grandioso
“baile”. Algumas palavras podem ir “solteiras” ao baile; outras já estão “casadas” e precisam levar suas companheiras
(preposições) à festa em questão. As palavras solteiras não obrigam a presença de uma preposição. As palavras casadas exigem
o acompanhamento de uma preposição para introduzir um complemento ou um modificador (adjunto).
Na realidade, o estudo da regência leva tempo e depende muito da leitura. Ocorre que, em grande parte das questões, há
verbos que são mais incidentes. Esses compõem os “casos fundamentais de estudo”. Isso é o que faremos a partir de agora.

17.2. PRINCIPAIS CASOS DE REGÊNCIA VERBAL


Doravante, segue uma lista com alguns dos principais casos de regência verbal. Nesta lista, haverá o verbo e os sentidos que
ele pode assumir. Lembre-se dos significados das siglas: VTD (verbo transitivo direto – sem necessidade de preposição), VTI
(verbo transitivo indireto – com necessidade de preposição), VB (verbo bitransitivo – com dois complementos) e VI (verbo
intransitivo – eventualmente empregado com uma preposição para introduzir um modificador).

• Agradar:
» VTD: no sentido de acariciar:

A garota agradava seu animal de estimação.


A mãe agradou o filho para que ele dormisse.

» VTI: no sentido de contentar, deixar feliz. A preposição que rege o complemento, nesse caso, deve ser a:

O aluno agradou ao professor com seu desempenho.


Sua atitude não agrada a seus pares.

• Assistir:
» VTD: no sentido de ajudar:

O professor assistiu seus alunos durante o trabalho.


O Governo assiste o povo com benesses.

» VTI: no sentido de ver, é transitivo indireto, com complemento introduzido pela preposição a:

O ministro assistiu à apresentação do evento.


Ontem, assistimos ao filme mais novo do ano.

» VTI: no sentido de pertencer, o verbo ainda é transitivo indireto e também é introduzido pela mesma preposição a:

Assiste ao homem o direito à vida.


Aquele direito fundamental não assiste mais a todos.

» VI (em): empregado no sentido de morar, deve ser empregado com a preposição em, a fim de montar a locução
adverbial de lugar:

Assistiremos em Manaus até o dia da prova.


Há muitos anos, eu assisto em Campinas.

• Aspirar:
» VTD: no sentido de sorver ou cheirar:

À tarde, aspirava o perfume das flores.


Aspiramos o aroma que a torta exalava.

» VTI: no sentido de ter em vista, desejar, o verbo é transitivo indireto, com complemento regido pela preposição a:

Aspiramos ao cargo mais alto.


Aspirava a que você conseguisse ser aprovado.

• Chegar/Ir: são verbos intransitivos. As preposições podem demarcar o emprego de uma locução adverbial que,
sintaticamente, funciona como adjunto adverbial.
» Preposição a (indica destino). Nesse caso, a preposição introduz um adjunto adverbial:

Chegaremos ao local mencionado.


Irei ao salão horas mais tarde.

» Preposição em (indica estaticidade):

Cheguei no trem à estação. (Estava dentro do trem.)

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