UNIVERSIDADE LICUNGO
FACULDADE DE ECONOMIA E GESTÃO
CURSO DE CONTABILIDADE E AUDITORIA
6º GRUPO
DONALDO ZARLE ABÍLIO
EDILCION JOSÉ ARÃO LANGA
GILSON PAULO ANTÓNIO CHICOTE
NELITO MARZUQUE IMBEUE
SHEINA SHARON RODRIGUÊS
PROGRAMA DE AUDITORIA
QUELIMANE
2025
6º GRUPO
DONALDO ZARLE ABÍLIO
EDILCION JOSÉ ARÃO LANGA
GILSON PAULO ANTÓNIO CHICOTE
NELITO MARZUQUE IMBEUE
SHEINA SHARON RODRIGUÊS
PROGRAMA DE AUDITORIA
Trabalho em grupo de carácter avaliativo a
ser apresentado na Faculdade de Economia
e Gestão, no curso de Contabilidade e
Auditoria, na cadeira de Auditoria
Interna, leccionada pelo docente:
Luanda Aurélio Luanda.
QUELIMANE
2025
Sumários
Pag:
1. INTRODUÇÃO.....................................................................................................................4
1.1. Objectivos Geral....................................................................................................................4
1.1.2. Específicos......................................................................................................................4
1.2. Metodologia...........................................................................................................................5
2. PROGRAMAS DE AUDITORIA........................................................................................6
2.1. Definição e Histórico............................................................................................................6
2.2. Componentes do Programa de Auditoria..............................................................................8
2.2.1. Objecto do Programa de Auditória.................................................................................8
2.2.2. Objectivo do programa de Auditória..............................................................................8
2.2.3. Escopo do trabalho..........................................................................................................9
2.2.4. Avaliação dos riscos envolvidos...................................................................................10
2.2.5. Procedimentos de auditoria a serem executados...........................................................11
2.2.6. Recursos a serem utilizados..........................................................................................12
2.2.7. Cronograma do Programa de Auditória........................................................................12
3. SITUAÇÃO PRÁTICA......................................................................................................13
3.1. Programa Prático de Auditoria – Contabilidade.................................................................13
4. ENUNCIADO.....................................................................................................................14
4.1. Questões..............................................................................................................................14
4.2. Resolução............................................................................................................................14
5. CONCLUSÃO....................................................................................................................15
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................................16
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1. INTRODUÇÃO
O surgimento da auditoria está directamente relacionado com a crescente necessidade
de assegurar a veracidade das informações financeiras e económicas das entidades,
promovendo, assim, maior confiança e transparência. A história da auditoria remonta ao
período em que a escrituração mercantil se tornou essencial para o controle financeiro, com o
marco fundamental sendo a publicação do Método das Partidas Dobradas por Frà Luca
Paccioli, em 1494, no trabalho Summa de Arithmetica, Geometria, Proportioni et
Proportionalita. Este marco histórico é considerado o ponto de partida do desenvolvimento das
práticas contábeis e de auditoria que conhecemos actualmente.
De forma geral, uma auditoria é definida como uma revisão sistemática das
demonstrações financeiras, sistemas financeiros, registros, transacções e operações de uma
entidade, realizada por profissionais contábeis com o objectivo de verificar a precisão dos
registros e garantir a credibilidade das informações contábeis. Além disso, a auditoria tem
como função identificar deficiências no sistema de controlo interno e nas práticas financeiras
da organização, oferecendo recomendações para aprimorá-los.
É importante destacar que, dependendo dos objectivos, da natureza das actividades e
dos relatórios esperados, as auditorias podem variar substancialmente. No entanto, neste
trabalho, o foco será o programa de auditoria, especificamente, a definição do programa de
auditoria, o cronograma e o programa de auditoria interna. O desenvolvimento deste trabalho
seguirá essa linha, com uma análise detalhada das práticas e componentes do programa de
auditoria, visando proporcionar uma compreensão mais profunda sobre a aplicação dessas
ferramentas na prática contábil e de auditoria interna.
1.1. Objectivos Geral
Compreender e aplicar os Programas de Auditoria no contexto da contabilidade e
auditoria interna, destacando sua importância no planeamento, execução e controlo dos
procedimentos de verificação e conformidade organizacional;
1.1.2. Específicos
Identificar os principais componentes de um programa de auditoria, como: objecto,
escopo, avaliação de riscos, procedimentos, cronograma, recursos e tick-marks.
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Aplicar um programa de auditoria à área de contabilidade, com foco em
reconciliação bancária, contas a receber e conformidade fiscal.
Avaliar os riscos associados aos procedimentos contábeis e propor medidas de
mitigação.
Desenvolver um exercício prático que permita demonstrar, passo a passo, a execução
de uma auditoria contábil com base num caso simulado.
1.2. Metodologia
A elaboração deste trabalho baseou-se numa abordagem qualitativa, descritiva e
aplicada. Para o desenvolvimento da parte teórica, recorreu-se ao método bibliográfico, com
consulta a livros especializados em auditoria, artigos académicos, manuais de auditoria e outras
fontes confiáveis que versam sobre os programas de auditoria.
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2. PROGRAMAS DE AUDITORIA
2.1. Definição e Histórico
Programa de Auditoria constitui-se no desenvolvimento do Plano de Auditoria,
executado previamente aos trabalhos de campo, embasado em objectivos definidos e nas
informações disponíveis sobre as actividades da entidade auditada. É o plano de acção
detalhado, destinado a orientar adequadamente o trabalho do auditor, permitindo-lhe, ainda,
complementá-lo quando circunstâncias imprevistas o recomendarem (Morais & Martins,
2013, p.22).
Assim, o programa de auditoria constitui-se no objectivo final do planejamento. É um
plano de acção detalhado e se destina, precipuamente, a orientar adequadamente o trabalho do
auditor interno, facultando-se-lhe, ainda, sugerir oportunamente complementações quando as
circunstâncias o recomendarem.
Neste sentido, Attie (1998), define o programa de auditoria como sendo:
Uma definição ordenada de objectivos, determinação de
escopo e roteiro de procedimentos detalhados, destinado a orientar a
equipe de auditoria; configura-se na essência operacional do trabalho
de auditagem relativamente a uma área específica da entidade ou a
gestão de determinado sistema organizacional e deve estabelecer os
procedimentos para a identificação, análise, avaliação e registro da
informação durante a execução do trabalho (p.56).
Para ele, o programa de auditoria é estruturado de forma padronizada e pode conter:
Sistema organizacional a ser auditado;
Conceituação;
Áreas envolvidas;
Período;
Objectivos;
Cronograma dos trabalhos;
Equipe de auditores internos;
Custos envolvidos;
Tick-marks utilizadas;
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Procedimentos;
Questionário de Avaliação - Controles Internos Administrativos (QACI);
Campo para observações dos auditores internos;
Conceito dos auditores internos;
Orientações gerais.
Ainda para Attie (1998) a utilização criteriosa do programa de auditoria permite à equipe
avaliar, em campo, sobre a conveniência de ampliar os exames (testes de auditoria) quanto à extensão
e/ou a profundidade, caso necessário (p.58).
Neste sentido, o programa visa definir os meios mais económicos, eficientes e
oportunos para se atingir os objectivos da auditoria. Deve ser suficientemente discutido no
âmbito da Unidade de Auditoria Interna e ser aprovado por seu titular ou seu delegado, antes
do início do trabalho de campo.
Por outro lado, Morais & Martins (2013), afirmam que o programa deve ser preparado
analisando-se, entre outros, a natureza e o tamanho da entidade ou sector examinado, as
políticas e o sistema de controlo interno estabelecidos pela administração e as finalidades do
exame que será efectuado. Essas características e circunstâncias devem ser analisadas por
intermédio de um estudo geral, que englobe as informações contidas em trabalhos anteriores,
o conhecimento do ramo de actividade, a avaliação de controlos internos, dentre outras (p.25).
Assim, para eles a época mais adequada para fazer-se o programa ocorre na fase final
do planejamento dos trabalhos, após ter-se conhecimento geral das operações, por meio dos
manuais dos serviços ou elaboração de fluxogramas (Pré-auditoria). A responsabilidade do
programa pode ser do Titular da Unidade de Auditoria Interna ou dos Auditores designados
para o trabalho. As características do programa de auditoria variam de caso para caso, (Morais
& Martins., 2013, p.25). Todavia, é possível estabelecer certos conteúdos mínimos que todo
programa deve conter. Estes requisitos mínimos são:
Objectivo do trabalho;
Aspectos fundamentais de controlos internos;
Procedimentos de auditoria e momento em que serão efectuados;
Extensão dos trabalhos que considera necessária para que o auditor possa concluir
sobre os mesmos.
A preparação do programa de auditoria, portanto, deve seguir o seguinte fluxo:
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Em resumo, a preparação do programa deve seguir o fluxo racional e harmónico,
prevendo uma consistência natural e lógica da actividade do auditor com o próprio fluxo da
actividade. Podendo ser estruturado para que possa ser:
Específico – preparado para cada trabalho de auditoria, quando as actividades
apresentarem frequentes alterações de objectivos, procedimentos ou controles internos; e
Padronizado – destinado à aplicação em trabalhos locais ou em épocas diferentes, com
pequenas alterações, prestando-se a actividades que não se alterem ao longo do tempo ou a
situações que contenham dados e informações similares. Objectiva padronizar os
procedimentos da auditoria de uma mesma unidade auditável.
2.2. Componentes do Programa de Auditoria
Assim, dos itens citados anteriormente, a programação dos trabalhos de auditoria
deverá ser consubstanciada em documento contendo, obrigatoriamente e no mínimo, (Attie,
1998, p.60), os seguintes itens:
Objecto
Objectivos (geral e específicos);
Escopo do exame;
Avaliação dos riscos envolvidos;
Procedimentos de auditoria a serem executados;
Cronograma detalhado do programa de Auditória;
Recursos a serem utilizados (humanos, materiais, tecnológicos e financeiros);
Tick-marks utilizadas
2.2.1. Objecto do Programa de Auditória
Definição sucinta das características da área ou da actividade a ser auditada,
propiciando ao auditor um nível mínimo de informações que permite avaliar, desde logo, a
magnitude, importância, complexidade da área e, portanto, a problemática de controlo que
terá pela frente.
2.2.2. Objectivo do programa de Auditória
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Objectivo da auditoria significa o propósito da actividade programada e é o principal
elemento de referência dos trabalhos que determinará o tipo e a natureza da auditoria. Os
objectivos da auditoria condicionam a determinação do escopo e a metodologia a ser aplicada
e podem ser para:
Prevenir resultados;
Acompanhar processos operacionais e gerenciais; e
Avaliar os resultados orçamentários, financeiros, económicos, patrimoniais e sociais. O
objectivo geral significa o que se pretende alcançar no âmbito macro, ou seja, define o
que a auditoria procurará atingir dentro da área de investigação sob exame: “Qual a
finalidade da realização do exame dentro da área seleccionada?”
Os objectivos específicos representam o detalhamento do objectivo geral,
circunscrevendo a abrangência da auditoria e estabelecendo os limites de sua actuação:
“Quais os pontos que deverão ser analisados, com a finalidade a atingir o objectivo geral da
área de investigação sob exame?”
2.2.3. Escopo do trabalho
Para Costa, (2010) escopo é a delimitação estabelecida para a implementação dos
programas de auditoria. A determinação do Escopo, para ser consistente, deve guardar
compatibilidade com os objectivos da auditoria programada e contemplar os seguintes
elementos estruturais:
Abrangência - refere-se à delimitação do universo auditável, e por ser assim,
representa o mais importante elemento estrutural do escopo. Pelo requisito
Abrangência identifica- se o que deve ser examinado;
Oportunidade - consiste, objetivamente, na pertinência do ponto de controlo e na
temporalidade dos exames programados, aqui o sentido da tempestividade torna-se
variável decisiva. Por meio do requisito Oportunidade identifica-se quando deve ser
realizado o exame, ou seja, o período de abrangência do exame;
Extensão - corresponde à configuração da amostra, à amplitude ou tamanho dos
exames previstos (provas selectivas, testes e amostragens), vale dizer: corresponde à
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quantidade dos exames programados. Através do requisito Extensão identifica-se
quanto deve ser examinado;
Profundidade - significa a intensidade das verificações, o seu grau de detalhamento,
seu nível de minúcia, enfim a qualidade dos exames. Difere, neste sentido, do conceito
da extensão visto aquele se relacionar aos aspectos da quantidade. Pelo requisito
Profundidade identifica-se como deve ser realizado o exame. Ex: técnicas de auditoria
utilizadas, roteiros de Auditoria e Check list aplicados (p.198).
2.2.4. Avaliação dos riscos envolvidos
Na visão de Costa, (2010), a avaliação do risco, durante a fase do planejamento da
auditoria, destina-se a identificação de áreas e sistemas relevantes a serem auditados (p.190).
São as seguintes as espécies de riscos operacionais:
A. Risco humano (erro não intencional; qualificação; fraude);
B. Risco de processo (modelagem; transacção; conformidade; controle; técnico);
C. Risco tecnológico (equipamentos; sistemas; confiabilidade da informação).
A fraude engloba um conjunto de irregularidades e ilegalidades caracterizado pelo
engano intencional, encobertamente ou violação da confiança. Pode ser perpetrada em
benefício de pessoas ou em prejuízo da organização e por pessoas tanto externamente como
integrantes da Companhia, (Attie, 1998, p.64).
O desencorajamento da fraude consiste em acções tomadas tempestivamente para
dissuadir práticas fraudulentas e limitar os riscos operacionais. O principal mecanismo para o
desencorajamento da fraude são os controlos internos administrativos. A responsabilidade
primeira pelo estabelecimento e manutenção de controlos pertence à gestão a custos
razoáveis. Assim, apesar de não ser o objectivo primordial das actividades da Unidade de
Auditoria Interna a busca de fraudes, o auditor interno deve estar consciente da probabilidade
de, no decorrer dos exames e testes, defrontar-se com tais ocorrências. Compete-lhe assim,
prestar especial atenção às transacções ou situações que apresentem indícios de fraudes e,
quando obtida evidencias, comunicar o fato a alta administração para a adoçam das medidas
correctivas cabíveis.
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Avaliar risco em auditoria interna significa identificar, medir e priorizar os riscos para
possibilitar a focalização das áreas auditáveis mais significativas. A avaliação do risco é
utilizada para identificar as áreas mais importantes dentro do seu âmbito de actuação,
permitindo ao auditor interno delinear um planejamento de auditoria capaz de testar os
controlos mais significativos para as questões de auditoria que se mostrarem materialmente e
criticamente relevantes, (Attie, 1998, p.64).
Como ferramenta para a avaliação de riscos, de forma a sistematizar e estruturar
informações de riscos sobre o ambiente de análise poder-se-á utilizar o Diagrama de
Avaliação de Risco, que estabelece o impacto potencial e as probabilidades de ocorrência dos
riscos identificados. Os riscos considerados de baixo impacto, ou seja, de consequências de
baixa gravidade, poderão ser aceitos e monitorados, com ou sem redireccionamento de
condutas/procedimentos. Os riscos de alto impacto poderão requerer a adopção de medidas
saneadoras. Os riscos que além de alto impacto, apresentarem alta probabilidade de
ocorrência, merecerão imediatas medidas saneadoras, (Tribunal de Contas, 1999, p.47).
A auditoria com foco em resultados e centrada no risco acrescenta mais valor a
organização do que uma auditoria centrada apenas nos aspectos de conformidade.
Trata-se de novo paradigma, que significa ampliar a perspectiva da auditoria interna
para abarcar as técnicas de gestão de riscos aos programas de auditoria e de avaliação de
natureza operacional.
Sob essa nova perspectiva, abordagens metodológicas relativas ao controle da gestão
organizacional, foram construídas e traduzidas em modelos de referência reconhecidos mundialmente
que visam à implantação e avaliação de controlos internos.
2.2.5. Procedimentos de auditoria a serem executados
Conjunto de acções ordenadas que permitam ao auditor controlar a execução de seu
trabalho e, ao mesmo tempo, habilitá-lo a expressar sua opinião sobre os controles internos da
organização, (Attie,1998,p.64). São os passos da fase de execução do processo de auditoria e
compreendem os levantamentos de dados, a aplicação de roteiros e check list, coleta das
evidências, aplicação das técnicas de auditoria, registros em papéis de trabalho, e demais
procedimentos necessários a formar e fundamentar a opinião do auditor.
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2.2.6. Recursos a serem utilizados
Na óptica de Attie (1998) é a identificação dos elementos básicos e mínimos
necessários ao desempenho do trabalho de auditoria, e podem ser:
Humanos: equipe de auditores, coordenador, equipe de apoio administrativo;
Materiais: veículos, espaço físico de trabalho, equipamentos;
Tecnológicos: computadores, impressoras, softwares, banco de dados;
Financeiros: recursos para diárias de viagem, transporte, consultorias.
2.2.7. Cronograma do Programa de Auditória
É a definição do tempo necessário para a execução de cada fase do trabalho,
dimensionando-se assim, qual o prazo previsto para a realização da auditoria e entrega dos
resultados.
2.2.8. Tick-marks utilizadas
Para auxiliar na utilização do programa de auditoria, devem ser utilizadas marcas
(símbolos) usuais de verificação denominadas tick-marks. A principal função de tais marcas é
evidenciar qual o tipo de revisa que foi efectuada sobre aquele item marcado, (Tribunal de
Contas,1999, p.45). Com isso, pode se afirmar que as marcas a serem utilizadas são:
a) Conforme documento original examinado ( Ø )
b)
c) Conferido;
d) Cálculo conferido ( Σ )
e) Ponto de relatório ( X )
É importante que os programas de auditoria indiquem claramente o significado de
cada marca ou símbolo empregado.
Os auditores internos dispensarão ao preparo dos programas de auditoria todo o
cuidado e o empenho necessários para que o resultado final atinja o padrão de qualidade
técnico almejado. É desejável, ainda, que o programa de auditoria seja suficientemente
flexível para permitir adaptações tempestivas, sempre que surgirem questões relevantes que
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justifiquem as alterações propostas. Qualquer modificação deve ser levada, por escrito, ao
conhecimento da Unidade de Auditoria Interna e receber a devida análise para que seja
aprovada.
É recomendável que o novo programa de auditoria seja submetido a pelo menos um
teste-piloto, especialmente diante da elevada complexidade e da falta de manualização ou de
informações precisas a respeito do objecto da auditoria, (Tribunal de Contas, 1999,p.47).
Ferramenta útil para facilitar a elaboração conceitual do trabalho e subsidiar as decisões sobre
a estratégia metodológica a ser empregada é a matriz de planejamento, de utilização
obrigatória nas avaliações de natureza operacional e facultativa nas demais modalidades de
trabalho realizadas pela Unidade de Auditoria Interna.
3. SITUAÇÃO PRÁTICA
A empresa Contalider, Lda., atua na prestação de serviços e tem apresentado
inconsistências nos seus registos contabilísticos e nas reconciliações bancárias. Para isso, foi
implementado um programa de auditoria interna com foco nas contas a receber, reconciliação
bancária e conformidade fiscal.
3.1. Programa Prático de Auditoria – Contabilidade
Item Descrição
Objecto Auditoria interna nos processos contabilísticos da Contalider,
Lda.
Objectivo Geral Verificar a conformidade dos registos contabilísticos com as
normas e legislações aplicáveis
Objectivos Específicos • Analisar a exactidão das reconciliações bancárias •
Verificar a regularidade das contas a receber • Avaliar o
cumprimento das obrigações fiscais
Escopo do Exame Período: Janeiro a marco de 2024 Amostra: 3 meses de
registos de diário, contas a receber e reconciliações bancárias
Avaliação de Riscos • Risco de omissão de receitas • Risco de lançamento contábil
incorrecto • Risco de não cumprimento das obrigações fiscais
1. Verificação dos lançamentos contábeis no livro diário 2.
Procedimentos de Auditoria Revisão dos extractos bancários e reconciliações 3. Verificação de
pagamentos e declarações de IVA 4. Revisão dos documentos de
suporte (facturas e recibos)
Recursos Utilizados Humanos: 1 auditor sénior e 2 assistentes Materiais:
computador, calculadoras Tecnológicos: software contábil
(Primavera), Excel Financeiros: orçamento de 70.000 MZN
Tick-marks Ø - Conforme documento original Σ - Cálculo conferido X -
Ponto de relatório C - Conciliação confirmada
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Cronograma 15 dias úteis: • Planejamento: 3 dias • Execução: 9 dias •
Relatório: 3 dias
4. ENUNCIADO
Durante a auditoria interna à conta bancária da empresa Contalider, Lda., foi solicitado
o extracto bancário de Fevereiro de 2024. A contabilidade apresenta um saldo de 500.000
MZN, enquanto o extracto bancário apresenta um saldo de 488.000 MZN.
Após análise, foram identificadas as seguintes diferenças:
Descrição Valor Observação
(MZN)
Depósito efectuado no banco 12.000 Não lançado na
contabilidade
Cheque emitido (ainda não 24.000 Já lançado na
debitado) contabilidade
4.1. Questões
1. Qual é o valor correto do saldo contábil ajustado?
2. O saldo do banco está correto? Justifique.
3. Complete a tabela a seguir com as tick-marks apropriadas para cada situação.
4.2. Resolução
1. Saldo contábil ajustado:
2. O saldo bancário de 488.000 MZN está correto dentro da óptica bancária, pois ainda não foi
debitado o cheque de 24.000 MZN. Portanto, ele está de acordo com os movimentos do banco,
mas ainda não está alinhado com a contabilidade.
3. Tabela com Tick-marks:
Item Tick-mark Justificativa
Depósito não lançado Ø Confirmado com extracto bancário
original
Cheque pendente C Conciliação pendente, pois não saiu do
banco
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5. CONCLUSÃO
O presente trabalho demonstrou que um programa de auditoria bem estruturado — com
objectivos claros, escopo definido e cronograma detalhado — potencializa a eficiência de todo
o processo, garantindo que as decisões relativas ao “o quê”, “como” e “por quê” sejam
registradas em documento formal antes da execução. Esse planejamento escrito não só orienta a
equipe auditora, mas também facilita ajustes oportunos diante de imprevistos, assegurando
maior consistência e transparência aos procedimentos.
Além disso, ficou evidente que o controle interno é um pilar indispensável para o bom
funcionamento de qualquer organização. Quando implantado de forma criteriosa e sustentado
por profissionais capacitados, ele não apenas previne erros e fraudes, mas também optimiza
recursos, melhora o desempenho operacional e fortalece o cumprimento das normas contábeis e
fiscais. A cooperação de todos os colaboradores, aliada a uma comunicação clara sobre
responsabilidades e práticas de auditoria, reforça o engajamento e assegura que o programa
permaneça dinâmico e eficaz.
Por fim, conclui-se que a adopção de um programa de auditoria adaptado às
particularidades de cada departamento, aliado a revisões periódicas e capacitação contínua,
confere à alta administração informações confiáveis e embasadas. Dessa forma, a organização
não só se mantém em conformidade com a legislação, mas também ganha maior segurança na
tomada de decisões estratégicas, contribuindo para sua sustentabilidade e competitividade no
mercado.
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6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Attie, W. (1984). Auditoria: Conceitos e Aplicações. São Paulo: Atlas.
Attie, W. (2007). Auditoria Interna: Conceitos e Aplicações (2ª ed.). São Paulo: Atlas.
Almeida, M. C. (1996). Auditoria: Um Curso Moderno e Completo. São Paulo: Atlas.
Arnold, J. R. (1999). Administração de Materiais. São Paulo: Atlas.
Basso, I. P. (2005). Iniciação à Auditoria (3ª ed.). Ijuí: Unijuí.
Morais, G. & Martins, I. (2013). Auditoria Interna – Função e Processo (3ª ed.). Lisboa: Áreas
Editora.
Sá, A. L. (2002). Curso de Auditoria (10ª ed.). São Paulo: Atlas.
Silva, R. et al. (2000). Coleção Seminários. São Paulo: Atlas.
Tribunal de Contas. (2016). Manual de Auditoria (1ª ed.). Londres: Thompson.
Crepaldi, S. A. (2010). Auditoria Contábil: Teoria e Prática. São Paulo: Atlas.
Borges, L. M. (2012). Auditoria: Fundamentos e Aplicações. Rio de Janeiro: Elsevier.
Arens, A. A., Elder, R. J. & Beasley, M. S. (2014). Auditoria e Serviços de Garantia (14ª ed.).
São Paulo: Pearson Prentice Hall.
Souza, R. S. (2015). Controle Interno: Um Instrumento de Gestão Empresarial. Curitiba: Juruá
Editora.
Oliveira, J. P. (2019). Auditoria Governamental e Prestação de Contas. Lisboa: Edições
Sílabo.